Os desafios dos professores de línguas!

José Ngola Carlos

‘Os desafios dos professores de línguas!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por Ia do Bing – 29 de abril de 2026, às 14:07 PM

Criticar todos sabemos fazer, porém, sugerir melhorias é o empreendimento que muitos ignoram, quer por incompetência, quer por negligência.

Neste texto será construída, não uma crítica indiscriminada aos professores de Inglês das escolas públicas, público-privadas e privadas de Angola, mas pretenderemos convidar à reflexão em torno da nossa prática como professores de língua, visando a nossa melhoria contínua. Não obstante a referência aos professores de Língua Inglesa, percebemos que, o conteúdo deste texto poderá ser útil a todos os professores de línguas.

O que se observa nas escolas de Angola é que, a exemplo do II Ciclo do Ensino Secundário, o que não é exceção, os alunos frequentam as aulas de Inglês, num período de três (3) anos e, para a surpresa de todos os agentes educativos, quase que saem crus e nus, conforme antes de as frequentarem, porque, nem o básico do primeiro nível (A1) se consegue alcançar. Não raro, comparado aos Centros de Formação Profissional, em que trabalho extraordinário tem sido feito, a justificativa sempre foi: “nos centros têm mais tempo de estudo das línguas”. Por outro lado, “os alunos veem à escola sem motivação para as aulas de línguas, o que não acontece em relação aos centros de formação, onde vão já motivados”. O nosso questionamento, portanto, é: será?! Poderia haver alguma pitada de verdade nesta maneira de pensar?! Vamos aos fatos, por favor!

Comecemos com a primeira justificativa:

“Meus alunos e alunas só não aprendem Inglês porque tenho poucos tempos letivos por semana”

O professor e a professora do II Ciclo do Ensino Secundário têm três (3) tempos letivos por semana, correspondentes à duas (2) horas e quinze (15) minutos. Este número de horas multiplicado por quatro (4), correspondente a um (1) mês, dá-nos nove (9) horas/mês. Estas horas multiplicadas pelo trimestre, corresponde a vinte e sete (27) horas que, multiplicada pelo ano, tem-se aproximadamente sessenta e três (63) horas/ano (considerando o ano acadêmico como se tivesse sete (7) meses). E, se considerarmos o ciclo de formação de três (3) anos, teremos à disposição dos professores/as de línguas, cento e oitenta e nove (189) horas. Disto, o nosso questionamento é: Com 189 horas à disposição, ainda assim, tem-se pouco tempo para fazer os alunos aprender?! Não é possível o alcance do nível mínimo de formação neste período, se trabalhado eficiente e eficazmente?!

O cético dirá: “nos centros de formação tem-se mais tempo, o que não permite a comparação da produtividade”

Então vejamos! Os Centros de Formação Profissional, não raro, e aqui falo tendo em conta a nossa experiência pessoal, os formandos têm uma (1) hora diariamente, o que perfaz cinco (5) horas semanais e 20 horas mensais, dando um total de sessenta (60) a oitenta (80) horas para a transição de níveis. O nosso questionamento segue sendo: quantas vezes é possível retirar sessenta (60) de cento e oitenta e nove (189) horas?! Resposta: três (3) vezes. O que é que isto quer dizer?!

Os dados provam que, se trabalhados com seriedade metodológica e genuíno amor pelo trabalho e pelos estudantes, o Currículo Nacional permite o alcance do nível três (A3) em Inglês, e nas outras línguas.

O cético, não convencido, muito provavelmente porque não entendeu ou não quer entender, dirá: “mas, os alunos das escolas públicas nunca estão motivados e demonstram pouco interesse na aprendizagem”.

Façamos o seguinte, professor/a: vá, leia e estude as diversas teorias da motivação humana aplicadas na educação e depois falamos.

Muito obrigado pelo seu tempo de leitura, meu caro leitor e minha cara leitora! Até mais!

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:4). Os Desafios dos Professores de Línguas! Brasil: Jornal Cultural ROL.

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 29 de abril de 2026

Voltar

Facebook




A luz é o oposto da sombra ou o seu segredo oculto?

Taghrid Bou Merhi

‘A luz é o oposto da sombra ou o seu segredo oculto?’

