Vaso valioso

‘Vaso Valioso’: Poema de Guilherme Machado

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Fotografia em ambiente externo com iluminação calorosa de pôr do sol. Um homem de pele clara, cabelos curtos grisalhos nas laterais, barba aparada e um pequeno piercing no nariz está sentado em um banco de madeira rustico em um jardim repleto de flores e vegetação. Ele veste uma blusa de manga longa verde-oliva e segura com carinho um vaso de cerâmica restaurado com a técnica kintsugi, exibindo fendas douradas, de onde brotam pequenas flores delicadas. Ao seu lado no banco, há um caderno de anotações fechado e uma Bíblia. Ele olha serenamente para o horizonte, onde a luz do sol desponta no céu.
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“Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso!
Não se apavore nem desanime.”
Mais do que um aluno, um amigo querido, gentil e amoroso.
Nunca permita que a dor do passado te subestime.

Aos olhos de Deus, és vaso valioso.
Mesmo quando não consegues perceber.
Feito por suas mãos, és único e precioso.
Há muito em sua história que ainda há de florescer.

As marcas no vaso não apagam seu valor,
Nem tudo que se quebra precisa terminar.
Há cicatrizes que se transformam em amor,
Quando Deus usa nossa história para alguém alcançar.

Mesmo marcado, o vaso atravessou a dor,
Pois há propósito nas marcas que o tempo deixou.
Cada cicatriz pode transformar-se em louvor,
E revelar o cuidado de Quem nunca te abandonou.

O ontem não precisa definir quem você será,
Aquilo que feriu também pode ensinar.
Talvez ainda não percebas a importância que tua vida já tem,
Nem quantos encontrarão esperança no caminho que você trilhar.
Eu posso ver no horizonte a glória de Deus se manifestar.
E, pela fé, declaro: você ficará bem.

Mude o referencial para sua dor ressignificar.
E saberás que fizeste parte de algo importante.
Do que um dia te prendeu, ainda irás testemunhar:
“Aquele que começou a boa obra há de completá-la adiante.”

Em homenagem a Murilo Scottini

Guilherme Machado

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Canción en la franja estéril

Poema de Mario Antonio Rosa

Mario Antonio Rosa
Mario Antonio Rosa
Pintura al óleo de un paisaje desértico y estéril con una pequeña flor silvestre naciendo de una grieta en la tierra seca bajo el sol poniente, que ilustra el poema 'Canción en la franja estéril' de Mario Antonio Rosa.
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“En Palestina, los árboles cuentan una historia de opresión.”
(Paola Caridi – La morera de Jerusalén

Siempre es volver,
escribir callado, rayando en los aguaceros,
el pecho de luto y su vocal de agua,
el hastío, y su mar en llagas.

Siempre es quedar herido
abrir la roca encontrada de gritos
la noche de niño más cerca de las lanzas
el horno destruido sin comida
nadie tiene nada
los colonos trajeron a su dios y vomitaron
echaron espigas regadas con fiebre
se robaron la aurora y celebraron.

La línea de cadáveres,
muerte contra muerte hasta la lejanía
como una vieja casa, crujida en cruces
que en realidad parecen sombras
donde el mundo acaba a cada día y vuelve
con la cara de otra nueva sangre.

Olvidé llorar,
me he quedado recibiendo balas
ropajes agrios, hambres de otros,
Me he quedado con las madres heridas
curtidas de llanto, arcos desmayados
paso cerca de la tumba en el sicomoro
del hombre que no pudo vivir,
porque alguna vez fue palestino ante el sol
y le arrebataron la sombra y el aire
yo diría que hasta la muerte, uno se olvida de llorar,
y se arrodilla en las buenas semillas
que paren las arterias del cielo, y la morera,
al menos un relato de vástagos
la fortaleza de la noche en su sangrado de plata

la suimanga
que riega el sonido de los horizontes
y que ya, es mi eco para conocer la sed.

Siempre se vuelve,
a pisar los escombros escritos por el abuso
a olvidarse de las oraciones

solo tomar la granada
y perderse junto al fuego.

Mario Antonio Rosa

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Christian Tămaș

Cristina Rhea

‘Entrevista com o escritor, tradutor e pesquisador romeno Christian Tămaș’

Logotipo da seção Entrevistas ROLianas
Logotipo da seção Entrevistas ROLianas

“O que me preocupa, na verdade, é a busca por um caminho de retorno do ser humano às suas realidades e valores últimos, cada vez mais sufocados pela arrogância megalomaníaca do homem contemporâneo.” (Christian Tămaș)

Crhistian Tamas - Arquivo pessoal
Christian Tămaș – Arquivo pessoal

Queridos amigos, tenho a grande alegria e a honra de dar continuidade à minha série de entrevistas na maravilhosa revista Jornal Cultural ROL, com trechos da minha entrevista com o ilustre escritor, tradutor e pesquisador romeno Christian Tămaș.

É escritor, filósofo, orientalista e tradutor de oito línguas estrangeiras (árabe, francês, inglês, italiano, espanhol, português, catalão e irlandês), consultor de Ciências Humanas do IBC – Cambridge (Reino Unido) e pesquisador da Universidade „Al. I. Cuza“, em Iași (Romênia), além de professor de língua e civilização árabe no Centro Cultural Árabe de Iași (Romênia).

Christian Tămaș é Doutor “Magna cum laude” em Filosofia, com a tese “Estratégias de comunicação no Alcorão”. As línguas estrangeiras nas quais atua como tradutor são: árabe, francês, espanhol, italiano, português, catalão, inglês e irlandês (celta).

Também é membro da União dos Escritores da Romênia.

Capa do livro ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (Editora Pro Universitaria, 2013
Capa do livro ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (Editora Pro Universitaria, 2013

A entrevista foi publicada no meu quarto livro de entrevistas, ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (Editora Pro Universitaria, 2013).

O volume contém 32 entrevistas com 29 personalidades culturais e sociopolíticas da Romênia contemporânea, nas quais analiso diversos aspectos da vida política, socioeconômica e cultural da Romênia, bem como as formas pelas quais esses aspectos foram afetados pela ideologia comunista e pela transição para a democracia após 1989.

Os temas abordados nessas entrevistas tratam da ideia de nação romena e do destino do povo romeno nos planos cultural, social, histórico e político, analisando o processo do comunismo na Romênia, o período de transição pós-comunista e o período da monarquia constitucional romena.

Nascido em 13 de novembro de 1964, o escritor, tradutor e pesquisador romeno Christian Tămaș é uma personalidade única no âmbito da cultura romena.

