Alice S. Yousef

Carlos Javier Jarquín

‘Alice S. Yousef: poetisa palestiniana entre a poesia, a tradução, as viagens e a resiliência’

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Alice S. Yousef é bacharel (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.. Foto cedida por Alice S. Yousef.
Alice S. Yousef é bacharel (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.. Foto cedida por Alice S. Yousef.

Queridos amigos planetários:

Hoje tenho o prazer de compartilhar uma agradável entrevista que realizei com a poeta, tradutora e intérprete palestina Alice S. Yousef. Ela nasceu em 9 de dezembro de 1990, em Jerusalém, uma cidade bela e complexa, cheia de dor, mas também profundamente inspiradora por ser uma das mais antigas do mundo, cuja magia se reflete em múltiplas cores.

Alice é poeta, escritora, tradutora literária e jurídica, editora e pesquisadora que trabalha entre o árabe e o inglês. Sua trajetória está centrada na tradução de textos jurídicos, literatura e poesia. Possui bacharelado (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.

Além da tradução, ela menciona que “sou apaixonada pela escrita criativa, pela pesquisa e pela narrativa, com especial interesse pelos direitos humanos, gênero, direitos das pessoas com deficiência, migração e literatura. Meu trabalho é alimentado por uma rica prática cultural e por uma perspectiva global, o que me permite abordar narrativas complexas com precisão e empatia. Atualmente resido na Palestina e me dedico a dar voz por meio da linguagem, da interpretação, da pesquisa, da defesa dos direitos, da representação visual e da palavra escrita”.

Alice, leyendo poesía en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. Foto cortesía de Alice S. Yousef.
Alice, leyendo poesía en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. Foto cortesía de Alice S. Yousef.

Além de ser uma grande leitora, ela ama os idiomas, viajar e dançar salsa e bachata. Este ano, viajou para a Colômbia para participar do Festival Internacional de Poesia de Medellín, realizado em sua 36ª edição, de 4 a 11 de julho, sob o lema “Rumo à Primavera Humana”. Nesta conversa, ela nos conta sobre sua agradável experiência de ter visitado esse país sul-americano. Já viajou por mais de 20 países. Fala quatro idiomas: sua língua materna, o árabe, além de inglês, francês e espanhol.

Na entrevista, conversamos sobre diversos temas. Ela nos conta qual é seu livro preferido e sobre a influência que seus pais exerceram para transformá-la em uma grande leitora. Também fala sobre seu estilo literário: como o construiu e como conseguiu encontrar sua própria voz. Comenta os principais temas que aborda em sua obra literária. Além disso, compartilhou a boa notícia de que, no próximo verão, publicará, por uma editora do Reino Unido, sua primeira coletânea de poemas, que será lançada em inglês.

Ao final, Alice se despede enviando uma mensagem à humanidade, a partir daquela região do planeta, tão ferida e sofrida. Décadas se passaram e, às vezes, parece que o mundo se esqueceu da Palestina; quando olhamos as notícias, temos a sensação de que muitos não se lembram de que a Palestina existe…

Alice S. Yousef (primera de izquierda a derecha en la segunda fila) junto a poetas de distintos países presentes en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. 
Foto cortesía de Alice S. Yousef.
Alice S. Yousef (primera de izquierda a derecha en la segunda fila) junto a poetas de distintos países presentes en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026.
Foto cortesía de Alice S. Yousef.

Entrevista:

O que você mais se lembra com frequência da sua infância?
Cresci como a primeira neta de uma família numerosa; com frequência, lembro-me mais dos momentos cotidianos do que dos extraordinários: as reuniões familiares, o ritmo da vida diária e as histórias que eram contadas ao meu redor. Lembro-me de brincar ao ar livre nos campos, de visitar a Cidade Velha pela primeira vez e sentir que ela era um labirinto, de minha avó preparando bolos na cozinha e de meus pais lendo para mim. Também me lembro de sentir muito medo por causa do cenário político, que mudava constantemente, e por testemunhar a guerra. Crescer em Jerusalém também significou crescer com a consciência de que até mesmo os lugares comuns guardam camadas de história e memória. Quando olho para trás, percebo que muitos desses pequenos momentos acabaram encontrando seu caminho em minha poesia.

