“Exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido’”
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Card da exposição e espetáculo:Rampa, o Paraíso Escondido
Entre os dias 14 e 17 de junho de 2026, o público de São Luís teve a oportunidade de conhecer e se encantar com a exposição fotográfica ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, realizada no Golden Shopping Calhau, com visitação aberta das 10:00 às 22:00. Esta apresentou um olhar sensível sobre o povoado de Rampa, localizado no município de Humberto de Campos (MA).
Foi revelado através das imagens, a beleza de suas paisagens, seus rios, sua cultura, sua religiosidade e os modos de vida de uma comunidade que mantém viva sua relação com a natureza e suas tradições. Quem foi apreciar, com certeza, ficou com vontade de conhecer a região. “Partiu, Rampa!?”
A abertura do evento foi marcada pelo espetáculo teatral ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, pesquisa e criação de Josimael Caldas. O multiartista realizou três apresentações emocionantes, envolvendo o público em uma experiência poética de memória, identidade e pertencimento.
Em cena, Rampa ganhou voz e corpo através da personificação do território. Assim, conduziu os espectadores por uma viagem pelo rio Maparí, pelas manifestações culturais, pela fé em São Sebastião e pelas histórias de um povo que carrega no cotidiano a força de suas raízes.
Com música ao vivo, poesia, expressão corporal e projeções fotográficas, o espetáculo despertou a atenção de diferentes públicos e recebeu uma resposta extremamente positiva dos visitantes. Humbertuenses que estiveram presentes vivenciaram um momento de reconhecimento e emoção ao verem sua terra representada artisticamente, fortalecendo o sentimento de orgulho e pertencimento. Lindo espetáculo “pluriartes”!!!!
A exposição e o espetáculo transformaram o espaço em um encontro de memórias, afetos e celebração da identidade cultural de Rampa. Assim, mostrou como a beleza de um lugar também vive nas histórias das pessoas que o constroem. Mantenhamos viva a história de nossa região!!! Transmitamo-na aos nossas crianças e jovens!!!!
A mostra fotográfica é um produto do longa-metragem documentário “Josimael Caldas: a trajetória de um artista no teatro maranhense”. Aguardemos!!! Em breve, será apresentado ao público, ampliando o registro da trajetória artística e da relação deste multiartista com sua terra natal. Já curiosa para assistir ao próximo projeto!!!
Enfim, ‘Rampa, o Paraíso Escondido’ foi um show das diversas expressões artísticas!!!! Mais que uma exposição e um espetáculo, foi uma homenagem à memória, à cultura e à riqueza humana de um território. Esta região merece continuar revelando seus encantos.
Realização: Governo Federal através do Ministério da Cultura e lei Aldir Blanc
Apoio: Governo do Estado através da Secretaria de Estado da Cultura
Produção: Egger Consulting
Informações sobre o povoado de Rampa
Localização: município de Humberto de Campos, na região dos Lençóis Maranhenses, no norte do estado do Maranhão. O município integra a mesorregião Norte Maranhense e a microrregião dos Lençóis Maranhenses.
Área territorial do município: de aproximadamente 1.714,625 km², com população de cerca de 25 mil habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE.
Geografia da região: apresenta relevo predominantemente plano e baixo, típico das áreas costeiras maranhenses, favorecendo a existência de campos inundáveis, igarapés, manguezais e lagoas sazonais. O clima é tropical quente, com períodos chuvosos e secos bem definidos, característica comum do litoral norte maranhense.
Vegetação do município: composta por formações de Cerrado, vegetação costeira, áreas de manguezal e ecossistemas de transição entre o litoral e o interior do Maranhão. As paisagens locais apresentam campos abertos, vegetação rasteira, áreas alagáveis e forte influência dos ventos litorâneos.
Economia: pesca artesanal, agricultura familiar e extrativismo, atividades tradicionais presentes em grande parte das comunidades rurais do litoral maranhense.
Minicurrículo: JOSIMAEL CALDAS: pedagogo, graduado pela universidade estadual do maranhão. capacitação em projetos culturais pela fundação Getúlio Vargas. Professor de artes cênicas, ator e diretor teatral. É membro da Academia Atheniense de Letras e Artes – ATHEART, cadeira nº 10, tendo como patrono o conterrâneo Humberto de Campos, e membro da Sociedade de Cultura Latina do estado do Maranhão.
ENTREVISTA
1 – O QUE TE MOTIVOU A ORGANIZAR A EXPOSIÇÃO E ESPETÁCULO “RAMPA, O PARAÍSO ESCONDIDO”?
Josimael Caldas: A motivação para organizar a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” nasceu a partir da realização do longa-metragem documentário Josimael Caldas: A Jornada de Um Artista no Teatro Maranhense”. Durante o processo de gravação do documentário em Rampa, minha terra natal, o encontro com as paisagens, as belezas naturais e os modos de vida da comunidade, despertou um novo olhar sobre esse território tão rico em memória, cultura e afetos. As imagens registradas durante as filmagens revelaram um lugar de grande beleza: o rio Maparí, os caminhos, a vegetação, os espaços de convivência e a relação harmoniosa entre o povo e a natureza.
Essas fotografias ultrapassaram o registro documental e passaram a contar uma história própria, inspirando a criação de uma exposição que pudesse apresentar ao público a essência e os encantos de Rampa. A partir dessa inspiração visual, surgiu também o espetáculo teatral, como uma forma de transformar essas memórias em poesia, movimento e emoção. Em cena, Rampa ganha voz e se apresenta como território vivo, revelando suas tradições, sua fé, sua ancestralidade e a força de um povo que mantém suas raízes.
