O imóvel que respira no escuro
Conto de Clayton Alexandre Zocarato narra os segredos de uma misteriosa casa viva


O imóvel respirava.
Ninguém sabia dizer quando aquilo havia começado, e talvez essa fosse a primeira mentira contada pela casa, porque toda coisa que respira já respirou antes de ser percebida.
O problema não era ouvir o ar entrando pelas paredes, nem perceber o pequeno movimento das janelas durante a madrugada, nem mesmo a insistência de um ruído semelhante ao pulmão de um animal adormecido.
O problema era que o imóvel respirava sem possuir pulmões, e isso fazia com que todas as explicações possíveis parecessem imediatamente ridículas.
Durante o dia, a casa permanecia imóvel, obediente à geometria das coisas que não possuem vontade. Era um imóvel como tantos outros: paredes, portas, janelas, corredores, tomadas, uma escada estreita, um quintal coberto por uma espécie de silêncio vegetal.
Havia poeira sobre os móveis e uma lâmpada que demorava alguns segundos para acender. Havia também uma torneira que pingava sempre às três horas da tarde, embora ninguém tivesse encontrado qualquer vazamento.
À noite, porém, tudo mudava.
Não era uma mudança visível. O imóvel não crescia, não se deslocava, não alterava a posição das portas. Nada acontecia que pudesse ser fotografado.
Ainda assim, às duas horas e dezessete minutos, aproximadamente, as paredes pareciam adquirir uma espessura diferente, como se deixassem de separar o interior do exterior e passassem a separar o possível do impossível.
Era nesse momento que começava a respiração.
Primeiro, um sopro quase imperceptível.
Depois, um longo recolhimento.
Em seguida, o estalo das vigas.
E então o imóvel inspirava.
Inspirava como quem espera alguma coisa.
Expirava como quem se arrepende.
Ninguém morava ali havia muitos anos. Isso, entretanto, nunca significou que o imóvel estivesse vazio. O vazio é uma palavra inventada pelos vivos para nomear aquilo que não conseguem ocupar. Uma casa abandonada não está vazia. Está cheia de ausências. E algumas ausências possuem mais peso do que pessoas.
O antigo proprietário havia desaparecido sem deixar explicações. Não havia sangue, não havia cartas, não havia roupas abandonadas sobre uma cama. Havia apenas uma fotografia encontrada na sala, virada para a parede. Nela aparecia a fachada do imóvel, ainda recém-construído, mas havia uma diferença perturbadora: todas as janelas estavam abertas, embora a fotografia tivesse sido tirada em um dia de inverno.
No verso da fotografia havia uma frase:
“Não venda a casa. Ela ainda não terminou de existir.”
Ninguém compreendeu.
Frases assim costumam sobreviver porque não precisam ser compreendidas.
Durante anos, corretores tentaram vender o imóvel. Alguns desistiram depois de visitá-lo. Outros simplesmente desapareceram dos registros, como se nunca tivessem trabalhado com imóveis.
Um deles afirmou que havia entrado na cozinha e saído pela infância. Outro jurou ter encontrado, no segundo andar, uma porta que dava para uma sala idêntica à sala de entrada, mas habitada por móveis que pertenciam à sua própria casa.
Ninguém acreditou.
É sempre mais fácil acreditar na loucura de alguém do que na arquitetura de uma casa.
O imóvel permaneceu fechado.
Até que certa noite alguém entrou.
Não porque desejasse comprar.
Não porque procurasse abrigo.
Não porque estivesse perdido.
Entrou porque teve a impressão de que a casa o chamava.
Era uma sensação absurda, quase infantil. Um chamado sem voz. Uma inclinação invisível do mundo. Como se todas as ruas daquela cidade tivessem sido construídas para conduzi-lo àquela porta.
Parou diante da fachada.
A noite estava úmida.
As árvores permaneciam imóveis.
Nenhum carro passava.
Então ouviu.
