De Haifa, ao Jornal Cultural ROL, Rita Odeh!

Rita Odeh traz ao ROL a alma poética de Haifa, a ‘Linda Praia’, celebrada por sua beleza cênica, estendendo-se do Mar Mediterrâneo até as encostas do Monte Carmelo!

Rita Odeh

Rita Odeh, natural de Nazaré e residindo em Haifa, é poetisa, romancista e tradutora palestina, bacharel em Língua Inglesa e Literatura Comparada pela Universidade de Haifa, tendo lecionado Inglês no Ensino Médio Municipal de Nazaré.

Dedica-se à escrita criativa desde 2000, nos estilos poesia em prosa, microcontos, haicai, contos, romances, literatura infantil, cartas e leituras impressionistas, sendo vencedora de diversos primeiros lugares em concursos internacionais de haicai.

Publica seus trabalhos literários no saite ‘Ahewar’ e sua obra foi resenhada por diversos críticos, tanto locais quanto de todo o mundo árabe.

Publicações Literárias:

I.  Coletâneas de Poesia:

• Revolta Contra o Silêncio – 1994 – Ministério da Cultura e Educação, Nazaré.

• Espelhos da Ilusão – 1998 – Escola Municipal de Ensino Médio, Nazaré.

• Diários de uma Cigana Apaixonada – 2001 – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo.

• E Quem Não Conhece Rita – 2003 – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo.

• Antes de Me Engasgar com uma Lágrima – 2004 – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo.

• Vou Te Tentar Mais Uma Vez – Casa Palestina da Poesia, Ramallah, 2008.

• Seu Amor Foi Repentino – Dar Al-Raseef, Ramallah, 2016.

• Serei uma Andorinha por Você – Editora Raya, 2025.

II. Coletâneas de Contos e Romances:

• Eu Sou a Tua Loucura (Coletânea de Contos) – Casa Palestina da Poesia, Ramallah,

2009.

• Até o Cacto Florescer (Romance) – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo, 2017.

III. Obras Futuras:

• Amor aos Dez Anos (Romance).

• Que Haja Luz (Romance).

• O Chamado de Haifa (Coletânea de Contos).

• O Sol Desperta do Seu Sono (Coletânea de Histórias Infantis).

• Mais Longe que a Morte… Mais Perto que a Vida (Cartas).

Rita apresenta aos leitores do ROL sua chama poética, com o poema In Praise of Ruin: The City After the War (Em Louvor à Ruína: A Cidade Depois da Guerra):

In Praise of Ruin: The City After the War

Imagem gerada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69caa719-c8dc-83e9-9920-0ec90ed5886e
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69caa719-c8dc-83e9-9920-0ec90ed5886e

The city sheds its shadow…
Leaves it as a memento at the thresholds of sealed taverns,
And never looks back.
​Behind it, smoke seduces memory away from its reason,
And blood.
​The lamps that used to chatter with light,
Were struck by sudden muteness under the weight of gunpowder.
They began pointing toward the abyss,
As if guiding death to what remains of faces
In the void.
​No wailing in the alleys…
Only the echo of the wind’s broom gathering the shards of songs,
And cursing the resonance of the howling.
​The old newspaper seller
Folds his funeral under his arm and walks…
He walks behind a city that forgot,
In the midst of the shelling, its children and their names.
So they lost the way to their own selves,
And became firewood in the hearth of extinction.
​The city now…
Is not a pile of stones or cement,
But a tear petrified in the eye of an oppressed old man,
Who aged during the nights of bombardment,
And waits for someone who dares, amidst this ruin,
To say: “Farewell, O leaders.”

Em Louvor à Ruína: A Cidade Depois da Guerra

A cidade lança sua sombra…
Deixa-a como lembrança nos umbrais de tavernas seladas,
E nunca olha para trás.

Atrás dela, a fumaça seduz a memória, afastando-a da razão,
E do sangue.

