Possibilidades

Ella Dominici: Poema ‘Possibilidades’

Ella Dominici
Ella Dominici
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Em fragmentos de mim eu conto
decepções rasgos despedidas
peças de encaixe perdidas desmonto

entremeio de rendas, vazados deixados
tempo as ruiu abrindo frestas
entre realidades e sonhos

desejos em contestações
estrelas apagadas de íntimas
constelações

atenuando a destruição de prazeres
não da carne nem dos pensares
mas do humano ímpeto de vida

com bálsamo para as perdas
jardim de jasmim com pragas
escolho mudar grãos desatentos

as fendas foram oportunidades
ao olhar em fértil amadurecimento
à vislumbrar miragens e paisagens

fé latente que se fortalece
esquece vultos determina vida
transcende mágoas desistências

não desfalece faz-se resiliência
natureza é voz de Deus audível
vista no vicejar das estações

frio se reveza em frutos calores flores
e o improvável crendo é possível
retomar sem angústia ou pressa

com liberdade dos passos descalços
num deleite em paz de pássaros
que abrange o inteiro no voejar
não deixa que a vida pela metade seja

Ella Dominici

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Linda, loira e mimada

Guilherme Machado: Poema ‘Linda, loira e mimada’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Kyra – Foto por Guilherme Machado

Kyra chegou de mansinho,
olhar doce, passo leve no chão,
um furacão de carinho
invadindo o meu coração.

Linda, loira e dourada,
toda cheia de querer,
um pouco louca, meio mimada…
mas impossível não se render.

Ela chega toda prosa,
dona do próprio olhar,
sabe bem que é charmosa
e nasceu pra brilhar.

Tem doçura no focinho,
tem coragem no seu jeito,
faz de mim seu humano
— e eu aceito esse feito.

Deitada diante do pote,
come sem se preocupar.
Pra que gastar sua beleza
se deitada dá pra jantar?

Quando decide que é hora
de o humano lhe entreter,
começa uma conversinha
que só falta mesmo dizer:

“Brinca comigo, por favor.”
E insiste em sua oração.
Não sei nomear aqueles sons,
mas sei sua tradução.

Linda, loira e mimada,
dona da casa e do irmão,
quer sempre a ração alheia —
a dela? Essa, às vezes, não.

Por isso, na hora da comida,
preciso os dois separar.
E basta a Kyra ir embora
pro Salsicha começar:

um uivo comprido e sentido,
protestando a separação.
Ela fala quando quer brincar.
Ele, quando sente solidão.

Mas nem sempre foi assim.
Antes dela, alguém faltou.
Salsicha conheceu a tristeza,
mas foi Kyra quem o iluminou.

Kyra nunca conheceu Nika,
nem a história que encontrou.
Só chegou sendo Kyra —
e, sem saber, tudo mudou.

Não veio ocupar seu lugar,
nem apagar o que passou.
Trouxe uma história diferente
e, com carinho, o restaurou.

E foi assim, sem perceber,
sem precisar sequer tentar,
que a menina mais levada
ensinou alguém a brincar.

Linda, loira e adorada,
meu furacão de carinho,
fez morada em minha vida
e eu amo o seu jeitinho!

Se ser mimada é seu jeito,
confesso sem disfarçar:
foi o melhor dos defeitos
que a vida pôde me dar.

Guilherme Machado

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Basta um

Jadson Porto: Poema ‘Basta um’

Logo da seção O Leitor Participa
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Fotografia estilo fantasia de um homem de meia-idade com óculos, barba grisalha e cabelos escuros e encaracolados, ajoelhado em um pico rochoso. Ele veste traje de guerreiro medieval azul-petróleo com detalhes em cota de malha, capa longa e botas de couro. O homem segura um arco de madeira e tem uma aljava com flechas ao seu lado. Ao fundo, um vasto vale verdejante com um rio sinuoso sob a luz dourada do pôr do sol.
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Na saga do arqueiro, a imersão em seus pensamentos o leva ao seu destino.
No retesar do arco, o esforço prepara o percurso almejado da flecha.
Na trajetória da flecha lançada, o olhar do arqueiro acompanha aquele voo em direção ao seu destino.
E o arqueiro, imerso…
Vendo sua única flecha lançada…
Leva consigo a certeza de que o destino de seu lançamento…
Foi alcançado.

Basta um!

Mas, para o único atingir seu objetivo…
Há muitos treinos!
E nas tentativas de acertar, muitos lançamentos foram feitos.

E, naquele dia, bastava um!

