A língua em movimento em Luanda

Fidel Fernando: ‘A língua em movimento em Luanda’

Fidel Fernando
Fidel Fernando
Imagem gerada por IA do Bing – 26 de Março de 2026, às 13:43 AM
Imagem gerada por IA do Bing – 26 de Março de 2026, às 13:43 AM

No contexto angolano, a língua portuguesa, enquanto organismo vivo e dinâmico, evidencia processos contínuos de transformação semântica e pragmática, entre os quais se destaca a ressignificação de formas nominais de tratamento, como ‘Zé’, ‘líder’ e ‘diretor’, largamente utilizadas no quotidiano urbano de Luanda. Este fenômeno revela não apenas adaptações linguísticas, mas também estratégias sociais de interação, identidade e poder, sendo possível analisá-lo à luz da Sociologia da linguagem e da intertextualidade entre práticas sociais e manifestações culturais, incluindo a música.

No quotidiano dos transportes coletivos informais, particularmente nas relações entre taxistas e cobradores (vulgo gerentes), é recorrente ouvir enunciados como: “Zé, no Desvio do Zango, vai ficar” ou “Zé, pára bem o carro, à frente tem polícia”, bem como situações inversas, em que o taxista se dirige ao cobrador com expressões como: “Zé, soube. Vamos pegar lá à frente” ou “Zé, vambazar no 1º de Maio, depois descemos na Mutamba”.

À primeira vista, tais ocorrências podem sugerir uma uniformização nominal, como se todos partilhassem o mesmo nome próprio; contudo, do ponto de vista sociolinguístico, este uso transcende a simples designação individual, funcionando como uma estratégia discursiva de anonimização, que evita a exposição direta dos interlocutores em contextos potencialmente sensíveis.

O antropônimo ‘Zé’ constitui uma forma truncada de ‘José’, fenômeno linguístico conhecido como truncação, amplamente documentado na língua portuguesa, com exemplos como Conceição – São, Francisco – Chico, Antônio – Toni, Joaquim – Quim e Fernando – Nando; todavia, no caso em análise, ‘Zé’ perde a sua função de nome próprio para assumir um valor genérico e funcional, aproximando-se de um marcador de tratamento informal e coletivo.

Esta realidade é reforçada pela cultura popular, nomeadamente pela música, onde o kudurista Mauro K sintetiza tal fenômeno ao afirmar: “Em Luanda, todo mundo é Zé”, evidenciando uma relação intertextual entre discurso artístico e prática social, na qual a música não apenas reflete, mas também legitima e difunde usos linguísticos emergentes.

Paralelamente, observa-se a ressignificação de termos como ‘líder’ e ‘diretor’, tradicionalmente associados ao léxico organizacional e institucional, mas que, nas interações informais, sobretudo comerciais e nas relações de serviço em Angola, passam a ser empregues como formas de tratamento dirigidas a clientes ou potenciais compradores. Dir-se-ia, em outras palavras, que esses termos foram “democratizados” e passaram a ser associados a qualquer indivíduo que ocupe uma posição aparentemente de privilégio, tal como se verifica em enunciados do tipo: “Diretor, escolhe à vontade, vou fazer descontos” ou “Líder, fala… o que vais querer?”.

Esta deslocação semântica sugere uma estratégia de valorização simbólica do interlocutor, conferindo-lhe, ainda que momentaneamente, um estatuto de prestígio que pode influenciar o seu comportamento. Neste sentido, pode-se inferir que o uso de tais formas nominais funciona como recurso persuasivo, visando incentivar a compra ou facilitar a negociação, interpretação que encontra respaldo na perspectiva de Marcos Bagno (2007), segundo a qual “nada na língua é por acaso”, sendo toda escolha linguística orientada por intenções comunicativas e condicionantes sociais.

