De Haifa, ao Jornal Cultural ROL, Rita Odeh!

Rita Odeh traz ao ROL a alma poética de Haifa, a ‘Linda Praia’, celebrada por sua beleza cênica, estendendo-se do Mar Mediterrâneo até as encostas do Monte Carmelo!

Rita Odeh

Rita Odeh, natural de Nazaré e residindo em Haifa, é poetisa, romancista e tradutora palestina, bacharel em Língua Inglesa e Literatura Comparada pela Universidade de Haifa, tendo lecionado Inglês no Ensino Médio Municipal de Nazaré.

Dedica-se à escrita criativa desde 2000, nos estilos poesia em prosa, microcontos, haicai, contos, romances, literatura infantil, cartas e leituras impressionistas, sendo vencedora de diversos primeiros lugares em concursos internacionais de haicai.

Publica seus trabalhos literários no saite ‘Ahewar’ e sua obra foi resenhada por diversos críticos, tanto locais quanto de todo o mundo árabe.

Publicações Literárias:

I.  Coletâneas de Poesia:

• Revolta Contra o Silêncio – 1994 – Ministério da Cultura e Educação, Nazaré.

• Espelhos da Ilusão – 1998 – Escola Municipal de Ensino Médio, Nazaré.

• Diários de uma Cigana Apaixonada – 2001 – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo.

• E Quem Não Conhece Rita – 2003 – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo.

• Antes de Me Engasgar com uma Lágrima – 2004 – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo.

• Vou Te Tentar Mais Uma Vez – Casa Palestina da Poesia, Ramallah, 2008.

• Seu Amor Foi Repentino – Dar Al-Raseef, Ramallah, 2016.

• Serei uma Andorinha por Você – Editora Raya, 2025.

II. Coletâneas de Contos e Romances:

• Eu Sou a Tua Loucura (Coletânea de Contos) – Casa Palestina da Poesia, Ramallah,

2009.

• Até o Cacto Florescer (Romance) – Dar Al-Hadara Al-Arabiya, Cairo, 2017.

III. Obras Futuras:

• Amor aos Dez Anos (Romance).

• Que Haja Luz (Romance).

• O Chamado de Haifa (Coletânea de Contos).

• O Sol Desperta do Seu Sono (Coletânea de Histórias Infantis).

• Mais Longe que a Morte… Mais Perto que a Vida (Cartas).

Rita apresenta aos leitores do ROL sua chama poética, com o poema In Praise of Ruin: The City After the War (Em Louvor à Ruína: A Cidade Depois da Guerra):

In Praise of Ruin: The City After the War

Imagem gerada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69caa719-c8dc-83e9-9920-0ec90ed5886e
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The city sheds its shadow…
Leaves it as a memento at the thresholds of sealed taverns,
And never looks back.
​Behind it, smoke seduces memory away from its reason,
And blood.
​The lamps that used to chatter with light,
Were struck by sudden muteness under the weight of gunpowder.
They began pointing toward the abyss,
As if guiding death to what remains of faces
In the void.
​No wailing in the alleys…
Only the echo of the wind’s broom gathering the shards of songs,
And cursing the resonance of the howling.
​The old newspaper seller
Folds his funeral under his arm and walks…
He walks behind a city that forgot,
In the midst of the shelling, its children and their names.
So they lost the way to their own selves,
And became firewood in the hearth of extinction.
​The city now…
Is not a pile of stones or cement,
But a tear petrified in the eye of an oppressed old man,
Who aged during the nights of bombardment,
And waits for someone who dares, amidst this ruin,
To say: “Farewell, O leaders.”

Em Louvor à Ruína: A Cidade Depois da Guerra

A cidade lança sua sombra…
Deixa-a como lembrança nos umbrais de tavernas seladas,
E nunca olha para trás.

Atrás dela, a fumaça seduz a memória, afastando-a da razão,
E do sangue.

As lâmpadas que antes chilreavam com luz,
Foram atingidas por um silêncio súbito sob o peso da pólvora.
Começaram a apontar para o abismo,
Como se guiassem a morte para o que resta dos rostos
No vazio.

Nenhum lamento nos becos…
Apenas o eco da vassoura do vento recolhendo os fragmentos de canções,
E amaldiçoando a ressonância do uivo.

O velho jornaleiro
Dobra seu funeral sob o braço e caminha…
Caminha atrás de uma cidade que esqueceu,
Em meio ao bombardeio, suas crianças e seus nomes.

