Diário de um Bobo

Entre risos e verdades, Koringa transforma o cotidiano em arte e reflexão

Diário de um Bobo. Entre risos e reflexões Crônicas do cotidiano
Diário de um bobo

Radialista, artista e eterno bobo da corte, Hilton Rufino reúne em livro um olhar bem-humorado e sensível sobre o dia a dia.

Há quem transforme histórias da vida em espetáculo.

Hilton Luiz Rufino, conhecido pelo público como Koringa, o Bobo da Corte, é desses artistas que fazem do riso uma ponte… e do humor, uma forma de dizer verdades.

Hilton Ruffino , o Koringa
Hilton Ruffino, o Koringa

Com uma trajetória que atravessa décadas, Hilton Rufino construiu sua carreira levando alegria por onde passa.

Radialista formado em Comunicação Social, palhaço, mágico e animador de palco, ele atua desde 1989 encantando públicos de todas as idades com apresentações que misturam música, brincadeira, interação e, claro, muito humor.

Radicado em Indaiatuba desde 1997, Koringa se tornou uma figura conhecida e querida na cidade e região, participando de eventos, projetos culturais e ações sociais que marcaram gerações.

De festas infantis a eventos corporativos, de programas de rádio e televisão a festivais internacionais, como sua participação em Cuba, em 2023, sua arte sempre esteve presente, levando leveza e conexão.

Mas, para além dos palcos, existe também o olhar observador.

A ideia do livro nasce justamente desse outro espaço: das palavras.

A partir de colunas semanais escritas para jornais da região, Hilton reuniu textos que, juntos, formam uma obra que reflete o cotidiano com humor e sensibilidade.

Inspirado na figura medieval do bobo da corte, aquele que, por meio da leveza, conseguia dizer verdades desafiadoras, o autor constrói uma narrativa que diverte, mas também faz pensar.

É um humor que não é vazio.

É um humor que observa, traduz e, muitas vezes, revela.

Com linguagem acessível e um olhar atento aos detalhes do dia a dia, o livro se torna um convite para enxergar a vida por outra perspectiva mais leve, mais humana e, quem sabe, até mais verdadeira.

Entre risadas e reflexões, Koringa nos lembra de algo essencial: Às vezes, é no riso que encontramos as verdades mais profundas.

E talvez seja justamente essa a maior arte, transformar o cotidiano em algo que toca, diverte… e permanece.

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SINOPSE

Mais do que um registro de época, a obra é um mosaico de instantes vividos entre 2019 e 2021, onde humor e crítica caminham juntos, revelando que, às vezes, rir é a forma mais lúcida de compreender a realidade.

Um livro leve, humano e provocador, que mostra que o bom humor pode ser também uma forma de sabedoria.

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Diário de um bobo. Entre risos e reflexões Cronicas do cotiadiano
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Hoje eu sonhei com você

Paulo Siuves: Poema ‘Hoje eu sonhei com você’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem gerada pela IA do Bing – 10 de março de 2026, às 12:34

Hoje eu sonhei com você.

E você jamais saberá disso,

a menos que tropece neste poema.

Sonhei — e foi bom — de um jeito simples,
como quem encontra abrigo numa varanda

enquanto a tarde desmancha.

Acordei sorrindo, sem pressa,

com a sensação de que o mundo, por um instante,

tinha se alinhado ao que eu queria sentir.

Não importa o que fizemos.
Nem o que dissemos.
Amor, nós não fizemos.

Ficamos vestidos, inteiros, leves,
como duas brasas que preferem o calor contido
ao incêndio.
Rimos. Flertamos.
E havia ali algo maior
do que o cotidiano comporta,
um brilho que não cabe
na claridade comum dos dias.
Foi bonito. Tão bonito
que quase doeu ao despertar.

Mas eu não vou te contar.
Não direi que sonhei,
que gostei,
que por segundos desejei
que tudo tivesse sido real.

Guardo o sonho comigo,
como se fosse uma garrafa de água fresca
que não se divide,
porque minha sede
não acabou no sonho.