Taghrid Bou Merhi
Taghrid Bou Merhi
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69d252fe-0b1c-83e9-a459-94494ed6ff96

Desde que o ser humano ergueu os olhos para o céu, tenta compreender a relação entre luz e sombra. A questão nunca foi apenas física, nem um simples jogo luminoso projetado pelo sol sobre as paredes; trata-se de uma pergunta sobre a própria existência. Por que a luz só se torna visível quando encontra algo que a interrompe? E por que a sombra nasce como consequência direta da presença da luz? Nessa ligação reside um paradoxo profundo: aquilo que parece oposição pode ser, na verdade, uma forma de interdependência.

A luz, em seu sentido simbólico, representa clareza, conhecimento, serenidade e presença. Ela revela as coisas e lhes dá contornos. Quando brilha, os detalhes se distinguem e as formas se tornam perceptíveis. A sombra, por sua vez, expressa o mistério, a possibilidade, o espaço ainda não revelado. É aquilo que permanece fora do campo da visão direta, despertando questionamento e inquietação. No entanto, a sombra não existe de maneira independente; ela é resultado da luz, um efeito do seu agir.

Se imaginarmos um mundo sem luz, também não haveria sombra. Haveria apenas uma escuridão total, sem distinções. Isso mostra que a sombra não é inimiga da luz, mas sinal de sua presença. Quanto mais intensa a luz, mais definidas se tornam as sombras. Quanto mais suave, menos marcadas elas aparecem. Essa relação revela que a vida se constrói sobre um equilíbrio delicado entre revelar e ocultar, entre clareza e ambiguidade.

Na experiência humana, a luz surge nos momentos de compreensão e certeza. Quando alguém entende o sentido do que vive, sente-se como se tivesse saído de um espaço fechado para um horizonte aberto. O entendimento ilumina o interior e organiza pensamentos e emoções. A sombra manifesta-se na dúvida, nas perguntas sem resposta, no receio diante do desconhecido. Essas condições não são falhas na trajetória, mas etapas naturais dela.

Muitas vezes tentamos fugir da sombra, como se fosse algo defeituoso. No entanto, ela cumpre uma função essencial. É a sombra que confere profundidade às formas. Na pintura, não há dimensão sem contraste entre claro e escuro. Na vida, não há verdadeira apreciação da tranquilidade sem ter atravessado a inquietação. A sombra nos recorda nossos limites e nos ensina que não somos seres de conhecimento absoluto.

Por outro lado, a luz nem sempre é confortável. Uma claridade intensa pode revelar aquilo que preferíamos manter oculto. A verdade, quando se apresenta sem filtros, pode ser difícil de aceitar. Por isso, algumas pessoas evitam o confronto direto com a luz e permanecem em zonas intermediárias. Nesses momentos, a sombra torna-se um espaço de pausa, um tempo de reflexão antes do enfrentamento.

O equilíbrio entre luz e sombra é o que conduz à maturidade. Quem se recusa a reconhecer sua própria sombra, suas fragilidades e erros, vive em ilusão. Quem permanece preso à escuridão sem buscar qualquer claridade perde a esperança. A sabedoria consiste em aceitar ambas as dimensões, compreendendo que cada pessoa carrega áreas luminosas e regiões obscuras, e que o crescimento nasce da integração dessas partes.

Na natureza, essa alternância é evidente. O ciclo entre dia e noite não é uma disputa com vencedor definitivo, mas um ritmo contínuo que sustenta a vida. As plantas necessitam da luz para crescer e da escuridão para se regenerar. O corpo humano também se restaura durante a noite e se ativa à luz do dia. Esse movimento ensina que a alternância não indica fraqueza, e sim condição de continuidade.

No âmbito social, a luz manifesta-se nos valores que promovem justiça, solidariedade e responsabilidade. A sombra surge quando prevalecem a indiferença e o egoísmo. Ainda assim, a escuridão coletiva não aparece sem causa; ela reflete o distanciamento das fontes internas de consciência. Quando a sensibilidade enfraquece, a sombra se expande. Mesmo assim, um único gesto íntegro pode reacender um foco luminoso capaz de transformar o ambiente.

A sombra também é território de criação. É nas zonas não totalmente esclarecidas que surgem as perguntas, e das perguntas nascem descobertas. Se tudo estivesse plenamente revelado desde o início, não haveria impulso para investigar. O mistério estimula a mente e amplia a percepção. Nesse sentido, a sombra não representa deficiência, mas convite ao aprofundamento.

