Inimaginável

Evani Rocha: entre sombras, silêncios e a inquietante fronteira entre o que se perdeu e o que ainda pode existir

Evani Rocha
Evani Rocha

Entre os conflitos e a ilusão, 

Você é a estrela ao amanhecer…

A triste ausência nas mãos

E a incerteza posta sobre a mesa

Entre os lençóis amassados, 

O cheiro de jasmim que se esvai com o vento,

As borboletas que não vieram

E a escassez da vida e do tempo…

Entre a saudade e as lágrimas, 

A gota fria sobre o cenho

A palavra presa entre os lábios,

 E o toque na pele encrespada…

Você é a chuva torrencial lavando o telhado, 

E a poeira que se assenta no caminho…

O riso e a dor da partida

O nó desfeito do nosso laço.

 Entre as pedras e os espinhos, 

Você é a flor que não desabrochou, 

As marcas de sol sobre face…

O respingo de luz que restou!

Você é o silêncio inquietante das calçadas 

E o vazio que não quis partir…

Você é meu tudo

 E um pouco mais do inimaginável…

As sombras de um passado esquecido 

E um futuro ansioso,

 Que não deixa minh‘alma dormir!

Evani Rocha

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Ouro derretido à deriva

Ella Dominici transforma ouro, fogo e água em metáforas do desejo, conduzindo o leitor por uma experiência poética de entrega, paixão e dissolução

Ella Dominici
Ella Dominici
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Pergunta-me onde me achava morrendo,
como um navio incendiado em alto-mar,
deixando tombar o ouro que se fundia
em plena lava,
incandescente, derretendo aos poucos,
a formar arte deslumbrante.

Sem ar nos pulmões das águas frias,
pergunta-me as palavras que te dissera.
Foram de audácia as correntes que te prenderam,
algema líquida que te segurou bem firme.
Deixara-te deslizar
como peixe que escorrega das mãos.

Redime-te.
Lembra-te e salta em águas conhecidas.
Reconhece teu habitat,
peixe que passa por minhas pedras limosas,
de cheiro do mar.

Marulho te canta aos ouvidos,
salgado, salino ao teu paladar.
Brinda — e não esqueças
do açúcar molhado na borda da taça.

Folga-te das bolhas que se formam
na boca que beijas.
Palavras poéticas feitas de um nada
se agitam e dizem o tudo de uma só vez.

Brigas comigo
que o tudo é teu, é meu,
é demais e de mais ninguém.

Nademos sem rumo,
de mãos enamoradas.
Se me afundas, te sossego;
se te afundo, nadas de braçadas
e boias de prazer comigo.

Olha-me, molha-me debaixo d’água.
Meu corpo se dilui
e a visão é ilusão.
O movimento é nosso,
no insustentável,
até que morras,
até que acordes
de tuas águas que me quiseram
e me amaram.

Pergunta-me onde me achava,
morrendo como um navio incendiado em alto-mar.

Olha melhor
e sente se é comigo:

meu ouro derretido à deriva.

Ella Dominici




A sacralidade da espera

Elisa Mascia: entre o desejo, a ausência e a espera, o amor transforma o reencontro em rito de comunhão e transcendência

Elisa Mascia
Elisa Mascia
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Não se transmite o sentimento do amor pelo anulamento da distância; antes, percebe-se o anular-se na paixão para acolher aquela parte que recompõe a unidade.

A espera é o tempo essencial para compreender o quanto o fogo ardente do espírito é necessário para construir o altar sagrado, onde uma só água é evocada para o refrigério da aridez.

Para preencher a ausência, a linguagem dos braços assume o cetro do comando sobre as intermináveis páginas escritas.

Não havia luz ao redor até o canto do teu nome, que ressoa sob a pele como a seiva infiltrada no pulsar do costado, onde os sonhos lançaram a chave no poço dos desejos e no pertencer aos raios do meu sol.

Dividir o pesado fardo das adversidades é o equilíbrio das batidas do relógio, cadenciado no pulso do combatente.

E vejo dois jovens correrem sobre os ombros curvados pelo sorriso de duas linhas que escreveram seu livro nas histórias das palmas das mãos.

Os dedos banhados na tinta divina finalmente proclamaram a sacralidade de um abraço, para selar o rito de não ter esperado em vão.

Elisa Mascia

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Thotograph

Em ‘Totograph’, o amor e a natureza se entrelaçam de maneira delicada e expressiva, conduzindo o leitor a um universo de pensamentos e emoções profundamente prazerosos

Capa do livro ‘Thotograph’, de Kali Baral

Totograph (Beijografia), escrito na língua bengali, é o quarto livro de poemas da jovem bengalesa Kali Baral, lançado neste mês, pela Editora Vinnchok Publication.

Os poemas de ‘Thotograph’ unem amor e natureza de forma bela, criando um mundo profundamente alegre e contemplativo que convida os leitores a mergulhar em suas emoções e imagens. Os leitores podem encontrar reflexos de si mesmos em cada página.

Sinopse

O que é o amor?

Como não existe nada que seja absolutamente certo, é inútil tentar encontrar uma definição exata para o amor. O amor é a forma, a cor e a fragrância da imaginação, em parentesco com um cuidado intenso e um desejo profundo. A presença dessa coisa abstrata existe, mas não pode ser tocada nem apreendida.

A relação contraditória entre o cérebro e o coração, fluindo pela sensibilidade, dá origem a uma poesia eternamente verde. Ao longo dos tempos, repete o mesmo discurso em diferentes estilos, mas seu apelo permanece familiar.

