Eterno ou não?, de Denise Canova

Eterno ou não?’: A poesia de Denise Canova sobre a farsa do amor

Denise Canova
Denise Canova
Fotografia de dois jovens sentados juntos em um banco de madeira em um parque urbano ao entardecer. À esquerda, um rapaz com jaqueta jeans escura e cabelos castanhos levemente bagunçados sorri abertamente enquanto segura a mão da companheira. À direita, uma jovem mulher com cabelos castanhos ondulados e vestindo um suéter de tricot marrom se inclina em sua direção, sorrindo diretamente para ele. Ao fundo, o parque exibe vegetação, postes de iluminação acesos e pessoas caminhando sob um céu suave de fim de tarde.
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Eterno ou não?
Ele não diz
Só dá risada
Eterno ou não?
Ai meu bem?
Eu preciso saber
Eterno ou não?
Eu estou farta desse silencio
Eterno ou não?
É amor de mentira.

Dama da Poesia

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A humanidade do terceiro milênio

Uma crítica profunda sobre o abandono dos idosos na era digital e o poder da literatura como guardiã da nossa memória e dignidade. Maria Teresa Liuzzo

Maria Teresa Liuzzo
Maria Teresa Liuzzo
Pintura digital conceitual dividida em dois lados: à esquerda, pessoas alienadas diante de telas de computador e celulares em uma cidade caótica; à direita, um grupo de idosos em uma biblioteca iluminada, com um homem central consertando um vaso quebrado com ouro (técnica kintsugi), ilustrando a dignidade humana através da literatura.
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Enquanto o homem tenta ascender aos Céus, esqueceu-se de como se vive na Terra. Esqueceu os valores éticos e morais, perdeu-se deliberadamente no caos do indizível. Tudo isso é pior do que a fratura entre a vida e a morte. Está na moda a indiferença, o egoísmo, o egocentrismo, o mal gratuito, enquanto escasseia o compromisso social e político em favor das camadas mais vulneráveis e da sociedade.

A terceira idade é considerada uma mercadoria a ser descartada, um estorvo para o cotidiano, um descontentamento que se transforma em ódio, desembocando posteriormente em tragédia, instigado por esse eu alimentado pela raiva do coração, entre maus-tratos e homicídios. Os contatos humanos estão desaparecendo. A web atrai os incautos, que fazem de tudo para aparecer, como o fogo atrai as mariposas. Às vezes para manipular, outras vezes para serem manipulados. Esse mal se dissemina com uma capilaridade alarmante.

Somente poucos indivíduos, caídos nas “teias”, tiveram a coragem de denunciar. O mundo digital é inóspito e complexo, mais do que certos caracteres humanos. Os idosos têm mais medo de viver do que de morrer. Muitos vivem como internados, obrigados por um silêncio impiedoso, buscando aquelas formas que perderam o centro, mas conservam os símbolos. Os literatos são uma classe à parte. Sua experiência recupera o Princípio onde a forma se esvazia, mas não se dissolve; permanece, conservando o pensamento da tradição. A interioridade é inviolável.

Acontece frequentemente que os idosos demonstrem, por meio dos fatos e de sua sabedoria, que distinguir-se não significa contradizer-se, mas ser lúcido acerca de um passado-presente, embora também nostálgico: não é um muro de pedra nem um palácio que desmorona. A morte, que os outros lhes desejam, é também a ideia, a palavra que, embora sangrando, mantém sua característica, aquilo que vai além da realidade direta.

O carma é o universo, testemunha que circunscreve a experiência da dor e da incerteza da existência, sela as fissuras das palavras, dando-lhes um nome e uma alma, devolvendo-lhes a dignidade, longe das máscaras famintas e sociais, dos políticos corruptos e dos intelectuais subservientes. As palavras florescem novamente como os cacos de um vaso japonês que é “reparado” com ouro (kintsugi), valorizando suas cicatrizes. Libertam-se de seu suor sanguíneo, envolvendo-se na seda da justiça, colorindo-a de luz, a mesma luz que a Humanidade perdeu, afastada do consenso e da posse.

