Pergunta-me onde me achava morrendo, como um navio incendiado em alto-mar, deixando tombar o ouro que se fundia em plena lava, incandescente, derretendo aos poucos, a formar arte deslumbrante.
Sem ar nos pulmões das águas frias, pergunta-me as palavras que te dissera. Foram de audácia as correntes que te prenderam, algema líquida que te segurou bem firme. Deixara-te deslizar como peixe que escorrega das mãos.
Redime-te. Lembra-te e salta em águas conhecidas. Reconhece teu habitat, peixe que passa por minhas pedras limosas, de cheiro do mar.
Marulho te canta aos ouvidos, salgado, salino ao teu paladar. Brinda — e não esqueças do açúcar molhado na borda da taça.
Folga-te das bolhas que se formam na boca que beijas. Palavras poéticas feitas de um nada se agitam e dizem o tudo de uma só vez.
Brigas comigo que o tudo é teu, é meu, é demais e de mais ninguém.
Nademos sem rumo, de mãos enamoradas. Se me afundas, te sossego; se te afundo, nadas de braçadas e boias de prazer comigo.
Olha-me, molha-me debaixo d’água. Meu corpo se dilui e a visão é ilusão. O movimento é nosso, no insustentável, até que morras, até que acordes de tuas águas que me quiseram e me amaram.
Pergunta-me onde me achava, morrendo como um navio incendiado em alto-mar.
Não se transmite o sentimento do amor pelo anulamento da distância; antes, percebe-se o anular-se na paixão para acolher aquela parte que recompõe a unidade.
A espera é o tempo essencial para compreender o quanto o fogo ardente do espírito é necessário para construir o altar sagrado, onde uma só água é evocada para o refrigério da aridez.
Para preencher a ausência, a linguagem dos braços assume o cetro do comando sobre as intermináveis páginas escritas.
Não havia luz ao redor até o canto do teu nome, que ressoa sob a pele como a seiva infiltrada no pulsar do costado, onde os sonhos lançaram a chave no poço dos desejos e no pertencer aos raios do meu sol.
Dividir o pesado fardo das adversidades é o equilíbrio das batidas do relógio, cadenciado no pulso do combatente.
E vejo dois jovens correrem sobre os ombros curvados pelo sorriso de duas linhas que escreveram seu livro nas histórias das palmas das mãos.
Os dedos banhados na tinta divina finalmente proclamaram a sacralidade de um abraço, para selar o rito de não ter esperado em vão.
Em ‘Totograph’, o amor e a natureza se entrelaçam de maneira delicada e expressiva, conduzindo o leitor a um universo de pensamentos e emoções profundamente prazerosos
Capa do livro ‘Thotograph’, de Kali Baral
Totograph (Beijografia), escrito na língua bengali, é o quarto livro de poemas da jovem bengalesa Kali Baral, lançado neste mês, pela Editora Vinnchok Publication.
Os poemas de ‘Thotograph’ unem amor e natureza de forma bela, criando um mundo profundamente alegre e contemplativo que convida os leitores a mergulhar em suas emoções e imagens. Os leitores podem encontrar reflexos de si mesmos em cada página.
Sinopse
O que é o amor?
Como não existe nada que seja absolutamente certo, é inútil tentar encontrar uma definição exata para o amor. O amor é a forma, a cor e a fragrância da imaginação, em parentesco com um cuidado intenso e um desejo profundo. A presença dessa coisa abstrata existe, mas não pode ser tocada nem apreendida.
A relação contraditória entre o cérebro e o coração, fluindo pela sensibilidade, dá origem a uma poesia eternamente verde. Ao longo dos tempos, repete o mesmo discurso em diferentes estilos, mas seu apelo permanece familiar.
A declaração do amor entre dois amantes, porém, permanece sempre a mesma; algo como:
“Quero você, no espaço de todos os pensamentos que não precisam de resposta. Vou bordar flores rasteiras em seus lábios. Ao me perder no encanto dos seus olhos, afundarei no carinho de ondas enlouquecidas. Ali, sob o brilho avermelhado do sol, a luz da manhã florescerá. No fogo da água, faremos nosso amor flutuar numa corrente de luz. Diga, você aceita?”
Os sinais invisíveis da “Beijografia” deixam para trás o calor.
Dentro de alguns dias, o livro também estará disponível na Rokomari.com, uma das principais plataformas de venda de livros online de Bangladesh.
A autora
Kali Baral
Kali Baral, natural de Barisal e residindo atualmente em Daca, é uma poetisa e escritora contemporânea de Bangladesh, nascida em 1994.
Possui MBA em Finanças e Bancos e atualmente trabalha como professora.
Desde cedo, demonstrou uma profunda paixão pela literatura e pela criatividade. É reconhecida por sua voz literária singular, que frequentemente explora as experiências femininas, os mundos interiores e as nuances emocionais com sensibilidade e clareza.
Além de escrever, contribui regularmente para publicações nacionais e internacionais e trabalha como designer de capas de livros e ilustradora. Possui também talento para música, pintura e escultura.
Obras Publicadas:
Jolneeli (Poesia, 2023); Chita (Romance, 2024); A Flauta de Raikamal (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2024); O Amigo Vaga-lume de Arushir (Livro de Histórias Infantis, 2025); Roteiro (Contos, 2025); Mágico Colorido (Livro de Histórias Infantis, 2026); Barreira Luminosa (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2026).
Contemplada com o 8º Prêmio Internacional de Poesia Boao 2025 — Jovem Poeta do Ano.
Antes que o mundo acabe Erga a cabeça O caminho é seu Odiar e amar é possível Mas o otimismo é que te faz prudente Olhar bem define o indefinível Eu sei, “o desejo da liberdade é maior que a paixão”, já dizia Rubens Alves Mas a percepção limitada das pessoas nada definem O fim sempre existiu, o nada, o pó, o indescritível O otimismo também Ainda que esquecido no vento: o choro, a dor, o ruim, o controverso Deixa o milagre ser poesia, na sombra, no sol, na noite, no dia Se despe antes que o mundo acabe como árvores no outono Que soltam suas folhas Sem vergonha, sem modéstia, valente Antes que o mundo acabe, cabe ainda amar, injetar forças Escrever, beijar Beijar desesperadamente E fazer amor como se fosse o único fim Antes que o mundo acabe e se consuma desesperadamente Faça amor, recite um livro, se declare, chore
“Antes que o mundo acabe” funciona como uma metáfora para a urgência de viver, de amar e de se conectar com o essencial diante da incerteza, da passagem do tempo ou de grandes crises globais e pessoais