Teresópolis celebra 135 anos de emancipação

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘135 anos de Teresópolis: uma história de desenvolvimento, cultura e preservação da memória’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Card de homenagem aos 135 anos de amancipação política de Teresóplis
Imagem criada por IA

Nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, o município de Teresópolis, na Região  Serrana do Estado do Rio de Janeiro, celebra 135 anos de emancipação político administrativa, reafirmando sua posição como um dos principais municípios da Região  Serrana fluminense. Reconhecida por suas belezas naturais, pelo clima ameno, pelo  patrimônio histórico e por sua intensa vida cultural, Teresópolis construiu, ao longo de  mais de um século, uma trajetória marcada pelo progresso, pela hospitalidade e pela  preservação de sua identidade. 

Das trilhas coloniais ao povoamento permanente 

A história da ocupação da região onde hoje se encontra Teresópolis remonta ao  período colonial brasileiro, quando as encostas da Serra dos Órgãos eram habitadas  por povos indígenas e serviam como área de passagem para exploradores e  bandeirantes que buscavam novos caminhos entre o litoral fluminense e o interior da  colônia. 

Durante os séculos XVII e XVIII, a região apresentava baixa densidade populacional,  caracterizando-se pela vegetação exuberante, pela abundância de recursos hídricos e  pelo relevo acidentado, fatores que dificultavam a ocupação permanente. Ainda assim,  antigos caminhos indígenas foram progressivamente adaptados pelos colonizadores  portugueses, transformando-se em rotas importantes para a circulação de pessoas,  mercadorias e animais. 

Essas trilhas permitiam a comunicação entre a cidade do Rio de Janeiro e as áreas  mineradoras da então Capitania, posteriormente Província, de Minas Gerais,  desempenhando papel estratégico na economia colonial. Foi somente a partir do início  do século XIX que o povoamento da região passou a adquirir características mais  permanentes.

Nesse contexto, destaca-se a atuação do comerciante luso-britânico George  March, considerado uma figura central na formação histórica local. Ao adquirir  extensas terras na região onde atualmente se localiza o bairro do Alto, March  implantou a Fazenda Santo Antônio, situada em posição privilegiada ao longo do  caminho que ligava o Rio de Janeiro à Província de Minas Gerais. 

Mais do que uma propriedade rural, a Fazenda Santo Antônio transformou-se em um  importante centro de apoio logístico. Tropas de muares, comerciantes, viajantes,  funcionários públicos e exploradores encontravam ali local para descanso,  alimentação, troca de animais e reabastecimento antes de prosseguirem viagem pelas  serras fluminenses. Em torno dessa movimentação surgiram pequenas moradias,  casas comerciais, oficinas, capelas e outros serviços indispensáveis ao cotidiano dos  viajantes e dos primeiros moradores. 

Gradualmente, esse conjunto de atividades impulsionou o crescimento do Distrito de  Santo Antônio de Paquequer, cuja formação urbana foi marcada pela convivência  entre produtores rurais, comerciantes, artesãos e famílias que viam na região  oportunidades de trabalho e melhores condições de vida. Ao longo da segunda  metade do século XIX, o distrito experimentou significativa expansão demográfica e  econômica. A fertilidade do solo favoreceu a agricultura, enquanto o clima ameno e a  paisagem serrana passaram a despertar o interesse de visitantes provenientes da  Corte Imperial. 

A emancipação municipal e a homenagem à Imperatriz 

O acelerado crescimento econômico, social e populacional registrado durante a  segunda metade do século XIX tornou evidente que o Distrito de Santo Antônio de  Paquequer possuía condições de administrar seus próprios interesses. O  fortalecimento do comércio, a expansão das atividades agrícolas, o aumento da  arrecadação e a organização da vida comunitária impulsionaram um movimento  favorável à emancipação político-administrativa, refletindo o desejo de maior  autonomia na condução dos assuntos públicos. 

Esse objetivo foi alcançado em 6 de julho de 1891, quando o então governador do  Estado do Rio de Janeiro, Francisco Portela, assinou o decreto que desmembrou  o distrito do município de Magé, criando oficialmente o município de Teresópolis.  A emancipação marcou o início de uma nova etapa em sua história, permitindo a  instalação de instituições administrativas próprias, a organização do governo municipal  e o planejamento do desenvolvimento urbano de forma independente. 

A escolha do nome Teresópolis constitui, por si só, uma homenagem carregada de  simbolismo histórico. A denominação associa-se à imperatriz Teresa Cristina Maria  de Bourbon-Duas Sicílias, esposa do imperador Dom Pedro II, e remete ao  sentido de “cidade de Teresa”

Muito além de sua posição como consorte imperial, Teresa Cristina conquistou o  respeito e a admiração da sociedade brasileira por sua personalidade discreta, sua  dedicação à família imperial e seu incentivo às artes, à ciência, à arqueologia, à  educação e à preservação do patrimônio histórico nacional. Foi também uma  importante incentivadora da imigração europeia, da pesquisa arqueológica e das  manifestações culturais que contribuíram para a formação da identidade brasileira. 

Sua postura humilde, generosa e profundamente humana fez com que fosse  carinhosamente lembrada como a “Mãe dos Brasileiros”, título consagrado na tradição  biográfica sobre a imperatriz. Ao associar seu nome ao município recém-emancipado,  os idealizadores da cidade buscaram eternizar valores de hospitalidade, equilíbrio,  cultura e civilidade, atributos que permanecem presentes na identidade 

Trilhos e estradas 

Nas décadas seguintes, a implantação da ferrovia, com chegada a Teresópolis em 19  de setembro de 1908, representou um marco para o desenvolvimento regional. A  facilidade de transporte estimulou o comércio, o turismo, a agricultura e a chegada de  novos moradores, acelerando o crescimento urbano. O serviço ferroviário foi  encerrado em 9 de março de 1957, e a abertura da estrada Rio-Teresópolis, em 1º de  agosto de 1959, consolidou a integração rodoviária do município ao restante do  estado. 