O nascimento é um trauma; as ações que se seguem às palavras são lâminas que habitam o tempo do Espírito. Em outro lugar, a luz arrastava seu corpo, que aderira à dor como uma luva. O escriba, curvado na noite, alimentava as páginas dos tomos. A verdade é sacrifício e lança flechas apaixonadas que roçam o coração e a alma da Cultura, quando as lágrimas se partem como o pão e a Literatura repousa na pedra da História.

Tempestades, genocídios e guerras tentaram, em vão, matar a memória, mas a fidelidade do escritor vai além da cultura e mantém elevada a tocha da Literatura. A maldade tem o rosto da sombra e sempre nos espiará como um monstro silencioso, estendido entre ruínas cobertas de musgo. Os mortos não encontram paz; seus corpos estão estendidos sobre o metal da noite, enquanto suas lágrimas, negras como o pranto, perfumam-se de tomilho e rosas.

Os temores continuam a bater como gotas de chuva contra o vidro. A palavra cria um impacto universal; é uma dor que vai além da tinta cênica e persiste no sistema nervoso, preserva a habilidade no olhar e a verdade dramática que acompanha aquela da ficção.

Permanecem as sombras penduradas no teto, onde frequentemente o crime se transforma em cultura e o corrupto brinda ao sucesso. Mas as vozes não são números: são lamentos que respiram, feridas infectadas e ossos que se quebram.

O Povo teme as palavras mais do que as sentenças de um tribunal. De todas as palavras que rouba, atravessa, esfolia, bebe o sangue delas. O Povo mostra um rosto de anjo, finge-se profeta, mas permanece um robô exaltado.

A raiva tem a cor das papoulas, a mentira transforma-se em hábito, como uma roda que gira em torno de si mesma. Cada um de nós corre o risco de afundar-se; a arte e a literatura nascem de pequenos e silenciosos instantes, e a sensibilidade se reconhece nos detalhes. A cultura repudia o estudo do “sonâmbulo” e o penoso procedimento da obediência (Franco Fabbro, Hipnose e cérebro social, Mimesis).

As estruturas sociais são, muitas vezes, prisões, exílio, devastação; “aquela lenta morte que os homens chamam de progresso do mundo”. Separar a alma do pensamento torna-se perigoso, escandaloso, desumano, criminoso.

“O mal nasce da incapacidade de pensar, isto é, da incapacidade de raciocinar com a própria cabeça, delegando suas decisões à autoridade legítima” (Hannah Arendt).

Maria Teresa Liuzzo

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2026 – Parte 1 e 2

Uma leitura sensível do poema ‘2026 – Parte 1 e 2’, que celebra a passagem do tempo, a lealdade dos animais e a força da esperança

Jane Nash
Jane Nash
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Janeiro, com seu frio amargo, anuncia despedidas sem arrependimentos
Fevereiro inunda você e a mim de sensações
Março, reparando os estragos deixados pelos ciclones
Abril, enviarei mais histórias, boas histórias
Maio, o velho cão completa 13 anos, mais um ano juntos
Junho, meus amigos chegam do sul para me alimentar
Julho, um retiro frugal de uma artista, em antecipação a
Agosto, um reencontro tão doce, tão profundo
Setembro, na esperança de publicação
Outubro, escapamos para festivais e canções
Novembro, o velho cão ainda late
Dezembro, diferente do ano passado, passaremos juntos

2026 — PARTE 2

Quando me perguntaram o que eu esperava,
ocorreu-me que as cacatuas-negras estavam diminuindo em número.
Embora desfolhem as árvores, estão desaparecendo.
Espero uma aquarela de sua magnificência,
de sua natureza e de seu porte.

