Feliz felicitação

Surendra Nagaraju
A ousadia do deserto que sonha com nuvens densas e merece ser coroado com as guirlandas sagradas das gotas de chuva

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju Elanaaga
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O deserto que

ousadamente sonha com nuvens densas

merece felicitação com

guirlandas de gotas de chuva.

Elanaaga

Felicitous Felicitation

The desert that 

daringly dreams dense clouds 

deserves felicitation with

wreathes of raindrops.

Elanaaga

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Uma estrela a menos

Najwa Sadi Juma:
Quando o desejo alcança a estrela, mas encontra o vazio

Najwa Sadi Juma
Najwa Sadi Juma
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Uma estrela deslumbra você,
distante,
brilhando.
Você estende a mão para alcançá-la…
e, de repente,
ela repousa na sua palma.

Você lê as linhas de sua mão.
Sua luz começa a se apagar,
até transformar-se em fumaça,
escorrendo por entre seus dedos.

O céu tem uma estrela a menos.
Sua mão segura mais vazio.

Najwa Sadi Juma

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O mistério das flores

Marli Freitas:
Entre jardins e mistérios, a alquimia das flores revela a essência do amor

Marli Freitas
Marli Freitas
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Entre jardins transita o meu espírito.

Curiosa, segui tentando entender

O mistério das flores.

Mostravam-se hortênsias, margaridas,

Jasmins, azaleias, begônias,

Calêndulas, rosas e antúrios.

Junto com elas vinham palavras

Robustas, seguras, gentis,

Solares e cheias de cuidado.

Havia um mundo profundo sendo

Revelado na simplicidade da linguagem

Metafórica das formas e cores.

Com movimentos, quase imperceptíveis,

Acontecia a alquimia perfeita

Entre os sentidos, a alma e o espírito.

Era a lei natural da vida

Desabrochando em flor e exalando

No mundo a essência do amor.

Marli F Freitas

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Um caminhante desnorteado

Nagaraju Ramaswamy:
Poema que transforma a perda do caminho em metáfora da própria existência

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Tem-se a sensação de que tudo é conhecido,
mas o caminho na floresta nunca termina.
A direção parece perfeita,
mas a pequena embarcação não chega à margem.
As trilhas no deserto não são desconhecidas,
mas, por mais que se caminhe,
não se chega à fronteira.
Assim é a vida dos seres humanos.
É uma selva impenetrável,
um vasto oceano que se estende até o horizonte.
Uma infinidade de areia que se alonga até a linha do céu.
É um encantamento mágico,
feito de miragens entretecidas e místicas.
E o homem, um caminhante desnorteado,
continua vagando, tendo perdido o seu caminho.

Nagaraju Ramaswamy

Original (Telugu): Nagaraju Ramaswamy
Tradução: Elanaaga

A Befuddled Wayfarer

One feels as if everything is known,
but the path in the forest never ends.
Direction seems perfect,
yet the dinghy doesn’t get ashore.
The tracks in the desert are not unknown,
but no amount of treading
takes you to the frontier.
Such is the life of humans.
It’s an impenetrable jungle,
a vast ocean spread to the horizon.
Infinite sand stretched to the skyline.
A magic spell it is,
of woven, mystical mirages.
And man, a befuddled wayfarer,
keeps roaming, having lost his way.

Nagaraju Ramaswamy

Original (Telugu): Nagaraju Ramaswamy
Translation: Elanaaga

Nagaraju Ramaswamy, um indiano de meia idade, cabelos brancos e de úculos.
Nagaraju Ramaswamy

Nagaraju Ramaswamy nasceu na Índia, em 9 de setembro de 1939. É engenheiro eletricista de profissão.

Após uma longa trajetória profissional na Índia, Nigéria, Gana, Omã e Arábia Saudita, aposentou-se há muitos anos e atualmente reside nos Estados Unidos.

Sua obra compreende 14 livros em télugo e três em inglês. Sua tradução para o télugo da coletânea de poemas “Sunstone”, de Octavio Paz, lhe trouxe reconhecimento. A tradução da poesia de John Keats também merece destaque. Igualmente dignos de menção são “The Great Void”, “Wings of Musings” e “Blue Pleasance”.

Seu livro mais recente em télugo, “Kavana Kokilalu”, reúne ensaios notáveis e detalhados sobre antigos poetas ingleses. A obra serve como um guia de consulta para os apreciadores da poesia inglesa.

Seus textos continuam sendo publicados em periódicos locais e nas redes sociais, como Facebook, WhatsApp, entre outras. Recebeu alguns prêmios e distinções por sua contribuição à literatura.




Ouro derretido à deriva

Ella Dominici transforma ouro, fogo e água em metáforas do desejo, conduzindo o leitor por uma experiência poética de entrega, paixão e dissolução

Ella Dominici
Ella Dominici
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Pergunta-me onde me achava morrendo,
como um navio incendiado em alto-mar,
deixando tombar o ouro que se fundia
em plena lava,
incandescente, derretendo aos poucos,
a formar arte deslumbrante.