Um som profundo.
Lento.
Respiratório.
O imóvel inspirou.
Ele recuou.
O imóvel expirou.
Ele aproximou-se.
Durante alguns segundos ficou diante da porta, tentando decidir se aquilo que sentia era medo ou apenas a percepção tardia de que nunca havia estado realmente seguro em lugar algum.
Tocou a maçaneta.
Estava quente.
Isso o perturbou mais do que qualquer outra coisa.
Uma maçaneta quente significa que alguém esteve ali.
Ou que a própria casa possui temperatura.
Ou que a realidade é apenas uma forma educada de esconder aquilo que não conseguimos explicar.
Abriu a porta.
A sala estava escura.
Não havia eletricidade, mas alguma luminosidade cinzenta penetrava pelas frestas das janelas. A poeira suspensa parecia formar pequenas constelações. Por alguns instantes ele teve a impressão de que o chão se movia.
Não era o chão.
Era a respiração.
As paredes avançavam alguns milímetros e recuavam.
Avançavam.
Recuavam.
Como se o imóvel estivesse tentando aprender a permanecer vivo.
Ele entrou.
A porta fechou-se atrás dele.
Não houve estrondo.
Apenas um clique.
O tipo de clique que uma decisão produz quando já não pode ser desfeita.
Olhou para trás.
A porta estava lá.
Mas parecia distante.
Muito distante.
Não fisicamente.
Existencialmente.
Aquela porta ainda era uma porta, mas havia deixado de ser uma saída.
Foi então que compreendeu que certas coisas não precisam estar trancadas para impedir uma fuga.
Caminhou pela sala.
Havia um relógio sobre a parede.
O ponteiro dos segundos girava para trás.
Ele aproximou-se.
O relógio marcava duas horas e dezessete minutos.
Sempre.
O ponteiro dos minutos tremia.
O dos segundos recuava.
O das horas parecia imóvel.
Encostou o ouvido na parede.
Ouviu um coração.
Afastou-se imediatamente.
Depois riu.
Riu porque a alternativa seria aceitar.
E rir diante do inexplicável é uma das últimas formas de soberania que restam ao homem.
— É apenas madeira — disse.
A parede respondeu:
— Sim.
Ele ficou imóvel.
Não havia boca.
Não havia voz.
A resposta parecia ter surgido dentro de sua cabeça, mas possuía uma textura estranha, como se outra consciência tivesse utilizado sua memória para falar.
— Quem disse isso?
Silêncio.
— Eu perguntei quem disse isso.
A casa respirou.
— Ninguém.
Ele olhou para o teto.
— Então quem respondeu?
A casa permaneceu imóvel.
— Você.
— Eu não disse nada.
— Ainda.
A palavra caiu dentro dele como uma pedra.
Ainda.
O que significava ainda?
Ainda não havia dito?
Ainda não existia?
Ainda não havia morrido?
A casa respirou novamente.
Ele começou a caminhar.
No corredor havia sete portas.
Tinha certeza de que eram seis.
Contou novamente.
Sete.
Abriu a primeira.
Um quarto vazio.
Abriu a segunda.
Outro quarto vazio.
A terceira dava para uma pequena biblioteca.
Livros ocupavam as estantes.
Todos sem títulos.
Retirou um volume.
Abriu.
As páginas estavam em branco.
Virou outra.
Em branco.
Outra.
Em branco.
Até chegar à última página.
Ali havia uma única frase:
“Você está lendo o lugar errado.”
Fechou o livro.
Devolveu-o à estante.
Foi então que percebeu que os livros respiravam.
As capas se elevavam lentamente.
Subiam.
Desciam.
Subiam.
Desciam.
Centenas de pequenos pulmões de papel.
Ele saiu da biblioteca.
A casa parecia observá-lo.
Não havia olhos.
Mas havia observação.
Talvez os olhos sejam apenas uma forma primitiva de observar.