Sua obra é abrangente e inclui: trabalhos especializados (livros); artigos e estudos; trabalhos apresentados em conferências, congressos e colóquios nacionais e internacionais; prefácios, estudos introdutórios, notas e comentários, organização e preparação de edições; traduções (livros); além de numerosos artigos, resenhas e traduções publicados em periódicos culturais romenos e internacionais.

Parte de seus trabalhos foi incluída em dicionários e obras de referência biobibliográficas de instituições internacionais especializadas (Centre for Translations and Textual Studies, Irish Research Council for Humanities and Social Sciences, Dublin, Irlanda; International Biographical Centre, Cambridge, Reino Unido; American Biographical Institute, Raleigh, Carolina do Norte, EUA).

Além disso, Christian Tămaș recebeu importantes prêmios nacionais (Prêmio da União dos Escritores da Romênia – Filial de Iași, Romênia, 2008; Prêmio de Tradução do Festival Internacional „Lucian Blaga”, Alba Iulia, Romênia, 2011) e internacionais (Prix Na‘man, Beirute, Líbano, 2007; Medalha de Ouro por Excelência Intelectual, Lima, Peru, 2012).

Sempre que nos encontramos, tive o mesmo sentimento: o de que qualquer diálogo com Christian Tămaș é único e, depois de apenas alguns minutos de conversa, transforma-se em um verdadeiro colóquio espiritual, no qual você, como ouvinte, assiste, mudo de assombro, à essência conflituosa/benéfica dos temas mais debatidos do mundo contemporâneo: o mundo árabe, o cristianismo, o espaço ocidental, os horizontes transcendentais, a sacralidade, a modernidade, a comunicação religiosa, a condição humana, o neopaganismo contemporâneo, a ideologia, a sociedade pluralista, a hegemonia mundial, o comunismo e o capitalismo.

Convido vocês a lerem trechos da entrevista a seguir, realizada em 2013, na qual analisamos grande parte desses temas fundamentais do mundo contemporâneo.

Rh. C.: O intelectualidade romena corre atualmente o risco de ser eliminada do cenário social e político da sociedade?

Ch. T.: A intelectualidade romena, infelizmente, já foi eliminada dos cenários aos quais o senhor se refere. E aqui me refiro ao verdadeiro intelectual, não àquele que possui um diploma de ensino superior. Mas isso é uma consequência natural da falta de clareza e de visão que a sociedade romena enfrenta em seu conjunto. E isso, por sua vez, é consequência do choque representado pela Revolução de 1989, uma mudança brusca e radical de uma maneira de compreender o mundo, por assim dizer, para outra, diametralmente oposta. Mais ou menos como na história de Abu Hasan, que certa manhã acordou califa.

Em nosso país, o comunismo deixou marcas profundas, por meio de uma “nivelização pela base” da sociedade, da destruição sistemática da individualidade e do deslocamento da atenção desta para a comunidade — mas não de uma comunidade entendida como o conjunto das individualidades de seus membros, e sim como uma multidão amorfa. É claro que os outros povos da Europa Central e Oriental que compartilharam nosso destino também passaram por isso, mas a tradição e a experiência pré-comunistas às quais me referi em determinado momento fizeram com que as sequelas do totalitarismo assumissem uma gravidade diferente em cada caso.

Ora, se o intelectual tem seu lugar (e sua razão de ser) no seio da comunidade, ele se torna um elemento negligenciável aos olhos de pessoas manipuladas e impedidas de desenvolver plenamente sua individualidade.

Rh. C.: O que significa o tipo de pesquisa científica que o senhor propunha, em 2013, no plano europeu e mundial?

Ch. T.: Não saberia dizer o que isso significa. Poderia, entretanto, dizer para onde ela se dirige: para o conhecimento da realidade do “outro”, tal como ela é, sem distorções nem preconceitos, com o objetivo de estabelecer uma base para o diálogo e a compreensão entre os seres humanos. É para isso que se voltam minhas preocupações e pesquisas das últimas décadas, não apenas desde 2009, ano de minha chegada à Universidade “Alexandru Ioan Cuza”, em Iași, e é também para isso que continuarão voltadas no futuro.

O que me preocupa, na verdade, é a busca por um caminho de retorno do ser humano às suas realidades e valores últimos, cada vez mais sufocados pela arrogância megalomaníaca do homem contemporâneo, para parafrasear o filósofo espanhol Milán-Puelles, que nos torna prisioneiros de uma autossuficiência cada vez mais desprovida de horizontes transcendentais.

Sinto que essa é a missão que me foi confiada e que me esforço para levar a bom termo, dentro das minhas possibilidades.

Rh. C.: Quais são as diretrizes que definem e a situação profissional do escritor/pesquisador romeno? Um bastardo da Europa? A elite intelectual europeia?

Ch. T.: É difícil definir as diretrizes que caracterizam o escritor ou pesquisador romeno. Isso depende de cada indivíduo, de seu horizonte, de seus ideais e dos objetivos concretos que estabelece para si. Em essência, elas são — ou deveriam ser — as mesmas de todos os escritores ou pesquisadores do mundo.

Em uma sociedade normal, plenamente “estruturada”, depende em grande medida dele tornar-se um “bastardo” ou um membro da “elite” intelectual de um país ou de um continente. Depende dele e da maneira como sabe compreender e assumir a missão que lhe cabe neste mundo.

Quanto à sua situação profissional, ela está longe de ser invejável, pois parece que, em nosso país, se confirmam as palavras do Salvador, que dizia que “ninguém é profeta em sua própria terra”. A falta de transcendência de nosso universo interior e exterior nos dota, enquanto sociedade, de umas formidáveis viseiras que nos impedem de enxergar além do estreito campo de visão que nos é imposto. Daí também a crescente falta de apetite por tudo aquilo que significa cultura e educação.

Rh. C.: O comunismo tentou minar a identidade cultural da Europa Oriental. O que a Romênia trouxe de novo e o que preservou, nesse espaço geográfico, especialmente no que diz respeito à cultura?

Ch. T.: Em primeiro lugar, não acredito que se possa falar de uma identidade cultural stricto sensu da Europa Oriental anterior ao comunismo. Os povos dessa região provêm de duas vertentes da espiritualidade e, consequentemente, da cultura cristã: a católico-protestante, de um lado, e a ortodoxa, de outro, que evoluíram de maneiras bastante diferentes.

O comunismo procurou minar, ideologicamente falando, as características dos povos sobre os quais estendeu seu domínio, tentando nivelar as diferenças sob as esteiras do totalitarismo, mas não conseguiu. Os povos dessa região da Europa permaneceram os mesmos, assim como suas mentalidades.

É difícil dizer o que a Romênia trouxe de novo. Quanto ao que preservou, manteve suas tradições e sua língua, que somente agora correm o risco de se perder. É um paradoxo, sem dúvida, mas apenas aparentemente. A falta de liberdade, em seu sentido absoluto, destrói as almas; a liberdade as rouba.

