Mulher e poder

Renata Barcellos: Artigo ‘Mulher e poder’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
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A história do Brasil é marcada por mulheres pioneiras que assumiram cargos inéditos em diversas áreas. Superaram barreiras de gênero e abrindo caminho para outras profissionais. 

Abaixo, uma lista de mulheres que assumiram cargos pela primeira vez, dividida por áreas:

Política e Eleições

Celina Guimarães Viana (1927): primeira eleitora do Brasil (Rio Grande do Norte).

Alzira Soriano (1928): primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina (Lajes/RN).

Celina Guimarães Vianna: primeira eleitora do país e América Latina. No dia 25 de novembro de 1927, na cidade de Mossoró (RN), a professora de 29 anos foi a primeira mulher a exercer o voto.

Maria do Céu Fernandes: foi a primeira mulher a ocupar o cargo de deputada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e por extensão, também a primeira deputada estadual mulher no Brasil.

Maria da Conceição da Costa Neves:  atriz e política brasileira. Durante a Segunda Guerra Mundial dirigiu a filial paulista da Cruz Vermelha Brasileira e fundou a Associação Paulista de Assistência ao Doente da Lepra, da qual foi presidente. Entre os anos de 1960 e 1963, foi primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. E, com uma viagem de Abreu Sodré ao exterior, tornou-se a primeira mulher a presidir um parlamento estadual no Brasil.

Carlota Pereira de Queirós (1934): primeira brasileira eleita deputada federal.

Eunice Michiles (1979): primeira mulher a assumir uma cadeira no Senado Federal.

Laélia Alcântara (1981): primeira senadora negra do Brasil.

Iolanda Fleming (1986): primeira mulher a governar um estado brasileiro (Acre).

Dilma Rousseff (2010): primeira mulher a assumir a presidência da República. 

Justiça e Advocacia

Maria José de Castro Rebello Mendes (1918): primeira mulher a ingressar por concurso no serviço público federal (Ministério das Relações Exteriores).

No início do século XX, Andradina de Oliveira, escreveu o romance Divórcio?, em 1912.

Ellen Gracie Northfleet (2000): primeira mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal (STF), assumindo a presidência em 2006. 

Principais Pioneiras Indígenas na Política

Joênia Wapichana: primeira mulher indígena a se formar em Direito (1997) e a primeira eleita deputada federal (2018). Em 2023, assumiu a presidência da Funai.

Eliane Xunakalo: povo Kurâ-Bakairi, em abril de 2026, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Legislativo estadual (ALMT).

Sonia Guajajara: eleita deputada federal em 2022 e primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil

Forças Armadas e Segurança

Maria Quitéria (1792 – 1853): militar

Anita Garibaldi (1821 – 1849): líder militar

Maria da Penha (1945): farmacêutica bioquímica. Deu nome à lei brasileira de proteção da mulher contra a violência doméstica e familiar, Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006.

Ana Paula Habka (2024): primeira mulher a comandar a Polícia Militar do Distrito Federal.

Cláudia Lima Gusmão Cacho (2026): primeira mulher promovida a General de Brigada na história do Exército Brasileiro.

Glauce Anselmo Cavalli (2026): primeira mulher a assumir o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo. 

Cláudia Lima Gusmão Cacho (2026)primeira mulher a alcançar o generalato na história da instituição.  Médica pediatra, ingressou no Exército em 1996. Antes da promoção, comandou o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande.

Educação, Esporte, Ciência, Música e Saúde

Narcisa Amália de Campos (1856 – 1924): jornalista e poeta – considerada a primeira jornalista profissional do Brasil. Fundou um jornal dirigido ao público feminino, “Gazetinha”, onde tratava de questões das mulheres, mas também sobre a abolição da escravidão e o nacionalismo.

Bertha Lutz (1894 – 1976): botânica, advogada e militante feminista: segunda mulher a prestar concurso público no Brasil, mas sua inscrição só seria aceita após uma batalha judicial. É aprovada e ingressa como secretária do Museu Nacional, do qual, anos mais tarde, seria diretora. Sucessora de Leolinda Daltro, fundadora da primeira escola de enfermeiras do Brasil, Bertha Lutz organizou o primeiro congresso feminino do país e, na Organização Internacional do Trabalho (OIT), discutiu problemas relacionados à proteção do trabalho da mulher. Também fundou a União Universitária Feminina, a Liga Eleitoral Independente, em 1932, e, no ano seguinte, a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas.

Nísia Floresta (Século XIX): primeira feminista do Brasil e pioneira no ensino para meninas.

Nise da Silveira (Anos 40): pioneira da psicologia junguiana no país e na humanização do tratamento psiquiátrico.

Esther de Figueiredo Ferraz (1982): primeira mulher a assumir um ministério (Educação e Cultura).

Débora Seabra (2015): primeira professora com Síndrome de Down do Brasil. 

Maria Esther Bueno (1939-2018) – Tenista

Cristina Ortiz (1950): pianista – primeira mulher e a primeira brasileira a vencer o Concurso Van Cliburn, em 1969, que é realizado a cada três anos. Somente 30 anos mais tarde outra mulher ganharia este prêmio. No anos 80, era a única mulher que figurava na série “Os Pianistas” promovida pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) no Rio de Janeiro.

