Morada da alma

Guilherme Machado

‘Morada da alma: a oração que reorganiza o caos’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
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“O ladrão não vem senão a roubar,
matar e destruir; eu vim para que tenham
vida, e a tenham com abundância.”
(João 10:10)

Certa manhã, um homem voltou para casa e encontrou tudo destruído. As gavetas estavam abertas. Os armários revirados. Papéis espalhados pelo chão. Portas escancaradas. Objetos quebrados.

A impressão era de que um ladrão havia entrado durante a noite e procurado algo com tanta violência que não se importou com o estrago deixado para trás.

Por alguns instantes, ele permaneceu imóvel. Tentava entender o que havia acontecido. Tentava calcular o prejuízo. Tentava descobrir por onde começar.

Primeiro recolheu os objetos caídos. Depois organizou alguns móveis. Mais tarde varreu o chão. Mas, quanto mais arrumava, mais bagunça parecia encontrar. Quando terminava um cômodo, outro ainda estava revirado.

A sala estava em ordem, mas o quarto continuava revirado. O quarto estava em ordem, mas a cozinha continuava um caos.
A cozinha estava em ordem, mas o quintal parecia abandonado.

Passaram-se horas. Talvez dias. Talvez anos. Até que, exausto, ele sentou-se no meio da própria casa. Pela primeira vez, parou de tentar resolver tudo sozinho. Então, orou. Não foi uma oração bonita. Não foi uma oração elaborada. Foi apenas sincera.

Pediu ajuda. Pediu direção. Pediu forças. Pediu que Deus fizesse aquilo que ele já não conseguia mais fazer.

E algo começou a mudar.Não porque os móveis voltaram magicamente para seus lugares. Não porque as paredes se reconstruíram sozinhas. Mas porque o homem começou a enxergar o que antes não via. Percebeu que algumas coisas precisavam ser restauradas. Outras precisavam ser descartadas. Algumas perdas eram reais. Outras existiam apenas em seu medo – ou talvez fossem livramentos.

Pouco a pouco, aquilo que parecia impossível começou a encontrar ordem.Não uma ordem perfeita. Mas suficiente para voltar a viver em paz. Foi então que ele compreendeu algo. O ladrão não havia invadido apenas sua casa. Havia invadido sua paz.
Sua esperança. Sua confiança.

E era justamente por isso que nenhuma solução humana parecia suficiente. A verdadeira restauração não começou quando ele pegou ferramentas. Começou quando dobrou os joelhos. Porque existem bagunças que a força reorganiza. Mas existem outras que somente a oração consegue colocar no lugar.

O telhado protege tudo. Se ele está ruim, entram chuva, vento e sol. Danificam cada cômodo. O homem descobriu, naquela manhã, que a oração era o telhado da sua alma. Sem ela, nenhuma parede se sustenta.

“Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.” (Salmos 4:8)

Gilherme Machado

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Ecos da falta de fé

Guilherme Machado: Acróstico ‘Ecos da falta de fé’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
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Frio na alma
Ausência que ecoa
Lugar desguarnecido
Trava que ofusca
Atitudes e pensamentos sem uma base sólida

Desassossego, dúvidas, descrenças avantes
Espiritualidade enfraquecida resultando em estrada sem horizonte

Frágeis fundamentos fundamentados sob a carne
Esperança que se esvai e só um vazio impreenchível que resta

Guilherme Machado

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Para Clóvis, meu pai

Guilherme Machado

‘Para Clóvis, meu pai – Dez estações sem Você’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Foto do arquivo do autor, tirada em 1991
Foto do arquivo do autor, tirada em 1991

Caiu como uma bomba sobre mim! Logo notei pela fisionomia carregada que as notícias traziam o peso do mundo. Ouvi, ecoando vazio, o mantra amargo: “é coisa da vida”… “é difícil, mas acontece”…

Vislumbrei, subitamente, cenários de um filme que eu jamais quis assistir. Imaginei se tratar de qualquer outro familiar. Sucumbi com a notícia. Captei os fatos de forma vaga, então, pedi para que minha tia se retirasse, mas ela se negou e suplicou-me para colocar a dor pra fora. Afirmei, ainda em negação, não querer ir ao velório, mas mesmo contrariado, para lá me dirigi. Roupa incompatível com o clima: um blazer pesado num calor infernal, evidenciando o caos e colapso no qual me encontrava.

Marcas deixadas na alma. Amor que machucou. Chocolates, cigarros e água por favor, desta forma fui brilhante e calculista, eficiente em disfarçar a dor.

Heranças ásperas, dias extremamente destrutivos. Algo encontrava-se deformado, deturpado, sentimentos fora do lugar. Dias que posteriormente mostraram-se edificantes, mas precisaram ser ressignificados e deixados para trás. Oposição de ideias – textualmente evidente – é o efeito que quero causar.

Descanse em paz, pai! Esse é o meu desejo, e, aos poucos, estou me curando.

Ano posterior, toda a família reunida para um casamento. Agora, todos estavam presentes, evento planejado. Uma mesa incompleta – e foi ali que jorraram as lágrimas; toda a frieza e calculismo foram insuficientes, e nem a totalidade da água do Oceano Pacífico seria capaz de conter aquelas emoções sufocadas.

Sextas feiras onde curo o que não pude salvar. Obrigado, Deus! Banquetes? Melhor é ir à casa onde há luto, rosto triste mutando-se em bom coração. Infinita é a bondade de Deus.

Nunca questione a razão pela qual foram os dias passados melhores do que estes, porque não provém da sabedoria esta pergunta.
Hosana nas alturas! Orgulhosamente seguirei com as homenagens!

