Fabulação

Contos que observam a vida com humor, crítica e humanidade

Fabulação
Fabulação

Nova obra de Ivani Rossi reúne histórias que nascem da experiência, da observação e de uma trajetória marcada pela reinvenção.

Alguns livros não surgem apenas da imaginação, mas da própria travessia da vida.

Ivani Rossi
Ivani Rossi

Em Fabulação, a autora paulistana Ivani Rossi reúne contos que exploram, com sensibilidade e inteligência, as contradições humanas e os pequenos absurdos do cotidiano.

Socióloga de formação e com uma longa atuação na área de marketing, Ivani teve sua vida transformada em 2008, ao enfrentar um câncer gravíssimo.

Foi durante o tratamento que a escrita passou a ocupar um novo lugar em sua rotina, inicialmente como uma forma de compartilhar com filhos, familiares e amigos o que vivia naquele momento.

Esse exercício íntimo se transformou em descoberta.

Curada, decidiu aprofundar sua relação com as palavras e participou de oficinas de escrita que a ajudaram a se libertar da rigidez dos anos dedicados à comunicação corporativa.

Ali, encontrou espaço para desenvolver uma escrita mais livre, criativa e pessoal.

Dessa experiência nasceram suas primeiras publicações: Peruca, Pizza e Pitadas de Químio, em 2010, relato sensível sobre o tratamento contra o câncer; o infantil O gato que queria ser peixe, em 2020; e o romance O telefone toca, frio, lançado em 2023.

Agora, em Fabulação, Ivani apresenta um conjunto de contos que têm origem tanto nessas oficinas quanto na observação atenta das relações sociais, um olhar que dialoga diretamente com sua formação e sua vivência.

As histórias partem de situações aparentemente comuns: um velório observado pela própria falecida, disputas silenciosas por heranças, relações que se transformam ou se esvaziam, obsessões cotidianas.

Com bom humor, ironia e metáforas sutis, a autora conduz o leitor por narrativas que revelam fragilidades, vaidades e escolhas humanas.

Cada conto surpreende não apenas pelo desfecho, mas pela forma como expõe aquilo que muitas vezes preferimos não ver.

Mais do que um livro de histórias, Fabulação é fruto de uma jornada de reinvenção, uma escrita que nasce da experiência e da observação da vida como ela é: complexa, contraditória e profundamente humana.

REDES SOCIAIS DA AUTORA

FABULAÇÃO

SINOPSE

Ivani mergulha, através de seus contos, no fundo da alma humana.

Seus relatos sempre escapam do óbvio e produzem um inesperado efeito que às vezes se concretizam em uma única frase.

Fabulação nos traz o inefável da psique, aquela nuance que mescla o fantástico e o cotidiano.

Caminha com familiaridade nas pluralidades do comportamento humano, ora pelo fluxo de ideias e associações livres, ora pela própria construção do enredo.

Cada texto é uma explosão de vida, uma confissão.

Esmera-se na descrição dos ambientes. Ironiza a doutrina da “superação” e mostra, com humanidade, a precariedade humana.

As histórias se desenrolam e vão descortinando surpresas.

Uma frase curta contém uma tragédia.

O parágrafo anseia pelo seguinte.

Algumas de suas frases singulares: rugas inoportunas, desinfeliz, menos que mignon, igual ao cérebro de água-viva, mulher vestida de closet, incompreendo, o cérebro é uma peneira constantemente cheia, fome de faquir arrependido, apetite sexual de uma estátua de mármore e por aí vai.

Ivani vai desfiando seu mosaico plurificado de paixões. Engoli, ao lê-la, baldes de emoção.