Rh. C.: A escola romena tem futuro?

Ch. T.: Qualquer discussão a respeito da “Escola romena” (que não consigo deixar de comparar, quase por reflexo, com a situação da educação nos demais países europeus) me faz pensar em uma pintura do artista alemão do século XVI, Hans Baldung Grien, intitulada “As Três Idades do Homem”.

Ali, à esquerda, aparece uma mulher nua, jovem e bela — a “escola” europeia, na minha visão, ou a “escola” como ela deveria ser —, enquanto, no centro, aparece uma mulher também nua, mas enrugada e descarnada, cujos ossos são mantidos unidos apenas pela pele; atrás dela está a morte, olhando por cima de seu ombro: a “escola” romena e seu futuro. É a resposta mais direta que posso lhe dar.

Rh. C.: Qual é a importância da cultura do Leste para a Europa?

Ch. T.: É muito importante, pois reflete as mentalidades, as ideias e as tradições de povos que sempre fizeram parte desse espaço cultural, que professaram a mesma religião cristã, compartilharam os mesmos tipos de valores e enfrentaram ameaças comuns ao longo da história.

Apesar dos conflitos de todos os tipos e das duas guerras devastadoras do século passado, a Europa, seja Ocidental ou Oriental, do ponto de vista espiritual ou ideológico, sempre constituiu uma comunidade circunscrita ao mesmo espaço interior que seus povos foram destinados — ou condenados — a administrar da melhor maneira que conseguiram.

Rh. C.: Em que consistiu o naufrágio do regime comunista na Romênia? Foi semelhante ao dos países da Europa Oriental? Quais são atualmente os grandes sofrimentos do povo romeno e os perigos que a Romênia enfrenta (no plano europeu e mundial — refiro-me sobretudo às alianças político-econômicas e à invasão da religião na vida da sociedade)?

Ch. T.: O comunismo foi, desde o início, uma utopia no sentido mais pleno da palavra e, por isso, fracassou tanto na Romênia quanto nos demais Estados europeus. E as causas de seu naufrágio foram mais ou menos as mesmas. Talvez tenham diferido apenas as nuances, não a essência.

O grande fracasso do comunismo, que também provocou sua queda, foi o econômico, fato que desencadeou uma reação em cadeia. O rebanho, se não recebe alimento, dispersa-se.

Quanto aos sofrimentos do povo romeno, sobretudo no plano europeu, acredito que eles gravitam em torno de uma crise de identidade. A velocidade das mudanças na Europa nas últimas duas décadas talvez seja um pouco rápida demais para nós, acostumados, quase geneticamente, a outro ritmo e a outra maneira de vivenciar a passagem do tempo.

Quanto aos perigos determinados pelas alianças político-econômicas, eles são os mesmos que dizem respeito aos nossos aliados: crises econômicas, conflitos internacionais…

O maior perigo vem de dentro, de nós mesmos, por assim dizer, da falta de coerência que marca nossas ações. Esse é o maior perigo que se manifesta, em um nível mais elevado, por meio da crise de identidade mencionada anteriormente.

E ele não está relacionado a uma invasão da religião na vida da sociedade, mas, ao contrário, ao seu afastamento ou, melhor dizendo, ao fato de a religião estar sendo empurrada para as margens da sociedade. A invasão à qual você se refere é apenas aparente e está relacionada, na melhor das hipóteses, a aspectos formais, ritualísticos, e não às essências. A exacerbação do ritualismo no âmbito de uma religião constitui um sinal clínico de sua morte.

A presença da religião na vida de uma sociedade, seja aqui ou em qualquer outro lugar, não diz respeito ao que você faz quando vai à igreja, mas ao que faz fora dela; em outras palavras, à maneira como você entende que deve viver efetivamente aquilo que professa.

Rh. C.: O que os seres humanos representam para o senhor? Eles nascem necessariamente com alma e consciência?

Ch. T.: O ser humano é uma criação de Deus, de quem recebe tanto a alma quanto a consciência. Ele nasce, portanto, bom, com alma e consciência, que conserva até o fim de sua existência. O que acontece com ele ao longo de sua existência terrena depende, em ordem cronológica, em grande medida, de uma série de fatores sociais presentes em seu entorno imediato, que condicionam seu desenvolvimento: os pais, os educadores, os amigos, a sociedade.

Por ser uma criação de Deus, assim como eu também sou, o ser humano é meu semelhante, é uma alteridade na qual eu me reconheço.

Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. Todos los derechos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com  

Rhea Cristina

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¿Por qué lo que vino literariamente después del Boom no fue tan exitoso?

Alexander Anchia Vindas

‘¿Por qué lo que vino literariamente después del Boom no fue tan exitoso?’

Alexander Anchía Vindas
Alexander Anchía Vindas
Um jovem de perfil, usando camiseta verde, está sentado em uma escrivaninha estudando e escrevendo. À sua direita, livros abertos flutuam no ar de forma surrealista. O quarto tem papel de parede estampado, uma estante ao fundo com bichos de pelúcia, materiais escolares e uma lousa branca com anotações em inglês.
Fonte da imagem: Pixabay.com

Introducción

El fenómeno literario conocido como “El Boom Latinoamericano” parte la historiografía de la literatura en dos partes cual si fuera la historia Antes o Después de Cristo para el mundo con una cosmovisión occidental.

No obstante, antes del “Boom” ya existía una identidad, ya existía un canon de obras, ya existía una cosmovisión latinoamericanista de la realidad. Tal consolidación se comenzó a gestar incluso desde antes de las Independencias con autores latinoamericanos inmersos en la Literatura Española tales como: Garcilaso de la Vega, Sor Juana Inés de la Cruz, Ruiz de Alarcón y Leopoldo Lugonés por citar algunos de ellos.

Seguidamente con el romanticismo latinoamericano, por ejemplo, la novela María de Jorge Issacs, luego el naturalismo y realismo con otras obras, hasta que se consolidó el Realismo Mágico base previa para el Boom
Pero si fue durante el Boom el que le concedió un foco mediático a la literatura Latinoamericana.

¿Qué es el Boom?

El Boom Latinoamericano fue un fenómeno literario que surgió en la década de 1960 y se consolidó en los años 70 y se extendió en sus postrimerías hasta entrada la década del 2000 con sus últimos autores. Se caracterizó por la difusión internacional de la narrativa latinoamericana. Se trató de un movimiento editorial y cultural que permitió que escritores de la región alcanzaran reconocimiento mundial, transformando la percepción de la literatura en español.

El Boom se originó por varios factores:

La modernización editorial en Europa y América, que facilitó la publicación y traducción de obras.

