Mandala

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘Mandala’

Joelson Mora
Joelson Mora
Infográfico em formato de mandala intitulado Roda da Vida, com elementos de desenvolvimento pessoal, espiritualidade, saúde, família e foco, em tons de dourado, azul e verde.
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Vivemos em um mundo que nos convida, diariamente, à pressa. São inúmeras tarefas, cobranças e estímulos que, pouco a pouco, nos afastam daquilo que temos de mais precioso: nossa própria essência.

Talvez por isso as mandalas despertem tanto interesse. Elas nos convidam a parar, respirar e contemplar.

A palavra mandala tem origem no sânscrito e significa “círculo”. Em diversas culturas orientais, especialmente nas tradições hinduísta e budista, ela representa o universo, a totalidade e a conexão entre todas as coisas. Mais do que um desenho bonito, a mandala é um símbolo de organização, equilíbrio e unidade.

Ao longo dos anos, também despertou o interesse da psicologia. O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung observou que muitas pessoas desenhavam formas circulares espontaneamente em momentos de transformação pessoal. Para ele, as mandalas representavam um movimento natural da mente em busca de integração e equilíbrio.

Na prática, contemplar ou colorir uma mandala pode favorecer momentos de relaxamento, concentração e atenção plena. Muitas pessoas utilizam essa atividade como uma forma de desacelerar, reduzir o estresse cotidiano e desenvolver maior consciência sobre seus pensamentos e emoções. Embora esses benefícios possam variar entre indivíduos, essa prática pode ser um recurso complementar de bem-estar.

Dentro da proposta da Saúde Integral, gosto de compreender a mandala como um espelho simbólico da própria vida.

O centro representa nossa essência, nossos valores e nosso propósito.

As formas que se expandem ao redor simbolizam as diferentes áreas da existência: saúde física, equilíbrio emocional, relacionamentos, espiritualidade, trabalho, conhecimento e contribuição ao próximo.

Quando uma dessas áreas entra em desequilíbrio, toda a estrutura sente seus efeitos. Da mesma forma que uma pequena alteração em uma mandala modifica toda a sua harmonia, pequenas escolhas diárias também influenciam nossa qualidade de vida.

Talvez a maior mensagem das mandalas seja justamente esta: a verdadeira transformação começa no centro.

Não adianta buscar equilíbrio apenas no ambiente externo se nossos pensamentos permanecem acelerados, nossas emoções desorganizadas ou nossos hábitos distantes daquilo que realmente promove saúde.

Uma alimentação equilibrada, rotina diária de exercícios físicos, sono reparador, momentos de silêncio, boas relações, aprendizado contínuo e propósito de vida são partes de uma mesma mandala chamada existência.

Independente de tradição espiritual ou filosófica de cada pessoa, todos podemos aprender com esse símbolo milenar: equilíbrio não significa perfeição, mas a capacidade de retornar ao centro sempre que a vida nos tira do eixo.

Que possamos construir, dia após dia, uma vida em que corpo, mente, emoções e espírito caminhem em harmonia.

Porque saúde não é apenas ausência de doença.

É viver de forma consciente, equilibrada e plenamente presente.

Joelson Mora

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Celio Pezza: Samadhi – parte 1

 

Celio Pezza: Crônica # 350 – Samadhi – parte 1

 

Samadhi pode ser traduzido como contemplação ou meditação profunda.

No yoga é a última etapa, quando se atinge a compreensão da existência e a comunhão com o universo.

Ele é muito importante agora, face aos problemas de nossa época.

Não temos ideia de quem somos, porque estamos nesse mundo e para onde vamos.

Vivemos no medo e no caos.

Esquecemos do Samadhi e nossa existência está focada no ego. Esse ego constrói formas nas quais você sempre precisa de mais alguma coisa; mais dinheiro, mais poder, mais amor, mais paz, mais de tudo.

Isso tudo faz parte da construção do ego, pois ela é só o impulso de repetir. Dessa forma, a maior parte dos humanos é como um rebanho de gado, que vive e morre em uma subjugação passiva, dentro de uma matriz de ilusões. Nós já nascemos dentro de uma estrutura biológica condicionada, sem auto despertar da consciência. Crescemos com uma máscara e desempenhamos papéis ao longo da vida; quando você desperta, você não acredita que é a máscara que está usando.

A mente pode estar ligada a uma armadilha para o consciente, uma prisão, mas, na verdade, não é que você esteja em uma prisão e sim que você é a prisão. Essa prisão é uma ilusão e se você se identifica com a ilusão, você está preso. Quando você luta contra a ilusão, você assume que ela é real e, portanto, você continua dormindo e lutando contra um sonho.

Samadhi é o despertar desse sonho, dessa prisão, dessa construção do ego. Despertar não é sair da matriz e sim não se identificar com ela, pois ela não existe.

O filósofo francês René Descartes ficou famoso pela frase “Penso, logo existo”. Essa frase aprisiona o mundo ocidental e ajuda na sua queda.

Já Buda, na cultura oriental, foi além da mente e do pensar. Ele foi buscar a verdade na meditação profunda, bem além da mente.

No filme Matrix existe uma civilização inserida em um programa de computador que cria nos humanos a ilusão de um mundo de sonhos e você vive dentro dele, só produzindo energia para as máquinas que criaram o programa.

A diferença é que as máquinas somos nós! Nós criamos desejos que nunca acabam pois não podem ser satisfeitos. Nós passamos a vida nessa prisão, construindo algo para amanhã e depois morremos. Quando você está na frente de um espelho, nunca vai mudar a imagem, pois ela é você. Você é a fonte. Se você não mudar, nada mudará.

Muitos dizem que para manter o mundo em paz precisamos combater os nossos inimigos, mas as lutas para a paz criam mais de tudo aquilo que queremos combater.

No mundo atual temos guerras contra o terrorismo, contra as doenças, contra a fome, contra tudo. Na verdade, qualquer guerra é contra nós mesmos, pois todas são de nossa criação.

Nós queremos o ar limpo mas continuamos a poluir e respirar venenos; nós procuramos pela cura do câncer, mas não mudamos os hábitos alimentares e continuamos a comer comida envenenada.

O mundo interno é onde essa revolução deve acontecer e somente quando sentirmos o mundo interno podemos vir para o externo.

Até lá, nada do que fizermos vai mudar o caos criado pela mente. Guerra e paz vão continuar juntas e nesse mundo de ilusões, uma não pode viver sem a outra, da mesma forma que a luz não vive sem a escuridão.

Qualquer solução que venha da mente e do ego, é dirigida pela ideia de que existe um problema e a solução se torna um problema cada vez maior.

Apesar dos melhores esforços o câncer e as guerras estão aumentando.

O que está errado na nossa abordagem?

 

Célio Pezza  /  Abril, 2017                                                                 Continua na parte 2