Quando me perguntaram o que eu esperava,
percebi que a blue heeler completará treze anos,
aposentada de seu trabalho de assistência,
com a visão enfraquecendo.
Será que ela ainda conseguirá me ver?

Quando me perguntaram o que eu esperava,
notei o quanto as crianças haviam crescido rapidamente.
Os aniversários voltam a chegar.
A música mudou do meu tempo para este tempo.
Olho-me no espelho e vejo mais linhas surgindo.

Quando me perguntaram o que eu esperava,
a esperança saltou à vista.
O câncer foi mantido afastado, o sucesso floresceu,
os entes queridos jamais serão esquecidos,
e eu e você, ainda juntos.

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Alice S. Yousef

Carlos Javier Jarquín

‘Alice S. Yousef: poetisa palestiniana entre a poesia, a tradução, as viagens e a resiliência’

Logotipo da seção Entrevistas ROLianas
Alice S. Yousef é bacharel (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.. Foto cedida por Alice S. Yousef.
Alice S. Yousef é bacharel (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.. Foto cedida por Alice S. Yousef.

Queridos amigos planetários:

Hoje tenho o prazer de compartilhar uma agradável entrevista que realizei com a poeta, tradutora e intérprete palestina Alice S. Yousef. Ela nasceu em 9 de dezembro de 1990, em Jerusalém, uma cidade bela e complexa, cheia de dor, mas também profundamente inspiradora por ser uma das mais antigas do mundo, cuja magia se reflete em múltiplas cores.

Alice é poeta, escritora, tradutora literária e jurídica, editora e pesquisadora que trabalha entre o árabe e o inglês. Sua trajetória está centrada na tradução de textos jurídicos, literatura e poesia. Possui bacharelado (B.A.) em Língua e Literatura Inglesa e Tradução, com distinção, pela Universidade de Birzeit (2008–2011). Obteve mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Warwick (Reino Unido), em 2014, e foi integrante do Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa, em 2016.

Além da tradução, ela menciona que “sou apaixonada pela escrita criativa, pela pesquisa e pela narrativa, com especial interesse pelos direitos humanos, gênero, direitos das pessoas com deficiência, migração e literatura. Meu trabalho é alimentado por uma rica prática cultural e por uma perspectiva global, o que me permite abordar narrativas complexas com precisão e empatia. Atualmente resido na Palestina e me dedico a dar voz por meio da linguagem, da interpretação, da pesquisa, da defesa dos direitos, da representação visual e da palavra escrita”.

Alice, leyendo poesía en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. Foto cortesía de Alice S. Yousef.
Alice, leyendo poesía en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. Foto cortesía de Alice S. Yousef.

Além de ser uma grande leitora, ela ama os idiomas, viajar e dançar salsa e bachata. Este ano, viajou para a Colômbia para participar do Festival Internacional de Poesia de Medellín, realizado em sua 36ª edição, de 4 a 11 de julho, sob o lema “Rumo à Primavera Humana”. Nesta conversa, ela nos conta sobre sua agradável experiência de ter visitado esse país sul-americano. Já viajou por mais de 20 países. Fala quatro idiomas: sua língua materna, o árabe, além de inglês, francês e espanhol.

Na entrevista, conversamos sobre diversos temas. Ela nos conta qual é seu livro preferido e sobre a influência que seus pais exerceram para transformá-la em uma grande leitora. Também fala sobre seu estilo literário: como o construiu e como conseguiu encontrar sua própria voz. Comenta os principais temas que aborda em sua obra literária. Além disso, compartilhou a boa notícia de que, no próximo verão, publicará, por uma editora do Reino Unido, sua primeira coletânea de poemas, que será lançada em inglês.

