Luciérnagas: uma proposta de Escola Literária

Alexander Anchía Vindas apresenta Luciérnagas, uma proposta costarriquenha de formação literária

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Em primeiro plano, Cláudio Regidor; atrás, Andrés Cabrera - Foto cedida por Cláudio Regidor
Em primeiro plano, Cláudio Regidor; atrás, Andrés Cabrera – Foto cedida por Cláudio Regidor

Na Costa Rica não existe um curso de Criação Literária, mas já existiram Oficinas, escolas informais, como a Oficina Aberta de Poesia Eunice Odio, na Universidade da Costa Rica, o Círculo de Escritores Costarriquenhos, a oficina de Chico Zúñiga e outros espaços que permitiram aos poetas se formarem e confrontarem seus textos com outros autores mais experientes.

Isso desde o primeiro grupo literário chamado Círculo de Poetas Turrialbeños. É nesse contexto que surge Luciérnagas, como resultado de uma oficina realizada durante 2025. Hoje, este espaço propõe como subdiretor da iniciativa o senhor Claudio Regidor: narrador e poeta, com a maior parte de sua obra ainda inédita, mas ativista de oficinas literárias e formador de escritores.

Da esquerda para a direita, Catalina Gaviria, Claudio Regidor, July Quesada, Malquin González, Alexander Anchía (servidor y director) y Hálvaro Goluboay
Da esquerda para a direita, Catalina Gaviria, Claudio Regidor, July Quesada, Malquin González, Alexander Anchía (servidor y director) y Hálvaro Goluboay

1. Como você se define? Que papel ocupa no panorama literário costarriquenho atual?

Como cito em minha página web, defino-me como «Escritor | Promotor cultural | Defensor da acessibilidade e da vida». A experiência literária em minha pátria está intrinsecamente ligada à minha vida cotidiana: o desenvolvimento de todo o meu percurso nesse mundo tem seu alicerce no fato de que minha fonte de inspiração é, definitivamente, o meu cotidiano. Encontrar, em meio aos fatos mais simples e próximos de cada instante vivido, desperta em mim essa curiosidade do escritor de sonhar com novos mundos.

2. Quais são os gêneros literários com os quais trabalha? Quais são seus projetos?

Particularmente, adoro o conto, embora tenha iniciado a aventura da escrita por meio da poesia, que ainda hoje cultivo. Poderia dizer-se, recorrendo ao meu particular ponto de partida inspiracional no cotidiano, que a realidade e suas nuances são os temas que gosto de abordar; isto é, na realidade, é por meio da escrita de minha poesia e de meus contos que desenvolvo esses mundos de que falei… Meu trabalho literário é atravessado pela filosofia, pela espiritualidade e pelo meu carinho pela ficção científica.

3. Conte ao público sobre sua experiência nas oficinas do famoso Taller de Chico Zúñiga e, depois, sua passagem por Mata Guillén.

Durante meus anos escolares, nos quais estudamos algumas obras literárias, não me esqueço da mítica figura do Fidalgo Dom Quixote de La Mancha. Mais tarde, por volta do final do século, ingressei na Oficina Literária fundada por Francisco Zúñiga Díaz. Nesse ambiente encontrei outros «loucos» que compartilhavam aquele desejo literário e, pouco a pouco, foi se cumprindo o lema do fundador da oficina: «Se a literatura não serve para fazer amigos, para que diabos serve!».

Então cresci em conhecimento e me inclinei para o conto. Como elemento importante, refiro aqui que o método do mestre Zúñiga — na oficina literária que, naquela época, era dirigida pelo poeta Henry López — abria espaços para cada um dos que dela participávamos, uma primeira vitrine para um primeiro público que, longe de ser passivo, proporcionava ao autor um retorno sobre as sensações que seu trabalho transmitia, facilitando o aprimoramento da escrita pessoal e, naturalmente, de uma forma mais adequada de comunicar, por meio das palavras, essas visões pessoais. Com Mata Guillén, a vertente era um tanto mais acadêmica, orientada e enriquecida pela erudição.

4. Qual é sua experiência como subdiretor dentro de Luciérnagas? Como se sente sendo um inspirador e estando do outro lado da oficina?

Luciérnagas é um extraordinário viveiro, no qual, assim como em outras experiências como diretor de uma oficina literária, também encontrei amigos com quem compartilhar. Longe de ser um espaço no qual me desenvolvo como formador, considero que compartilhar minha experiência literária com os integrantes da oficina enriquece ainda mais minha própria experiência e, finalmente, fortalece a qualidade literária daqueles que participamos desses processos.

5. Você encontrou talento? Comente como tem sido sua experiência. Quem são seus integrantes?

Esse grupo nasceu como uma inquietação compartilhada, como costuma crescer tudo no mundo da literatura. Luciérnagas tem sido, como disse anteriormente, um grandioso viveiro de poesia. O grupo, integrado por July, Catalina, Malkin e Álvaro, sob a formação do poeta e escritor Alexander Anchía, formou-se a passos seguros. Eu vim contribuir com minha experiência e, respondendo afirmativamente, esses poetas alçaram voo.

Cada um, como citou Alexander Anchía na estreia literária de Luciérnagas, neste Dia Internacional da Poesia do ano em curso, possui uma particularidade que o define segundo sua própria realidade.

6. O que você acha das sessões virtuais e das atividades que o grupo realizou até agora?

Adoro a «velha escola», na qual a presencialidade era física; as novas gerações e as realidades de nossa rotina diária exigem espaços virtuais que permitam encontros que favoreçam o diálogo literário e o pensamento.

Nossos encontros formativos, a exposição crítica dos trabalhos poéticos e os encontros pessoais têm favorecido esse ambiente de amizade e desejo de superação daqueles que fazemos parte do grupo. Nossa estreia diante do grande público, como escola literária, em Heredia, foi uma gala na qual cada um contribuiu, além de sua poesia, com entusiasmo.

Sendo a escola dedicada ao poeta costarriquenho Marco Aguilar, nossos integrantes inclusive fizeram uma viagem na qual visitaram sua viúva e entregaram uma oferenda em memória do poeta, em sua cidade natal, Turrialba, na província de Cartago…

7. Você percebeu talento? Como avalia a experiência pedagógica desta oficina em relação a outras escolas poéticas da Costa Rica?

Indubitavelmente, existe nos jovens um desejo de superação. A orientação do professor Alexander Anchía gera essa perspectiva de compreensão e aprofundamento no mundo da poesia e em seu desenvolvimento, a partir de uma perspectiva mais acadêmica, de maneira preliminar. No meu caso, além disso, compartilho com ele essa visão de que — como é mencionado na história em quadrinhos do Homem-Aranha — «com grandes poderes vêm grandes responsabilidades», e escrever é um grande «superpoder» pelo qual é preciso assumir responsabilidade…

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Claudio Regidor Fernandez

Alexander Anchia Vindas

Luciérnagas una propuesta de Escuela Literaria

En Costa Rica no existe una carrera de Creación Literaria, pero han existido Talleres, escuelas informales, como el Taller abierto de Poesía Eunice Odio en la Universidad de Costa Rica, Círculo de Escritores Costarricenses, el taller de Chico Zúñiga y otros espacios que han permitido a los poetas formarse y confrontar sus textos con otros autores con más experiencia. 

Esto desde el primer grupo literario llamado Círculo de Poetas Turrialbeños. Con ese marco surge como producto Luciérnagas, a partir de un taller que se impartió durante el 2025. El día de hoy, este espacio propone al subdirector de esta iniciativa a don Claudio Regidor: narrador y poeta con su mayoría de obra inédita aún, pero activista de talleres literarios y formador de escritores.

  1. ¿Cómo te defines vos mismo? ¿Qué papel ocupás vos en el panorama literario costarricense actual?

Según lo cito en mi página web, me defino como «Escritor | Promotor cultural | Defensor de la accesibilidad y la vida». La experiencia literaria en mi patria está intrínsecamente ligada a mi vida cotidiana: el desarrollo de todo mi devenir en ese mundo tiene su asidero en el hecho de que mi fuente de inspiración es, en definitiva, mi cotidianidad. Encontrar en medio de los hechos más simples y cercanos de cada instante vivido despierta en mí esa curiosidad del escritor de soñar con nuevos mundos.

  1. ¿Cuáles son tus géneros literarios de trabajo, cuáles son tus proyectos?

Particularmente me encanta el relato, aunque comencé la aventura de la escritura a través de la poesía, que aún hoy cultivo. Podría decirse, acudiendo a mi particular punto de partida inspiracional de la cotidianidad, que la realidad y sus matices son los temas que me gusta abordar; es decir, en realidad es a través de la escritura de mi poesía y relatos que desarrollo esos mundos de los que hablé… Mi trabajo literario está atravesado por la filosofía, la espiritualidad y mi cariño por la ciencia ficción.

  1. Cuéntale al público tu experiencia “tallereando” en el famoso Taller de Chico Zúñiga, luego tu paso con Mata Guillén.

Durante mis años colegiales, en los que abordamos algunas obras literarias, no olvido la mítica figura del Hidalgo don Quijote de la Mancha. Más tarde, hacia finales del siglo, ingresé en el Taller Literario fundado por Francisco Zúñiga Díaz. En ese ambiente encontré otros «locos» que compartían ese deseo literario y, poco a poco, se fue cumpliendo ese lema del fundador del taller: «¡Si la literatura no sirve para hacer amigos, para qué carajos sirve!».

