Ensaio sobre a atriz e escritora romena Claudia Motea

Rhea Cristina

‘Claudia Motea: A atriz romena que transformou o palco em um universo de emoções. O raro fenômeno do teatro romeno’

Rhea Cristina
Rhea Cristina

Caros amigos do Jornal Cultural ROL, tenho o imenso prazer de apresentar este ensaio escrito por mim sobre Claudia Motea, atriz, dramaturga, escritora, poeta, roteirista, tradutora e professora de arte dramática. É uma daquelas artistas raras que construíram uma carreira entre a Romênia, o Canadá, a Europa e os Estados Unidos.

Por meio de seus espetáculos solo (one-woman-shows), de seus livros e de seus projetos multimídia, ela transforma a história, a cultura e as grandes personalidades romenas em experiências vivas, capazes de emocionar o público em todos os lugares.

Claudia Motea - Claudia Motea - Arquivo Pessoal
Claudia Motea – Arquivo Pessoal

Uma carreira construída entre a Romênia e a América

Definir Claudia Motea em poucas palavras é uma tarefa difícil. Atriz, poetisa, escritora, dramaturga, roteirista, tradutora e professora de arte dramática, ela é, ao mesmo tempo, produtora e coordenadora de projetos culturais. É uma daquelas personalidades artísticas que conseguiram afirmar seu valor em diferentes áreas e espaços culturais.

Sua carreira internacional começou com o espetáculo Les Danaïdes, com direção de Silviu Purcărete. Logo após se formar na faculdade, ela participou de prestigiosos festivais de teatro em Dublin, Amsterdã, Paris, Avignon, Glasgow e Recklinghausen, culminando em apresentações no Lincoln Center, em Nova York.

Claudia Motea – Arquivo Pessoal

O encontro com Silviu Purcărete continua sendo uma das experiências determinantes de sua trajetória artística:“Acredito que o Maestro Silviu Purcărete traça destinos. Ele é um Deus do palco e, por conseguinte, da alma artística… No meu caso, o destino sorriu para mim através do encontro com esse diretor. Foi o grande encontro da minha vida, uma verdadeira experiência de vida (a life time experience)…”

Após emigrar para o Canadá, Claudia Motea continuou atuando e escrevendo, conseguindo se impor em um novo meio artístico, mesmo sem falar inglês no início. Ela conquistou prêmios de atuação, dramaturgia, produção e a apreciação do público, incluindo os prêmios Best Actress, Best Original Script, Best Production e Best Audience Awards, além de uma indicação ao Brickenâden Award.

Ela participou de importantes eventos e festivais nos Estados Unidos, entre eles o Hollywood Film Festival, o Los Angeles Comedy Fest, o Hollywood Fringe Theater Festival, o New York in LA e o Lincoln Center Theater Festival. Sua estreia em Hollywood aconteceu em 2010, no The Magic Castle, no show de variedades The Big IF.

Olhando retrospectivamente para o período canadense, a artista o resume por meio de uma sucessão de palavras que definem sua jornada:

Claudea Motea
Claudia Motea – Arquivo pessoal

“Busca, Conscientização, Audácia, Luta, Trabalho, Sobrevivência, Redescoberta, Brilho. Uma marcha inabalável sempre em frente!”

Em 2012, ela retornou à Romênia e continuou a criar espetáculos, filmes e projetos culturais.

A força de um one-woman-show

Uma das dimensões mais espetaculares de sua atividade são os espetáculos de one-woman-show. Claudia Motea transformou essa forma teatral em um verdadeiro território de criação, interpretando múltiplos personagens e trazendo para o palco personalidades emblemáticas da cultura e da história.

Seus espetáculos combinam documentação histórica, teatro, música, poesia, cinema e multimídia, construindo uma relação direta e intensa com o público.“Na essência, sou atriz. Amo muito o Teatro, em primeiro lugar. Tudo o que vem a mais complementa o meu ser artístico. Também amo o cinema. Escrevi alguns roteiros e produzi curtas-metragens”, declara a atriz romena Claudia Motea, que transforma as grandes histórias romenas em teatro.

Essa concepção de teatro reflete-se em seus projetos mais importantes, dedicados a personalidades como Constantin Brâncuși, a Rainha Maria ou Veronica Micle.

