Sombras, concreto e fumaça

CINEMA EM TELA

Marcus Hemerly

‘Sombras, concreto e fumaça: o crepúsculo noir de Remo Bellini’

Card da coluna Cinema em Tela - Sombras, concreto e fumaça: o crepúsculo noir de Remo Bellini
Card da coluna Cinema em Tela – Sombras, concreto e fumaça: o crepúsculo noir de Remo Bellini

Analisando de forma linear as metamorfoses da nossa cinematografia, de forma manente, revela-se fascinante a tentativa brasileira de domar o film noir, em seus acertos e desacertos. É um gênero que, por excelência, nasceu nas sombras da ansiedade pós-guerra americana, mas que encontrou no caos urbano latino-americano um terreno surpreendentemente fértil, adequando-se, quando aplicado de forma original, às nossas peculiaridades antropológicas. No centro desse debate, ergue-se a figura de Remo Bellini, o detetive particular criado por Tony Bellotto e transposto para as telas em ‘Bellini e a Esfinge’, (2001) e ‘Bellini e o Demônio’, de (2008).

A trajetória literária e cinematográfica de Bellini oferece um estudo de caso irretocável sobre como traduzimos a estética do hardboiled para a selva de pedra paulistana, subgênero que caminha de mãos dados com a versatilidade noir e suas derivações nas décadas vindouras e que obedece a um conjunto não escrito de regras. Observa-se comumente um protagonista cínico de moralidade dúbia, a femme fatale que o conduz à ruína, um submundo labiríntico e a corrupção institucionalizada que, não raro, também atua como fonte redenção. No entanto, quando aplicamos essas regras ao cotidiano de São Paulo através de Remo Bellini, elas perdem o glamour dos anos 40 e ganham o peso da desigualdade brasileira, nua e crua, de forma mais intensa – até forçadamente – na segunda adaptação, de 2008.

A moralidade em tons gris dos detetives clássicos, citemos Sam Spade de Hammett e Marlowe de Raymond Chandler, cobravam seus honorários para investigar maridos infiéis, mas mantinham um código de honra cavalheiresco. O Bellini de Fábio Assunção, imerso no cotidiano paulistano, lida com uma realidade muito mais elástica. O “caráter dúbio” no Brasil não é apenas uma escolha filosófica; é uma tática de sobrevivência. Bellini navega por um sistema onde o “jeitinho” dita as regras, fazendo acordos velados com policiais corruptos e informantes marginais porque, em São Paulo, a lei raramente alcança a justiça.

De um lado, se no cinema clássico a sedução do abismo representada pela femme fatale era uma herdeira misteriosa em uma mansão esfumaçada, na São Paulo de Bellini ela se fragmenta nas contradições da cidade. Ela pode ser a prostituta de luxo que transita pelos hotéis da Rua Augusta, a dançarina de um inferninho da Boca do Lixo, ou a esposa entediada dos casarões de bairros nobres, escondendo esquemas de lavagem de dinheiro. Fátima (em A Esfinge) personifica essa mulher letal que usa o próprio corpo e os segredos da alta burguesia como moedas de troca em uma metrópole predatória, intensamente interpretada por Malu Mader.

O submundo, sempre atrativo nas fontes literárias e cinematográficas, eleva-se no gênero como uma personagem individual; na fonte estadunidense, esse vetor contrastava a vida pacata com o submundo do crime, criando extremos díspares. Em Bellini, essa fronteira é dissolvida pelo trânsito caótico e pelos muros altos, o submundo não está escondido em becos; ele divide a mesma calçada com a Faria Lima, a Avenida Paulista e Rua da Consolação. O crime de colarinho branco financia o tráfico nas periferias, e o detetive atua exatamente como o tradutor entre essas duas “realidades” que coexistem na mesma metrópole.