O que você recorda com mais carinho de suas primeiras leituras?
Lembro-me da sensação de descobrir que os livros podiam me transportar para lugares que nunca havia visto e, ao mesmo tempo, ajudar-me a compreender o lugar que eu já conhecia. Lembro-me do “só mais um capítulo” ou de mais uma história antes de dormir. Meus pais liam para mim; também me lembro de me esconder sob a luz do abajur para ler, até que minha mãe desistia e dizia: “Você vai prejudicar sua visão”. Ela tinha razão. Também me lembro de que eu tinha esse dom mágico de recontar a mesma história de maneiras diferentes, dependendo do membro da família. Acho que foi aí que começou a germinar a semente de me tornar escritora.

De todos os livros que você leu, escolhe O Caçador de Pipas como seu favorito. Por quê?
Escolho O Caçador de Pipas (The Kite Runner), pela maneira como Khaled Hosseini combina uma história humana íntima com temas mais amplos, como culpa, memória, amizade, deslocamento e redenção. Como escritora, admiro particularmente seu estilo: lírico, mas contido; emocionalmente preciso e sem adornos desnecessários. Ele sabe como fazer com que pequenos detalhes e momentos tenham um enorme peso emocional, ao mesmo tempo em que entrelaça uma história profundamente pessoal com a história mais ampla do Afeganistão. Para mim, é isso que torna o romance tão poderoso: ele está enraizado em um lugar e em uma história muito específicos, mas fala de algo profundamente universal sobre a memória, o remorso e nosso desejo de redenção.

O que a inspirou a se tornar poliglota?
Curiosidade, acima de tudo. Cada idioma abre uma nova maneira de ver o mundo. Sou fascinada pelas palavras e por seu potencial de mudar a maneira como vemos e compreendemos aquilo que nos rodeia. Também adoro ler e, em algum momento, quero poder ler meus autores favoritos em suas línguas nativas. Aprender idiomas me permitiu não apenas me comunicar com pessoas de diferentes culturas, mas também compreender como as ideias, as emoções e as histórias se transformam ao passar de uma língua para outra. Como tradutora, vejo a linguagem como uma ponte, e não como uma barreira.

Você pode resumir sua experiência em tradução e interpretação jurídica entre o inglês e o árabe, especificando os documentos (por exemplo, sentenças, projetos de lei), os tipos de interpretação simultânea, sua contribuição para a reforma judicial e como integra a perspectiva de gênero e os tribunais religiosos?

Sou tradutora e intérprete jurídica certificada, com mais de uma década de experiência construindo pontes entre idiomas e culturas.

Tenho me especializado na tradução de documentos jurídicos de alto nível, relatórios de políticas públicas e textos legislativos entre o inglês e o árabe.

Presto serviços de interpretação de alto nível — consecutiva e simultânea — para reuniões, workshops e consultas de natureza jurídica e judicial, facilitando debates fundamentais sobre governança, reforma da Justiça e assistência jurídica.

Adquiri um conhecimento profundo sobre o Estado de Direito, a assistência jurídica, a educação jurídica, a transversalização da perspectiva de gênero e o sistema de tribunais religiosos (tribunais de família) por meio da experiência prática em tradução e interpretação jurídica.

Desempenho um papel fundamental na comunicação jurídica multilíngue, garantindo clareza nos procedimentos judiciais, nos diálogos sobre políticas públicas e nas interações com as partes interessadas. Trabalho com elevado grau de autonomia, lidando com documentação jurídica sensível e contribuindo para debates estratégicos com o setor da Justiça.