El interés creciente en realidades políticas y sociales de América Latina, en un contexto de dictaduras, revoluciones y tensiones de la Guerra Fría.

La aparición de nuevas técnicas narrativas influenciadas por el modernismo europeo y el realismo mágico.

Los autores del Boom están plenamente identificados pero el Boom fue un fenómeno editorial, una brillante idea de editores en España que ayudaron a consolidar una literatura muy diversa e importante que se venía produciendo en el lado Oeste del Atlántico. Sin la labor de Carmen Balcells y editores como Carlos Barral, la narrativa latinoamericana difícilmente habría alcanzado la proyección mundial que logró en los años 60 y 70.

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El Post boom

Surgió como respuesta y evolución del Boom, principalmente se dio a partir de los años 90s. y algunos de ellos permanecen hasta nuestros días. Estos movimientos se caracterizaron por diversificar las voces, simplificar las estructuras narrativas y abrir espacio a temas antes marginales. Los temas y motivaciones han variado.

Algunos de esos movimientos del Post boom son: Macondo, narrativa histórica, literatura de migraciones, sexualidad y marginalidad, experimental, narcotráfico y novela negra latinoamericana.

Autores hay muchos, pero por citar a algunos autores sobresalientes en diferentes épocas algunos con actualidad previa a la llegada del siglo XXI y otros que permanecen hasta nuestros días se puede citar a Roberto Bolaño, Cesar Ayra, Isabel Allende, Laura Esquivel Álvaro Mutis, Jorge Bucay, Fernando Vallejo, Mario Bellatin, Jorge Volpi, Daniel Sada, Cristina Rivera Garza y Juan Villoro.

No obstante, si en esencia la literatura latinoamericana continuaba con su intensidad de conflictos, su maestría a contar historias, su rigor literario y su vocación de mantener una narrativa-cosmovisión latinoamericanista ¿Por qué decayó su atención?

Evidentemente después del año 2000 al concatenarse también con el fallecimiento paulatino de las figuras del Boom, no es posible otorgar a una única razón la desaparición del foco mediático mundial sobre la literatura latinoamericana.

Particularmente el autor de esta pequeña reflexión se atreverá a señalar varias razones para esa desaparición del foco mediático sobre la literatura interamericana:

a) Fallecimiento de las figuras del Boom. Evidentemente si un movimiento se centró en algunos de esos autores, una de las razones es su desaparición paulatina. Los nuevos autores no han superado; o, no han logrado cautivar a los lectores lo suficiente, tal como lo hicieron los autores del Boom.

b) Los movimientos del Post boom han sido más localistas, menos coordinados en el tiempo y generaron menor uniformidad en cuanto a estilo y tramas. Los autores tendieron a aislarse, y esos movimientos no tuvieron homogeneidad en cuanto a sus orígenes, postulados literarios y fechas.

c) La tecnología modificó las formas de acercarse a la lectura. Evidentemente la incursión de leer libros en línea con formatos como e-pub, pdf. El uso de tables y la incursión del libro electrónicos o audio libros, generó en ciertas generaciones alejamiento de la lectura al no comprender el uso de esos dispositivos y tipos de archivos. En tanto tampoco para las generaciones de Y o Z, tales dispositivos no derivaron en un aumento masivo de la lectura

d) El ciudadano posmoderno es más “light” en cuanto a sus gustos y preferencias: Tal como lo esbozó Zygmunt Bauman en su libro de la modernidad líquida o posmodernidad. Como lo dijo luego Vargas Llosa en su ensayo de la Civilización del Espectáculo, pasamos a un tipo de ciudadano del mundo, menos consciente, individualista y conformista con una literatura más light; o una ausencia total de la lectura. El ciudadano posmoderno estudiado tiende a ser más tecnócrata y enfocado más en su campo directo de trabajo, privándose del resto de lo que ocurre a su alrededor

e) Algunas propuestas fueron pensadas más para un ciudadano más light y no lograron universalizarse, tal como en el caso de la novela de narcotráfico que al pensarse para guiones de película o telenovelas latinoamericanas no derivó en universalización.

Conclusión

La literatura latinoamericana cuenta actualmente con una identidad consolidada, cuenta con una propuesta conocida, con una reinvención en curso; no significa que al no tener el foco mediático no sea una literatura exitosa. Actualmente la literatura hispanoamericana se debate entre un crecimiento propio, acorde a su historia previa de rigor, estética, principios y valores como lo fue otrora a lo largo de sus distintas épocas y conocimientos.

O, por una propuesta más inmediata que responda más al tipo de ciudadano promedio de la posmodernidad, el cual busca textos más inmediatos, ojalá algunos de ellos se puedan entender desde el teatro, el cine o la televisión.

Alexander Anchia Vindas

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Reflections

Cecilia Morris: Poem ‘Reflections’

Cecília Morris
Cecilia Morris
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‘I’m a dinkum Aussie poet,
And I don’t care who knows it.’
(Les Murray)

I listen to you recite poetry
follow footsteps to your shack
with its fading paint.
You talk of family history.

The screen door bangs,
we walk through tall wallaby grass
pace your land.

Blue-tongue lizards
shelter among leaf litter,
hiss as we pass down the street
so wide once for bullock carts.

The Northerly buffets us
outside the mechanics hall,
by the war memorial,

We move to the lagoon,
watch eels slide quickly past.

The closest thing to poetry
is the moon, you say.

I am grounded, in Melbourne,
where one house is pressed
against the next.

I wander outside
into a clear night,
lit by a full moon.
Not the wide luminous moon
Of your heartland,
But still it draws me out

We share the night.

Cecilia Morris

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Agosto e as três dimensões da minha vocação

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Agosto e as três dimensões da minha vocação:
Filosofia, Patrimônio Histórico e História

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Agosto reúne três datas que traduzem uma parte essencial da minha trajetória: Filosofia, Patrimônio Histórico e História. Neste artigo especial, reflito sobre o significado de ser filósofo, historiador e profissional dedicado à preservação da memória e da cultura. Imagem criada por IA. 

Resumo

O presente artigo apresenta uma reflexão sobre três datas comemorativas do mês de agosto no Brasil: o Dia do Filósofo, celebrado em 16 de agosto; o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto; e o Dia Nacional do Historiador, comemorado em 19 de agosto. Mais do que abordar a origem e a importância dessas efemérides, o texto estabelece relações entre essas áreas do conhecimento e a trajetória acadêmica e profissional do autor, que encontrou na Filosofia, no Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural e na História campos de estudo, pesquisa e atuação profundamente vinculados à sua identidade intelectual.