Entonces crecí en conocimiento y me incliné hacia el relato. Como elemento importante, refiero aquí que el método del maestro Zúñiga —en el taller literario que dirigía para entonces el poeta Henry López— abría espacios para cada uno de los que participábamos en él, un primer escaparate a un primer público que, lejos de ser pasivo, retroalimentaba en el autor las sensaciones que transmitía su trabajo, facilitando la mejora de la escritura personal y, por supuesto, de una forma más adecuada de comunicar con palabras esas visiones personales. Con Mata Guillén, la vertiente era un tanto más académica, encaminada y enriquecida por la erudición. 

  1. ¿Cuál es tu experiencia como subdirector dentro de Luciérnagas? ¿Qué tal se siente ser un inspirador y estar en el otro lado del taller?

Luciérnagas es un semillero extraordinario en el que, al igual que en otras experiencias como director de un taller literario, también he encontrado amigos con los que compartir. Lejos de ser un espacio en el que me desarrollo como formador, considero que participar de mi experiencia literaria con los integrantes del taller enriquece aún más mi propia experiencia y, finalmente, fortalece la calidad literaria de quienes participamos en esos procesos.

  1. ¿Has encontrado talento? Comenta cómo ha sido tu experiencia, ¿quiénes son sus miembros?

Este grupo nació como una inquietud compartida, como suele crecer todo en el mundo de la literatura. Luciérnagas ha sido, como lo dije anteriormente, un semillero de poesía grandioso. El grupo, integrado por July, Catalina, Malkin y Álvaro, bajo la formación del poeta y escritor Alexander Anchia, se formó a paso seguro. Yo he venido a aportar mi experiencia y, respondiendo afirmativamente, estos poetas han echado a volar.

Cada uno, como lo citó Alexander Anchía en el debut literario de Luciérnagas este Día Internacional de la Poesía del año en curso, tiene una particularidad que los define según su propia realidad.

  1. ¿Qué le parecen las sesiones virtuales y las actividades que ha tenido hasta ahora el grupo?

Me encanta la «vieja escuela» en la que la presencialidad era física, las nuevas generaciones y las realidades de nuestra rutina diaria requieren espacios virtuales que permitan encuentros que favorezcan el diálogo literario y el pensamiento.

Nuestros encuentros formativos, la puesta a disposición crítica de los trabajos poéticos y los encuentros personales han favorecido ese ambiente de amistad y deseo de superación de quienes formamos parte del grupo. Nuestro debut frente al público mayor, como escuela literaria, en Heredia, fue una gala en la que cada uno aportó, además de su poesía, con entusiasmo.

Siendo la escuela dedicada al poeta costarricense Marco Aguilar, nuestros integrantes incluso hicieron una gira en la que visitaron a su viuda y entregaron una ofrenda en memoria del poeta allá en su natal Turrialba, en la provincia de Cartago… 

  1. ¿Ha percibido talento? ¿Cómo valora la experiencia pedagógica de este taller respecto a otras escuelas poéticas en Costa Rica?

Indudablemente, existe un deseo de superación en los muchachos. La guía del profesor Alexander Anchía genera esa perspectiva de entendimiento y profundización en el mundo de la poesía y su desarrollo, desde una perspectiva más académica de manera preliminar. En mi caso, además, comparto con él esa visión de que —como se menciona en el cómic de Spider-Man— «todo gran poder conlleva una gran responsabilidad», y escribir es un gran «superpoder» del que hay que tomar responsabilidad… 

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Claudio Regidor Fernandez

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Ondaka 6.7

Renata Barcellos entrevista Ondaka 6.7: da oralidade à literatura, a força da palavra africana!

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Ondaka 6.7. Jovem preto de camisa clara, com livros nas mãos, Fundo preto.
Ondaka 6.7

Minicurrículo: Ondaka 6.7 (Osvaldo Boaventura Francisco), de Porto Amboim, Angola, nasceu aos 06 de Julho de 1994.

Formado em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto.

Membro fundador do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, MNIA.

Agente de Desenvolvimento Comunitário com certificação em TFT in Practice – Training for Transformation (metodologia baseada na obra de Paulo Freire).

Curador e Bibliotecário do Mosaiko, onde desenvolve actividades que visam fomentar o acesso ao conhecimento e a participação cívica.

Venceu o Prémio Imprensa Nacional de Literatura 2023 e o Concurso de Contos Celebrando Talentos Literários 2024 da Grace Publisher. Obras Publicadas: Ntangu e Ntima ou A Absoluta Mama Mboze;  Uma Festa Lá No Céu.

Entrevista

1 Como surgiu o interesse pelas letras?

ONDAKA 6.7: O primeiro input me foi dado por um tio que a dada altura veio viver em nossa casa e contáva-nos diversas estórias. Eu nem ler, nem escrever em condições ainda sabia. Isso se me aceitas nessa pergunta incluir as estórias contadas (oralmente) porque os meus pais não tinham livros em casa. E foi muito tempo depois que aquela entrada deu alguma inquietação quando um professor e padre do ensino médio citava vários clássicos da literatura mundial ao dar a sua aula de gramática. E depois, vi-me a fazer letras na universidade. 

2 Quais são os objetivos do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola ?

ONDAKA 6.7: Importa lembrar que a Associação MNIA hoje é uma extensão do pensamento de Viriato da Cruz, primeiro teorizador e activista do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, surgido em 1948, sob o lema “Vamos Descobrir Angola”, que abriu uma nova página na história da literatura angolana. O MNIA agora renovado pretende lutar pela expressão dos interesses populares e da autêntica natureza africana em todas as formas de Arte e Cultura angolana, baseados no sentido estético, na inteligência, na vontade e na razão africanas; desenvolver actividades culturais e educativas que visem sempre a revitalização do lúmen ou energia interior do ser humano.

3 Qual o papel da biblioteca na contemporaneidade? 

ONDAKA 6.7: Continua tendo o mesmo papel, que é de acolher e disseminar conhecimento. Entretanto, vai perdendo o impacto quando não é dinamizada, quando não se vai atrás dos leitores. Numa época como a nossa, em que se acentua o modo breve e imediato de ser, as pessoas vivem desinteressadas do que é essencial. No caso de Angola, por exemplo, além desse desinteresse global, adiciona-se a escassez de bibliotecas públicas e das que existem estão estáticas, desligadas dos desafios actuais. Ainda, agrava-se o facto de a escolas públicas não possuírem bibliotecas. E que os alunos chegam às universidades sem conhecerem uma biblioteca. 

4 Quais são as características de um bom conto? 

ONDAKA 6.7: A brevidade e o impacto. Talvez diria o fascínio provocado pela forma como é trabalhada e/ou condensada a linguagem. Por exemplo, ouvíamos por várias horas o tio a contar inúmeras estórias, mas nós também participávamos respondendo, ora dando um fio aos enredos. Enfim, não consigo desassociar o conto da oralidade. Acho que o conto sai sempre do oral para o escrito, onde deve voltar sempre. O conto é oral!

5 Mensagem ao leitor:

ONDAKA 6.7: Leia(m), porque a leitura é uma forma prazerosa de libertação.

Renata Barcellos

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Marlene Pasini

Carlos Javier Jarquín faz uma imersão fascinante na trajetória de Marlene Pasini, a egiptóloga e escritora mexicana que conecta arte, misticismo e lança sua nova e admirável obra no Cairo

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O livro mais recente de Marlene Pasini é Memórias de viagens e misticismo no Antigo Egito, obra que será oficialmente apresentada durante este mês de setembro, no Cairo, Egito. Foto: cortesia de Marlene Pasini.

O livro mais recente de Marlene Pasini é Memórias de viagens e misticismo no Antigo Egito, obra que será oficialmente apresentada durante este mês de setembro, no Cairo, Egito. Foto: cortesia de Marlene Pasini.

Existen personas que saben aprovechar el tiempo de manera sorprendente, de tal forma que despiertan admiración o incluso envidia. Saben dividir el tiempo, saben aprovecharlo al máximo y así logran potenciar sus talentos y llevarlos a un nivel muy alto en comparación con la mayoría. Una mayoría que, lamentablemente, no siempre desarrolla esa habilidad para cultivar sus propias capacidades con éxito notable.

Marlene Pasini posa junto a una de sus pinturas. Foto: cortesía de Marlene Pasini.
Marlene Pasini posa junto a una de sus pinturas. Foto: cortesía de Marlene Pasini.

Hoy tengo el placer de compartir con ustedes una entrevista que le he realizado a la artista mexicana Marlene Pasini. Es poeta, escritora, editora, artista visual, compiladora, gestora cultural y psicoterapeuta, cuya obra se ha desarrollado entre la poesía, el ensayo, la novela y la reflexión espiritual. Además de su labor como creadora, es comunicóloga, especialista en medicina alternativa, maestra en Literatura Hispanoamericana y tiene estudios en Historia, Egiptología, jeroglíficos, religiones comparadas y misticismo. Su obra literaria y artística posee ese mágico color universal que la convierte en una artista polifacética de auténtica y genuina admiración.

Nuestra invitada es una mujer que desborda talento, carisma, belleza y, sobre todo, humanidad. A lo largo de su vida ha diseñado un legado admirable, tanto en su obra literaria como en su obra artística. Es autora de 20 libros entre poesía, novela, ensayo, artículos, y también ha realizado incontables exposiciones de arte, tanto virtuales como presenciales. Marlene es coautora de la antología CANTO PLANETARIO: HERMANDAD EN LA TIERRA, Volumen I, (H.C EDITORES, 2023).

En el siguiente enlace, Marlene lee un poema de su autoría, extraído de Canto Planetario: https://youtu.be/bc1i0Hmy2u4?si=zKr26VH1rOC9Yxfb

En esta entrevista nos comenta acerca de su último libro publicado, titulado Memorias de viajes y misticismo en el Antiguo Egipto, obra que presentará oficialmente durante este mes de septiembre en El Cairo, Egipto. También nos habla de cómo divide su tiempo como ama de casa, como madre, como artista y, por supuesto, cómo dedica tiempo a sus animales de compañía. Asimismo, desde su opinión, nos comparte su perspectiva sobre cómo saber invertir el tiempo en las redes sociales y cómo sacarles el máximo provecho a esas plataformas que, para muchos, se convierten en una dependencia; para otros, incluso, en una especie de esclavitud digital.

