Teresópolis recebe solenidade histórica da FEBACLA

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

‘Teresópolis recebe solenidade histórica da FEBACLA e reúne personalidades das artes, da literatura, da educação e da cultura de diversas regiões do Brasil’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho

A cidade de Teresópolis foi cenário, no dia 28 de março de 2026, de uma das mais expressivas solenidades culturais do calendário acadêmico nacional. Promovido pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, o evento reuniu intelectuais, artistas, educadores, pesquisadores e autoridades culturais no emblemático Teatro Municipal – Palácio Teresa Cristina, sede da Prefeitura, consolidando-se como um verdadeiro marco na valorização das letras, das artes e do pensamento humanístico no Brasil. 

Desde sua fundação, em 25 de abril de 2012, a Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes vem se consolidando como uma das mais respeitadas instituições culturais do país, pautada por princípios de natureza apartidária, sem fins lucrativos e orientada pelo compromisso permanente com a valorização do saber. Sua atuação abrange a promoção das Ciências, das Letras e das Artes, incentivando a produção intelectual, o intercâmbio cultural e o reconhecimento de personalidades que se destacam por suas contribuições relevantes à sociedade.

Ao longo de sua trajetória, a FEBACLA tem desempenhado um papel fundamental na difusão do conhecimento e na preservação da memória cultural brasileira, promovendo iniciativas que estimulam o pensamento crítico, a criatividade e o desenvolvimento humano. A instituição também se destaca por sua dedicação à valorização do idioma português, reconhecendo-o como elemento essencial da identidade nacional e instrumento de expressão cultural.

Mais do que uma entidade honorífica, a FEBACLA constitui-se como um espaço de encontro entre diferentes áreas do saber, reunindo acadêmicos, escritores, artistas, educadores e pesquisadores em torno de ideais comuns voltados à construção de uma sociedade mais consciente, culta e socialmente comprometida.

A solenidade realizada em Teresópolis reafirmou, de forma eloquente, essa missão institucional, ao celebrar trajetórias inspiradoras e reconhecer personalidades que, por meio de suas ações e obras, contribuem significativamente para o fortalecimento da cultura, da educação e do patrimônio intelectual brasileiro. O evento evidenciou, ainda, o papel da FEBACLA como agente ativo na promoção do mérito, da ética e da excelência, consolidando sua relevância no cenário cultural contemporâneo.

A abertura oficial do cerimonial foi conduzida pelo acadêmico Prof. Dr. Nicolas Theodoridis, que destacou o caráter histórico do encontro e a importância de se perpetuar a memória cultural por meio de iniciativas institucionais sólidas. Em seguida, foi composta a mesa de honra, presidida por Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho, presidente da FEBACLA, que esteve acompanhado por relevantes nomes do meio acadêmico e cultural, como a Duquesa Claudia Lundgren Rurikovich Carvalho, a professora Rita Mello, o professor Dr. Jadson Porto, a professora Jacy Proença e o professor Dr. Eugênio Maria Gomes. 

Em clima de reverência e celebração, os integrantes da mesa proferiram breves saudações, ressaltando a importância da cultura como instrumento de transformação social, inclusão e desenvolvimento humano. O momento foi marcado por reflexões sobre o papel das instituições culturais na formação de uma sociedade mais consciente, crítica e comprometida com os valores éticos e educacionais. 

Um dos pontos altos da solenidade foi a posse de novos acadêmicos internacionais, que passaram a integrar os quadros da FEBACLA, assumindo o compromisso de contribuir para o fortalecimento da cultura e do conhecimento. O juramento, conduzido pelo presidente da instituição, simbolizou o compromisso com a ética, a educação e o aprimoramento intelectual da sociedade

Juramento de posse das novas acadêmicas da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA. Com o braço direito estendido, as empossadas reafirmaram seu compromisso com a ética, o conhecimento e a promoção das Ciências, Letras e Artes.

A programação seguiu com a outorga de importantes honrarias, entre elas a tradicional Comenda Caneta de Ouro – Edição 2025, destinada a reconhecer méritos excepcionais na literatura, no jornalismo e na promoção da língua portuguesa. A honraria destacou autores e educadores cujas obras contribuem para a formação cultural e crítica da sociedade brasileira. 

