Intensidade do ser

Ella Dominici: Poema ‘Intensidade do ser’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing
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Vulcão Interno Poético

Há poetas, e há vulcões.
Um difere do outro pelo fogo que habita as entranhas,
acendendo chamas nas palavras até queimar as próprias mãos.

Os olhos piscam — lânguidos, febris —
e esse gesto derrama-se em lágrima,
sal de um mar que não se apaga.

Ser poeta é arder sem aviso,
é deixar que a dor seja o combustível da beleza.

“Não há contenção possível quando a poesia decide nascer.”

ERUPÇÕES

Ainda há lava dentro de mim,
fermentando silêncio, desejo e memória.
O chão treme sob o peso das lembranças,
e o céu se inflama em nuvens rubras.

Cada suspiro é magma que se move,
cada lágrima é rio de fogo e água.
O corpo inteiro é cratera aberta
onde o tempo se dobra, incerto e impetuoso.

Não há repouso para a vida —
a erupção continua, invisível e viva,
nas veias do humano, na alma do mundo,
em todas as manhãs que ainda não nasceram.

E assim sigo,
entre cinzas e brasas,
esperando o próximo vulcão,
a próxima lava,
o próximo instante de fogo que me recria.

Ella Dominici

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Soneto de amor

Irene da Rocha: ‘Soneto de amor’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Criador de imagens do Bing - 22 de abril de2025, às 07:58 PM
Criador de imagens do Bing – 22 de abril de2025,
às 07:58 PM

Em cada olhar profundo vou me dar,
Por toda a vida, hei de te encontrar,
Que no silêncio eterno vou te amar,
Mesmo se a lágrima vier a saltar.

As despedidas cruzam o caminho,
Mas ao voltar, renasce o teu carinho,
Palavras soam num amor radiante,
Firmando os laços de um ser constante.

Mesmo na dor da tua ausência fria,
A esperança sustenta a alma vazia,
Pois o que é nosso é real, sem final,

Um sentimento que atravessa o mal.
Sorrisos vêm, as lágrimas se vão,
Por toda a vida, ao teu lado, paixão.

Irene da Rocha

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O que ‘te’ faz Negro? O que não te faz?

Natália Tamara: ‘O que ‘te’ faz Negro? O que não te faz?

Natália Tamara
Natália Tamara
Deuses negros, segundo a tradição africana
Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer

O que te faz negro mano,

O que te faz negro mina,

O que te faz negro – mona,

O que te faz negro tupi? …

Se a tua epiderme se veste da noite,

Se as tuas cicatrizes foram feitas de açoites,

Se teus deuses são negros como você,

E dançam o culto da negritude nacional

Me diz – que te faz negro?

Então me diz – O que não te faz?

Dos teus algozes esculpidos nos troncos,

Dos teus contos e tradição popular,

Dessa nossa etnia multifacetada,

Das nossas raízes nas tuas enraizadas…

Me diz- o que faz negro país?

Então me diz – o que não te faz?!

Tuas histórias no decorrer da História,

Banhada com sangue negro,

Sempre fora contada,

A partir dos olhos de brancos!

De brancos, que para meterem seus ‘paus’

a força em negras, fizeram-se pretos!

O que te faz negro – nação,

O que não te faz miscigenação?

Toda lágrima de dor e angústia,

Toda lágrima de fé e esperança,

Todas as marcas, todos os ritos,

Todos os mitos, gritos! Todos os orixás!

O que te faz Afro – cidadão,

Me diz – O que não te faz?

Natália Tamara

Contatos com a autora

Voltar: http://www.jornalrol.com.br

Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/




O leitor participa: Maria Claudoete Batista dos Santos, de São Miguel dos Campos (AL): 'Pingo de lágrima'

Em uma bela noite de clima árido./ Vejo uma grande quantidade de estrelas a brilhar.”

Pingo de Lágrima

Em uma bela noite de clima árido.

Vejo uma grande quantidade de estrelas a brilhar.

Rajada de vento nos quatro cantos do mundo.

Aprecio um airoso horizonte além do luar.

Vejo uma constelação de estrelas

Sobre os altos céus a brilhar.

Apenas um pingo de lágrima

De meus olhos deixo rolar

Diante de tanta beleza

Que meus olhos conseguem enxergar.

Maria Claodoete Batista dos Santos – cleudoetty@hot mail.com