Deste modo, a ressignificação de ‘Zé’, ‘líder’ e ‘diretor’ evidencia a criatividade linguística dos falantes e a sua capacidade de adaptar o léxico às exigências do contexto sociocultural, demonstrando que a língua portuguesa, em Angola, não se limita a reproduzir normas herdadas, mas reinventa-se, continuamente, nas práticas quotidianas. Longe de constituírem desvios, tais usos revelam a vitalidade da língua e a sua função como instrumento de negociação simbólica, identidade e poder, confirmando que, no espaço social da linguagem, os significados não são fixos, mas construídos e reconstruídos de forma dinâmica, em estreita articulação com as experiências e necessidades dos seus falantes.

Fidel Fernando

Luanda, 26.03.2026

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De Bangladesh ao Jornal ROL, Kali Baral!

Kali Baral traz ao ROL a literatura de Bangladesh, exuberante País do Rio Doce, Terra dos Rios, Mãe Bengal!

Kali Baral
Kali Baral

Kali Baral, natural de Barisal e residindo atualmente em Daca, é uma poetisa e escritora contemporânea de Bangladesh, nascida em 1994.

Possui MBA em Finanças e Bancos e atualmente trabalha como professora.

Desde cedo, demonstrou uma profunda paixão pela literatura e pela criatividade. É reconhecida por sua voz literária singular, que frequentemente explora as experiências femininas, os mundos interiores e as nuances emocionais com sensibilidade e clareza.

Além de escrever, contribui regularmente para publicações nacionais e internacionais e trabalha como designer de capas de livros e ilustradora. Possui também talento para música, pintura e escultura.

Obras Publicadas:

Jolneeli (Poesia, 2023); Chita (Romance, 2024); A Flauta de Raikamal (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2024); O Amigo Vaga-lume de Arushir (Livro de Histórias Infantis, 2025); Roteiro (Contos, 2025); Mágico Colorido (Livro de Histórias Infantis, 2026); Barreira Luminosa (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2026).

Contemplada com o 8º Prêmio Internacional de Poesia Boao 2025 — Jovem Poeta do Ano.

Kali Baral inicia a colaboração ROLiana, com o poema Dopamine, pelo qual transborda inspiração poética!

Dopamine

Imagem gerada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69c4243e-e1e0-83e9-b79a-a4b2b0aaa3e7

Poetry devours my very being; in those moments,
I leave behind the trivial rhythms of life,
immersed in another universe.

Path to the destination-steep, slippery,
yet adorned with beauty.

Thoughts falter in the clouded haze,
yet letters fall, one by one-poetry emerges.
Through ages, letters drift village to village,
flowing past all borders.

Emotions soar to the horizon of the sky.
thoughts plunge so deep,
words thunder with five horsepower.

Nature’s competition to endure the highest gift.

In a quiet voice, I say –
I never wrote poetry with conscious intent ; it arose, flowing through neurotransmittersin the nucleus accumbens

Kali Baral

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Atendimentos nos estabelecimentos comerciais

Renata Barcellos

‘Como tem sido os atendimentos nos estabelecimentos comerciais?’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Imagem gerada por IA Krea – https://www.krea.ai/image

Na atualidade, muitas vezes, o que vivenciamos e presenciamos são casos de falta de empatia, decomprometimento, de respeito … Um exemplo disso são os maus atendimentos nos estabelecimentos comerciais. Dirigimo-nos a uma loja a fim de adquirir algum produto e, geralmente, somos mal recebidos. Uma má vontade em nos atender assustadora. Às vezes, o vendedor chega ao ponto de dizer que não há o solicitado. O que está acontecendo com estes “profissionais”? Nós, clientes, sentimo-nos péssimos. É como se ele estivesse nos prestando um favor. Não seria o contrário? Estes não tem consciência de que se não comprarmos naquele estabelecimento, não haverá emprego?

Cabe ressaltar que para ser um bom profissional é necessário além de formação específica, ser gentil, paciente… Quem lida com o público precisa ter essas habilidades desenvolvidas. Como adquirir um produto se o vendedor não apresenta aquele compatível com seu perfil? No caso de vestimenta, muitas vezes, querem vender apenas. Não se preocupam com a adequação à pessoa. Não exigimos vendedor estilista. Mas, ao menos, alguém que possa ter um outro olhar e nos sugerir algo propício ao nosso biótipo e/ou evento no qual utilizaremo-na.