Posteriormente, a expansão da malha rodoviária substituiu gradativamente o  transporte ferroviário, mantendo Teresópolis conectada ao eixo metropolitano e  fortalecendo ainda mais sua economia. Ao longo do século XX, a cidade consolidou-se  como destino turístico, estância climática e polo regional de serviços, educação e  

Natureza e paisagem 

Poucos municípios brasileiros possuem relação tão estreita com a natureza quanto  Teresópolis. Situada em meio à Serra dos Órgãos, a cidade abriga parte do Parque  Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), uma das mais importantes unidades de  conservação ambiental do país. 

O parque é reconhecido por sua extraordinária biodiversidade e por formações  rochosas mundialmente famosas. O perfil imponente do Dedo de Deus, símbolo do  montanhismo brasileiro, desenha a moldura de uma cidade onde a paisagem é, por si  só, uma obra de arte viva. Essa riqueza natural transformou Teresópolis em referência  para atividades como ecoturismo, montanhismo, caminhadas ecológicas e educação  ambiental. 

Cultura e memória 

Ao longo de sua história, Teresópolis consolidou importante vocação cultural. Museus,  centros culturais, instituições de ensino, academias literárias e organizações  dedicadas à preservação da memória contribuem para fortalecer a identidade do  município. 

A cidade tornou-se palco de eventos científicos, artísticos e literários, reunindo  pesquisadores, escritores, artistas e intelectuais de diversas regiões do Brasil. Nos  últimos anos, iniciativas voltadas à valorização do patrimônio histórico, da produção  acadêmica e da cultura popular, a exemplo da Feirarte, reforçaram ainda mais o  protagonismo cultural de Teresópolis no cenário nacional. 

Tradição e modernidade 

Ao longo de seus 135 anos de emancipação político-administrativa, Teresópolis  consolidou-se como um dos mais importantes municípios da Região Serrana do  Estado do Rio de Janeiro. Sua economia, que outrora esteve vinculada às atividades  rurais e ao comércio local, diversificou-se significativamente ao longo das últimas  décadas, refletindo as transformações econômicas e sociais do Brasil contemporâneo. 

Atualmente, o município apresenta uma estrutura econômica sólida e multifacetada,  sustentada pelo comércio, pela prestação de serviços, pelo turismo, pela educação,  pela construção civil e pela agricultura de hortaliças. A própria documentação  institucional do município destaca Teresópolis como a maior produtora de hortaliças  do Estado do Rio de Janeiro, além de importante polo de inovação, educação e  tecnologia.

O turismo permanece como um dos principais motores do desenvolvimento local.  Favorecida pelo clima ameno durante praticamente todo o ano, pela exuberância da  Serra dos Órgãos e pela riqueza de seus atrativos naturais, Teresópolis recebe  visitantes em busca de lazer, ecoturismo, esportes de aventura e contato com a  natureza. Trilhas, cachoeiras, mirantes, parques e reservas ambientais fazem parte de  um patrimônio natural que desperta admiração e fortalece a vocação turística da  cidade. 

A gastronomia também ocupa lugar de destaque na identidade teresopolitana.  Restaurantes, cafeterias, cervejarias artesanais e empreendimentos ligados à  produção rural oferecem experiências que valorizam tanto a culinária serrana quanto a  diversidade cultural construída ao longo da história do município. 

Celebrar os 135 anos de emancipação político-administrativa significa reconhecer a  dedicação das gerações que transformaram um antigo caminho de tropeiros em uma  cidade dinâmica, acolhedora e culturalmente vibrante. Significa também prestar  homenagem aos pioneiros, trabalhadores, educadores, agricultores, comerciantes,  artistas, pesquisadores, gestores públicos e cidadãos anônimos que, ao longo do  tempo, contribuíram para escrever a história de Teresópolis. 

Mais do que recordar o passado, esta data convida à reflexão sobre o futuro.  Preservar o patrimônio histórico, incentivar a cultura, proteger o meio ambiente,  investir na educação e promover o desenvolvimento sustentável representam  compromissos permanentes para que Teresópolis continue sendo referência de  qualidade de vida, cidadania e valorização da memória. 

Aos 135 anos, Teresópolis reafirma sua vocação para unir tradição e modernidade.  Mantém vivas as lembranças de sua formação histórica, ao mesmo tempo em que  projeta novos caminhos para as futuras gerações, demonstrando que o verdadeiro  progresso nasce do equilíbrio entre inovação, preservação cultural e respeito às raízes  que moldaram sua identidade. 

Celebrar esta data é reconhecer que a história de Teresópolis não pertence apenas  aos teresopolitanos, mas integra o patrimônio histórico e cultural do Estado do Rio de  Janeiro e do Brasil, constituindo um legado coletivo que merece ser conhecido,  preservado e transmitido às gerações vindouras. 

Referências bibliográficas 

ABREU, Maurício de Almeida. Geografia Histórica do Rio de Janeiro (1502–1700). Rio de  Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio Editorial, 2010. 

ABREU, Maurício de Almeida. Evolução Urbana do Rio de Janeiro. 4. ed. Rio de Janeiro:  Instituto Pereira Passos, 2013. 

CARVALHO, José Murilo de. A Construção da Ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro:  Civilização Brasileira, 2003. 

CARVALHO, José Murilo de. D. Pedro II: Ser ou Não Ser. São Paulo: Companhia das Letras,  2007. 

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo,  2019. 

FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Brasil Imperial: documentos e memória histórica. Rio  de Janeiro: FBN. 

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e Estados: Teresópolis (RJ). Rio  de Janeiro: IBGE. 

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBio). Parque  Nacional da Serra dos Órgãos: Plano de Manejo. Brasília: ICMBio. 

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBio). Parque  Nacional da Serra dos Órgãos: História e Patrimônio Ambiental. Brasília: ICMBio. LACOMBE, Américo Jacobina. Introdução ao Estudo da História do Brasil. Rio de Janeiro: Agir,  1979.

LYRA, Heitor. História de Dom Pedro II. 3 v. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1977. PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. 23. ed. São Paulo: Brasiliense,  1994. 