Momento solene da entrega da Comenda Caneta de Ouro – Edição 2025, reconhecendo personalidades que se destacam na literatura, no ensino e na promoção da língua portuguesa, em valorização à cultura e ao saber.

Na sequência, foi realizada a entrega da Comenda Nacional das Belas Artes, que distinguiu personalidades de destaque nas diversas manifestações artísticas, reforçando o papel da arte como expressão fundamental da identidade cultural e como instrumento de transformação social.

Momento solene da entrega da Comenda Nacional das Belas Artes, distinguindo personalidades que se destacam nas diversas expressões artísticas e que contribuem significativamente para o enriquecimento da cultura nacional.

Outro momento de elevado prestígio e singular relevância na solenidade foi a concessão dos títulos de Doutor Honoris Causa, realizada em parceria com o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos. Trata-se de uma das mais altas distinções acadêmicas conferidas pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, destinada a reconhecer personalidades de notório saber, cuja trajetória intelectual, científica e cultural se destaca pela excelência, pela produção de conhecimento e pelo impacto significativo na sociedade.

A outorga desse título transcende o reconhecimento formal, constituindo-se como um ato de consagração pública de méritos excepcionais, atribuído àqueles que, por suas obras, pesquisas e ações, contribuem de maneira efetiva para o avanço das Ciências Humanas, da Educação, da História e de outras áreas do saber. Mais do que uma honraria, o Doutor Honoris Causa simboliza o reconhecimento de uma vida dedicada ao conhecimento, à formação de consciências e à preservação e difusão da cultura.

No contexto da solenidade, a entrega dessa distinção reforçou o compromisso institucional da FEBACLA com a valorização do mérito acadêmico e com a promoção de referências intelectuais que inspiram as presentes e futuras gerações. Ao destacar trajetórias marcadas pela excelência e pelo serviço à sociedade, a instituição reafirma seu papel como guardiã dos valores que sustentam o desenvolvimento cultural, educacional e humanístico do país.

Momento solene da outorga dos títulos de Doutor Honoris Causa, uma das mais elevadas distinções concedidas pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, em parceria com o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos.

A solenidade também foi marcada pela outorga de títulos honoríficos da Soberana Ordem da Coroa de Gotland, distinção de elevado prestígio destinada a reconhecer personalidades que se destacam por seus relevantes serviços prestados à sociedade, bem como por sua notável dedicação às causas culturais, científicas e humanitárias.

Mais do que uma honraria, a concessão desses títulos representa o reconhecimento de trajetórias pautadas pela excelência, pelo compromisso ético e pela promoção do bem comum, conferindo aos agraciados não apenas distinção honorífica, mas também a responsabilidade simbólica de perpetuar valores nobres e contribuir para o desenvolvimento cultural e social.

A Soberana Ordem da Coroa de Gotland integra o patrimônio histórico, cultural e imaterial da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, constituindo-se como expressão de tradição, identidade e continuidade histórica. Nesse contexto, sua outorga reveste-se de profundo significado, reafirmando a valorização do mérito, da honra e do legado daqueles que contribuem para o engrandecimento da sociedade.

Momento solene da outorga dos títulos de Cavaleiro Comendador e Dama Comendadora da Soberana Ordem da Coroa de Gotland, honraria que distingue personalidades de elevada trajetória e relevantes serviços prestados à sociedade, à cultura e ao bem comum.

Um dos momentos mais emocionantes da solenidade foi a apresentação da atriz Edinar Corradini, natural de Teresópolis, reconhecida como uma das mais respeitadas intérpretes da Imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. Há mais de uma década, a artista dedica-se a retratar a figura histórica conhecida como “a mãe dos brasileiros”, levando ao público performances marcadas por sensibilidade, rigor histórico e profundo compromisso com a memória cultural, seja em eventos educativos, apresentações culturais ou produções teatrais. Sua participação conferiu ainda mais brilho e emoção à cerimônia, aproximando o público da história e reforçando o valor da arte como instrumento de preservação da identidade nacional.