Jadson Porto

Jadson Porto
Jadson Porto

Bacharel e licenciado em Geografia (UFPa, 1990, 1993); mestre em Geografia (UFSC,1998); doutor em Ciência Econômica (Unicamp, 2002); pós-doutor em Desenvolvimento Regional (FURB, 2014): pós-doutor em Geografia, pela Universidade de Coimbra (Portugal) (2015); pós-doutor em Estudos Sociais, pela Universidad Nacional de la Patagonia Austral – Unidade Rio Gallegos (UNPA/UARG), Argentina (2017); pós-doutor em Desenvolvimento Regional (UFT, 2020); pós-doutor em Planejamento Territorial (Idega/Universidade de Santiago de Compostela, Espanha, 2025).

Coordenador do Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos (Nesur/Unifap).

Professor titular da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Professor do Mestrado em Desenvolvimento da Amazônia Sustentável da Unifap.

Integrante efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba, PR), cadeira de no 3, patrono Alberto Oliveira (2022).

Integrante efetivo da Academia Amapaense de Letras (Macapá, AP), cadeira de no 17, patrono Joaquim Caetano da Silva (2022).

Tem se destacado em pesquisas sobre a Amazônia Setentrional brasileira e a Região das Guianas. Doutor Honoris Causa Multiplex.

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Hoy

Rosa Judy Parreño Baca: Poema ‘Hoy’

Judy Parreño Baca
Judy Parreño Baca
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Mís lágrimas sé revelan,
hoy no veó nada,
hoy mataría a mí propia
Alma.
Mís sueños sé perdieron, al compás dé la maldad, él es un sueño,
y Ahora despertaré sín dormír.
Tengo acorraladas mí pena, y mí sonrisa sé volvió hielo…
Fuí él juego dé una crónica, anunciada escrita, con muchas risas burlonas,
cómplice dé su libreto al revés, qué miré y sonreí,
quizá fué una mueca, dé sabor a hiel.
Caminaré descalza, por montes puntiagudos, y por sueños despiertos.
Caminaré mirando al Cielo otra vez.

Judy Parrreño Baca

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Right remedy

Surendra Nagaraju: Poem ‘Right remedy’

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
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Of late, the whole world is
appearing black to me.
People, environs– everything
is dark around me.

I pondered a lot
and chose the right remedy:
Wash out the murk
accumulated inside me.

Right remedy

Ultimamente, o mundo inteiro
está me parecendo negro.

Pessoas, ambientes – tudo
está escuro ao meu redor.

Refleti muito
e escolhi o remédio certo:
Lavar a escuridão
acumulada dentro de mim.

Elanaaga

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O rascunho

José Antonio Torres: ‘O rascunho’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada pela IA do Bing, em 09 de julho, às 11h53

Em minha vida, nunca tracei metas ou objetivos.
Sempre fui trilhando, da melhor forma possível, os caminhos que a vida ia me apresentando.
E assim, ainda prossigo.
Parar ou me prostrar diante das dificuldades não é uma opção.

Sou uma obra inacabada.
Estou em permanente construção, reparando as imperfeições que existem em mim.
Há muito ainda por fazer.
Não vim a este mundo para desfrutar de benesses.
Vim aprender, corrigir equívocos e aprimorar o meu espírito.

A verdadeira felicidade está em outro plano,
muito mais sutil e etéreo, não neste.
Se meu corpo padece de deficiências e certa imobilidade,
minha mente decola e absorve conhecimentos,
me descortinando novos horizontes.

Quando achei que estava pronto,
que nada mais poderia realizar,
me reinventei e surpreendi a mim mesmo.
Sinto que meus sentimentos florescem em beleza e sensibilidade,
descortinando, a cada dia, a sensação da mais maravilhosa liberdade,
banhada de intensa alegria.

Diante disso, vou procurando perfumar meus caminhos,
para que os que comigo caminham possam inalar essa essência ao meu lado.
Não, não estou pronto.
Quando penso que a obra em mim está terminada,
olho de fora para dentro do meu ser e percebo que ainda sou, apenas,
um rascunho de mim mesmo.

José Antonio Torres

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La vida

Rosa Judy Parreño Baca: ‘La vida’

Judy Parreño Baca
Judy Parreño Baca
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La Vida

No mé golpeó con una pluma,

no mé golpeó con el viento,

ni con un suspiró que dejó mí corazón dolido,

llorando lágrimas blancas dé aguas,

qué queman encendidas una sonrisa,

qué sé niega a llorar,

porqué ella yá sabe, qué el incendió dé llamas ardiendo

no es el fuego, qué té destroza sentimientos dé aires burlones,

qué ahora ríen, pensando que los latidos dé un amor perdido,

son los caballitos Mailes, que uno a uno sé los llevó él aire.

Pero no saben que ellos eran los latidos

dé un amor verdadero, qué despierta de su sueño,

sabiendo qué nuestro Creador nos regala siempre más luz,

en nuestra ceguera pará ver con más claridad!!!

Y ahora mi ojo izquierdo sonríe,

porque el derecho sonríe iluminando la claridad dé la verdad.

Rosa Judy Parreño Baca

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