PREFEITURA MUNICIPAL DE TERESÓPOLIS. História do Município de Teresópolis.  Teresópolis: Prefeitura Municipal. 

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2.  ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 

SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o Autoritarismo Brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras,  2019. 

SILVA, Joaquim Norberto de Souza. História da Fundação do Império Brasileiro. Rio de  Janeiro: Garnier, 1864. 

VASQUEZ, Pedro Karp. Teresa Cristina: a Imperatriz Arqueóloga. Rio de Janeiro: Capivara,  2012. 

VASQUEZ, Pedro Karp. Dom Pedro II e a Fotografia no Brasil. Rio de Janeiro: Metalivros,  2003.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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Rampa, o Paraíso Escondido

Renata Barcellos

“Exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido’”

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Card da exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido
Card da exposição e espetáculo:Rampa, o Paraíso Escondido

Entre os dias 14 e 17 de junho de 2026, o público de São Luís teve a oportunidade de conhecer e se encantar com a exposição fotográfica ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, realizada no Golden Shopping Calhau, com visitação aberta das 10:00 às 22:00. Esta apresentou um olhar sensível sobre o povoado de Rampa, localizado no município de Humberto de Campos (MA).

Foi revelado através das imagens, a beleza de suas paisagens, seus rios, sua cultura, sua religiosidade e os modos de vida de uma comunidade que mantém viva sua relação com a natureza e suas tradições. Quem foi apreciar, com certeza, ficou com vontade de conhecer a região. “Partiu, Rampa!?”

A abertura do evento foi marcada pelo espetáculo teatral ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, pesquisa e criação de Josimael Caldas. O multiartista realizou três apresentações emocionantes, envolvendo o público em uma experiência poética de memória, identidade e pertencimento.

Em cena, Rampa ganhou voz e corpo através da personificação do território. Assim, conduziu os espectadores por uma viagem pelo rio Maparí, pelas manifestações culturais, pela fé em São Sebastião e pelas histórias de um povo que carrega no cotidiano a força de suas raízes.

Com música ao vivo, poesia, expressão corporal e projeções fotográficas, o espetáculo despertou a atenção de diferentes públicos e recebeu uma resposta extremamente positiva dos visitantes. Humbertuenses que estiveram presentes vivenciaram um momento de reconhecimento e emoção ao verem sua terra representada artisticamente, fortalecendo o sentimento de orgulho e pertencimento. Lindo espetáculo “pluriartes”!!!!

A exposição e o espetáculo transformaram o espaço em um encontro de memórias, afetos e celebração da identidade cultural de Rampa. Assim, mostrou como a beleza de um lugar também vive nas histórias das pessoas que o constroem. Mantenhamos viva a história de nossa região!!! Transmitamo-na aos nossas crianças e jovens!!!!

A mostra fotográfica é um produto do longa-metragem documentário “Josimael Caldas: a trajetória de um artista no teatro maranhense”. Aguardemos!!! Em breve, será apresentado ao público, ampliando o registro da trajetória artística e da relação deste multiartista com sua terra natal. Já curiosa para assistir ao próximo projeto!!!

Enfim, ‘Rampa, o Paraíso Escondido’ foi um show das diversas expressões artísticas!!!! Mais que uma exposição e um espetáculo, foi uma homenagem à memória, à cultura e à riqueza humana de um território. Esta região merece continuar revelando seus encantos.

Realização: Governo Federal através do Ministério da Cultura e lei Aldir Blanc

Apoio: Governo do Estado através da Secretaria de Estado da Cultura

Produção: Egger Consulting

Informações sobre o povoado de Rampa

Localização: município de Humberto de Campos, na região dos Lençóis Maranhenses, no norte do estado do Maranhão. O município integra a mesorregião Norte Maranhense e a microrregião dos Lençóis Maranhenses.

Área territorial do município: de aproximadamente 1.714,625 km², com população de cerca de 25 mil habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE.

Geografia da região: apresenta relevo predominantemente plano e baixo, típico das áreas costeiras maranhenses, favorecendo a existência de campos inundáveis, igarapés, manguezais e lagoas sazonais. O clima é tropical quente, com períodos chuvosos e secos bem definidos, característica comum do litoral norte maranhense.

Vegetação do município: composta por formações de Cerrado, vegetação costeira, áreas de manguezal e ecossistemas de transição entre o litoral e o interior do Maranhão. As paisagens locais apresentam campos abertos, vegetação rasteira, áreas alagáveis e forte influência dos ventos litorâneos.

Economia: pesca artesanal, agricultura familiar e extrativismo, atividades tradicionais presentes em grande parte das comunidades rurais do litoral maranhense.

Minicurrículo: JOSIMAEL CALDAS: pedagogo, graduado pela universidade estadual do maranhão. capacitação em projetos culturais pela fundação Getúlio Vargas. Professor de artes cênicas, ator e diretor teatral. É membro da Academia Atheniense de Letras e Artes – ATHEART, cadeira nº 10, tendo como patrono o conterrâneo Humberto de Campos, e membro da Sociedade de Cultura Latina do estado do Maranhão.

ENTREVISTA

1 – O QUE TE MOTIVOU A ORGANIZAR A EXPOSIÇÃO E ESPETÁCULO “RAMPA, O PARAÍSO ESCONDIDO”?

Josimael Caldas: A motivação para organizar a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” nasceu a partir da realização do longa-metragem documentário Josimael Caldas: A Jornada de Um Artista no Teatro Maranhense”.
Durante o processo de gravação do documentário em Rampa, minha terra natal, o encontro com as paisagens, as belezas naturais e os modos de vida da comunidade, despertou um novo olhar sobre esse território tão rico em memória, cultura e afetos. As imagens registradas durante as filmagens revelaram um lugar de grande beleza: o rio Maparí, os caminhos, a vegetação, os espaços de convivência e a relação harmoniosa entre o povo e a natureza.