As lâmpadas que antes chilreavam com luz,
Foram atingidas por um silêncio súbito sob o peso da pólvora.
Começaram a apontar para o abismo,
Como se guiassem a morte para o que resta dos rostos
No vazio.

Nenhum lamento nos becos…
Apenas o eco da vassoura do vento recolhendo os fragmentos de canções,
E amaldiçoando a ressonância do uivo.

O velho jornaleiro
Dobra seu funeral sob o braço e caminha…
Caminha atrás de uma cidade que esqueceu,
Em meio ao bombardeio, suas crianças e seus nomes.

Assim, perderam o caminho para si mesmos,
E se tornaram lenha na fornalha da extinção.
A cidade agora…
Não é um amontoado de pedras ou cimento,
Mas uma lágrima petrificada no olho de um velho oprimido,
Que envelheceu durante as noites de bombardeio,
E espera por alguém que ouse, em meio a esta ruína,
Dizer: “Adeus, ó líderes.”

Rita Odeh

Voltar

Facebook




De Bangladesh ao Jornal ROL, Kali Baral!

Kali Baral traz ao ROL a literatura de Bangladesh, exuberante País do Rio Doce, Terra dos Rios, Mãe Bengal!

Kali Baral
Kali Baral

Kali Baral, natural de Barisal e residindo atualmente em Daca, é uma poetisa e escritora contemporânea de Bangladesh, nascida em 1994.

Possui MBA em Finanças e Bancos e atualmente trabalha como professora.

Desde cedo, demonstrou uma profunda paixão pela literatura e pela criatividade. É reconhecida por sua voz literária singular, que frequentemente explora as experiências femininas, os mundos interiores e as nuances emocionais com sensibilidade e clareza.

Além de escrever, contribui regularmente para publicações nacionais e internacionais e trabalha como designer de capas de livros e ilustradora. Possui também talento para música, pintura e escultura.

Obras Publicadas:

Jolneeli (Poesia, 2023); Chita (Romance, 2024); A Flauta de Raikamal (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2024); O Amigo Vaga-lume de Arushir (Livro de Histórias Infantis, 2025); Roteiro (Contos, 2025); Mágico Colorido (Livro de Histórias Infantis, 2026); Barreira Luminosa (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2026).

Contemplada com o 8º Prêmio Internacional de Poesia Boao 2025 — Jovem Poeta do Ano.

Kali Baral inicia a colaboração ROLiana, com o poema Dopamine, pelo qual transborda inspiração poética!

Dopamine

Imagem gerada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69c4243e-e1e0-83e9-b79a-a4b2b0aaa3e7

Poetry devours my very being; in those moments,
I leave behind the trivial rhythms of life,
immersed in another universe.

Path to the destination-steep, slippery,
yet adorned with beauty.

Thoughts falter in the clouded haze,
yet letters fall, one by one-poetry emerges.
Through ages, letters drift village to village,
flowing past all borders.

Emotions soar to the horizon of the sky.
thoughts plunge so deep,
words thunder with five horsepower.

Nature’s competition to endure the highest gift.

In a quiet voice, I say –
I never wrote poetry with conscious intent ; it arose, flowing through neurotransmittersin the nucleus accumbens

Kali Baral

Voltar

Facebook




Da Romênia para o ROL, Cristina Rhea!

Cristina Rhea traz ao ROL a alma literária da Romênia, terra da luz e solidão, mistérios e lendas, Cárpatos e Danúbio,
o ‘rio da melodia’!

Rhea Cristina
Rhea Cristina

Cristina Rhea, natural de Găești, Romênia, na área profissional é professora assistente e especialista em Relações Públicas. Licenciatura em Jornalismo pela Universidade de Bucareste, Faculdade de Jornalismo e Ciências da Comunicação. Admitida no Mestrado em Jornalismo da Universidade de Indiana, Escola de Jornalismo, Estados Unidos, Estudos de Pós-Graduação, 2005. Graduada no Curso Avançado em Comunicação Empresarial, Universidade Internacional Isabel I de Castilla e ISEB – Instituto Superior Europeu de Barcelona, Espanha. Mestrado em Marketing Digital e eCommerce, Universidade Internacional Isabel I de Castilla e Instituto Superior Europeu de Barcelona (ISEB), Espanha.