“Brâncuși, meu amor!” – nove mulheres, um universo

Um dos espetáculos mais importantes de Claudia Motea é “Brâncuși, meu amor!”, inspirado na vida e nos amores de Constantin Brâncuși. A peça foi incluída no volume MUCH LOVE – Decalog Teatral, publicado pela Libris Editorial, e o projeto foi realizado como uma coprodução romeno-sueca. O espetáculo estreou em Karlskrona, na Suécia, e em 2021 a peça foi traduzida e publicada em cinco idiomas, para projetos e turnês na Europa e na América.Na Feira Gaudeamus 2019, o volume MUCH LOVE – Decalog Teatral foi selecionado, em uma campanha da Radiodifusão Romena, entre os livros mais queridos da feira.

O livro Brâncuși, meu amor foi traduzido para 10 idiomas e transformado em um espetáculo de teatro e multimídia único, com direção de Beatrice Rancea. Claudia Motea interpreta nove personagens femininas, inspiradas pelas mulheres que foram, de uma forma ou de outra, musas do grande escultor.

No ano de 2026, dedicado a Constantin Brâncuși por ocasião dos 150 anos de seu nascimento, o espetáculo ganha um significado especial.“Os nove personagens femininos que interpreto são nove universos distintos. Cada um tem sua respiração, seu ritmo, sua luz. A transição de um para o outro é um desafio artístico intenso, mas também uma alegria profunda.”

„Ame-me… América!” – a experiência da emigração transformada em arte

Após retornar à Romênia, Claudia Motea produziu e atuou, em 2012, em “Ame-me… América!”, um espetáculo multimídia realizado em colaboração com a R.A.D.E.F. România Film, com direção de Al. G. Croitoru e produzido pela Associação International Artiscan.

O espetáculo parte da experiência de uma atriz romena emigrada para a América e transforma o tema da emigração, da adaptação e da redescoberta em uma narrativa cênica.

„Prelúdios” – a poesia que se torna espetáculo

Claudia Motea também é autora de volumes de poesia e dramaturgia. Seu primeiro livro de versos, Prelúdios na Cidade do Sol (Preludii în Cetatea Soarelui), foi lançado no final de 2017 no Teatro Nottara, em Bucareste.

Seguiram-se lançamentos em Los Angeles, Lucerna, Chisinau — no Teatro Nacional “Eugene Ionesco” — e Cahul — no Teatro Musical-Dramático “B. P. Hasdeu” —, bem como apresentações em importantes feiras internacionais do livro em Paris, Leipzig, Chisinau, Turim e Madri.

O espetáculo multimídia “Prelúdios na Cidade do Sol – ROMÊNIA 100” foi apresentado na Feira Internacional do Livro e da Música Libris Brașov, destacando-se entre os eventos mais apreciados do evento.

„Shalom, Israel!” – literatura e diálogo cultural

Outro projeto importante é “Shalom, Israel!”, inspirado no volume de mesmo título publicado pela Libris Editorial.

O livro recebeu em Israel o prêmio de “Livro do Ano de 2019”, em Tel Aviv, servindo posteriormente de base para o projeto teatral realizado com o envolvimento do Centro Cultural UNESCO “Mihai Eminescu”.

Em 2021, o Centro Cultural Israelense-Romeno de Tel Aviv, a revista Maximum e a editora Teșu concederam ao volume Shalom, Israel! o título de Livro do Ano de 2021. Em 2022, o livro foi apresentado no Salão Internacional do Livro de Turim e, em seguida, na Bookfest.

No mesmo ano, Claudia Motea recebeu a Medalha Governamental Numismática do Estado de Israel, “Kol Israel Haverim” — Amigos de Israel, por sua atividade cultural e artística dedicada ao desenvolvimento das relações de amizade romeno-israelenses.

Outros projetos: teatro, cinema e música

A atividade de Claudia Motea abrange inúmeros projetos que reúnem teatro, cinema, poesia e música.

“Já Pensou Nisso?” (Te-ai Gândit Vreodată?) é um recital de poesia e jazz, realizado em parceria com Lucian Sabados, diretor do Teatro Dramático “Maria Filotti” de Brăila, e produzido pela Libris Brașov. O projeto também incluiu a gravação de um CD.

Em “O Casamento de Zamfira” (Nunta Zamfirei), um musical folclórico romeno-sueco, a artista atua ao lado de Dorel Vișan, Maia Morgenstern, Marius Bodochi e Monica Anghel.