Essas fotografias ultrapassaram o registro documental e passaram a contar uma história própria, inspirando a criação de uma exposição que pudesse apresentar ao público a essência e os encantos de Rampa.
A partir dessa inspiração visual, surgiu também o espetáculo teatral, como uma forma de transformar essas memórias em poesia, movimento e emoção. Em cena, Rampa ganha voz e se apresenta como território vivo, revelando suas tradições, sua fé, sua ancestralidade e a força de um povo que mantém suas raízes.

Assim, a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” tornam-se desdobramentos do documentário, ampliando sua narrativa e compartilhando com o público a beleza de um lugar que muitas vezes permanece desconhecido, mas que guarda histórias, paisagens e sentimentos que merecem ser revelados e preservados.
É uma homenagem à minha terra natal, uma celebração da memória e uma forma de mostrar que Rampa não é apenas um lugar no mapa: é um território de identidade, pertencimento e encantamento.

2 – QUAL FOI A RECEPTIVIDADE PELOS MORADORES DO POVOADO DE RAMPA?

Josimael Caldas: A receptividade dos moradores de Rampa e dos humbertuenses foi extremamente positiva e marcada por muita emoção e sentimento de pertencimento. O público recebeu a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” com encantamento, reconhecendo nas imagens, na narrativa teatral e nas memórias apresentadas a riqueza de sua própria história.

Muitos espectadores se emocionaram ao ver a beleza das paisagens, dos rios, da natureza e dos elementos culturais que fazem parte do cotidiano da comunidade. Para os rampenses presentes, a experiência representou um momento de valorização da sua identidade, de reconhecimento das suas raízes e de orgulho por ver sua terra natal apresentada artisticamente.
Percebeu-se no olhar do público a conexão afetiva com o território: as lembranças da infância, os costumes, a fé em São Sebastião, os encontros comunitários e a relação com a natureza despertaram memórias coletivas. A exposição e o espetáculo não foram vistos apenas como uma apresentação artística, mas como uma homenagem à história e à vida de um povo.

A resposta dos moradores de Rampa e dos humbertuenses reforçou a importância de iniciativas que valorizam a cultura local, fortalecem o sentimento de pertencimento e revelam ao público a beleza de um lugar que carrega uma grande riqueza humana e cultural.

Viva Josimael Caldas!!!

Renata Barcellos

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Steven Vázquez presenta BLOOM: ACT II 

Teresa Mascarenhas

‘Steven Vázquez presenta BLOOM: ACT II y crea la primera Semana de la Moda Sostenible en Uruguay’

Teresa Mascarenhas
Teresa Mascarenhas
En esta fotografía Steven Vázquez, presentando BLOOM:ACT II Fotografía: Steven Vázquez © junio 2026
En esta fotografía Steven Vázquez, presentando BLOOM:ACT II Fotografía: Steven Vázquez © junio 2026

Después de una temporada laboral intensa en España, el diseñador Steven Vázquez regresó a su país natal con un objetivo claro: crear la primera Semana de la Moda Sostenible en Uruguay; un encuentro que reunió diseños de autor, sostenibilidad, educación e inclusión durante una semana completa de actividades.

“The Montevideo Sustainable Fashion Week”, nació con la misión de demostrar que la alta costura y la sostenibilidad no solo pueden convivir, sino potenciarse mutuamente. A lo largo de una semana se desarrollaron desfiles, conferencias, producciones audiovisuales y diferentes actividades que reunieron a diseñadores, empresas, instituciones educativas, estudiantes y referentes de la industria.

La programación contó con la presencia de invitados internacionales como: el diseñador argentino Gerardo Casas y el diseñador paraguayo Javier Duré, además de marcas uruguayas comprometidas con la sostenibilidad como: Komciencia y Ropark, entre otras.

Uno de los pilares fundamentales del evento fue la educación. Estudiantes de UTU participaron activamente como asistentes de producción, backstage y organización, trabajando juntos como docentes, asesores y profesionales del sector.
Para Steven Vázquez, la educación pública representa una de las herramientas más importantes para transformar la industria de la moda y abrir oportunidades reales para las nuevas generaciones.

Durante sus intervenciones, el diseñador habló sobre la importancia de construir una moda verdaderamente inclusiva. En la pasarela convivieron modelos de diferentes edades, tallas, contexturas físicas, etnias e identidades, incluyendo modelos transgénero y artistas drag, lo que evidencia que la belleza se manifiesta en todas sus formas.

Steven revindicó el trabajo de quienes pocas veces reciben el reconocimiento que merecen: modistas, sastres, costureras, bordadoras, asistentes, maquilladores, peluqueros, fotógrafos y todo el enorme equipo humano que hace posible un desfile de moda. Para el diseñador, la pasarela es solamente la parte visible de un trabajo colectivo construido por decenas de personas que permanecen detrás de un escenario.
Así mismo, exhortó a la construcción de una industria más sostenible, más consciente y más humana, donde la creatividad se encuentre en consonancia con el respeto por el medio ambiente y por las personas que forman parte de toda la cadena de producción.

La semana concluyó con el ansiado lanzamiento de BLOOM: ACT II, la colección más ambiciosa, teatral y conceptual creada hasta la fecha por el gran diseñador uruguayo. Esta nueva propuesta concebida como la continuación de BLOOM, lleva el universo floral hacia una dimensión mucho más artística, y escénica. Más que una colección de moda, BLOOM:ACT II, es una obra de teatro contada a través de la alta costura.
Cada modelo representó una especie botánica diferente. Rosas, tulipanes, violetas, lotos y muchas otras flores se materializaron en vestidos escultóricos que transformaron completamente la figura humana.

En esta fotografía la modelo luce uno de los nuevos diseños de Steven Vázquez
Fotografía; NetUruguay © junio 2026
En esta fotografía la modelo luce uno de los nuevos diseños de Steven Vázquez Fotografía; NetUruguay © junio 2026

Al desfilar juntas, las modelos dejaban de parecer personas para convertirse en un auténtico jardín en movimiento, donde cada flor poseía su propia personalidad y, al mismo tiempo, formaba parte de un mismo paisaje.
Por otro lado, la construcción de cada vestido fue concebida para reproducir la anatomía de una flor. Los cuerpos de las prendas representaban los tallos; desde las manos brotaban grandes hojas que acompañaban el movimiento natural de las modelos; y desde el pecho florecían pétalos, creando siluetas orgánicas que parecían florecer mientras avanzaban por la pasarela.