Dessa forma, o mau atendimento é a principal causa de perda de clientes no Brasil, superando o preço alto. São cerca de 68% a 80% dos consumidores abandonando marcas após experiências ruins. Estudos indicam que 54% a 76% dos clientes nunca mais voltam após um atendimento ruim e apenas 5% a 10% reclamam diretamente na loja.

A nova pesquisa “Atendimento ao Cliente 2025”, realizada pela Hibou, empresa de pesquisa e insights de consumo, com 1.926 consumidores em todo o país, revela que o atendimento já é o 3o fator mais importante na hora de escolher um produto ou serviço, superando até o preço. Esse dado representa um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2023 e comprova que a relação com o cliente passou a ser um diferencial competitivo.

Vejamos as estatísticas e os pontos principais sobre este tema:

Impacto do Mau Atendimento nas Vendas:

Abandono de compra: Até 80% dos consumidores no Brasil desistem de compras devido a problemas no atendimento.

Desistência imediata: 65% dos consumidores desistem de finalizar compras após experiências ruins.
Reincidência: Mais de 70% dos clientes abandonam uma empresa após dois atendimentos ruins.
Relevância na decisão: Para 97% dos brasileiros, a qualidade do atendimento é um fator determinante na compra.

Perda de fidelidade: Cerca de 6 em cada 10 clientes se afastam de empresas após um mau atendimento.

Principais Causas de Mau Atendimento:

1. Despreparo da equipe: 58% dos brasileiros apontam despreparo das empresas para lidar com dúvidas e reclamações.

2. Grosseria: Para 67,1% dos consumidores, a malcriação ou grosseria de um funcionário influencia
negativamente na relação comercial.

3. Falta de empatia/agilidade: 50,1% dos clientes dizem que se o atendimento não for amigável, não há negócio.

4. Canais ineficientes: 48,6% desistem de empresas que não possuem canais de contato eficientes.

Cenário Brasileiro

Ranking negativo: Brasil já ocupou a 5a pior posição em um ranking mundial de satisfação com
atendimento ao cliente.

Baixa aprovação: pesquisas indicam que apenas 11% a 28% dos consumidores brasileiros estão satisfeitos com os serviços de atendimento (SAC).

Disposição para pagar mais: consumidores pagariam até 30% a mais por um produto ou serviço para garantir uma boa experiência de compra.

O que compõe o mau atendimento:

Apatia: funcionários que não demonstram se importar.

Má vontade e frieza: falta de disposição para ajudar.

Robotismo e Desdém: atendimento sem humanização ou desprezível.

Excesso de burocracia: demasiado apego às normas.

O estudo CX Trends 2025, realizado pela Octadesk, plataforma de atendimento da LWSA, em parceria com o Opinion Box, apresenta os principais problemas relatados pelos consumidores:

– produtos ou serviços com qualidade abaixo do esperado (26%)

– entregas atrasadas (24%) ou não realizadas (21%)

– propaganda enganosa (24%)

– problemas no atendimento (20%)

– falta de retorno sobre reclamações e solicitações (18%).

Por isso, muitas lojas estão adotando a prática de, ao término do atendimento, o funcionário ser avaliado. Estamos sendo avaliados e avaliamos a todo o momento. A vida não é um reality show!!!! Estamos sendo vigiados e monitorados 24 horas. Isso é profícuo???

O mau atendimento ao consumidor é protegido pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). É considerado prática abusiva, com direito a indenização por danos morais e materiais, conforme Artigos 6º, 14º e 39º. A recusa de atendimento, informações claras, ou tratamentos vexatórios obrigam a empresa a reparar os danos.

Principais Direitos sobre Mau Atendimento:

• Atendimento Defeituoso (Art. 14): fdornecedor responde por falhas no serviço (informação inadequada, mau tratamento) independentemente de culpa.

• Prática Abusiva (Art. 39): é proibido recusar atendimento ou venda a quem aceita o pronto pagamento.