Gilberto LabateTradutor e analista junguiano 

Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DA AUTORA

Peruca, Pizza e pitadas de químio
Peruca, Pizza e pitadas de quimio

O gato que queria ser peixe
O gato que queria ser peixe

Telefone toca, frio
O telefone toca frio

Fabulação
Fabulação

Onde encontrar


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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Café.com

🌟☕🎶 Vem aí um novo espaço de cultura, sabor e inspiração em Manhuaçu! 🎶☕

Café.com - Imagem criada pelo artista plástico Fabrício Santos
Arte criada pelo artista plástico Fabrício Santos

O Instituto Gotland Group tem a alegria de anunciar a inauguração do

✨ Café.com – Arte, Música e Poesia

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📅 Data: 07 de março de 2026

⏰ Horário: 13h

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Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno

Segundo encontro do Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno

Logo do Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno
Logo do Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno

No dia 08 de fevereiro de 2026 na residência do mestre bacamarteiro, o ilustre Capitão no Alto da Maternidade em Moreno PE, foi realizada a segunda reunião do Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno, sob a gestão do presidente Reginaldo Alfredo.

No encontro foram abordados diversos temas relacionados ao catálogo de eventos e trabalhos que serão concretizados durante o ano 2026, como artes cênicas, com a apresentação do bacamarte, intercâmbio com outras tradições e folclores, entrevistas, diálogo pedagógico nas oficinas de artes, eventos e encontros.

O grupo vem desenvolvendo excelente atuação em prol da preservação do acervo histórico da cultura do bacamarte. Na sequência da reunião houve um momento sagrado de reflexão e iluminação de Deus seguido com a excelente culinária nordestina e as canções da cultura como o carimbó e o Forró pé de Serra. Todos estão profundamente agradecidos a Deus e ao Capitão e sua digníssima esposa pelo caloroso acolhimento.

Bruno Alves Feitosa

Bruno Alves Feitosa
Correspondente do Jornal ROL pela cidade de Recife (PE)

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A fundação da Biblioteca Nacional do Brasil

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

‘A fundação da Biblioteca Nacional do Brasil: origens, consolidação e importância histórica’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Foto da Fachada da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Foto: fvolu / Shutterstock.com
Foto da Fachada da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Foto: fvolu / Shutterstock.com

Resumo

A Biblioteca Nacional do Brasil constitui-se como uma das mais importantes instituições culturais da América Latina e uma das maiores bibliotecas do mundo. Sua origem está diretamente relacionada à transferência da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808, evento que provocou profundas transformações políticas, administrativas e culturais no território colonial.

Este artigo tem como objetivo analisar o processo histórico de fundação da Biblioteca Nacional, desde a chegada da Real Biblioteca portuguesa ao Rio de Janeiro até sua consolidação como órgão responsável pela preservação da memória bibliográfica nacional. A pesquisa fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise documental, buscando compreender o papel da instituição na formação intelectual do Brasil, sua evolução administrativa e sua relevância no cenário cultural e historiográfico.

Conclui-se que a Biblioteca Nacional não apenas acompanhou o processo de formação do Estado brasileiro, como se tornou elemento essencial na construção da identidade cultural do país.

Palavras-chave: Biblioteca Nacional. História do Brasil. Real Biblioteca. Patrimônio cultural. Memória nacional.

Abstract

The National Library of Brazil is one of the most important cultural institutions in Latin America and one of the largest libraries in the world. Its origin is directly linked to the transfer of the Portuguese Court to Brazil in 1808, an event that generated profound political, administrative, and cultural transformations in the colonial territory.

This article aims to analyze the historical process of the foundation of the National Library, from the arrival of the Portuguese Royal Library in Rio de Janeiro to its consolidation as the institution responsible for preserving Brazil’s bibliographic heritage. The research is based on bibliographic review and documentary analysis, seeking to understand the institution’s role in the intellectual formation of Brazil, its administrative evolution, and its relevance in the cultural and historiographical context.

It is concluded that the National Library not only accompanied the formation of the Brazilian State but became an essential element in the construction of national cultural identity.

Keywords: National Library. History of Brazil. Royal Library. Cultural heritage. National memory.

1 INTRODUÇÃO

A constituição de instituições culturais é elemento fundamental para o fortalecimento da identidade e da soberania de uma nação. No Brasil, esse processo teve início de forma mais consistente apenas a partir do século XIX, especialmente com a transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808. Entre as diversas transformações desencadeadas por esse acontecimento, destaca-se a criação da Biblioteca Nacional, marco inaugural da vida intelectual organizada no país.