Assim, a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” tornam-se desdobramentos do documentário, ampliando sua narrativa e compartilhando com o público a beleza de um lugar que muitas vezes permanece desconhecido, mas que guarda histórias, paisagens e sentimentos que merecem ser revelados e preservados. É uma homenagem à minha terra natal, uma celebração da memória e uma forma de mostrar que Rampa não é apenas um lugar no mapa: é um território de identidade, pertencimento e encantamento.
2 – QUAL FOI A RECEPTIVIDADE PELOS MORADORES DO POVOADO DE RAMPA?
Josimael Caldas: A receptividade dos moradores de Rampa e dos humbertuenses foi extremamente positiva e marcada por muita emoção e sentimento de pertencimento. O público recebeu a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” com encantamento, reconhecendo nas imagens, na narrativa teatral e nas memórias apresentadas a riqueza de sua própria história.
Muitos espectadores se emocionaram ao ver a beleza das paisagens, dos rios, da natureza e dos elementos culturais que fazem parte do cotidiano da comunidade. Para os rampenses presentes, a experiência representou um momento de valorização da sua identidade, de reconhecimento das suas raízes e de orgulho por ver sua terra natal apresentada artisticamente. Percebeu-se no olhar do público a conexão afetiva com o território: as lembranças da infância, os costumes, a fé em São Sebastião, os encontros comunitários e a relação com a natureza despertaram memórias coletivas. A exposição e o espetáculo não foram vistos apenas como uma apresentação artística, mas como uma homenagem à história e à vida de um povo.
A resposta dos moradores de Rampa e dos humbertuenses reforçou a importância de iniciativas que valorizam a cultura local, fortalecem o sentimento de pertencimento e revelam ao público a beleza de um lugar que carrega uma grande riqueza humana e cultural.
“É preciso muito talento, grande habilidade, autodisciplina e autocensura para conseguir inventar não apenas algo novo, mas também algo realmente válido!” (Gigi Căciuleanu)
Caros amigos, tenho o grande prazer e a honra de dar continuidade à minha série de entrevistas no maravilho Jornal Cultural ROL com esta entrevista realizada com o renomado bailarino e coreógrafo francês de origem romena, Gigi Căciuleanu.
Capa do livro ‘Romenos do Século XXI’, de Rhea Cristina
A entrevista foi publicada no meu quarto livro de entrevistas, ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (editora Pro Universitaria, 2013).
O volume contém 32 entrevistas com 29 personalidades (culturais e sociopolíticas) da Roménia contemporânea, nas quais analiso diversos aspetos da vida política, socioeconómica e cultural da Roménia, bem como as formas pelas quais estas foram afetadas pela ideologia comunista e pela transição para a democracia após 1989.
Os temas de discussão destas entrevistas abordam a ideia da nação romena, o destino do povo romeno nos planos cultural, social, histórico e político, analisando o processo do comunismo na Roménia, o período de transição pós-comunista e a fase da monarquia constitucional da Roménia.
Gigi CăciuleanuArquivo pessoal
Conhecido como bailarino e coreógrafo em quatro continentes, dançarino ao lado de Pina Bausch, coreógrafo em diversas ocasiões em sua companhia, coreógrafo e parceiro de Maya Plisetskaya, entre tantas outras colaborações internacionais, além de diretor artístico do Ballet Nacional Chileno, “El Banch”, Gigi Căciuleanu é, por sua maneira de ser, uma combinação singular de originalidade, sensibilidade artística e humor.
Gigi Căciuleanu é primeiro bailarino e professor de dança contemporânea de renome mundial, fundador da companhia de dança que leva seu nome. É um dos mais importantes bailarinos, coreógrafos e professores romenos de dança contemporânea, com uma notável carreira internacional desenvolvida na Romênia, França, Chile e em diversos outros países.
Nascido em Bucareste e formado pela Escola Nacional de Coreografia, descobriu a dança contemporânea aos 14 anos, sob a orientação de Miriam Răducanu, participando das célebres “Nocturnas 9½”. Complementou sua formação artística no Teatro Bolshoi, em Moscou, e tornou-se solista da Ópera Romena de Bucareste, onde interpretou papéis de destaque e inspirou a criação de partituras coreográficas especialmente concebidas para ele.
Desde o início da década de 1970, destacou-se internacionalmente ao conquistar importantes prêmios de coreografia: o Prêmio de Coreografia no Concurso Internacional de Varna (1970) e, por duas vezes, o Primeiro Prêmio no Concurso Internacional de Coreografia de Colônia (1971 e 1972). Entre 1972 e 1973, integrou a companhia Folkwang Ballet, em Essen, dirigida por Pina Bausch, onde criou dez obras originais.
Em 1973, com o apoio de Rosella Hightower, fundou em Nancy, na França, o Estúdio de Dança Contemporânea, que posteriormente se transformaria nos “Ballets de Lorraine – Danse Contemporaine de France”.
Entre 1974 e 1978, dirigiu o Balé do Grand Théâtre de Nancy, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da dança contemporânea francesa. Tornou-se membro da SACD e um dos fundadores do Conselho Internacional da Dança da UNESCO, organizando festivais, turnês e encontros coreográficos, além de promover numerosos artistas da nova geração.
No período de 1978 a 1993, foi diretor artístico do Centro Nacional Coreográfico de Rennes e do Teatro Coreográfico Rennes/Bretagne. Colaborou com personalidades de renome mundial, como Astor Piazzolla, Pina Bausch, Maya Plisetskaya e Jean-Michel Jarre. Suas coreografias passaram a integrar o repertório de importantes instituições culturais de Paris, Hamburgo, Roma, Veneza, Cardiff, Montevidéu, São Paulo e Israel. Nessa mesma fase, organizou numerosas turnês internacionais e consolidou sua reputação como um criador inovador.