Marlene Pasini é uma viajante incansável e já escreveu diversas obras inspiradas em suas viagens por diferentes regiões do mundo. Foto: cortesia de Marlene Pasini.
Marlene Pasini é uma viajante incansável e já escreveu diversas obras inspiradas em suas viagens por diferentes regiões do mundo. Foto: cortesia de Marlene Pasini.

Nos habla también de sus pasiones: el arte, el conocimiento, los viajes y, por supuesto, sus libros. Ella, como viajera incansable, ha escrito varias obras inspiradas en sus recorridos por diferentes regiones del mundo. Nos comparte cuál es el mensaje principal que transmite —o aspira a transmitir— a través de su trabajo pictórico. Y, para cerrar, nos despide con un mensaje al mundo desde México: un mensaje de paz, de esperanza, de amor; una invitación profunda a la reflexión como solo ella lo sabe hacer desde su mundo tan diverso y colorido.

ENTREVISTA

¿Qué momento o vivencia de su infancia la marcó más?

Muchos momentos de mi vida han sido especiales, momentos que como pasa en este mundo traen alegrías, pero también tristezas, pero todos me han ayudado a desarrollar un proceso de trabajo personal orientado hacia la espiritualidad.

Desde niña tuve una gran inclinación por la escritura y por la lectura, especialmente por aquellos libros relacionados con el misticismo y el desarrollo humano. La historia y las culturas ancestrales también han sido siempre mis grandes pasiones. Creo que esa inquietud y esa búsqueda de conocimiento que estuvieron presentes desde mi infancia fueron sembrando las bases de lo que posteriormente se convertiría en mi trayectoria como escritora, poeta, artista y estudiosa de la sabiduría antigua.

¿Qué la motivó a estudiar historia, egiptología, jeroglíficos, religiones comparadas y misticismo?

Siempre fui una mujer inquieta, ávida de conocimiento, de búsquedas, de conocer la historia de las grandes civilizaciones que han dejado una huella importante en la humanidad. Así que desde temprana edad sentí una especial inclinación por el Antiguo Egipto. Con el paso de los años, y después de haber estudiado dos carreras universitarias: Ciencias de la Comunicación y Psicoterapia Transpersonal, realicé una maestría en Literatura Hispanoamericana y un diplomado en Historia Renacentista. Más adelante, después de viajar a Egipto por primera vez en 2017, sentí la necesidad de escribir un libro sobre esto y fue a partir de allí, cuando decidí  formalizar mis estudios de Egiptología, incorporando también el estudio de los jeroglíficos. 

Su obra más reciente se titula Memorias de viajes y misticismo en el Antiguo Egipto. ¿Puede hablarnos de este libro?

Precisamente después de estudiar Egiptología y de haber visitado Egipto en tres ocasiones, surgió en mí la inquietud de dejar una huella propia dentro de este fascinante campo. Sabiendo que existen muchos libros sobre el Antiguo Egipto quise hacer algo diferente entre lo histórico, lo esotérico y lo místico, integrando mi propia experiencia personal durante mis viajes por Egipto, no como turista, sino como sacerdotisa del tiempo.

El libro finalmente está publicado, y me siento profundamente feliz porque durante este mes de septiembre, tendré la oportunidad de realizar su presentación formal en Egipto, en esa tierra que, sin duda, ha abierto un horizonte profundamente significativo dentro de mi trayectoria como escritora, poeta, artista, psicoterapeuta y egiptóloga.

¿Qué significó para usted que el prologuista de esta obra haya sido el Dr. Hussein Bassir, director del Museo de Antigüedades de la Biblioteca de Alejandría?

Tuve la oportunidad de conocer al Dr. Hussein Bassir hace algunos años. Desde nuestro primer encuentro se interesó por el trabajo que he venido desarrollando a lo largo de mi trayectoria como escritora y poeta.

En 2019 me invitó a presentar mi libro de poesía: Claroscuro, traducido al árabe por mi traductora oficial en Egipto, la Dra. Raghda Maged, y revisado por el profesor hispanista Abdellah Aghzaf, de Marruecos.

La presentación tuvo lugar en la biblioteca del Museo de Antigüedades de la Biblioteca de Alejandría, lo cual fue un suceso sumamente importante dentro de mi carrera literaria. 

Considerando además que el Dr. Hussein Bassir es un eminente egiptólogo, decidí invitarlo a escribir el prólogo de mi libro: Memorias de viajes y misticismo en el Antiguo Egipto. Para mí, que una figura de su relevancia haya aceptado formar parte de este proyecto representa un enorme honor y tiene un significado muy especial dentro de mi trayectoria.

Además, el libro cuenta también con una reseña del Dr. Tarek El Khouly, un destacado político egipcio y quien ha sido parlamentario en El Cairo. Todo ello hace que esta obra tenga un respaldo muy significativo. La participación de estas personalidades le otorga al libro una relevancia especial y representa, para mí, un momento muy importante en mi camino como escritora.

¿Qué representa para usted que este sea su primer libro publicado como egiptóloga y que lo presente en El Cairo?

Definitivamente, para cualquier escritor o egiptólogo que haya dedicado una obra al estudio del Antiguo Egipto, tener la posibilidad de presentar su libro en El Cairo representa algo de una importancia incalculable. Para mí, significa un respaldo a mi trayectoria, no solamente como egiptóloga, sino también como escritora.

Esta oportunidad ha sido posible, gracias a la coordinación y al apoyo de la Dra.Taghrid Fayyad, presidenta del Foro Cultural Fayyad Egipto-Líbano, quien además, desde hace varios años, me ha honrado al nombrarme asesora cultural de esta institución.

El Foro desarrolla una importante labor de promoción de la literatura y la cultura mediante encuentros, eventos literarios y lecturas poéticas, y para mí ha sido muy significativo poder desempeñar allí mi función como asesora cultural. Por ello, presentar en El Cairo mi primer libro como egiptóloga tiene un significado enorme dentro de mi carrera literaria y cultural. Estoy llevando una obra que nació de años de estudio, investigación, experiencia y vivencias personales.

Ha viajado por varios países y estos viajes han sido motivo de inspiración para escribir algunas de sus obras. ¿Puede hablarnos brevemente de ellas?

Afortunadamente, la vida me ha dado la posibilidad de viajar por distintos países, y algunos de esos viajes se han convertido en una fuente muy importante de inspiración para mi obra. Me interesa la literatura de viajes no solamente desde la experiencia del turista que conoce nuevos lugares, sino desde una mirada profunda, que deja un testimonio invaluable. 

De mis viajes por Medio Oriente y el norte de África, como Marruecos, Túnez, Tierra Santa y,  Egipto, surgió mi libro: Memorias nómadas del Medio Oriente al norte de África.

También otros países han formado parte de ese bagaje creativo, España, dio origen a mi libro de haikus: Memorias de Andalucía.

Actualmente estoy trabajando también en un nuevo poemario que reunirá poemas y haikus inspirados en varios de los países que he visitado a lo largo de los años. Será un recorrido poético por distintas geografías y las experiencias que esos lugares han dejado en mí.

¿Cuál es el eje temático de su libro El lenguaje secreto de las almas: Berkana una luz en la palabra 2023?

Este libro forma parte de mi colección de poesía, que actualmente está integrada por nueve de mis veinte libros, y nace de un momento en el que experimenté una profunda conexión con aspectos sagrados y con una intimidad especial con mi propia alma.

Siento que El lenguaje secreto de las almas fue, una revelación. Aquello que el alma puede percibir, expresar o revelar más allá de las palabras convencionales.

Con estos poemas tuve experiencias de conexión espiritual que podrían interpretarse como encuentros con seres de luz, con otras almas o incluso con Dios. Son experiencias que llegaron a mí y que encontraron en la poesía una forma de expresión.

El libro también nace en un momento histórico que muchas personas perciben como particularmente complejo, incluso con una sensación casi apocalíptica. Por ello considero que es un poemario fuerte, no solamente por su contenido poético, sino porque aborda las inquietudes del ser humano desde una perspectiva de revelación mística y sagrada.

Hay en él una búsqueda espiritual que evoca la experiencia visionaria como lo fue para muchos místicos.

Dada su inquietud por cultivar diversas disciplinas del arte, ¿qué significa el conocimiento para usted?

Más que hablar de conocimiento, yo hablaría de sabiduría, porque que existe una diferencia entre acumular conocimientos y alcanzar verdaderamente la sabiduría.

El conocimiento puede obtenerse a través de los libros, del estudio y de la experiencia académica. La sabiduría, en cambio, implica una comprensión mucho más profunda de la vida y del ser humano. Es también un legado que recibimos de las grandes culturas ancestrales del mundo.

 ¿Podría hablarnos de su faceta como especialista en medicina alternativa?

La segunda carrera que estudié a nivel universitario fue Psicoterapia Transpersonal, con una especialidad en Educación. Por varios años atendí pacientes en consulta privada, y sentí la necesidad de complementar mi formación con distintas herramientas relacionadas con la medicina alternativa.

Considero que estas disciplinas pueden ofrecer recursos complementarios para acercarnos al ser humano desde una perspectiva integral, tomando en cuenta no solamente su dimensión psicológica, sino también sus emociones, su mundo interior y su dimensión espiritual.

A lo largo de ese proceso me formé en diferentes herramientas, entre ellas la terapia floral, la sonoterapia con cuencos tibetanos, la rueda de medicina Lakota, el manejo del péndulo y la radiestesia, etc.

