A Magia de Navegar pelo Tempo

Mônica Henriques encanta com a escrita acolhedora de “A Dama de Negro do Chiado e Outros Contos”

A dama de negro do Chiado
A dama de negro do Chiado

Sabe aqueles livros que parecem nos convidar para sentar com uma boa xícara de café e passar horas a fio ouvindo histórias fascinantes de um amigo?

É exatamente esta a deliciosa sensação ao folhear as páginas de “A dama de negro do Chiado e outros contos”, o mais recente lançamento da talentosa escritora e advogada carioca Môniva Henriques, publicado pela Editora Patuá.

Com uma trajetória literária já consolidada, que inclui um thriller sobrenatural “O Julgamento” (Caravana, 2022) e diversas premiações em contos e crônicas, Mônica nos presenteia agora com uma coletânea vibrante, fruto de gestação afetiva e muita observação do cotidiano.

Escrever estes contos, segundo a própria autora, foi um refúgio, um remédio e uma opção de sanidade durante dias incertos da pandemia, além do resultado de suas imersões em cursos de escrita e inspirações que surgiram no piscar de olhos do dia a dia.

Uma jornada eclética por mundos, tempos e emoções

O grande charme de Mônica Henriques está na sua capacidade de brincar com o tempo.

Em “A dama de negro do Chiado”, passado, presente e futuro se entrelaçam com maestria em dez contos que transitam com elegância pela ficção científica, pelo suspense, pelo realismo mágico, pela fantasia e pela ficção histórica.

A inspiração da autora nasce dos detalhes mais poéticos da vida real: a ideia para o conto “O Senhor Tempo”, por exemplo, surgiu quando seu maridolhe mostro uma fotografia com o número do fotógrafo carimbado no verso.

Em um estalo criativo, a autora transformou o achado doméstico em literatura pura ” antes que a ideia se evaporasse e se juntasse às nuvens no céu.

O ecletismo do livro reflete a alma da própria autora, que ama ler e escrever sobre de tudo um pouco.

Misterioso e instigante: Em “Assassinato no sarau” (finalista do V Prêmio ABERST) viajamos a 1914 para desvendar um crime, enquanto o conto que dá título ao livro nos envolve numa atmosfera enigmática e inesquecível.

Humano e reflexivo: Contos como “O manuscrito”, “O legislador” e “Rebeca- A nova geração” abordam questões humanísticas profundas e atuais, incluindo discussões sobre inteligência artificial.

Imersivo e lírico: Em “A Livraria Mágica da Rua do Ouvidor”, somos transportados para outras culturas, enquanto “O morcego da biblioteca de Coimbra” nos apresenta um morcego erudito em busca de seu descanso eterno.

Rico em pesquisa histórica: O denso e emocionante “Últimos dias de Tomás no Brasil”, nos leva ao cárcere da Ilha das Cobras em 1789. Para construir uma narrativa verossímil sobre a Inconfidência Mineira, a autora mergulhou na leitura do Auto das devassas e documentos de época.

Um convite irrecusável à arte e à imaginação

Como leitira foi impossível não me apaixonar pela escrita envolvente, fluida e profundamente acolhedora de Mônica.

Suas histórias nos levam como em um redemoinho em espiral, provocando nostalgia, inquietação e encanto a cada virada de página.

Mais do que uma simples coletânea de contos, a obra é um lembrete poético de que, ao abrirmos a mente e o coração para o imponderável e permitirmos a arte em nossas vidas, conseguimos resistir como humanos através do tempo.

Um livro Plural, fascimente e feito com carinho que transborda em cada linha. Super recomendo!

Venha você também se encantar com o universo único de Mônica Hneriques.

Redes sociais da autora

A DAMA DE NEGRO DO CHIADO

RESENHA

Esse livro irá nos levar, como em um redemoinho em espiral infinita e reversa, através dos tempos, em contos que vão da fantasia à ficção científica, passando pela ficção histórica e o realismo mágico.

Nos deixará inquietos ao tratar questões humanísticas em “O manuscrito”, “O legislador” e “Rebeca – a nova geração”.

Nos envolverá em nostalgia em “O senhor do Tempo” e “O Orbe encantado”.

Seremos convidados a uma experiência imersiva em outros mundos e culturas ao adentrarmos “A livraria mágica da Rua do Ouvidor”.

Nos levará a desvendar um crime cometido em 1914, em “Assassinato no sarau” e nos deixará intrigados com o mistério que move “A dama de negro do Chiado”.