Daiane dos Santos (1983): ginasta: primeira atleta brasileira a conquistar o ouro no Campeonato Mundial de Anaheim (Estados Unidos) em 2003.

Engenharia e Serviços

Enedina Alves Marques (1945): primeira mulher negra a se formar em engenharia civil no Brasil e a primeira a concluir o curso na universidade paranaense. 

Pioneira na Agronomia (SP): Victoria Rossetti (1917-2010) foi a primeira engenheira agrônoma a se graduar na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) em 1937, tornando-se a primeira do estado de São Paulo e a segunda do Brasil. Ela foi fundamental no estudo de doenças da citricultura.

Pioneira na Agronomia (Brasil): Dra. Maria Eulália da Costa é mencionada como a primeira engenheira agrônoma do Brasil.

Liderança no Agronegócio: Teresa Vendramini foi a primeira mulher a presidir a Sociedade Rural Brasileira (SRB) em 100 anos de história, eleita em 2020.

Liderança na Política/Campo: Kátia Abreu foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e também a primeira a ser nomeada Ministra da Agricultura. 

Setor Público/Finanças

Rita Serrano (2023): primeira mulher a presidir a Caixa Econômica Federal.

Tarsiana Medeiros (2023): primeira mulher a presidir o Banco do Brasil. 

Artes e Cultura

Chiquinha Gonzaga (Século XIX): primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Ruth de Souza (1950): primeira atriz negra brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema.

Zilda Arns (1934 – 2010) – fundadora da Pastoral da Criança

Literaturas                                      

Primeira Personagem (Literatura Indigenista/Não Indígena): A figura do indígena aparece desde as cartas do Quinhentismo e crônicas do século XVII, mas de forma idealizada no Romantismo (século XIX), destacam-se Iracema (de José de Alencar) e Moema (do poema “Caramuru”, de Frei José de Santa Rita Durão).

Bárbara Heliodora (1759–1819) é amplamente reconhecida como a primeira poetisa brasileira, pioneira na produção poética durante o Brasil Colônia. Mineira de São João del Rei e figura chave na Inconfidência Mineira, ela é celebrada por sua força e produção literária no século XVIII.

Maria Firmina dos Reis (1822–1917) é reconhecida como a primeira romancista brasileira, sendo uma das primeiras mulheres a publicar um romance no Brasil, “Úrsula” em 1859. Maranhense e negra, Firmina também foi pioneira na literatura antiescravista, humanizando personagens escravizados antes de autores abolicionistas famosos. 

Lenora de Barros (São Paulo, 1953) é uma artista visual e poeta brasileira. Em 1970 formou-se em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP) e começou a interessar-se pelas interseções entre a prática poética e a arte visual. Utiliza em suas obras recursos diversos, como o vídeo, a fotografia e a instalação. É considerada como a mais importante poeta visual brasileira em atividade e uma das pioneiras a se destacar neste cenário, especialmente no contexto Pós-Concretista, atuando com Poesia Visual, Sonora e Eexperimental.

Rachel de Queiroz (1977): romancista e cronista – primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), eleita em 4 de agosto de 1977. Ela ocupou a cadeira número 5, sendo imortalizada após a mudança nas regras da instituição.

Eliane Potiguara é amplamente reconhecida como a primeira escritora indígena a publicar livros e atuar ativamente na literatura brasileira, inaugurando a autoria feminina indígena no país. Poeta e ativista, ela fundou a Rede Grumin de Mulheres Indígenas, utilizando a escrita como ferramenta de denúncia, resistência e preservação de saberes ancestrais. 

Nélida Piñon (1996): romancista e cronista. Foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL), assumindo o cargo entre 1996 e 1997, durante o centenário da instituição. Eleita em 1989, ela ocupou a Cadeira nº 30.

Fraternidade

A primeira Fraternidade Feminina do Brasil, amplamente reconhecida como a organização paramaçônica oficial do Grande Oriente do Brasil (GOB), é a Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul (FRAFEM). Oficializada em 1967 (com raízes em alas femininas anteriores), é composta por esposas de maçons e mulheres dedicadas à filantropia.

A partir do exposto acima, vale ressaltar que, ao longo dos séculos, a mulher tem mostrado que o lugar dela é onde quiser. Somos tão capazes quanto os homens para exercermos os diferentes cargos. As percursoras acima são exemplos de resiliência. E fonte de inspiração para alcançarmos nossos objetivos ao realizarmos sonhos (até os mais impossíveis).

Quanto às fraternas, devemos nos unir cada vez mais. Incentivarmos as cunhadas a criarem ou a ingressarem na fraternidade existente na loja da qual o esposo participa. E, ao ingressarem, serem presentes nas reuniões e/ou ações sociais. Acreditemos no nosso potencial e provemos a força que a mulher tem. Afinal, segundo Groucho Marx: “Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher”.

Ou seja, somos tão capazes que incentivamos nossos esposos a superarem obstáculos. Conseguem transformar “as pedras no caminho” em grandes estradas a serem percorridas. Não duvidemos da nossa capacidade física, intelectual e mental! Façamos das “pedras” lindos ornamentos para nosso lar ou para doarmos a quem necessita!!!

Renata Barcellos

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