As Magias da Sustentabilidade

Palavras que viram ação: literatura engajada marca lançamento de As Magias da Sustentabilidade

Capa do livro As Magias da Sustentabilidade
Capa do livro As Magias da Sustentabilidade

Evento na AFPESP reúne autores de todo o país em coletânea que une literatura, consciência ambiental e impacto social

São Paulo – Na manhã de quinta-feira, 19 de março de 2026, a sede da AFPESP (Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo) foi palco de um raro momento de pausa em meio à correria paulistana. O lançamento da coletânea As Magias da Sustentabilidade, realizado às 10h, transformou o espaço em um encontro de ideias, afetos e propósitos.

Mais do que uma sessão de autógrafos, o evento apresentou ao público uma proposta clara: usar a literatura como ferramenta de conscientização ambiental e transformação social.

Organizada pela escritora Maria Rosana Navarro e lançada pela Sensibiliza, a antologia reúne autores de diferentes regiões do Brasil, construindo um mosaico de vozes que dialogam com um dos temas mais urgentes da atualidade. A obra aposta em um diferencial importante: trata a sustentabilidade não apenas como discurso, mas como experiência sensível, aliando imaginação, afeto e responsabilidade.

📚 Diversidade de vozes e olhares

A coletânea se destaca pela pluralidade. Autores de cidades como Porto Alegre, Fortaleza, Bahia, Ubatuba, e tantas outras cidades contribuem com narrativas que ampliam o olhar sobre as questões ambientais no país.

Entre os participantes, a escritora Vanessa Leite reforça sua marca autoral ao transformar elementos da natureza em experiências poéticas acessíveis ao público. Já o escritor Josemir Lemos, reconhecido por sua atuação na literatura infantil, contribui com sua habilidade de abordar temas complexos de forma lúdica e envolvente.

Também integra a obra o médico e ambientalista Gilberto Natalini, cuja trajetória pública fortalece o diálogo entre literatura, política e sustentabilidade, ampliando o alcance da proposta da coletânea.

🌎 Literatura que gera impacto

Um dos pontos mais relevantes do projeto vai além das páginas do livro. Parte da renda arrecadada com a venda da coletânea será destinada à ONG Batalha Animal, que atua na proteção e cuidado de animais em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa conecta, de forma concreta, os pilares da sustentabilidade: ambiental, social e econômico. Mostrando que a literatura pode ultrapassar o campo simbólico e gerar impacto.

💡 Inovação e propósito

O evento contou ainda com a presença do ilustre Fábio Fox, presidente da Sensibiliza, do chamado setor 2.5, modelo que une a lógica da iniciativa privada com o compromisso social, reforçando a importância de parcerias entre cultura, empreendedorismo e responsabilidade coletiva.

A proposta dialoga diretamente com um novo perfil de leitor: mais atento, mais crítico e em busca de obras que não apenas contem histórias, e sim que provoquem reflexão e ação.

🌱 Entre a magia e a realidade

Ao longo do evento, ficou evidente que As Magias da Sustentabilidade encontra um equilíbrio raro. A obra não se apoia em discursos alarmistas nem em fantasias vazias. Em vez disso, constrói pontes entre sensibilidade e consciência, oferecendo ao leitor caminhos possíveis para compreender, e enfrentar os desafios ambientais do presente.

“Quando a literatura toca o coração, ela abre espaço para a mudança”, comentou um dos participantes durante o evento.

✨ Um movimento que já começou

Com lançamento presencial em São Paulo e previsão de encontro online para reunir autores de diferentes regiões, a coletânea se consolida como um projeto que ultrapassa barreiras geográficas e amplia o diálogo nacional.

Mais do que um livro, As Magias da Sustentabilidade se apresenta como um movimento.

E, ao que tudo indica, o feitiço já começou a fazer efeito: palavras que educam, histórias que sensibilizam e ações que transformam mostram que a literatura ainda é uma das ferramentas mais poderosas para mudar o mundo.

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Sala de estar

Lina Veira: Crônica ‘Sala de estar’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem gerada por IA do Canvas

Lembro quando meus filhos eram crianças, eu costumava levá-los para brincar na praia e ver o mar. Lá sempre foi uma extensão da nossa sala de estar.