Discute-se o papel do filósofo como agente da reflexão crítica; do profissional dedicado ao patrimônio como responsável pela valorização, preservação e transmissão da memória cultural; e do historiador como pesquisador e intérprete das experiências humanas no tempo. O artigo defende que essas três áreas constituem dimensões complementares de uma mesma missão: pensar, preservar e compreender a trajetória da humanidade.

Palavras-chave: Filosofia; Patrimônio Histórico; História; Memória; Cultura; Preservação.

1 Introdução

O calendário é composto por datas que ultrapassam a simples função de marcar a passagem do tempo. Algumas efemérides possuem a capacidade de despertar reflexões sobre profissionais, acontecimentos, instituições e áreas do conhecimento que desempenham papel fundamental na construção da sociedade.

O mês de agosto apresenta, particularmente, três datas que possuem profundo significado para minha trajetória acadêmica e profissional: o dia 16 de agosto, tradicionalmente celebrado no Brasil como Dia do Filósofo; o dia 17 de agosto, dedicado ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico; e o dia 19 de agosto, instituído como Dia Nacional do Historiador. O Dia Nacional do Patrimônio Histórico é celebrado desde 1998, em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Já o Dia Nacional do Historiador foi instituído pela Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009, em referência ao nascimento de Joaquim Nabuco, ocorrido em 19 de agosto de 1849.

A proximidade dessas três celebrações chama a atenção para a relação entre pensamento, memória e conhecimento histórico. A Filosofia estimula o ser humano a questionar, refletir e buscar compreender a realidade; o Patrimônio Histórico e Cultural permite preservar os testemunhos materiais e imateriais das sociedades; e a História procura investigar, interpretar e compreender as experiências humanas ao longo do tempo.

Não se trata, portanto, de três campos isolados. Ao contrário, Filosofia, Patrimônio e História estabelecem um diálogo permanente. A Filosofia contribui para problematizar os conceitos de memória, identidade, cultura e preservação; o Patrimônio oferece vestígios, objetos, lugares e práticas que materializam a experiência histórica; e a História interpreta esses testemunhos, situando-os em seus contextos sociais, políticos e culturais.

Essa relação possui, para mim, uma dimensão ainda mais significativa. São justamente essas áreas que escolhi abraçar ao longo de minha trajetória de formação e atuação. Concluí graduações em História e Filosofia e, posteriormente, busquei diversas especializações relacionadas à História, à Filosofia, ao Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural e a outras áreas das Ciências Humanas.

Mais do que formações acadêmicas, esses campos representam grandes paixões e compromissos pessoais. Eles orientam minha maneira de compreender o mundo, de interpretar a experiência humana e de participar da preservação dos bens que constituem a memória coletiva.

Este artigo pretende, assim, apresentar uma reflexão sobre essas três áreas, destacando sua origem, sua importância social e sua contribuição para a preservação da memória e para a compreensão do ser humano. Busca-se também demonstrar que pensar, preservar e interpretar são ações profundamente relacionadas e indispensáveis à formação de uma sociedade consciente de sua história e de sua responsabilidade perante as gerações futuras.

2 O Dia do Filósofo e a importância do pensamento

O dia 16 de agosto é tradicionalmente celebrado no Brasil como o Dia do Filósofo. A data é dedicada aos profissionais e estudiosos da Filosofia, área do conhecimento voltada à investigação de questões relacionadas à existência, ao conhecimento, à ética, à moral, à política, à verdade e aos fundamentos do pensamento humano.

A escolha da data costuma ser associada ao nascimento de Platão, um dos mais importantes pensadores da Antiguidade. Entretanto, para fins de rigor acadêmico, é recomendável caracterizar o 16 de agosto como uma data comemorativa tradicionalmente observada, sem afirmar que se trata necessariamente de uma efeméride oficial instituída por lei específica.

A Filosofia surgiu, segundo a tradição historiográfica, na Grécia Antiga, especialmente entre os séculos VII e VI a.C., quando determinados pensadores passaram a formular explicações racionais sobre a natureza, o cosmos, a vida social e a condição humana. Esse processo não significou o desaparecimento das explicações míticas, mas a formação gradual de novas maneiras de questionar e interpretar a realidade.

Entre os grandes nomes da tradição filosófica encontram-se Sócrates, Platão e Aristóteles, cujas contribuições atravessaram os séculos e continuam influenciando o pensamento contemporâneo. Sócrates destacou-se pela investigação crítica dos conceitos e pela importância atribuída ao diálogo; Platão desenvolveu reflexões sobre o conhecimento, a justiça, a política e a educação; e Aristóteles elaborou contribuições decisivas para a lógica, a ética, a política, a metafísica e as ciências naturais.

A Filosofia, entretanto, não pode ser compreendida apenas como um conjunto de teorias produzidas por pensadores do passado. Ela é também uma atitude diante da realidade, marcada pela disposição de questionar, investigar e examinar criticamente as ideias que orientam a vida individual e coletiva.

Ser filósofo significa aprender a perguntar. Significa não aceitar automaticamente uma afirmação apenas porque ela é repetida ou apresentada como indiscutível. Significa examinar argumentos, identificar contradições, questionar conceitos e buscar compreender os fundamentos das ideias.

Em uma sociedade marcada pela velocidade da informação, pela multiplicidade de opiniões e pela circulação de conteúdos nem sempre confiáveis, o pensamento filosófico assume importância ainda maior. A Filosofia contribui para o desenvolvimento da autonomia intelectual, da capacidade argumentativa e da responsabilidade ética diante das decisões que afetam a vida em sociedade.

A reflexão filosófica pode partir de perguntas aparentemente simples, mas cujas consequências são profundas:

  • O que é a verdade?
  • O que é a justiça?
  • O que significa ser livre?
  • O que é o conhecimento?
  • Como devemos viver?
  • Que sociedade desejamos construir?

Essas questões demonstram que a Filosofia permanece atual porque os grandes problemas humanos continuam presentes. Embora os contextos históricos se transformem, as sociedades continuam enfrentando dilemas relacionados à liberdade, à desigualdade, à responsabilidade, à justiça, à violência, à verdade e ao sentido da existência.

Minha aproximação com a Filosofia nasceu justamente dessa necessidade de compreender e refletir. Ao longo da minha trajetória acadêmica, busquei transformar essa inquietação em formação, estudo e pesquisa. Concluí minha graduação em Filosofia e aprofundei meus conhecimentos por meio de estudos especializados, mantendo permanente interesse pelas questões filosóficas e por sua relação com a História, a cultura e o patrimônio.

Para mim, ser filósofo não significa possuir todas as respostas. Significa, sobretudo, ter coragem intelectual para continuar fazendo perguntas. Significa reconhecer os limites do próprio conhecimento, estar disposto ao diálogo e compreender que a busca pela verdade exige investigação, rigor, humildade e abertura à revisão das próprias convicções.