De onde nasceu essa paixão por conhecer novos destinos?
Acredito que minha paixão por descobrir novos lugares tenha crescido naturalmente a partir do meu amor pela literatura. Muito antes de ter a oportunidade de viajar, os livros me permitiam atravessar fronteiras. A leitura me ensinou que cada lugar tem suas próprias histórias, mas também que as emoções presentes no centro dessas histórias são extraordinariamente universais. Quando finalmente comecei a viajar, percebi que, de certa maneira, estava encontrando lugares que já conhecia por meio da literatura. O que antes existia apenas em minha imaginação de repente ganhou rostos, vozes, paisagens e conversas. Viajar tornou-se algo mais do que visitar novos destinos; tornou-se uma oportunidade de ouvir, aprender e estabelecer conexões humanas genuínas.

Qual foi o principal ensinamento que sua passagem por Warwick lhe deixou?
Warwick me ensinou lições pessoais e profissionais que permanecerão comigo por toda a vida. A mais importante foi encontrar minha voz: tanto no papel quanto pessoalmente. Aprendi que escrever é, ao mesmo tempo, um ofício e uma conversa. A universidade me incentivou a experimentar, a questionar minhas próprias convicções e a ler com mais generosidade através das culturas. Talvez o mais importante tenha sido ter adquirido confiança para confiar em minha própria voz, sem deixar de estar aberta a aprender com os outros.

Durante sua permanência no Reino Unido, você morou perto da casa onde nasceu William Shakespeare. O que sentiu ao perceber esse detalhe?
Foi uma sensação surreal. A obra de Shakespeare atravessou séculos e idiomas, então estar perto do lugar onde ele nasceu me fez lembrar que a literatura pode sobreviver aos seus momentos no tempo e no espaço. Como escritora, isso reforçou minha convicção de que as histórias pertencem àqueles que continuam a lê-las e reinterpretá-las. Logo, aquele lugar se tornou meu lugar favorito para escapar dos longos e árduos dias de estudo.

O que a bolsa na Universidade de Iowa representou para sua vida pessoal e profissional?
O Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa foi uma experiência transformadora. Reuniu escritores de todo o mundo e criou um espaço onde diferentes idiomas, tradições e perspectivas podiam se encontrar em condições de igualdade. No âmbito pessoal, ampliou minha compreensão da comunidade literária global. Profissionalmente, reforçou meu compromisso com o intercâmbio cultural internacional e me proporcionou amizades e colaborações duradouras que continuam inspirando meu trabalho anos depois. Foi uma experiência extremamente enriquecedora.

Para quando você planeja publicar sua primeira coletânea de poemas e em que idioma ela será publicada?
Meu primeiro livro de poemas será lançado no próximo verão pela editora independente britânica Broken Sleep Books; a coletânea será publicada em inglês. Eu adoraria vê-la traduzida para diferentes idiomas.

¿Cuáles son los temas que más sobresalen en tu poesía?

Mi poesía explora la memoria, la identidad, el lenguaje, el mundo de las mujeres, el desplazamiento, el amor y las maneras silenciosas en que las realidades políticas moldean la vida cotidiana. Me interesa cómo los objetos y momentos ordinarios pueden contener un peso emocional extraordinario. La traducción también influye profundamente en mi escritura, porque veo la poesía como otra forma de cruzar fronteras y poner distintos mundos en diálogo.

A inicios de julio de este año estuviste en el Festival de Poesía de Medellín, en Colombia. ¿Qué significó para ti esa invitación?