Em nível interior, cada pessoa possui sua própria sombra: aspectos pouco expostos, medos, memórias dolorosas e desejos silenciados. Ignorar essa dimensão não a elimina, apenas a torna mais ativa nos bastidores. Enfrentá-la exige coragem, porém essa atitude fortalece a integridade pessoal. Ao reconhecer sua sombra, o indivíduo torna-se mais verdadeiro consigo mesmo e mais compreensivo com os outros.

A luz, por sua vez, é uma energia que necessita direção. Não basta desejá-la; é preciso saber como utilizá-la. Quando empregada com consciência, ilumina caminhos e amplia entendimentos. Quando usada de modo imprudente, pode cegar ou impor. A luz que respeita a sombra aceita diferentes perspectivas e reconhece que a realidade pode ser vista de múltiplos ângulos.

No fim, a relação entre luz e sombra não é conflito permanente, mas definição recíproca. Uma dá sentido à outra. Sem sombra, a luz perde profundidade. Sem luz, a sombra não possui contorno. Esse diálogo constante reflete o próprio movimento da existência, onde não há brilho eterno nem escuridão definitiva.

Compreender essa interdependência transforma nossa maneira de viver. A escuridão deixa de ser ameaça absoluta e passa a ser etapa de transição. A luz deixa de ser ideal distante e torna-se responsabilidade. Entre ambas, desenha-se o percurso humano, marcado por contrastes e aprendizados.

Assim, a pergunta inicial permanece como guia: não se trata de saber qual prevalece, mas de reconhecer como se complementam. A luz orienta, a sombra aprofunda. Entre direção e profundidade, constrói-se nossa experiência, e é nesse espaço de tensão harmoniosa que amadurecemos e encontramos sentido.

Taghrid Bou Merhi

Voltar

Facebook




Deformação universitária

José Ngola Carlos: Artigo ‘Deformação universitária’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do Bing – 25 de fevereiro de 2026,
às 08:18 PM

Este artigo de reflexão, apesar da linguagem contundente, se propõe a começar um diálogo que penso ser necessário e que, se considerado seriamente, pode resultar em melhorias institucionais e sociais.

No meu entender, a maior expressão da incompetência das nossas universidades, as universidades angolanas, encontra-se no fato de que, findo o processo formativo, as/os estudantes universitárias/os são incapazes de produzir textos simples, como uma redação (produção textual) sobre qualquer tema que seja, de modo coerente e coeso. Disto resulta a intransponível dificuldade que é para elas e eles elaborar a própria monografia ou trabalho de fim de curso (também conhecido como trabalho de conclusão de curso – TCC).

Esta inabilidade vem se transformando em uma irresponsabilidade ético-moral por parte das/os estudantes, bem como das instituições de ensino superior.

Neste ponto, é conveniente destacar que, serem chamadas instituições de formação superior também é objeto de questionamento que consta do bojo desta pauta textual sob as indagações: o que torna efetivamente as nossas universidades diferentes das nossas escolas primárias, quando nelas também temos universitárias/os que mal leem e escrevem, assim como professoras/es de competências questionáveis?!

Por outro lado, o que torna realmente as nossas universidades diferentes das nossas escolas secundárias, quando nelas também temos uma formação universitária que se reduz à reprodução ao invés de uma produção científica séria, professoras/es que nada escrevem ou publicam, e as/os poucas/os que publicam, fazem-no descompromissados com a qualidade?!

A irresponsabilidade ética dos alunos e alunas se traduz na recorrente prática da encomenda por monografias. Lamentavelmente, esta é a nossa realidade, uma soma absurda de estudantes não são autoras/es de seus próprios trabalhos de fim de curso, o que percebo ser uma grave falta moral que deveria produzir sério peso de consciência nos seus praticantes, mas, como devem imaginar, nem isto acontece. Muito pelo contrário, vibramos com as notas que são atribuídas a estes trabalhos, mesmo não resultando do esforço e inteligência pessoais.

Conforme percebo, a prática da encomenda de monografias além de denunciar a incompetência das nossas universidades e das/os estudantes que delas saem, é um ato de irresponsabilidade e fraude acadêmica, o que para mim, equivale a pedir que alguém faça uma prova no lugar de outro/a.

A irresponsabilidade ética das instituições se traduz no fato de que nenhum esforço é feito para se garantir que os trabalhos sejam efetivamente feitos pelas/os estudantes, porque não raro, os tutores deixam as/os tutorandas/os a sua sorte e, em certos casos, estes fazem os trabalhos pelas/os estudantes. Não obstante a tudo isto, nenhuma medida cautelar ou de verificação é usada para prevenir ou identificar fraudes, senão o plágio, o que denuncia a ignorância das instituições em relação às monografias encomendadas.