A atriz Edinar Corradini, intérprete consagrada da Imperatriz Teresa Cristina, emociona o público ao realizar a leitura de cartas da Imperatriz ao seu esposo, Dom Pedro II.

Um dos momentos mais simbólicos do evento foi a entrega da Comenda Imperatriz Teresa Cristina – Mãe dos Brasileiros, inspirada na figura histórica da Imperatriz Teresa Cristina, consagrada por sua dedicação ao povo brasileiro e por seu incentivo à cultura, à ciência e à educação.

A honraria evoca a memória de uma soberana marcada pela sensibilidade social, pela discrição e pelo compromisso com o bem-estar coletivo, atributos que lhe conferiram o reconhecimento e o afeto do povo brasileiro. Ao instituir esta comenda, a Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes presta tributo a esse legado histórico, distinguindo personalidades que, à semelhança da Imperatriz, contribuem de forma significativa para o desenvolvimento humano, cultural e social.

Trata-se de uma homenagem que transcende o caráter honorífico, constituindo-se como símbolo de reconhecimento àqueles que dedicam suas vidas à promoção do conhecimento, da solidariedade e da valorização dos princípios que enobrecem a sociedade.

Registro dos agraciados com a Comenda Imperatriz Teresa Cristina – Mãe dos Brasileiros, honraria concedida a personalidades que se destacam por suas contribuições relevantes nas áreas cultural, social, educacional e humanitária.

Registro dos agraciados com a Comenda Imperatriz Teresa Cristina – Mãe dos Brasileiros, honraria concedida a personalidades que se destacam por suas contribuições relevantes nas áreas cultural, social, educacional e humanitária.

Encerrando a programação protocolar, a FEBACLA promoveu a outorga do Certificado Mulher Virtuosa, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, prestando homenagem a mulheres que se destacam por sua dedicação, excelência e relevante contribuição nas mais diversas áreas de atuação. A iniciativa reafirma o protagonismo feminino na construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e humanizada.

Desde a sua fundação, a FEBACLA tem se pautado pelo reconhecimento e valorização do papel essencial da mulher na sociedade, destacando sua atuação decisiva nos campos da cultura, da educação, das artes e das ações sociais. Ao longo de sua trajetória, a instituição tem honrado mulheres de notável mérito, compreendendo que seu trabalho e sua sensibilidade são pilares fundamentais para o desenvolvimento humano e social.

Na visão do presidente da FEBACLA, é imprescindível não apenas reconhecer, mas também proteger e valorizar a mulher em todas as esferas, assegurando-lhe dignidade, respeito e oportunidades. Tal posicionamento reforça o compromisso institucional com a promoção de uma cultura de equidade, onde o talento, a competência e a dedicação feminina sejam continuamente celebradas e incentivadas.

Mulheres sendo agraciadas com o Certificado Mulher Virtuosa, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A homenagem destacou trajetórias marcadas pela dedicação, competência e relevante contribuição nas áreas da educação, cultura, artes e ações sociais e o reconhecimento do papel essencial da mulher na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Antes das considerações finais, Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho, na condição de Príncipe Chefe da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, no pleno exercício de suas prerrogativas dinásticas e soberanas, houve por bem conceder elevação nobiliárquica ao então Marquês, o Ilustríssimo Prof. Dr. Jadson Porto.

Por este ato de graça e distinção, foi o mesmo elevado à excelsa dignidade de Duque, com o predicado de Duque Paladino de Gotland, sendo-lhe outorgado o tratamento de Sua Alteza Sereníssima. Outrossim, foi-lhe concedida a honrosa qualificação de Primo Ad Honorem da Dinastia Real e Imperial dos Godos de Oriente, passando a adotar o nome dinástico de: Duque Dom Jadson Porto Eurico Henrique I.

Tal outorga reveste-se de elevado significado histórico, cultural e simbólico. As dinastias em exílio, ainda que privadas do exercício territorial do poder, permanecem como depositárias de uma tradição secular, preservando a memória, a herança genealógica e os valores que constituem sua identidade histórica. Nesse contexto, a concessão de um título nobiliárquico representa um elo vivo entre o passado e o presente, assegurando a continuidade dinástica e a perpetuação de um patrimônio imaterial de grande relevância.