Eles adoravam, e eu aproveitava para estimular brincadeiras de bola e de corrida na areia, aprimorar os elogios e mergulhar no mundo deles. Eu tive esse privilégio, e eles também.

Tobias, o caçula, parecia ser o mais sintonizado com ambiente, com  o irmão e  com seu amor à família, um coração saudoso e amigo tem até hoje.  O mais velho, sempre  ativo e criativo, gostava de receber os amigos  na sala de estar,  de passar mais tempo no seu quarto e jogar bola com eles na beira do mar.

Mas o que tem  a ver ‘nosso lar’ com esse assunto? A praia  em muitas circunstâncias, foi minha sala de estar com meus filhos, nosso momento  de mais risadas e conversas, porque o  verbo  da vida em família precisa ser ESTAR.   E “ A verdadeira  beleza  é com certeza a do interior” do nosso interior.  Aquela que dura muito tempo e passa diretamente pelo coração imprimindo o caráter de um ser humano. Reconhecendo o território doméstico. Construindo um lar emocionalmente seguro em um mundo inseguro. Estar junto em família , foi um dos momentos mais sublimes enquanto eles cresciam, e DEVERIA ser a resposta da pergunta:  O que temos para todos os dias?

O lar precisa ser um refúgio , na qual os filhos voltassem repetidas vezes, por se sentirem mais seguros e protegidos.  E essa  expectativa positiva comunicasse com seguridade que existe uma família.

Uma família,  duas famílias… Um lugar em que as crianças aprendessem o significado de ser responsável e  de se importar com o outro, onde o coração e o tempo  de todos moram em paz.

–  Vamos  para o quintal de casa, saiam dos bastidores. O  verbo  de uma família precisa ser ESTAR.  

Compreenda a singularidade de cada filho, eles são ricas descobertas  silenciosas da vida. Dê a eles uma memória  e cultive seu caráter em vez de garantir que eles pareçam bons diante dos outros. Que fantástico ler isso!

E lembre-se , a sala de estar precisa ser um lugar espontâneo e lembrado para toda vida.  

E seu lar,  um lugar  onde vocês possam assistir a um filme juntos, lavar o carro num dia quente,  ter uma refeição surpresa toda semana, jogar jogos de tabuleiro e ser feliz.  

Não cedam à coisas que destroem as relações familiares.   

Lina Veira

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Clayton Alexandre Zocarato: 'E como sempre a culpa é do professor…'

Clayton Alexandre Zocarato

E como sempre a culpa é do professor

É como sempre: a culpa de nossas mazelas escolares e educacionais recaem sobre os mestres, que são responsabilizados perante políticas que empreendem uma espécie de taylorismo educacional, buscando um empirismo sádico de resultados Dentro de um vetor geopolítico, o Brasil apresenta quadros de uma ‘pedagogia da opressão’, que vai se constituindo em uma destruição de subjetividade.

E assim se caminha para a aplicação de um ‘dasein’, que coloca a culpa no professor, produzindo um extermínio de suas representações sociais. Um caminho para as realizações de liberdades repletas de frívolas artimanhas de fazer dos estudantes do ensino público uma camada alienada, sem emoldurar o seu espiritual de maneira sólida e fortificada.

A culpabilidade do professor passa por um ‘método weberiano’, destruindo sua capacidade de diluir e espalhar conhecimento. Os estudantes ficam asfixiados, privados de consciência de classe, que possa vingar como um motor da história que rompa com tessituras ideológicas, sem a responsabilidade de despertar um movimento interpessoal que seja ao mesmo tempo ético e contendo respeito a vetores multiculturalistas.

Em uma lufada de plêiades ideológicos, está ‘um jogo de amarelinha’, onde saltar casas é uma doce ignorância de princípios partidários que manipulam a seu bel prazer, criando uma aventura de pára-aprendizagens. O helenismo contemporâneo do professor foi substituído por um novo tipo de tecnicismo capitalista, onde o consumismo vai dominando aos poucos, gerando a desfiguração do ensino propedêutico, que venha retomar um caráter nacionalista, que não anseia um cunho de adoração da pátria, mas sim em ‘fazer uma teoria da ação comunicativa’.

