O Poder das Ideias

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘O Poder das Ideias:
Pensadores que Transformaram a Humanidade’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho

A Arte apresenta “O Poder das Ideias: Pensadores que Transformaram a Humanidade”, em uma composição  que une história, filosofia, cultura e conhecimento. Ao centro, Prof. Dr.h.c. mult. Alexandre Rurikovich Carvalho aparece entre livros, símbolos históricos e representações de grandes pensadores que marcaram a trajetória da  humanidade. A composição destaca a força do pensamento e do legado intelectual como instrumentos capazes de  transformar sociedades e atravessar gerações. Uma apresentação visual especialmente concebida para  acompanhar este artigo no Jornal Carvalho. Imagem criada por IA.  

“As grandes transformações da humanidade frequentemente começam com uma  ideia, uma pergunta ou a coragem de pensar diferente.”

Resumo 

A história da humanidade é marcada por indivíduos que, por meio de suas ideias,  reflexões e obras, contribuíram para transformar profundamente a sociedade.  Filósofos, cientistas, escritores, educadores, líderes intelectuais e pensadores  políticos desafiaram concepções estabelecidas, formularam novas interpretações  sobre o ser humano e o mundo e influenciaram gerações. Este artigo apresenta uma  reflexão sobre alguns dos principais pensadores que exerceram impacto significativo  na trajetória da civilização, da Antiguidade à contemporaneidade. Entre eles estão  Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Nicolau Maquiavel, René  Descartes, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Immanuel Kant, Karl Marx,  Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Hannah Arendt, Simone de Beauvoir, Paulo  Freire e Martin Luther King Jr. O estudo evidencia que suas contribuições  ultrapassaram os limites de suas respectivas épocas, alcançando áreas como  filosofia, política, educação, ciência, ética, direitos humanos e cultura. Mais do que  apresentar uma sucessão de nomes, o artigo procura demonstrar como o  pensamento crítico constitui uma das principais forças responsáveis pelas  transformações da humanidade. 

Palavras-chave: Pensamento crítico; Filosofia; História das ideias; Transformação  social; Cultura; Ética; Educação.

1. Introdução 

A humanidade não se transforma apenas por meio de guerras, revoluções,  descobertas científicas ou mudanças políticas. Por trás de muitas das grandes  transformações históricas encontram-se ideias. Antes que uma sociedade mude suas  instituições, seus costumes ou suas formas de compreender o mundo,  frequentemente alguém ousa questionar aquilo que parecia definitivo. 

Os grandes pensadores da história exerceram justamente esse papel. Alguns  desafiaram crenças tradicionais; outros questionaram sistemas políticos, religiosos ou  econômicos; muitos refletiram sobre a natureza humana, a liberdade, a justiça, a  educação, a moralidade e o conhecimento. Suas ideias, mesmo quando inicialmente  rejeitadas, encontraram caminhos para influenciar gerações posteriores. 

Pensar é, nesse sentido, uma forma de transformar. Uma ideia pode permanecer  restrita a um livro ou a uma sala de aula, mas também pode inspirar movimentos  sociais, reformas políticas, novas teorias científicas, sistemas educacionais e  mudanças culturais. 

Desde a filosofia grega até os debates contemporâneos sobre democracia,  tecnologia, direitos humanos e inteligência artificial, a humanidade continua sendo  influenciada por homens e mulheres que compreenderam que questionar é também  uma maneira de construir. 

Este artigo tem como objetivo apresentar alguns desses pensadores e analisar, de  maneira panorâmica, a contribuição de suas ideias para a construção da sociedade  moderna. Para tanto, não se propõe uma história exaustiva da filosofia, mas um  percurso seletivo que destaque como certas concepções se tornaram referenciais  duradouros, capazes de reorientar práticas e instituições em diferentes contextos  históricos. 

2. O pensamento como força de transformação 

O pensamento crítico é uma das características mais importantes da experiência  humana. A capacidade de perguntar, comparar, investigar, duvidar e formular  hipóteses permitiu que diferentes sociedades ampliassem seus conhecimentos e  modificassem suas formas de organização. 

Um pensador transformador não precisa necessariamente apresentar respostas  definitivas. Muitas vezes, sua maior contribuição está justamente em formular  perguntas que permanecem vivas ao longo dos séculos. 

A história da filosofia demonstra essa realidade. Questões aparentemente antigas — O que é a justiça? O que é a verdade? O que significa ser livre? Como devemos  viver? Qual é a finalidade da educação? O que torna uma sociedade legítima? — continuam presentes nos debates contemporâneos. 