No plano cultural, a distinção honorífica reconhece méritos pessoais e relevantes contribuições nas áreas das ciências, das artes e da cultura, conferindo ao agraciado prestígio e inserção em um universo simbólico pautado pela honra, pela tradição e pelo compromisso com valores elevados. Ainda que tais títulos não produzam efeitos jurídicos estatais, especialmente em regimes republicanos, sua legitimidade encontra fundamento no Direito Dinástico, por meio do ius honorum, prerrogativa inerente às Casas Reais históricas.

Ademais, segundo a doutrina nobiliária clássica, não há distinção de valor moral ou honorífico entre títulos concedidos por soberanos reinantes e aqueles outorgados por dinastias em exílio, uma vez que ambos são titulares da fons honorum. Assim, a presente elevação constitui reconhecimento legítimo, de natureza honorífica e memorial, que insere o agraciado na tradição histórica da Casa concedente, reforçando laços de identidade, pertencimento e distinção no âmbito cultural e nobiliárquico.

Momento da apresentação oficial do novo Brasão de Armas de Sua Alteza Sereníssima, o Duque Dom Jadson Porto Eurico Henrique I, símbolo heráldico que representa sua linhagem, valores e distinção nobiliárquica.

Na sequência, procedeu-se à apresentação da obra ‘Discursos Honoris Causa’, de autoria do Prof. Dr. h.c. mult. Alexandre Rurikovich Carvalho e do Prof. Dr. Dr. h.c. mult. Jadson Porto. A referida obra reúne uma seleta coletânea de discursos proferidos em ocasiões solenes e acadêmicas, marcadas pela outorga de títulos honoríficos e pelo reconhecimento de personalidades de destaque nas áreas da cultura, das ciências e das artes.

Em suas páginas, evidenciam-se reflexões de elevado teor intelectual, enaltecendo valores como o saber, a ética, a tradição e o compromisso com o desenvolvimento humano e social. Trata-se de uma publicação de significativa relevância no âmbito acadêmico e cultural, não apenas por preservar a memória de momentos institucionais de grande importância, mas também por contribuir para a difusão do pensamento humanístico e da valorização do mérito, constituindo-se, assim, em um legado de inspiração çara as presentes e futuras gerações.

Capa da obra ‘Discursos Honoris Causa’, de autoria do Prof. Dr. h.c. mult. Alexandre Rurikovich Carvalho e do Prof. Dr. Dr. h.c. mult. Jadson Porto.

Em suas considerações finais, o presidente da FEBACLA destacou o papel da instituição como guardiã da cultura e promotora do reconhecimento de talentos, ressaltando que iniciativas como essa são fundamentais para preservar a memória cultural e incentivar novas gerações a valorizarem o conhecimento, a arte e a educação. 

Mais do que uma cerimônia, o evento representou um verdadeiro encontro de saberes, reafirmando o compromisso com a valorização da cultura brasileira e consolidando a FEBACLA como uma das mais respeitadas instituições do cenário cultural contemporâneo.

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

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O livro

José Antonio Torres: Poema ‘O livro’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem gerada por IA da Meta. Gerada em 01 de abril ,
às 07:23

Ao despertar, abro o livro da vida.
É como se abrisse a janela da alma
e deixasse fluir de mim os melhores sentimentos.

Muitas páginas já foram escritas…
Algumas ainda por escrever.
Há muitas flores, alguns espinhos,
mas procuro sempre ressaltar
o que vale a pena se ver.

Não escrevo sobre mágoas,
pois elas em mim não residem.
Prefiro enaltecer e dar cores
aos momentos de felicidade e de amor.

Nos jardins, aromas que inebriam.
Nas estradas, novos amigos surgem. 
Mares, montanhas e luzes
nos maravilham todos os dias.

Minha pena desliza pelas folhas deste livro,
registrando cada momento.
Só desejo que, ao fim da minha jornada, não haja dor e nem lamentos.