Seu reconhecimento internacional foi confirmado por diversas distinções. Em 1984, recebeu na França o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Em 1991, conquistou o Prêmio de Coreografia da revista Actualitatea Muzicală e, em 1992, criou para Maya Plisetskaya o espetáculo A Louca de Chaillot (Nebuna din Chaillot), apresentado com grande sucesso em Moscou. Suas criações foram transmitidas por importantes emissoras internacionais de televisão.
A partir de 1994, estabeleceu-se em Paris e fundou a Companhia Gigi Căciuleanu, com a qual desenvolveu inúmeros espetáculos e turnês internacionais. Paralelamente, colaborou com instituições e companhias de dança da Europa e da América Latina.
Em 2001, assumiu a direção artística do Balé Nacional do Chile, onde criou diversos espetáculos amplamente aclamados e recebeu importantes prêmios, incluindo o Prêmio Altazor, equivalente chileno do Oscar das artes.
Nas décadas de 2000 e 2010, continuou a criar espetáculos na França, Chile, Uruguai e Romênia, a ministrar oficinas e masterclasses e a participar de júris internacionais de dança. Em 2007, fundou em Bucareste a Gigi Căciuleanu Romania Dance Company. Sua atividade foi recompensada com inúmeras distinções, entre elas o Prêmio Especial UNITER pelo conjunto da carreira (2010), o Prêmio ROMAinDANZA pela contribuição ao desenvolvimento do teatro-dança contemporâneo (2011), o título de Professor Honoris Causa da Universidade de Artes de Târgu Mureș (2012) e a Medalha Reitoral da Universidade do Chile.
Por meio de sua atividade artística, pedagógica e de gestão, Gigi Căciuleanu contribuiu de forma decisiva para a afirmação e o desenvolvimento da dança contemporânea em nível internacional, sendo considerado uma das grandes personalidades da coreografia mundial.
Em agosto de 2009, tive o privilégio de realizar uma entrevista com o mestre Gigi Căciuleanu. Um homem da comunicação e da excelência artística. Um artista seduzido pelo próprio voo, pelo conhecimento humano da Arte. E um ser de rara modéstia.
Reproduzo agora, na íntegra, esta fascinante entrevista.
Rhea Cristina:Antes de dezembro de 1989, qual era o significado do repertório da Ópera? O termo “bailarino” tinha o mesmo significado que “dançarino”? E depois de 1989?
Gigi Căciuleanu: Prefiro que me chamem de “dançarino”. Nunca gostei do termo “bailarino”. É uma espécie de equivalente masculino de “bailarina”. A bailarina é aquela que faz as jovens sonharem. O dançarino (tanto no masculino quanto no feminino) é aquele que faz pensar. Isso vale tanto antes quanto depois de 1989.
Voltando ao repertório. Considero que, no que diz respeito ao Balé (e à Ópera), a situação na Romênia (assim como nos demais países do Leste Europeu) era muito positiva. Qualquer pessoa podia assistir, a qualquer momento, a qualquer obra do repertório. Isso se perdeu ou nunca existiu no Ocidente.
As criações são produzidas e descartadas conforme o gosto do momento, mas nada permanece. O que teria acontecido com O Lago dos Cisnes se não existisse a noção de repertório e se a obra não tivesse sido integrada a ele?… Ou com Molière sem a Comédie-Française e Bertolt Brecht sem o Berliner Ensemble?… E o que teria sido da pintura moderna (e das artes plásticas em geral) se tivéssemos jogado fora as telas de Da Vinci, Rafael, Rembrandt, Picasso, Dalí etc., depois de vê-las apenas uma única vez?
Rhea Cristina:O que a dança representa, em nível europeu e mundial, em 2009?
Gigi Căciuleanu: A dança, apesar de ser talvez a arte mais antiga e mais completa que existe (afinal, não há uma única parte, não apenas do corpo, mas de todo o ser humano, que não participe do ato de dançar!), continua sendo… a quinta roda da carroça. Não por culpa do público ou das diferentes “autoridades” culturais, mas sobretudo por culpa… nossa, dos artistas da dança.
Minha opinião é a seguinte:
A dança é uma arte tão antiga quanto ainda inexplorada;
Para que ela saia da sua “idade da pedra”, é necessário PROFISSIONALISMO em um nível muito elevado.
Não se deve aceitar qualquer coisa, a qualquer momento e de qualquer pessoa…
Claro que tudo é possível!
Beethoven também era uma possibilidade, mas, entre infinitas possibilidades, até hoje surgiu… apenas um único Beethoven!
Para ser um artista da dança, é preciso conhecer o próprio instrumento, ou seja, o CORPO, e isso não apenas em cada átomo do ser físico, mas até nas profundezas do cérebro.
Para ser Verdi, não basta ter algumas ideias ou saber organizar uma melodia; é preciso também conhecer as cordas vocais.
Para ser verdadeiramente um coreógrafo (e não apenas um organizador de movimentos), considero indispensável ter passado pela prova de fogo do palco, ter dançado centenas ou milhares de horas seguidas, ter morrido dançando entre quatro paredes e ressuscitado outras tantas vezes.
Rhea Cristina:Nesse contexto, onde se situa o dançarino romeno? Ele é um bastardo da Europa? Faz parte da elite da coreografia europeia ou mundial?
Gigi Căciuleanu: Não devemos confundir a noção de dançarino com a noção mais ampla de artista coreográfico, de coreógrafo, de coreautor (definição criada por Serge Lifar). O dançarino, assim como o artista circense, é uma espécie de bastardo não apenas da Europa, mas das artes em geral. Mas não por muito tempo.