Pelo filme Kandy, no qual interpreta o papel principal e assina o corroteiro e a coprodução, Claudia Motea recebeu, em 2016, o prêmio de Melhor Atriz no Festival Modern-Movie de Galați.

Em 2017, em Roma, apresentou para cerca de 5.000 espectadores o espetáculo A Pequena Malandra do 13º Andar (Pușlamaua de la etajul 13), de Mircea M. Ionescu, com direção de Vlad Stănescu.

“Que eu posso sonhar e criar… Que estou no caminho mais nobre e bonito da minha vida… Que EU SOU EU!”

„O Coração da Rainha Maria” – um papel que permanece no coração

Um dos espetáculos mais representativos de Claudia Motea é “O Coração da Rainha Maria” (“Inima Reginei Maria”), dedicado à soberana mais conhecida da Romênia.

A artista não busca apenas a reconstrução da personagem histórica, mas a descoberta da mulher por trás da imagem real: a mãe, a artista, a diplomata, a mulher que amou a Romênia e se tornou um símbolo de coragem e dignidade.

“Interpretar a Rainha Maria é uma responsabilidade espiritual e uma bênção. Não interpreto apenas uma rainha, mas uma mulher que amou a Romênia com uma força quase mística.”

Em 2026, o espetáculo chegou ao Royce Hall – UCLA, em Los Angeles, em um evento organizado por ocasião do Dia da Língua Romena pela União e Liga das Sociedades Romeno-Americanas, juntamente com o Grupo La Steaua, o Grupo de Língua e Literatura Romena e o Consulado Geral da Romênia em Los Angeles.

O momento tem um forte valor simbólico, pois em 2026 completa-se um século da histórica turnê da Rainha Maria pelos Estados Unidos, visita que impressionou a América e contribuiu para consolidar a imagem da Romênia no cenário internacional.

O pianista Daniel Manoiu completou a atmosfera do espetáculo e, ao final, o público teve a oportunidade de participar de um diálogo com a artista e receber autógrafos no livro “Rainha Maria. Solilóquio Real” (“Regina Maria. Soliloc Regal”).

Para Claudia Motea, o encontro com a personagem real é profundamente pessoal:

“Para mim, a Rainha Maria não é um papel que termina nos aplausos. É um papel que permanece no coração e continua a me ensinar sobre dignidade, coragem e amor.”

Prêmios e reconhecimento internacional

A carreira de Claudia Motea foi recompensada com inúmeros prêmios e distinções na Romênia, no Canadá, nos Estados Unidos e em Israel.

Entre eles estão os prêmios de Best Actress, Best Original Script, Best Production e Best Audience Awards, além da indicação ao Brickenâden Award.

Na Romênia, a artista recebeu o Magna cum Laude da UARF, o Prêmio de Excelência no Gala Celebrităților (Gala das Celebridades), a Claquete de Ouro – Prêmio de Excelência concedido pela União dos Autores e Realizadores de Filmes da Romênia, e foi designada uma das dez Mulheres de Sucesso do Ano de 2016. Em 2018, recebeu o título de Mulher do Ano na Gala Mulheres de Sucesso.

Pela atividade literária e cultural, recebeu o prêmio de Livro do Ano de 2019 em Israel por Shalom, Israel! e, em junho de 2021, foi agraciada na Academia Romena com o Prêmio Cronica Timpului (Crônica do Tempo), concedido pela União dos Jornalistas Profissionais da Romênia.

Em 2021, Shalom, Israel! também recebeu o título de Livro do Ano de 2021, e em 2022 a artista recebeu a Medalha Governamental Numismática do Estado de Israel, “Kol Israel Haverim” — Amigos de Israel.

Em 2024, Claudia Motea foi homenageada na Gala “Valori Contemporane” (Valores Contemporâneos) por sua maestria nas artes cênicas.

A arte como forma de educação e entrega

Além dos prêmios e espetáculos, Claudia Motea é uma artista preocupada com a relação entre a 

cultura e as pessoas.

Atualmente, ela é diretora artística do Teatrul NostruM – UZPR, afiliado à União dos Jornalistas Profissionais da Romênia, professora de arte dramática no Centro Cultural UNESCO “Mihai Eminescu” de Bucareste e representante da Editora Creator (parte do grupo Libris) para eventos de lançamento de livros em Bucareste.

