Os desafios dos professores de línguas!
José Ngola Carlos
‘Os desafios dos professores de línguas!’


Criticar todos sabemos fazer, porém, sugerir melhorias é o empreendimento que muitos ignoram, quer por incompetência, quer por negligência.
Neste texto será construída, não uma crítica indiscriminada aos professores de Inglês das escolas públicas, público-privadas e privadas de Angola, mas pretenderemos convidar à reflexão em torno da nossa prática como professores de língua, visando a nossa melhoria contínua. Não obstante a referência aos professores de Língua Inglesa, percebemos que, o conteúdo deste texto poderá ser útil a todos os professores de línguas.
O que se observa nas escolas de Angola é que, a exemplo do II Ciclo do Ensino Secundário, o que não é exceção, os alunos frequentam as aulas de Inglês, num período de três (3) anos e, para a surpresa de todos os agentes educativos, quase que saem crus e nus, conforme antes de as frequentarem, porque, nem o básico do primeiro nível (A1) se consegue alcançar. Não raro, comparado aos Centros de Formação Profissional, em que trabalho extraordinário tem sido feito, a justificativa sempre foi: “nos centros têm mais tempo de estudo das línguas”. Por outro lado, “os alunos veem à escola sem motivação para as aulas de línguas, o que não acontece em relação aos centros de formação, onde vão já motivados”. O nosso questionamento, portanto, é: será?! Poderia haver alguma pitada de verdade nesta maneira de pensar?! Vamos aos fatos, por favor!
Comecemos com a primeira justificativa:
“Meus alunos e alunas só não aprendem Inglês porque tenho poucos tempos letivos por semana”
O professor e a professora do II Ciclo do Ensino Secundário têm três (3) tempos letivos por semana, correspondentes à duas (2) horas e quinze (15) minutos. Este número de horas multiplicado por quatro (4), correspondente a um (1) mês, dá-nos nove (9) horas/mês. Estas horas multiplicadas pelo trimestre, corresponde a vinte e sete (27) horas que, multiplicada pelo ano, tem-se aproximadamente sessenta e três (63) horas/ano (considerando o ano acadêmico como se tivesse sete (7) meses). E, se considerarmos o ciclo de formação de três (3) anos, teremos à disposição dos professores/as de línguas, cento e oitenta e nove (189) horas. Disto, o nosso questionamento é: Com 189 horas à disposição, ainda assim, tem-se pouco tempo para fazer os alunos aprender?! Não é possível o alcance do nível mínimo de formação neste período, se trabalhado eficiente e eficazmente?!
O cético dirá: “nos centros de formação tem-se mais tempo, o que não permite a comparação da produtividade”
Então vejamos! Os Centros de Formação Profissional, não raro, e aqui falo tendo em conta a nossa experiência pessoal, os formandos têm uma (1) hora diariamente, o que perfaz cinco (5) horas semanais e 20 horas mensais, dando um total de sessenta (60) a oitenta (80) horas para a transição de níveis. O nosso questionamento segue sendo: quantas vezes é possível retirar sessenta (60) de cento e oitenta e nove (189) horas?! Resposta: três (3) vezes. O que é que isto quer dizer?!
Os dados provam que, se trabalhados com seriedade metodológica e genuíno amor pelo trabalho e pelos estudantes, o Currículo Nacional permite o alcance do nível três (A3) em Inglês, e nas outras línguas.
O cético, não convencido, muito provavelmente porque não entendeu ou não quer entender, dirá: “mas, os alunos das escolas públicas nunca estão motivados e demonstram pouco interesse na aprendizagem”.
Façamos o seguinte, professor/a: vá, leia e estude as diversas teorias da motivação humana aplicadas na educação e depois falamos.
Muito obrigado pelo seu tempo de leitura, meu caro leitor e minha cara leitora! Até mais!
Como citar este artigo:
Carlos, J. N. (2026:4). Os Desafios dos Professores de Línguas! Brasil: Jornal Cultural ROL.
José Ngola Carlos, Msc.
Malanje, 29 de abril de 2026