Guilherme Machado

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Imediatismo

Guilherme Machado: Acróstico ‘Imediatismo’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Imagem criada por IA da Meta – 10 de fevereiro de 2026, às 12:13 PM – https://www.meta.ai/create/954523364416044

Insatisfação constante
Momentos vãos
Expectativas irrealizadas
Desejos frustrados
Inquietude
Ansiedade perene
Tenho em mim mesmo meu maior
Inimigo consoante a uma implacável e improdutiva urgência
Sede insaciável
Momentos, tempo e talentos desperdiçados
Obsessão desmedida pelo agora

Guilherme Machado

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Nicole

Guilherme Machado: Acróstico ‘Nicole’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Imagem criada por IA do Bing – 18 de junho de 2025,
às 17:15 PM

Não
Importa
Como
Ou onde
Linda
Es!

Guilherme Machado

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…E a mulher passou

Guilherme Machado: Poema ‘…E a mulher passou’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Imagem criada por IA do Bing - 03 de junho de 2025, às 11:45 PM
Imagem criada por IA do Bing – 03 de junho de 2025,
às 11:45 PM

Não quero assustar,
Mas venho com artilharia pesada, com presentes, livros e flor.
Pode ficar em paz, só quero te cuidar
meu amor!

Eu espero o tempo necessário, o tempo que for,
Já andei com pressa, mas agora ando devagar,
Quero um amor do tamanho da imensidão do mar.
É tempo de renovar, renasceu o latente escritor.

Exagerado é tudo que sou,
Mas somente para quem o merecer.
Torço para podermos juntos crescer.

Nos braços do pai orou,
descansou,
o que tiver que ser, será!

Guilherme Machado

Poema dedicado a minha Bela

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Um legado imorredouro vitruviano

Guilherme Machado: ‘Um legado imorredouro vitruviano

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Cláudio César Machado de Araújo, com o autor, na formatura deste na pré-escola
Cláudio César Machado de Araújo, com o autor, na formatura deste na pré-escola

Querido avô Claudio, queria lhe prestar uma homenagem já que no dia 31 de março faz 24 anos da sua partida, no entanto, fiquei atarefado com as provas de Aprendizagem Motora e Fisiologia do Exercício, e, também, com o Programa de Iniciação à Docência (PID), acabei me desorganizando e, por consequência, postergando essa prazerosa tarefa. 

Queria lhe contar que embora tanto tempo tenha se passado, o senhor ainda é a principal pessoa da minha vida. Penso que jamais conhecerei uma pessoa tão boa quanto o senhor. Acredito que o tempo foi cruel conosco, eu gostaria de ter desfrutado mais, de ter aprendido mais com o senhor, mas aprendi a aceitar que as coisas são como são e não como desejamos. Li na Bíblia que jamais devo questionar-me: 

“Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim. Boa é a sabedoria, havendo herança, e de proveito, para os que veem o Sol. A sabedoria protege como protege o dinheiro, mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor.”

Também queria lhe contar que, dentre o que o senhor me ensinou, no curto período em que estivemos juntos, eu procuro aplicar da melhor forma possível, dentre as minhas humildes limitações, sobretudo quanto a realizar leituras. Foram através delas que encontrei respostas que me ajudaram a superar a sua partida. Este fato faz com que a sua lembrança, o amor que eu sinto, a admiração, sejam chamas que se acendem diariamente dentro de mim. Querido avô, até mesmo na sua ausência, o senhor foi fundamental para que eu aprendesse a lidar com a sua partida, então como poderei eu não expressar meu amor e admiração constantemente? Como poderei eu não ser seu ferrenho defensor? 

Perdoe-me pelo clichê paradoxal, mas mesmo tendo total ciência de que aquilo que é sentido não pode, de maneira alguma, ser entendido, se eu pudesse eu queria emprestar meus olhos às pessoas, para que elas pudessem enxergá-lo da mesma maneira que eu, oxalá elas iriam ter uma pequena dimensão daquilo que penso e sinto a seu respeito.

Valoroso avô, queria lhe contar que no dia 19 de abril de 2023, meu irmão da infância e início da vida adulta, Henrique Miguel Moya, faleceu, me deixando com sentimentos controversos, mas me orientando a boas reflexões. Fiquei em estado de choque quando recebi acidentalmente a notícia, relatei à minha mãe que disse ser uma notícia falsa, tamanho estado de incredulidade e negação na qual nos deparamos. Ao me dar conta de que tínhamos a mesma idade, questionei-me o que estava fazendo e pensando da vida, e, poucos meses depois, me matriculei na faculdade de Educação Física, ideia que estava sendo maturada em minha mente há algum tempo. Tomei possei dos incríveis benefícios e disciplina que as atividades físicas me proporcionaram e quis me aprofundar no assunto. 

Com a situação acima, aprendi e assimilei muitas coisas num espaço temporal muito curto, destacando a respeito da diferença entre o remédio e o veneno estar na dosagem. Em outras palavras, pensar demasiadamente a respeito da morte me deixou paralisado, mas pensar pouco sobre ela, tendo equilíbrio, convergindo meus perfis analítico e executor, me levaram ao estado de metanoia que eu tanto almejei.

Na faculdade tive o imensurável e inadjetivável prazer de conhecer e aprender com o ilustre mestre José Paulo Borges Neto. Uma das ferramentas que tanto pedi a Deus, me foi entregue através das agradáveis e leves aulas dele, fazendo-me compreender que o melhor dia da minha vida é hoje, pois, dessa forma, planto diariamente uma nova colheita.

Uma homenagem ao meu avô, Cláudio César Machado de Araújo, ao irmão da infância, Henrique Miguel Moya, e ao professor José Paulo Borges Neto.

Guilherme Machado

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