Para ela, a arte também é uma forma de educação, e o teatro pode se tornar um espaço onde as pessoas encontram a história, a literatura e a sua própria identidade.

“Um solilóquio… confessado no papel sobre o meu amor pelas pessoas, pela arte, pela vida… Um meio de aprofundar a minha mensagem artística para as pessoas…”

Talvez o verbo que melhor a define seja “entregar” ou “dedicar” (a dărui). Claudia Motea constrói seus projetos a partir dessa necessidade de comunicação e de proximidade com o público.

“Gosto de pensar que sou uma pessoa normal, às vezes sou tímida, mas ambiciosa, sou generosa, com uma grande empatia pelas pessoas, sou perdoadora, grata, afetuosa, leal, responsável e com um coração grande para tudo o que é belo e bom, ou seja, para a arte!”

E o seu credo é simples:

“Vamos rir com vontade e aproveitar cada momento da vida. E venham em grande número aos meus espetáculos… Sim, espero sempre por vocês com amor e luz, lindas pessoas!”

Uma embaixadora cultural da Romênia

De Les Danaïdes e dos grandes festivais europeus até a experiência canadense e os projetos na América, a trajetória de Claudia Motea fala de perseverança, coragem e fidelidade à vocação artística.

Brâncuși, meu amor!, Ame-me… América!, Prelúdios, Shalom, Israel!, Já Pensou Nisso?, O Casamento de Zamfira, Kandy, A Pequena Malandra do 13º Andar e O Coração da Rainha Maria são marcos de uma carreira em que o teatro se encontra permanentemente com a literatura, a cinematografia, a música e a história.

E a presença de “O Coração da Rainha Maria” na UCLA representa muito mais do que um sucesso pessoal. É um momento em que uma história romena, contada pela voz de uma artista romena, chega diante de um público internacional.

Claudia Motea não leva para o exterior apenas espetáculos. Ela leva histórias, memória, emoção e identidade.

Talvez seja exatamente aí que reside a essência de sua arte: transformar o passado em emoção, a cultura em diálogo e o palco em um lugar onde as pessoas podem se encontrar além das fronteiras.

Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. 

Todos los derechos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com

Rhea Cristina

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Cia. do Despejo faz crítica à necropolítica brasileira na videoarte online ‘IRETI’, inspirada na mitologia Iorubá

Crédito: Duda Viana

Com dramaturgia de Ingrid Alecrim e direção de Thaís Dias, a distopia narra a história de uma mãe preta que pariu o Brasil e, depois de ser preterida pela nação, reivindica seus direitos de criação

Com a missão de dar voz às culturas afrodiaspóricas – que foram depreciadas ao longo da História – a Cia. do Despejo faz novas apresentações da videoarte online “IRETI”, inspirada no espetáculo de mesmo nome. A obra é uma crítica à necropolítica brasileira e às violências sofridas pelas mulheres negras em nosso país. O texto ficou em 4º lugar no edital de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos, realizado pelo CCSP – Centro Cultural São Paulo em 2019.

As cenas foram gravadas sem plateia e seguindo todos os cuidados para garantir a segurança do elenco. Para quem perdeu as transmissões de abril e maio, o resultado ganha apresentações de 19 a 22 de junho e de 17 a 19 de julho, sempre às 20h, pelo canal da Cia. Mungunzá de Teatro no YouTube.

A montagem, que tem dramaturgia de Ingrid Alecrim e direção de Thaís Dias, é inspirada na mitologia Iorubá, sobretudo na figura de Nanã Buruku, orixá que cedeu a lama do seu domínio para a criação dos corpos humanos. Ela também é responsável pela desencarnação, uma vez que exige de volta a matéria criadora da vida.

O texto surgiu da ideia persistente de que o Brasil (conforme nominado após a colonização) foi parido e aleitado por mulheres indígenas, africanas e afrodescendentes. ‘Nosso ‘mundo’ é moldado através das mãos dessas mulheres e, muitas vezes, contra suas vontades. Na colonização, tudo o que é frutífero ficará arrasado: a terra e suas preciosidades, o corpo feminino e sua capacidade de gerar os povos miscigenados, que já nascem sob dominação”, revela a dramaturga Ingrid Alecrim.

