Aquele que abandona o sonhar…

Jacob Kapingala: Poema ‘Aquele que abandona o sonhar…

Logo da seção O Leitor Participa
Logo da seção O Leitor Participa
Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c861e3-6a50-83e9-b62e-718fc7b76533

O caminhar da vida,
Por vezes é imperceptível.
E a dor que nos acompanha nesta corrida,
Nem sempre é tão visível.

O realizar do tempo e da vida,
Contraria o desejar da nossa alma.
Pois se o tempo estivesse sob a nossa medida,
Jamais a gente perderia a calma.

Cicatrizes são lembranças do que um dia veio a doer!
Daquilo que um dia nos fez chorar.
Aquele que abandona o sonhar, abandona também o viver.
Estagnado numa vida que em frente deseja continuar.

Nunca o sucesso nos veio abraçar,
Sem que a gente o abraçasse primeiro.
Andando de mãos dadas com o sacrifício no olhar,
Tentando dar um passo que seja certeiro.

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.

Voltar

Facebook




Senhor tempo

Evani Rocha: Poema ‘Senhor tempo’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por Ia do Canva - 18 de fevereiro de 2026, `s 16h12
Imagem criada por IA do Canva – 18 de fevereiro de 2026, às 16h12

Lá se foi janeiro

Fevereiro há pouco termina…

Nasce um novo mês, março!

Será que ainda haverá águas?

Ou toda água verteu-se

Na última estação?

Então, espera-se por abril!

Pelo sim, pelo não…

Pede-se aos céus que

Nos dê muitas estrelas…

Luas cheias, noites claras…

Porque logo vem maio, anunciando

Que estamos próximos ao meio,

Ao meio do ano, ao meio do ciclo…

Lá na curva do caminho, aponta junho.

Talvez inseguro, meio tímido…

Ainda um menino em volta da fogueira!

Vai crescendo até despedir-se,

Como um jovem, querendo ganhar o mundo…

Assim voa alto, deixando para trás o mês de julho, 

Com seu sol enorme e seus olhos profundos…

Com uma bagagem gorda, 

Depois de meio ano de acúmulo de ‘coisas’:

Alegrias, tristezas, dores e muita água que passou debaixo da ponte,

 Para nunca mais voltar…

Porém, vai embora a contragosto, 

Pois talvez quisesse ficar mais um pouco…

Então, chega agosto, furioso e fanfarrão!

Uma mistura de seca e calor!

 Muda as cores dos campos e coloca-se ao centro do palco! 

Ele é um artista…e faz da gente impaciente, 

 À espera das flores, da chuva e do verde! 

Queremos setembro! 

E ele vem sorrindo, enquanto fecham-se as cortinas…

A profecia fala sobre flores e borboletas nos jardins! 

Aves construindo ninhos…

Logo vai chegar outubro, o mês das tardes serenas, das brisas mornas…

Um jovem senhor do tempo!

Outubro, me lembro inverno…ruas silenciosas, manhãs orvalhadas! Lareira…

Mas, esses dias, também se vão…

Porque novembro desliza pelos trilhos!

 O trem do ano vai chegando à última estação…

Voltam as águas, que um dia foram mar, riachos e lagos…

É a continuação da vida, de cantarola de passarinhos, de campo florido!

Pois fecha-se o ciclo, para um novo início:

Ele é o último mês do ano: dezembro

Vem feliz e saltitante, traz no céu muitas estrelas e na terra vida farta!

 Carrega no bolso, sementes, e leva consigo, os fios pratas e os passos lentos, 

Que o Senhor Tempo, se encarregou de plantar!

Evani Rocha

Voltar

Facebook




Entre a chuva e a luz

Irene da Rocha: Poema ‘Entre a chuva e a luz’

Irene da Rocha
Irene da rocha
A autora, com 7 meses de idade

Minha história começa em Passa Quatro,
onde o amor tinha cheiro de terra molhada
e o riso das crianças misturava-se
ao canto das panelas na cozinha.