Nos romances, Bellotto criou um anti-herói que bebe da fonte de Raymond Chandler e Dashiell Hammett, conforme adiantada, mas transpira uísque barato, rock nacional e a poeira moral das delegacias do centro. Caminha pela cidade como que por ela amparado, e, de certa forma, inspirado. A literatura de Bellotto é seca, rítmica e direta, características que desafiam o cineasta a traduzir palavras em imagens sem perder a o fio da trama, afinal, tratam-se de formas distintas de story telling, e que demandam suas especificidades de ritmo.

Quando Roberto Santucci assume a direção de ‘Bellini e a Esfinge’, (2001), vemos a tentativa de estabelecer o mito em celuloide. A adaptação acerta ao mapear o contraste social de São Paulo, embora a película por vezes flerte mais com o thriller policial estilizado dos anos 90 do que com a desolação absoluta do noir. Sete anos depois, ‘Bellini e o Demônio’, dirigido por Marcelo Galvão, propõe uma descida ao inferno.

Se o primeiro filme era um labirinto lógico, o segundo rompe com essa estrutura. A fotografia torna-se mais crua, o contraste salta aos olhos e a trama mergulha no ocultismo e em assassinatos ritualísticos. Galvão aproxima a adaptação do neo-noir mais sujo e visceral, mostrando um Bellini mais cansado e amargo — a verdadeira face do detetive mastigado pelo submundo paulistano que ele mesmo tentou decifrar. Nesses membros, não se omite em lançar mão de um, ainda que fragmentado voice over, característica clássica do gênero, que o enriquece, (quando bem feito, à obviedade). 

Para entender o peso de Bellini, é vital analisar a pavimentação dessa estética no Brasil e observar pelo retrovisor as nossas próprias produções. Em ‘A Dama do Cine Shanghai’, de Guilherme de Almeida Prado, lançado em 1987, o espectador depara-se com uma homenagem consciente e luxuosa das produções dos anos 40, onde o protagonista e a mulher fatal movem-se como peças de um xadrez clássico em um ambiente onírico e artificialmente belo.

Se nesse formato, o noir se descortina como fetiche e fantasia, no filme ‘Cidade Oculta’, (1986), de Chico Botelho, por outro lado, respira a noite real e marginal de São Paulo.  A fotografia é azulada, pouco nítida, como a própria garoa que apelida a cidade, trazendo o tom underground como vetor mais explícito e não deglutível. Essa crueza das ruas, delineia o noir – afinal, filme da noite ou black movie – como realidade e sobrevivência, sem sofisticações estilísticas, mas induzindo metáforas imagéticas, 

Remo Bellini, nos cinemas, atua como a síntese imperfeita entre essas duas vertentes. O personagem carrega a aura romântica de “Cine Shanghai”, mas caminha pelas ruas sujas e lida com o apodrecimento institucional tão bem retratado por “Cidade Oculta”, indicando que ambas as roupagens acabam sendo, de certa forma, indissociáveis. Novamente, a cidade como elemento característica é tão poderosa como um personagem autônomo e igualmente pertinente, como que erigindo-se como uma própria Femme Fatale, que ao mesmo tempo apraz e seduz. E, fatalmente, destrói. Em seu brilhando livro analítico sobre o tema, ‘São Paulo: Cidade Azul’, Andrea Barbosa, (Ed. Alameda, 2012, pg. 106/107), aponta:

“(…) O indivíduo passa a ter um espaço não avistado nos contos de Edgar Alan Poe e nas análises da personalidade metropolitana de Simmel. Eles têm força sozinhos e não precisam da multidão para existir. Contudo, não são outsiders como os personagens de Cidade Oculta. Neste filme de Chico Botelho os protagonistas são personagens noturnos como ratos saídos das tocas ocultas da cidade diurna. Anjo, um ex-presidiário, mora numa draga que revira o lixo do fundo dos rios, Shirley é dançarina de cabaré e vive também de repasse de mercadoria roubada; Ratão, policial corrupto e viciado em drogas e Japa, um ingênuo ladrão que acha que vive num filme policial em que os bandidos são leais uns aos outros. (…) A Dama do Cine Shangai de Guilherme de Almeida Prado, também constrói uma cidade noturna e quase onírica, com personagens extraídos de um imaginário noir norte-americano. Um corretor de imóveis, numa quente noite de verão, vai ao cinema que está com ar refrigerado quebrado para assistir um filme policial. No cinema ele localiza uma bela mulher que parece ter saltado da tela e assim se inicia uma tortuosa história de amor e crimes. O interessante é que esses personagens do mundo cinematográfico (como Suzana, a dama do Cine Shangai) se misturam a personagens “comuns” como o corretor de imóveis. Os dois mundos se imbricam e se refazem. O cinema é o lugar do sonho e do inverossímil tornar-se real. O irreal torna-se verossímil. Neste processo, a cidade noturna, estetizada e onírica, pode revelar sentimentos e vivências da cidade da luz do dia e das situações cotidianas. (…)”

Em ambas as obras — e na literatura de Bellotto —, a cidade de São Paulo não é um mero pano de fundo; ela é a força antagônica principal. A arquitetura brutalista, os viadutos manchados de poluição e os letreiros em neon refletidos no asfalto molhado formam uma mise-en-scène* implacável onde a metrópole devora a inocência, e, de certa forma, desperta instintos. A câmera captura a melancolia de uma megalópole onde a luz do sol parece nunca penetrar a crosta de concreto, observada do alto no escritório da agência de detectives, que nos livros, situa-se no icônico Edifício Itália. 

Em última análise, a transposição de Remo Bellini das páginas de Tony Bellotto para as telas atesta a força do nosso cinema em absorver arquétipos estrangeiros e regurgitá-los com inegável sabor local. Como disse certa vez Ariano Suassuna, o “beber” de outras culturas a fim de que nos enriqueça e não nos paralise, num processo de neocolonização. Longe de ser um mero pastiche dos clássicos americanos, o detetive paulistano consolida a identidade de um detetive genuinamente brasileiro. Um universo onde a corrupção institucional não é apenas o desvio de uma maçã podre, mas a própria raiz do sistema, e onde o cinismo do protagonista se torna a única armadura possível contra o caos.

Em “Esfinge”, identifica-se um escaleta mais clássica e ortodoxa, seguindo o check-list do noir ortodoxo transposto às mazelas brasileiras. No segundo filme, a despeito de algumas falhas que levam a trama a perder-se em alguns momentos, com cenas desnecessárias e não aproveitamento mais contundente do material original, cotejado pelo final que recai no clichê americano, ambas as obras devem ser alisadas conjuntamente. É nesse asfalto rachado e encharcado de melancolia que o nosso cinema criminal encontra sua voz mais visceral, e, por que não dizer, real. 

Marcus Hemerly

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Cantos del nuevo dia

Marta Oliveri: Poema ‘Cantos del nuevo dia’

Marta Oliveri
Marta Oliveri
Imagem criada pela IA da Meta - 1º de setembro de 2025
Imagem criada pela IA da Meta – 1º de setembro de 2025

Canto 1

Habrá un día que anochezca y nazca
en el punto neurálgico del tiempo
un océano de mares que fundan sus rompientes
en una fuente única hacia el éter
habrá en el horizonte, atisbo de lo eterno
emigrando en violeta como Psique
en alas de Cupido…