Na área literária e jornalística, conhecida pelo pseudônimo Rhea Cristina, é membro da União de Escritores Romenos, com 10 livros publicados nas áreas de literatura, jornalismo e ciências da comunicação.  

Recebeu o Prêmio da União de Escritores Romenos, 1996; Prêmio Especial Poesia dei Popoli – in memoria di ‘Alfredo Pirola’, por ocasião da 24ª edição do Prêmio Internacional, Centro Giovani e Poesia – Triuggio, concedido pelo Centro Giovani e Poesia em Triuggio, Itália, 2015.

Bolsista da Fundação Kulturkontakt Austria, Programa de Escritores em Residência, Viena, Áustria, 2007.

Publicou poesia e artigos literários em muitas revistas e antologias culturais romenas na Alemanha, Espanha, Líbano, Romênia e República da Moldávia.

Cristina ingressa na Família ROLiana, apresentando aos leitores do ROL o poema Caça, traduzido para o Português por Felix Nicolau (Romênia)

Caça

Apaixonados. Imagem gerada pelo ChatGPT –
https://chatgpt.com/c/69bb037c-1a0c-832e-bcc6-df69a46a7dea
Apaixonados. Imagem gerada pelo ChatGPT –
https://chatgpt.com/c/69bb037c-1a0c-832e-bcc6-df69a46a7dea

em dezembro morre-se mais

facilmente só poderia competir

com isso abril quando nos campos jazem os corpos

como caça úmida um jogo perigoso

no céu aparecem listras vermelhas e de repente

com o primeiro que cai surge a primeira listra

com o segundo a segunda e assim por diante

até que notas o céu todo do lado

esquerdo do teu coração vermelho como se fosse

um suspiro bebe devagar o café ainda

temos tempo só ainda temos Maria

Maria — o mar como se eu estivesse lá

tu me contas e eu reproduzo como

nós amantes amando-nos começas a amar

outro homem outra presa e esperas

uma resposta de mim mas eu o cúmulo

não sei falar entrei carne sobre carne

veia sobre veia — o pensamento novo é

em dezembro com o fogo ao lado e

o uivo dos animais preguiçosos mortos apertado

em meus punhos retos este mundo me

parece incômodo não me deixa mover

vejo no teu ombro amada o outono

mordendo — estamos em estações diferentes

por isso te proponho vamos pegar o arco

e a flecha e partir vem querida vem

querido — a caça continua.

Rhea Cristina

Voltar

Facebook




De Gaza, Palestina, ao ROL, Najwa Sadi Juma!

Najwa Sadi Juma traz ao ROL a veemência dos textos de resistência, resiliência e transcendência de sua terra natal!

Najwa Sadi Juma
Najwa Sadi Juma

Najwa Sadi Juma, 47, natural de Gaza, Palestina, é professora, escritora, pintora, ativista e tradutora palestina.

Formou-se em Literatura Inglesa antes de prosseguir seus estudos na área da educação. Trabalhou como professora durante 13 anos e foi uma das fundadoras da primeira fundação de teatro feminino na Palestina, para a qual escreveu inúmeras peças teatrais encenadas em Gaza.

Além de seu trabalho criativo, Najwa colaborou com uma equipe de tradução em uma coleção de 48 contos palestinos, publicada em maio de 2023 pela Inner Child Press nos Estados Unidos.

É membro da União Geral de Escritores Palestinos e atualmente preside o Fórum Cultural Palestino na Europa.

Publicou três coletâneas de contos em árabe, que posteriormente traduziu para o inglês.