Ao final, Alice se despede enviando uma mensagem à humanidade, a partir daquela região do planeta, tão ferida e sofrida. Décadas se passaram e, às vezes, parece que o mundo se esqueceu da Palestina; quando olhamos as notícias, temos a sensação de que muitos não se lembram de que a Palestina existe…

Alice S. Yousef (primera de izquierda a derecha en la segunda fila) junto a poetas de distintos países presentes en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026. 
Foto cortesía de Alice S. Yousef.
Alice S. Yousef (primera de izquierda a derecha en la segunda fila) junto a poetas de distintos países presentes en la 36.ª edición del Festival Internacional de Poesía de Medellín, celebrado del 4 al 11 de julio de 2026.
Foto cortesía de Alice S. Yousef.

Entrevista:

O que você mais se lembra com frequência da sua infância?
Cresci como a primeira neta de uma família numerosa; com frequência, lembro-me mais dos momentos cotidianos do que dos extraordinários: as reuniões familiares, o ritmo da vida diária e as histórias que eram contadas ao meu redor. Lembro-me de brincar ao ar livre nos campos, de visitar a Cidade Velha pela primeira vez e sentir que ela era um labirinto, de minha avó preparando bolos na cozinha e de meus pais lendo para mim. Também me lembro de sentir muito medo por causa do cenário político, que mudava constantemente, e por testemunhar a guerra. Crescer em Jerusalém também significou crescer com a consciência de que até mesmo os lugares comuns guardam camadas de história e memória. Quando olho para trás, percebo que muitos desses pequenos momentos acabaram encontrando seu caminho em minha poesia.

O que você recorda com mais carinho de suas primeiras leituras?
Lembro-me da sensação de descobrir que os livros podiam me transportar para lugares que nunca havia visto e, ao mesmo tempo, ajudar-me a compreender o lugar que eu já conhecia. Lembro-me do “só mais um capítulo” ou de mais uma história antes de dormir. Meus pais liam para mim; também me lembro de me esconder sob a luz do abajur para ler, até que minha mãe desistia e dizia: “Você vai prejudicar sua visão”. Ela tinha razão. Também me lembro de que eu tinha esse dom mágico de recontar a mesma história de maneiras diferentes, dependendo do membro da família. Acho que foi aí que começou a germinar a semente de me tornar escritora.

De todos os livros que você leu, escolhe O Caçador de Pipas como seu favorito. Por quê?
Escolho O Caçador de Pipas (The Kite Runner), pela maneira como Khaled Hosseini combina uma história humana íntima com temas mais amplos, como culpa, memória, amizade, deslocamento e redenção. Como escritora, admiro particularmente seu estilo: lírico, mas contido; emocionalmente preciso e sem adornos desnecessários. Ele sabe como fazer com que pequenos detalhes e momentos tenham um enorme peso emocional, ao mesmo tempo em que entrelaça uma história profundamente pessoal com a história mais ampla do Afeganistão. Para mim, é isso que torna o romance tão poderoso: ele está enraizado em um lugar e em uma história muito específicos, mas fala de algo profundamente universal sobre a memória, o remorso e nosso desejo de redenção.

O que a inspirou a se tornar poliglota?
Curiosidade, acima de tudo. Cada idioma abre uma nova maneira de ver o mundo. Sou fascinada pelas palavras e por seu potencial de mudar a maneira como vemos e compreendemos aquilo que nos rodeia. Também adoro ler e, em algum momento, quero poder ler meus autores favoritos em suas línguas nativas. Aprender idiomas me permitiu não apenas me comunicar com pessoas de diferentes culturas, mas também compreender como as ideias, as emoções e as histórias se transformam ao passar de uma língua para outra. Como tradutora, vejo a linguagem como uma ponte, e não como uma barreira.

Você pode resumir sua experiência em tradução e interpretação jurídica entre o inglês e o árabe, especificando os documentos (por exemplo, sentenças, projetos de lei), os tipos de interpretação simultânea, sua contribuição para a reforma judicial e como integra a perspectiva de gênero e os tribunais religiosos?