El movimiento fue uno de los grandes protagonistas de la colección. Cada diseño fue construido para abrirse, respirar, ondular y moverse con el caminar de las modelos; generando la ilusión de que las flores estaban realmente vivas.

Detrás de cada trabajo hubo un importante trabajo de observación botánica. Las hojas fueron desarrolladas respetando las formas, proporciones, nervaduras, y características reales de cada especie floral. No eran hojas genéricas: las hojas correspondían a la flor que cada modelo representaba, lo que subrayaba el concepto y hacía que fuese inmediatamente reconocible por el espectador.

La colección abrazó deliberadamente una estética profundamente camp, donde el exceso, el dramatismo, la teatralidad y la fantasía fueron empleados como herramientas narrativas. Steven Vázquez apostó por una alta costura sin miedo al espectáculo, llevando la moda al terreno de la performance y del arte escénico.

El estilismo reforzó el universo fantástico. Las modelos lucían el cabello con efecto mojado, como si acabaran de emerger del agua o hubieran sido bañadas por el rocío de la mañana. El maquillaje artístico incorporó hojas adheridas al rostro y al cuerpo, acabados luminosos y detalles orgánicos que hacían que cada modelo pareciera surgir directamente de la naturaleza. 

El resultado: una experiencia inmersiva donde moda, botánica, arte, teatro y alta costura convivieron en un mismo escenario. Más que un desfile BLOOM: ACT II, propuso un espectáculo visual donde las flores cobraban vida frente un público asombrado. 

La musicalización de este maravilloso desfile fue llevada a cabo por el estudio de grabación M.A.C Studio Production, dirigido por el músico y compositor gibraltareño John Adam Mascarenhas y su esposa la escritora y poeta Teresa Mascarenhas, que a la vez acompañaron con sus voces a la narrativa de la colección escrita por el propio diseñador, reforzando así el carácter cinematrográfico y emocional del desfile. 

Por otro lado, la ocasión contó con la actuación de la talentosa Cinzia Zabala, finalista de LA VOZ, quién deslumbró con su talento vocal y su sentido de la moda al exhibir diversos diseños confeccionados a medida por los diseñadores de alta costura. 

Uno de los momentos más emotivos fue la participación de la empresaria Virginia Staricco, quien representó la flor de loto. 

Virginia Staricco representa la flor de loto uno de los diseños más significativos de la obra de Steven
Fotografía: Steven Vázquez © junio 2026 
Virginia Staricco representa la flor de loto uno de los diseños más significativos de la obra de Steven
Fotografía: Steven Vázquez © junio 2026 

El loto, capaz de florecer en aguas turbias sin peder su belleza, simboliza la resiliencia, la transformación, y la fortaleza. La historia de Virginia se convirtió en una de las principales fuentes de inspiración del diseñador para crear una de las piezas más significativas de toda la colección. 

Esta primera edición de “The Montevideo Sustainable Fashion Week” ha sido declarada de Interés Nacional, el reconocimiento institucional de mayor jerarquía que puede recibir un evento de estas características en Uruguay. Esta declaración constituye el respaldo más significativo que puede otorgar el Estado uruguayo a una iniciativa, dado que proviene de la máxima autoridad del país, el Presidente de la República.

Esto representa un reconocimiento oficial al impacto cultural, educativo, social y estratégico del proyecto.

A esta distinción se sumaron además las declaraciones de Interés Ambiental, Interés Turístico en Interés Educativo, consolidando a The Montevideo Sustainable Fashion Week, como un proyecto que trasciende la moda y se posiciona como una plataforma de transformación cultural, educativa y sostenible para Uruguay.

Tras este exitoso lanzamiento, Steven regresará a España para continuar el desarrollo internacional de su carrera y presentar BLOOM: ACT II ante el público europeo.

Al mismo tiempo, el diseñador trabaja junto a Virginia Staricco en la organización de la segunda edición The Montevideo Sustainable Fashion Week, con el objetivo de convertirla en un evento más amplio, más internacional, y con una mayor participación de diseñadores, instituciones y marcas de diferentes países, consolidando a Uruguay como un nuevo referente lationoamericano de la moda sostenible y la alta costura de autor. 

El evento pudo realizarse gracias a la colaboración de patrocinadores destacados en el sector tales como Alma Catering, Nuo Láser, Flor Bondanza Studio, On Beauty Spa, Rafa Sanz, Marelgom cejas y pestañas, Hibisco Beauty Studio

Teresa Mascarenhas

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João Batista Alvarenga

Sergio Diniz da Costa

‘Homenagem ao escritor e poeta itapetiningano
João Batista Alvarenga’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
João Batista alvarenga - Imagem criada por IA do ChatGPT
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João Batista Alvarenga – Imagem criada por IA do ChatGPT
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Excelentíssimo senhor vereador Hélio Godoy, presidente desta Sessão Magna.

Ilustríssimos membros da Mesa Principal!

Caríssimos amigos da Mesa Estendida!

Senhoras e Senhores!

É de conhecimento geral, a importância das frutas na alimentação e na saúde humana. As frutas são fontes de água, sais minerais, fibras, diversas vitaminas, carboidratos, gorduras e proteínas, mantendo, assim, o equilíbrio do corpo. A maioria apresenta baixa caloria e ajudam no controle do peso e no combate à obesidade.

E o Brasil é conhecido como a “terra das frutas” graças a tamanha variedade encontrada. Não há estrangeiro que, vindo de lugares frios, não se admire com a nossa abundância de formatos, perfumes e cores.

Isso é natural, como país predominantemente tropical que somos, embora inusitadamente a biodiversidade nativa brasileira não tenha quase nada a ver com o encontrado nos supermercados e feiras livres.