Todo ello ha sido importante tanto en lo profesional como en mi propio proceso de desarrollo personal.

Actualmente aunque ya no estoy ejerciendo, estos conocimientos y experiencias son una parte completamentaria a mi trayectoria literaria y de arte.

En un mundo saturado de redes sociales, ¿qué sugiere para no ser esclavos de ellas?

Actualmente vivimos inmersos en un mundo dominado por las redes sociales y la tecnología, incluida la inteligencia artificial y cada vez estamos más apegados a estos medios y, corremos el riesgo de ser dependientes de ellos.

Creo que una manera de evitarlo es recuperar el interés por aquellas actividades que nos llaman la atención y nos nutren… el arte, la escritura, la lectura, la historia, la música, el deporte o cualquier actividad o disciplina que despierte nuestra sensibilidad y nuestra creatividad.

Debemos aprender a aprovechar mejor el tiempo que tenemos y no perder de vista aquello que realmente le da sentido a nuestra existencia. Necesitamos conectarnos nuevamente con la naturaleza, con la divinidad y con todo aquello que consideramos sagrado.

Convivir más con las personas que amamos, con nuestra familia y con nuestros animales de compañía. Esas conexiones afectivas y profundas pueden ayudarnos a no perdernos en un mundo virtual que, aunque tiene enormes posibilidades, también puede absorber gran parte de nuestra vida.

Entre tantas actividades que realiza, ¿cómo hace para dividir su tiempo y, por supuesto, dedicarlo también a su familia?

Es algo complicado, porque realmente tengo muy poco tiempo disponible y son muchas las actividades que debo atender.

Una parte importante de mi tiempo está dedicada a mi familia y a mi hogar. Como muchas mujeres, soy ama de casa, madre y también me ocupo de las labores cotidianas: la casa, la cocina y todo lo que implica mantener un hogar

Después, el tiempo que me queda lo dedico a pintar, a mis proyectos literarios, a las presentaciones, a la promoción de mis libros y a todas las actividades relacionadas con mi trayectoria.

También dedico tiempo a mis animales de compañía, que son una parte muy importante de mi vida. Y, debo confesarlo, duermo poco, porque siempre intento encontrar un espacio para todo.

Hay además una parte de mi vida que se encuentra en el mundo virtual. Mi comunidad en redes sociales, particularmente en Facebook, ha crecido mucho a lo largo de los años. Y para mí, muchas de las personas que me siguen han dejado de ser simplemente seguidores, son amigos, colegas y, en muchos casos, forman parte de mi familia virtual. Las redes sociales para mí, son un apoyo de difusión para mi trayectoria profesional. Así que, también les dedico tiempo.

¿Cuáles son los temas principales que aborda en su obra literaria?

Mi obra gira alrededor de temas relacionados con la espiritualidad, el misticismo y ese testimonio que va quedando a través de mis viajes y de mis experiencias personales.

Existe también un profundo amor por lo sagrado y por la historia, que aparece de distintas maneras en mis libros. Por ejemplo, en mi novela histórica “En la proa del tiempo”, abordo la época de los grandes descubrimientos marítimos de España y Portugal, así como algunos de los momentos históricos relacionados con la Inquisición, la alquimia. 

También he escrito ensayos relacionados con la mujer y lo femenino, como mi libro: “La mujer y lo sagrado” o vinculadas con distintas tradiciones místicas. Un ejemplo es mi libro: “Un viaje por el camino del amor”, inspirado en el sufismo. Otros temas también abarcan el desarrollo personal, como mi libro: “Coaching esencial, un viaje hacia el éxito y la trascendencia”. 

Ha compilado varias antologías. ¿Cómo ha sido su experiencia al trabajar con poetas de distintas partes del mundo?

Como ocurre con muchos escritores, a lo largo de mi trayectoria he ido incursionando en diferentes ámbitos de la literatura. Al contar además con un sello editorial, surgió en mí la inquietud de contribuir a promover la literatura y el arte.

Así fue como comencé a antologar y compilar trabajos tanto de poesía como de artes visuales, reuniendo a creadores de distintas partes del mundo.

Para mí ha sido una experiencia muy enriquecedora, sin embargo, no es una labor sencilla. La realización de estas antologías ha requerido una importante inversión personal, tanto económica como de tiempo y esfuerzo. Han sido proyectos que he financiado personalmente y que, además, he desarrollado de manera gratuita para los participantes.

Estas antologías continúan disponibles a través de Amazon y forman parte de mi proyecto: Consciousness and Transformation. Actualmente he decidido poner este proyecto en pausa, precisamente porque requiere una gran dedicación de tiempo, trabajo y recursos.

En su obra como artista visual, ¿qué mensaje transmite a través de sus pinturas?

Una de las cosas que he tratado de integrar en mi obra visual es precisamente ese universo de la espiritualidad y de lo sagrado que también está presente en mi literatura.

Trabajo con diferentes técnicas, entre ellas el óleo, la acuarela y el acrílico, y a lo largo de mi trayectoria como artista he experimentado con diferentes lenguajes y procesos. He transitado por el arte figurativo y posteriormente también por el arte abstracto, permitiéndome explorar distintas formas de expresión.

En muchas ocasiones mi obra pictórica y mi obra literaria van entrelazadas. 

A lo largo de mi trayectoria he participado en más de 350 exhibiciones de arte, tanto virtuales como presenciales, en más de 34 países. 

Desde México, ¿qué mensaje le gustaría compartir con el mundo?

Creo que actualmente estamos viviendo tiempos complejos, no solamente en México, sino en prácticamente todo el mundo.

Lo vemos en las guerras, en los efectos del cambio climático, en los desastres y las agresiones de la naturaleza, en la división social, en la violencia y en la delincuencia. Todo ello nos habla de un momento de profundos cambios para la humanidad.

Considero que precisamente por eso necesitamos acercarnos nuevamente a nuestra alma y a nuestra espiritualidad; volver a nuestro punto de origen, que es la conexión con lo sagrado, con la naturaleza y con lo divino.

También necesitamos recuperar nuestros valores humanos más esenciales y actuar con ética, conciencia y responsabilidad. Cada uno de nosotros puede aportar algo desde su propio espacio, desde sus capacidades, desde su profesión y desde su manera de relacionarse con los demás.

Creo que debemos comenzar por nosotros mismos si realmente queremos contribuir a la transformación de este mundo. Y aunque muchas veces sentimos que vivimos en un mundo que parece encontrarse en colapso, también creo profundamente que toda crisis puede convertirse en una oportunidad para despertar y transformar nuestra conciencia.

Mi cariño, como siempre, para todos, y mis bendiciones.

Y agradecerte especialmente a ti, querido Carlos Jarquín, por esta entrevista y por la importante labor que realizas a través de tus antologías y de tu Canto Planetario, contribuyendo también a promover la poesía, la literatura y la unión entre creadores de diferentes lugares del mundo.

Estimada Marlene, desde estas líneas recibe mis sinceras felicitaciones por todo ese trabajo grandioso que has realizado y que realizas. Te deseamos mucho éxito en cada uno de tus proyectos, literarios, artísticos y en todo aquello en lo que estés emprendiendo. Gracias por darnos la oportunidad de dar a conocer y difundir tu excelente trabajo.

Mis queridos amigos y cómplices están invitados a darse la oportunidad de conocer a esta maravillosa artista mexicana.

Carlos Javier Jarquín

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Germán A. de la Reza

Rhea Cristina – entrevista com o escritor e professor universitário boliviano-mexicano Germán A. de la Reza

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German A. de la Reza - Fotocedida pelo entrevistado
German A. de la Reza – Foto cedida pelo entrevistado

Queridos amigos do Jornal Cultural ROL, é para mim uma grande alegria e uma grande honra apresentar-lhes Germán A. de la Reza, escritor e acadêmico boliviano-mexicano, um verdadeiro intelectual, um erudito e uma das personalidades acadêmicas internacionais contemporâneas, com uma extensa e notável trajetória, especialista em história das relações interamericanas e em integração latino-americana.

Germán A. de la Reza nasceu em Cochabamba, Bolívia, e possui as cidadanias mexicana e boliviana. Ao longo de sua formação acadêmica e de sua atividade profissional, residiu no Peru, na França, na Romênia, na Suécia, no Brasil e no México. É pesquisador, poeta e romancista, especialista em história das relações interamericanas e em relações econômicas internacionais, com uma ampla trajetória acadêmica internacional.

É professor-pesquisador da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM), do México, desde 1998. Foi pesquisador da Universidade de Estocolmo e da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Em 2005-2006 e 2011, ocupou as cátedras “Simón Bolívar”, da Universidade de Paris, e “Estudos Latino-Americanos”, da Universidade de Toulouse, entre outras. É Pesquisador Nacional Emérito e membro da Academia Mexicana de Ciências, duas das principais distinções da vida acadêmica mexicana. Sua formação universitária inclui Filosofia e História na Universidade de Bucareste e Filosofia Política na Universidade Paris I. Possui dois doutorados: um em Filosofia pela Universidade de Toulouse e outro em Economia Internacional pela Universidade Paris II.

Capa do livro 'La invención de la paz '(2009)
Capa do livro ‘La invención de la paz ‘(2009)

É autor de mais de trinta livros publicados em dez países e em cinco idiomas. Entre suas obras mais importantes estão La invención de la paz (2009), distinguida com o Prêmio “Pensamiento de América”, da OEA, e disponível em cinco idiomas; Pensamiento confederal latinoamericano 1810–1865 (2022); Génesis de la supranacionalidad europea (2024); Integración económica en América Latina (2006); Défis de l’intégration en Amérique latine (2010); e Sistemas complejos (2010, Barcelona).