Assim que a necessidade de uma linguagem universal se impuser como uma necessidade, como uma forma de sobrevivência, a linguagem do corpo se tornará o veículo de uma arte maior, no mesmo nível (ou talvez ainda mais necessária e elevada) que a música, o teatro etc. E as diversas imposturas (inclusive as internacionais) desaparecerão por si mesmas…
Porque a dança não é apenas movimento ou emoção (como no circo ou nos programas de variedades da televisão), mas sobretudo — pelo menos para mim — significado.
Independentemente de considerações geográficas ou político-materiais, faz realmente parte da elite da dança aquele que consegue fazer com que apenas a dança possa verdadeiramente expressá-lo, e que, por sua vez, consegue expressar-se através do movimento. De forma sincera e sem cálculo. Simplesmente pela necessidade de sobreviver (e não apenas fisicamente) por meio de sua arte. Aquele que realmente não consegue viver sem tornar-se um só com sua arte.
Ao mesmo tempo, deve ter a coragem de ser e permanecer ele mesmo (sem imitar este ou aquele). Permanecer fiel a si próprio não apenas em sua loucura, mas também em seu próprio conhecimento. Cultivar ambos, passo a passo. E aceitar, apesar do canto das sereias ou das exigências momentâneas de alguma moda, ser uma “singularidade”. Não apenas desfrutando de seus aspectos maravilhosos, mas também aceitando — e sendo capaz de suportar — as numerosas e agressivas desvantagens que essa condição representa.
Rhea Cristina:O que significava, para o coreógrafo romeno, participar de um concurso internacional de balé nas condições do marasmo totalitário comunista anterior a 1989?
Gigi Căciuleanu: Antes de 1989, era a única possibilidade de sair do país ou até mesmo de “fugir”, ou, como se dizia de forma mais elegante, de “ficar”. Em outras palavras, uma oportunidade de “escolher a liberdade”.
Rhea Cristina:E atualmente?
Gigi Căciuleanu: Participar de um concurso artístico, onde quer que ele aconteça, foi, é e continuará sendo uma loteria. Assim como os membros dos diversos júris e comissões. Muitas vezes também retirados do chapéu do acaso…
Não há como avaliar a arte de maneira objetiva. Digo isso porque participei de inúmeros concursos, dos dois lados do espelho: tanto como concorrente quanto como membro do júri. Como concorrente, tive sorte todas as vezes. Como jurado, procurei não esquecer os momentos em que minha própria arte foi julgada e pontuada, ficando à mercê de um veredicto tão subjetivo quanto aquilo que eu apresentava…
Rhea Cristina:Quais são as frustrações, as motivações e a força criadora de sua arte?
Gigi Căciuleanu: Muito frequentemente, essas noções se entrelaçam e se devoram mutuamente justamente para… alimentar o ato criador.
Rhea Cristina:Depois de 1989, podemos falar de um fracasso da coreografia romena ou de uma explosão de talentos que puderam se afirmar?
Gigi Căciuleanu: Eu falaria antes da existência permanente de grandes figuras da dança romena. Elas sempre existiram, existem e continuarão existindo. As flores não começaram a florescer depois de 1989, assim como não esperaram 1944 para fazê-lo.
Se eu tivesse de mencionar apenas uma dessas personalidades, pensaria em Miriam Răducanu. E somente por sua existência já podemos considerar que a dança romena está muito mais do que à altura…
Rhea Cristina:Na Romênia, o valor é apreciado ou desencorajado?
Gigi Căciuleanu: Voltemos ao exemplo de Miriam. Se percebermos que uma grande Dama da Dança romena (não apenas da dança moderna) — e não apenas da Romênia — não possui em seu próprio país sequer um espaço de um centímetro quadrado dedicado à sua arte (uma arte tão valiosa internacionalmente quanto específica e singular), deixo que a senhora mesma responda à pergunta…
Rhea Cristina:A dança está diretamente ligada à evolução da sociedade civil romena? Ela exerce uma ação catártica? O diálogo com o público ocorre de forma definidora e substancial na Romênia? E no Ocidente?
Gigi Căciuleanu: Não sou crítico nem historiador de arte ou de dança — e nem desejo ser.
Para descontrair um pouco: pessoalmente, tenho diante da dança a mesma atitude que tenho diante do AMOR: gosto de praticá-lo eu mesmo e não de ficar olhando os outros…
Brincadeiras à parte (embora talvez nem fosse brincadeira): a Dança, com letra maiúscula, como arte maior, está sem dúvida ligada à evolução da sociedade. Só que hoje, com a explosão dos meios de comunicação, entre os quais a Internet (a circulação de informações e vídeos) é a mais revolucionária e poderosa, já não se pode dizer que essa evolução esteja ligada apenas à sociedade romena. Estamos, na dança como em todos os outros domínios, “condenados” à globalização.
Uma ação catártica? Sem a menor dúvida. Tanto no sentido aristotélico quanto no da psicanálise.
Para mim, a dança é ao mesmo tempo doença e remédio. Doença e droga porque, se você estiver realmente “contaminado”, não consegue viver sem ela. E é também um remédio, sem qualquer dúvida, para muitas de nossas feridas físicas e emocionais. E até filosóficas, existenciais.
Uma espécie de elixir dos alquimistas, obtido não apenas pela manipulação física e/ou pela transmutação dos elementos, mas sobretudo pela transfiguração essencial da própria pessoa que provoca e conduz esse processo.