3 O Dia Nacional do Patrimônio Histórico: preservar a memória

No dia 17 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural. A data está relacionada ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, ocorrido em 17 de agosto de 1898. Advogado, jornalista e escritor, Rodrigo Melo Franco foi uma das figuras fundamentais para a institucionalização das políticas de preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Em 1936, a proposta de criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) foi elaborada por Mário de Andrade, a pedido do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema. Rodrigo Melo Franco de Andrade foi indicado para organizar e dirigir o novo órgão, cuja criação se consolidou em 1937. Ele tornou-se seu primeiro diretor e permaneceu à frente da instituição por aproximadamente três décadas. O SPHAN daria origem ao atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A escolha do dia 17 de agosto possui, portanto, forte significado simbólico. A data homenageia uma personalidade decisiva para a formação das políticas nacionais de proteção patrimonial e estimula a sociedade a refletir sobre a importância da preservação da memória cultural brasileira.

O patrimônio cultural constitui um dos principais elementos de ligação entre passado, presente e futuro. Quando falamos em patrimônio histórico, não devemos pensar apenas em prédios antigos, monumentos ou igrejas. O conceito de patrimônio cultural é muito mais amplo e envolve bens materiais e imateriais.

Entre os bens materiais, encontram-se edificações, documentos, objetos, obras de arte, conjuntos arquitetônicos, sítios arqueológicos e espaços históricos. O patrimônio cultural também compreende manifestações imateriais, como saberes, celebrações, tradições, formas de expressão, técnicas e modos de fazer. Essa compreensão ampliada permite reconhecer que a cultura não está presente apenas nos objetos preservados, mas também nas práticas sociais transmitidas entre gerações.

Preservar o patrimônio significa reconhecer que determinados bens e manifestações possuem significado para uma comunidade e para a sociedade. Significa preservar referências, proteger testemunhos e assegurar que determinadas experiências humanas não desapareçam completamente com o passar das gerações.

Durante minha formação acadêmica, o estudo do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural tornou-se uma das áreas pelas quais desenvolvi especial interesse. Essa escolha não ocorreu por acaso. Sempre compreendi que a preservação da memória constitui uma responsabilidade coletiva e uma condição importante para o exercício da cidadania cultural.

Um monumento abandonado, um documento destruído, uma construção histórica descaracterizada ou uma tradição esquecida representam perdas que podem ser irreversíveis. Por isso, considero que o profissional dedicado ao patrimônio exerce uma função que ultrapassa a conservação física dos bens. Seu trabalho também está relacionado à preservação da identidade, da memória coletiva e dos vínculos simbólicos que as comunidades estabelecem com seus lugares, objetos e práticas culturais.

Preservar não significa impedir que uma sociedade avance. Preservar significa permitir que o desenvolvimento ocorra sem que sejam apagadas as referências que ajudam uma comunidade a compreender sua própria trajetória. O patrimônio não deve ser visto como obstáculo à modernização, mas como elemento capaz de orientar transformações mais conscientes, equilibradas e socialmente responsáveis.

4 O Dia Nacional do Historiador: investigar e interpretar o passado

No dia 19 de agosto, celebra-se oficialmente o Dia Nacional do Historiador. A data foi instituída pela Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009, que estabeleceu sua comemoração anual em 19 de agosto. A escolha está relacionada ao nascimento de Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, conhecido como Joaquim Nabuco, ocorrido em 19 de agosto de 1849.

Joaquim Nabuco foi historiador, diplomata, jurista, jornalista, escritor e importante liderança do movimento abolicionista brasileiro. Sua atuação intelectual e política esteve profundamente relacionada à interpretação da sociedade brasileira e à luta contra a escravidão, um dos mais graves problemas da história nacional.

A criação de uma data nacional dedicada ao historiador representa o reconhecimento da importância da História para a sociedade. O conhecimento histórico contribui para a compreensão das experiências humanas, das permanências e mudanças sociais, dos conflitos e das diferentes formas de organização política, econômica e cultural.

Mas o que significa ser historiador?

O historiador não é simplesmente alguém que memoriza datas e acontecimentos. Ele é um pesquisador. Seu trabalho envolve localizar, selecionar, analisar, comparar, contextualizar e interpretar fontes históricas. Documentos, cartas, fotografias, jornais, livros, objetos, monumentos, relatos orais, arquivos e diversas outras fontes podem contribuir para a compreensão de determinado período ou acontecimento.

O historiador trabalha, portanto, com evidências. Seu objetivo não deve ser simplesmente reproduzir versões estabelecidas, mas investigar os processos históricos e compreender suas diferentes dimensões. Isso exige método, crítica documental, conhecimento bibliográfico e atenção às condições em que as fontes foram produzidas, preservadas e transmitidas.

A História é composta por acontecimentos, mas também por pessoas, relações sociais, conflitos, ideias, costumes, transformações culturais, instituições e experiências coletivas. Por isso, estudar História é estudar o próprio ser humano no tempo.

O trabalho historiográfico também possui uma dimensão ética. Ao interpretar o passado, o historiador deve evitar anacronismos, simplificações e julgamentos descontextualizados. É necessário considerar os valores, as estruturas sociais, as relações de poder e as circunstâncias históricas que condicionaram as ações dos indivíduos e dos grupos.

Minha escolha pela História representa uma das bases mais importantes da minha trajetória acadêmica e profissional. Sou licenciado em História e busquei complementar minha formação com especializações em diferentes períodos e campos históricos, incluindo História do Brasil, História Antiga, História Medieval e História Contemporânea, além de áreas relacionadas ao patrimônio e à cultura.

Ser historiador, para mim, significa assumir o compromisso de investigar, interpretar e transmitir conhecimento. Significa compreender que o passado não deve ser utilizado simplesmente como instrumento de nostalgia ou como mecanismo de exaltação acrítica. O passado precisa ser estudado de forma crítica, responsável e contextualizada.

A História não oferece respostas prontas para todos os problemas do presente, mas fornece instrumentos para compreendê-los melhor. Ao revelar as origens, as transformações e as consequências dos processos históricos, ela contribui para que a sociedade reconheça os desafios que enfrenta e tome decisões mais conscientes.

5 Filosofia, Patrimônio e História: três caminhos que se encontram

Quando observamos as três datas comemorativas de agosto, percebemos que existe entre elas uma profunda relação. A Filosofia nos ensina a pensar; o Patrimônio nos ensina a preservar; e a História nos ensina a compreender.

São três verbos que, juntos, representam grande parte da minha trajetória:

Pensar. Preservar. Compreender.