Sou tradutora e intérprete jurídica certificada, com mais de uma década de experiência construindo pontes entre idiomas e culturas.

Tenho me especializado na tradução de documentos jurídicos de alto nível, relatórios de políticas públicas e textos legislativos entre o inglês e o árabe.

Presto serviços de interpretação de alto nível — consecutiva e simultânea — para reuniões, workshops e consultas de natureza jurídica e judicial, facilitando debates fundamentais sobre governança, reforma da Justiça e assistência jurídica.

Adquiri um conhecimento profundo sobre o Estado de Direito, a assistência jurídica, a educação jurídica, a transversalização da perspectiva de gênero e o sistema de tribunais religiosos (tribunais de família) por meio da experiência prática em tradução e interpretação jurídica.

Desempenho um papel fundamental na comunicação jurídica multilíngue, garantindo clareza nos procedimentos judiciais, nos diálogos sobre políticas públicas e nas interações com as partes interessadas. Trabalho com elevado grau de autonomia, lidando com documentação jurídica sensível e contribuindo para debates estratégicos com o setor da Justiça.

De onde nasceu essa paixão por conhecer novos destinos?
Acredito que minha paixão por descobrir novos lugares tenha crescido naturalmente a partir do meu amor pela literatura. Muito antes de ter a oportunidade de viajar, os livros me permitiam atravessar fronteiras. A leitura me ensinou que cada lugar tem suas próprias histórias, mas também que as emoções presentes no centro dessas histórias são extraordinariamente universais. Quando finalmente comecei a viajar, percebi que, de certa maneira, estava encontrando lugares que já conhecia por meio da literatura. O que antes existia apenas em minha imaginação de repente ganhou rostos, vozes, paisagens e conversas. Viajar tornou-se algo mais do que visitar novos destinos; tornou-se uma oportunidade de ouvir, aprender e estabelecer conexões humanas genuínas.

Qual foi o principal ensinamento que sua passagem por Warwick lhe deixou?
Warwick me ensinou lições pessoais e profissionais que permanecerão comigo por toda a vida. A mais importante foi encontrar minha voz: tanto no papel quanto pessoalmente. Aprendi que escrever é, ao mesmo tempo, um ofício e uma conversa. A universidade me incentivou a experimentar, a questionar minhas próprias convicções e a ler com mais generosidade através das culturas. Talvez o mais importante tenha sido ter adquirido confiança para confiar em minha própria voz, sem deixar de estar aberta a aprender com os outros.

Durante sua permanência no Reino Unido, você morou perto da casa onde nasceu William Shakespeare. O que sentiu ao perceber esse detalhe?
Foi uma sensação surreal. A obra de Shakespeare atravessou séculos e idiomas, então estar perto do lugar onde ele nasceu me fez lembrar que a literatura pode sobreviver aos seus momentos no tempo e no espaço. Como escritora, isso reforçou minha convicção de que as histórias pertencem àqueles que continuam a lê-las e reinterpretá-las. Logo, aquele lugar se tornou meu lugar favorito para escapar dos longos e árduos dias de estudo.

O que a bolsa na Universidade de Iowa representou para sua vida pessoal e profissional?
O Programa Internacional de Escrita da Universidade de Iowa foi uma experiência transformadora. Reuniu escritores de todo o mundo e criou um espaço onde diferentes idiomas, tradições e perspectivas podiam se encontrar em condições de igualdade. No âmbito pessoal, ampliou minha compreensão da comunidade literária global. Profissionalmente, reforçou meu compromisso com o intercâmbio cultural internacional e me proporcionou amizades e colaborações duradouras que continuam inspirando meu trabalho anos depois. Foi uma experiência extremamente enriquecedora.

Para quando você planeja publicar sua primeira coletânea de poemas e em que idioma ela será publicada?
Meu primeiro livro de poemas será lançado no próximo verão pela editora independente britânica Broken Sleep Books; a coletânea será publicada em inglês. Eu adoraria vê-la traduzida para diferentes idiomas.

