Somos a ponte e a multidão

Evani Rocha: Poema ‘Somos a ponte e a multidão’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada pelo ChatGPT em 25 de maio de 2026, às 9h25

Somos a ponte sobre o rio
E a multidão a passar
A estibordo do navio
E o porão a naufragar

Somos calor de verão
Folhas secas no outono
Somos cada estação
Na insanidade dos sonhos

Somos o pó da estrada
E a ventania a soprar
As pegadas na areia
A maré a marejar

Somos feito andarilhos
Pelos caminhos da vida
Ora largo, ora estreito
Nos vales e na subida

Somos as pedras e as flores
A depender das emoções
As páginas escritas do livro
As vírgulas e os travessões

Somos sol ou somos chuva
A semente a germinar
Às vezes a erva daninha
A outras ervas, sufocar

Lua minguante ou cheia
Nós também podemos ser
Cada um tem o seu jeito
De brilhar ou de esconder-se

Somos os homens que lutam
Sob o reinado insolente
A mesa posta e a fartura
A fome do inocente

Somos pais e somos filhos
O abraço e a ausência
Um sorriso escancarado
Ou o pranto incontido

Somos parede e telhado
Por vezes, somos o piso
Somos trem descarrilhado
A estação e os trilhos

Somos aves, somos bichos
A terra e a serrapilheira
O lugar de cada nicho
A serpente e a sereia

Somos águia a voar
Por sobre montes e vales
A procura de um tudo
Ou tão somente, um nada

Somos presa e predador
O caos e a sobriedade
O ataque e a defesa
A fome e a saciedade

Somos céu e arco-íris
Das cores, a aquarela
O pincel e a pintura
O ramalhete na janela

Somos o mar e a maresia
A areia branca e o véu
As ondas na maré cheia
O mel da boca e o fel

Somos água turbulenta
Por vezes, somos serenas
Somos fossas abissais
Morando dentro da gente

Somos a mala e o conteúdo
A poltrona e a passagem
O túnel no viaduto
E as sombras da viagem

Somos chegada e partida
Quem vai embora ou quem fica
As medalhas da vitória
E as flores da despedida

Somos nossa própria história
O epitáfio na lápide fria
A desculpa na retórica
E a pálida fotografia

Somos a ponte sobre o rio
E a multidão a passar
Os olhos no infinito
E as mãos em prece a rogar!

Evani Rocha

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Omissão

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Omissão’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem criada por IA no Bing - 09 de abril de 2025, às 10:16 PM
Imagem criada por IA no Bing – 09 de abril de 2025,
às 10:16 PM

O Sol se deitou, acobertado
Pelo manto rubro do poente…
Mas você não viu.

Nos jardins, as rosas se abriram
Inebriando o ar…
Mas você não sentiu.

Na rua, a criança pediu
Do lar, o velho partiu…
E você, nem chorou.

Sob a fúria da cavalaria
A multidão, trôpega, gritou,
Mas, diante da opressão,
Você se calou!

Às portas da Morte,
Você a viu, a sentiu,
Por ela chorou,
Em desespero gritou
Mas a Vida, outrora tão perto,
Repentina, o deixou!

Sergio Diniz da Costa

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Imitando um Sorriso

Verônica Moreira: ‘Imitando um Sorriso’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem criada pela IA do Bing
Imagem criada pela IA do Bing

Não há porque tentar imitar os contornos de um sorriso mais bonito

Também não é preciso elevar a voz para que eu o escute.

Seu sorriso é o mais encantador, sua voz é incomparável.

Não é necessário tapar o Sol com uma peneira,

tampouco fazer acrobacias.

Eu notaria sua presença mesmo em uma multidão.

Seu perfume atrai minha atenção como grelhado na churrasqueira.

Provei você e jamais esqueço, mesmo sem ter mordido um pedaço.

O aroma do seu amor não sai da minha mente,

uma combinação do doce com o sal,

irresistível sabor…

Como posso fingir não ter visto, não ter tocado, não ter sentido?

Desnecessário fingir que não me notou, que não me sentiu.

Continuo sentindo você de maneira discreta.

Verônica Moreira

16 de junho de 2024

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