
Ao Augusto dos Anjos
Tudo que eu disser nestes desarranjos
De letras é infinitamente pouco
Para o gênio tido até como louco,
Augusto de Carvalho R. dos Anjos.
Nasceu em Pau D’arco, uma fazenda
Onde hoje é o município de Sapé
Narrou o bardo a vida como ela é,
Visceralmente, em rígida contenda.
Num tempo, era um dos mais criticados
Poetas, porém, é hoje um dos mais lidos;
Em termos filosóficos embebidos,
É o pessimismo em versos bem rimados,
Mesclava à angústia visões sepulcrais,
Traços tem, entre outros, de simbolista;
É considerado um pré-modernista,
Mas seus poemas são atemporais.
Sua meta principal era ensinar
Foi poeta e eminente professor
Acadêmico em Direito e escritor,
Pois, nas letras marcou o seu lugar.
A sua poesia era repleta
De palavras esdruxulas, hermética,
Pronto a seguir rigorosamente a métrica.
Ninguém dominava a alma do poeta.
Porém aos seus trinta anos de idade
Acometido de uma pneumonia,
Amarga a dor tal como a descrevia
Em seus textos com tanta propriedade.
Pois é, encantou-se prematuramente,
Em Leopoldina nas Minas Gerais,
Seu nome está da história nos anais,
Lá o triste bardo vive eternamente.
Pois que patrono das academias
Leopoldinense de Letras e Artes
E a Paraibana de Letras, destarte,
Reconhecida áurea inda que tardia.
Pois é, fui inspirado pelo triste poeta
A compor este tétrico poema
Com olência de flores de alfazema,
Mas longe estou de tão notório esteta:
O CASTELO DO MEU SONHO
Meu coração – um castelo ancestral,
Onde vertia o amor em serenatas,
Ladeadas de jasmins as cascatas
Ensejavam paixão torrencial.
No salão ante a estátua colossal,
Dançava a vestal feito acrobata,
Radiavam florões o ouro e a prata,
Na arpa e no alaúde, a luz do castiçal.
Varreram seus jardins reverdejantes,
Os precípites zéfiros uivantes,
Que de súbito, num ímpeto medonho,
Me embaçaram em nuvens outonais
E em serpeios de doudos vendavais
Ruíram o castelo do meu sonho.
Antônio Fernandes do Rêgo
aferego@yahoo.com
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult. Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Imortal Monumento Cultural e Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos. Pelo Movimento Cultivista Brasileiro, o Prêmio Incentivador da Arte e da Cultura .