Que eu possa transmitir a quem o ler,
que a vida, apesar das tristezas,
deve ser vivida intensamente.
Sem medos, fraquezas ou dúvidas
e atento às belezas e oportunidades de ser feliz imensamente.

José Antonio Torres

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Pequenas permanências

Ella Dominici: Poema ‘Pequenas permanências’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69cc86f4-eca4-83e9-9cf8-91ca341a3c59

A vida não começa em grandes inaugurações,
instala-se mansa nas frestas do instante.
As coisas mínimas guardam força secreta,
uma folha cai — mas cumpre seu trajeto.

Aprende primeiro o ar antes de tocar o chão,
que a acolhe antigo, sem qualquer alarde.
As formigas não pensam no amanhã distante,
carregam o agora com rigor delicado.

O peso que levam não as torna menores,
apenas ordena seu íntimo caminho.
O rio sabe bem do fim que o aguarda,
e ainda assim desenha curvas no tempo.

As flores não negam sua breve passagem,
abrem-se inteiras na exata duração.
Nós queremos fixar o que nasce em ciclo,
e esquecemos: crescer é também dissolver.

A finitude muda apenas a paisagem,
do visível tênue ao invisível pleno.
E viver, no fundo, é circular com o tempo,
como folhas, rios — retornando em silêncio.

Ella Dominici

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Josemir Lemos é finalista no Prêmio Ecos da Literatura! 

Ser finalista em uma premiação que celebra a diversidade e a força da nossa literatura é uma vitória não apenas para o autor, mas para todos os leitores que acreditam no poder transformador dos livros

Josemir Lemos é Finalista no Prêmio Ecos da Literatura!
Josemir Lemos é Finalista no Prêmio Ecos da Literatura!

O professor e escritor Josemir Lemos acaba de ser anunciado como finalista em duas categorias de peso no renomado Prêmio Ecos da Literatura! Reconhecido por sua dedicação ao incentivo à leitura e por encantar leitores de todas as idades, Josemir concorre este ano como: 

Melhor Autor Nacional – Um reconhecimento ao conjunto de sua obra e sua trajetória inspiradora no cenário literário. 

Melhor Livro Infantil – Com a obra ‘Os Dez Monstrinhos’, que já conquistou o coração dos pequenos (e dos grandes!) com sua criatividade e ludicidade. 

Ser finalista em uma premiação que celebra a diversidade e a força da nossa literatura é uma vitória não apenas para o autor, mas para todos os leitores que acreditam no poder transformador dos livros. 

Os três finalistas de cada uma das 30 categorias foram apontados por votação pública, via internet, realizada entre os dias 08 de fevereiro e 22 de março de 2026. Apenas autores e profissionais do livro, com obras editadas em 2025, puderam participar da premiação. 

O evento de premiação está agendado para o dia 23 de maio (sábado), às 16 h, no Teatro Espaço Bereana, Vila Mariana, na capital paulista. Na oportunidade, será conhecida a classificação dos finalistas: 1º, 2º e 3º colocados, que vão receber troféus personalizados.

Josemir Lemos
Josemir Lemos

JOSEMIR LEMOS, 43, é natural de Pesqueira (PE). Trabalhou na roça e com criação de gado.

Mudou-se para São Paulo em 2002, onde trabalhou como vendedor de frutas, de Yakult e de cocadas.

Em 2004, iniciou o curso de  Pedagogia em Santo André. Em 2005 e 2006 , trabalhou como estagiário de apoio à inclusão em São Bernardo do Campo. No ano de  2007, iniciou como professor na rede estadual de ensino de São Paulo.

Em 2008, iniciou o curso de Letras, quando, então, despertou o prazer pela leitura.

Realizou curso de contador de história, fez vários cursos na área de leitura, participou de eventos literários em bibliotecas e fez visitas em escolas para realizar leituras ou contar histórias. Atualmente,  leciona na rede municipal de Ensino de São Caetano do Sul. 

Iniciou como escritor em 2019, participando da coletânea ‘Contos para o futuro melhor’, com os contos A coragem de Lucas e Mudanças no Jogo.