Talvez observar seja algo que as paredes fazem melhor do que nós.
Entrou em outro quarto.
Havia uma cama.
Sobre ela, um casaco.
O casaco estava molhado.
Ele reconheceu o tecido.
Era seu.
Passou a mão sobre a roupa.
Estava fria.
No bolso encontrou uma chave.
Não sabia de que porta era.
Guardou-a.
Então ouviu passos no andar superior.
Um.
Dois.
Três.
Pararam.
Depois quatro.
Cinco.
Seis.
Ele contou.
Eram os passos de alguém descendo.
Mas não havia escada naquela direção.
Mesmo assim, os passos aproximavam-se.
O som atravessava o teto.
Descia pelas paredes.
Entrava no chão.
Até que parou diante dele.
— Quem está aí?
A casa respondeu:
— Você.
— Eu estou aqui.
— Não este.
Ele sentiu frio.
— Quantos de mim existem?
A casa demorou a responder.
— Depende de quando você pergunta.
Ele começou a compreender que não deveria fazer perguntas.
Mas o ser humano, diante do abismo, costuma fazer perguntas justamente porque não sabe fazer outra coisa.
— A casa está viva?
Silêncio.
— A casa está viva?
O imóvel respirou profundamente.
— A pergunta é pequena demais.
— Então o que você é?
As paredes estalaram.
— Aquilo que permanece quando ninguém mais acredita.
Ele sentou-se na cama.
Durante alguns minutos não disse nada.
A casa também não.
Foi o primeiro momento de paz.
Talvez a paz seja apenas a suspensão temporária das perguntas.
Fechou os olhos.
Pensou em sua infância.
Não lembrava do rosto da mãe.
Isso o assustou.
Tentou lembrar do pai.
Também não conseguiu.
Lembrou da escola.
Dos corredores.
Da primeira vez em que sentira vergonha.
Do primeiro beijo.
Da primeira morte.
Mas tudo parecia acontecer dentro daquela casa.
A casa não mostrava lembranças.
Ela fabricava passado.
E talvez essa fosse sua verdadeira perversidade.
Ela não precisava matar ninguém.
Bastava alterar aquilo que alguém acreditava ter vivido.
Levantou-se.
No corredor, agora havia oito portas.
Depois nove.
Depois dez.
Cada vez que olhava, uma nova porta aparecia.
— Isso não é possível.
A casa respondeu:
— Possível para quem?
Ele não respondeu.
A casa continuou:
— Você chama de impossível tudo aquilo que não sabe suportar.
— E o que é possível?
— Tudo o que já aconteceu.
— E o que não aconteceu?
— Também.
Ele fechou os olhos.
— Você não faz sentido.
A casa respirou.
— Finalmente.
Foi então que ele percebeu que o absurdo não era a casa respirar.
O absurdo era ele esperar que o mundo tivesse obrigação de fazer sentido.
A casa não era louca.
Louca era a expectativa.
Aquela pequena crença humana de que paredes deveriam permanecer imóveis, relógios deveriam avançar, portas deveriam conduzir a lugares e mortos deveriam permanecer mortos.
A casa apenas retirava essas convenções.
E, sem elas, o mundo revelava sua verdadeira arquitetura.
Uma arquitetura sem arquiteto.
Caminhou até o fim do corredor.
Encontrou uma porta diferente.
Era branca.
Sem maçaneta.
Sobre ela havia uma inscrição:
“ENTRE QUANDO TIVER CERTEZA.”
Ele sorriu.
— Nunca entrarei.
A casa respondeu:
— Já entrou.
A porta abriu-se.
Do outro lado havia uma sala completamente iluminada.
Ele reconheceu o lugar.
Era a sala de sua própria casa.
Seu sofá.
Sua televisão.
Sua mesa.
Seu relógio.
Seu retrato.
Mas havia alguém sentado no sofá.
Ele mesmo.
A outra versão levantou-se.
Olhou para ele.
Sorriu.