Escreveu diversos artigos que examinam as realidades sociais e culturais das mulheres palestinas. Sua coletânea de poemas, ‘Songs of Eternity on the Hill of Slaughter – Poems from the Genocide’ (Canções da Eternidade na Colina do Massacre – Poemas do Genocídio), será lançada em breve.

Najwa foi indicada como a primeira escritora palestina a receber a Bolsa Jean Jacques Rousseau, que reconhece escritores de áreas de conflito.

Participou de diversos eventos literários na Europa, incluindo o 44º Festival de Poetas Innen de Erlanger, na Alemanha, em 2024, e o Evento de Poesia Inédita, na Croácia, em 2025.

Recebeu inúmeros prêmios literários nacionais e internacionais.

Najwa se apresenta aos leitores do ROL com o impactante poema Ode à criança de Gaza!

Ode à criança de Gaza

Imagem criada por IA doGrok - https://chatgpt.com/c/69a0946f-1bd4-8325-af5e-c1c6fdc3bdd4
Imagem criada por IA doGrok – https://chatgpt.com/c/69a0946f-1bd4-8325-af5e-c1c6fdc3bdd4

Para a criança de cabelos tão escuros, tão finos,
Cuja vida foi interrompida prematuramente,
Cujo olho foi dilacerado pelo hálito de fogo,
Cuja mandíbula se contraiu em morte súbita.

O grito de um míssil, um som cruel,
Reduziram sua casa a escombros.
Você não conseguiria ler estas palavras que escrevo—
Às sete horas, as letras desaparecem da vista.

Mas ainda assim, eu sei que você me ouve por perto,
Seu espírito permanece, nítido e lúcido.
Desde que vi a moldura da sua foto,
Você caminhou comigo, sem um nome.

E quando falo, sinto você aí,
Um fantasma de poeira, de chama, de ar.
Seu olho, embora privado da luz mortal,
Agora, seu assassino passa a noite em claro.

Ele fica olhando fixamente até que seu fôlego se esgote.
Sem pestanejar, de braços abertos — a justiça foi feita.
E ainda te amo, meu pequeno.
Embora o horror marcasse o que a guerra havia gerado.

Sua língua, estendida em um grito silencioso,
Como que para zombar da mentira dos observadores—
Um mundo que vê, mas não fala.
Que estremece uma vez e depois adormece.

Mas eu não hesito, eu não me viro.
Eu te vejo em cada chama que arde.
Coloco seu olhar onde ele pertence,
Eu silencio sua língua de canções fantasmagóricas.

Eu retiro a poeira dos cabelos ensanguentados,
Eu retiro as pedras do seu desespero.
Eu costuro suas asas, tão rasgadas, tão largas,
E te enviar para voar pelos céus.

Com cada criança, antes perdida, agora livre,
Restaurou os membros e a memória.
Você voa além do alcance das bombas,
Uma criança em paz, amada por todos.

Com amor infinito, embora em mundos completamente diferentes—
Você viverá para sempre em meu coração.

Najwa Sadi Juma

Voltar

Facebook




Da Tunísia ao ROL, Arwa Ben Dhia!

Arwa traz da alma ao ROL os versos nascidos das praias douradas da Tunísia, banhadas pelo Mar Mediterrâneo!

Arwa Ben Dhia
Arwa Ben Dhia

Arwa Bem Dhia, natural de Túnis, Tunísia, e atualmente residindo em Paris, França, é doutora em eletrônica e engenheira de patentes.

Na área literária, é poeta multilíngue, tradutora, autora e escritora de prefácios para diversas coletâneas de poesia.

Sua coletânea ‘Silence Orange’, publicada em março de 2023 pela editora Mindset, foi agraciada com o Prêmio Internacional de Poesia e Arte de 2024 pela associação SIÉFÉGP.

Sua coletânea ‘Les quatre et une saisons, publicada em  2024 em parceria pelas editoras Éditions du Cygne, na França, e Éditions Arabesques, na Tunísia, recebeu o Diploma de Honra de 2024 da Société des Poètes Français (SPF), bem como o Prêmio Literário Dina Sahyouni de 2025. Ambas as coletâneas foram transcritas para o Braille.