Paulo Siuves

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Entre o meu amor que celebra e o meu país que chora

Paulo Siuves

‘Entre o meu amor que celebra e o meu país que chora’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
magem criada por IA da GEmini - 05 de dezembro de 2025, às 14:10 PM
Imagem criada por IA da GEmini – 05 de dezembro de 2025,
às 14:10 PM

No primeiro dia de dezembro, minha casa acorda com uma alegria que não precisa de aviso nem preparo. É o aniversário da minha esposa. Desde que Delaine chegou, essa data acende uma luz diferente no nosso cotidiano, como se o dia viesse embalado em delicadeza própria. Ela sempre desperta achando que algo bom vai acontecer; e eu, mesmo sem prometer nada, quase sempre deixo acontecer.

 No dia seguinte, é a vez do aniversário da minha filha. E essa coincidência, que o calendário poderia ter distribuído de forma banal, virou um laço bonito entre elas. Já improvisamos mesas às pressas, comemoramos em dobro, rimos misturado, acendemos velas de aniversário que pareciam iluminar o mesmo sopro de alegria. Não foi o tempo que construiu isso. Foi a convivência. Foi a escolha. Foram os gestos que se reconhecem.

 Delaine entrou na vida das minhas filhas como quem chega com a alma aberta. Nunca quis ocupar o lugar de ninguém, nunca desejou disputar sombra nem afeto. Disse, desde o início, que não seria a madrasta má das histórias, que seria uma presença honesta. Alguém que acompanha, que orienta, que partilha. E Kenya e Kelly a acolheram com amizade verdadeira. Ver esse vínculo crescer é um privilégio silencioso. Há beleza em testemunhar três mulheres que não precisavam, mas escolheram construir cuidado.

 Tenho meus modos próprios de celebrar. Não gosto de um amor que vire protocolo, nem de transformar afeto em checklist anual. Mas Delaine sempre espera o café da manhã na cama. Às vezes eu levo, às vezes surpreendo de outro jeito. E essa espera diz mais sobre nós do que qualquer gesto planejado. Entre filhos, netos e a ausência que 2019 me deixou quando perdi minha mãe, minha família é tudo o que eu tenho. Tudo o que eu sou.

 Talvez por isso os acontecimentos desta semana tenham me atravessado com tanta força.

 Como compreender que uma simples linha de anzol seja suficiente para um homem atirar a própria esposa aos tubarões? E pior: como entender que ele faça isso duas vezes? Como aceitar que alguém arraste uma mulher pela Marginal Tietê como se ela fosse objeto? Ou que um influenciador, conhecido por ensinar ‘postura’, seja preso por agredir justamente a mulher com quem divide a casa?

 O que me assusta não é apenas a violência em si, mas a banalidade que a antecede. A rapidez com que a frustração vira ódio. A facilidade com que um cotidiano se transforma em risco. O instante em que um parceiro se converte em algoz. O amor que prometeu cuidar é o mesmo que tenta destruir. Não há lógica que dê conta disso. Não consigo imaginar nenhuma das mulheres da minha vida passando por algo semelhante. Só de supor, o pensamento se torna insuportável, porque ele dói antes mesmo de existir.

 Enquanto celebramos aniversários aqui em casa, os números do país contam outra história. Crescem as perseguições, a violência psicológica, as ameaças que antecedem o feminicídio. São estatísticas que parecem frias, mas ali estão registradas as horas que antecedem o tapa, o silêncio que precede o grito e o medo que anuncia o fim.

 E talvez seja exatamente aqui que os dois mundos se cruzem: o íntimo e o social.

 Porque amar as mulheres da minha família me obriga a olhar também para as que não têm quem as ampare, para as que convivem com o perigo dentro de casa e para as que talvez nem alcancem o próximo aniversário. Ser homem, para mim, nunca foi sinônimo de força física; é sinônimo de responsabilidade. Responsabilidade de não tolerar machismo, de não normalizar insultos, de criar filhos decentes, de apoiar autonomia e independência feminina. Proteção não é posse. É permitir que cada mulher caminhe com liberdade.