O filósofo questiona os fundamentos e examina criticamente as ideias que orientam a vida individual e coletiva. O profissional do patrimônio protege os testemunhos culturais, valoriza os vínculos de pertencimento e contribui para a transmissão da memória. O historiador investiga e interpreta os processos históricos, analisando as experiências humanas em suas diferentes dimensões.

Podemos estabelecer, portanto, uma espécie de diálogo entre essas áreas:

  • A Filosofia pergunta: por quê?
  • A História investiga: como chegamos até aqui?
  • O Patrimônio preserva: o que devemos transmitir às próximas gerações?

Essas perguntas não são independentes. Ao contrário, complementam-se. Não é possível preservar adequadamente um bem sem refletir sobre seu significado, sua função social e os valores que representa. Da mesma forma, não é possível compreender plenamente um patrimônio sem investigar sua história, seus usos, suas transformações e as relações de poder envolvidas em sua valorização.

Essa relação demonstra que conhecimento, memória e cultura não podem ser tratados como áreas secundárias. Uma sociedade que abandona a reflexão pode tornar-se vulnerável à superficialidade, à desinformação e à aceitação passiva de discursos prontos.

Uma sociedade que abandona sua memória pode perder referências de identidade e enfraquecer os vínculos que unem suas comunidades. E uma sociedade que desconhece sua História pode ter dificuldade para compreender os próprios problemas contemporâneos, pois muitos dos conflitos atuais possuem raízes em processos construídos ao longo do tempo.

Filosofia, Patrimônio e História formam, assim, dimensões complementares de uma mesma vocação. A Filosofia oferece instrumentos para questionar; a História fornece caminhos para investigar; e o Patrimônio reúne referências que permitem preservar e transmitir experiências humanas significativas.

Minha trajetória nessas três áreas representa, portanto, mais do que uma sequência de formações acadêmicas. Ela expressa um compromisso intelectual e pessoal com o pensamento crítico, a preservação da memória e a compreensão da experiência humana. Ao pensar, preservar e compreender, essas áreas contribuem para uma sociedade mais consciente de seu passado, mais responsável diante do presente e mais preparada para construir o futuro.

6 Minha trajetória: uma escolha feita de paixão e conhecimento

Ao refletir sobre essas três datas, percebo que elas também representam parte da minha própria história. Não escolhi a Filosofia, a História e o Patrimônio apenas como áreas acadêmicas. Escolhi esses campos porque encontrei neles questões que despertam permanentemente minha curiosidade, minha sensibilidade e meu desejo de aprender.

Minha formação acadêmica foi construída gradualmente. Concluí a graduação em História e, posteriormente, em Filosofia, além de realizar diversas especializações relacionadas às Ciências Humanas, incluindo História do Brasil, História Antiga, História Medieval, História Contemporânea, Filosofia, Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, Produção Cultural, entre outras áreas de estudo.

Essa formação representa muito mais do que uma coleção de títulos. Ela expressa uma trajetória de estudos, dedicação e permanente aperfeiçoamento. Cada curso, cada livro, cada pesquisa, cada artigo e cada projeto contribuíram para ampliar minha compreensão sobre o ser humano, a sociedade, a cultura e os processos históricos.

Ao longo desse caminho, descobri que minhas grandes paixões se encontram justamente na interseção entre essas áreas. Gosto de pensar, pesquisar, estudar documentos, conhecer personagens históricos, compreender processos sociais, preservar histórias, falar sobre patrimônio e escrever. Gosto, sobretudo, de compartilhar conhecimento.

Essas atividades não constituem tarefas isoladas. Elas fazem parte de uma mesma maneira de compreender a vida intelectual e o compromisso com a sociedade. Pensar permite formular perguntas; pesquisar possibilita buscar respostas; estudar documentos ajuda a reconstruir experiências; e compartilhar conhecimento transforma o saber individual em instrumento de formação coletiva.

Talvez essa seja a verdadeira essência da minha trajetória: aprender continuamente, investigar com responsabilidade, preservar aquilo que possui significado histórico e cultural e contribuir para que o conhecimento alcance outras pessoas.

Minha atuação nas áreas da Filosofia, da História e do Patrimônio representa, portanto, uma escolha feita de paixão e conhecimento. É uma escolha que se renova diariamente por meio da leitura, da pesquisa, da escrita, do diálogo e do compromisso com a valorização da cultura e da memória.

7 O papel social do conhecimento

Em tempos de profundas transformações tecnológicas e sociais, discutir a importância da Filosofia, da História e do Patrimônio significa também discutir o papel do conhecimento na sociedade.

Vivemos em uma época na qual qualquer pessoa pode produzir, publicar e compartilhar informações em poucos segundos. Essa possibilidade representa uma importante forma de democratização do acesso ao conhecimento, permitindo que diferentes grupos sociais expressem suas experiências, divulguem pesquisas e participem do debate público.

Entretanto, essa realidade também cria novos desafios. A abundância de informações não garante, por si só, a qualidade ou a veracidade do conteúdo divulgado. Por essa razão, as informações precisam ser analisadas, as fontes devem ser verificadas, as narrativas necessitam ser contextualizadas e as opiniões precisam ser diferenciadas dos fatos comprovados.

Nesse cenário, Filosofia, História e Patrimônio assumem importância estratégica. A Filosofia contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico, da capacidade argumentativa e da autonomia intelectual. Ela ensina a formular perguntas, examinar conceitos, identificar contradições e avaliar os fundamentos dos discursos.

A História fornece instrumentos para compreender processos, contextos e relações de continuidade e mudança. Ao investigar o passado de maneira crítica, o historiador contribui para superar simplificações, combater interpretações anacrônicas e compreender que os acontecimentos são resultado de múltiplas relações sociais, políticas, econômicas e culturais.

O Patrimônio, por sua vez, possibilita preservar referências culturais e históricas que ajudam as comunidades a reconhecer sua trajetória. Monumentos, documentos, paisagens, objetos, práticas e manifestações culturais constituem testemunhos que podem contribuir para a formação da identidade e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento.

As três áreas, portanto, contribuem para formar cidadãos mais conscientes de sua identidade, de seus direitos e de sua responsabilidade perante a sociedade. Também favorecem uma participação mais qualificada na vida pública, pois estimulam a reflexão, a análise crítica das informações e o respeito à diversidade das experiências humanas.

O conhecimento não deve permanecer restrito aos espaços acadêmicos. Universidades, escolas, museus, arquivos, instituições culturais, meios de comunicação e pesquisadores possuem a responsabilidade de aproximar o saber da sociedade. Essa aproximação deve ocorrer por meio de uma linguagem clara, sem abandono do rigor científico, permitindo que o conhecimento seja compreendido e apropriado por diferentes públicos.

