O ébrio

Evani Rocha: Poema ‘O ébrio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Fotografia digitalizada mostrando um homem com roupas gastas e sujas sentado no chão de uma rua íngreme de paralelepípedos, em uma vila antiga. Ele está encolhido com a cabeça curvada sobre os braços e joelhos dobrados. Ao seu lado, no chão, há uma garrafa de vidro de bebida alcoólica deitada. Ao fundo, casas históricas de estilo europeu ladeiam a rua e o céu exibe um pôr do sol vibrante em tons intensos de vermelho, laranja e amarelo.
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Amanheceu ali na esquina úmida e lodosa.

Tinha na boca um gosto de zinabre.

A pele encrespada e fria

Pelo sereno da madrugada.

Todos já se foram…

Apenas a penumbra permanecia…

Há pouco ele se arrasta pelos becos da cidade morta.

Ainda tenta beber o último gole,

Mas suas mãos trêmulas não suportam o peso do cálice.

No horizonte, o sol quase desponta 

Em meio a um barrado cor de sangue…

É o anúncio de um novo dia!

Permaneceu ali:

Cabisbaixo e embriagado,

Não só pelo álcool, 

Mas pela angústia que lhe açolava o peito.

Nada a lamentar, nem forças para gritar…

O mundo emudeceu!

Sem jeito de ignorar a resignação…

Então, debruçou-se sobre os joelhos,

Vencido pela solidão,

E deixou o tempo dele se encarregar!

Evani Rocha

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Hoy

Rosa Judy Parreño Baca: Poema ‘Hoy’

Judy Parreño Baca
Judy Parreño Baca
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Mís lágrimas sé revelan,
hoy no veó nada,
hoy mataría a mí propia
Alma.
Mís sueños sé perdieron, al compás dé la maldad, él es un sueño,
y Ahora despertaré sín dormír.
Tengo acorraladas mí pena, y mí sonrisa sé volvió hielo…
Fuí él juego dé una crónica, anunciada escrita, con muchas risas burlonas,
cómplice dé su libreto al revés, qué miré y sonreí,
quizá fué una mueca, dé sabor a hiel.
Caminaré descalza, por montes puntiagudos, y por sueños despiertos.
Caminaré mirando al Cielo otra vez.

Judy Parrreño Baca

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Inventário de luas e lodos

Pietro Costa: Poema ‘Inventário de luas e lodos’

Pietro Costa
Pietro Costa

Card do poema ‘Luas e Lodos, de Pietro Costa

Pietro Costa

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Enquanto poeta falaremos

Florência Mário: ‘Enquanto poeta falaremos’

Logo da seção O Leitor Participa
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Esta é a realidade

Porque nela contém dor e ódio angústia e memórias

Fechem as bocas e abram os ouvidos,

Porque o que eu vou contar é a verdade

São histórias esquecidas história negligenciadas

são histórias de opressão que causam depressão,

mas é preciso muita narração

É a pura realidade

São emoções, sensações, contos e história dor, ódio e tristeza

sentimentos de alguém que foi roubada a honra

honra é um dos bens mais precioso de uma mulher

Para alguns é só prazer mas para outros é tudo

Lembro-me de tudo como se fosse ontem

Tudo aconteceu muito rápido

Numa noite escura, o silêncio tomou conta ouvi passos e logo me escondi

O coração não parava de bater tic-tac, tic-tac ,como um relógio assombrado

A minha mente estava confusa

Quando eu acordei eu não me lembrava,

mas aos poucos, fui lembrando

e a memória era tão horrível que me faziam chorar um rio de lágrimas.

Florência Mário

Florência Mário
Florência Mário

Florência Mário, residente em Luanda. Frequenta a 9°classe no colégio Meury & Dores. A literatura surgiu de forma repentina. No momento gosta de escrever poesia e contos. Pretende se tornar uma grande escritora a nível nacional e internacional explorando outras áreas da literatura. Faz parte do projecto escrita criativa do mentor Tomás Eugénio Tomás.

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Resistência

Loide Afonso: Poema ‘Resistência’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Grok

Tum tum
Tum tum
Dois batimentos por vez
Foi assim que
Eu senti
Meu coração bater

Sabes quantos segundos tem um milésimo?

Não.
Ou talvez saibas
Será que Pitágoras sabia?

Pode ser que sim
Pode ser que sim
Que não
Ou meio sim
Meio não

Só lembro das batidas
Como se eu fosse
Ter um ataque
Ataque de realidade
Isto existe?

Tabom, vou ser mais prática
Talvez foi
De pânico
Mais não senti medo
Dor
Nem angústia

Foi seco
Sem cheiro
Cor
Ou sistemático

Alguém aquí já esteve num terramoto?

Se nunca esteve, nunca saberá
Bem, não vou me revelar contra
O sistema.

Já passou.

Loid Portugal

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Vitamina D

Loide Afonso: Poema ‘Vitamina D’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA no Bing - 19 de março de 2025, às 15:58 PM
Imagem criada por IA no Bing – 19 de março de 2025,
às 15:58 PM

Olhar distante
Cabeça pra baixo
Corpo doce
Alma vazia

Você já comeu
Pó?
Arranhou seu rosto
Chorando?
Sentiu angústia
E olhou de lado
E estava sozinho?
Calma.
Vá dar uma volta
Corra
Leia um livro
Saia
Espera, você já dançou na frente do Sol, logo de manhã?
Sentiu o cheiro das plantas da sua casa?
Se abraçou e se pediu desculpas hoje?
Se olhou na alma e disse: você é um amor?
Olhou o céu hoje e viu os pássaros?
Você sabe mesmo, qual é a sensação de respirar conscientemente?
Ufh!

Loid Portugal

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O toque divino

José Antonio Torres: Poema ‘O toque divino’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem gerada por IA do Bing - 12 de novembro de 2024 
às 7:18 AM
Imagem gerada por IA do Bing – 12 de novembro de 2024
às 7:18 AM

Caminhava olhando para baixo…
Vez por outra, olhava para os lados e para a frente,
Mas não importavam as paisagens, as pessoas…
Vivia ensimesmado…
Uma angústia fria e torturante habitava em mim;
Perdido, não conseguia divisar uma saída…
Esticava meus braços para baixo
E só havia a terra fria e árida…
Estendia-os para os lados e não encontrava amparo…
Ao estende-los para a frente,
Via o futuro fugir e se distanciar de mim.
Quando o desespero e o desânimo já tomavam conta do meu ser,
E com o espírito destroçado pelo vazio da minha existência,
Em uma súplica final,
Ergui os braços para o alto e,
Como um raio quente e revigorante percorrendo meu corpo,
Senti o toque suave e acolhedor da mão de Deus.

José Antonio Divino

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