 No próximo ano, quando eu preparar o café da manhã para Delaine, seja na cama ou não, vou saber que o gesto carrega outra intenção. Não apenas celebrar sua vida, mas reafirmar que cada vida feminina merece continuidade. Em um país onde tantas mulheres não chegam ao dia seguinte, cada aniversário que comemoramos é também um manifesto silencioso. Que nenhuma mulher precise sobreviver para merecer o próprio amanhã. Porque, no fim das contas, garantir que ela amanheça viva é o mínimo que um país decente deveria entregar.

Paulo Siuves

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Pelos Espelhos

Entre contas, palavras e espelhos — um poeta que viu seu sonho tomar forma

Cpa do livro Pelos Espelhos
Version 1.0.0

Natural de Jaú, no interior de São Paulo, Nilson Rogério Cazeiro talvez nunca imaginasse que o caminho entre as planilhas e a poesia poderia ser, de fato, o mesmo.

Formado em Ciências Contábeis e atendente comercial, ele decidiu se aventurar também por outra conta: a das palavras.

Atualmente cursando Letras, ele prova que não existe idade nem tempo exato para transformar um sonho antigo em realidade — ainda mais quando esse sonho rima com amor, fé e persistência.

Casado com Tatiane, pai de Maria Clara, de 19 anos, e da pequena Stella, de apenas um aninho e sete meses, Nilson é, além de poeta, um homem de família.

E foi justamente nesse novo capítulo da vida — o segundo casamento, a chegada da filha mais nova e uma alma inquieta — que brotou Pelos Espelhos, seu primeiro livro publicado em julho de 2024.

Como ele mesmo descreve, o nascimento do livro coincidiu com o da filha Stella: “duas emoções indescritíveis”.

E como toda boa história, a dele é feita de tropeços, reencontros e, acima de tudo, fé.

A noite de autógrafos de Pelos Espelhos foi uma daquelas cenas dignas de serem eternizadas num poema — cheia de abraços, palavras doces e olhos brilhando.

As poesias do livro não seguem uma linha do tempo exata.

Nilson Rogério Cazeiro
Nilson Rogério Cazeiro

São pedaços de alma espalhados por diversas épocas: a infância vivida entre ruas e vilas, os dias no ginásio como professor, o carinho da mãe, o pôr do sol em plena pandemia.

São versos nascidos de silêncios, memórias e, às vezes, da mais pura saudade. “Cada poesia é como um presente de Deus”, diz ele.

E talvez por isso o livro voe — como menino correndo livre — tomando rumos inesperados, atravessando fronteiras e tocando corações que Nilson nunca imaginou alcançar.

Antes de ganhar o formato físico, Pelos Espelhos surgiu como um ebook simples, uma vitrine poética que ele publicou com o coração nas mãos e esperança nos olhos.

Criou então o perfil @nilsonrogeriopoetizar, no Instagram, onde foi reunindo leitores, amigos, poetas e incentivadores.

A semente vingou: antes mesmo da publicação oficial, já havia dezenas de leitores na fila. Hoje, são mais de 5 mil seguidores acompanhando sua jornada.

Além de Pelos Espelhos, Nilson também participou das antologias “Emoções Floridas” e “Coisas que eu nunca disse”, sempre com a mesma ternura e o desejo sincero de deixar uma centelha de luz onde quer que suas palavras alcancem.

Com um humor refinado e uma fé serena, Nilson segue escrevendo, sem pressa.

O segundo livro já dá sinais de que quer nascer — mas ele prefere deixar que o tempo, esse bom editor da vida, lapide os versos como quem lapida a alma.

Entre números e metáforas, entre o trabalho diário e a inspiração divina, Nilson Rogério Cazeiro é um exemplo claro de que poesia não é luxo, é necessidade — e que cada dia pode ser, sim, melhor, quando deixamos as palavras nos atravessarem com verdade.