Em uma sociedade marcada pela circulação rápida de informações, conhecer não significa apenas acumular dados. Significa saber interpretar, avaliar, relacionar e utilizar o conhecimento de maneira ética e responsável. É nesse sentido que Filosofia, História e Patrimônio se unem: a Filosofia ensina a questionar, a História ensina a compreender e o Patrimônio ensina a valorizar e preservar.

A defesa do conhecimento é, assim, também uma defesa da cidadania, da democracia e da memória coletiva. Uma sociedade que pensa criticamente, conhece sua História e valoriza seu patrimônio possui melhores condições para enfrentar os desafios do presente e construir um futuro mais consciente, plural e responsável.

8 Considerações finais

Agosto tornou-se, para mim, um mês particularmente significativo. Em um intervalo de quatro dias, três datas comemorativas permitem-me celebrar três dimensões fundamentais da minha trajetória:

  • 16 de agosto — Dia do Filósofo;
  • 17 de agosto — Dia Nacional do Patrimônio Cultural;
  • 19 de agosto — Dia Nacional do Historiador.

Essas datas representam muito mais do que comemorações inscritas no calendário. Elas simbolizam áreas às quais dediquei estudos, formação, pesquisa e, sobretudo, paixão. A celebração do Dia do Filósofo em 16 de agosto é tradicionalmente observada no Brasil; o Dia Nacional do Patrimônio Cultural, em 17 de agosto, homenageia Rodrigo Melo Franco de Andrade; e o Dia Nacional do Historiador, celebrado em 19 de agosto, foi instituído pela Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009.portal.iphan.gov+2

A Filosofia ensinou-me a questionar. A História ensinou-me a investigar. O Patrimônio ensinou-me a preservar. Essas três experiências contribuíram decisivamente para formar a maneira como compreendo o mundo, a sociedade e a própria condição humana.

Ao concluir as graduações e buscar diversas especializações nessas áreas, não procurei apenas ampliar minha formação profissional. Procurei compreender melhor o ser humano, sua cultura, sua memória e sua trajetória histórica. Cada etapa de estudo representou uma oportunidade de aprofundamento e uma possibilidade de ampliar minha participação na produção, na preservação e na difusão do conhecimento.

Hoje, quando observo minha caminhada, percebo que existe uma linha condutora entre tudo aquilo que escolhi estudar: a busca pelo conhecimento e a defesa da memória.

Ser filósofo é manter viva a capacidade de pensar, questionar e examinar criticamente as ideias que orientam a vida individual e coletiva.

Ser profissional e pesquisador do patrimônio é compreender que aquilo que recebemos das gerações anteriores merece respeito, estudo, valorização e preservação. É reconhecer que monumentos, documentos, lugares, objetos, práticas e manifestações culturais constituem referências fundamentais para a memória das comunidades.

Ser historiador é assumir o compromisso de investigar o passado com responsabilidade, rigor metodológico e consciência crítica, contribuindo para que o conhecimento histórico permaneça vivo e socialmente significativo.

São três caminhos diferentes, mas que se encontram em uma mesma missão:

pensar, preservar e compreender.

Talvez essa seja a melhor definição das minhas grandes paixões. Acredito que um povo que conhece sua História compreende melhor o presente; uma sociedade que preserva seu Patrimônio protege referências essenciais de sua identidade; e um ser humano que aprende a pensar filosoficamente amplia sua capacidade de compreender o mundo e agir de maneira mais consciente.

Por isso, neste mês de agosto, mais do que celebrar três datas, celebro uma trajetória. Uma trajetória construída entre livros, pesquisas, documentos, salas de aula, patrimônio, cultura, História e Filosofia.

Essa trajetória continua sendo escrita. E, enquanto houver uma pergunta a ser formulada, uma história a ser investigada ou uma memória a ser preservada, continuarei acreditando que o conhecimento constitui uma das mais nobres formas de servir à sociedade.

Referências

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Dia Nacional do Historiador. Brasília, DF: Arquivo Nacional, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br/canais_atendimento/imprensa/noticias/dia-nacional-do-historiador. 

BRASIL. Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009. Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto. Brasília, DF: Presidência da República, 2009. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12130.htm. 

FUNDAÇÃO PEDRO CALMON. Dia do Historiador: interpretando o passado, elucidando o presente e construindo o futuro. Salvador: Fundação Pedro Calmon, 2015.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Dia do Patrimônio Cultural. Brasília, DF: IPHAN, [s. d.]. Disponível em: https://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/5771/brasil-comemora-o-dia-do-patrimonio-culturaluma-vida-dedicada-ao-patrimonio-cultural-brasileiro-ass. 

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Brasília, DF: IPHAN, [s. d.]. 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. 16 de agosto: Dia do Filósofo. Goiânia: Faculdade de Filosofia, UFG, 2022.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ. 16 de agosto: Dia do Filósofo. Teresina: UFPI, 2019. Disponível em: https://ufpi.br/ultimas-noticias-ufpi/8926-16-de-agosto–dia-do-fil%C3%B3sofo. 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS. Data celebra profissionais que se dedicam aos estudos da Filosofia. Palmas: UFT, 2021.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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La poesia nella coscienza del poeta

Maria Teresa Liuzzo

‘La poesia nella coscienza del poeta’

Maria Teresa Liuzzo
Maria Teresa Liuzzo
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La poesia è cultura di luce quando il contenuto del messaggio anticipa la storia facendosi portatore di valori umani, cristiani, sociali. 

E’ la profondità dell’anima che si manifesta attraverso la forza della parola, quindi un pozzo d’emozioni che non conosce infarti. 

Poesia è il prodotto risultante di un’elevata ed intensa sofferenza vissuta da una sensibilità superiore. E’ sentimento puro. E’ quel filo rosso chiamato umiltà – non umiliazione – il lievito base che permette alla fantasia di prendere forma traducendo in versi l’emozione del momento. 

Poesia è l’intensità dell’ <<anima >>, è respiro universale pur quando non raggiungendo un livello di perfezione su ciò che vorrebbe esprimere (perciò guai a sconfinare dai propri limiti) raggiunge il potere dell’intesa tra simbolo e credente nella lotta odierna tra l’essere e l’esistere scaturita dai conflitti tra individuo e società; tra l’individuo e la propria coscienza. 

Poesia è tale, quando il battito è continuo ed il sangue non è anello ma catena che genera attraverso la sorgente nuove fioriture di versi: sia che l’immagine ari labirinti, sia che semini chiarori. E’ volontà che rimargina cicatrici di speranza accettando qualsiasi calvario. 

Poesia è simbiosi tra spirito e materia; equilibrio, tra ragione e cuore. Coscienza tra animus e sembianza; è pace che conclude l’eterna attesa e non ammette compromessi né fratture. 

Maria Teresa Liuzzo

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