No âmbito literário, publicou os volumes de poesia: Silencio en el Paraíso (2024); Poemas selectos – poeme alese (2023), uma seleção poética traduzida por Catalina Constantinescu; Doppelgänger. La distancia interior (2022); Poemas 1988–2008 (2009); e, anteriormente, Décima interior (1996), sua obra de estreia, Columna de luz e En el reino de las teas. É também autor de uma antologia de poesia romena publicada pela UAM Xochimilco (2000) e de uma seleção de poemas de Nichita Stănescu. Em 2021, publicou o romance Cuaderno de Timișoara. Saga del último corresponsal del Este, traduzido para o romeno por Coman Lupu sob o título Caietul de la Timișoara (2023).

Sua obra acadêmica e literária foi incluída em mais de cinquenta programas de estudo de universidades das Américas e da Europa.

Capa do livro 'El Congreso Anfictiônica de Panama y La Intgegración Confederal Latinoamericaa (1821-1865)
Capa do livro ‘El Congreso Anfictiônica de Panama y La Intgegración Confederal Latinoamericaa (1821-1865)

Rhea Cristina: O Brasil é o maior país da América Latina, tanto em extensão territorial quanto em população. Durante cinco anos, o senhor foi professor convidado da UNESP (Universidade Estadual Paulista), uma das mais prestigiosas universidades públicas do Brasil. Que outras lembranças guarda do Brasil e o que este país representa para o senhor?

Germán A. de la Reza: Tenho uma relação com o Brasil que não consigo decifrar inteiramente. Recém-casados, meus pais se instalaram em uma propriedade rural próxima à fronteira com o Brasil. Ali viveram até poucas semanas antes do meu nascimento, quando partiram para Cochabamba. Esse início acabou sendo premonitório: o Brasil sempre esteve, de uma forma ou de outra, presente em minha vida.

Fui professor e pesquisador convidado em universidades brasileiras; neste país, dois de meus livros foram traduzidos e publicados — há um terceiro a caminho —, e revistas acadêmicas brasileiras publicaram cerca de dez de meus artigos científicos. Em 2010, estive a ponto de me integrar-me à UNESP, um projeto do qual desisti após o nascimento de meu filho no México, naquele mesmo ano. Em 2015, percorri diversas cidades brasileiras proferindo conferências sobre a integração latino-americana.

Há também algo menos fácil de explicar. O dinamismo editorial, a dimensão cultural do país e sua extraordinária capacidade de absorver influências e transformá-las em algo próprio fazem com que o Brasil tenha sido e continue sendo, para mim, uma presença particularmente magnética.

Rhea Cristina: O que representam para o senhor as palavras “história” e “memória individual e coletiva”?

Germán A. de la Reza: Não considero história e memória sinônimos. A memória pertence àqueles que viveram, herdaram ou imaginaram uma experiência; a história, por sua vez, começa justamente quando submetemos essas lembranças ao confronto, à contextualização e à crítica. Mas uma tampouco pode prescindir da outra.

A memória individual conserva gestos, medos, silêncios e detalhes que muitas vezes não chegam aos arquivos. A memória coletiva organiza essas lembranças e lhes confere um significado compartilhado, embora também possa deformá-las, selecionar umas e apagar outras. O historiador trabalha nessa zona de tensão: necessita da memória, mas não pode obedecê-la.

Grande parte de minha atividade como historiador é realizada com colegas de universidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Paraná, e esse diálogo entre diferentes tradições e especialidades me confirmou algo: um acontecimento histórico se transforma quando deslocamos a escala da instituição para o indivíduo ou da experiência pessoal para as estruturas coletivas. Nenhuma dessas perspectivas dá conta, por si só, do passado. O interessante começa quando as obrigamos a dialogar.

Rhea Cristina: O senhor é especialista em integração latino-americana. Como assinalamos acima, possui aproximadamente 60 a 70 trabalhos acadêmicos —artigos e livros— publicados em revistas de relações internacionais, história intelectual latino-americana e economia política internacional. O que representa a integração latino-americana e qual é o seu papel no contexto cultural atual?

Germán A. de la Reza: A América Latina possui duas grandes matrizes linguísticas e culturais: a hispano-americana e a luso-brasileira. Pouco depois da independência política, no início do século XIX, essa diferença nos separou de tal maneira que não foram poucos os episódios de rivalidade e antagonismo. Durante muito tempo, as elites hispano-americanas conheceram melhor Paris, Londres ou Madri do que o Rio de Janeiro ou São Paulo, e algo semelhante ocorreu no Brasil em relação ao mundo hispano-americano.

No entanto, durante o século XX e, sobretudo, no XXI, uns e outros conseguiram criar espaços culturais comuns e lançar as bases de uma economia regional mais integrada. Para mim, a integração latino-americana começa justamente aí: não em apagar as diferenças, mas em fazer com que deixem de funcionar como fronteiras mentais.

Cada país tem, naturalmente, suas próprias características, mas sinto os romances de Jorge Amado, os contos de Clarice Lispector ou os poemas de Murilo Mendes —penso particularmente em seu maravilhoso Canto do Noivo— tão próximos de minha cultura quanto os romances de García Márquez ou os poemas de Neruda.

Por isso, a integração possui também uma dimensão cultural que muitas vezes esquecemos quando a reduzimos ao comércio ou às instituições. Consiste em criar hábitos de leitura, tradução, circulação e reconhecimento mútuo. O Brasil deixa então de ser, para a América Hispânica, um grande vizinho relativamente desconhecido, e a América Hispânica deixa de ser, para o Brasil, uma extensão indistinta situada do outro lado de suas fronteiras. Talvez seja nesse reconhecimento recíproco que se encontre uma das formas mais duradouras de integração.

Rhea Cristina: O que representa, atualmente, o tipo de pesquisa histórica e política que o senhor propõe em escala europeia e mundial? Qual é, hoje, o lugar do historiador e do analista político em escala global?

Germán A. de la Reza: Uma parte importante de minha pesquisa tem consistido em estudar processos de integração, confederação e supranacionalidade evitando apresentá-los como desfechos inevitáveis. O que me interessa, ao contrário, é reconstruir as alternativas que existiram em cada momento: os projetos que triunfaram, mas também aqueles que foram abandonados, derrotados ou simplesmente esquecidos. Creio que aí reside uma das utilidades contemporâneas da história. O passado não nos diz o que devemos fazer, mas nos mostra que muitas instituições que hoje parecem naturais foram, em sua origem, apenas uma possibilidade entre várias.

Isso vale tanto para a América Latina quanto para a Europa. Durante muito tempo, interpretou-se a integração europeia como uma experiência excepcional e a latino-americana como uma sucessão de tentativas frustradas. Quando se estudam ambas as genealogias com maior atenção, o panorama se revela mais complexo: a América Latina formulou desde cedo projetos confederais e mecanismos de segurança coletiva, enquanto a Europa precisou passar por numerosos ensaios, conflitos e fracassos antes de construir instituições supranacionais estáveis. A comparação permite que nos afastemos tanto da autocomplacência europeia quanto do fatalismo latino-americano.

O lugar do historiador e do analista político é hoje, nesse sentido, paradoxal. Nunca dispusemos de tantos documentos, bases de dados e possibilidades de acesso à informação; mas tampouco estivemos submetidos a uma pressão semelhante para opinar imediatamente sobre acontecimentos cujo significado ainda ignoramos. O analista corre o risco de se transformar em comentarista da urgência, e o historiador, ao se fechar exclusivamente no arquivo, corre o risco oposto: chegar tarde demais às perguntas de seu tempo.

Talvez nossa tarefa consista precisamente em resistir a ambas as tentações. Não se trata de prever o futuro nem de dar lições a partir do passado, mas de devolver profundidade temporal a debates que a atualidade costuma apresentar como se tivessem começado esta manhã. Para mim, essa capacidade de mostrar que o presente chega por genealogias abertas — e que, portanto, também contém alternativas — continua sendo uma das funções intelectuais mais necessárias da história.

Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. 

Todos los derechos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com .

Rhea Cristina

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Alice S. Yousef

Carlos Javier Jarquín

‘Alice S. Yousef: poetisa palestiniana entre a poesia, a tradução, as viagens e a resiliência’

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Alice S. Yousef é bacharel (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.. Foto cedida por Alice S. Yousef.
Alice S. Yousef é bacharel (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.. Foto cedida por Alice S. Yousef.

Queridos amigos planetários:

Hoje tenho o prazer de compartilhar uma agradável entrevista que realizei com a poeta, tradutora e intérprete palestina Alice S. Yousef. Ela nasceu em 9 de dezembro de 1990, em Jerusalém, uma cidade bela e complexa, cheia de dor, mas também profundamente inspiradora por ser uma das mais antigas do mundo, cuja magia se reflete em múltiplas cores.

Alice é poeta, escritora, tradutora literária e jurídica, editora e pesquisadora que trabalha entre o árabe e o inglês. Sua trajetória está centrada na tradução de textos jurídicos, literatura e poesia. Possui bacharelado (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.

Além da tradução, ela menciona que “sou apaixonada pela escrita criativa, pela pesquisa e pela narrativa, com especial interesse pelos direitos humanos, gênero, direitos das pessoas com deficiência, migração e literatura. Meu trabalho é alimentado por uma rica prática cultural e por uma perspectiva global, o que me permite abordar narrativas complexas com precisão e empatia. Atualmente resido na Palestina e me dedico a dar voz por meio da linguagem, da interpretação, da pesquisa, da defesa dos direitos, da representação visual e da palavra escrita”.

Alice, leyendo poesía en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. Foto cortesía de Alice S. Yousef.
Alice, leyendo poesía en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. Foto cortesía de Alice S. Yousef.