REDE SOCIAL DO ESCRITOR

SINOPSE

A sinopse desse livro seria os detalhes que o olho humano não vê , o conjunto de sentimentos o emaranhado de palavras, gestos, vida …

Pelos Espelhos transcende viaja mundos entra nas vísceras talvez seja realmente um pouquinho de cada sentimento, seja as vitórias, histórias , trajetórias de um jovem da década de 80 que foi amadurecendo e vivendo num mundo com muitas divisões e contratempos, pandemia , guerras , crises políticas, crises pessoais, etc…

Mas a Poesia como sempre vence tudo tal qual uma lava vulcânica que explode e toma formas, vai se formando vai nascendo e inexplicavelmente sou poeta mas a poesia não é minha e sim , ela é de quem tiver o coração pulsante de gratidão pela vida ….

Pelos Espelhos , é um livro de poesias que fala de amor? (Uma vez me perguntaram ). – Sim , respondi.

Pois as poesias falam de “vida” e se é vida , portanto é amor . “ – não vejo a poesia que sai de mim ela toma uns rumos que não sei o nome nem de onde não há regras não há guerras não há eras …

Mesmo que seja pedras, mesmo que seja pássaros, mesmo que seja sonho “

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

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Capa do livro Pelos Espelhos
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Um brinde, com vinho!

A elegância da poesia de Fabíola Fabrícia versejada em vinho

Capa do livro Vinho Poíesis, de Fabíola Fabrícia
Capa do livro Vinho Poíesis, de Fabíola Fabrícia

A poetisa, professora e escritora Fabíola Fabrícia lança o seu sexto livro e traz como temática principal o vinho, uma bebida muito apreciada pela autora, que tem o vinho como uma das suas inspirações, pois, segundo ela, remete a boas reflexões.

Em Vinho Poíesis, poesia bilíngue português/inglês, o vinho vira poesia e aguça a imaginação dos leitores da poetisa, que escreve o cotidiano de uma maneira simples, harmônica e inteligente. Fabíola Fabrícia apresenta poemas maduros que nos recordam situações do dia a dia, junto a uma boa música, regada a vinhos oriundos de países como França, Portugal e Argentina.

Para Fabíola, o vinho é uma bebida completamente sensorial, que compõe uma harmonia capaz de oferecer experiências fantásticas no cotidiano de quem aprecia. A poesia e o vinho têm um entrosamento único que nos faz mergulhar em uma narrativa repleta de efeitos. Cada cálice degustado, traz consigo histórias, reminiscências de um tempo engarrafado em memórias, sentimentos e aromas que ultrapassam gerações. O vinho é um verdadeiro cúmplice das emoções humanas. Vinho é poesia, e cada rótulo nos oferece uma singularidade de sabores e sensações.

Os poemas de Fabíola são uma verdadeira viagem cultural, e, além dos vinhos, seus versos fazem alusão à música cubana, estadunidense, francesa, argentina e erudita.  Os poemas presentes na obra relatam acontecimentos que vão além do infinito da imaginação, manifestando-se em textos curtos, característica que predomina na função de linguagem da sua poética.

Serviço

Obra: Vinho Poíesis

Autora: Fabíola Fabrícia

Editora: Delicatta

ISBN: 978-85-8421-276-7

Preço: R$ 40,00

Sobre a autora

Fabíola Fabrícia
Fabíola Fabrícia

Fabíola Fabrícia é professora graduada em Letras Português/Inglês e Respectivas Literaturas e Pós-graduada em docência do Ensino Superior.

Publicou: Escritos Morgados (2017); Reflexões Poéticas c/ Antonio Lima Martins (2018); Poesia, literatura de ideias – Poetry,literature of ideas – bilíngue português/inglês(2019); Lili Brownie- Infantil – edição  bilíngue português/inglês(2021) e Alarido Poíesis- edição bilíngue português/espanhol(2023), Vinho Poíesis – edição  bilíngue português/inglês (2025). 

A autora tem participações em diversas antologias nacionais e internacionais. Foi convidada a apresentar os seus livros na Feira Virtual Internacional Del Libro Centro América, Peru, Chile e Argentina, entre outras.