A influência dos grandes pensadores, portanto, não deve ser medida apenas pela  quantidade de pessoas que leram suas obras, mas pela capacidade de suas ideias de  provocar mudanças na maneira como a humanidade compreende a si mesma. 

Sugestões de ampliação (para fortalecer a argumentação e preparar o terreno para os  perfis dos pensadores):

2.1. Ideias que se tornam práticas 

Muitas ideias que hoje parecem óbvias foram, em seu tempo, radicalmente  inovadoras e, por vezes, subversivas. Conceitos como igualdade perante a lei, direitos  humanos, soberania popular, método científico, educação como prática da liberdade e  a própria noção de sujeito crítico foram construídos e reconstruídos por pensadores  que desafiaram visões hegemônicas. 

Essas concepções não permaneceram no plano abstrato: inspiraram constituições,  reformas educacionais, movimentos de emancipação, novas formas de organização  do trabalho e do Estado, além de mudanças profundas nos costumes e na cultura. 

2.2. Pensamento, contexto e legado 

É importante evitar uma leitura desencarnada desses pensadores. Cada um deles  respondeu a problemas concretos de seu tempo: crises políticas, transformações  econômicas, conflitos religiosos, avanços científicos, lutas por reconhecimento e  direitos. Suas obras são, ao mesmo tempo, produtos de contextos históricos  específicos e fontes de problemas e soluções que ultrapassam esses contextos. 

O legado de um pensador, assim, não se esgota em suas intenções originais. Ele se  constrói também nas releituras, críticas e apropriações que suas obras recebem em  épocas posteriores. Por isso, falar em “pensadores que transformaram o mundo”  implica reconhecer tanto sua ação histórica quanto a vida posterior de suas ideias. 

2.3. Crítica e responsabilidade 

O pensamento crítico, contudo, não é apenas instrumento de progresso; ele também  pode ser usado para justificar dominações, exclusões e violências. Por isso, a  reflexão sobre os grandes pensadores deve incluir uma avaliação crítica de seus  limites, contradições e silêncios — por exemplo, em relação a questões de gênero,  raça, colonialismo e desigualdade social. 

Reconhecer a força transformadora do pensamento exige, portanto, responsabilidade  intelectual: distinguir entre o que foi efetivamente emancipador, o que foi ambíguo e o  que precisa ser superado à luz de novos conhecimentos e demandas éticas. 

3. Sócrates e a descoberta do poder da pergunta 

Entre os grandes nomes da Antiguidade, Sócrates ocupa posição singular. Embora  não tenha deixado obras escritas, seu pensamento foi preservado principalmente  pelos relatos de seus discípulos, especialmente Platão, e, em menor medida, por  Xenofonte e outros autores. 

Sócrates transformou a filosofia ao deslocar sua atenção de questões cosmológicas e  especulativas para problemas relacionados à vida humana, à ética e ao  conhecimento. Seu método baseava-se no diálogo e no questionamento sistemático. 

A chamada maiêutica socrática estimulava o interlocutor a examinar suas próprias  convicções. Em vez de simplesmente oferecer respostas, Sócrates conduzia seus  interlocutores a perceberem contradições e limitações em seus próprios argumentos,  forçando-os a refinar conceitos e a assumir maior responsabilidade intelectual.

Sua famosa atitude de reconhecer a própria ignorância, expressa na ideia de que “só  sei que nada sei” — tornou-se símbolo da busca filosófica pelo conhecimento e da  humildade intelectual como condição para aprender. 

Sua influência permanece atual porque uma sociedade democrática depende da  capacidade de seus cidadãos de questionar, argumentar e examinar criticamente as  informações que recebem. Nesse sentido, Sócrates pode ser visto como um dos  fundadores de uma ética do pensamento crítico, essencial tanto para a vida pública  quanto para a formação individual. 

Discípulo de Sócrates, Platão foi um dos mais importantes filósofos da história  ocidental. Fundador da Academia de Atenas, elaborou uma extensa reflexão sobre  conhecimento, política, educação, ética e realidade. 

4. Platão e a reflexão sobre justiça e sociedade 

Em sua obra A República, Platão apresenta uma investigação sobre a justiça e  sobre a organização ideal da sociedade. Sua filosofia também desenvolveu a  célebre teoria das formas ou ideias, segundo a qual aquilo que percebemos pelos  sentidos não corresponde necessariamente à realidade mais profunda. 

Platão compreendeu a educação como instrumento fundamental para a formação  humana e política. Sua influência atravessou séculos e alcançou a filosofia, a teologia,  a literatura e a teoria política. 