— Você demorou.
Ele não conseguiu falar.
— Quanto tempo estou aqui?
O outro respondeu:
— Desde antes de você entrar.
— Isso é impossível.
— Você continua usando essa palavra.
— Quem é você?
— A pergunta errada.
— Então qual é a pergunta certa?
O outro aproximou-se.
— Por que você precisa ser alguém?
Ele ficou em silêncio.
O outro continuou:
— Você passou a vida inteira tentando transformar existência em propriedade. Meu corpo. Minha casa. Meu nome. Minha profissão. Minha memória. Meu passado. Meus medos. Até a morte você queria possuir.
— Eu apenas fiquei.
A frase pareceu produzir uma rachadura no ar.
O imóvel respirou.
As duas versões dele permaneceram diante uma da outra.
Então o outro desapareceu.
Não morreu.
Não saiu.
Apenas deixou de estar onde estava.
Ele entrou na sala.
Era sua casa.
Mas não era.
Sobre a mesa havia uma fotografia.
Pegou-a.
Era a fachada do imóvel.
Virou.
No verso estava escrito:
“Não venda a casa. Ela ainda não terminou de existir.”
Ele deixou a fotografia cair.
Sentiu vontade de chorar.
Não chorou.
Talvez porque naquele momento percebeu que até suas lágrimas pertenciam à casa.
Saiu.
A porta estava novamente diante dele.
Abriu.
Do lado de fora amanhecia.
A rua estava cheia.
Pessoas caminhavam.
Carros passavam.
Um cachorro latia.
Uma mulher varria a calçada.
Tudo parecia normal.
Olhou para trás.
O imóvel estava silencioso.
Nenhum movimento.
Nenhuma respiração.
Nada.
Ele caminhou alguns metros.
Sentiu alívio.
Então ouviu um som.
Inspirou.
Expirou.
Parou.
Percebeu que o som vinha de dentro dele.
Respirou novamente.
A casa respirou junto.
Ou talvez ele respirasse como a casa.
Voltou-se.
A fachada permanecia imóvel.
No segundo andar, uma janela abriu-se lentamente.
Ele não viu ninguém.
Mas teve certeza de que havia alguém olhando.
Continuou caminhando.
Durante meses tentou esquecer.
Conseguiu esquecer durante alguns dias.
Depois durante algumas horas.
Depois durante alguns minutos.
Até perceber que o esquecimento também era uma forma de permanência.
Começou a sonhar com o imóvel.
Todas as noites.
Nos sonhos, nunca entrava.
Ficava diante da porta.
Esperando.
A casa respirava.
Ele respirava.
E ambos aguardavam alguma coisa que nenhum dos dois sabia nomear.
Certa manhã, recebeu uma carta.
Não havia remetente.
Dentro havia apenas uma folha.
Nela estava escrito:
“Você deixou sua chave aqui.”
Ele verificou os bolsos.
A chave encontrada no quarto ainda estava consigo.
Colocou-a sobre a mesa.
Naquela noite, dormiu mal.
Às duas horas e dezessete minutos, acordou.
Ouviu o som.
Inspirar.
Expirar.
Inspirar.
Expirar.
O som vinha do corredor.
Levantou-se.
Abriu a porta do quarto.
A chave estava no chão.
Não sobre a mesa.
No chão.
Brilhava sob a luz fraca.
Ele pegou.
Não sabia por quê.
Vestiu-se.
Saiu de casa.
Andou pelas ruas vazias.
A cidade parecia outra.
Ou talvez ele fosse outro.
Chegou ao imóvel pouco antes do amanhecer.
A porta estava aberta.
Entrou.
Desta vez não sentiu medo.
Sentiu reconhecimento.
O que era pior.
A casa respirou.
— Você voltou.
Ele respondeu:
— Eu nunca saí.
A casa permaneceu em silêncio.
— Então acabou?
— O quê?
— Tudo isso.