Sim, a culpa é sempre do professor! Que tem que se submeter a três períodos de trabalho para ter algum tipo de  provento decente, que tem que ser babá, psicólogo, exorcista, assistente social, delegado partidário, advogado, diante os problemas de uma sociabilidade estudantil cambaleante, adoecida, que procura nas migalhas de seus sensos comuns cáusticos, alguma lógica de explicação intelectual, que possa assim propiciar que o papel do professor necessita ser revisto, com o reconhecimento dele como classe formadora de opinião, e não somente de ser.

A culpa é sempre do professor, que no centro de sua dor de desvalorização social, empreende construir novos vetores espirituais que venham a realizar uma identidade filosófica e que na sua representação intelectual necessita angariar rebeliões quando a um questionar, que não venha acompanhado com um véu de revolta, diante de uma crescente falta de reconhecimento e aperfeiçoamento dos seus ditames pessoais e profissionais.

Clayton Alexandre Zocarato

 

 

 

 

 




O leitor participa: José Pereira da Silva, de Taubaté (SP): 'Exercitar a esperança com responsabilidade'

José Pereira da Silva

Exercitar a esperança com responsabilidade

Percebemos no Ocidente, mas não só nele, que há décadas temos o sinal dominante da crise.  De vários pólos este nosso tempo é lido como tempo do fim: fim da civilização ocidental (Jacques Derrida), fim da modernidade (Gianni Vattimo).

Dominam a precariedade do presente e a incerteza do futuro, e sobretudo para as novas gerações, há uma incógnita que desperta medos por causa da sua imprevisibilidade e pelos horizontes asfixiantes que a caracterizam: vivemos num mundo em fuga, que parece escapar ao nosso controle e impedir-nos de compreender para onde estamos andando. Por isso, no seu ensaio Os novos medos, Marc Augé chega a denunciar que hoje se teme mais o viver do que o morrer. Em particular, os nossos jovens deixam-se vencer por algo que não sabem sequer nomear e olhar no rosto, experimentando-o, todavia, como destrutivo: o niilismo, que muitas vezes lhes impede toda a procura de sentido e, portanto, de felicidade.

Por estas razões, hoje, mais do que nunca, seria necessário voltar a escutar a pergunta: O que posso esperar? E também: O que podemos esperar juntos? É uma pergunta por vezes muda, que se sente em muitas pessoas e ambientes. É a pergunta mais profunda, que eles não sabem tampouco articular facilmente. A esperança, de fato, não é uma atitude a assumir ou a recusar de imediato, mas é o fruto de um discernimento, de uma espera fundada no pensar, no refletir, no escutar, no confrontar-se, e é também um exercício de grande responsabilidade.

O ser humano não é dado de uma vez por todas, mas é uma transformação que precisa de uma orientação, de um projeto, de um propósito pelo qual agir, de maneira a encontrar um sentido.

Tem razão Dostoiévski (1821-1881) quando afirma que: “viver sem esperança é impossível”, porque as pessoas às quais é subtraída a esperança tornam-se agressivas, violentas, apáticas, até caírem numa espécie de angústia autodestrutiva.

No entanto, há uma errada compreensão da esperança da qual é preciso resguardar-se: aquela de quem tende constantemente para além do presente, sem o colher na sua irrepetibilidade, constrangendo-se assim a uma existência vivida ao futuro anterior. Não, não se vive esperando viver, preparando-se sempre, e em vão, para uma felicidade que nunca chega…

Esperar é uma arte, é o estar prontos àquilo que ainda não nasceu, é um ato de fé e uma adesão convicta a uma promessa: é uma luta contra o desespero, e é por isso que é capaz de esperar em profundidade só quem conheceu a tentação de desesperar. A esperança, por fim, é o fruto de relações vivas, alimenta-se do estar juntos: nunca sem o outro! E não esquecemos: só se pode esperar por todos, nunca apenas por si próprio.

 

Prof. José Pereira da Silva

13.11.2020