Em 2023, lançou os livros ‘As descobertas de Maricota’, ‘A festa da Filó’ e ‘Brinquedos e brincadeiras: leitura e diversão’.

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O recado da foia de bananeira

Karla Dornelas: ‘O recado da foia de bananeira’

Logo da seção O Leitor Participa
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Andando, querenu resposta das estrela no céu…
ela sentiu.

Sentiu quando recebeu o recado.

No caminho da roça,
leu na foia da bananeira:

“A moça aí,
que lê
essas palavra
nem tão expricada muidinha…

Ocê ama cumê pão de queijo?

Hoje, na noitinha,
lá pras banda
do mato arrumado…”

Foi um trem assim, ó—
mistura de “Nossinhora!”
com “Valei-me, misericórdia!”

Deu um frio na espinhela…
que eu vou te contá!

Caí foi estatelada!

Os zói?
Tudo esbugaiado!

Senti a terra tremê…
as perna bambiá…
e o juízo?
ficô foi pra trás!

O que era prova de amor…
virô foi horta chuvosa!

E eu pensei:
— uai… e agora?
o que mais pode miorá?

A resposta veio ligeirinha:

— Tudo!

É só ocê abri a boca
que eu como até furá a panela!

Cê queria resposta?

Então toma:

Eu amo, sim!

Mas amo mesmo…
igual queijo com goiabada —
grudado, doce
e impossível de largá!

Aê!!!

Agora dança o revortê,
que o trem aqui é sério…
mas nem tanto!

Karla Dornelas

Karla Dornelas
Karla Dornelas

Karla Dornelas, natural de Caratinga (MG), é escritora e poetisa. Membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA e da Academia Brasileira de História e Literatura – ABHL, com projetos literários em desenvolvimento, incluindo a reedição de seu primeiro livro de poesias, ‘Simplesmente Você’.

Ao longo de sua trajetória, foi contemplada com menções honrosas por sua dedicação à arte e à literatura.

Sua escrita nasce do olhar sensível sobre o cotidiano, transformando o mundo em experiências poéticas e afetivas.

Com linguagem marcada pela delicadeza, musicalidade e criação de vocabulário próprio, busca dar voz ao invisível e valorizar o que é essencialmente humano, dedicando-se à construção de uma trajetória literária voltada à arte de tocar e transformar o leitor por meio da palavra.

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Anjos do Asfalto

Marli Freitas: Conto ‘Anjos do Asfalto’

Marli Freitas
Marli Freitas
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Depois de um ano turbulento e embates com as dores do passado, Sarah precisava ver o mar e acalmar o seu coração. Mas tudo parecia estranho e mal planejado, pois dependia da disponibilidade do filho caçula e de sua nora. Num momento em que se sentia fragilizada, não poderia ser diferente.

No final da tarde, na véspera da viagem, o céu fechou repentinamente e um vento tempestuoso anunciava uma chuva torrencial. Mas tudo continuava sendo planejado e a chuva parecia ter se dissipado.

Quando saíram ainda era madrugada e bastou avançar alguns quilômetros, que a chuva não deu trégua. Ficaram ansiosos, mas mantinham a esperança de que seria uma chuva localizada, o que infelizmente não era verdade. Depois de subirem a serra, viria o momento mais tenso da viagem, que era enfrentar o desconhecido, que oscilava entre curvas sinuosas e terreno íngreme temperado com chuva e a cerração do amanhecer.

Não deu tempo de nada. O vidro do carro embaçou e nesse quadro complexo entre aflição e estranhamento, o carro girou em uma curva na descida da serra. Foram alguns segundos intensos, onde se sentiram dentro de um liquidificador. Mas os anjos estavam lá em forma de uma contramão deserta e um barranco úmido que amorteceu o impacto.

Saíram de dentro do carro atordoados pelo ocorrido, mas nenhum fio de cabelo havia sido arrancado e se lembrou que, por alguns dias consecutivos, fazia a oração do Salmo 91, que se inicia afirmando que, ‘quem morar no lugar secreto do Altíssimo, encontrará abrigo’ e mais adiante ele diz, ‘nenhum desastre virá sobre você, pois ele dará aos seus anjos uma ordem referente a você’ e ‘Deus disse: ele me ama, eu o protegerei’.