Assim, perderam o caminho para si mesmos,
E se tornaram lenha na fornalha da extinção.
A cidade agora…
Não é um amontoado de pedras ou cimento,
Mas uma lágrima petrificada no olho de um velho oprimido,
Que envelheceu durante as noites de bombardeio,
E espera por alguém que ouse, em meio a esta ruína,
Dizer: “Adeus, ó líderes.”

Rita Odeh

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O velho e o devaneio

Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘O velho e o devaneio’

Eduardo Martínez. Foto por Irene Oliveira
Eduardo Cesario-Martínez – Foto por Irene Oliveira
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Acabei de voltar da rua. Fui comprar meio quilo de cebola, um de tomate, além de algumas batatas. Demorei mais do que de costume, mas Arlete, minha esposa, parece que nem percebeu. Mesmo assim, puxei conversa, enquanto ela, sentada no sofá, mexia no jornal da semana anterior, talvez em busca de algo para abstraí-la dessa vida tão tediosa.

          — Vi uns meninos jogando bola no campinho do final da rua.

          Arlete nem se deu ao trabalho de desviar os olhos daquelas páginas usadas. Ainda esperei por mais um instante, até que rumei para a varanda, onde me deitei na rede. Ouvi o ranger do tecido esticar com o meu peso, que, não tem como esconder, fez o ponteiro da balança da farmácia da esquina trabalhar um pouco mais nos últimos meses.

          Meu pensamento voltou para aqueles garotos batendo uma pelada. Isso me remeteu há quase 60 anos, quando era eu que corria atrás da bola. Jogava muito! Era o craque da minha rua! O problema, hoje percebo isso com maior clareza, é que no meu bairro havia um monte de outras ruas, cada uma com o seu craque. Sem contar que a cidade já possuía dezenas de bairros, todos com tantas ou mais ruas do que o meu. 

          Tudo bem que o meu senso crítico, ao longo dos anos, se tornou cada vez mais presente. Todavia, hoje não estou a fim de qualquer olhar de descrédito em relação aos meus dribles inimagináveis. Fui o maioral da minha rua, do meu bairro, da minha cidade, do país inteiro e, obviamente, do mundo todo, incluindo a Austrália, que, para aquele grupo de terraplanista, não existe. Que assim seja, pois necessito de tal momento de mentira. Aliás, mentira é uma palavra muito pesada. Ilusão. Sim, ilusão!

          Pois lá estava eu, aos 10, driblando todos os marcadores implacáveis. Certamente, tiveram pesadelos na noite anterior, pois sabiam que iriam tentar o impossível, ou seja, marcar o imarcável. Sim! Eis que, velho que hoje sou, me imagino Garrincha nos meus tempos de menino. Que seja! Meus pensamentos são meus e pronto e acabou! Ademais, estou sozinho neste momento, até o som da rede se esticando já se foi. Silêncio lá fora, gritaria aqui dentro da minha cachola. Miragem sem fim.

          Uma abelha! Uma mísera abelha me transporta de volta à realidade. Não sou alérgico à picada desse inseto. Entretanto, minha sensibilidade à dor me faz um dos seres mais covardes da face da Terra. Por que fui deixar a janela aberta, se hoje está frio?

          A danada sobrevoa em círculos minha cabeça, até que decide pousar bem na minha testa. Fico paralisado, tamanho o medo que me domina. Meus olhos, de tão arregalados, quase são catapultados, talvez por não quererem ver o que vai acontecer. Plaft!!!

          — Dorival, o almoço está pronto – Arlete, que acabara de matar a abelha, me intima, enquanto sacode a arma do crime: o jornal.

Eduardo Cesario-Martínez

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homemágua – hidropoema em descompasso

Clayton Alexandre Zocarato

‘homemágua – hidropoema em descompasso’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
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torneira do pensamento
goteja-mente
mente-goteja

um homem se dissolve em copos de silêncio
e bebe a si mesmo
em goles de ontem

azulcrânio
veiafluviária
corposalgado
respirágua

o tempo escorre
pela palma da mão
— ampulheta líquida —

        gota  
   gota  
gota

gota
mar

ele é mar
mas esquece de ser onda

no café da manhã
mastiga sede
engole nuvens
e arrota rios interrompidos

plim
plim
plim

notícias pingam na testa do dia
informágua
dadoslíquidos
transparêncifra

um peixe atravessa o pensamento
sem pedir licença
sem pedir pulmão

        homem  
   homágua 
 aguahomem

omemágua

(des)forma

a palavra evapora
condensa
chove dentro da boca

há desertos no olhar
e oceanos na língua

ele diz:
— sede

mas o som sai:
— cidade

e ninguém percebe
que a garganta é um mapa rachado

        beba  
   beba-se 
 beba-nos

bebe

até que o corpo
vire verbo

e o verbo
escorra

fim?

não.

ciclo.