Antes desse período, a colônia brasileira possuía acesso extremamente limitado à produção bibliográfica, reflexo das restrições impostas pela metrópole portuguesa, que proibira tipografias e restringira a circulação de livros. Assim, a chegada da Real Biblioteca representou não apenas a transferência de um acervo, mas a introdução de uma nova concepção de cultura, ciência e educação no território brasileiro.

Este artigo tem como objetivo analisar o processo histórico de fundação da Biblioteca Nacional do Brasil, contextualizando sua origem, evolução institucional e importância para a preservação da memória cultural brasileira.

2 METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, de abordagem histórico-documental. Foram utilizados como procedimentos metodológicos a revisão bibliográfica de obras especializadas em história do Brasil, história das instituições culturais e biblioteconomia histórica, bem como a análise de documentos oficiais, decretos régios e publicações institucionais da própria Biblioteca Nacional.

A investigação fundamentou-se no método historiográfico, buscando compreender os acontecimentos em sua dimensão temporal, política e cultural, considerando as múltiplas relações entre Estado, sociedade e produção do conhecimento. Para tal, adotou-se a perspectiva da história cultural, a qual permite analisar as instituições como espaços de poder simbólico e de construção da memória coletiva.

O levantamento bibliográfico incluiu livros, artigos científicos, teses, dissertações e documentos digitais disponibilizados por instituições oficiais, priorizando autores reconhecidos no campo da historiografia brasileira. A seleção das fontes obedeceu a critérios de relevância temática, confiabilidade acadêmica e pertinência cronológica.

Além disso, realizou-se análise comparativa entre diferentes interpretações historiográficas acerca da transferência da Corte Portuguesa e de seus impactos culturais, possibilitando uma leitura crítica do processo de formação da Biblioteca Nacional. Essa abordagem permitiu identificar convergências e divergências teóricas, enriquecendo a compreensão do fenômeno histórico estudado.

Por fim, os dados coletados foram organizados e interpretados de forma analítica, buscando estabelecer conexões entre os eventos históricos e o desenvolvimento institucional da Biblioteca Nacional, de modo a evidenciar sua importância estrutural na constituição da cultura letrada brasileira.

3 A TRANSFERÊNCIA DA CORTE PORTUGUESA E O CONTEXTO HISTÓRICO

A invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, em 1807, levou o príncipe regente Dom João a transferir a sede do Império Português para o Brasil. Tal deslocamento, inédito na história do colonialismo europeu, provocou uma reconfiguração profunda do status político da colônia, que passou a sediar a administração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Entre os bens transportados encontrava-se a Real Biblioteca, criada em 1796, composta por aproximadamente 60 mil volumes, incluindo obras raras, manuscritos e coleções científicas. Esse acervo refletia o espírito iluminista do final do século XVIII e representava um dos mais valiosos patrimônios culturais da monarquia portuguesa.

A presença da Corte no Rio de Janeiro desencadeou transformações estruturais na vida urbana, administrativa e cultural da antiga colônia. Foram criadas instituições fundamentais, como a Imprensa Régia, o Banco do Brasil, a Escola Médico-Cirúrgica e o Jardim Botânico, estabelecendo as bases para a formação de um aparelho estatal moderno.

No campo cultural, a abertura dos portos e o fim das restrições à impressão e à circulação de livros favoreceram a ampliação do acesso ao conhecimento e estimularam o surgimento de uma elite intelectual local. Esse ambiente permitiu a consolidação de práticas de leitura, escrita e produção científica até então inexistentes no Brasil colonial.

Nesse contexto, a transferência da Real Biblioteca não deve ser compreendida apenas como um deslocamento físico de obras, mas como parte de um projeto político de afirmação da monarquia portuguesa no ultramar. A instalação da biblioteca simbolizava a intenção de transformar o Rio de Janeiro em capital de um império luso-brasileiro, dotado de instituições compatíveis com as grandes cortes europeias.

Assim, o surgimento da Biblioteca Nacional insere-se em um amplo processo de reorganização administrativa e cultural, no qual o conhecimento passou a ser reconhecido como instrumento de poder, legitimidade e modernização do Estado.