Conheceremos um morcego erudito que anseia pelo descanso eterno no conto “O morcego da biblioteca de Coimbra”.

Depois, espiaremos um cárcere na Ilha das Cobras, em 1789, onde versos parnasianos foram escritos em suas paredes, e sofreremos junto ao condenado no decorrer de “Os últimos dias de Tomás no Brasil”. 

 A autora, nessa dinâmica que instiga passado, presente e futuro, nos convida a abrir a mente e o coração para o imponderável, fazendo-nos perceber que ao permitirmos a arte em nossas vidas resistiremos como humanos através do tempo.

Assista a resenha do canal @o.que.li no Youtube

OBRAS DA AUTORA

O julgamento
O julgamento

A dama de negro do Chiado
A dama de negro do Chiado

ONDE ENCONTRAR


Página Inicial

Resenhas da colunista Lee Oliveira




África do Sul

Loide Afonso: Poema ‘África do Sul’

Loid Portugal
Loid Portugal
Fotografia artística de uma mãe africana expressando profunda tristeza e choro. Ao fundo desfocado, silhuetas de jovens em um cenário de conflito sob um céu cinzento de tempestade.
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Estamos em guerra fria, quente, e demente,

o corpo fica dormente quando ouve e sente,

Seus filhos lutam, correm e gritam, saltam, dão a volta,

sem piedade matam- se uns aos outros, o que não era suposto

Mãe, eles deixaram de viver suas vidas porque perderam o gosto,

seus paladares ficaram sem gosto, oh mãe

Nossa querida mãe África, é pra isto que nos pariste?

Loide Portugal

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Verdades que parecem mentiras

Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘Verdades que parecem mentiras’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Getúlio andava com a pulga atrás da orelha, desconfiado de Laís, a noiva de feições faceiras e curvas de parar o trânsito. Talvez fosse apenas impressão ou, ao menos, era isso que dona Felícia, a quase sogra, tentava incutir na mente do sujeito. 

           — Mas, dona Felícia, a senhora tem certeza?

          — Getúlio, meu rapaz, você acha que uma filha consegue esconder alguma coisa da mãe?

           — Bem… Ela mentiu pra mim, e não foi só uma vez.

          Dona Felícia se espichou que nem girafa, lançou sobre o jovem aquele olhar de coruja ressabiada, rodeou-o por duas, três vezes, enquanto Getúlio começou a esperar por um ataque pelas costas. Do nada, a mulher saiu da sala, foi até a cozinha. O homem não entendeu tal atitude, talvez ele tivesse dito coisa que não devia.

          Os minutos seguintes duraram uma eternidade, embora, na conta do relógio na parede, não tivessem chegado a meia hora. De repente, lá estava a anfitriã, café e bolinhos de chuva em uma bandeja de plástico simples, porém honesta. Ela ajeitou o lanche da tarde sobre a mesa e, logo em seguida, ordenou.

          — Venha se sentar.

          Getúlio nem titubeou. Era homem de enfrentar qualquer um, até cachorro bravo se fosse necessário. Todavia, a coragem se acanhava diante daquela mulher.

          — O café tá do seu agrado?

          — Tá sim, senhora.

          — E os bolinhos?

          — Os melhores que já provei.

          Dona Felícia pareceu satisfeita, apesar de não acreditar por completo nas respostas. Seja como for, regozijou-se por dentro sem deixar transparecer os sentimentos para o futuro genro. De súbito, a dona da casa, dedo em riste, ergueu a voz.

          — Pois vou lhe dizer uma coisa muito séria!

          Getúlio, olhos do tamanho de jabuticaba madura, ficou diante da mulher aguardando a grande explicação, que acabou por deixá-lo ainda mais confuso.

          — A Laís não mentiu porque simplesmente nunca aprendeu a mentir. Ela é moça direita, que você precisa confiar. A minha filha só sabe dizer verdades, mesmo aquelas que ainda não chegaram a acontecer.

Eduardo Cesario-Martínez




Conjuring me

Jane Nash: Personal narrative ‘Conjuring me’

Jane Nash
Jane Nash

“Pete, Pete”. It looked like I was daydreaming I’m sure, but I wasn’t even there at all.

He texted me what he was visualizing. A moment of telepathy or was it cosmic integration? Dreaming? Imagining? Fuck it. I wasn’t there and yet he watched me in the coffee shop a little way down the streets from the Law Courts. So strange to see me behind glass mottled with raindrops. Me, who lives ten thousand miles away.