A narrativa é conduzida por uma mãe preta e pobre, a personificação de Nanã Buruku. Ela ergueu o Brasil com os próprios braços, mas foi preterida pelo país e, agora, mergulhada em um contexto de miséria, violência, fome e terror, assiste a seus filhos serem mortos e presos e a suas filhas serem estupradas.

A matriarca furiosa reivindica seus direitos de criação, exige que a matéria humana retorne para si e procura alguma maneira de acabar com o mundo em desequilíbrio. A personagem é inserida em uma distopia, na qual as guerrilhas urbanas e rurais expandem uma guerra contra a governança brasileira.  E, nesse contexto, ela reflete sobre o que precisa ser mudado se quisermos viver em um país mais justo e menos violento.

‘Ela toma as rédeas da existência humana, se colocando como uma figura central da história do Brasil, e não aceita ser musa, escrava, empregada ou ladra. Ela deixa de ser protagonista de uma história silenciada e solitária e se assume como protagonista da nação. Com essa história, a Cia do Despejo, da qual sou cofundadora, valoriza as narrativas das mulheres brasileiras ao dar voz às verdades desagradáveis, às culturas afrodiaspóricas depreciadas e à configuração de uma realidade apocalíptica convergente com os acontecimentos atuais”, comenta a autora.

Além de denunciar todos os tipos de atrocidades cometidas contra a população negra desde a colonização, a peça tem a proposta de valorizar as ancestralidades.

‘A todo momento são reavivados saberes e costumes ancestrais que chegam a nós através da afrodiáspora e das culturas orais indígenas. Ritos de cura e presenças míticas permeiam a narrativa e seus acontecimentos. A mitologia Iorubá chegou ao Brasil por meio das pessoas escravizadas e sobrevive através de muita resistência, também inevitavelmente mesclada à cultura do colonizador’, acrescenta.

Segundo Thaís, a encenação nasceu de uma estética uterina, “gestada coletivamente por uma equipe desejante desse nascimento/estreia/partilha cênica. Plasticamente composta de elementos suspensos, a cenografia e os objetos cênicos de Lui Cobra trazem em suas formas e funcionalidades as possibilidades de jogo entre os atuadores e o local da montagem. São camadas de tecidos, paredes-véus a serem costuradas, defumação flutuante, uma banheira parideira: nosso trono de assentamento para esperança nāo vindoura nesse Brasil-Terra-Chāo”, afirma.

O figurino criado por Duda Viana funciona como uma segunda pele, obedecendo aos tons terrosos do cenário e fazendo uma alegoria das figuras a serem interpretadas. “Um elemento que liga a espacialidade e as vestimentas sāo as máscaras feitas por Cleydson Catarina, que representam as nossas vozes, as vozes das mulheres pretas desse Brasil e a das nossas ancestrais”, completa. 

SOBRE INGRID ALECRIM – TEXTO

Ingrid Alecrim é atriz, dramaturga, roteirista, produtora cultural e maquiadora. É cofundadora da Cia do Despejo, onde atuou como cocriadora, atriz, figurinista e maquiadora do espetáculo “Fêmea” e atualmente é dramaturga e produtora do espetáculo “IRETI”.

Formada como atriz pela SP Escola de Teatro, iniciou sua trajetória artística através do Teatro Vocacional nos anos de 2006 a 2011. Atualmente, cursa licenciatura em Artes Cênicas na ECA/USP.

SOBRE THAIS DIAS – DIREÇÃO

Artista piracicabana atuante como atriz, figurinista, produtora cultural, arte educadora e diretora artística. Atriz formada pela Escola Livre de Teatro de Santo André-ELT (2009).

Atriz do Grupo de Teatro Forfé, Coletivo Quizumba. Cantora nos espetáculos de Repertório da Cia Treme Terra; e da Cia Zona Agbara.  Atuou como diretora artística das obras “Degredo”, em 2015, e em “IRETI”, montagem em andamento em 2021. 

Encontra-se em pesquisa para elaboração do figurino dos processos artísticos dos grupos: Zona Agbaras, Coletivo Okan e a Coletiva de Teatro. E em processo criativo temporariamente intitulado: “Camadas da Pele /ou/ Parir a si mesma” onde investiga sua negritude, pele, feminismos e matriarcado.