Mesmo quando suas concepções são criticadas, continuam sendo estudadas porque  apresentam questões fundamentais sobre poder, conhecimento e responsabilidade. 

5. Aristóteles e a sistematização do conhecimento 

Aristóteles, discípulo de Platão e professor de Alexandre, o Grande, ampliou  significativamente o campo da investigação racional. 

Sua produção intelectual alcançou áreas como lógica, ética, política, biologia,  metafísica, retórica e estética. Sua contribuição foi decisiva para a organização  sistemática do conhecimento. 

Na ética, Aristóteles desenvolveu o conceito de virtude como disposição para agir de  maneira equilibrada, buscando uma vida orientada pelo desenvolvimento das  capacidades humanas. 

Na política, refletiu sobre diferentes formas de governo e sobre a organização da  comunidade. 

Sua influência permaneceu extraordinária durante a Idade Média e posteriormente  contribuiu para a formação da tradição filosófica ocidental. 

6. Santo Agostinho e a interioridade humana 

Com Santo Agostinho, a filosofia cristã encontrou uma das suas expressões mais  influentes. Pensador da Antiguidade Tardia, Agostinho refletiu profundamente sobre  Deus, o tempo, a memória, o conhecimento e a condição humana.

Sua obra Confissões é considerada um marco da literatura autobiográfica e filosófica,  apresentando uma intensa investigação sobre a interioridade. 

Agostinho demonstrou que compreender o ser humano exige também compreender  sua dimensão interior, seus conflitos, desejos, dúvidas e buscas. 

Sua influência sobre o pensamento cristão e sobre a filosofia ocidental foi profunda,  atravessando muitos séculos. 

7. Maquiavel e uma nova compreensão da política 

Nicolau Maquiavel marcou uma transformação importante na reflexão política. Em O  Príncipe, analisou o exercício do poder a partir das condições concretas da política de  seu tempo. 

Sua obra rompeu parcialmente com abordagens idealizadas da política,  concentrando-se na realidade das disputas pelo poder, na estabilidade do Estado e  nas estratégias utilizadas pelos governantes. 

Por essa razão, Maquiavel tornou-se uma referência indispensável para os estudos  políticos. 

Embora seu nome tenha adquirido conotações negativas na linguagem cotidiana, seu  pensamento é muito mais complexo do que a simples associação com manipulação  ou crueldade. 

8. René Descartes e a valorização da razão 

René Descartes foi um dos grandes protagonistas da filosofia moderna. Seu projeto  consistiu em buscar fundamentos seguros para o conhecimento. 

A célebre formulação “Penso, logo existo” tornou-se uma das frases mais  conhecidas da história da filosofia. 

Descartes valorizou a dúvida metódica e a razão como instrumentos para alcançar  conhecimentos mais seguros. Seu pensamento influenciou profundamente a filosofia,  a ciência e a maneira moderna de compreender o sujeito. 

A valorização da racionalidade e do método contribuiu para o ambiente intelectual que  caracterizou a modernidade científica. 

9. John Locke e os fundamentos da liberdade 

John Locke exerceu enorme influência sobre a filosofia política moderna. Suas  reflexões sobre direitos naturais, liberdade, propriedade e governo contribuíram para  o desenvolvimento do pensamento liberal. 

Para Locke, os indivíduos possuem direitos que não deveriam ser arbitrariamente  retirados pelo Estado. O governo legítimo dependeria do consentimento dos  governados. 

Suas ideias influenciaram importantes transformações políticas, especialmente os  debates que culminaram nas revoluções modernas e na formação de novas  concepções sobre cidadania.

10. Jean-Jacques Rousseau e a vontade popular 

Jean-Jacques Rousseau trouxe contribuições fundamentais para a filosofia política e  para a reflexão sobre educação. 

Em O Contrato Social, desenvolveu a ideia de soberania popular e defendeu que a  legitimidade política deveria estar relacionada à vontade geral. 

Em Emílio, apresentou importantes reflexões sobre a formação do indivíduo e a  educação. 

Suas ideias tiveram grande influência sobre o pensamento político europeu e sobre os  debates acerca de liberdade, igualdade e cidadania. 

11. Immanuel Kant e a autonomia moral 

Immanuel Kant realizou uma das mais profundas sínteses da filosofia moderna. 

Sua filosofia crítica investigou os limites e as possibilidades da razão. Na ética,  defendeu a autonomia do indivíduo e a necessidade de agir segundo princípios que  possam ser racionalmente universalizados. 

