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Pedro Israel Novaes de Almeida: 'Locomoção perigosa'

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colunista do ROL
Pedro Novaes

Pedro Israel Novaes de Almeida – LOCOMOÇÃO PERIGOSA

Os acidentes aéreos são facilmente transformados em manchetes, pelo número de vítimas e comoção que causam.

Contudo, continuam sendo um meio seguro e rápido de locomoção. No Brasil, morrem mais pessoas em quedas de cavalo e bicicleta que em quedas de avião.

Apesar das estatísticas, filiamo-nos ao grupo de pessoas com medo de acidentes aéreos.  Ao alçar voo, sentimos que o avião está prestes e raspar a traseira na pista.

Durante o voo, tentamos disfarçar o medo, e sequer as bem escondidas pernas da aeromoça atenuam a sensação de que estamos ao inteiro dispor de um conjunto falível de engrenagens e dispositivos eletrônicos.

A diferença entre o avião e o ônibus pode ser notada na maneira como os passageiros descem. Quem desce de um ônibus assume feições de cansaço e vontade de encontrar um banheiro, e quem desce de um avião revela ares de alegria, pela sobrevivência, e de estrelato, pelo status do transporte.  São poucas as postagens na rede, de fotos em rodoviárias.

No Brasil, amargamos um vergonhoso número de vítimas dos sistemas de transporte. Motociclistas morrem e são mutilados aos milhões, sempre buzinando e buscando uma fresta na pista, por onde possam transitar.

A figura do carona, na moto, desafia e desacredita todos os manuais e princípios de segurança do planeta, assemelhando-se a nossos passageiros de ônibus urbanos, que viajam, em regra, em pé, ou sentados, sem o quase obrigatório cinto de segurança. Motoristas de coletivos costumam dirigir com a mesma delicadeza com que transportam madeira ou tijolo.

Em muitos municípios, os veículos escolares transportam crianças em condições desumanas. Em regra, os pneus carecem de perucas, e os assentos de menos buracos.

Geralmente, nossos motoristas consideram ofensa grave serem ultrapassados, acelerando à menor das tentativas.   Outros, exigem prioridade e respeito ao estilo e valor do veículo que dirigem. Até na blitz, condutores de veículos menos nobres são tratados como delinquentes, até prova em contrário.

Pedestres, alguns atrevidos, adoram pisar na faixa branca, mesmo nos cruzamentos com semáforos. Com razão, odeiam ser advertidos pelo não uso da passarela, mesmo quando a mais próxima está localizada a dezena de quilômetros.

Em matéria de transportes, nosso risco é permanente.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.

Helio Rubens
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