¿Cuáles son los temas que más sobresalen en tu poesía?

Mi poesía explora la memoria, la identidad, el lenguaje, el mundo de las mujeres, el desplazamiento, el amor y las maneras silenciosas en que las realidades políticas moldean la vida cotidiana. Me interesa cómo los objetos y momentos ordinarios pueden contener un peso emocional extraordinario. La traducción también influye profundamente en mi escritura, porque veo la poesía como otra forma de cruzar fronteras y poner distintos mundos en diálogo.

A inicios de julio de este año estuviste en el Festival de Poesía de Medellín, en Colombia. ¿Qué significó para ti esa invitación?

Fue un honor enorme y una experiencia profundamente significativa para mí. El Festival Internacional de Poesía de Medellín es una de las reuniones poéticas más importantes del mundo, con una larga trayectoria de reunir a poetas en una ciudad que ha vivido una violencia y una transformación profunda. Subir a ese escenario como una de las pocas poetas palestinas participantes tuvo un significado especial. Sentí que llevaba no solo mi propio trabajo, sino también la presencia y las voces de las poetas palestinas que con demasiada frecuencia están ausentes en los grandes espacios literarios internacionales. Formar parte de un festival tan global me dio la oportunidad de situar la poesía palestina en una conversación poética mucho más amplia y de hablar sobre nuestras experiencias, nuestra historia y nuestro presente desde nuestra propia perspectiva. Fue tanto un privilegio como una responsabilidad, y una experiencia que llevaré conmigo por mucho tiempo.

¿Cómo describes tu estancia en Colombia? ¿Alguna vez imaginaste conocer la tierra de García Márquez?

Colombia superó todas mis expectativas. Es muy animada y ha salido de mucha oscuridad. Me sentí en casa. Me conmovió profundamente la calidez y generosidad de la gente, la riqueza de su cultura y el amor genuino por la poesía que encontré por todas partes. Desde hace tiempo soñaba con visitar Colombia, y estar literalmente en la puerta de Márquez fue un momento muy emotivo. Como admiradora de larga data de Gabriel García Márquez, visitar Colombia se sintió casi como entrar en un paisaje literario que había vivido en mi imaginación durante años. Fue un hermoso recordatorio de que la literatura puede inspirarnos mucho antes de llegar a un lugar en persona.

¿Qué impresiones te llevaste de América Latina para compartirlas en tu tierra natal?

Mi primera impresión fue: ¡es muy verde! Puedo estar equivocada, pero me impresionó la hermosa naturaleza. Me encanta que América Latina esté llena de vida: regresé con un profundo aprecio por la resiliencia, la danza, el arte, la creatividad y la generosidad de las comunidades latinoamericanas. A pesar de las distintas historias y lenguas, encontré muchas experiencias compartidas en torno a la memoria, la identidad y la esperanza. Me inspiró especialmente la forma en que la poesía se abraza como un arte público y comunitario, capaz de reunir a personas de todos los ámbitos de la vida. No creo que esta haya sido una visita de una sola vez.

¿Consideras que el mundo se ha olvidado de Palestina?

No creo que el mundo haya olvidado Palestina; es la lucha más antigua que vive bajo ocupación y guerra, pero la atención suele llegar en oleadas, como ocurre con la lucha por la libertad en todas partes. Lo importante es que la gente siga interesándose no solo por los titulares, sino también por la cultura palestina, su literatura, su música y la vida cotidiana. Nuestras historias son más que el ciclo de noticias, y el arte ayuda a preservar la humanidad que las estadísticas y los debates políticos a menudo pasan por alto.

¿Qué mensaje quisieras compartir desde Palestina?