Além de ser uma grande leitora, ela ama os idiomas, viajar e dançar salsa e bachata. Este ano, viajou para a Colômbia para participar do Festival Internacional de Poesia de Medellín, realizado em sua 36ª edição, de 4 a 11 de julho, sob o lema “Rumo à Primavera Humana”. Nesta conversa, ela nos conta sobre sua agradável experiência de ter visitado esse país sul-americano. Já viajou por mais de 20 países. Fala quatro idiomas: sua língua materna, o árabe, além de inglês, francês e espanhol.

Na entrevista, conversamos sobre diversos temas. Ela nos conta qual é seu livro preferido e sobre a influência que seus pais exerceram para transformá-la em uma grande leitora. Também fala sobre seu estilo literário: como o construiu e como conseguiu encontrar sua própria voz. Comenta os principais temas que aborda em sua obra literária. Além disso, compartilhou a boa notícia de que, no próximo verão, publicará, por uma editora do Reino Unido, sua primeira coletânea de poemas, que será lançada em inglês.

Ao final, Alice se despede enviando uma mensagem à humanidade, a partir daquela região do planeta, tão ferida e sofrida. Décadas se passaram e, às vezes, parece que o mundo se esqueceu da Palestina; quando olhamos as notícias, temos a sensação de que muitos não se lembram de que a Palestina existe…

Alice S. Yousef (primera de izquierda a derecha en la segunda fila) junto a poetas de distintos países presentes en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. 
Foto cortesía de Alice S. Yousef.
Alice S. Yousef (primera de izquierda a derecha en la segunda fila) junto a poetas de distintos países presentes en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026.
Foto cortesía de Alice S. Yousef.

Entrevista:

O que você mais se lembra com frequência da sua infância?
Cresci como a primeira neta de uma família numerosa; com frequência, lembro-me mais dos momentos cotidianos do que dos extraordinários: as reuniões familiares, o ritmo da vida diária e as histórias que eram contadas ao meu redor. Lembro-me de brincar ao ar livre nos campos, de visitar a Cidade Velha pela primeira vez e sentir que ela era um labirinto, de minha avó preparando bolos na cozinha e de meus pais lendo para mim. Também me lembro de sentir muito medo por causa do cenário político, que mudava constantemente, e por testemunhar a guerra. Crescer em Jerusalém também significou crescer com a consciência de que até mesmo os lugares comuns guardam camadas de história e memória. Quando olho para trás, percebo que muitos desses pequenos momentos acabaram encontrando seu caminho em minha poesia.

O que você recorda com mais carinho de suas primeiras leituras?
Lembro-me da sensação de descobrir que os livros podiam me transportar para lugares que nunca havia visto e, ao mesmo tempo, ajudar-me a compreender o lugar que eu já conhecia. Lembro-me do “só mais um capítulo” ou de mais uma história antes de dormir. Meus pais liam para mim; também me lembro de me esconder sob a luz do abajur para ler, até que minha mãe desistia e dizia: “Você vai prejudicar sua visão”. Ela tinha razão. Também me lembro de que eu tinha esse dom mágico de recontar a mesma história de maneiras diferentes, dependendo do membro da família. Acho que foi aí que começou a germinar a semente de me tornar escritora.

De todos os livros que você leu, escolhe O Caçador de Pipas como seu favorito. Por quê?
Escolho O Caçador de Pipas (The Kite Runner), pela maneira como Khaled Hosseini combina uma história humana íntima com temas mais amplos, como culpa, memória, amizade, deslocamento e redenção. Como escritora, admiro particularmente seu estilo: lírico, mas contido; emocionalmente preciso e sem adornos desnecessários. Ele sabe como fazer com que pequenos detalhes e momentos tenham um enorme peso emocional, ao mesmo tempo em que entrelaça uma história profundamente pessoal com a história mais ampla do Afeganistão. Para mim, é isso que torna o romance tão poderoso: ele está enraizado em um lugar e em uma história muito específicos, mas fala de algo profundamente universal sobre a memória, o remorso e nosso desejo de redenção.

O que a inspirou a se tornar poliglota?
Curiosidade, acima de tudo. Cada idioma abre uma nova maneira de ver o mundo. Sou fascinada pelas palavras e por seu potencial de mudar a maneira como vemos e compreendemos aquilo que nos rodeia. Também adoro ler e, em algum momento, quero poder ler meus autores favoritos em suas línguas nativas. Aprender idiomas me permitiu não apenas me comunicar com pessoas de diferentes culturas, mas também compreender como as ideias, as emoções e as histórias se transformam ao passar de uma língua para outra. Como tradutora, vejo a linguagem como uma ponte, e não como uma barreira.

Você pode resumir sua experiência em tradução e interpretação jurídica entre o inglês e o árabe, especificando os documentos (por exemplo, sentenças, projetos de lei), os tipos de interpretação simultânea, sua contribuição para a reforma judicial e como integra a perspectiva de gênero e os tribunais religiosos?

Sou tradutora e intérprete jurídica certificada, com mais de uma década de experiência construindo pontes entre idiomas e culturas.

Tenho me especializado na tradução de documentos jurídicos de alto nível, relatórios de políticas públicas e textos legislativos entre o inglês e o árabe.

Presto serviços de interpretação de alto nível — consecutiva e simultânea — para reuniões, workshops e consultas de natureza jurídica e judicial, facilitando debates fundamentais sobre governança, reforma da Justiça e assistência jurídica.

Adquiri um conhecimento profundo sobre o Estado de Direito, a assistência jurídica, a educação jurídica, a transversalização da perspectiva de gênero e o sistema de tribunais religiosos (tribunais de família) por meio da experiência prática em tradução e interpretação jurídica.

Desempenho um papel fundamental na comunicação jurídica multilíngue, garantindo clareza nos procedimentos judiciais, nos diálogos sobre políticas públicas e nas interações com as partes interessadas. Trabalho com elevado grau de autonomia, lidando com documentação jurídica sensível e contribuindo para debates estratégicos com o setor da Justiça.

De onde nasceu essa paixão por conhecer novos destinos?
Acredito que minha paixão por descobrir novos lugares tenha crescido naturalmente a partir do meu amor pela literatura. Muito antes de ter a oportunidade de viajar, os livros me permitiam atravessar fronteiras. A leitura me ensinou que cada lugar tem suas próprias histórias, mas também que as emoções presentes no centro dessas histórias são extraordinariamente universais. Quando finalmente comecei a viajar, percebi que, de certa maneira, estava encontrando lugares que já conhecia por meio da literatura. O que antes existia apenas em minha imaginação de repente ganhou rostos, vozes, paisagens e conversas. Viajar tornou-se algo mais do que visitar novos destinos; tornou-se uma oportunidade de ouvir, aprender e estabelecer conexões humanas genuínas.

Qual foi o principal ensinamento que sua passagem por Warwick lhe deixou?
Warwick me ensinou lições pessoais e profissionais que permanecerão comigo por toda a vida. A mais importante foi encontrar minha voz: tanto no papel quanto pessoalmente. Aprendi que escrever é, ao mesmo tempo, um ofício e uma conversa. A universidade me incentivou a experimentar, a questionar minhas próprias convicções e a ler com mais generosidade através das culturas. Talvez o mais importante tenha sido ter adquirido confiança para confiar em minha própria voz, sem deixar de estar aberta a aprender com os outros.

Durante sua permanência no Reino Unido, você morou perto da casa onde nasceu William Shakespeare. O que sentiu ao perceber esse detalhe?
Foi uma sensação surreal. A obra de Shakespeare atravessou séculos e idiomas, então estar perto do lugar onde ele nasceu me fez lembrar que a literatura pode sobreviver aos seus momentos no tempo e no espaço. Como escritora, isso reforçou minha convicção de que as histórias pertencem àqueles que continuam a lê-las e reinterpretá-las. Logo, aquele lugar se tornou meu lugar favorito para escapar dos longos e árduos dias de estudo.

O que a bolsa na Universidade de Iowa representou para sua vida pessoal e profissional?
O Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa foi uma experiência transformadora. Reuniu escritores de todo o mundo e criou um espaço onde diferentes idiomas, tradições e perspectivas podiam se encontrar em condições de igualdade. No âmbito pessoal, ampliou minha compreensão da comunidade literária global. Profissionalmente, reforçou meu compromisso com o intercâmbio cultural internacional e me proporcionou amizades e colaborações duradouras que continuam inspirando meu trabalho anos depois. Foi uma experiência extremamente enriquecedora.

Para quando você planeja publicar sua primeira coletânea de poemas e em que idioma ela será publicada?
Meu primeiro livro de poemas será lançado no próximo verão pela editora independente britânica Broken Sleep Books; a coletânea será publicada em inglês. Eu adoraria vê-la traduzida para diferentes idiomas.

¿Cuáles son los temas que más sobresalen en tu poesía?

Mi poesía explora la memoria, la identidad, el lenguaje, el mundo de las mujeres, el desplazamiento, el amor y las maneras silenciosas en que las realidades políticas moldean la vida cotidiana. Me interesa cómo los objetos y momentos ordinarios pueden contener un peso emocional extraordinario. La traducción también influye profundamente en mi escritura, porque veo la poesía como otra forma de cruzar fronteras y poner distintos mundos en diálogo.

A inicios de julio de este año estuviste en el Festival de Poesía de Medellín, en Colombia. ¿Qué significó para ti esa invitación?