Havia colo, havia tempo,
e o mundo cabia inteiro
na palma quente das mãos da minha mãe.
Nada doía,
porque tudo era abraço.

Mas o céu, ah, o céu,
um dia escureceu de repente.
E a chuva, que antes lavava as ruas,
veio forte demais,
levando não só as casas,
mas o chão dos meus passos.

Perdi o lar,
perdi o cheiro de casa,
perdi o rastro da infância.
Minha mãe partiu, ano seguinte da enchente,
meu pai seguiu outro caminho,
e eu fiquei,
como quem fica num porto vazio,
esperando um barco que não volta.

No orfanato, aprendi o silêncio.
Aprendi que há dores que só Deus escuta,
mesmo quando o coração grita.
E, todas as noites,
eu perguntava baixinho,
Senhor, onde o Senhor se esconde
quando chove dentro da gente?

O tempo passou
e, um dia,
um gesto acendeu de novo a esperança.
Um padre, com olhos de ternura,
me estendeu a mão e disse:
Vens comigo.

Cruzeiro me acolheu
como quem acende uma vela
num quarto escuro.
Ali, a vida foi voltando devagar,
com o mesmo cuidado
de quem costura um pano rasgado.

Aprendi que a coragem
não é ausência de medo,
é a insistência em continuar,
mesmo tremendo.

Que as cicatrizes não são feridas,
mas mapas,
testemunhos de quem sobreviveu à travessia.

Hoje, quando olho para trás,
não vejo tragédias,
vejo caminhos.
A dor me ensinou a fé,
e o abandono me fez entender
que o amor de Deus
é o único abrigo que não desaba.

E se um dia a chuva te encontrar,
deixa que ela caia.
Ela não vem para te afogar
vem para lavar o que precisa ser renascido.

Quando ela passar,
a luz será mais clara.
E o que hoje parece fim,
é apenas o começo
de um novo amanhecer em ti.

Irene da Rocha

Voltar

Facebook




Tempo das coisas! Coisas do tempo

Ismaél Wandalika: ‘Tempo das coisas! Coisas do tempo’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem criada por IA da Meta

Há coisas que só o tempo faz
Há Coisas no tempo se desfaz
Umas coisas o tempo traz
Outras coisas o tempo leva e refaz

O tempo resignifica conceitos
Molda mandamentos
Alerta o coração e sem medos
Nasce suas lendas pra vida sem tédios

O tempo é monge das reflexões
Cura todas as infecções
Só o tempo compreende os corações
Consegue dialogar sentado com as nossas ilusões…

No tempo todas as coisas mudam
Mau muda para melhor mesmo que não
mas apreende a refletir suas tristes acções para com seu semelhante
O bom pode ser pior que o ruim na vida
A santa viraliza e se transforma em uma víbora
A víbora muda de vida e transforma sua história.

No tempo todos estão sujeitos à falha
Não há quem escape da lei da vida
A vida é justa maltrata os bons e os maus
Somos meros humanos
A cronologia faz parte da nossa existência
Uma dia a nossa missão termina
E começará a dos outros semelhante a nós…
Seres como nós
Vindo de nós
Após nós…

Tempo das coisas
Coisas do tempo

Soldado Wankalika

Voltar

Facebook




Esquizodance 2000

Clayton Alexandre Zocarato: ‘Esquizodance 2000’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

Dançava com teus olhos sob neon lilás,
num looping de amor que o tempo não desfaz.
Teu riso era beattechno, trance, drum’n’bass
e meu coração, rave: perdido, mas em paz.

Nos lábios, promessas pop de eternidade,
feito hits esquecidos nas madrugadas.
Saltávamos o real, jovens de verdade
com glitchs na mente e almas remixadas.

Esperança? Era sample do impossível,
beatando em sintonia com teus devaneios.
Amor não tinha lógica — era invisível,
mas pulsava entre os delírios e os anseios.