4 A FUNDAÇÃO DA REAL BIBLIOTECA NO BRASIL

Após a chegada da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, os livros provenientes de Lisboa permaneceram inicialmente acondicionados em caixas, em razão da ausência de um espaço adequado para sua instalação imediata. Somente a partir de 1810, por determinação do príncipe regente Dom João, iniciou-se o processo oficial de organização da Real Biblioteca em território brasileiro.

A instituição foi inicialmente instalada em dependências adaptadas do antigo Hospital da Ordem Terceira do Carmo, situado nas proximidades do Paço Real. Esse espaço provisório passou por reformas estruturais para acomodar o vasto acervo, que exigia condições específicas de conservação, catalogação e acesso.

Em 1814, a Real Biblioteca foi oficialmente aberta à consulta pública, embora com restrições próprias do período, tornando-se a primeira instituição bibliográfica de caráter público no Brasil. Tal medida representou avanço significativo no campo cultural, ao permitir que estudiosos, funcionários do Estado, religiosos e intelectuais tivessem acesso direto às obras.

A abertura da biblioteca refletia os ideais iluministas que influenciaram a política joanina, nos quais o conhecimento era compreendido como instrumento de progresso, racionalidade e fortalecimento do Estado. Nesse sentido, a instituição desempenhou papel estratégico na formação de quadros administrativos e na difusão das ciências, das artes e da literatura.

Paralelamente, foram implementadas práticas técnicas de organização bibliográfica inspiradas nos modelos europeus, incluindo sistemas iniciais de classificação, inventários e registros patrimoniais. Essas ações contribuíram para a profissionalização da gestão do acervo e para a consolidação da biblioteca como órgão permanente da administração pública.

Além de seu valor intelectual, a Real Biblioteca possuía forte caráter simbólico. Sua presença em solo brasileiro reforçava a ideia de continuidade da monarquia portuguesa no ultramar e legitimava o Rio de Janeiro como nova capital do Império. Assim, a fundação da biblioteca não pode ser dissociada do projeto político de afirmação do poder régio e de transformação do Brasil em centro decisório do mundo luso.

Dessa forma, a Real Biblioteca estabeleceu as bases institucionais que permitiriam, nas décadas seguintes, o surgimento da Biblioteca Nacional, tornando-se referência fundamental na construção da cultura letrada brasileira.

5 DA INDEPENDÊNCIA À CONSOLIDAÇÃO NACIONAL

Com a Independência do Brasil, proclamada em 1822, a antiga Real Biblioteca passou por um processo de redefinição institucional, acompanhando as transformações políticas e administrativas do novo Estado. A consolidação do Império exigia a reorganização dos bens herdados da Coroa Portuguesa, entre eles o vasto acervo bibliográfico transferido para o Brasil.

Em 1825, por meio dos acordos diplomáticos que resultaram no reconhecimento formal da Independência por Portugal, a biblioteca foi oficialmente adquirida pelo governo brasileiro, passando a integrar definitivamente o patrimônio nacional. A partir desse momento, recebeu a denominação de Biblioteca Imperial e Pública da Corte, refletindo sua nova condição jurídica e simbólica.

Durante o Primeiro Reinado e, posteriormente, ao longo do Segundo Reinado, a instituição desempenhou papel relevante na formação da elite intelectual brasileira. O acesso às obras favoreceu o desenvolvimento da historiografia nacional, da produção jurídica, do pensamento político e da literatura romântica, fundamentais para a construção do ideário nacional.

Nesse período, a biblioteca ampliou significativamente seu acervo por meio de aquisições, doações particulares e intercâmbios internacionais, acompanhando o crescimento da imprensa e da produção editorial no país. A criação de periódicos científicos e literários reforçou sua função como centro de referência intelectual.

Com a Proclamação da República, em 1889, a instituição foi oficialmente denominada Biblioteca Nacional, assumindo caráter republicano e laico. Essa mudança não se limitou à nomenclatura, mas representou a reafirmação de seu papel como guardiã da memória coletiva e instrumento de democratização do conhecimento.

Assim, ao longo do século XIX, a biblioteca consolidou-se como elemento estruturante da vida cultural brasileira, acompanhando o processo de formação do Estado nacional e contribuindo decisivamente para o fortalecimento da identidade histórica do Brasil.