Rhea Cristina:Fale-nos um pouco sobre as origens de sua família…
Gigi Căciuleanu: Uma origem que, como se dizia antes de 1989, era o mais “não saudável” possível…
Antes de 1944, eu teria sido considerado alguém de “boa família”…
Rhea Cristina:Desde 2001, o senhor é diretor artístico do Balé Nacional do Chile, em Santiago.
Gigi Căciuleanu: Existem diretores porque são políticos (da cultura ou simplesmente da política). Outros são artistas porque são diretores. No meu caso, é diferente: sou diretor porque sou artista.
O Chile, depois da França, foi o país que me confiou o destino de uma companhia nacional. Lamento que não tenha sido a Romênia a me conceder essa honra. Mas quem sabe? Talvez um dia…
Rhea Cristina:Como isso aconteceu?
Gigi Căciuleanu: No Chile, assim como na França, deram-me a oportunidade de propor. E gostaram daquilo que eu propunha. Em Santiago, encontrei novamente um terreno fértil, como se diz na botânica.
Rhea Cristina:Como é o espaço cultural da América do Sul?
Gigi Căciuleanu: Não sou político. Nem mesmo um político da cultura…
Ele se parece com qualquer outro espaço “cultural”. Cultura não significa arte. A arte é a mesma em qualquer lugar. Ou seja, é praticada por personalidades — ou melhor, por “singularidades”.
Essas singularidades não se definem nem politicamente nem geograficamente, e evoluem não na horizontal, mas na vertical de uma espécie de escala de valores, semelhante à escala Richter dos terremotos.
Rhea Cristina:Quem foi/é Miriam Răducanu no contexto do balé romeno e mundial?
Gigi Căciuleanu: Ela é uma Mestra. Como eu dizia antes: universal, mas também única. Além de qualquer definição.
Rhea Cristina:Como a dança contemporânea se relaciona com o balé clássico, do tipo tchaikovskiano? Poderia me dar uma definição, se possível?
Gigi Căciuleanu: Dança é… dança. Uma grande crítica de dança parisiense, Dinah Maggie, dizia que o balé clássico é a dança contemporânea da época de Luís XIV. Tchaikovsky foi apenas compositor, não coreógrafo, e Petipa foi extremamente moderno para o seu tempo.
Hoje, como sempre, virar a página é algo tão necessário quanto difícil. Precisamos propor algo que supere aquilo que existiu antes, e não que o reduza. É preciso muito talento, grande habilidade, autodisciplina e autocensura para conseguir inventar não apenas algo novo, mas também algo realmente válido!
Rhea Cristina:Que tipo de esperança e de desesperança existe na sociedade romena contemporânea?
Gigi Căciuleanu: A mesma que existe no mundo inteiro, acrescida dos parâmetros específicos do espaço miorítico. Isso explica, na minha opinião, por que, apesar de termos artistas, intelectuais e cientistas excepcionais em abundância, ainda não temos nenhum Prêmio Nobel!…
Rhea Cristina:O que o público romeno espera atualmente dos coreógrafos romenos?
Gigi Căciuleanu: Provavelmente a mesma coisa que eu espero, e que qualquer um de nós espera…
A questão principal é: o que nós, artistas e criadores, somos capazes de oferecer a esse público?
Rhea Cristina:Que tipo de público de balé existe na Romênia, em comparação com a Europa e os Estados Unidos?
Gigi Căciuleanu: Tenho a impressão de que é o mesmo. “La même Jeannette mais autrement coiffée” (“A mesma Jeannette, apenas penteada de outra maneira”). Minha ideia é que o público é, em toda parte — do Chile ao Vietnã, da Romênia ao Canadá, da Grécia Antiga à moderna Nova York ou à decadente Paris — uma entidade mais inteligente ou, pelo menos, muito mais informada do que o autor de uma obra ou o intérprete em cena. E isso pela simples razão de que o público, sendo mais numeroso, representa uma quantidade maior (e também uma qualidade maior) de massa cinzenta e de antenas emocionais.
Rhea Cristina:Recentemente, em 2009, o senhor montou Sinfonia Fantástica na Ópera de Bucareste; em 2007 fundou a companhia de dança que leva seu nome, presente também no espetáculo Răzvan Mazilu e seus convidados; e, em 2009, lançou a versão em língua romena de seu livro Vento, Volumes, Vetores (Vânt, Volume, Vectori), publicado na coleção “Urban” da editora Curtea Veche, na qual descreve os símbolos alquímicos de sua arte.
Pouco antes, o senhor dançou no palco da Ópera Nacional de Bucareste ao som de La Vie en Rose, como convidado especial do evento de Răzvan Mazilu, organizado em apoio às escolas de coreografia (a última vez que o senhor havia dançado na Romênia foi em 1973, no espetáculo Um Americano em Paris, de Gershwin)…
Gigi Căciuleanu: Uau! Fui eu mesmo quem fez tudo isso???
Rhea Cristina:O que representam para o senhor a Romênia, a língua romena e o povo romeno? Qual é sua motivação para continuar vivendo e criando dança na Romênia, para os romenos?
Gigi Căciuleanu: A Romênia representa para mim um público com o qual me identifico plenamente do ponto de vista cultural, tanto pelo humor quanto pelo amor. Um público que, acredito, me compreende melhor do que qualquer outro e que eu não apenas compreendo, mas também gosto de compreender. E, pelo que me foi dado ver e viver, tenho a impressão de que o público romeno é mais apto a compreender o universal do que o público de países que se consideram depositários da “universalidade”!…
A língua romena? É a minha língua. Minha língua materna. Em determinado momento, no início do exílio, ela me ajudou a sobreviver psicologicamente. Hoje, ela me ajuda a viver. Quando não danço, escrevo. Embora eu também escreva em francês e em espanhol, e às vezes em russo, italiano ou até inglês, penso a minha dança em romeno. E aquilo que escrevo não são textos, mas dança.