Atordoados ainda, perceberam uma chuva fina em suas cabeças e a patrulha da Polícia Rodoviária Federal encostou logo em seguida. Por um instante sentiram um certo alívio, pois não estavam sozinhos no meio do caos. Perguntaram se tinha alguém ferido e se o carro tinha seguro, mas como não havia ninguém ferido, imprimiram a ocorrência e se despediram dizendo que, quando tivesse área para seus celulares, entrariam em contato com um reboque, pois o carro havia quebrado o eixo traseiro. Ficaram ali, sem direção. Só o medo misturado com a euforia de estarem vivos, fazia companhia internamente. Mas externamente o perigo continuava rondando. O tempo parecia não passar, não tinham nenhuma noção se o reboque viria, e de que lado seria, pois não conheciam a região. A chuva continuava caindo e a cada automóvel que passava, havia o assombro da possibilidade de um outro acidente. Sarah tentou caminhar alguns metros à procura de alguém que pudesse socorrê-los, mas nem o freteiro quis sair de casa naquelas condições.

Desanimada e sem saber se esperava ou se pegava uma carona para algum lugar, onde pudesse encontrar socorro, mais uma vez o inesperado acontece. Passava na rodovia um veículo usado para rebocar automóveis, e seu condutor percebeu que precisavam de ajuda. Num primeiro instante, pensaram que teria sido enviado pela Polícia Rodoviária Federal, mas não era. Miguel e Paulo, estavam passando ali por uma coincidência, e então, Sarah sentiu mais uma vez as mãos de Deus se materializando bem diante de seus olhos.

Seguiram instantes de ‘graça’ e reinou entre eles as mãos dos ‘Anjos do Asfalto’, palavras que puderam ler em letras douradas nas costas daqueles dois homens, bem no lugar onde deveriam nascer as suas asas. Sim, eram anjos! Subiram o carro e os colocaram dentro, como anjos que abraçam seus protegidos e saem voando para um lugar onde tudo parece fantástico e misterioso. Pararam em um ‘Ferro Velho’, onde não encontraram nenhuma peça necessária para substituir as peças quebradas e mais um anjo se juntou a eles. Era Giuseppe, o dono do ‘Ferro Velho’. Sarah ainda não havia se dado conta do que estava acontecendo. O dono do reboque, o senhor Miguel e Giuseppe, haviam tomado para si o problema que era deles. Não os abandonariam até que estivessem seguros para seguirem viagem.

Se dirigiram para um outro ‘Ferro Velho’, que também tinha um depósito de peças novas, mas Miguel não os deixaria a mercê de pessoas que pudessem explorar a fragilidade deles. Assumiu o conserto da parte mecânica do Fiat Uno, juntamente com seu ajudante e envolveu uma grande equipe na tentativa de encontrar peças velhas e novas para substituir as peças quebradas, e até realizar reparos em peças não encontradas naquele local. Sarah olhava aqueles movimentos frenéticos com ar de espanto. Como podia Deus ser tão bom com eles? Como conseguiu enviar aquele reboque naquele momento, sem que ninguém tivesse chamado? Como havia conseguido reunir aquelas pessoas?

Giuseppe, que não teria nenhum lucro com aquela situação, também estava ali. Ela não entendia quem era ele naquele contexto, até que percebeu que contava histórias para distraí-los, pois sabia que estavam em estado de choque. Num primeiro momento, ela apenas notou que era um homem forte, calvo, que mancava de uma perna e tinha várias cicatrizes. Ele lembrava muito o Quasímodo, personagem central do livro ‘Notre-Dame’, de autoria de Victor Hugo, publicado em 1831. Um corcunda de nascença, Quasímodo habita o campanário da Catedral de Notre-Dame de Paris, afastado da sociedade e temido pelos habitantes locais. Foi assim que ele lhe chamou a atenção inicialmente, mas era muito mais do que isto. Ela tinha dúvidas se ele era real, pois agia de modo tão incomum e contava coisas tão bizarras que nada parecia real. Começou contando que era italiano, e que foi combatente em frentes de guerra, o que justificava as deformações e cicatrizes em seu corpo. Depois, que era casado com sua própria irmã, devido ao confinamento em que havia vivido, e com quem tinha vários filhos, e que para eles este fato não causava nenhuma estranheza. Vieram para o Brasil tentar a sorte, sonhando em conquistar um pedaço de terra e reconstruir a vida.