Portanto, há aqui toda uma necessidade de se pensar e repensar constantemente a nossa educação a todos os níveis. Como sublinha Sheila Pinho, in Oficinas de Estudos Pedagógicos: Reflexões sobre a Prática do Ensino Superior (2008), a educação tem como fim último a humanização dos homens e das mulheres, pelo que, é sob a base das suas necessidades de maior e melhor humanização que toda planificação, execução e avaliação educativa se deveria assentar.

Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:2). Deformação Universitária. Brasil: Jornal Cultural ROL.

José Ngola Carlos, Msc,

Malanje, 25 de vevereiro de 2026

Voltar

Facebook




Festa em casa, uma reflexão

Denise Canova: ‘Festa em casa, uma reflexão’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem criada por IA do ChatGPT - https://chatgpt.com/c/6995070f-ec4c-8329-be33-a19ba731d47e
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6995070f-ec4c-8329-be33-a19ba731d47e

Festa em casa, uma reflexão:

O sossego da alma é o meu samba,

eu sambo dentro de mim

Isso me acalma,

samba sobre mim e seu enredo é meu recomeço

Eu tenho que encontrar soluções,

novos caminhos e jogar as dores ‘fora’

O carnaval é o momento,

em casa e sozinha, é tudo que estou precisando.

Dama da Poesia

Voltar

Facebook




Pensar o mundo para o século XXI

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Pensar o mundo para o século XXI’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA do Grok

A reflexão que agora se coloca à disposição das pessoas, amantes dos grandes valores da dignidade humana, dos quais se destacam, para já: a solidariedade, a amizade, a lealdade, a gratidão, a liberdade, a igualdade, de entre outros, identicamente fundamentais para a vida harmoniosa em sociedade, lança, justamente, um apelo à meditação sobre o mundo que desejamos construir.

Hoje, primeiro quarto do século XXI, numa sociedade muito complexa, extremamente exigente, seguramente, pelo menos, muito diferente do que em épocas passadas, as pessoas, as famílias, os governos, as empresas, as instituições em geral, as nações, seja qual for a sua natureza, confrontam-se com situações muito difíceis, que exigem soluções verdadeiramente, em alguns casos, dir-se-ia, “milagrosas”.

A gestão de pessoas, num enquadramento de valores essenciais à dignidade humana; a uma vida confortável, com expectativas de um futuro relativamente próspero; a constituição das famílias e as dificuldades que elas encontram na sua consolidação, no desejo legítimo de muitos casais terem filhos; uma velhice tranquila e merecidamente recompensada, entre outras condições que são desejáveis, para a vida adequada às necessidades mais elementares, são objetivos que se perseguem e que cada vez parecem mais difíceis de se atingir.

Com efeito, é fundamental, desde logo, que todas as pessoas, independentemente do seu estatuto, desenvolvam uma sincera sensibilidade humanista, muita competência e empenhamento em tudo o que se envolverem, na medida em que será pelo estudo, pelo trabalho, pela poupança que se podem atingir níveis e qualidade de vida, como todo o ser humano deseja, e tem direito.

Desenvolver “Relações Sociais para o Sucesso”, não pretendendo ser a panaceia para todos os males, nem sequer ter a ambição de resolver os problemas do mundo, e muito menos descobrir as fórmulas mágicas, para que toda a gente possa levar uma vida com responsabilidade, almeja, isso sim, demonstrar que é possível uma vida melhor, que existe sempre uma esperança, num mundo melhor.

Abordar temas como: “Dimensão Axiológica da Pessoa Humana”; “Conduta Ética dos Poderes; uma via para a Pacificação”, “Gratidão, Virtude que Gera Amizade e Paz”, “Idosos: Um Património de Sabedoria e Experiências”, “Crianças: Herança para um Mundo Melhor”, “Gestão e Liderança Humanizadas das Pessoas”, “Comunicação e Relações Humanas”, “Sociedade Ética para o Século XXI”, “Vida Digna”, “Filosofia para um Casamento de Sucesso”, “O Líder do Século XXI”, entre muitos outros, justificam uma tomada de consciência, para todos nós nos esforçarmos, um pouco mais, a fim de podermos dar um contributo positivo para as novas gerações.