Fue un honor enorme y una experiencia profundamente significativa para mí. El Festival Internacional de Poesía de Medellín es una de las reuniones poéticas más importantes del mundo, con una larga trayectoria de reunir a poetas en una ciudad que ha vivido una violencia y una transformación profunda. Subir a ese escenario como una de las pocas poetas palestinas participantes tuvo un significado especial. Sentí que llevaba no solo mi propio trabajo, sino también la presencia y las voces de las poetas palestinas que con demasiada frecuencia están ausentes en los grandes espacios literarios internacionales. Formar parte de un festival tan global me dio la oportunidad de situar la poesía palestina en una conversación poética mucho más amplia y de hablar sobre nuestras experiencias, nuestra historia y nuestro presente desde nuestra propia perspectiva. Fue tanto un privilegio como una responsabilidad, y una experiencia que llevaré conmigo por mucho tiempo.

¿Cómo describes tu estancia en Colombia? ¿Alguna vez imaginaste conocer la tierra de García Márquez?

Colombia superó todas mis expectativas. Es muy animada y ha salido de mucha oscuridad. Me sentí en casa. Me conmovió profundamente la calidez y generosidad de la gente, la riqueza de su cultura y el amor genuino por la poesía que encontré por todas partes. Desde hace tiempo soñaba con visitar Colombia, y estar literalmente en la puerta de Márquez fue un momento muy emotivo. Como admiradora de larga data de Gabriel García Márquez, visitar Colombia se sintió casi como entrar en un paisaje literario que había vivido en mi imaginación durante años. Fue un hermoso recordatorio de que la literatura puede inspirarnos mucho antes de llegar a un lugar en persona.

¿Qué impresiones te llevaste de América Latina para compartirlas en tu tierra natal?

Mi primera impresión fue: ¡es muy verde! Puedo estar equivocada, pero me impresionó la hermosa naturaleza. Me encanta que América Latina esté llena de vida: regresé con un profundo aprecio por la resiliencia, la danza, el arte, la creatividad y la generosidad de las comunidades latinoamericanas. A pesar de las distintas historias y lenguas, encontré muchas experiencias compartidas en torno a la memoria, la identidad y la esperanza. Me inspiró especialmente la forma en que la poesía se abraza como un arte público y comunitario, capaz de reunir a personas de todos los ámbitos de la vida. No creo que esta haya sido una visita de una sola vez.

¿Consideras que el mundo se ha olvidado de Palestina?

No creo que el mundo haya olvidado Palestina; es la lucha más antigua que vive bajo ocupación y guerra, pero la atención suele llegar en oleadas, como ocurre con la lucha por la libertad en todas partes. Lo importante es que la gente siga interesándose no solo por los titulares, sino también por la cultura palestina, su literatura, su música y la vida cotidiana. Nuestras historias son más que el ciclo de noticias, y el arte ayuda a preservar la humanidad que las estadísticas y los debates políticos a menudo pasan por alto.

¿Qué mensaje quisieras compartir desde Palestina?

Me gustaría que la gente recordara que detrás de cada titular hay seres humanos con sueños, familias, talentos e historias que vale la pena escuchar. Siempre hay más de lo que parece. Espero que quienes lean sigan acercándose a Palestina con curiosidad, empatía y disposición para escuchar. La literatura nos recuerda que, antes de ser definidos por la nacionalidad o la política, somos personas conectadas por nuestra humanidad compartida. Ahí, para mí, es donde empieza toda conversación que tenga sentido.

Querida Alice, gracias por dedicar tu tiempo y tu espacio desde Palestina para compartir con las lectoras y lectores de este distinguido medio. Recibe mis sinceras felicitaciones por la trayectoria que has construido a lo largo de tu vida, tanto en tu labor profesional como traductora como en tu obra creativa.

En el siguiente enlace podrán disfrutar de una lectura poética de Alice, que ofreció durante el Festival Internacional de Poesía de Medellín (Colombia) el pasado mes de julio: https://youtu.be/aPHb3790R6c?si=e0BQHKJhOYXATTyE

  • Nota: la presente entrevista ha sido traducida del inglés al español mediante Perplexity AI.

El entrevistador, es escritor nicaragüense radicado en Costa Rica.

Contacto: carlosjavierjarquin2690@yahoo.es 

Carlos Javier Jarquín

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Esferas, petroglifos y calzadas

Carlos Javier Jarquín

Presentación del libro ‘Esferas, petroglifos y calzadas: ingeniería ancestral de Costa Rica’

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Portada del libro: Esferas, petroglifos y pavimentos: ingeniería ancestral de Costa Rica, de Guillermo Quirós Álvarez
Portada del libro Esferas, petroglifos y calzadas: ingeniería ancestral de Costa Rica (HC Editores, Costa Rica, 2026). Obra presentada el 23 de Julio en la Benemérita Biblioteca Nacional de Costa Rica.

El pasado 23 de julio, el escritor costarricense Guillermo Quirós Álvarez presentó en la Benemérita Biblioteca Nacional de Costa Rica su más reciente libro titulado Esferas, petroglifos y calzadas: ingeniería ancestral de Costa Rica (HC Editores, 2026). Esta presentación fue organizada por el Ministerio de Cultura y Juventud por medio de la Benemérita Biblioteca Nacional del SINABI y HC Editores. En el panel de comentaristas estuvieron presentes Orlando Castro Quesada y Hámer Salazar, y el autor nos deleitó con una magistral explicación del contenido, en la cual fue reproduciendo diapositivas.

Para conocer un poco más sobre el contenido de la obra, le realicé algunas preguntas al autor y al editor Hámer Salazar, Director General de HC Editores. Comparto las preguntas y respuestas. El autor me comentó que tardó siete años en investigar para hacer realidad la publicación de este libro. Esta obra está disponible en Amazon en formato Kindle y en formato pasta blanda.

En la presenración del libro el autor estuvo acompañodo por amigos y familiares. Tambien asistieron la poeta Ana Anka y el poeta Alexander Anchía Vindas.

Estimado Guillermo Quirós Álvarez, felicidades por la presentación de su libro. ¿Cuáles son los temas centrales de la obra?

Este libro invita al lector a comprender la magnitud de una civilización que dialogaba con la piedra, el tiempo y el territorio. 

La obra propone integrar la lectura de esferas, tronos, petroglifos y calzadas como huellas de tecnología aplicada, donde se mezclan geometría, ingeniería, control territorial y memoria del agua.

El libro lee la tríada esfera-trono-calzada como una tecnología cultural: la geometría no es decoración; es una manera de gobernar el paisaje.

De izquierda a derecha: Hámer Salazar, Guillermo Quirós Álvarez y Orlando Castro Quesada. Foto: Carlos Jarquín/Cortesía.

¿Cuál es el principal aporte del libro al patrimonio cultural costarricense?

  • Reposiciona el patrimonio: de objeto turístico a tecnología ancestral.

  • Abre debate académico multidisciplinario: arqueología, ingeniería, hidrología, historia y cosmovisión.

  • Recupera herencia perdida: los pueblos originarios fueron planificadores, técnicos y lectores del ambiente.

  • Ofrece una lectura nacional: Costa Rica también tuvo gran infraestructura precolombina.
De izquierda a derecha: Hámer Salazar, Carlos Jarquín y Guillermo Quirós Álvarez después de la presentación del libro Esferas, petroglifos y calzadas: ingeniería ancestral de Costa Rica (HC Editores, 2026). Foto: 23/07/26. Cortesía Carlos Jarquín.

Estimado Hámer, ¿qué significó para HC Editores haber publicado  𝑬𝒔𝒇𝒆𝒓𝒂𝒔, 𝒑𝒆𝒕𝒓𝒐𝒈𝒍𝒊𝒇𝒐𝒔 𝒚 𝒄𝒂𝒍𝒛𝒂𝒅𝒂𝒔: 𝒊𝒏𝒈𝒆𝒏𝒊𝒆𝒓𝒊́𝒂 𝒂𝒏𝒄𝒆𝒔𝒕𝒓𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝑪𝒐𝒔𝒕𝒂 𝑹𝒊𝒄𝒂?

Para HC Editores constituye un honor y un privilegio presentar oficialmente la obra Esferas, petroglifos y calzadas: ingeniería ancestral de Costa Rica, del científico Guillermo Quirós Álvarez. Más que un libro sobre arqueología, esta obra representa una invitación a replantear nuestra forma de comprender el patrimonio precolombino costarricense y a reconocer que el conocimiento científico alcanza su mayor fortaleza cuando distintas disciplinas dialogan entre sí.

Durante décadas, las esferas de piedra, los petroglifos y las calzadas indígenas han sido estudiados principalmente desde la arqueología y la antropología. Gracias a esos esfuerzos conocemos aspectos fundamentales de su contexto cultural, cronología y distribución geográfica. Sin embargo, toda disciplina observa la realidad desde las preguntas que le son propias y, en consecuencia, descubre respuestas acordes con su marco conceptual.

Es precisamente aquí donde radica la principal virtud de esta obra. Guillermo Quirós Álvarez, físico, oceanógrafo físico e investigador vinculado a proyectos de física espacial asociados con la NASA, incorpora una perspectiva diferente. Su formación científica le permite analizar estas manifestaciones del patrimonio indígena desde los principios de la geometría, la mecánica, la hidráulica, la resistencia de materiales y la ingeniería civil, proponiendo interpretaciones que enriquecen el debate académico sin pretender sustituir las explicaciones arqueológicas tradicionales.

Esta aproximación recuerda una célebre reflexión atribuida a Immanuel Kant: «No vemos el mundo como es, sino como somos.» Nuestra comprensión de la realidad está condicionada por la formación, la experiencia y las herramientas intelectuales con las que nos aproximamos a ella. La ciencia avanza precisamente cuando nuevas preguntas iluminan fenómenos que parecían plenamente comprendidos.

¿Cuál es el mensaje que propone este libro para sus lectores?