SINOPSE

A narrativa é guiada por uma mãe preta inspirada na personificação de Nanã Buruku. Na história ela aparece como a mulher que pariu e levantou com seus braços o Brasil. País que a pretere, mata seus filhos e lhe relega a ingratidão e as sobras. 

Vislumbrando este mundo onde suas crianças vivem numa realidade cruel de fome, violência e dor, ela deseja a matéria da criação de volta para si, buscando uma maneira de acabar com um mundo desequilibrado. Nana reivindica seus direitos a uma boca que fala e a mãos que curam e matam. Ela se assume como a terra aberta, pulsando e se preparando para voltar ao início. 

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Ingrid Alecrim
Encenação: Thaís Dias
Direção de movimento: Carol Ewaci
Intérpretes: Breno Furini, Isamara Castilho e Jennifer Souza
concepções luminosas: Carolina Gracindo
Composição sonora: Aline Machado
Concepção de figurino e costura: Duda Viana
Concepção de cenografia e cenotécnica: Lui Cobra
Orientação de percussão: Helena Menezes Garcia
Orientação de máscaras: Renata Kamla
Mascareiro: Cleydson Catarina
Fotografia: Duda Viana
Artes de divulgação: Afrobela
Produção: Ingrid Alecrim
Assessoria de Imprensa: Bruno Motta Mello e Verônica Domingues –  Agência Fática

Este projeto foi contemplado pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais do Município de São Paulo – VAI.


SERVIÇO

IRETI, da Cia do Despejo
Apresentações: 19 a 22 de junho, de sábado a segunda, às 20h

17 a 19 de julho, de sábado a segunda, às 20h

Transmissão pelo canal do YouTube da Cia Mungunzá: https://www.youtube.com/c/CiaMungunz%C3%A1deTeatro

Ingressos: grátis
Duração: 30 minutos
Classificação: 16 anos
Facebook: @ciadodespejo
Instagram: @ciadodespejo

 




'Porta Entreaberta' se apresenta de forma online e gratuita a partir de 15 de abril

Link para download de fotos de Juane Andreazza

Solo inédito interpretado e cantado pelo ator Edson Montenegro com músicas de Gonzaguinha é dirigido por Débora Dubois e escrito por Pricilla Conserva

A jovem dramaturga amazonense Pricilla Conserva chega pelas mãos da diretora, que já admirava o seu trabalho; a partir de encontros e ensaios online, a peça foi ganhando corpo e sendo gerada em tempos de isolamento. Assim chega até nós o texto “Porta Entreaberta”. Ele espelha o momento “real” de um homem de meia idade que se vê preso em sua casa pela pandemia; sozinho, ele inicia conversas gravadas com alguém que não está mais com ele, e entre as tarefas do lar e o trabalho em casa reflete sobre seus medos, desejos, lembranças e superstições, e o que fez e faz com a sua vida. O texto é todo entrecortado por músicas de Gonzaguinha, que delicadamente foram arranjadas e acompanhadas ao violão pelo diretor musical André Bedurê.

O experiente ator e cantor Edson Montenegro, que estava inquieto para falar sobre este momento, junto com a diretora Debora Dubois e o produtor Edinho (Brancalyone), deram os primeiros passos para que este projeto saísse do papel e começasse a ganhar vida. Respeitando as inquietações do ator e da equipe, a dramaturga Pricilla Conserva conversa com o momento difícil em que passa o mundo, dando voz ao invisível dentro de nós.

Na encenação a diretora coloca o personagem preso na sua “casa/estúdio” – toda branca, simbolizando o seu inconsciente, e com poucos objetos de cena; é lá que ele reflete sobre suas memórias, como uma válvula de escape ou uma saída para a sua alma; gravando numa câmera, ele fala sobre suas angústias e aflições, numa tentativa de ressignificá-las e elaborá-las na esperança de que a gravação encontre os seus interlocutores.

Houve entre ator e diretora inúmeras conversas ao celular no desejo de realizar este espetáculo, e uma importante certeza: a presença da música e da poesia de Gonzaguinha, paixão dos dois artistas, que assim também poderiam homenageá-lo.

“Desde o começo, Edson se entregou profundamente a este trabalho; várias vezes ele fez questão de reforçar como era importante fazer um espetáculo solo como esse, naquele momento da sua vida, e sonhava com um espetáculo pocket que poderia ir se transformando no tempo e se apresentando Brasil afora. Nossa brincadeira interna era chamá-lo de “Nosso Falso Brilhante””, conta a diretora.