Hence the texting. Was it to remind me of something or was I reminding him? No birthdays, anniversaries, celebrations, deaths or memorials but there I appeared in his line of vision.

I hate it when that happens. When someone conjures me into their reality. I have never given permission. I think it’s rather rude, to encourage the building of false memories, the extension of delusions.

I thought living ten thousand miles away would prevent this loss of privacy, in other words, the consequences of cosmic peccadillos. I’m wondering whether he’s wondering whether he sees me as some optical echo from a shared history. Like glances at the same glasses, colour of lipstick, hair tumbling over the back of a winter coat from a knitted turquoise hat, the odd doppelgänger and the laughter of a cousin.

Wind ruffles my hair. Waves push out, suck in and carry illusions created by the Moon. I’m convinced we are still Hera’s playthings and delusions skip from our eyes to make tides turn and loved ones miss each other.

Jane Nash

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Song of a Bairagi

Iqbal Chand: Poem ‘Song of a Bairagi’

Logotipo da seção O Leitor Participa
Fotografia em tons de cinza de uma pessoa solitária descendo uma escada de concreto vazia, transmitindo uma sensação de introspecção, isolamento e desapego.
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There are certain problems.
Nobody chases me visibly,
but I have to tread only this path.
And in the end, when I reach,
it is not the one to have arrived at.
What worldly men expect and climb up the steps for
is the one I am getting rid of by climbing down.
By the way, you are nice possessors of things –
you gained both this world and the other world.
I lost both of them.
It is a weird dream not to be dreamt by me.
What have we to do with colours in darkness?
Tell me now,
have I expected anything?

Original (Telugu): Dr. Iqbal Chand
Translation: Elanaaga

Dr. Iqbal Chand
Dr. Iqbal Chand

Dr. Khwaja Mohammad Iqbal Chand Bahadur was born on 21 September 1974 in Hyderabad, Telangana, India.

On the day he was born, the well-known Telugu poet Dasharathi Garu, who was a close family friend, visited the newborn and named him “Iqbal Chand Bahadur.”

The name was inspired by two poets whom Dasharathi Garu greatly admired Allama Mohammad Iqbal and Bahadur Shah Zafar. Later, the family officially adopted the full name Khwaja Mohammad Iqbal Chand Bahadur

Dr. Iqbal is a Gold Medalist in Ph.D. He holds an MBA in Human Resource Management, M.Phil., M.A. in English, and M.A.(Telugu) in Literature, with Sanskrit as an optional subject.

He has also completed several professional certifications, including Unix Engineering in IT and Cyber Security, ITIL V3, ITIL V4, and PMP (Project Management Professional).

Professionally, Dr. Iqbal is the Co-founder and Managing Director of Digiplanet Techno Solutions.

Apart from his professional and academic achievements, Dr. Iqbal is also a poet and literary personality. His poetry collections Aarovarnam and Banjaara have received appreciation for their literary quality and cultural themes. His upcoming works, Roopakam and Hyderabad (Poems on Hyderabad), continue his journey in literature and creative writing. Facebook

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Olhos de poeta

Evani Rocha: Poema ‘Olhos de Poeta’

Evani Rocha
Evani Rocha
"Mesa de madeira com uma rosa amarela, uma carta escrita à mão com caneta e uma taça com vinho, diante de uma janela molhada pela chuva com vista para um jardim."
https://chatgpt.com/c/6a7c66f6-b908-83e9-9d5f-f875a04abc9c

A Lua é poesia
Nas mãos do poeta
A noite é boêmia
E a taça é vazia

Na voz de um poeta
A aurora é colorida
A tarde é perfumada
E a estrada infinita

Os olhos deságuam
E as palavras cegam
Nos braços um nada
Nas mãos despedida

E o amor é flor
No verso sinestesia
A saudade é dor
A lida é peregrina

As estrelas cintilam
No céu de um poeta
Tem a noite e o dia
No caminho as pedras

Não há paz nem guerra
Nos olhos de um poeta
A vida é fugaz
E a morte etérea!

Evani Rocha

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A melhor coisa do mundo?

Denise Canova: Poema ‘A melhor coisa do mundo?’

Denise Canova
Denise Canova
https://chatgpt.com/c/6a7c7737-91cc-83e9-b466-5fbd865c53b5

A melhor coisa do mundo?
É poetizar
É versar sobre as flores
Eu sei e você?
Não?
Vem comigo amor
Saberás e terás vontade de poetizar.

Dama da Poesia

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