Ella Dominici Essência da poesia: um mergulho profundo na alma, nos fados e no tripé sagrado que equilibra o desejo, a opinião e a fé no fulgor do instante
Tem nos olhos a febre das manhãs que não dormem, um lume de marés que se escrevem em sargaços. A palavra lhe nasce em sístoles de vento, tecendo silêncios de um tempo sem nome.
Seus passos são traços no ventre da areia, onde a escrita se esquece, mas nunca se apaga. Carrega no peito o sal das perguntas, nas mãos, a tinta que verte do abismo.
Ela vê o que o mundo não ousa dizer, sente as raízes do verbo ainda cru. O papel lhe responde em sombras e brisas, no alfabeto de águas que dança sem rima.
Não busca verdades, colhe o que arde, colhe a incerteza, a fresta, o presságio. Ser poeta é saber-se eterna passagem, caminho de Sol, de sombras e fados.
No fulgor das histórias que inventa, se inventa. No lume da língua, seu corpo persiste. No cristal do instante, inscreve seu nome, feito estrela que, ao morrer, ainda brilha.
O que a define, seu tripé que se equilibra na beira do tempo, desejo, opinião e fé O corpo se inquieta, a alma silencia, a mente divaga, o espírito vigia. E quando tudo vacila, sustenta a vida, Poeta em poesia!