A diretora Débora Dubois e o produtor Edinho Rodrigues trabalham juntos desde 2010, e este é o décimo espetáculo da parceria sendo que, destes, quatro foram musicais de sucesso. O músico André Bedurê e Edson Montenegro trabalharam com a dupla de diretora e produtor em 2017, no musical “Roque Santeiro”.

“Porta Entreaberta” teve a honra de receber o prêmio Aldir Blanc e sair do papel, e assim ser produzido para dialogar de forma online e presencial com o público nesta fase incerta em que vive nosso teatro; a peça foi gravada no dia 20 de fevereiro e estava em processo de edição e finalização; porém no dia 12 de março o ator Edson Montenegro foi internado, vítima da Covid-19, e infelizmente não resistiu.

Sinopse

Dramaturgia – Porta entreaberta

Inspirada nas músicas de Gonzaguinha, a dramaturgia passeia pelas memórias de um homem refletindo sobre suas relações afetivas. Um monólogo de memórias suscitadas pelo período de confinamento em casa devido à pandemia, onde ele se vê diante de angustiantes lembranças e medos, memórias que passam pela infância, pela relação conflituosa com a família, a juventude boêmia e a mulher que fora (e ainda é?) o grande amor de sua vida, sua principal interlocutora. O personagem que se encontra nas músicas e se confunde com elas, evidencia a complexidade do ser humano, carregando consigo a esperança de melhores tempos.

Edson Montenegro (Rio de Janeiro, 28/10/1957 – São Paulo, 21/03/2021)

Formado em artes cênicas pela Escola de Arte Dramática, da USP, Edson Montenegro participou de várias novelas, séries, peças teatrais e cinema

Montenegro teve passagem pela TV Cultura como apresentador do programa Zoom. Na televisão, também atuou em novelas como Apocalipse (TV Record, 2017), Cúmplices de um Resgate (SBT, 2015) e da minissérie, Metamorphoses (2004), Marcas da Paixão (2000), além dos seriados Sandy e Junior (Globo, 1999-2002) e de uma participação em Você Decide, em 1997. Dona Flor e seus Dois Maridos (TV Globo, 1998) e das novelas Antonio Alves Taxista (SBT, 1996), Xica da Silva (extinta Manchete, 1996-1997)

No teatro, participou de muitos espetáculos, dentre eles “Hair” (1993), Histórias de Nova Iorque (1994), Gilgamesh (1995), “Não Escrevi Isto” (1999), Roque Santeiro (2017) e Aparecida, um Musical (2019) “A Senhora de Dubuque (2007), Asfaltaram a Terra (2006), A Importância de Ser Fiel (2005), Otelo (2004) e O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

No cinema ele fez parte do elenco de Cidade de Deus (2002), e interpretou o pai de Buscapé, o protagonista do filme. A mais recente produção foi o personagem Jacob, no filme de “Coração de Leão – O Amor Não Tem Tamanho”, com direção de Alexandre Machado, uma versão brasileira da trama argentina.

Pricilla Conserva 

Atriz e dramaturga, bacharela em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas, licenciada em Letras pela Universidade Federal do Amazonas, cursando especialização em Gestão Cultural: cultura, desenvolvimento e mercado, pela Universidade Senac. Integrante do grupo Garagem, atua também em trabalhos de outras companhias.

Dramaturgias:  Grupo Garagem – “Jogo do bicho” – 2020 (Sesc residência de artes cênicas 2019), “Ainda bem que não tivemos filhos” – 2019, “Quando encontramos sonhos perdidos nas roupas que costuramos” 2016 (Prêmio Conexões Culturais 2019).  Companhia trilhares: “Diário das Marias” – 2019 (Prêmio Conexões culturais 2019). Ateliê 23: “Helena” – 2018 (Sesc residência de artes cênicas 2018).  

Atuação: “Ainda bem que não tivemos filhos” – 2019, “Alguma coisa sobre liberdade” 2017, “Senti um vazio no começo quando o coração foi embora, mas agora está tudo bem” 2015, “Aconteceu, acontece ou acontecerá” 2015, Intervenção Urbana “Cegos” – Desvio Coletivo – 2014. Grupo TUFAM – Espetáculo “Em pedaços”2012. Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro – “Morte e vida Severina” 2009 “Sonhos de uma noite de verão”- 2008.