A declaração do amor entre dois amantes, porém, permanece sempre a mesma; algo como:

“Quero você, no espaço de todos os pensamentos que não precisam de resposta. Vou bordar flores rasteiras em seus lábios. Ao me perder no encanto dos seus olhos, afundarei no carinho de ondas enlouquecidas. Ali, sob o brilho avermelhado do sol, a luz da manhã florescerá. No fogo da água, faremos nosso amor flutuar numa corrente de luz. Diga, você aceita?”

Os sinais invisíveis da “Beijografia” deixam para trás o calor.

Serviço

Titulo: Totograph’ (Beijografia)

Autora: Kali Baral

Editora: Vinnchok Publication

ISBN: 978-984-99378-7-6

Número de páginas: 80

Preço: US$ 5

Contatos para venda: Ali Afzal Khan:

Dentro de alguns dias, o livro também estará disponível na Rokomari.com, uma das principais plataformas de venda de livros online de Bangladesh.

A autora

Kali Baral
Kali Baral

Kali Baral, natural de Barisal e residindo atualmente em Daca, é uma poetisa e escritora contemporânea de Bangladesh, nascida em 1994.

Possui MBA em Finanças e Bancos e atualmente trabalha como professora.

Desde cedo, demonstrou uma profunda paixão pela literatura e pela criatividade. É reconhecida por sua voz literária singular, que frequentemente explora as experiências femininas, os mundos interiores e as nuances emocionais com sensibilidade e clareza.

Além de escrever, contribui regularmente para publicações nacionais e internacionais e trabalha como designer de capas de livros e ilustradora. Possui também talento para música, pintura e escultura.

Obras Publicadas:

Jolneeli (Poesia, 2023); Chita (Romance, 2024); A Flauta de Raikamal (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2024); O Amigo Vaga-lume de Arushir (Livro de Histórias Infantis, 2025); Roteiro (Contos, 2025); Mágico Colorido (Livro de Histórias Infantis, 2026); Barreira Luminosa (Poesia Bilíngue: Bengali-Inglês, 2026).

Contemplada com o 8º Prêmio Internacional de Poesia Boao 2025 — Jovem Poeta do Ano.

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Antes que o mundo acabe

Lina Veira: Poema ‘Antes que o mundo acabe’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canva

Antes que o mundo acabe
Erga a cabeça
O caminho é seu
Odiar e amar é possível
Mas o otimismo é que te faz prudente
Olhar bem define o indefinível
Eu sei, “o desejo da liberdade é maior que a paixão”, já dizia Rubens Alves
Mas a percepção limitada das pessoas nada definem
O fim sempre existiu, o nada, o pó, o indescritível
O otimismo também
Ainda que esquecido no vento: o choro, a dor, o ruim, o controverso
Deixa o milagre ser poesia, na sombra, no sol, na noite, no dia
Se despe antes que o mundo acabe como árvores no outono
Que soltam suas folhas
Sem vergonha, sem modéstia, valente
Antes que o mundo acabe, cabe ainda amar, injetar forças
Escrever, beijar
Beijar desesperadamente
E fazer amor como se fosse o único fim
Antes que o mundo acabe e se consuma desesperadamente
Faça amor, recite um livro, se declare, chore

“Antes que o mundo acabe” funciona como uma metáfora para a urgência de viver, de amar e de se conectar com o essencial diante da incerteza, da passagem do tempo ou de grandes crises globais e pessoais

Lina Veira

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A melhor coisa do mundo?

Denise Canova: Poema ‘A melhor coisa do mundo?’

Denise Canova
Denise Canova
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A melhor coisa do mundo?
É poetizar
É versar sobre as flores
Eu sei e você?
Não?
Vem comigo amor
Saberás e terás vontade de poetizar.

Dama da Poesia

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Linda, loira e mimada

Guilherme Machado: Poema ‘Linda, loira e mimada’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Kyra – Foto por Guilherme Machado

Kyra chegou de mansinho,
olhar doce, passo leve no chão,
um furacão de carinho
invadindo o meu coração.

Linda, loira e dourada,
toda cheia de querer,
um pouco louca, meio mimada…
mas impossível não se render.

Ela chega toda prosa,
dona do próprio olhar,
sabe bem que é charmosa
e nasceu pra brilhar.

Tem doçura no focinho,
tem coragem no seu jeito,
faz de mim seu humano
— e eu aceito esse feito.

Deitada diante do pote,
come sem se preocupar.
Pra que gastar sua beleza
se deitada dá pra jantar?

Quando decide que é hora
de o humano lhe entreter,
começa uma conversinha
que só falta mesmo dizer:

“Brinca comigo, por favor.”
E insiste em sua oração.
Não sei nomear aqueles sons,
mas sei sua tradução.

Linda, loira e mimada,
dona da casa e do irmão,
quer sempre a ração alheia —
a dela? Essa, às vezes, não.

Por isso, na hora da comida,
preciso os dois separar.
E basta a Kyra ir embora
pro Salsicha começar:

um uivo comprido e sentido,
protestando a separação.
Ela fala quando quer brincar.
Ele, quando sente solidão.

Mas nem sempre foi assim.
Antes dela, alguém faltou.
Salsicha conheceu a tristeza,
mas foi Kyra quem o iluminou.

Kyra nunca conheceu Nika,
nem a história que encontrou.
Só chegou sendo Kyra —
e, sem saber, tudo mudou.

Não veio ocupar seu lugar,
nem apagar o que passou.
Trouxe uma história diferente
e, com carinho, o restaurou.

E foi assim, sem perceber,
sem precisar sequer tentar,
que a menina mais levada
ensinou alguém a brincar.

Linda, loira e adorada,
meu furacão de carinho,
fez morada em minha vida
e eu amo o seu jeitinho!

Se ser mimada é seu jeito,
confesso sem disfarçar:
foi o melhor dos defeitos
que a vida pôde me dar.

Guilherme Machado

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