6 O EDIFÍCIO DA CINELÂNDIA E A MODERNIZAÇÃO INSTITUCIONAL

O crescimento contínuo do acervo da Biblioteca Nacional, sobretudo ao longo do século XIX, tornou evidente a insuficiência das antigas instalações, que já não atendiam às necessidades de preservação, catalogação e atendimento ao público. Diante desse cenário, o governo republicano passou a discutir a construção de uma sede definitiva que representasse a importância simbólica e cultural da instituição.

Inaugurado em 1910, o atual edifício da Biblioteca Nacional, localizado na região da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foi projetado pelos engenheiros Francisco Marcelino de Sousa Aguiar e Generalíssimo Hermenegildo de Barros, em estilo eclético, fortemente influenciado pela arquitetura francesa do século XIX.

A nova sede foi concebida para atender padrões modernos de funcionamento, incorporando salas de leitura amplas, depósitos apropriados, iluminação natural, estruturas metálicas importadas e técnicas inovadoras de conservação documental. Esses avanços possibilitaram maior segurança ao acervo e melhor atendimento aos pesquisadores.

A construção do edifício integrou o amplo projeto de modernização urbana do Rio de Janeiro durante a gestão do prefeito Pereira Passos, período conhecido como “bota-abaixo”, que buscava alinhar a então capital federal aos modelos das grandes metrópoles europeias.

Paralelamente às mudanças arquitetônicas, a Biblioteca Nacional passou por significativa reorganização administrativa, com a criação de setores técnicos especializados, como catalogação, restauração, iconografia e obras raras. Esse processo contribuiu para a profissionalização dos serviços biblioteconômicos no país.

No decorrer do século XX, a instituição incorporou novas tecnologias, ampliou seu quadro técnico e consolidou o sistema do depósito legal, instrumento fundamental para garantir a preservação integral da produção intelectual brasileira. Dessa forma, a Biblioteca Nacional firmou-se como órgão central da política cultural do Estado, unindo tradição histórica e modernização institucional.

7 O ACERVO E A RELEVÂNCIA INTERNACIONAL

Atualmente, a Biblioteca Nacional do Brasil abriga um dos maiores e mais importantes acervos bibliográficos do mundo, estimado em mais de nove milhões de itens, entre livros, periódicos, manuscritos, mapas, partituras, iconografias e documentos digitais. Esse patrimônio constitui-se como fonte indispensável para pesquisas nas áreas de história, literatura, artes, ciências sociais e humanas.

Entre os conjuntos mais valiosos encontram-se os livros raros dos séculos XV ao XVIII, incluindo incunábulos europeus, primeiras edições de obras científicas e filosóficas, além de manuscritos que remontam ao período colonial brasileiro. Destacam-se ainda as coleções cartográficas e iconográficas, fundamentais para o estudo da formação territorial e urbana do país.

A biblioteca possui igualmente um dos mais completos acervos de periódicos brasileiros, reunindo jornais e revistas desde o século XIX, essenciais para a compreensão da vida política, cultural e social do Brasil. Esses documentos permitem o acompanhamento da evolução do pensamento nacional e da imprensa como instrumento de debate público.

No cenário internacional, a Biblioteca Nacional mantém intercâmbio com instituições congêneres, participando de redes de cooperação científica e cultural. Parte significativa de seu acervo integra o Programa Memória do Mundo, da UNESCO, reconhecimento que atesta seu valor universal e sua relevância para a humanidade.

Além da preservação física, a instituição tem investido em processos de digitalização, ampliando o acesso remoto às coleções por meio da Biblioteca Nacional Digital. Tal iniciativa contribui para a democratização do conhecimento e para a difusão do patrimônio documental brasileiro em escala global.

Dessa forma, o acervo da Biblioteca Nacional transcende fronteiras nacionais, consolidando-se como referência internacional na preservação da memória, na pesquisa acadêmica e na valorização da herança cultural do Brasil.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise do processo histórico de fundação da Biblioteca Nacional do Brasil evidencia que sua criação está intrinsecamente vinculada às profundas transformações políticas, administrativas e culturais desencadeadas pela transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808. Tal acontecimento marcou o início de uma nova etapa na história do país, caracterizada pela instalação de instituições fundamentais à organização do Estado e à formação de uma vida intelectual estruturada.