É claro que outros temas poderiam ser abordados, noutras perspectivas, até com melhores resultados, embora estes só se possam avaliar decorrido o tempo suficiente para que uma, duas ou três gerações, se consciencializem de que, realmente, ninguém pode, nem deve, ficar de braços cruzados, à espera que um Estado Social, ou a família, amigos e instituições resolvam todas as situações.

Finalmente, com aquele conjunto de reflexões, desejo satisfazer, ainda que pobremente, o desejo de quem se preocupa com as Ciências Humanas e Sociais que, também eu, reconheço como muito importantes no nosso dia-a-dia. Pretendo, com todas as lacunas e defeitos que me caraterizam, manifestar a minha GRATIDÃO a quem me estimula para “agarrar” estes desafios, extremamente arriscados, mas ao mesmo tempo, gratificantes.

Sentir-me-ei eternamente agradecido se, pelas Relações Sociais, contribuir para que, todos juntos, nos valores da dignidade humana, possamos dar um, ainda que muito pequenino auxílio, para um futuro melhor: seja para as gerações que se aproximam do “fim da linha”, como aquela a que eu já pertenço; seja, também, para as mais novas que, generosamente, vão ajudar a construir um mundo melhor e, seguramente, permitir que nós, os “seniores”, (carinhosamente, ‘Os Cotas’) tenhamos as melhores condições para percorrer o resto da “linha”.

Boa leitura, no futuro, melhores pensamentos, para que a “FAMA: Família, Amizade, Meditação e Ação”, nestes quatro elementos, seja o ponto cardeal pelo qual consigamos orientar as nossas vidas, e o futuro da humanidade. Seremos todos muito “famosos”, se começarmos, desde já, a exercitar aquelas referências e, simultaneamente, agregarmos os grandes valores da dignidade humana, a ela associados.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Voltar

Facebook




Autonomia profissional versus prescrição parental

Fidel Fernando

‘Autonomia profissional versus prescrição parental: uma reflexão a partir de Manana, de Uanhenga Xitu’

Fidel Fernando
Fidel Fernando
Imagem criada por Ia do Bing – 27 de agosto de 2025, às 13:13 PM

A obra literária Manana (2014), do escritor angolano Uanhenga Xitu, além de literariamente rica e moralmente provocadora, oferece preciosos elementos para a análise das tensões entre tradição, modernidade e liberdade individual.

Ao relê-la para fins de pesquisa científica, destaca-se um excerto na página 22, e transcrevo literalmente:

“Aprende ofício, sobrinho! Este é arte. Não deixa pedir esmola. Teu pai ainda aí com mania de liceu, liceu, liceu, ianhi?! 4.ª classe chega bem. Depois aprende arte. Uma data de gente que anda aí no liceu, mas com mania de fonchonário são calutêiros. Não pagam as obras que a gente faz. Alguns matam as famílias com fome. A vida deles é só ter sapatos engraxado e camisa limpo. Mas em casa só comem farinha com açúcar.”

O conselho de um tio ao sobrinho, para que este aprenda um ofício, contrapõe-se à obsessão do pai pelo ‘liceu’. Este trecho espelha fielmente a realidade de muitos jovens cujos sonhos profissionais continuam hoje bloqueados pelas imposições parentais. A sociedade ainda sustenta a falsa ideia de que a única via para a realização pessoal e profissional passa pelo ensino académico formal e pela integração no aparelho do Estado. Contra esse paradigma, urge defender a autonomia e o direito de cada indivíduo traçar o seu próprio caminho.

Em Manana, Felito, personagem da obra, não é dado aos livros; chumba repetidamente no liceu. Todavia, revela interesse e talento para a carpintaria: um ofício digno e criativo. O pai, porém, insiste em empurrá-lo para o liceu, na esperança de vê-lo engravatado, funcionário público: símbolo maior da realização social para muitos. Essa lógica persiste no século XXI, quando muitos pais projectam nos filhos os sonhos que não realizaram. Queriam ter sido advogados, jornalistas, médicos ou contabilistas, e impõem essas vontades aos filhos, sufocando talentos, paixões e vocações.