• Dano Moral (Art. 6º): consumidor tem direito à proteção contra o constrangimento, humi-lhação pública ou tratamento desrespeitoso que viole a dignidade.

• Cumprimento de Oferta (Art. 35): caso a falha no atendimento resulte na não entrega do produto, o cliente pode exigir o cumprimento forçado, outro produto ou desistir da compra com res-tituição.

Procedimentos:

1. Registre TUDO: anote protocolos, datas, nomes dos atendentes, tire fotos ou faça vídeos.

2. Reclame Formalmente: use o consumidor.gov.br, PROCON ou sites de queixa.

3. Ação Judicial: em casos graves de dano moral (constrangimento/humilhação), é possível entrar com ação no Juizado Especial Cível (pequenas causas), muitas vezes sem custos, para pedir indenização.

Renata Barcellos

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Caio Fernando Abreu e o Van Gogh da minha mulher

Eduardo Cesario-Martínez

‘Caio Fernando Abreu e o Van Gogh da minha mulher’

Eduardo Cesarino-Martínez. Foto por Irene Oliveira
Eduardo Cesario-Martínez
Foto por Irene Oliveira
Eduardo Cesarino-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez – Foto Irene Araújo

Eis que estava aqui no aconchego da sala admirando a réplica quase original de ‘Os Lírios’, famoso quadro de Van Gogh, quando a minha esposa, a Dona Irene, me despertou do transe:

– Amor, você acredita que o Caio Fernando Abreu morou aqui no nosso apartamento?

Levo alguns míseros segundos para concatenar as ideias aqui na cachola, que ainda estava presa a 1889, ano em que aquele Vincent, em momento de profunda inspiração, saiu do amarelo e atiçou a tela com verde e azul.

            — Sério?

            — Sério!

            — Não acredito!

            — Pois acredite!

            Antes de prosseguirmos nessa discussão, que já bem sei quem vai vencer, haja vista todas as anteriores e, certamente, as futuras, minha mulher me esfrega na cara a certidão vintenária. 

            — Tá vendo?

            — O quê?

            — Aqui, ó, seu bocó!

            Como não encontro o nome do Caio Fernando, a Dona Irene me explica que ele havia comprado o apartamento no nome dos pais. Aliás, até quem vendeu a propriedade para o famoso escritor foi o Leozinho, que ainda mora aqui no prédio. Mesmo assim, ainda era difícil acreditar nessa história, por mais que eu desejasse. Isto é, até que a minha esposa, em um gran finale, me mostra uma fotografia do Caio Fernando aqui na nossa sala, posando próximo à janela. Touché! Não é que ela estava certa?

            Volto a olhar o Van Gogh preso à parede, mas a minha mente viaja até a crônica “A Morte dos Girassóis”, do Caio Fernando. Apesar de não ser um grande conhecedor de sua obra, já li e reli esse belo texto algumas vezes ao longo dos anos. Meu devaneio me transporta para uma suposta relação entre a crônica e o quadro. Nada a ver ou, ao menos, não consigo vislumbrar qualquer paralelo entre os dois. Insisto, mas logo deixo de lado tal tese.

            Algo me perturba. Lembro que o Caio Fernando e eu ocupamos o mesmo espaço, mesmo que em épocas distintas. Será que ele escreveu algum conto ou crônica ou sei lá o quê cá onde estou? Bah! Aqui estou eu, carioca, me fazendo de gaúcho, tamanha a perplexidade que me domina. 

            Inquieto, preciso tomar um ar. Convido minha amada para beber um café na esquina. Já na portaria, olho a Getúlio. Em frente, o movimento no Bar do Vavá anuncia que hoje tem Colorado. 

Eduardo Cesario-Martínez

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Marginal Direita do Rio Sorocaba

Manifestação reúne coletivos, acadêmicos e indígenas contra projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro
Manifestação contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba, em 21 de março de 2026 - Foto por Carlos Cavalheiro
Manifestação contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba – Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Manifestação realizada na manhã do último dia 21 de março, em Sorocaba, reuniu ativistas, acadêmicos, lideranças indígenas e representantes do poder público em um ato contra o projeto de construção da chamada Marginal Direita do Rio Sorocaba. O encontro ocorreu nas proximidades da antiga Usina Cultural, junto à ponte Padre Madureira, e foi marcado por uma roda de conversa voltada à conscientização ambiental e à valorização do rio.

