Antes que o mundo acabe

Lina Veira: Poema ‘Antes que o mundo acabe’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canva

Antes que o mundo acabe
Erga a cabeça
O caminho é seu
Odiar e amar é possível
Mas o otimismo é que te faz prudente
Olhar bem define o indefinível
Eu sei, “o desejo da liberdade é maior que a paixão”, já dizia Rubens Alves
Mas a percepção limitada das pessoas nada definem
O fim sempre existiu, o nada, o pó, o indescritível
O otimismo também
Ainda que esquecido no vento: o choro, a dor, o ruim, o controverso
Deixa o milagre ser poesia, na sombra, no sol, na noite, no dia
Se despe antes que o mundo acabe como árvores no outono
Que soltam suas folhas
Sem vergonha, sem modéstia, valente
Antes que o mundo acabe, cabe ainda amar, injetar forças
Escrever, beijar
Beijar desesperadamente
E fazer amor como se fosse o único fim
Antes que o mundo acabe e se consuma desesperadamente
Faça amor, recite um livro, se declare, chore

“Antes que o mundo acabe” funciona como uma metáfora para a urgência de viver, de amar e de se conectar com o essencial diante da incerteza, da passagem do tempo ou de grandes crises globais e pessoais

Lina Veira

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The sole hymn of the world

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

Poem ‘The Sole Hymn of the World’

Mustafa Al-Sumaidi
Mustafa Al-Sumaidi
Ilustração artística e surreal de uma mão segurando uma caneta de luz estelar, escrevendo com tinta cósmica brilhante que forma pequenas galáxias e constelações em um fundo de espaço sideral.
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This night unfolds a page
primed for a cosmic thought.
A pen I wanted,
and I asked myself:
what kind of pen
would glint with rare sparks
upon the brow of the dark?

At the furthest reaches of space,
the unseen unveiled a star
in full radiance
I lulled it there—
in that high realm,
until it drew near and hung suspended.

I melted it into an inkwell,
arrayed with the crescents
of years gone by,
and seemed as if I hold a galaxy—
a celestial orbit to which I belong.

Something now glimmers
upon the nib of the pen,
as if dribbling from the vein of nebula
a new-born alphabet,
unimagined by any language,
weaving itself into boundless metaphors
for a text inscribed with heaven’s adornments.

As dawn I emerged.
The gloom of night lifted,
destined to fade away.

I folded the star’s orbit
after I contained the infinite expanse
within the sole hymn of the world,
leaving to the yet-to-come nights
the imprint of my fingers,
charred by the will of light.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

O Hino Único do Mundo

Esta noite desdobra uma página
pronta para um pensamento cósmico.
Eu queria uma pena,
e perguntei a mim mesmo:
que tipo de pena
brilharia com faíscas raras
sobre a fronte da escuridão?

Nos confins do espaço,
o invisível revelou uma estrela
em pleno esplendor;
eu a ninintei ali —
naquele reino elevado,
até que ela se aproximasse e ficasse suspensa.

Eu a fundi num tinteiro,
ornamentado com as luas crescentes
de anos passados,
e senti como se segurasse uma galáxia —
uma órbita celestial à qual pertenço.

Algo agora cintila
na ponta da pena,
como se escorresse da veia de uma nebulosa
um alfabeto recém-nascido,
não imaginado por língua alguma,
tecendo-se em metáforas sem fim
para um texto inscrito com os adornos do céu.

Como a aurora, eu emergi.
A penumbra da noite se dissipou,
destinada a desaparecer.

Dobrei a órbita da estrela
após conter a extensão infinita
no hino único do mundo,
deixando para as noites por vir
a marca dos meus dedos,
abrasados ​​pela vontade da luz.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

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