Em Pais Brilhantes, Professores Fascinantes (2003), o psicólogo Augusto Cury ensina que pais controladores geram filhos inseguros e emocionalmente fragilizados. Ao prescrever o curso que o filho deve seguir, não se orienta, anula-se-lhe a identidade. Do mesmo modo, Içami Tiba, em Quem Ama, Educa! (2002), defende que educar é preparar os filhos para serem autores do próprio destino, o que requer escutá-los, respeitá-los e confiar na sua capacidade de decisão.

Nessa linha, Leandro Karnal, ao discutir a educação moderna, lembra que a liberdade é o maior presente que se pode dar a quem se ama. Isso inclui permitir que os filhos escolham seus próprios caminhos profissionais, mesmo que não correspondam às expectativas dos pais. Ao contrário do que muitos pensam, a realização profissional não depende de cargos públicos ou títulos universitários; pode emergir de um ofício artesanal, de uma paixão por ensinar ou do espírito empreendedor. Quando um pai afirma: “Quem quiser ser professor ou enfermeiro na minha casa terá de pagar com seu próprio dinheiro”, limita as opções dos filhos e força-os a seguir trajectórias que não reflectem suas verdadeiras vontades.

Com olhar crítico sobre a sociedade contemporânea, Luís Felipe Pondé, em Filosofia para Corajosos (2014), afirma que a obsessão pela estabilidade, simbolizada pelo cargo de ‘fonchonário’, revela mais medo do que vocação. Questiona-se, assim, o valor de uma vida sacrificada em nome de um status social estagnado. Nesse contexto, a fala do tio, no excerto citado, é uma advertência lúcida: Há muitos ‘ilustres’ com sapatos engraxados e camisas limpas, mas sem dignidade, sem comida em casa e sem propinas pagas para os filhos.

Assim, a valorização do ofício e do talento pessoal não é apenas uma necessidade económica, sobretudo em tempos de desemprego juvenil alarmante, mas uma exigência moral. É preciso incentivar os jovens a serem empreendedores e criadores, e não apenas candidatos a concursos públicos. É possível (e até desejável) que existam professores, marceneiros, artistas e freelancers orgulhosos da sua profissão, e não frustrados por terem sido forçados a seguir um caminho que nunca desejaram.

A leitura de Manana é, pois, ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre a necessidade de mudança de paradigma na educação e nas expectativas parentais. Os pais devem escutar, apoiar e orientar, e não prescrever. A realização autêntica só acontece quando se faz o que se ama, e isso não é um cliché: é uma verdade humana, validada por pensadores, educadores e, sobretudo, pela experiência concreta de milhares de jovens em todo o mundo.

Que a literatura continue a despertar-nos para estas verdades e que, como sociedade, saibamos acolher os sonhos dos nossos filhos, mesmo quando não se parecem com os nossos. Afinal, o sucesso não tem uniforme: pode vir de uma gravata, de um avental ou das mãos calejadas de quem faz o que ama.

Fidel Fernando

Voltar

Facebook




Não se deixe para depois

Gabriella Ferraz: ‘Não se deixe para depois’

Logo da seção O Leitor Participa
Logo da seção O Leitor Participa
Imagem criada por IA da Meta - 15 de agosto de 2025, às 16:28 PM
Imagem criada por IA da Meta – 15 de agosto de 2025, às 16:28 PM

Às vezes achamos que sabemos tanta coisa, e aqui que nós perdemos.

Ignoramos o convite de uma rua para passear na sua cidade, onde provavelmente aprenderíamos tanta coisa! Uma viagem que talvez iluminaria muitos sentidos aqui dentro. Um abraço na avó, uma conversa aleatória com um vizinho.

A vida é o agora e não o amanhã. Almoce, viaje, dance, tome seus cafés com seus amigos, ou um vinho se preferir. Só não deixe para depois, o café esfria.

É preciso saber voar alguns quilômetros até chegarmos a um recomeço. Não se deixe para depois.

Gabriella Ferraz

Sobre a autora

Gabriella Ferraz
Gabriella Ferraz

Gabriella Ferraz é mineira apaixonada pelas palavras.

Autora de ‘Lupita e teus livros’, uma obra que reflete sua paixão pelos livros e pela arte.

Natural de Divisa Alegre (MG,) passou muitos anos em São Paulo, onde a arte e o teatro a envolveram num mundo de criatividade e inspiração.

Casou com um mineiro, e juntos moraram em Brasília e Goiânia, antes de se estabelecerem em Minas Gerais.

Sua escrita é uma forma de tirar as roupas das palavras, de dar vida às histórias e criar mundos possíveis . 

Voltar

Facebook