A mobilização contou com a presença da vereadora Fernanda Garcia, além dos acadêmicos Reinaldo Galhardo, Adilene Ferreira Carvalho Cavalheiro e Carlos Carvalho Cavalheiro, este último doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (Uniso) e bolsista do CNPq, vinculado ao Observatório de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, com pesquisas voltadas a múltiplas leituras sobre o Rio Sorocaba.

William Karaipopygua , líder da Aldeia indígena Guarani Gwyra Pepo. Foto: Carlos Carvalho Cavalheiro.

Um dos pontos centrais do encontro foi a participação de indígenas da etnia Guarani Mbya, vindos da Aldeia Guarani Gwyra Pepo, sob a liderança de William Karaipopygua. Contatados pelo jornalista Rafael Franco, os indígenas guarani fizeram questão de participar do movimento. Em uma roda de conversa iniciada por volta das 10h30 e estendida até aproximadamente 12h30, os participantes compartilharam reflexões sobre ancestralidade, espiritualidade e a relação de cuidado com a natureza, destacando a importância da preservação dos biomas e dos recursos hídricos.

Organizado pelo coletivo Justiça Climática em parceria com a organização Floresta Cultural, o ato também contou com a presença de outros grupos e movimentos sociais, como Evolução Sustentável, Resistência Sorocaba, Movimento Negro, Raízes de Sorocaba e Fruto Urbano, ampliando o caráter plural da mobilização.

De acordo com os organizadores, o evento foi motivado pela preocupação com os impactos ambientais do projeto da Marginal Direita, que prevê a supressão de uma área significativa de vegetação — estimada em cerca de 80 mil metros quadrados —, além de possíveis consequências como o aumento de enchentes e a intensificação de ilhas de calor na cidade.

Divulgado nas redes sociais com o lema “O futuro é ancestral”, o encontro também teve caráter solidário, com arrecadação de mantimentos destinados à comunidade indígena participante.

Para os presentes, a manifestação representou mais do que um ato de resistência: foi um espaço de escuta, troca de saberes e construção coletiva de consciência ambiental. Ao trazer à centralidade as vozes indígenas e o conhecimento ancestral, o evento reforçou a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento urbano e de fortalecer iniciativas que conciliem crescimento com preservação.

Carlos Carvalho Cavalheiro

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O canto d’aurora

Zé Franco: Poema ‘O canto d’aurora’

Ze Franco
Zé Franco
Imagem gerada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69c3d6a6-1654-83e9-8426-8b40c89b5fb3
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c3d6a6-1654-83e9-8426-8b40c89b5fb3

Às madrugadas de madrugadas
sem abalroares d´águas sobre o chão
Acorda vivos, caminhantes e esperanças
Tom´almas, corações, se faz canção.

Habita inarrendável sobre as vidas
Embrenh´almas por furos de tetos
dá luz aos sonhos desacordados
Ao além, prenuncia partidas.

Ao pé do madrugar, som às trilhas de amores
manta às almas sob marasmos
Encontra poesias de poetas.

Espera de terras aos homens sobre mares
Buscando a vida, excita caminhantes intrépidos
Alvorece canções nas almas de poetisas.

Zé Franco

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Camadas

Loide Afonso: Poema ‘Camadas’

Loid Portugal
Loid Portugal
imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c2f0cf-7d10-83e9-94db-58a417985da3

Saber o que se quer
Primeiro
É melhor do que se desprender.
Caçar, é muito mais
Que ir devagar
Pescar,
Os barcos andam
Com vontade de correr, eu os vejo
Saltarem sobre as ondas
Como se
Com os peixes
Quisessem competir,
Madrugada não foi feita pra pular
Saltar, durma
Descanse oh, minha mente dormente!
Entre frio e quente
Prefiro abraçar quem
Sente.

Loid Portugal

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