Rhea Cristina:Por que o senhor decidiu se estabelecer definitivamente no Ocidente (França, Paris)?
Gigi Căciuleanu: Não fui eu que me estabeleci lá. Foi ele que se estabeleceu em mim…
Apaixonei-me por Paris desde o primeiro instante. Eu estava em Paris a caminho dos Estados Unidos quando, ao passar pela Embaixada Americana para retirar os documentos necessários à minha emigração, decidi reconstruir minha vida — ou melhor, renascer — ali, e não em outro lugar. Coupe de foudre! — amor à primeira vista!…
Rhea Cristina:Em 2009, Paris ainda é a “capital mundial da cultura”?
Gigi Căciuleanu: A capital do Artista é onde ele se encontra. Nesta época em que percebemos não apenas que a Terra é um planeta redondo, mas sobretudo que é um planeta muito pequeno, o umbigo do mundo pode estar em qualquer lugar.
Rhea Cristina:Ainda se lê poesia em Paris?
Gigi Căciuleanu: Não muito. Mas ainda se escreve.
Rhea Cristina:Qual é atualmente a situação do balé na capital francesa?
Gigi Căciuleanu: Como em qualquer outro lugar: muitas bobagens, alguns artistas maravilhosos (poucos, mas excelentes); tudo isso promovido mais pelos critérios de uma determinada política cultural do momento do que pelos da verdadeira Arte, que é atemporal e universal.
Rhea Cristina:Quais são seus maiores arrependimentos e suas maiores realizações?
Gigi Căciuleanu: Como na canção de Edith Piaf: “Non, rien de rien, non, je ne regrette rien…” (“Não, nada de nada, não me arrependo de nada…”). Quanto às minhas maiores realizações: espero que elas ainda estejam me esperando no futuro!
Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina.
Livro de Júnior Mosko explora os desafios da relação entre ator e personagem
Capa do livro ‘Entre Vidas – A Dualidade do Ator e Personagem
‘Entre Vidas – Dualidade do Ator e Personagem’ propõe reflexão sobre identidade, interpretação e saúde emocional no universo das artes cênicas
A complexa relação entre o ator e os personagens que interpreta é o tema central do livro Entre Vidas – Dualidade do Ator e Personagem, obra escrita por Júnior Mosko. O livro convida leitores, artistas e admiradores das artes cênicas a refletirem sobre os limites entre a identidade pessoal e a representação artística, abordando questões emocionais, psicológicas e humanas presentes no processo de atuação.
Dividida em 12 capítulos, a publicação percorre temas como a construção da persona, os desafios do distanciamento emocional após interpretações intensas, a influência das experiências pessoais na composição de personagens e o impacto da imersão profunda exigida por determinados papéis.
Logo na apresentação, o autor adota um tom próximo e acolhedor, conduzindo o leitor por uma jornada de autoconhecimento e descoberta. Em vez de oferecer fórmulas prontas, Mosko propõe questionamentos sobre a maneira como as pessoas assumem diferentes papéis ao longo da vida, estabelecendo paralelos entre a experiência cotidiana e o trabalho dos atores.
Entre os assuntos abordados estão a empatia como ferramenta de interpretação, os benefícios e riscos da imersão emocional, métodos de desconexão após o trabalho artístico e a forma como o público percebe a transformação dos artistas em cena. O livro também dedica espaço a exercícios de autoconhecimento e estratégias para evitar a confusão de identidade entre ator e personagem.
A obra destaca que a atuação vai além da simples representação. Segundo a proposta do autor, cada personagem carrega traços do intérprete, ao mesmo tempo em que pode deixar marcas profundas em quem o vive. Essa troca constante cria um processo de transformação que pode ser enriquecedor, mas também desafiador.
Ao abordar aspectos psicológicos e emocionais da profissão, Entre Vidas – Dualidade do Ator e Personagem surge como uma leitura relevante para estudantes de teatro, profissionais das artes, pesquisadores e leitores interessados nos mecanismos que conectam identidade, emoção e expressão artística.
Mais do que um estudo sobre atuação, o livro apresenta uma reflexão sobre a própria condição humana, mostrando que todos, em diferentes momentos da vida, transitam entre papéis, máscaras e versões de si mesmos.
Ficha da obra
Título: Entre Vidas – Dualidade do Ator e Personagem
Autor: Júnior Mosko
Gênero: Reflexão sobre artes cênicas, psicologia da atuação e desenvolvimento humano
Temas centrais: identidade, interpretação, empatia, imersão emocional e autoconhecimento.
Fonte: Editora News – quinta-feira, junho 11, 2026
Programação cultural é gratuita e reúne trabalhos com temáticas femininas poderosas apresentados pelos grupos Bordallo, Circo di SóLadies, Terra Cota e Cia. 4 Ventos
A segunda edição do “Mãos Empoderadas”, concebido pela produtora Estima Cultural, promove uma programação gratuita com espetáculos de artes cênicas. As apresentações acontecem no CEU Campo Limpo, nos dias 26 e 27 de abril, e na Casa de Cultura do Campo Limpo, nos dias 5, 11 e 26 de maio.
Durante os meses de abril e junho, o projeto reúne uma série de oficinas e atividades voltadas para 60 artesãs residentes na zona sul de São Paulo com a missão de fomentar a criatividade e empoderar por meio da capacitação de produção artesanal e geração de renda desperta a sororidade entre mulheres.