Das 20 frutas mais consumidas no nosso país, apenas 3 são nativas do Brasil: o abacaxi, o maracujá e a goiaba.

Por outro lado, o desenvolvimento da humanidade está intimamente relacionado ao uso das florestas.

Até pouco tempo, a necessidade de madeira era suprida quase que exclusivamente por meio das florestas nativas, cuja destruição tem provocado, muitas vezes, danos irreversíveis a alguns ecossistemas. A situação, nesse sentido, é alarmante.

É nesse contexto que entra o eucalipto, uma árvore originária da Austrália, e da maior importância para o mundo, em virtude de seu rápido crescimento, produtividade, grande capacidade de adaptação e por ter inúmeras aplicações em diferentes setores.

Um hectare de floresta plantada de eucalipto produz a mesma quantidade de madeira que 30 hectares de florestas tropicais nativas.

E já começa a haver algum consenso de que o eucalipto é uma das árvores mais bem posicionadas no combate ao aquecimento global, se este for causado pelas emissões de dióxido de carbono, pois tem maior capacidade de efetuar a fotossíntese.

Além do uso econômico, o eucalipto, por meio de suas folhas, é uma planta medicinal bastante utilizada no combate de diversas doenças respiratórias devido as suas propriedades expectorantes.

Pois há pessoas, senhor presidente e amigos presentes, que são como frutas e árvores de outras terras. São pessoas que aqui vieram ou foram trazidas e, com elas, trouxeram novos formatos, cores, aromas e sabores, bem como um bem-estar geral à saúde espiritual da nossa terra.

O homenageado desta noite é uma dessas pessoas frutas e árvores; semelhante a um refrescante melão europeu, trouxe-nos o frescor e a partilha de conhecimentos e ideias novas; análogo ao sedoso pêssego asiático, oferece-nos a doçura da poesia e da generosidade, e da mesma altura do imponente eucalipto, oferta-nos a transcendência de sua sabedoria.

João Batista Alvarenga, a quem carinhosamente o tratamos por ‘Alvarenguíssimo’, é um desses seres que fazem parte de um grupo seleto de almas que trazem consigo uma espécie de varinha de condão, transformando tudo e todos os que tocam.

O Mestre Alvarenga saiu, há muitos anos, de sua Itapetininga, de sua Atenas do Sul e se transferiu, definitivamente, para Sorocaba, para a Terra Rasgada e, aqui, nos rasgos desta terra, tem semeado as sementes da Educação, da Literatura, de uma Ética Universal, em forma de comprometimento e solidariedade.

Aqui, imbuiu-se de Arte Educador, nos anos de 2006, 2007 e 2008, coordenando oficinas pedagógicas na Casa da Cultura Grande Otelo.

Por 13 anos trabalhou como Jornalista no Jornal Cruzeiro do Sul, atuando como Repórter, Redator de Textos, Articulista e Fotógrafo.

Como empreendedor, idealizou e coordenou o projeto ‘Livro na Mesa’ (introdução de um livro de bolso nas cestas básicas dos colaboradores das empresas de Sorocaba e região).

Atualmente apresenta, pela Rádio Cruzeiro FM (92,3), o programa NOSSA LÍNGUA SEM SEGREDO, voltado para a divulgação da Língua Portuguesa.

Estas são apenas algumas das muitas atividades culturais desenvolvidas por aquele menino de 13 anos de idade que, um dia, uma iluminada professora de sua terra o chamou de lado e fê-lo ver que já o era um POETA.

O menino-poeta, o menino escritor, o menino-humanista que cresceu e se instruiu e, embora quisesse aplicar o saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana, marca do Humanismo; tem se percebido, muitas vezes, conforme suas próprias palavras, um Dom Quixote de La Mancha, um Dom Quixote que, agora, não mais luta contra moinhos de vento, mas contra os moinhos do abandono, do descomprometimento, da inércia e da falta de ética, por parte daqueles que, investidos do poder de mudar e melhorar a sociedade, fazem vistas curtas e ouvidos moucos.

Por tudo isto, Senhor Presidente, neste momento, dentre as máximas da sabedoria popular, uma se destaca em relação a este evento: ‘Antes tarde do que nunca’!

Mas, ainda que tardiamente, senhor presidente, esta Casa, por meio desta Sessão Magna, ao outorgar o título de Cidadão Sorocabano ao professor, ao amigo e irmão Alvarenga coloca-lhe, no peito, o Brasão de Sorocaba, brasão este que ele já colocara, há muitos anos, em sua alma!

Obrigado a todos!

(Sessão Solene de outorga do título de Cidadão Sorocabano ao escritor e poeta itapetiningano João Batista Alvarenga, realizado em 22/06/2016, pela Câmara Municipal de Sorocaba)

Sergio Diniz da Costa

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Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais

Centro Cultural SESI Itapetininga apresenta a
exposição Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais

Exposição Maracatu Rural - A Magia dos Canaviais - Divulgação
Exposição Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais – Divulgação

Fotos aqui:
https://drive.google.com/drive/folders/19XdeqXTjUEwOdSBXxv7LQT5kD2QwZ8Al?usp=sharing

Mostra com curadoria de Afonso Oliveira faz panorama de uma das mais representativas manifestações da cultura popular brasileira

Entre os dias 6 de setembro e 30 de novembro de 2025, o Centro Cultural SESI Itapetininga apresenta gratuitamente a exposição Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais. A mostra, que conta com audiodescrição e legendas em braile, reúne a produção artística de trabalhadores da Zona da Mata de Pernambuco, representantes desta manifestação que é Patrimônio Cultural Brasileiro, o Maracatu Rural ou Maracatu de Baque Solto.

O evento de abertura ocorre no dia 5/9, sexta-feira,às 14h30, para grupos de interesse da educação, e duas visitas mediadas estão programada para o dia 6/9, às 10h e às 15h, com o curador Afonso Oliveira, que compartilha informações e curiosidades sobre o Maracatu Rural.