Clayton Alexandre Zocarato

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Ramos para Jesus

Denise Canova: Poema ‘Ramos para Jesus’

Denise Canova
Denise Canova
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Ramos para Jesus

Sua volta à Jerusalém

Seus últimos dias na terra

O povo o glorificou

Reflexão mundial.

Dama da Poesia

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Os confinados

Sergio Diniz da Costa: Crônica ‘Os confinados’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
São animais que têm por espaço uma garagem (algumas com dois carros) ou um pequeno terreno ou quintal e por horizonte uma nesga de paisagem, vista pelas frestas de portões - Foto por Sergio Diniz da Costa
São animais que têm por espaço uma garagem (algumas com dois carros) ou um pequeno terreno ou quintal e por horizonte uma nesga de paisagem, vista pelas frestas de portões.” – Foto por Sergio Diniz da Costa

Diariamente, passeio com meu cão (Tobby) pelas ruas do meu bairro e bairros adjacentes.

Esses passeios me levaram a constatar que em muitas residências e até mesmo em pequenas empresas têm cães, em alguns casos até dois ou três.

Num primeiro momento, a impressão é que, a cada dia, aumenta o número de pessoas que parecem gostar de cães. Essa impressão, entretanto, em muitos casos, é enganosa.

Constato, com uma imensa tristeza, que é significativo o número de cães que vivem confinados em suas casas ou em estabelecimentos comerciais. São animais que têm por espaço uma garagem (algumas com dois carros) ou um pequeno terreno ou quintal e por horizonte uma nesga de paisagem, vista pelas frestas de portões. Em alguns casos, os cães ficam presos por correntes o dia inteiro.

Esse enclausuramento, com o tempo, torna os cachorros doentes, física e/ou emocionalmente. Alguns se tornam violentos e, se conseguem escapar da casa, podem atacar pessoas; outros chegam a se automutilar.

A Lei nº 9.605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências, prevê em seu art. 32, caput: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”.

O citado artigo não esclarece e, muito menos, enumera o que se configura como ato de abuso ou maus-tratos. A prática, contudo, aponta os atos mais comuns: abandono, manter animal preso por muito tempo sem comida e contato com seus donos/responsáveis, deixar animal em lugar impróprio e anti-higiênico, envenenamento, agressão física, covarde e exagerada, mutilação e utilizar animal em shows, apresentações ou trabalho que possa lhe causar pânico e sofrimento.

Manter cães diariamente confinados se configura, indiscutivelmente, como um ato de maus-tratos, pois, com isso, “os impede de desenvolver atividade física, independentemente da raça. E essa energia não gasta vai se acumulando cada vez mais até o cão encontrar um jeito de eliminá-la, sendo as maneiras mais comuns dessa energia ser dissipada roer ou destruir algo, latir, mostrar comportamentos compulsivos e às vezes até agressividade”.*

Outro aspecto do dano causado pelo confinamento reiterado se encontra no fato de que “os cães são animais gregários, ou seja, eles naturalmente vivem em grupos e precisam de interação social com os membros de sua própria espécie. Um cão que passa por essa privação social pode sofrer distúrbios emocionais e psicológicos graves, demonstrando timidez, medo excessivo ou agressividade com outros cães”.*

Presenciar diariamente esse atentado contra a saúde física e emocional de um animal historicamente alçado como paradigma da lealdade aos seres humanos leva-me a refletir que, ao contrário de seres humanos criminosos, os quais uma vez apreendidos pelos agentes policiais são posteriormente julgados, observando-se os trâmites e defesas legais e, somente depois, se condenados, encarcerados, os cães ‘de guarda’ de certas residências e empresas não têm o mesmo direito.

Até porque, o único ‘crime’ que cometeram foi o de confiar em seres humanos!

Humanos?

*  https://www.petlove.com.br/dicas/necessidades-basicas

Sergio Diniz da Costa

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Pensador




Red patent leather shoes

Jane Nash: ‘Red patent leather shoes’

Jane Nash
Jane Nash
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The light of each moment escapes her eyes and drops like Swarovski’s most delicate crystal tears upon the place beneath. The fairy hair of a three year old. She is blond from the summer sun, the northern hemisphere’s winter not yet taken root.  This cherub plays hide and seek, gushing giggles in her wake, nose running in the excitement of small dogs and the colours of soft toys that she grasps. She bumbles her way around the garden dipping into the flowers and she surfaces smiling, pollen smears across her forehead, caught in wisps of that fairy-fine hair. 