Fue un honor enorme y una experiencia profundamente significativa para mí. El Festival Internacional de Poesía de Medellín es una de las reuniones poéticas más importantes del mundo, con una larga trayectoria de reunir a poetas en una ciudad que ha vivido una violencia y una transformación profunda. Subir a ese escenario como una de las pocas poetas palestinas participantes tuvo un significado especial. Sentí que llevaba no solo mi propio trabajo, sino también la presencia y las voces de las poetas palestinas que con demasiada frecuencia están ausentes en los grandes espacios literarios internacionales. Formar parte de un festival tan global me dio la oportunidad de situar la poesía palestina en una conversación poética mucho más amplia y de hablar sobre nuestras experiencias, nuestra historia y nuestro presente desde nuestra propia perspectiva. Fue tanto un privilegio como una responsabilidad, y una experiencia que llevaré conmigo por mucho tiempo.

¿Cómo describes tu estancia en Colombia? ¿Alguna vez imaginaste conocer la tierra de García Márquez?

Colombia superó todas mis expectativas. Es muy animada y ha salido de mucha oscuridad. Me sentí en casa. Me conmovió profundamente la calidez y generosidad de la gente, la riqueza de su cultura y el amor genuino por la poesía que encontré por todas partes. Desde hace tiempo soñaba con visitar Colombia, y estar literalmente en la puerta de Márquez fue un momento muy emotivo. Como admiradora de larga data de Gabriel García Márquez, visitar Colombia se sintió casi como entrar en un paisaje literario que había vivido en mi imaginación durante años. Fue un hermoso recordatorio de que la literatura puede inspirarnos mucho antes de llegar a un lugar en persona.

¿Qué impresiones te llevaste de América Latina para compartirlas en tu tierra natal?

Mi primera impresión fue: ¡es muy verde! Puedo estar equivocada, pero me impresionó la hermosa naturaleza. Me encanta que América Latina esté llena de vida: regresé con un profundo aprecio por la resiliencia, la danza, el arte, la creatividad y la generosidad de las comunidades latinoamericanas. A pesar de las distintas historias y lenguas, encontré muchas experiencias compartidas en torno a la memoria, la identidad y la esperanza. Me inspiró especialmente la forma en que la poesía se abraza como un arte público y comunitario, capaz de reunir a personas de todos los ámbitos de la vida. No creo que esta haya sido una visita de una sola vez.

¿Consideras que el mundo se ha olvidado de Palestina?

No creo que el mundo haya olvidado Palestina; es la lucha más antigua que vive bajo ocupación y guerra, pero la atención suele llegar en oleadas, como ocurre con la lucha por la libertad en todas partes. Lo importante es que la gente siga interesándose no solo por los titulares, sino también por la cultura palestina, su literatura, su música y la vida cotidiana. Nuestras historias son más que el ciclo de noticias, y el arte ayuda a preservar la humanidad que las estadísticas y los debates políticos a menudo pasan por alto.

¿Qué mensaje quisieras compartir desde Palestina?

Me gustaría que la gente recordara que detrás de cada titular hay seres humanos con sueños, familias, talentos e historias que vale la pena escuchar. Siempre hay más de lo que parece. Espero que quienes lean sigan acercándose a Palestina con curiosidad, empatía y disposición para escuchar. La literatura nos recuerda que, antes de ser definidos por la nacionalidad o la política, somos personas conectadas por nuestra humanidad compartida. Ahí, para mí, es donde empieza toda conversación que tenga sentido.

Querida Alice, gracias por dedicar tu tiempo y tu espacio desde Palestina para compartir con las lectoras y lectores de este distinguido medio. Recibe mis sinceras felicitaciones por la trayectoria que has construido a lo largo de tu vida, tanto en tu labor profesional como traductora como en tu obra creativa.

En el siguiente enlace podrán disfrutar de una lectura poética de Alice, que ofreció durante el Festival Internacional de Poesía de Medellín (Colombia) el pasado mes de julio: https://youtu.be/aPHb3790R6c?si=e0BQHKJhOYXATTyE

  • Nota: la presente entrevista ha sido traducida del inglés al español mediante Perplexity AI.

El entrevistador, es escritor nicaragüense radicado en Costa Rica.

Contacto: carlosjavierjarquin2690@yahoo.es 

Carlos Javier Jarquín

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