Ambientada em uma cenografia que remete ao território da Zona Canavieira Pernambucana, a exposição apresenta documentos, vídeos, fotografias, objetos, textos, indumentárias e peças de artesanato, além de audiovisuais. São objetos e obras que vão além dos maracatus, e adentram no universo do trabalho, da religião e das influências que o Maracatu Rural exerceu sobre artistas contemporâneos como Chico Science, Gilberto Gil, Jorge Mautner e Siba.

Com projeto expográfico assinado pela designer pernambucana Júlia Filizola, a exposição conta com mais de 60 fotografias selecionadas, assinadas por diversos fotógrafos pernambucanos como Hans von Manteuffel (alemão/pernambucano), Toni Braga, Pedro Raiz, Ederlan Fábio, Fred Jordão e Afonso Oliveira, além de obras da antropóloga americana Katarina Real que, entre 1950 e 1990, pesquisou sobre o Carnaval do Recife e outras manifestações culturais do Nordeste (suas fotografias foram cedidas pela Fundação Joaquim Nabuco).

Entre os documentos estão troféus, CDs, livros, ferramentas da agricultura, instrumentos e a medalha da Ordem do Mérito Cultural (concedida pelo Ministério da Cultura). Na indumentária, a exposição traz 11 manequins com os figurinos típicos de Caboclos de Lança, Rei, Rainha, Reiamar, Mestre de Apito, Burra, Catirina e Mateus. Destaque também para uma Mesa de Jurema Sagrada, ritual religioso de origem indígena e cultuado por aqueles que fazem o Maracatu Rural, e para o Totem, onde o visitante, de forma interativa, irá conhecer a história e a estética dessa cultura.

O público pode ainda assistir a um documentário produzido especialmente para a exposição, que mostra o Maracatu Rural desde os preparativos, à noite, até as apresentações durante o carnaval. Será exibido também o filme Maracatu Atômico – Kaosnavial (2012), com Jorge Mautner e Mestre Zé Duda, dirigido por Afonso Oliveira e Marcelo Pedroso, produzido na Zona da Mata Pernambucana.

A produção e curadoria Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais é assinada por Afonso Oliveira, que tem uma vivência de mais de 30 anos junto a esta manifestação cultural, já tendo desenvolvido diversos projetos com os maracatus rurais. “Quem visitar a exposição viverá uma experiência marcante e única. O Maracatu Rural vai além do colorido de seus caboclos de lança, é um mergulho na história da formação do povo nordestino. É muito representativo trazer este acervo para São Paulo. Aqui vive uma parte de nós.”

Maracatu Rural – O maracatu rural ou de baque solto é uma manifestação cultural que surgiu no período republicano, na Zona da Mata, em Pernambuco. A partir da festa dos caboclos, personagens de outras brincadeiras foram se juntando e formando-o como conhecemos hoje.

A tradição diz que o primeiro maracatu rural tem local e data de nascimento. O mais antigo foi criado no Engenho Olho d’Água, em Nazaré da Mata, no dia 10 de dezembro de 1914, num sábado, como diz Ernesto Francisco do Nascimento, o mais antigo dos caboclos em atividade e mestre do Maracatu Cambindinha de Araçoiaba.

O protagonista do maracatu rural é o caboclo de lança, de fantasia exuberante com golas e chapéus coloridos, além dos caboclos de pena, das baianas, do rei e da rainha e das damas de buquê.

O cortejo do maracatu rural é conduzido por instrumentos de percussão (bombo, tarol, mineiro, porca e gonguê), acompanhado por instrumentos de sopro (trombone e trompete), vindo das orquestras de frevo.

O canto é de responsabilidade do Mestre de Apito ou poeta e contra-mestre. Sambas e marchas feitos de improviso mostram a qualidade e prestígio do Mestre perante à população que, durante o carnaval, aguarda ansiosa para ver qual será o melhor.

Durante o carnaval, existem vários encontros de Maracatus, com destaque para os realizados nas cidades de Nazaré da Mata, Aliança e Goiana.

Afonso Oliveira (curador) – Criador do Método Canavial de Ensino de Produção Cultural Coletiva e Comunitária, que tornou-se livro (2009) e já formou 180 produtores culturais.

Afonso Oliveira lançou o projeto Curva do Mundo (2019) com exposição de pinturas, livro de poesias e composições musicadas por diversos artistas brasileiros.

Elaborou, entre 1995 e 2003, com o Governo do Estado de Pernambuco e o Ministério da Cultura, uma política de valorização dos Maracatus pernambucanos; idealizou e coordenou o projeto que tornou Nazaré da Mata, PE, a Terra do Maracatu, e Goiana, PE, a Terra dos Caboclinhos.

Realizou projetos nacionais e internacionais de valorização da cultura popular pernambucana, destaque para a EXPO 2000, em Hanover, Alemanha; turnês europeias com os Maracatus Estrela Brilhante e Maracatu Leão Coroado; ida ao Festival Lincoln Center em Nova Iorque com Selma do Coco, Vanildo de Pombos e Mestre Salustiano.

Coordenou mais de 120 projetos culturais de música, artesanato, cinema, cultura popular, teatro e dança.

A convite do Ministério da Cultura, foi diretor artístico, produtor e curador do Festival Interações que levou mais de 40 atrações para às Paralimpíadas do Rio de Janeiro (2016), coordenador geral do Encontro Nacional das Culturas Populares (2015), em Serra Talhada, e coordenador de programação da TEIA – Encontro Nacional dos Pontos de Cultura (2008), em Brasília.

Prêmios: Cavaleiro da Ordem do Mérito Cultural – 2017; Prêmio Delmiro Gouveia de Economia Criativa – Fundação Joaquim Nabuco – 2020; Prêmio Economia Criativa do MinC – 2012; Prêmio Patativa do Assaré do MinC – 2011; Prêmio Tuxauá do MinC – 2010.