E sob a estrobo de um céu todo distorcido,
amamos dançando… no caos mais colorido.
Na pista do ser, tudo era permitido.

Clayton Alexandre Zocarato

Voltar

Facebook




A vida é, simplesmente!

Paulo Siuves: ‘A vida é, simplesmente!’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada por IA da Meta - 11 de setembro de 2025, às 10:22 PM
Imagem criada por IA da Meta – 11 de setembro de 2025,
às 10:22 PM

Os pais nunca têm o mesmo bebê duas vezes:
a cólica da madrugada é trocada por papinhas,
os primeiros sons estalam — e já brotam dentes,
o engatinhar orgulhoso tropeça
num passo incerto
que tenta ficar de pé.

O tempo não pede licença:
passa,
leva,
muda.

E nós, atordoados, perguntamos —
o que é a vida?

Talvez um abraço que salva a tarde
ou o cheiro de café que devolve a infância;
talvez uma casa de tijolos cansados,
um carro comprado com suor,
ou a joia que guarda um rosto no metal frio.

Há quem a veja no detalhe mínimo:
um vestido esquecido no armário,
um prato antigo que abre feridas de saudade.
E há quem prefira conceitos:
liberdade, saúde, paz de domingo,
o amor — linha invisível costurando dias.

Para mim, a vida é trilho de trem:
o pé atrás carrega o peso da experiência,
o pé à frente adivinha o horizonte,
e, entre um e outro,
esse breve equilíbrio,
esse agora que arde na palma.

O passado é retrovisor:
um lampejo,
consultamos e seguimos.
O futuro é ensaio:
listas rabiscadas,
sonhos em papel amassado.

Mas tudo, tudo acontece aqui:
enquanto pensamos no amanhã,
o hoje se consome como vela;
enquanto apertamos o ontem,
o hoje se solta como fumaça.

Planejar é preciso, sim:
quem planta hoje, colhe corpo e companhia;
quem estuda, desenha o ofício;
quem ama, constrói abrigo.
Mas o lápis só risca o contorno
se a mão se move no agora.

Eis o vaivém:
um casal renova votos — raiz, instante, desejo;
uma família ri no Natal — ontem, hoje, esperança.
Flores murcham,
juventude abranda o passo;
os pais, antes sinônimo de colos,
agora precisam dos nossos braços.

É nessa dança que mora a beleza —
e a dor —
de viver.

Talvez seja isso:
vida é mistura de retrovisor e horizonte,
de chegada e despedida,
tempo correndo nas faces
e na pele das mãos
que se encontram
e depois… desatam.

No fim,
é simples:
a vida é o tempo que passa,
a mudança inevitável do que amamos.
Acho que a vida é,
simplesmente!


Paulo Siuves

Voltar

Facebook




Talvez o amor

Evani Rocha: Poema ‘Talvez o amor’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Canva – 26 de agosto de 2025, às 07h50

É! Talvez o amor da gente seja mesmo fugaz,

Como a florada da primavera.

Talvez seja como as estações do ano,

Tão passageiras…

Como a areia carregadas pelas ondas,

Para o fundo do mar,

Sem hesitar!

E talvez volte na maré cheia…

Decerto o amor é uma ave migrante,

Em busca de verão, que vem e vão,

Para qualquer lugar,

Onde haja sol e calor!

É o amor, devorando o tempo,

Moldando a gente, devagar…

É a terra fértil gestando a semente,

É o filho pródigo, retornando ao lar…

Quem sabe o amor é a gente,

Virando gente, no outono,

Trocando as folhas velhas por novos sonhos…

Ou talvez, o amor seja mesmo uma utopia,

Fantasia, melodia…

O equilíbrio em meio ao caos,

Na lucidez da sanidade…

Ou por ventura,

A loucura travestida 

De poesia!

Evani Rocha

Voltar

Facebook