Mariposa rescatada de las sombras
habrá lo que siempre ha estado entre nosotros
descreídos y trémulos de olvido
santificado por el agua de un ángel degollado
y la sangre de un dios que desbordó los ríos
dulce dios en harapos
oscureciendo cielos transitorios
la tormenta que da a luz el nuevo verbo
el hijo del dolor y la ternura
el que ha dicho :”Elí, Elí! lama sabactani”
Padre mío porqué me desamparas
y en devenir la metáfora
una liviana urdimbre
de plumas que refugian
la memoria del vuelo
o el viento en ascendente virtud
de trascender esa quimera edénica
que nos dejo en exilio

habrá el retorno en muerte-en vida
donde rompen los brotes
y se desangra el tronco milenario
y tendremos un bálsamo
de profundas heridas que nos dirá
que todos hemos sido el madero
los clavos y la carne desagarrada
en el sitio donde gimieron padre e hijo
hermanos de sepulcro
que todos al fin hemos tejido el manto
dando a luz la piedra irreverente
que negó sepultura al irredento
El poeta de luz, que abrió la noche
en un alba angelical de rebeldía.

Canto 2

Y ahora en la promesa este logos aséptico
de medianías tan gratas como el prolijo tic-tac
del presente inmediato
nos hemos olvidado del pasado
nos hemos olvidado de los sueños
ese recuerdo de un futuro aún no nacido

y nos vamos desvistiendo de absoluto
en el lineal ropaje de este infierno mundano
de esta trampa perfecta que nos regala un día
de anhelos satisfechos y olvidos convenientes
a merced de del los imperios esos fantasmas púdicos
que se visten de ofrendas, protocolo y misiles
que se esconden al buen gusto del publico selecto
acribillando el sol de África

y los niños muriendo en sus costillas
en Nagasaki o Palestina, Hiroshima o Irak
según suponga el tiempo del ajedrez político
que olvida que la vida, rebalsa las cuadrículas
el tablero naufraga en abismo del Tártaro
que en este mundo de inermes mortandades
sólo hay un dios y es el amor del hacedor de cunas,
la matriz celestial de los inicios.

Canto 3

Dormir profundamente
y quedarse en el centro
en la muda constelación de lo que brilla
en esa lejanía de onírico horizonte.
La verdadera eternidad es un regreso
donde nos espera Penélope o Ariadna
la matria del amor encapullado
la ternura del cuenco que acurruca a Pandora
pajarito que late la última esperanza.
Cómo decir cuando el otoño acecha
cómo seguir bajo estos rasgos que se apagan
bajo esta máscara que que la vejez inventa
el mismo corazón
el mismo barco
la misma llama
en pos de lo absoluto.
Qué dignidad de edades arrumbadas
nos tiende la gran trampa de ir muriendo
respirando memorias de azares y violetas
abrigando firmamentos de dioses infantiles
entre nubes de acuarela y brillantina
qué letal mansedumbre nos ha precipitado
a esta triste osadía de soportarlo todo
heroísmo de náufragos asumiendo la broma
de este barco que embriaga su deriva
de esta burla de pipas quemantes en las alas.
II
Estamos perdiendo la humanidad
en una sombra
la vida en la caverna
de esta ancestral falacia.
estamos renunciando al paraíso
en cada fosa de las horas quietas
suponemos un dios, un escenario
pero somos solo espectros de la ausencia
y estamos muertos, más muertos todavía
que todo lo que muere en este mundo
cuando perdemos la voz del instrumento
que templaba el nidal de la palabra.

Canto 4

Esta extraña altitud
que da el destello
de una fugaz mirada al firmamento
esta súbita dicha de absoluto
abrir la luz del río que asciende toda pena
proeza aún mayor
de sabernos tan mínimos
latitud del polvo al fin
donde no hay horizontes
y se acaban las huellas
en las aguas estigias.

mayor es el milagro
más bello el testamento
azul que le dejamos
a estos nuevos capullos
a estas cunas que esperan
arrullando el futuro
de un ser aun no nacido
en los ciclos del tiempo.

mayor aun la grandeza
mayor esta nodriza
tejedora incansable
desovillando olvidos
para hacer la memoria
de clara y santa urdimbre
y platinar los brotes
que mojará el rocío

Canto 5

Porque somos el temblor y a la vez el refugio
el estigma de Caín
y el trigo de otra ofrenda
que librará al caído de su estigma

porque habrá que morir
si de morir se trata
como quien lleva las manos a la hondura
de la última fuente de los tiempos
la que abreva el espacio del dolor
y consuela la sed las raíces.

porque somos el tronco milenario
entrampado en las ruinas de un desierto
que fue templo alguna vez
o un hogar para amantes
o herida selva atávica
o playa de aquel bíblico mar
que ya no es

porque habremos de ir tras el recodo
de un horizonte intimo
que esconde lo infinito.