Rede Social da autora: @fabi.poetry 

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Deitar-se no divã: uma possibilidade de reescrever a própria história

PSICANÁLISE E COTIDIANO

Bruna Rosalem:

‘Deitar-se no divã: uma possibilidade de reescrever
a própria história’

Bruna Rosalem
Bruna Rosalem
Imagem criada pela IA do Bing

Desde a paciente mais icônica de Freud, Anna O. e seu pedido ao médico neurologista que a deixasse falar sem interrupções, dizia “a limpeza da chaminé”, através de seu relato livre, a técnica psicanalítica depois pensada por Freud ao ouvir o desejo de sua paciente em falar livremente, tornou-se uma espécie de ‘cura pela palavra’. 

É claro que este método investigativo do psiquismo não foi construído assim tão facilmente, mas nos revela o quanto a possibilidade de falar o que vier à mente a um sujeito numa posição subjetiva de suposto saber de algo que o paciente não tem acesso, e mais ainda, poder escutar-se e inserir-se em sua própria história, nos dá notícias de que esta prática de escuta e fala tem possibilitado que os sujeitos reescrevam novos caminhos para uma vida menos angustiante e mais criativa.

A psicanálise nada promete, porém ao colocar o sujeito diante de seus próprios temores, desejos nefastos, ímpetos proibidos, repetidas decepções amorosas, de uma confusa orientação sexual, vícios desgastes, comportamentos sintomáticos, de um mal-estar indecifrável, baixa ou nenhuma libido sexual, gagueira e um nervosismo tremendo ao falar em público, das dificuldades em conseguir um emprego por nunca se achar suficiente, do árduo trabalho de luto, de um diagnóstico inesperado de uma grave doença, de perdas financeiras, de não conseguir engravidar, adicções diversas, fobias, dores inexplicáveis em determinadas partes do corpo, ou ainda, sentir-se incapaz de terminar qualquer tarefa…enfim, são inúmeras as aflições que nos atingem, deitar-se no divã pode ser o começo para transformar este vórtice perturbador que se inscreve na carne e traz sofrimento.

Divã (do turco diwan) é um móvel de origem oriental, uma contribuição para a psicanálise que o tomou como um dos instrumentos de manejo na análise. Diversas cores e formatos, uns mais largos, outros menores e estreitos, coloridos ou mais neutros, ornados com almofadas, mantas e afins. Tudo para tornar este novo espaço, a ida da poltrona para o divã, confortável e atrativa, por que não? Afinal, em análise a tal ‘passagem’ é a entrada do sujeito numa próxima etapa de seu percurso, mais intensa, mais íntima, mais aberta à escuta de seus fantasmas.

A superação das entrevistas iniciais, ‘entre – vistas’, do olho no olho, analista e analisante, para um lugar de quase isolamento, onde não há mais alguém olhando diretamente e a sensação de solidão, deitado, o sujeito depara-se com uma outra perspectiva de escuta. 

A figura do analista ainda se faz muito presente, porém ao ‘perder-se de vista’, ‘ausentar-se’ do campo visual do sujeito, o psicanalista espera romper de maneira mais enfática a lógica comum de diálogo, da reciprocidade, da troca, das modalidades usuais de conversa. Agora, no divã, torna-se mais palpável as possibilidades de regressão, de acessar conteúdos mais profundos, latentes, reveladores, a intensidade da transferência aumenta, abrem-se caminhos para que os sonhos entrem em cena como mais uma fonte de investigação da vida psíquica do analisante.

É como se o sujeito permitisse conversar consigo mesmo, obter as próprias respostas e explorar novos horizontes sem a preocupação de ser validado. Certamente que este processo é bastante trabalhoso, leva tempo, disposição e muito desejo. E não há garantias. Há um caminhar, um sentir, um vivenciar. Momentos, histórias, experiências. Quem sabe um recontar.

Ao se entregar aos desafios do divã, notadamente um sentimento de desamparo é irrompido. Afinal, a primeira porta de entrada para o mundo veio através de um olhar, ‘da janela da alma’, seja da mãe, seja de quem o projetou ao ser que está chegando. Perder este contato é de fato um árduo exercício. A psicanálise vem nos ensinar neste momento, que é possível se sentir desamparado sem a necessidade de um amparo. É justamente neste ensejo que o sujeito tem a possibilidade de se questionar acerca de suas dores, sem que um outro esteja lá prontamente para acolhê-lo. Há uma inversão na lógica do discurso, ou seja, nem sempre o questionamento do sujeito vai encontrar uma resposta que o satisfaça, muitas vezes são mais dúvidas que vão surgindo, mais indagações, mais chances de viradas, elaborações e saídas criativas.