Enquanto ouvia as histórias de Giuseppe, fazia um paralelo entre dois mundos: um que estava ali dentro do visível e outro que era invisível. Ela não conseguia ver de outra forma. No lugar das letras nas costas daqueles dois homens que trabalhavam no reboque, ela via asas, Giuseppe parecia ter saído de dentro de um livro, de tão exótico e exuberante que era. Sarah queria gravar todos os detalhes daquele milagre, então de vez em quando precisava fazer a leitura do ambiente, embora estivesse fascinada com suas histórias.

As outras pessoas envolvidas pareciam em outra dimensão. Era como se fossem os espectadores de um grande acontecimento. Mas era mesmo um grande espetáculo que se desenvolvia entre seres espirituais criados para servir a Deus, que naquele instante se aglomeravam em torno deles. Sarah não se conteve, pois precisava expressar àquelas pessoas a quão grata seria. E Giuseppe prosseguiu e contou-lhes mais histórias, mas desta vez se arriscou também a narrar algo sobrenatural ocorrido com seu filho, enquanto estava em um hospital entre a vida e a morte. Contou que, depois de um acidente, seu filho provavelmente perderia um braço e durante os dias mais traumáticos foram assistidos por alguém especial, que entenderam ser um médico.

Depois de ter findado os dias mais angustiantes de suas vidas e seu filho, além de não ter perdido o braço, também gozava de saúde estável; ao ter alta do hospital, procuraram pelo médico que descreveram com bastante detalhes, mas ninguém o conhecia.

Assim, mergulhada no encantamento, os acontecimentos se desenvolviam num ritmo acelerado. O anjo mestre, o dono do reboque, não cobrou pelo transporte do Fiat Uno, pois entendeu que não estariam preparados. Cobrou apenas um valor simbólico pelo seu trabalho. Ele parecia tão bem por fazer o que fez, que Sarah se conteve e deixou que ele se sentisse como anjo que era. Pagou pelas peças usadas no conserto do carro e partiram com uma sensação de querer ficar mais tempo ali conhecendo aquelas pessoas. Ela tem certeza que as poucas palavras usadas para descrever o evento jamais seriam suficientes para narrar todos os detalhes e sentimentos envolvidos.

Naquele estado de graça, que mais parecia um delírio, não duvidou, apenas acreditou e se entregou à magia daqueles anjos. Despediram-se com palavras afetuosas e partiram rumo ao mar. Sarah entendeu naquela viagem que nem as dores e nem as delícias tinham mais tanta importância.

Marli Freitas

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A seiva verdadeira

Pietro Costa: Poema ‘A seiva verdadeira’*

Pietro Costa
Pietro Costa
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No peito humano, arde a chama inquieta,
As beligerâncias são relâmpagos tardios,
Mas a paz, conforme nascente pura e reta,
Há de eclodir em silêncio sobre pátios frios.

Erguem-se muros alicerçados na vaidade,
Estrugem mísseis como trovões sem lume;
Porém, a paz, com sua alvinitente claridade,
Tece límpidos horizontes no tear do costume.

É a ponte que transpassa os vendavais,
O cântico que o desamor não alcança,
O fruto que amadurece lá nos quintais
da esperança, na qual o futuro balança.

Ó venturosa aurora, eterna e sem fronteira,
flor plácida e impoluta, acima da destruição,
seja nesse mundo insosso a seiva verdadeira,
raízes rijas e porfiosas na alma e no coração.

* 2º lugar no Concurso Maria Firmina dos Reis 2025, tema ‘A Paz’,
pelo Institut Cultive Suisse Brésil
.

Pietro Costa

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