Canto 6

Canto de una trama ennegrecida
por el trágico verbo de lo oscuro
en las ruinas sonámbulas
que dejaron los cetros de los reyes
que enlodaron al fluir en copas de oro
o engoladas guillotinas
descabezando almas
atravesando muérdagos
arrasando arquitecturas
de nidales silvestres
en el simple nacer de los naceres
canto que se silencia

por épocas
ceniza

por épocas aullido
estepario y atónito

por antes
una mueca avergonzada y álgida
de monstruo malherido
de enlodada metáfora

por después
la belleza
desertando las llagas

la máscara naciendo al transparente rostro

la melancolía azul
de un saber silencioso
que determina cielos
remontando la tierra.
Luego la pausa trágica
y el abrazo seguro.
Un aleteo de ausencias
regresando al nido.

Y al fin, la isla
donde acaba toda lágrima
en la alianza de ríos transitorios.

Canto 7

Y será “la nueva alianza”
en séptimo presagio
refugio de los pájaros:

El nuevo altar sin trono.

Marta Oliveri

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Poetizo, logo vivo – XV, XVI e XVII

Pietro Costa: ‘Pensamentos XV, XVI e XVII’

Pietro Costa
Pietro Costa
Imagem ciada por Ia da Meta. 18 de julho de 2025, às 14:34 PM
Imagem ciada por IA da Meta. 18 de julho de 2025,
às 14:34 PM

A vida é um teatro, onde protagonistas e nulidades contracenam. Uns deixam marcas perenes, já para outros, nem as sombras lhes acenam. Há quem escreva o script com sangue, suor e poema, e há quem apenas desfile, sem alma, de cena a cena.

Pietro Costa

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Suspiro de saudade

Nilton da Rocha: ‘Poema ‘Suspiro de saudade’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
"Que o desejo perdure com a noite, E que o escuro seja testemunha, Do odor que o coração açoite, Em toda magia que nos acompanha
“Que o desejo perdure com a noite, E que o escuro seja testemunha, Do odor que o coração açoite, Em toda magia que nos acompanha
Imagem criada pela IA do Bing

Entre sombras e suspiros de saudade,
Ecoa a voz taciturna do amor,
Como um sussurro que invade
O coração sedento por calor.

Um beijo que deseja ser abraço,
Sob o poente solene e sereno,
Um doce tão intenso quanto um laço,
Que une almas num eterno ser pleno.

Corpos unidos, em colinas se encontram,
Em um dia que jamais se apaga,
Juntos, pelas altas ravinas caminham,
Em uma paixão que nada apaga.

Que o desejo perdure com a noite,
E que o escuro seja testemunha,
Do odor que o coração açoite,
Em toda magia que nos acompanha.

Que se faça noite e a escuridão transpareça,
Que o esplendor do amor, em mistério, apareça,
Na voz taciturna que no silêncio se desvela,
Em cada momento, a paixão revela.

Nilton da Rocha

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Que país é este?

Edna Froede: ‘Que país é este?

Edna Froede
Edna Froede

Meu país, tão lindo, dourado pelo Sol,
banhado pelos mares, rios, cachoeiras a rolar,
povo hospitaleiro, alegre, diversas raças ao redor,
de Norte a Sul, uma gigante nação a brilhar.

Mas há sombras em meio à luz deste lugar,
algo que eu não conhecia, que veio a me chocar.
Preconceito, discriminação, dor a nos cercar.
Sou branca, meu marido preto, destino a nos testar.