Arwa participa regularmente de festivais e eventos literários e tem seus trabalhos publicados em diversas revistas e antologias de poesia. Ela editou a antologia ‘Nos muses les murs’ (Nossas Musas, as Paredes), publicada em 2025 pela Mindset (também disponível em Braille).

Em 2025, foi homenageada com o título de Embaixadora da Paz pelo Círculo Universal de Embaixadores da Paz (CUAP) e recebeu o Prêmio Francofonia da Sociedade de Autores e Poetas da Francofonia (SAPF).

Arwa é membro de diversas associações culturais, incluindo a Société des Gens de Lettres (SGDL), Apulivre e Coup De Soleil.

Arwa apresenta aos leitores do ROL o poema Noah’s Ark (A Arca de Noé), versos contundentes sobre os horrores das guerras.

Noah’s Ark

Imagem criada por IA do ChatGPT - https://chatgpt.com/c/6995137b-c138-832d-9311-cdd40160223c
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6995137b-c138-832d-9311-cdd40160223c

Noah’s Ark

Smoke falls on the earth.

Ugly as war,

Ugly as misery.

Even the sun has taken shelter.

A deafening explosion,

A baneful blast,

Stunned faces, dumbfounded,

Mutilated bodies, buried

Under the rubble.

One more bomb,

One bomb less,

What does it matter? You get used to it.

It has become your daily routine,

In the media, a news item.

You have sealed a peace pact

With Her Majesty Death.

She’ll spare some kids.

At least one girl and one boy,

Enough to perpetuate human blood,

Enough to keep the tragedy going on.

What Ark to save you?

Death will not have you,

Nor even life.

You die every day.

And yet, to us,

You embody Life.

Arwa Ben Dhia

Voltar

Facebook




Da Inglaterra ao ROL, Jane Nash!

Jane Nash traz ao ROL as letras poéticas de Albion – falésias brancas de Dover -, Inglaterra!

Jane Nash

Jane Nash, natural de Stocton-On-Tees, Inglaterra, e residindo atualmente em Yorkeys Knob, Austrália, é escritora e poetisa.

Profissionalmente, foi professora, hipnoterapeuta e psicoterapeuta. Na seara literária, é comprometida com o processo criativo, tendo enriquecido a carreira como colunista do Opinion Syndicate (EUA); Richmond Review (EUA) e Marshall Islands Literary Review, e como editora de conteúdo no The Pandorian Arts Magazine.

Atualmente, escreve para The Issue e Mahjong Mania no Substack.

Publicações previstas para 2026: a antologia de poesia The Peace Collective e Face is Serious – uma coleção de microficção.

Jane já apresentou poesia duas vezes no Dia Mundial da Poesia e contos no Dia Mundial do Escritor, realizado na Colômbia. Seus projetos atuais incluem as histórias do Inspetor de Polícia Paynes Grey, com prévias a serem divulgadas em breve.

Jane também estará presente no Festival Literário ‘Books In Paradise’ em Port Douglas, Austrália, em 9 de agosto de 2026.

Jane Nash inicia a colaboração no Jornal ROL com o poema Não afetado pela punição, ‘radiografia’ de uma relação a dois, do caos à liberdade.

Não afetado pela punição

Imagem criada por IA do ChatGPT - https://chatgpt.com/g/g-59EzD5Ehz-gerador-de-imagens-ia-que-cria-imagens/c/699527dc-9ee4-8327-abda-af494457591c
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/g/g-59EzD5Ehz-gerador-de-imagens-ia-que-cria-imagens/c/699527dc-9ee4-8327-abda-af494457591c

Agora que você está morto

Achei que era hora de bater um papo.

Essa conversa

Sabe, aquela que termina com

Você assumindo a responsabilidade

Suas palavras de desculpas

Sonhei com isso ontem à noite ou em alguma outra semana.