Ao longo do século XIX, a antiga Real Biblioteca acompanhou o processo de Independência e consolidação do Império, sendo incorporada definitivamente ao patrimônio nacional. Sua evolução institucional refletiu os esforços do Estado brasileiro em construir uma identidade própria, baseada na valorização do conhecimento, da educação e da cultura letrada como pilares da nação.

A transformação da Biblioteca em instituição republicana, após 1889, reforçou seu caráter público e democrático, ampliando sua função social e simbólica. A mudança de denominação para Biblioteca Nacional não representou apenas um novo marco administrativo, mas a reafirmação de seu papel como guardiã da memória coletiva brasileira.

A inauguração do edifício da Cinelândia, em 1910, consolidou materialmente a importância da instituição, integrando-a ao projeto de modernização urbana e cultural da então capital federal. Desde então, sucessivos processos de reorganização administrativa, ampliação do acervo e incorporação de novas tecnologias permitiram sua permanência como referência intelectual ao longo do século XX e início do XXI.

Destaca-se ainda o papel estratégico da Biblioteca Nacional na preservação do patrimônio documental brasileiro, especialmente por meio do depósito legal, que assegura o registro sistemático da produção editorial do país. Tal função confere à instituição responsabilidade única na salvaguarda da memória impressa e digital da nação.

No cenário contemporâneo, os investimentos em digitalização e acesso remoto ampliaram significativamente o alcance social da Biblioteca Nacional, democratizando o conhecimento e permitindo que pesquisadores, estudantes e cidadãos tenham acesso ao acervo independentemente de sua localização geográfica.

Dessa forma, a Biblioteca Nacional transcende sua condição de espaço físico de guarda documental, consolidando-se como instituição viva, dinâmica e essencial para a compreensão da história, da cultura e da identidade brasileira. Sua trajetória confirma que a preservação do passado constitui elemento indispensável para a construção do futuro.

Conclui-se, portanto, que a Biblioteca Nacional do Brasil permanece como um dos mais sólidos pilares da memória nacional, símbolo da continuidade histórica do Estado brasileiro e instrumento fundamental para o fortalecimento da cidadania cultural, da pesquisa acadêmica e da valorização do patrimônio histórico do país.

REFERÊNCIAS

ABREU, Márcia. Cultura letrada no Brasil: objetos e práticas. Campinas: Mercado de Letras, 2006.

BARBOSA, Francisco de Assis. A Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1999.

BIBLIOTECA NACIONAL. História da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: FBN, 2020.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: EDUSP, 2015.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.

DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette: mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

GONDRA, José Gonçalves; SCHUELER, Alessandra. Educação, poder e sociedade no Império brasileiro. São Paulo: Cortez, 2008.

NEVES, Lúcia Maria Bastos Pereira das. Corcundas e constitucionais: a cultura política da Independência (1820–1824). Rio de Janeiro: Revan, 2003.

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

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O crítico

José Antonio Torres: Crônica ‘O crítico’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Bing – 18 de fevereiro de 2026, às 08?05 PM

O ser humano tem o péssimo hábito de ser um crítico mordaz de seus semelhantes. Julga como se fosse infalível, como se fosse onisciente.

Na maioria das vezes, esse crítico implacável é aquele que tem contra si grandes falhas em seu comportamento e atitudes, mas é incapaz de reconhecê-las. Falta-lhe humildade.

Há algo ainda pior em alguns desses indivíduos: são pessoas falsas. Criticam, julgam mal o seu semelhante, mas quando estão em sua companhia, se mostram muito amigáveis.

Ninguém é melhor do que ninguém.

Nas mais diversas atividades, uns as desempenharão com mais competência e eficiência do que outros. Em outras mais, as cumprirão de forma apenas satisfatória, nada além disso. Em outras, ainda, irão se superar, agigantando-se diante das adversidades.