Em passeios ou a trabalho, pelas estradas a rodar,
onde estados se separam, precisamos viajar,
muitas e muitas vezes, pela polícia a nos parar…
Coincidência?
Não sei, mas dói, difícil de aceitar.

Nas batidas feitas por policiais, a rotina a se formar,
somos sempre parados, o coração a apertar.
Coincidência?
Não creio, a dor a nos devastar,
o preconceito a nos seguir, a nos maltratar.

Mas o pior, aí a tristeza chorou:
Viajamos por vários países, e a aleatória dos aeroportos,
o que seria normal, nunca nos alcançou,
mas no meu país, minha mãe gentil, mais de cinco vezes nos machucou.

Coincidência?
Tristeza a nos corroer,
a injustiça a nos atingir, difícil de esquecer,
meu país, tão lindo, dourado pelo Sol!
Mas há sombras que precisam dissipar, para o amor prevalecer.

Edna Froede
(04/06/2024-terça-feira-17h46)

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Dança insone entre a mente e o repouso

Paulo Siuves: ‘Dança insone entre a mente e o repouso’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
"Dança insone entre a mente e o repouso"
“Dança insone entre a mente e o repouso”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

No silêncio da noite, minha mente desperta,

Enquanto o mundo se perde nos braços do sono.

As sombras dançam, enigmas na escuridão.

Enquanto o relógio sussurra as horas, uma a uma

O frio da noite esbarra na minha pele.

Tento prender meus pensamentos, mas em vão,

Eles voam livres, como pássaros noturnos.

Os sons da noite ganham vida, ecoando no escuro,

sinto o gosto amargo da insônia na minha boca.

Aqui dentro, o tic-tac da máquina do tempo,

la fora, o silencioso zumbido do vento.

Cada som se amplifica, os pensamentos persistem,

A insônia me envolve como uma amante cruel.

Nas horas silenciosas, encontro reflexões profundas,

Mas meu desejo pela doce rendição ao abraço do sono.

Nessa dança noturna entre a mente e o repouso,

A insônia e o sonho travam uma eterna batalha.

Eu vejo as cores da noite mudando lentamente.

Na noite em claro busco a calmaria da mente.

Sinto o cheiro da alvorada se aproximando

Até que o sol nasça, trazendo um novo dia.

A insônia, embora cruel, às vezes traz clareza,

Nas horas quietas da noite, onde a mente vagueia.

Eu anseio pelo descanso, pelo doce repouso,

Quando finalmente o sono me guiará ao seu encanto.

Na escuridão da noite enfrento a insônia,

Esperando pelo momento em que poderei sonhar.

Quando, enfim, a exaustão me levará ao voo da sonolência

E a insônia se dissipará, como um sonho que se desfaz ao acordar.

Paulo Siuves

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Dias atuais

Irene da Rocha: Poema ‘Dias atuais’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
"Que na melodia da evolução e das dores, haja espaço para semearem o amor."
“Que na melodia da evolução e das dores, haja espaço para semearem o amor.”
Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer

Nas tramas do tempo, o mundo chora,
Evolução tecendo sua lança.
Entre avanços e sombras a pairar no ar,
Guerras, cicatrizes, a humanidade a sangrar.

Na era da luz, o conhecimento floresce, cresce,
Mas sombras persistem, onde a paz adormece.
Sonhos inquietos, em busca do saber,
Enfrentam batalhas por um amanhã a renascer.

Tecnologia avança, fronteiras e faz,
Enquanto o eco das guerras ecoa, tenaz.
O progresso e o caos, entrelaçados estão,
Num poema que o presente e o futuro entoam.

Que na melodia da evolução e das dores,
Haja espaço para semearem o amor.
Pois no cadinho do tempo, onde tudo se entrelaça,
A humanidade busca, na esperança, só o amor.

Irene da Rocha

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