O pensamento kantiano também possui importância fundamental para a reflexão  sobre dignidade humana. 

A concepção de que o ser humano deve ser tratado como um fim em si mesmo  tornou-se especialmente relevante para posteriores discussões sobre direitos  humanos e ética. 

12. Karl Marx e a crítica da sociedade industrial 

Karl Marx desenvolveu uma das mais influentes críticas ao capitalismo e às estruturas  econômicas e sociais da sociedade moderna. 

Ao lado de Friedrich Engels, analisou as relações entre trabalho, capital, classes  sociais e poder econômico. 

O pensamento marxista influenciou movimentos políticos, sindicatos, partidos,  universidades e revoluções ao longo dos séculos XIX e XX. 

Independentemente das diferentes interpretações e críticas dirigidas à sua obra, Marx  transformou profundamente a maneira de estudar economia, sociedade e  desigualdade. 

13. Friedrich Nietzsche e a crítica aos valores tradicionais 

Friedrich Nietzsche questionou profundamente diversos valores morais, religiosos e  culturais da tradição ocidental. 

Sua filosofia colocou em discussão conceitos como verdade, moralidade, poder,  niilismo e existência.

Nietzsche também desenvolveu uma crítica à aceitação passiva de valores herdados,  estimulando o indivíduo a realizar uma avaliação mais profunda de sua própria  existência. 

Sua influência ultrapassou os limites da filosofia, alcançando a literatura, a psicologia,  a arte e a cultura contemporânea. 

14. Sigmund Freud e a descoberta do inconsciente 

Sigmund Freud revolucionou a compreensão do ser humano ao desenvolver a  psicanálise. 

Sua teoria colocou o inconsciente no centro da investigação sobre comportamentos,  desejos, conflitos e experiências humanas. 

Embora várias de suas ideias tenham sido posteriormente revisadas ou contestadas,  Freud provocou uma transformação duradoura na maneira de pensar a subjetividade. 

A cultura contemporânea foi profundamente influenciada por conceitos derivados da  psicanálise, especialmente aqueles relacionados aos sonhos, ao desejo e aos  conflitos internos. 

15. Hannah Arendt e a reflexão sobre política e responsabilidade

Hannah Arendt foi uma das mais importantes pensadoras políticas do século XX. 

Ao analisar os regimes totalitários, refletiu sobre poder, liberdade, responsabilidade e  participação política. 

Sua obra As Origens do Totalitarismo tornou-se referência para compreender  fenômenos políticos extremos. 

Outro conceito marcante de seu pensamento é a “banalidade do mal”, desenvolvido a  partir de sua análise do julgamento de Adolf Eichmann. 

Arendt demonstrou a importância da responsabilidade individual diante de sistemas  políticos e sociais que podem estimular a obediência cega. 

16. Simone de Beauvoir e a condição feminina 

Simone de Beauvoir desempenhou papel central na reflexão filosófica e social sobre a  condição das mulheres. 

Em O Segundo Sexo, analisou historicamente e culturalmente os mecanismos que  contribuíram para a construção da desigualdade entre homens e mulheres. 

Sua obra tornou-se fundamental para os estudos feministas e para os debates  contemporâneos sobre igualdade, liberdade e autonomia. 

Ao questionar papéis sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres, Beauvoir  ajudou a ampliar o debate sobre direitos e participação social.

17. Paulo Freire e a educação como prática de liberdade 

Entre os pensadores brasileiros de maior projeção internacional encontra-se Paulo  Freire. 

Sua proposta pedagógica valorizou o diálogo, a consciência crítica e a participação  ativa do educando. 

Em Pedagogia do Oprimido, Freire apresentou uma concepção de educação  comprometida com a transformação social e com a autonomia dos indivíduos. 

Sua influência ultrapassou o Brasil e alcançou diversos países. 

Para Freire, educar não deveria significar simplesmente transmitir informações, mas  criar condições para que o indivíduo compreendesse criticamente sua realidade e  pudesse atuar sobre ela. 

18. Martin Luther King Jr. e o pensamento transformado em ação 

Martin Luther King Jr. representa um exemplo singular da relação entre pensamento,  ética e ação social. 

Inspirado por princípios religiosos, filosóficos e pela defesa da não violência, King  tornou-se uma das principais lideranças do movimento pelos direitos civis nos  Estados Unidos. 

Sua luta contra a segregação racial demonstrou que ideias sobre igualdade e  dignidade humana podem transformar-se em movimentos capazes de modificar  estruturas sociais. 

Seu legado ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos e permanece associado à  defesa dos direitos humanos, da igualdade e da paz. 