Assim é a vida. Ninguém está pronto e nem é perfeito em tudo. Todos nós evoluímos diariamente em conhecimentos, capacidade e em comportamentos éticos e morais. Portanto, não veja o seu semelhante como um inferior, um incapaz ou incompetente. Ele poderá surpreender em muitas oportunidades.
Respeite. Seja verdadeiro e não um falso em suas relações, sejam elas sociais, profissionais ou sentimentais.

Estamos aqui neste planeta para aprender. Seu bom exemplo de vida e de conduta diante da mesma pode servir de estímulo e exemplo para aqueles que convivem com você. Da mesma forma que uma atitude, uma postura negativa ou falsa mostrará que você é uma pessoa que não se deve ter ao lado. Você será visto como não confiável.

Como podem perceber, isso também é uma crítica. Precisamos trabalhar em nós esse comportamento.
O seu comportamento e o seu exemplo determinarão se você é um aglutinador ou alguém que deve ser evitado. Vamos entender isso não como uma crítica, mas como sendo apenas uma questão de afinidade e bem-estar. Vamos procurar ser sempre amáveis com nossos semelhantes. E se ainda assim, não conseguirmos dominar esse nosso senso crítico, que sejamos críticos, não dos nossos semelhantes, mas de nós mesmos.

José Antonio Torres

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Literatura infantil com propósito

Flávia Fernandes une imaginação, sustentabilidade e inclusão

Flávia Fernandes
Flávia Fernandes

Natural de Campinas, Flávia Fernandes do Nascimento carrega desde a infância dois sonhos que pareciam caminhar juntos: ser bióloga ou escritora.

Hoje, aos 52 anos, pós-graduada em Biotecnologia Ambiental, ela mostra que conseguiu unir as duas vocações em uma literatura infantil cheia de propósito, sensibilidade e consciência.

Casada, mãe, apaixonada por animais e pelas múltiplas formas de expressão escrita, Flávia já participou de diversas antologias e publicou quatro livros, entre eles duas obras infantis que transformam temas essenciais em histórias leves e encantadoras.

Em “Natal Ecológico”, o leitor é levado ao Projeto Gente da Prainha, onde a Mata Atlântica e o bosque se tornam cenários de aprendizado e descobertas.

A obra aborda, de forma acessível e lúdica, conceitos como preservação, sustentabilidade, coleta seletiva e os 5 Rs, despertando nas crianças a importância do cuidado com o meio ambiente desde cedo.

Já em “Tutti Horti Frutti”, a diversão acontece na cozinha da Dona Chica.

Durante a madrugada, frutas, legumes, verduras e proteínas protagonizam uma disputa animada para decidir quem será o prato principal do dia.

Com personalidades marcantes e argumentos cheios de sabor e informação, os alimentos ensinam, de maneira divertida, sobre alimentação saudável, respeito às diferenças e trabalho em equipe.

No fim, a grande lição é clara: cada um tem seu valor na construção de algo maior.

Com linguagem leve, personagens cativantes e uma mensagem que vai além das páginas, Flávia transforma temas como sustentabilidade e inclusão em experiências literárias que educam e encantam ao mesmo tempo.

Mais do que histórias, seus livros são convites para formar leitores conscientes, curiosos e preparados para cuidar do mundo e uns dos outros.

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NATAL ECOLÓGICO

SINOPSE

Tudo acontece no Projeto Gente da Prainha, como visitas ilustres à Mata Atlântica e ao bosque, ensinamentos sobre ecologia, preservação, conservação, sustentabilidade, meio ambiente, os 5 Rs e coleta seletiva do lixo (resíduos).

Há uma visitação ao Aquário, conhecimento sobre a poluição do mar, lixos na praia e no mar, mortes dos animais marinhos, adoecimento dos corais, efeito estufa e aquecimento global.

Diante da preocupação de ajudar a natureza, adultos, crianças e adolescentes organizam uma festa em uma data muito especial.

Através da Educação Ambiental, muitas ideias surgem para transformá-la em uma festa sustentável.

TUTTI-HORTI-FRUTTI

SINOPSE

Na cozinha da Dona Chica, a madrugada é animada: frutas, legumes, verduras e até proteínas entram numa divertida disputa para saber quem será o prato principal do dia.