— Tudo isso ainda nem começou.
Ele olhou para o corredor.
Havia apenas uma porta.
A mesma porta.
Branca.
Sem maçaneta.
Sobre ela havia uma nova frase:
“SAIA QUANDO TIVER CERTEZA.”
Ele sorriu.
Empurrou.
A porta abriu.
Do outro lado havia uma rua.
A rua estava cheia.
Pessoas caminhavam.
Carros passavam.
Um cachorro latia.
Uma mulher varria a calçada.
Era a mesma manhã.
Era a mesma cidade.
Era o mesmo mundo.
Ele saiu.
A porta fechou.
Olhou para trás.
Não havia imóvel.
No lugar da casa existia apenas um terreno vazio.
Nenhuma parede.
Nenhuma janela.
Nenhuma escada.
Nenhum vestígio.
Um homem passou por ele.
Ele perguntou:
— O senhor sabe o que havia aqui?
O homem olhou para o terreno.
— Nada.
— Nunca houve uma casa?
— Não.
— Tem certeza?
O homem sorriu.
— Tenho.
Ele continuou caminhando.
Depois de alguns metros, colocou a mão no bolso.
Encontrou a chave.
Parou.
Olhou para ela.
Não havia nenhuma porta.
Mas a chave existia.
Talvez uma chave não precise de fechadura.
Talvez sua função verdadeira seja lembrar ao homem que toda abertura contém a possibilidade de um fechamento.
Guardou-a novamente.
Continuou.
A cidade despertava.
O céu clareava.
As pessoas começavam a falar.
O mundo recuperava sua aparência habitual.
Mas, em algum lugar atrás das coisas, havia uma respiração.
Lenta.
Profunda.
Quase imperceptível.
Ele caminhou mais depressa.
A respiração acompanhou.
Parou.
Ela parou.
Voltou a caminhar.
Ela voltou.
Então compreendeu.
Não era o imóvel que respirava.
Era o espaço entre ele e o imóvel.
Era aquilo que permanecia quando a casa desaparecia.
Era a distância.
Era a ausência.
Era o intervalo entre uma coisa e seu nome.
Talvez fosse Deus.
Talvez fosse o nada.
Talvez fosse apenas o ruído do próprio sangue procurando uma saída.
Ele não soube.
E, pela primeira vez, não precisou saber.
Sentou-se numa praça.
Observou as pessoas.
Todas caminhavam como se soubessem para onde iam.
Ele achou aquilo profundamente comovente.
Uma criança corria atrás de uma bola.
Um homem discutia ao telefone.
Uma mulher chorava discretamente.
Um velho alimentava pássaros.
Nada fazia sentido.
Tudo continuava.
E talvez esse fosse o único sentido possível.
Continuar.
Não porque houvesse destino.
Não porque houvesse promessa.
Não porque alguém tivesse escrito uma finalidade escondida atrás das paredes.
Continuar porque o movimento é a forma mais discreta que o absurdo encontrou para não confessar sua derrota.
Ele fechou os olhos.
Respirou.
Inspirou.
Expirou.
Por um instante, ouviu novamente o imóvel.
Mas agora o imóvel estava dentro dele.
Ou ele estava dentro do imóvel.
Ou nunca existira imóvel algum.
Abriu os olhos.
A praça continuava ali.
As pessoas continuavam ali.
O mundo continuava.
No bolso, a chave permanecia quente.
Ele apertou-a entre os dedos.
E ouviu, muito distante, uma porta se abrindo.
Depois outra.
Depois outra.
Depois milhares.
Todas ao mesmo tempo.
Nenhuma levava a lugar algum.
E, justamente por isso, todas levavam para dentro.
Ele sorriu.
Não havia mais casa.
Não havia mais saída.
Não havia mais pergunta.
Apenas a respiração.
Apenas o escuro.
Apenas aquele estranho lugar onde o ser, cansado de existir, finalmente descobria que o nada também precisava respirar.