Serviço

Exposição: Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais

Abertura: 5 de setembro – Sexta, às 14h30

Temporada: 6 de setembro a 30 de novembro de 2025

Dias/horários: Terças-feiras, somente com agendamento. Quarta a sábado, das 9h às 20h. Domingos e feriados, das 13h às 19h.

Visitação gratuita. Classificação: Livre.

Visita mediada: 6/9, sábado, às 10h e às 15h – Com o curador Afonso Oliveira.

Acessibilidade: obras com audiodescrição.

Agendamento escolar e de grupos: cacitapetininga@sesisp.org.br

Centro Cultural SESI Itapetininga

Av. Padre Antônio Brunetti, 1360 – Vila Rio Branco. Itapetininga/SP

Tel.: (15) 3275-7920 | itapetininga.sesisp.org.br | Na rede: @sesisp.itapetininga

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Lugares de memória de Porto Feliz

Passeio cultural evidenciou os lugares de memória de
Porto Feliz (SP)

Passeio cultural nos lugares de memória de Porto Feliz (SP)
Passeio cultural nos lugares de memória de Porto Feliz (SP)

No último dia 28, sábado, ocorreu o Passeio pelos lugares de memória de Porto Feliz, mediado pelo Mestre em Educação e Doutorando em Comunicação e Cultura Professor Carlos Carvalho Cavalheiro. O passeio é uma promoção da Equipe Gestora da EMEF. Coronel Esmédio com vistas à formação dos professores da unidade, bem como para usufruto da comunidade em geral.

Vinte e seis participantes se inscreveram para o passeio, dentre professores e pessoas interessadas. Participaram, além de porto-felicenses, pessoas das cidades de Boituva, São Paulo, Sorocaba, Itu e Salto, o que demonstra o interesse que desperta a história da cidade de Porto Feliz.

Praça da Matriz 'Dr. José Sacramento e Silva'
Praça da Matriz ‘Dr. José Sacramento e Silva

O passeio iniciou-se na Praça da Matriz (Dr. José Sacramento e Silva), defronte ao monumento em homenagem a Cândido Motta. O professor Carlos Carvalho Cavalheiro evidenciou a qualidade artística do monumento que foi criado e esculpido pelo artista Giulio Starace (Júlio Starace), um famoso escultor italiano, radicado no Brasil na década de 1920 e que se destacou por produzir a obra em mármore de dois amantes na Fonte dos Amores, em Poços de Caldas.

“A obra de Poços de Caldas foi feita em 1929. O monumento a Cândido Motta é anterior, de 1920. Infelizmente, apesar de ser uma escultura realizada por um artista de renome, pouca gente de Porto Feliz sabe disso. E, assim, o monumento sofre vandalismos”, conclui o professor.

Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens
Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens

Da Praça, o grupo seguiu para o interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Dentro da Igreja puderam apreciar o conjunto de azulejos pintados pelo também italiano Bruno de Giusti. O professor Carlos discorreu sobre as críticas sociais que Bruno inseriu em sua obra e, também, sobre as representações da História oficial da cidade. Na oportunidade, os participantes ouviram, ainda, sobre o restauro das imagens de Nossa Senhora da Penha (primeira padroeira da cidade) e de Nossa Senhora Mãe dos Homens, informações essas passadas por Guilherme Iversen.

Guilherme Iversen

O passeio terminou no Parque das Monções com especial atenção para o Monumento aos Bandeirantes e, também, para a construção da réplica do batelão, feita a partir do tronco do famoso Jequitibá, que foi morto por ato de vandalismo.

Parque das Monções. Monumento aos Bandeirantes
Parque das Monções. Monumento aos Bandeirantes

O professor Carlos Carvalho Cavalheiro realiza passeios culturais como esse desde o início dos anos 2000 em Sorocaba. Criou diversos roteiros temáticos, sendo alguns deles aproveitados pela empresa de turismo pedagógico Educar. Em Porto Feliz, o professor Carlos realiza passeios semelhantes desde 2006, especialmente com seus alunos da EMEF. Coronel Esmédio. Já realizou passeios com temáticas específicas – como sobre a rua da Laje – e abrangentes como generalidades da história local. Também é criador e idealizador da Gincana de História, evento destinado aos estudantes com enigmas sobre a cidade de Porto Feliz.

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8º Encontro Cigano ‘Bênçãos de Sarah’

É um convite à união, ao respeito e à celebração das tradições ciganas, reunindo diferentes grupos étnicos, culturais e religiosos

Abaçai
Abaçai

8º Encontro Cigano ‘Bênçãos de Sarah.
Fazenda São Bernardo – Rafard
Dias 27, 28 e 29 de junho – 9 às 21

O encontro, que celebra Santa Sarah Kali, a protetora do povo cigano, acontecerá em um cenário de grande valor histórico e artístico: a Fazenda São Bernardo – Abaçaí, em Rafard, interior de São Paulo, local de nascimento da icônica artista plástica Tarsila do Amaral.

É um convite à união, ao respeito e à celebração das tradições ciganas, reunindo diferentes grupos étnicos, culturais e religiosos. Com entrada franca, aberto ao público, o evento promete uma experiência imersiva para ciganos, simpatizantes e amantes da cultura em geral.

Caravanas de diversas cidades já confirmaram presença. Grupos procedentes de Campinas, Caraguatatuba, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itanhaém, Mogi Guaçu, Rafard, São Carlos, Santo André e da capital de São Paulo.

• Fogueira Cigana, simbolizando a união e a purificação.

• Expositores: Uma variedade de produtos e artesanatos que refletem a riqueza da cultura cigana.

• Cortejo de celebração a Santa Sarah Kali.

• Apresentações de Danças Ciganas

Beleza e a energia das danças que encantam e envolvem o público.

• Sortilégios (Oráculos).

• Comida Caipira e Cantina.

O 8º Encontro Cigano ‘Bênçãos de Sarah’ vai além da festa; é um espaço para a partilha e o exercício da convivência.

A Fazenda São Bernardo oferece espaço para acampamento com banheiros e chuveiros disponíveis.

Toninho Macedo
21 de junho, 2025

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