Com personalidades únicas e argumentos cheios de sabor e nutrição, cada alimento apresenta suas qualidades, criando uma verdadeira festa de cores, aromas e conhecimento.

No fim, todos descobrem que o mais importante não é competir, mas trabalhar juntos para nutrir e alegrar as pessoas.

Com linguagem leve, personagens cativantes e um toque de humor, Tutti-Horti-Frutti é uma deliciosa história que encanta os pequenos leitores enquanto ensina sobre alimentação saudável, respeito às diferenças e o valor de cada um na construção de algo maior.

OBRAS DA AUTORA

Natal Ecológico
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Tutti-Horti-Frutti
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Da Índia para o ROL, Surendra Nagaraju!

Autor de geyams, poemas prosódicos (métricos), poesia e prosa experimental, ensaios sobre linguagem, ensaios críticos, dentre outros textos, Surendra Nagaraju traz ao ROL o universo da Índia!

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga

Surendra Nagaraju, 73, natural de Elegandal, distrito de Karimnagar, no Estado de Telengana, Índia, pediatra aposentado, deixou a prática médica para se dedicar totalmente à literatura. Agora conhecido pelo pseudônimo Elanaaga, é poeta, escritor, tradutor e crítico renomado nas áreas de literatura telugu e inglesa.

Autor de 41 livros, dos quais 19 são obras originais e 22 são traduções. Seus trabalhos incluem livros de verso livre, geyams ou canções, poemas prosódicos (métricos), poesia e prosa experimental, ensaios sobre linguagem, ensaios críticos, contos, palavras cruzadas, traduções bidirecionais etc.

Traduziu histórias latino-americanas, histórias africanas, histórias de Somerset Maugham, histórias do mundo, Crônicas de um Coveiro de Cadáveres de Cyrus Mistry, Ghalib: O Homem, Os Tempos de Pavan K Varma e Não Apenas os Oceanos de K Sacchidanandan para o telugu, para citar alguns exemplos. Traduziu também para o inglês obras de escritores veteranos de língua telugu, como Vattikoata Alwaru Swamy, Dasarathi Krishnamacharya, Kaloji Narayana Rao e outros.

Em 2023, recebeu um prêmio internacional de ‘Melhor Poeta’, concedido pela organização Ukiato, por sua coleção de poemas em inglês, ‘Dazzlers’, traduzida para 25 idiomas. Seus artigos continuam a aparecer regularmente em periódicos em telugu e inglês. Alguns foram publicados em Indian Literature, Muse India, Rock Pebbles, Literary Vibes, Episteme etc.

No mesmo ano, foi vencedor do prestigiado Kendra Sahitya Akademi Award (Prêmio de Tradução da Sahitya Akademi) pela sua tradução da biografia “Ghalib Naati Kaalam” (do original em inglês Galib: The Man, The Times de Pavan K. Varma) para o Telugu.

Surendra é um grande fã de música clássica indiana, especialmente a música hindustani. Compôs muitos poemas sobre música clássica e músicos e escreveu inúmeros artigos sobre músicos e música clássica indiana.

Surendra se apresenta aos leitores do ROL com An absurd portreit, um poema questionador sobre as contradições da alma humana.

An absurd portreit

Imagem criada por IA do ChatGPT – 11 de fevereiro de 2026, às 13h20 – https://chatgpt.com/c/698caab6-fa14-832a-bbe6-c1f85557fdba

O the one who fitted soul lamps in our ribcages
and wrapped us in flesh, skin!
You forgot to put homogeneity in our hearts;
made us break up into groups, dance in rage. Why?
We are the ones who planted
the seedlings of rancor though.
You hadn’t fixed in us the genes
of monotheism at birth itself. Why?

You drew an absurd portrait
full of animosities, enmities.
Its name is the world; money is fuel for it,
and deception its cardinal feature.

We dream to mitigate misery in the world,
but fail to realize that dream.
Destruction is the aim everywhere;
devastation is the ideal.
We were born as seeds untainted,
yet polluted we are, now!

Overt resistance is better than
a covert conversation I feel,
hence this poser to you.
Won’t you sow seeds
of change in us, Ó God!

Surendra Nagaraju

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