Me gustaría que la gente recordara que detrás de cada titular hay seres humanos con sueños, familias, talentos e historias que vale la pena escuchar. Siempre hay más de lo que parece. Espero que quienes lean sigan acercándose a Palestina con curiosidad, empatía y disposición para escuchar. La literatura nos recuerda que, antes de ser definidos por la nacionalidad o la política, somos personas conectadas por nuestra humanidad compartida. Ahí, para mí, es donde empieza toda conversación que tenga sentido.

Querida Alice, gracias por dedicar tu tiempo y tu espacio desde Palestina para compartir con las lectoras y lectores de este distinguido medio. Recibe mis sinceras felicitaciones por la trayectoria que has construido a lo largo de tu vida, tanto en tu labor profesional como traductora como en tu obra creativa.

En el siguiente enlace podrán disfrutar de una lectura poética de Alice, que ofreció durante el Festival Internacional de Poesía de Medellín (Colombia) el pasado mes de julio: https://youtu.be/aPHb3790R6c?si=e0BQHKJhOYXATTyE

  • Nota: la presente entrevista ha sido traducida del inglés al español mediante Perplexity AI.

El entrevistador, es escritor nicaragüense radicado en Costa Rica.

Contacto: carlosjavierjarquin2690@yahoo.es 

Carlos Javier Jarquín

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Tentativa – Resultado

A beleza que nasce da dor no poema de Surendra Nagaraju

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
Fotografia conceitual e artística em formato horizontal mostrando uma floresta de bambus envolta em névoa suave. No centro da imagem, um colmo de bambu apresenta uma fenda vertical iluminada por uma luz dourada brilhante. Da abertura, emergem notas musicais e partículas reluzentes que flutuam suavemente pelo ar, enquanto raios de sol quentes atravessam as árvores ao fundo.
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Notas doces são secretadas
somente quando os bambus são feridos;
as sementes produzem o óleo
somente quando são golpeadas.

Um trabalho árduo e rigoroso
é necessário para alcançar bons resultados.

Elanaaga

Attemtp – Results

Sweet notes are secreted 
only when bamboos are wounded;
Seeds yield the oil 
only on being battered.

Rigorous toil is 
required for good results.

Elanaaga

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Cântico de Ítaca

Ella Dominici

Onde os mitos gregos encontram o silêncio e as verdades do coração humano

Ella Dominici
Ella Dominici
Ilustração poética da Odisseia com mulher observando o mar e figuras mitológicas gregas nas nuvens, acompanhada pelo texto do poema Cântico de Ítaca de Ella Dominici.
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Ella Dominici

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O capital humano

Diamantino Lourenço R. de Bártolo: ‘O capital humano’ — Uma análise urgente e perspicaz sobre as dicotomias do mundo moderno e o esgotamento dos nossos recursos

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Uma arte digital conceitual mostrando a silhueta translúcida de uma pessoa cheia de florestas e água limpa em seu interior, sobreposta a um cenário de terra seca, representando o ensaio 'O Capital Humano'.
https://gemini.google.com/app/a85e8e7231e61318?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

A humanidade vive tempos conturbados, qualquer que seja a dimensão pela qual se analise uma determinada situação. Partindo-se do indivíduo, singularmente considerado, enquanto pessoa de deveres e direitos, para conjuntos mais alargados, como: a família, a empresa, a comunidade nacional ou a sociedade global, os problemas existem, são de diversa natureza e grandeza: uns resolvem-se; outros alimentam-se e outros, ainda, criam-se, porque o mundo compõe-se de inúmeros binómios: homem-mulher; verdade-mentira; dia-noite; quente-frio; guerra-paz; vida-morte, bom-mau; alegria-tristeza, belo-feio, riqueza-pobreza, Deus-Diabo, etc.

A dicotomia é uma, entre outras, característica deste mundo, na medida em que algo existe em relação ao seu negativo ou ao seu opositor, tal como uma afirmação, a propósito de uma determinada situação, é tanto mais real quanto se destaca a sua oponente, o que envolve uma complexidade de muito difícil gestão, transferindo-se uma tal realidade para a sociedade humana. 