Sonoplastia: “Jogo do bicho” -2020 “Diário das Marias” – 2019.

Debora Dubois

Diretora que em mais de vinte anos vem trabalhando a inserção da música brasileira no teatro, sempre à procura de novos autores e do resgate de outros dramaturgos significativos. Com mais de 30 espetáculos no curriculum – muitos dos quais receberam importantes prêmios e indicações – trabalhou com grandes atores da cena teatral brasileira, como Renato Borghi, Mel Lisboa, Cássio Scapin, Léonardo Miggiorin, Marcos Damigo, Luciana Carnielli, Vanessa Gerbelli, Jarbas Homem de Mello, Amanda Acosta e Flavio Tolezani. Nos últimos 9 anos teve o músico e compositor Zeca Baleiro como parceiro na empreitada de unir música e cena nos palcos. Em 2004 foi convidada para representar o Brasil no Teatro della Limonaia em Firenze, Itália.

André Bedurê 

Baixista, violonista, cantor, arranjador, produtor musical e compositor.

Em quase 40 anos de carreira, acompanhou diversos nomes importantes da cena musical brasileira, tais como Cauby Peixoto, Ângela Maria, Agnaldo Timóteo, Maria Alcina, Baby do Brasil, Itamar Assumpção, Simone Mazzer, Rubi, Rita Benedito e Kléber Albuquerque, Tulipa Ruiz, Zeca Baleiro, entre outros.

Nos anos 90, fundou a banda Mandabala, que acompanhou Zeca Baleiro por oito anos em turnês pelo Brasil e pela Europa, participando de seus dois primeiros CDs. Ainda hoje são parceiros: André produziu faixas de seus últimos CDs (“Era Domingo” e “Arquivo raridades”), participou do musical “Roque Santeiro”, com direção musical de Zeca (e direção cênica de Débora Dubois) e juntos compuseram a canção “Na Quitanda”, gravada por Zeca no CD “Coração do homem-bomba”.

Produziu CDs de diversos artistas, como “Negra Melodia”, da cantora Zezé Motta. Dirigiu a coleção do selo Lua Nova em homenagem aos 100 anos de artistas consagrados do Brasil, entre os quais Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Luiz Gonzaga e Adoniran Barbosa, sendo que este último ganhou o Prêmio da Música Popular Brasileira na categoria “Projetos Especiais”.

Atualmente, acompanha o ator e cantor Gero Camilo no show “Alucinação”, em homenagem a Belchior. Já lançou dois CDs e contou com a participação de Luiz Melodia em um deles (“Saudosismo”, 2009).

Ficha Técnica

Texto: Pricilla Conserva

Direção: Débora Dubois

Elenco: Edson Montenegro

Arranjos e direção musical: André Bedurê

Cenografia: Espaço 2c, Atuacena Estúdio Cinematográfico

Adereços e figurinos: WS Cenografia

Assessoria de imprensa: Pombo Correio

Vídeo: Junae Andreazza e Yllan Carvalho

Administração: Thiago Marchine

Assistência de Produção: Vanessa Campanari e Fabrício Sindice

Direção de produção: Edinho Rodrigues

Realização: Brancalyone Produções

 

Serviço

Temporada: dias 15, 16, 17, 22, 23 e 24/04 sempre às 19h30.

Ingressos pela plataforma Sympla. Gratuito.

Duração: 25 minutos

Classificação etária: Livre

 

 

 

 

 




Abertas as inscrições para o 1º Concurso de Texto para Teatro do Espaço Reconciliação

As inscrições se encerram no dia 20 de maio de 2020

Informações:
a) Aberto a todos os interessados
b) Dramaturgia
c) Tema: tensões em diálogo – por um mundo melhor
d) Inscrição pela internet (conforme o Regulamento)

Premiação:
I) Encenação e publicação da obra

Prazo: 20 de maio de 2020

Organização:
Espaço Reconciliação

Contato – Mais informações e Dúvidas:
espacoreconciliacao@gmail.com

Regulamento:
https://www.espacoreconciliacao.com/

https://97019c9a-f412-44f9-876e-308898eb6fe8.filesusr.com/ugd/5ec1cc_8819bbc7d25644e3b61a165772c584a0.pdf

Inscrição:
https://www.espacoreconciliacao.com/inscricao