É o destino
Uma leitura profunda do poema ‘É o destino’, onde a ausência do escritor se transforma em luz sobre o papel


A tinta seca,
e o poema pende inacabado,
à espera de alcançar seu verso final.
Perdido em pensamentos,
a vela apaga
aquilo que comecei sem perceber.
Deixo o lugar por algum tempo;
o que ocupa minha mente
permanece sobre a mesa.
De volta, despojado de um pensamento —
uma vela extinta,
uma noite da qual emerge
uma página luminosa,
uma cadeira ainda não vazia de mim.
A página conhece minha mão,
mas não fui eu quem escreveu esta luz.
Que tinta foi a minha ausência?
Somente depois de terminar a pergunta
a página se abriu para uma noite
além do alcance da escrita.