A inferência que se tira é evidente: a organização da sociedade, com todos os seus elementos constituintes, obedece a regras consuetudinárias, e também a normas do corpo jurídico instituído. Conciliar todos os interesses em presença, num universo de dicotomias, oposições e recursos vários, é uma tarefa muito melindrosa e complicada.

Atualmente, a organização societária funciona com base nos diversos recursos: energéticos, monetários, técnicos, científicos, instrumentais, ambientais, humanos e outros. Obviamente que todos são importantes, necessários e, eventualmente, cada vez mais escassos. 

Em todo o caso, verifica-se que alguns recursos começam a ser racionalizados, a sua utilização cada vez mais controlada, para que a sua extinção não ocorra sem que primeiro o homem encontre alternativas. Os recursos naturais, até mesmo aqueles que pareciam ilimitados: a água para consumo humano, nas suas diversas aplicações, o ar não poluído, a floresta, o ambiente, produtos naturais energéticos, animais, bens alimentares, hoje, primeiro quarto do século XXI, verifica-se que é urgente controlar, racionalizar e, portanto, gerir, sabiamente, tais riquezas naturais, sob pena de as próximas gerações não viverem com um mínimo de qualidade de vida, o que a acontecer, constitui gravíssima responsabilidade para os gestores e decisores atuais.

Há, porém, um recurso natural, valiosíssimo, o mais importante, o mais complexo, também em extinção em muitos países do mundo. Um recurso que, paradoxalmente, é consumidor de todos os outros recursos naturais, destruidor de importantes meios e também proporcionador de novos recursos, na busca de um equilíbrio natural que parece querer fugir-lhe. 

Destaca-se, no contexto de todos os recursos, naturais e/ou artificiais, o recurso humano – a pessoa. Esta, a pessoa humana, profissional, social, política, religiosa, técnica, científica, enfim, polivalente, constitui o recurso mais valioso que existe neste planeta, aliás, sem este recurso, todos os outros não teriam qualquer utilidade para a humanidade, embora alguns deles a tivessem para o restante reino animal. O mundo jamais seria como é sem o recurso humano.

A complexidade avoluma-se quando se sabe que os recursos naturais, existentes no planeta Terra são, na sua esmagadora maioria, administrados por um outro recurso natural único, o humano. A dificuldade em gerir um recurso natural humano, pelo próprio recurso natural humano, fica assim em evidência, tanto mais que se o homem tem gerido mal os restantes recursos naturais, como é que ele vai ser capaz de se gerir bem a si próprio e à comunidade/sociedade em que se integra? 

Uma primeira explicação, sobre a dificuldade em gerir as pessoas, pode-se extrair da situação acima descrita, porque é do conhecimento mundial, que o maior predador e perdulário de recursos naturais é o homem, o que não abona a seu favor, quando tem que se gerir a si próprio. 

Gerir pessoas por outras pessoas é um trabalho extremamente difícil, que exige conhecimentos profundos sobre a constituição geral da pessoa humana, porque em boa verdade: «As pessoas são muito mais do que um factor produtivo: são membros de sistemas sociais de muitas organizações exteriores à empresa. São, portanto, diferentes enquanto habitantes do mundo com os seus padrões de comportamento, hábitos de vida, de compras, credo religioso e político, extracto social, económico, nível cultural. (…) A pessoa tem de ser considerada como um todo, na sua vertente cultural, social, económica, crenças políticas e religiosas, e não só através das características que desenvolve no seu desempenho na organização.» (AMARAL,1996:80).

Bibliografia

ALMEIDA, Fernando Neves de, (1999). O Gestor. A arte de Liderar. 2ª Ed. Lisboa: Editorial Presença. 

AMARAL, Maria do Céu. (1996). Gerir: Ciência e Arte. Lisboa: IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional/Departamento de Formação Profissional

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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