A programação de artes cênicas aberta ao público reúne seis espetáculos. “Escolhas”, do Grupo Bordallo Cultural, é apresentado no CEU Campo Limpo, no dia 26 de abril, às 19h. Em cena, a Palhaça Juliana Bordallo explora o riso para refletir sobre questões como abuso, controle, desigualdade, machismo e historicidade enfrentadas por mulheres.
Já “Estupendo Circo di SóLadies”, do Circo di SóLadies, é atração do dia 27 de abril, às 11h, também no CEU Campo Limpo. Na trama, após muito tempo trabalhando em diversos teatros e circos, cansadas dos mandos e desmandos dos patrões, três palhaças decidem criar seu próprio circo e rodar pelo mundo.
O mesmo grupo também apresenta “Choque-Rosa ou Com que Armas Lutamos?” no dia 27 de abril, às 16h, no CEU Campo Limpo.A criação do espetáculo partiu da pesquisa do grupo sobre a história de mulheres brasileiras e o impacto de seus feitos na sociedade, lidando com a violência gerada pelo machismo. O grupo trata desses temas complexos com complexos com muita delicadeza, riso e poesia.
Outra atração é “Cícera”, do grupo Contadores de Mentira, que acontece na Casa de Cultura do Campo Limpo, no dia 5 de maio, às 19h. O trabalho traz para o centro uma mulher nordestina afro-indígena que sai de sua terra em busca de oportunidades e melhores condições de vida. Cícera é a união de muitas mulheres, mais velhas e mais novas, que ainda sofrem com a invisibilização de seus problemas e de suas existências.
E em “Terra Cora”, do Grupo Terra Cora, as personagens Malu e Magali revivem histórias da poetisa goiana Cora Coralina (1889-1985). Em um tempo qualquer e em qualquer lugar, Pé de Meia e Lencinho estão arrumando a casa e, enquanto colocam as coisas no lugar, lembram fatos da história de Aninha, a menina feia da ponte da Lapa. A peça é encenada no dia 11 de maio, às 19h, na Casa de Cultura do Campo Limpo.
Para encerrar a programação com chave de ouro, Tecendo Histórias, da Cia 4 Ventos, é encenadona Casa de Cultura do Campo Limpo, no dia 26 de maio, às 15h. O espetáculo apresenta o universo encantado da mitologia e dos contos africanos com base na literatura infanto-juvenil. As narrativas teatralizadas tecem mágicas, histórias repletas de cantigas, danças, poesias e animais fantásticos.
A segunda edição do projeto Mãos Empoderadas é realizada pela Estima Cultural e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo por meio do Pro-Mac – Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais, com patrocínio da Meta e apoio institucional do CEU Campo Limpo, da Casa de Cultura do Campo Limpo e do Projeto Arrastão.
A Estima Cultural cria e produz projetos que buscam promover cultura e arte, oferecendo à população programações gratuitas acessíveis e de qualidade. Ao mesmo tempo, investe na geração de trabalho e renda para a extensa cadeia produtiva formada por profissionais e prestadores de serviços envolvidos em suas realizações.
Sobre a Meta
A Meta constrói tecnologias que ajudam as pessoas a se conectar, encontrar comunidades e crescer empresas. Quando o Facebook foi lançado em 2004, ele mudou a forma como as pessoas se conectam. Aplicativos como o Messenger, Instagram e WhatsApp ajudaram ainda mais a empoderar bilhões de pessoas em todo o mundo. Agora, a Meta está se movendo além das telas 2D, em direção a experiências imersivas como a realidade aumentada e a realidade virtual para ajudar a construir a próxima evolução da tecnologia social.
Confira abaixo a programação dos espetáculos:
CEU Campo Limpo
Endereço: Avenida Carlos Lacerda, 678, Vila Pirajussara
26/4, às 19h – “Escolhas” do Grupo Bordallo Cultural 27/4, às 11h – “Estupendo Circo” do Circo di SóLadies | Nem SóLadies 27/4, às 16h – “Choque-Rosa ou com que armas lutamos?” do Circo di SóLadies | Nem SóLadies
Casa de Cultura do Campo Limpo
Endereço: Rua Aroldo de Azevedo, 100 – Jardim Bom Refugio
5/5, às 19h – “Cícera” do grupo Contadores de Mentira
11/5 às 19h – “Terra Cora” do grupo Terra Cora.
26/5 às 15h – “Tecendo Histórias” da Cia. 4 Ventos.
Confira abaixo as sinopses dos espetáculos
“Escolhas”, do Grupo Bordallo Cultural
A obra usa o riso para refletir sobre questões como abuso, controle, desigualdade, machismo e historicidade enfrentadas por mulheres e, assim, o espetáculo tem o objetivo de construir novas possibilidades de relações interpessoais. A peça tem criação baseada na pesquisa da palhaça Juliana Bordallo sobre dramaturgia feminista e comicidade feminina.
Por meio do riso, o projeto de montagem do espetáculo ‘Escolhas’, busca refletir a respeito das relações de abuso, controle, escolhas, desigualdade, machismo e historicidade sofridas por essas mulheres, no intuito de desenvolver novas possibilidades de relações interpessoais.
Manter o equilíbrio, a sanidade mental, a criatividade, autoestima e não esquecer do autocuidado são imposições que levam Flóris às crises existenciais e de ansiedade. Entre essas inquietações e provocações nada filosóficas, Flóris guiará a plateia aos delírios do riso.
