Até quando?

Karla Dornelas: Poema ‘Até quando?’

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Imagem gerada por IA do ChatGPT – 08 de março de 2026, às 10:15

Somos atacadas
porque somos mulheres?
A sentença
já nasce no ventre?

Por sermos mulheres
pagamos antes mesmo
de existir?

Pela roupa.
Pelo corpo.
Pela liberdade
que insistem em dizer
que não podemos ter.

Dizem que foi a roupa.
Dizem que foi o horário.
Dizem que foi o comportamento.
Mas nunca dizem
que foi a violência.

Então responda —
com coragem e sinceridade:

Qual das mulheres que você ama
você entregaria
à dor,
ao medo,
ao sangue?

Qual delas aceitaria ver
espancada,
violentada,
assassinada…
e ainda assim
procuraria uma justificativa
para torná-la culpada?

Porque toda vez
que se culpa uma mulher
apenas por ser mulher —
por viver,
errar,
existir
como qualquer ser humano —
a violência encontra abrigo.

Justificar agressões
é participar do silêncio.
É normalizar o horror.

É permitir
que matem uma mulher
antes mesmo
de tirarem sua vida.

Porque a violência contra uma mulher
começa no julgamento.

Culpada
porque é mulher.
Culpada
porque terminou.
Culpada
pela roupa curta.
Culpada
porque falou.
Culpada
porque existiu.

Culpada.
Culpada.
Culpada.

E o veredito final:
apagar quem somos,
silenciar o que amamos.

Até quando?

Karla Dornelas

Karla Dornelas
Karla Dornelas

Karla Dornelas, natural de Caratinga (MG), é escritora e poetisa. Membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA e da Academia Brasileira de História e Literatura -ABHL, com projetos literários em desenvolvimento, incluindo a reedição de seu primeiro livro de poesias, ‘Simplesmente Você’.

Ao longo de sua trajetória, foi contemplada com menções honrosas por sua dedicação à arte e à literatura.

Sua escrita nasce do olhar sensível sobre o cotidiano, transformando o mundo em experiências poéticas e afetivas.

Com linguagem marcada pela delicadeza, musicalidade e criação de vocabulário próprio, busca dar voz ao invisível e valorizar o que é essencialmente humano, dedicando-se à construção de uma trajetória literária voltada à arte de tocar e transformar o leitor por meio da palavra.

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