19. Pensadores e a transformação do mundo contemporâneo 

Os pensadores analisados pertencem a períodos históricos diferentes e apresentam  ideias muitas vezes contraditórias. 

Sócrates valorizou o questionamento; Platão refletiu sobre justiça e educação;  Aristóteles sistematizou campos do conhecimento; Agostinho aprofundou a dimensão  interior; Maquiavel investigou o poder; Descartes enfatizou a razão; Locke e  Rousseau contribuíram para a filosofia política; Kant aprofundou a autonomia moral;  Marx analisou as estruturas econômicas; Nietzsche questionou valores tradicionais;  Freud investigou o inconsciente; Arendt examinou os perigos do totalitarismo;  Beauvoir questionou desigualdades de gênero; Freire transformou a reflexão  educacional; e Martin Luther King Jr. demonstrou a força ética da ação coletiva. 

Suas diferenças revelam algo fundamental: não existe apenas uma maneira de  transformar o mundo. 

A transformação pode ocorrer por meio de um livro, uma teoria, uma descoberta, uma  escola, um movimento político, uma obra de arte, uma ação social ou simplesmente  uma pergunta capaz de desafiar certezas estabelecidas.

20. A importância do pensamento crítico na atualidade 

No século XXI, a humanidade enfrenta desafios que exigem capacidade crítica cada vez maior. 

Desinformação, radicalização política, desigualdade social, mudanças climáticas,  conflitos internacionais, transformações tecnológicas e inteligência artificial colocam  novas questões diante da sociedade. 

Nesse contexto, estudar os grandes pensadores não significa apenas conhecer  personagens do passado. Significa aprender a pensar. 

O conhecimento histórico e filosófico permite compreender que muitas questões  contemporâneas possuem antecedentes e que diferentes gerações já enfrentaram  dilemas relacionados à liberdade, ao poder, à justiça, à educação e à  responsabilidade. 

A tecnologia pode ampliar a capacidade humana de produzir e disseminar  informações, mas não elimina a necessidade de reflexão crítica. Pelo contrário:  quanto maior o volume de informações disponível, maior a necessidade de indivíduos  capazes de avaliar fontes, identificar argumentos frágeis e distinguir conhecimento de  desinformação. 

21. Considerações finais 

Os grandes pensadores da humanidade demonstram que uma ideia pode atravessar  séculos e continuar produzindo efeitos. 

Sócrates ensinou a importância da pergunta. Platão mostrou a profundidade da  reflexão sobre justiça. Aristóteles demonstrou a força da sistematização racional.  Agostinho investigou a interioridade. Maquiavel analisou o poder político. Descartes  valorizou a razão e o método. Locke e Rousseau contribuíram para novas  concepções de liberdade e soberania. Kant aprofundou a autonomia e a dignidade  moral. Marx revelou contradições econômicas e sociais. Nietzsche questionou valores  estabelecidos. Freud explorou a dimensão inconsciente. Arendt examinou a  responsabilidade diante do poder totalitário. Beauvoir contribuiu para a crítica das  desigualdades de gênero. Paulo Freire transformou a educação em instrumento de  conscientização. Martin Luther King Jr. demonstrou que princípios de igualdade e não  violência podem mobilizar sociedades inteiras. 

Entretanto, talvez a principal lição deixada por esses pensadores seja a de que  nenhuma sociedade deve considerar suas verdades definitivas. 

O mundo se transforma quando alguém decide perguntar, investigar, imaginar e  propor alternativas. 

Pensar é, portanto, mais do que uma atividade intelectual. É uma forma de exercer  liberdade e responsabilidade. 

As grandes transformações da história nasceram, muitas vezes, de uma ideia que  inicialmente parecia impossível, de uma pergunta que incomodava ou de uma pessoa  que se recusou a aceitar que a realidade não poderia ser diferente.

Por isso, conhecer os pensadores que transformaram o mundo é também  compreender que o futuro continua aberto àqueles que têm coragem de pensar. 

Referências bibliográficas 

ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras. ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Martins Fontes. 

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. São Paulo: Companhia das Letras. 

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril  Cultural. 

LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Abril Cultural. MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes. 

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo:  Boitempo. 

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras. PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes. 

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martins Fontes. 

SÓCRATES. Pensamento preservado principalmente nos diálogos de Platão,  Xenofonte e outros autores da Antiguidade. 

KING JR., Martin Luther. A Testament of Hope: The Essential Writings and Speeches.  San Francisco: HarperCollins. 

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus.

