Uai! Tchê!
Entre o Uai mineiro e o Tchê gaúcho, a liberdade ganha sotaque, sabor e poesia com Marli Freitas


Rio Grande do Sul guardou a soberania na flâmula e no coração,
“Liberdade, Igualdade e Humanidade”!
Exaltado na literatura, o rio-grandense-do-sul,
Sentiu o vento suave da própria república.
Minas Gerais, com jeito de quem não quer nada,
Tremula ao vento o orgulho de sonhar a liberdade!
“Libertas Quae Sera Tamen”,
Liberdade Ainda Que Tardia!
O gaúcho confraterniza nas praças e charla tomando chimarrão.
Seu grito de guerra “De a cavalo indiada”!
Bah!!! Coisa de homem valente que doma animal xucro
E acarinha prenda bonita!
O mineiro prepara o café, reúne os compadres,
Enquanto desenvolve uma prosa mansa, onde um começa
Pausadamente, o outro segue devagar
E a mulher coloca água no feijão!
O gaúcho quando pego de surpresa invoca o BAH! TCHÊ!
Liberta-se do espanto, salva o orgulho e se entrega à festança.
O mineiro dengoso carrega o UAI sabendo que cabe em qualquer lugar,
Mas traz um orgulho escondido de quem conjurou a favor da liberdade.
O gaúcho escolhe bem a carne (nem magra e nem gorda) no ponto.
No coletivo é um deleite: atento ao fogo, à organização, tempera com sal grosso,
Capricha nos acompanhamentos e prepara a bebida,
Enquanto em Minas Gerais o olho do dono engorda o porco, reúne os amigos,
Prepara a fornalha, sapeca, salga a pele e brinda com aguardente…
É arroz com suã, feijoada, feijão tropeiro, torresmo, morcilha e carne na lata.
Tem gaúcho que vive na beira do mar, mas tenho uma dúvida:
Será que sobra mar e falta mistério ou sobra mistério e falta mar?
Dizem que Minas perdeu o mar, mas até hoje não sei
Quem é mineiro e quem é espírito-santense na beira do mar.