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Ficha Técnica
Criação e atuação: Palhaça Juliana Bordallo
Direção: Naomi Silman
Estupendo Circo Di Só Ladies, do Circo Di SóLadies
Após muito tempo trabalhando em diversos teatros e circos, cansadas dos mandos e desmandos dos patrões, três palhaças decidem criar seu próprio circo e rodar pelo mundo. A adaptação de cenas clássicas do circo tradicional, música, poesia e interação com a plateia compõem as apresentações de Estupendo Circo di SóLadies, levando o universo feminino em sua trajetória cômica, para crianças, jovens e adultos.
Feito por mulheres – palhaças, atrizes, musicistas, pesquisadoras e realizadoras – para todos os públicos, o grupo é um circo em que as artistas desenvolvem o repertório através do improviso e do jogo cênico com elementos fundamentais para a conexão e interação com o público, a conquista do estado da graça, do riso e da reflexão sobre o papel da mulher na sociedade.
Ficha Técnica
Palhaça Greice – Kelly Lima Palhaça Augustina – Tatá Oliveira Palhaça Úrsula – Veronica Mello Composição de paródias e músicas autorais: Lilyan Teles
Classificação: livre
Duração: 50 min
Choque-Rosa ou Com que Armas Lutamos?, do Circo di SóLadies
A criação do espetáculo partiu da pesquisa do grupo sobre a história de mulheres brasileiras e o impacto de seus feitos na sociedade, lidando com a violência gerada pelo machismo.
“Elas, as que vieram antes, guiaram nossas escolhas e guiarão as palhaças em suas descobertas” – explicam as mulheres palhaças integrantes do grupo.
Com uma equipe formada apenas por mulheres, CHOQUE-ROSA utiliza camadas simbólicas e surpreende o público por tratar de temas que geralmente são considerados complexos com muita delicadeza e poesia. Através do riso, inspira reflexões importantes sobre a potência da mulher, dialogando e envolvendo o público de todas as idades, divertindo crianças, jovens e adultos.
Classificação: Livre
Duração: 50 min
Ficha Técnica Direção: Luciana Viacava Assistente de Direção e Técnica de Som: Lays Somogyi Elenco: Kelly Lima, Vitória Maia, Theo Oliveira e Verônica Mello. Stand in: Loi Lima. Dramaturgista: Maria Fernanda de Barros Batalha Co-Autoria de Dramaturgia: Lui Castanho Composição de Trilha Sonora: Dani Nega Provocadora Corporal: Sheila Areas Preparadora Vocal: Naruna Costa Cenógrafa: Mariana Chiarello Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini Cenotécnicas: Thays do Valle e Lua Nucci Figurinista: Nagila Sanches
Cícera, do grupo Contadores de Mentiras
“Cícera” é uma obra que traz para o centro uma mulher nordestina afro- indígena, que sai de sua terra em busca de oportunidades e melhores condições de vida. Cícera é a união de muitas mulheres, mais velhas e mais novas, que ainda sofrem com a invisibilização de seus problemas e de suas existências. É uma obra que evoca a ancestralidade da atriz que personifica a sua própria mãe de nome homônimo, fato só revelado ao final do espetáculo.
Atravessado pela Cultura Popular brasileira, o trabalho se apoia nas tradições populares de Alagoas do “Guerreiro” e dos “Cantos de Trabalho”, tradições que aos poucos se tornam mais distantes do nosso presente
A obra propõe um olhar sobre o analfabetismo, a exploração, a fome, o desemprego, e a desigualdade. Realidade de boa parte das mulheres e homens que migram do nordeste do país para as grandes capitais do Sudeste. Cícera apresenta uma mulher nordestina crítica ao seu tempo, que sabe de suas lutas, e que não se resigna com retrocessos.
Na mala a alagoana Cícera traz um punhado de farinha, quatro filhas e o sonho de uma vida melhor. Em São Paulo encontra dureza, concreto, fome e saudade. “Cícera” é a história de uma mulher, mas é o retrato da vida de centenas de mulheres retirantes que deixam suas raízes na busca de igualdade social.
Ficha Técnica
Atuação, Criação e Dramaturgia: Daniele Santana
Direção: Cleiton Pereira
Classificação: 12 anos
Duração: 70 min
Terra Cora, do Grupo Terra Cora
“Terra Cora” compõe o Projeto Ligações Femininas, na intenção de resgatar os pequenos detalhes que permeiam o dia a dia da luta das mulheres. Para tanto, Malu e Magali revivem histórias da poetisa goiana Cora Coralina (1889-1985).
Em um tempo qualquer, em qualquer lugar, Pé de Meia e Lencinho estão arrumando a casa e, enquanto colocam as coisas no lugar, lembram fatos da história de Aninha, a menina feia da ponte da Lapa. Remexendo e nomeando essas memórias, acabam por desvelar Cora Coralina, uma mulher potente, à frente do seu tempo, que viveu, lutou e amou, sem perder a poesia. O texto é de Ronaldo Ventura. E a montagem conta com músicas de Maria Luísa Gouvea e operação de som de Yasmin Saloti.
Ficha Técnica:
Atrizes: Malú Saloti e Magali Costa
Direção de Evas Carretero
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Tecendo Histórias, da Cia 4 Ventos
A Cia apresenta o universo encantado da mitologia e dos contos africanos com base na literatura infanto-juvenil. As narrativas teatralizadas tecem mágicas, histórias repletas de cantigas, danças, poesias e animais fantásticos.
Ficha Técnica: Direção: Giselda Perê Dramaturgia: Luana Gonçalves Cenário: Cia Quatro Ventos Figurino: Débora Marçal Operador de Som: Lay Evelyn Produção Executiva: Cláudio Pavão Elenco: Emily Meirelles, Jéssica Oliveira, Lua Porto, Luana Gonçalves