Sem ar nos pulmões das águas frias,
pergunta-me as palavras que te dissera.
Foram de audácia as correntes que te prenderam,
algema líquida que te segurou bem firme.
Deixara-te deslizar
como peixe que escorrega das mãos.

Redime-te.
Lembra-te e salta em águas conhecidas.
Reconhece teu habitat,
peixe que passa por minhas pedras limosas,
de cheiro do mar.

Marulho te canta aos ouvidos,
salgado, salino ao teu paladar.
Brinda — e não esqueças
do açúcar molhado na borda da taça.

Folga-te das bolhas que se formam
na boca que beijas.
Palavras poéticas feitas de um nada
se agitam e dizem o tudo de uma só vez.

Brigas comigo
que o tudo é teu, é meu,
é demais e de mais ninguém.

Nademos sem rumo,
de mãos enamoradas.
Se me afundas, te sossego;
se te afundo, nadas de braçadas
e boias de prazer comigo.

Olha-me, molha-me debaixo d’água.
Meu corpo se dilui
e a visão é ilusão.
O movimento é nosso,
no insustentável,
até que morras,
até que acordes
de tuas águas que me quiseram
e me amaram.

Pergunta-me onde me achava,
morrendo como um navio incendiado em alto-mar.

Olha melhor
e sente se é comigo:

meu ouro derretido à deriva.

Ella Dominici




Antes que o mundo acabe

Lina Veira: Poema ‘Antes que o mundo acabe’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canva

Antes que o mundo acabe
Erga a cabeça
O caminho é seu
Odiar e amar é possível
Mas o otimismo é que te faz prudente
Olhar bem define o indefinível
Eu sei, “o desejo da liberdade é maior que a paixão”, já dizia Rubens Alves
Mas a percepção limitada das pessoas nada definem
O fim sempre existiu, o nada, o pó, o indescritível
O otimismo também
Ainda que esquecido no vento: o choro, a dor, o ruim, o controverso
Deixa o milagre ser poesia, na sombra, no sol, na noite, no dia
Se despe antes que o mundo acabe como árvores no outono
Que soltam suas folhas
Sem vergonha, sem modéstia, valente
Antes que o mundo acabe, cabe ainda amar, injetar forças
Escrever, beijar
Beijar desesperadamente
E fazer amor como se fosse o único fim
Antes que o mundo acabe e se consuma desesperadamente
Faça amor, recite um livro, se declare, chore

“Antes que o mundo acabe” funciona como uma metáfora para a urgência de viver, de amar e de se conectar com o essencial diante da incerteza, da passagem do tempo ou de grandes crises globais e pessoais

Lina Veira

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The sole hymn of the world

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

Poem ‘The Sole Hymn of the World’

Mustafa Al-Sumaidi
Mustafa Al-Sumaidi
Ilustração artística e surreal de uma mão segurando uma caneta de luz estelar, escrevendo com tinta cósmica brilhante que forma pequenas galáxias e constelações em um fundo de espaço sideral.
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This night unfolds a page
primed for a cosmic thought.
A pen I wanted,
and I asked myself:
what kind of pen
would glint with rare sparks
upon the brow of the dark?

At the furthest reaches of space,
the unseen unveiled a star
in full radiance
I lulled it there—
in that high realm,
until it drew near and hung suspended.

I melted it into an inkwell,
arrayed with the crescents
of years gone by,
and seemed as if I hold a galaxy—
a celestial orbit to which I belong.

Something now glimmers
upon the nib of the pen,
as if dribbling from the vein of nebula
a new-born alphabet,
unimagined by any language,
weaving itself into boundless metaphors
for a text inscribed with heaven’s adornments.

As dawn I emerged.
The gloom of night lifted,
destined to fade away.

I folded the star’s orbit
after I contained the infinite expanse
within the sole hymn of the world,
leaving to the yet-to-come nights
the imprint of my fingers,
charred by the will of light.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

O Hino Único do Mundo

Esta noite desdobra uma página
pronta para um pensamento cósmico.
Eu queria uma pena,
e perguntei a mim mesmo:
que tipo de pena
brilharia com faíscas raras
sobre a fronte da escuridão?

Nos confins do espaço,
o invisível revelou uma estrela
em pleno esplendor;
eu a ninintei ali —
naquele reino elevado,
até que ela se aproximasse e ficasse suspensa.

Eu a fundi num tinteiro,
ornamentado com as luas crescentes
de anos passados,
e senti como se segurasse uma galáxia —
uma órbita celestial à qual pertenço.

Algo agora cintila
na ponta da pena,
como se escorresse da veia de uma nebulosa
um alfabeto recém-nascido,
não imaginado por língua alguma,
tecendo-se em metáforas sem fim
para um texto inscrito com os adornos do céu.

Como a aurora, eu emergi.
A penumbra da noite se dissipou,
destinada a desaparecer.

Dobrei a órbita da estrela
após conter a extensão infinita
no hino único do mundo,
deixando para as noites por vir
a marca dos meus dedos,
abrasados ​​pela vontade da luz.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

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