São recusadas

É muito fácil dizê-las.

Você não está perdoado.

O trauma que você entregou como um carteiro

Superou em muito a vida que eu tinha.

Quando escapei do pior do seu tormento.

Era sublimemente pacífico.

Depois que você tivesse ido

Na Austrália, as cores são verde, vermelho e preto.

São os eucaliptos e os cucaburras.

Somente nativos

que florescem, que verdadeiramente pertencem

e viver bem aqui

Espero que o purgatório seja para canhotos.

Quem sai dos trilhos

Declarar-se ateu não conta.

Depois de ser batizado católico

Tomara que não haja escapatória.

Agora que você está morto

as palavras de desculpas e

o trauma que você entregou como um carteiro

me tirou de qualquer lugar.

Então mudei de cenário, encontrei uma nova paisagem.

Na sua ausência, eu me dediquei ao taoísmo.

Me conseguiram um novo passaporte,

aluguei uma caixa postal e comecei a gravar

todas as conversas que tenho.

Obrigada

Jane Nash

Voltar

Facebook




Da Palestina para o ROL, Abdulla Issa!

Abdulla Issa é filho de um dos berços das civilizações mais antigas do mundo e reconhecida por sua rica história e Patrimônios Mundiais da UNESCO!

Abdulla Issa
Abdulla Issa

Abdulla Issa, 62, é um poeta palestino, filho de uma família que buscou refúgio na Síria após a ocupação da Palestina em 1948.

Ganhou o Prêmio de Poesia em 1983 e foi considerado um dos principais símbolos de renovação na poesia árabe contemporânea durante a década de 1980.

Formado no Instituto de Literatura Maxim Gorky, obteve um doutorado em Literatura pelo Instituto de Literaturas Asiáticas e Africanas da Universidade Estatal de Moscou em 2000, onde posteriormente lecionou e ministrou aulas de poesia. Em 2021, recebeu uma distinção acadêmica em reconhecimento às suas contribuições para a cultura e as artes criativas.

Recebeu inúmeros títulos honorários, entre os quais se destacam ‘O Poeta da Palestina no Exílio’ e ‘A Voz Poética da Palestina’. E muitos prêmios árabes e internacionais, dentre os quais:
Personalidade do Ano no Diálogo de Culturas e Civilizações – Fundo Mundial de Literatura (2014)
Medalha de Mérito em Cultura, Ciência e Artes (Nível Inovação) – concedida pelo Presidente Palestino Mahmoud Abbas (2015) – Medalha Chekhov de Criatividade (2017) – Prêmio Pena de Ouro (2019) – Medalha da Associação Internacional de Sindicatos de Escritores (2024) – Prêmio Internacional da Palestina de Literatura – Poesia (2024).

Publicou inúmeras coletâneas de poesia, incluindo:
Pessoas Mortas Preparando o Funeral, Alaa, A Tinta do Primeiro Céu, A Ressurreição dos Muros, Os Pastores do Céu, Os Pastores da Oleandro. Meus Irmãos, Ó Pai, Não o Lobo, Os Mandamentos de Fawzia Al-Hassan, Lá Onde as Sombras Gemem, As Obras Poéticas Completas, O Céu de Gaza e As Colinas de Jenin.

Entre suas obras de crítica, destacam-se ‘Critical Vision’, ‘Word and Spirit in Contemporary Poetry’, ‘Poetics of Aesthetic Creation’ e ‘Methods of Contemporary Arab Artistic Expression’.

Também escreveu para o teatro, notadamente ‘The Kingdom of Demons’.

Suas obras foram traduzidas para muitos idiomas, e ele foi homenageado em inúmeros festivais literários árabes e internacionais.

Abdulla Issa inicia sua jornada na Família ROLiana, com o retumbante texto O poema

O poema

Imagem criada por IA do ChatGPT - 16 de fevereiro de 2026, às 13h04 - https://chatgpt.com/c/69933efb-e5b4-8332-a62a-b9007b3301c9
Imagem criada por IA do ChatGPT – 16 de fevereiro de 2026, às 13h04 – https://chatgpt.com/c/69933efb-e5b4-8332-a62a-b9007b3301c9

Rinha de galos

Leve-me ao café.