Alexandre Rurikovich Carvalho

Voltar

Facebook




José Coutinho de Oliveira: 'Depois de Platão e Aristóteles, nada.'

Depois de Platão e Aristóteles, nada.

 

Whitehead terá dito uma coisa muito séria: de que tudo o que foi escrito na filosofia depois de Platão e Aristóteles não passa de nota de rodapé, o que dispensa qualquer comentário, corroborando Gálatas 4,4 que diz que na plenitude dos tempos o Pai enviou o Filho.

Hoje felizmente já não nos acanhamos diante dessas realidades pois parece que chegamos ao próton da coisa. Pusemo-nos a enfrentar a tal teoria dos dois mundos: um fenomênico, que vemos e o outro que pensamos, o intelectivo.

Platão a quem ninguém teria superado conciliou Parmênides e Heráclito ao sustentar que o que vemos é o mundo heraclitiano e o que pensamos é o parmenediano.

O primeiro seria o constante devir e o segundo o imutável , o eterno e o uno.

Ele terá dito também que o mundo que se vê é onde mora a doxa, a opinião, a suposição e no invisível a episteme, a ciência.

Platão então ensinava que a realidade está no mundo das ideias, no mundo intelectivo, onde se encontra o númeno, a res ipsa, a coisa em si mesma, em sua concretude. Essa visão de Platão os escolásticos chamaram de conceptualismo, de conceito. Aristóteles discordou e propôs a teoria oposta, o realismo, de res, coisa.

De que é real o que vemos, que os escolásticos terão dado o nome de nominalismo.

Kant talvez ao estudar o mesmo assunto terá lançado o apriorismo, ou seja, de que há conhecimentos adquiríveis através unicamente dos sentidos.

Algo grave todavia que surge nesse debate é a tese dos racionalistas que dizem que os sentidos podem nos enganar surgindo nesse ponto a teoria do empirismo, ou seja, a crença de que só se aprende aquilo sobre o qual meditamos, tese oposta ao inatismo oriunda da teologia da pré existência da alma de Sócrates, ou seja, nessa teoria houve um mundo só espiritual antes do terráqueo. Orígenes, depois Evágrio, a abraçavam.

Kanta realmente escreveu um livro denominado de ” Do mundo visível e do mundo inteligível” (1770).

Para Platão o bem, o agathon, seria ideia suprema surgindo dessa palavra a agatologia, prática que busca um aperfeiçoamento constante.

José Coutinho de Oliveira



José Coutinho de Oliveira: 'Equívoco'

  José Coutinho de Oliveira: ‘Equívoco’

É um equívoco achar que Platão morreu com a crença encontrada em sua obra “República”, diz-se que escrita com o título primitivo de “Politeía”, traduzido por Cícero para “República”. Na primeira parece que a utopia se realizaria numa cidade chamada Calípolis, cidade bela; em sua última utopia “Leis”, Platão então desiste do coletivismo. Podemos confirmar essa reviravolta através das palavras de Aristóteles em seu livro “Política”, livro II, capítulo VII: “Há outras constituições que foram propostas: algumas por simples cidadãos, outras por filósofos e homens de Estado, mas todas elas estão próximas das repúblicas existentes que das propostas por Platão (isto é, uma na República, outra nas Leis).

Recorremos ainda a Aristóteles para constatarmos a diferença entre as duas utopias: transportemos ainda da “Política”, livro II, capítulo VI o trecho que fala de tal diferença: ” Com exceção da comunidade de mulheres e de bens, ele supõe que todo o resto seja igual em ambas as constituições:…”

Pois bem, está aí formada a encrenca, ou seja, o desconhecimento dessa reviravolta de Platão terá gerado os conhecidos conflitos que sobreviriam.

Precavidamente tocamos nesse assunto pois acreditamos que tudo pode ser diferente daqui para frente: abandono do coletivismo platônico da República, abandono esse reiterado por Aristóteles; ensino facultativo com a adoção simultânea dos métodos ultradinâmico semiaberto, audio-orais pictográficos ou ágrafos, este último , onde houver maior carência de recursos; disponibilização do ensino opcional de Latim, Grego e mitologia. O Latim, ao invés de ser exposto como sempre tem sido, ou seja, a partir da teoria e de traduções poderia ser aplicado através de diálogos, da conversação. Para se ensinar o grego talvez precisássemos de um dicionário em caracteres também romanos. Poder-se-ia oferecê-lo também através do método audiovisual, ou seja, com escrita ou do audio-oral ágrafo cujo um dos objetivos seria o de obter velocidade num menor espaço de tempo.