Por mais estranhamento que possa provocar a passagem ao divã, são nos efeitos deste movimento que a análise pode ajudar o sujeito a atualizar seu passado no presente próspero, num esperançoso futuro.

Estendido no leito (de morte?), um outro ser pode ressurgir das cinzas que outrora impregnadas em seu corpo o forjava. Reescrever narrativas, descobrir o amor (o ódio também), amar e deixar ser amado, desfazer-se do secreto prazer pelo sofrimento, libertar-se da prisão dos pensamentos, correr o risco de ser livre.

Bruna Rosalem

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 Reflexão sobre a violência

Francisco Evandro de Oliveira:

Artigo ‘Reflexão sobre a violência’

Francisco Evandro de Oliveira
Francisco Evandro de Oliveira
Países seculares estão com suas economias falindo
Países seculares estão com suas economias falindo
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Estou cansado, a bem da verdade, muito cansado de ouvir falar e ver violência no nosso cotidiano; cada político, cada componente da justiça tem a brilhante solução. 

Contudo, a violência cresce assustadoramente, desvairada e descabida continuamente. É um grande cancro em nossa sociedade e nem toda gama de cobalto usado nos tratamentos quimioterápicos, por si só, é garantia da cura e para este mal social nos nossos dias, conhecido como violência. Todos imaginam mágicas soluções para arrefecer, conter e acabá-la. 

Os políticos e os componentes da justiça só vislumbram os efeitos, estão cegos para as causas. Em nenhum momento apresentam uma solução viável para as causas principais, que são os males do século: a fome, apartheid social, a miséria reinante e o desemprego em massa. 

Tais fatores estimulam uma péssima educação; criam um universo de descamisados, os quais crescem em grandes proporções a cada dia. 

Países seculares estão com suas economias falindo. Os grandes políticos não enxergam o evidente que salta aos olhos! 

A globalização desvairada, visando disfarçadamente os interesses dos países mais ricos e o excesso de tecnologia estão dizimando as economias de países ditos do 3º mundo e suas populações em si. 

Cresce indiscriminadamente o universo de traficantes, aumenta na mesma proporção a repreensão e o aparato policial, que por si só, além dos motivos óbvios conhecidos por todos, não são garantia de combate ao crime, tanto o poder constituído, quando o dito poder paralelo, aumentam consideravelmente seus potenciais bélicos e as mortes se fazem presentes e são diariamente estampadas nos noticiários locais e nacional.

Como consequência imediata vem: superlotação carcerária nas delegacias, carceragens e presídios que, devido às suas precaríssimas condições, tornam-se verdadeiros depósitos humanos e, porque não dizer, também se especializam no curso superior em violência. Rebeliões explodem!  Torna-se o Armagedom! Um inferno total!

Uma Torre de Babel dos tempos modernos! Enquanto isso, negociatas entre políticos, banda podre da polícia, da justiça e extermínios diários de jovens e adolescentes se fazem presentes.

Os nossos políticos permanecem dormindo no ‘berço esplêndido do País’, e, quando acordarem desse torpor, o país, embora com jovialidade, será uma nação predominante de crianças, mulheres e velhos.

Os jovens do sexo masculinos foram, em sua maioria, ceifados e dizimados pelo confronto entre traficantes e policiais e entre facções divergentes de seus interesses nefastos à sociedade. Onde estarão seus corpos? 

Poderemos encontrá-los nos diversos cemitérios clandestinos dos grupos de extermínios, das polícias, das milícias, dos traficantes e nos cemitérios oficiais. 

Esperamos que os governantes acordem para que possamos legar um mundo melhor as nossas futuras gerações; e esse mundo passa, necessariamente, pela Educação, pois como já dizia Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.

Francisco Evandro de Oliveira
  Professor de Física e Matemática – Escritor e Poeta

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