Estou ficando louco com os passos que circulam a escada.

Já não tenho forças para ficar sozinho.

com os cheiros da cela cega

após os perigos da tortura.

No café, assim como na prisão,

Alcanço o limite máximo da minha primeira liberdade.

Que tolice nos levou à morte—

Como se uma ideia pudesse sobreviver aos nossos corpos!

Como se tivéssemos uma pátria mais querida que a própria vida.

Isso nunca aconteceu, nem uma única vez.

Uma vida que vale a pena ser vivida.

Como se, com o passar dos dias,

Tínhamos crescido em excesso em relação às suas necessidades.

Uma pátria feita sob medida para a derrota,

para que pudéssemos morrer chamando isso de vitória.

Não encontramos escapatória da morte.

que não nos esperaram em nossos túmulos.

Sou mulher e tenho o direito de me atrasar.

para meus encontros com tolos—

Todos os homens, tolos. E você—

Já não sirvo de ser o teu muro alto,

para você se apoiar

quando a terra se inclina sob seus pés.

Olha, isto é uma barreira entre mim e você.

Não há dignidade em um país.

que não possui dignidade própria.

Tenho uma pátria estranha aqui,

uma terra de cujos espelhos me expulsaram,

Assim, tornei-me sua sombra no chão.

Eles trocaram isso por uma sepultura segura em movimento.

e sudários de renda — privilégio daqueles que detêm o comando.

Não tenho pátria para me fazer companhia.

Onde você vive, como eu, na diáspora.

Não há mapas para indicar o caminho até lá.

Como eu, no exílio.

Minha liberdade não é mais meu exílio,

Nem a minha liberdade é a minha pátria.

Eu sou a minha liberdade.

Eu sou a minha pátria.

Se eu for levado embora,

Virei com as flores do meu túmulo.

e testas curvadas.

Leve-me à discoteca.

Quero dançar!

Você extraviou meu corpo?

Ao alcance da sua cama?

Quando danço, não me importo com nada.

o que vem ou não vem—

Nem eu mesmo.

Sou escravo de um escravo—

Como eu poderia dar à luz um mestre?

Não tenho nada para fazer

com prostitutas,

ou porta-aviões,

ou homens ocos,

ou um mensageiro dos deuses rezando com uma camisa de lã,

com censores e retóricos,

com água correndo para lugar nenhum

dos lombos dos animais.

Não direi adeus a um cadáver caído;

Direi: solte minha mão.

Cinquenta mil vítimas morreram,

inteiramente acorrentado pelos mortos;

centenas de milhares às portas do desconhecido,

aguardando o retorno ao que a pequena Terra já foi um dia—

milhares e milhares de poços, árvores, pedras,

nomes, luzes e coisas—

enquanto buscamos refúgio,

no que restou das temporadas do Holocausto,

Em nosso desespero, por causa do nosso desespero.

Leve-me para um exílio distante. Qualquer exílio.

Onde, como uma dama de cristal, livre em meu primeiro eu,

Posso passear entre duas capitais

com um homem que flerta comigo,

e beba uma taça de champanhe.

na beira da calçada,

sozinha como uma deusa

contando às suas maçãs as biografias das serpentes.

Confesso a verdade:

Eu não sou nada mais do que

o lamento das minhas palmas

enrolado em meu pescoço

como uma corda de forca.

Como se o exílio fosse uma misericórdia.

Para aqueles que fogem — com a própria pele

e o fermento da dor — de suas terras natais.

Choramos pela pátria que perdemos aqui.

então se torna um exílio;

então sonhamos em retornar

para que possamos morrer lá—

como se fosse uma pátria:

cemitérios, aperfeiçoados.

Abdulla Issa

Voltar

Facebook