Desde esa perspectiva, el lector encontrará en estas páginas una propuesta audaz. Las esferas de piedra dejan de ser únicamente extraordinarias manifestaciones escultóricas para ser analizadas también como expresiones de un sofisticado dominio de la geometría y de la organización territorial. Los petroglifos adquieren una dimensión funcional que trasciende su valor artístico, mientras que las calzadas precolombinas son examinadas como verdaderas obras de infraestructura, capaces de revelar el grado de desarrollo tecnológico, la capacidad organizativa y la complejidad social alcanzadas por las sociedades indígenas de la antigua Costa Rica.

Uno de los mayores méritos del autor consiste en demostrar que la ingeniería también puede convertirse en una herramienta para interpretar el pasado. Al analizar dimensiones, pendientes, volúmenes, capacidad estructural, redes de comunicación y requerimientos de mano de obra, ofrece argumentos que invitan a reconsiderar la magnitud de las obras públicas construidas por nuestros pueblos originarios y, con ello, la imagen que tradicionalmente hemos tenido sobre su desarrollo científico y tecnológico.

Naturalmente, toda propuesta innovadora suscita preguntas, discusión y contraste de ideas. Esa es precisamente la esencia del conocimiento científico. Los grandes avances no nacen del consenso inmediato, sino de la capacidad de formular nuevas hipótesis, someterlas al análisis crítico y confrontarlas con la evidencia disponible. En este sentido, Esferas, petroglifos y calzadas: ingeniería ancestral de Costa Rica constituye una valiosa contribución al diálogo interdisciplinario y un estímulo para futuras investigaciones.

¿Cuál es la principal responsabilidad que debe asumir una editorial?

Como editor, considero que una de las responsabilidades fundamentales de una casa editorial es abrir espacios para las ideas que amplían las fronteras del conocimiento. Publicar este libro responde precisamente a ese compromiso: ofrecer al lector una obra sólidamente argumentada que invita a reflexionar, cuestionar y descubrir nuevas formas de interpretar nuestro patrimonio arqueológico.

Costa Rica posee uno de los legados culturales más extraordinarios del continente americano. Comprenderlo exige escuchar las voces de la arqueología, la antropología, la historia, la geología, la ingeniería, la física y todas aquellas disciplinas capaces de aportar nuevas piezas al complejo rompecabezas de nuestro pasado. Esa es la mayor enseñanza de este libro.

Estoy convencido de que esta obra no dejará indiferente al lector. Coincida o no con todas las hipótesis planteadas, encontrará en sus páginas una investigación seria, profundamente documentada y elaborada con la pasión de quien ha dedicado años a observar la piedra no como un vestigio inmóvil, sino como un testimonio del ingenio humano.

Esa capacidad para despertar preguntas es, quizás, el mayor mérito de un libro científico y la razón por la cual HC Editores se complace en poner esta obra en manos de sus lectores.

Carlos Javier Jarquín

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Marizela Ríos Toledo

Alexander Anchia

Entrevista com la poeta mexicana Marizela Ríos Toledo

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Conozco a la poeta mexicana Marizela Ríos Toledo con una trayectoria poética importante en su país.

Poeta de lo cotidiano, de lo existencial de lo hondo y profundo. Tuve la posibilidad de compartir personalmente con la poeta durante el Encuentro de Poesía: Tras las Huellas del Poeta, celebrado durante el 2016 en Chile.

Desde esa fecha hemos compartido aventuras poéticas.

Aquí está la entrevista que le hicimos.

Marizela Ríos Toledo - Arquivo pessoal
Poeta Marizela Ríos Toledo – Arquivo pessoal

1-En pocas palabras o en palabras poéticas. ¿Quién es Marizela Ríos Toledo? 

Soy una mujer  mexicana de la etnia zapoteca vinculada al poema de vida de mi origen: flor y canto. La poesía, la literatura en mí, son raíz y sangre. 

2-¿Por qué escribes poesía, ¿qué te lleva a esa “locura”, si pudiésemos pensar de eso en estos tiempos?

Escribo poesía como acto de fe, porque creo en el poema como organismo que fluye, que no deja de moverse y busca cautivar con voz e imagen, un breve momento que vincule el ser y el no ser. Creo en lo humano que también es lenguaje y movimiento y en repetidas ocasiones es alguien que no es. La poesía lo transfigura, el cometido de la palabra causa el efecto.  

3- ¿Cómo debe escribirse o concebirse la poesía, para sobrevivir en estos tiempos posmodernistas?

La poesía no depende sólo del tiempo o de la moda, es una necesidad humana. En la posmodernidad hay varias dificultades para los que escribimos poesía: hay mayor rapidez que contemplación. La abundancia de voces nos hace pensar que todo está dicho. La mercadotecnia valora lo que vende no lo que permanece. Entonces, ¿cómo sobrevivir como poeta? Sin duda, no pensar en sólo publicar, sino aprender a mirar y comprender que todo lo que existe, lo que es más allá de la materia, es poesía. Escribir siempre, incluso cuando nadie parece escuchar. La poesía empieza cuando nos negamos a dejar de asombrarnos. El poema es un instrumento que funciona para cuestionar la realidad. Es mejor considerar que la tarea de la poesía consiste en encontrar un lenguaje que nos haga respirar el presente. Para sobrevivir en la poesía, se necesita ser fiel a la necesidad de hacerlo.

4- ¿Cuáles han sido tus referentes poéticos, o quiénes te han influenciado?

Son innumerables los enfoques y tendencias que en mí han influido: desde Simias de Rodas, Los poetas malditos, Arthur Rimbaud, César Vallejo, Vicente Huidobro, Anne Sexton, Octavio Paz, Gabriel Zaid, Rafael Cadenas,  Simone de Beauvoir Incluyo a Silvia Kristeva que me ha ayudado a darle apertura en la poesía a la abyección, que en el arte se exalta. 

De izquierda a derecha maestra en Literatura Leticia Luna directora de la Casa Museo; Poeta Marizela Ríos Toledo. y doctora mexicana Lilvia Soto, doctora en Letras y Literaturas Hispanas - Arquivo pessoal
De izquierda a derecha, Leticia Luna, maestra en Literatura y directora de la Casa Museo Octavio Paz ; poeta Marizela Ríos Toledo. y Lilvia Soto, doctora en Letras y Literaturas Hispanas – Arquivo pessoal

5- Sería utópico hacerlo, pero si por un momento tomásemos el tratado de Nietzsche en cuanto a lo Dionisiaco y Apolíneo y pudiésemos ubicar en lo Dionisiaco a Sabines y en lo Apolíneo a Octavio Paz, ¿a cuál estilo te acercarías más con tu poesía, o buscarías un punto medio?

Octavio Paz, él tiende a construir el poema como una forma de conocimiento, sus imágenes son meticulosamente cuidadas, su reflexión filosófica es constante, Se interesa por el tiempo el lenguaje, la conciencia; hace parecer que piensa mientras escribe. 

6- ¿Cuál libro tuyo nos recomiendas para un lector primerizo y cuál es más apropiado para un lector ávido y amante de la lectura de la Poesía?

1.- Ad Libitum: estrategias de poesía: largo aliento, poemas visuales, poemas trabajados como flash o instantánea. Vida y muerte están presentes.

  2.- Poesía en fuga: lenguaje directo, busco rescatar palabras que han llegado a convertirse en mercancía sin idealizar el pasado, sino para impedir que desaparezcan de la experiencia humana al convertirse  extremadamente sensibles o románticas.

7- Finalmente déjanos unas dos estrofas de un mismo poema o de diferentes poemas para el público lector que podamos degustar.

EVA

Aborrezco tu nombre
Cargo la indignación de convertir en polvo
el azar que anhelo
y no enfrascarme en la rutina de cargar
con lo que no quiero ser.

No hay existencia que mw aloje,
no perdurarán mis vísceras en la nada.

Creada para ser perfecta, desplazándose con laxitud,
el hombre aprueba tu proporción

Abres la mano para atrapar el fruto
Sin saber de tu sometimiento.

Aquí estoy,
cuando el corazón engaña y niega la muerte que desea.

¿Qué temor esconde la serpiente?
¿Eres la que se desliza y rezume en su semblante
los miedos que anteceden a su imagen?

¿Soy yo la que atestigua tu ingenuidad,
la que sonríe y miente,
la cobarde que te cree ajena
y te siente junto al alma?

¿Somos todas?”
¿<<Aquellas<< las de <<ahora<<, las arrinconadas
somos tú?

Me cuesta encontrarme, extravié la perspectiva,
no alcanzo a distinguir más allá de los edificios
que frente a mí persisten,
no encuentro la luna que desde el tragaluz,
con una mirada acortaba su distancia.

Pesa tu nombre, Eva.
Me asfixia tu manzana.

LEVIATÁN

¿Cómo le explico al obstinado árbol de la vida
que comparto cautiverio con la serpiente?
¿Que mi temblor es la corazonada
que eterniza en el cerebro el vuelo de la mariposa?

La sal trago para reparar mi abatimiento.
Sibarita mi cerebro, escucha el zumbido de la arteria
que persiste en su prontuario imaginado.

El diablo, que está a punto de atraparme,
dudo que me conozca,
es ceniza de otro fuego.

Mi suerte tiene el olor del mar,
es la roca que la tendencia del cangrejo elige.

Imposible huir, soy
la serpiente
la mariposa
la sal
el miedo

Es mi código,
el argumento guardo para que nadie me rodee.
Estoy excluida del rumor y no encuentro enigma en el silencio.
Confieso que toda ciudad me cautiva. Estimula su lengua,
no me sorprende su falta de misterio.

Cada espacio acicala la realidad que salta o se sumerge en un escombro,
en un claro.
Al mismo tiempo que el miedo grita en su guarida.

Que el diablo deje en libertad mi confundido paraíso.

Alexander Anchia

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