From inside, facing out of the window, the shining one watches her granddaughter. Light grey hair mimics the blond as age dares to fly into the space of youth’s newness. There are only a few moments where it’s possible and now is the magic time.

Yesterday there was no traffic. A common place Sunday but today is the day when the truck comes by. One man, one truck and steel clamped arms which snatch at the waste hidden in green plastic bins.

There is a small gate at the front of the garden, leading from the pavement to the front door.  The twisted fashioned iron leaves have been painted green, the roses, red and the fleur-de-lis are painted in gold, a gift from another grandchild during a boring summer’s day whilst on holiday.  In the haste of getting the bin outside onto the pavement, the latch on the gate has not clicked to close.  A little gap invites a small child where gold paint sparkles in the sunlight.  A crown of light haloes the off balance cherub as she makes her way down the path, away from the colour-filled flower beds.  

The steel arms speed down to grab a bin and the child gets closer to the pavement. The sun glints from the lucky coins hanging from the rear-view mirror in the front cab of the truck and the driver sees, out of the corner of his eye, a tiny form making its way to the bins. He looks for an adult in pursuit but there is no one coming and he notices the shine from the red patent leather on her tiny feet. 

This sprite of the Celtic sun sees only rainbows and follows them regardless of the unknown and danger.  A moment of distraction has left her unattended and at the gate’s open invitation, she is unaware of a man in a truck, of bins and a light beginning to intensify as she draws closer to them.  The man opens his window down and shouts “Hello! Is anyone responsible for this child? Hello?”. 

Grandma is inside the house, the water from the taps in the sink covering his voice. When she looks up she sees a dishevelled toy, reminiscent of the pink pig it was when her granddaughter was born and she is comforted, thinking that the child and the pig are rarely separated. Thinking that the little one is safe amongst the flowers, she goes back to washing up the lunch dishes, she moves away from the window to switch on the kettle. 

The man in the truck halts the steel arms and opens the door to return the toddler to the garden but as he descends from the front of the cab, a spear is launched and strikes at the heart of him. He cannot breathe. The pulse in his neck drops into his chest and a band is tightened to crushing. Blood on the pavement pools from his head and the red shoes stand in the red life force.  

She sees rainbows until she sees a light descend from the sky. She sees a spear of light coming from the sky until she sees terrible beauty. She has no reference for such a face and is charmed by its peacefulness. She has no fear. Awkwardly reaching forward over the man’s chest, she grasps hold of the spear and steadies herself. Motionless, she watches him as he writhes and gasps. Dark beauty reaches out to cradle his head but the girl’s little arms instinctively pushes her away.  Urgent footsteps race down the path stopping only in view of the vision which prepares to carry his soul from here to there. Grandmother watches her granddaughter repel the magnificence of wings wishing to enfold a screaming heart. The child doesn’t realise but has the gift and a thousand years of shamanic song and drumming pours from her fingertips as she pulls out the spear and hands it back to the heavenly messenger who stands, stunned at not only the uninformed audacity but also a purity of heart and intent. 

The older woman’s light radiates from her eyes and she places her hands over his heart and watches the girl clumsily return the spear to its celestial owner.  There are rainbows until they see a light ascend to the sky and shoes are no longer smeared with the lifeblood of a man who cared enough to protect a fairy-haired three year old who had escaped from her grandmother’s notice.  

Angels are not beyond forming agreements and a pink pig is replaced that day through the palming of light by the smallest of shamens in red patent shoes.

Jane Nash

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Aquele que abandona o sonhar…

Jacob Kapingala: Poema ‘Aquele que abandona o sonhar…

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O caminhar da vida,
Por vezes é imperceptível.
E a dor que nos acompanha nesta corrida,
Nem sempre é tão visível.

O realizar do tempo e da vida,
Contraria o desejar da nossa alma.
Pois se o tempo estivesse sob a nossa medida,
Jamais a gente perderia a calma.

Cicatrizes são lembranças do que um dia veio a doer!
Daquilo que um dia nos fez chorar.
Aquele que abandona o sonhar, abandona também o viver.
Estagnado numa vida que em frente deseja continuar.

Nunca o sucesso nos veio abraçar,
Sem que a gente o abraçasse primeiro.
Andando de mãos dadas com o sacrifício no olhar,
Tentando dar um passo que seja certeiro.

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.

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