Infelizmente, para o prejuízo da civilização, a maioria dos filósofos que nos antecederam não ficaram sabendo do abandono do coletivismo por Platão em seu livro “Leis”, exceção feita ao próprio Aristóteles, Locke e Adam Smith, esse último que já tinha dezoito anos quando da morte do segundo. Cabe-nos então descobrirmos até que ponto Locke influenciou Adam Smith, fundador da economia.

José Coutinho de Oliveira

Graduado em Letras e Pedagogia




Artigo de Maria Dolores Tucunduva: 'O Conceito de Justiça para Platão e Aristóteles'

Foto FacebookMaria Dolores Tucunduva – ‘O Conceito de Justiça para Platão e Aristóteles’

Introdução

No início de “A Justiça dos Antigos” são apresentadas algumas partes do primeiro e segundo livro de “A República”, de Platão, e do capítulo V do livro “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles. No texto de Platão, criam-se duas indagações, em que uma trata da definição do justo e da justiça e a outra questiona se devemos e por que devemos ser justos. A obra, na integra, é dedicada a estas respostas, já que consiste na construção do modelo da “ótima república”. A obra de Aristóteles propõe uma classificação dos diferentes tipos de justiça e as formas à que se aplicam. A distinção feita é a justiça como respeito à lei e a justiça como igualdade. A justiça na distribuição de honras e ônus, de renda e status, é diferente da justiça como aprovação jurídica nos casos em que estão em pauta o dano e a vantagem. Isso, naturalmente, não apenas tem a ver com as distinções entre justiça distributiva, reguladora e comutativa, mas também concerne à complexa relação entre a estrutura da justiça e a virtude ética a ela correspondente. Na ideia do filósofo, a pesquisa sobre justiça deve informar “qual justo meio constitui a justiça e de que extremos o justo é o meio”.

1. A natureza do problema e as questões fundamentais

O sentido de toda a construção do Estado ideal indica abertamente que a comunidade política deve estar assentada na justiça. Se é correto afirmar que a República tenta responder à questão das razões que movem os homens a viver em sociedade, é preciso reconhecer que essa, própria de uma teoria social, se responde somente por meio uma teoria da justiça. Na República, põe-se declarado que a justiça é o componente fundamental do Estado ideal. A justiça é expressão da capacidade do Estado e é ela que assegura que o Estado seja bom e deve ser exercida por cada cidadão, no exercício de suas funções e de acordo com suas capacidades: trabalhadores e artesãos, mulheres e crianças, guerreiros e guardiões, governantes, educadores, filósofos e artistas. Considerando inclusive que a ideia de justiça é a possibilidade da razão na ordem do político, onde as partes constituem uma pura totalidade organizada de acordo com o bem da sociedade.

Grande parte do capítulo é explicada pela utilização de diálogos, retirados da obra de Platão. Em determinada altura da conversa, encontramos os locutores discutindo a relação existente entre a consideração do valor moral da justiça, tema a ser digladiado dentro da história da composição do direito, eis que não se pode confundir justiça com direito, porém pressupõe-se que essa está inclusa neste.

Sócrates possui uma visão idealista da justiça ao discutir com Trasímaco a noção da existência de uma justiça ideal, límpida, sem nenhum vício e, posteriormente, iria declarar uma justiça corrompida por vícios de injustiça. Trasímaco, em contraposição a Sócrates, clamava que justiça é a representação prática da mesma, voltada a realidade, e como se aplicava a sociedade vigente na época.

Trasímaco aparentemente se demonstra conveniente às ideias de Sócrates, porém, após certo tempo, revela estar concordando com ele somente para poder dissipar a discussão. O texto nos leva a acreditar na ideia de uma falsa justiça, pois, em pratica, a sabedoria e virtude elevada por Sócrates em definir justiça, se mostraram ausentes.

Em um segundo momento, Sócrates começa a discutir o conceito de justiça com Gláucon. Este inicia o diálogo propondo a existência de três tipos de bens: o primeiro seria aquele desejado por si mesmo; o segundo, desejado por si mesmo e por suas consequências e o terceiro somente por suas consequências. Daí em diante, o texto consiste em propor sobre em qual tipo a justiça se encontra. Para Sócrates, a justiça está no segundo; para Gláucon, no terceiro.

O oponente de Sócrates cita a lenda de Gyges, um pastor que encontra um cadáver, portando um anel peculiar. Quando coloca o anel no próprio dedo, esse o torna invisível. Sem ninguém capaz de ver suas ações, Gyges passa a praticar várias condutas amorais – seduz a rainha, mata o rei e rouba o trono do seu reino. Sobre isso, Gláucon diz que os homens não desejam a justiça, só a buscam para não serem punidos pelas leis que regulam seus atos.

Sócrates propõe que a justiça deve ser procurada como um bem a ser desejado, como sendo o certo a se buscar, por si mesmo, pelo desejo de realizar o bem. Essa seria a conduta correta a ser seguida. Em seu ideal, diz que a justiça deve ser igualada à aquela exclamada pelos poetas e artistas, como um bem supremo e de infinita beleza.

2. Os modos e os objetivos da justiça

Em “A ética de Nicômaco”, Aristóteles propõe uma indagação a respeito do que realmente significa ser justo ou injusto, bem como discorre sobre os diversos sentidos destes dois opostos e os objetos utilizados para a execução da justiça. Para o autor, o conceito de injustiça materializa-se tanto na figura do transgressor da lei, quanto na daquele que, por qualquer meio, obtêm vantagem de forma ilícita ou mesmo imoral, agindo assim de forma iniqua. Evidentemente em contraponto, existe a figura daquele cidadão virtuoso, respeitador das leis e mantenedor de elevados ideais de moral e ética, visando por meio desta o bem comum e personificando o conceito de justo.

A justiça, portanto, demonstra-se como uma certa forma de virtude perfeita e completa, pois pode servir assim não somente para si próprio, mas também em relação ao outro, sendo assim um bem alheio, dizendo respeito a toda sociedade e não somente ao indivíduo. Aristóteles descreve, de certa forma poeticamente, sobre esta característica como: “a mais importante das virtudes; nem a estrela da noite, nem aquela da manhã são tão admiráveis”. Sendo assim um bem alheio, visto que a justiça é posta como uma forma de virtude, por outro lado a injustiça é um vício, não somente parcial, mas completo, pois, assim como seu oposto, afeta todo o ciclo de convivência do indivíduo que a comete, prejudicando o convívio harmonioso em sociedade.

A justiça é alcançada a partir do momento em que agir de maneira ética se torna um hábito comportamental do sujeito que a pleiteia. O autor defende que agir compactamente de maneira ética é a “receita” para criação de um indivíduo virtuoso – ou seja, justo. A justiça seria dividida em dois métodos principais: a justiça geral e a justiça particular, sendo que esta possui ramificações.

Aristóteles compreendia justiça geral como sendo a pura e simples observação do cumprimento da legislação, por possuírem como objetivo o adimplemento do bem comum e da felicidade geral. É curioso interpretar que o termo “legislação” não compreende apenas a lei positiva, mas também a lei não escrita. Esta seria amplamente priorizada em detrimento daquela, na sociedade grega onde o filósofo se encontrava.

Por justiça particular, o filósofo definia como sendo aquela age com objetivo de igualar as partes envolvidas, subdividindo-se entre justiça distributiva – a simples repartição de bens, segundo o mérito de cada indivíduo – e justiça correlativa. Neste caso, surge a necessidade de envolvimento de um terceiro, alheio às partes, que deve decidir sobre o que cada um tem ou não direito, onde a figura do juiz ditaria o que é justo.

Conclusão

Justiça, sob a ótica dos antigos, possui conceituações diversas da que usualmente se impõe, em tempos modernos, mas as raízes desse pensamento são facilmente avistadas, quando analisadas profundamente. Platão, propondo a ideia de que a justiça é a base de todas as virtudes humanas, não implica que apenas os filósofos (detentores do conhecimento) seriam justos; pelo contrário, seguindo o princípio de “dar a cada um aquilo que lhe é próprio”, utilizado como conceito central da organização de sua república, o autor especifica que uma sociedade justa é aquela onde seus componentes trabalham conforme sua aptidão. Seguindo esse ideal, a própria sociedade, com indivíduos justos, formaria um Estado justo, demonstrando esse viés antropológico que a justiça possui.

A visão aristotélica também apresenta esse elemento antropológico, no sentido de definir o que é justo. A questão de justiça, em “Ética de Nicômaco”, é abordada como uma virtude estritamente humana, não se prendendo em aspectos meramente legais e positivos. Dessa maneira, para Aristóteles, ser justo é uma disposição de caráter e o sentido de justiça não pode ser simplesmente definido em uma terminologia específica.

Referências

 

MAFFETONE, S.; VECA, S. A justiça dos antigos. In: MAFFETONE, S.; VECA, S. A ideia de justiça de Platão a Rawls. 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. p. 7-93.