Corpo e espírito

José Antonio Torres: ‘Corpo e espírito’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
‘Minha força vem da luz que me conduz’.
Imagem gerada por IA do bin – 20 de janeiro de 2026, às 08:25 PM

Sigo em minha estrada superando desafios.

Os obstáculos são imensos, mas não superam a determinação que possuo.

As lutas são ferrenhas neste campo de batalha que é a vida.

Rasgam as minhas entranhas e dilaceram o meu corpo.

Ainda assim, não conseguem abater meu espírito.

A minha determinação suplanta meus ferimentos.

Minha força vem da luz maior que me conduz, iluminando e fortalecendo a minha fé.

Embora meu corpo sofra as consequências das batalhas, meu espírito segue radiante e revigorado para novas disputas.

Meu corpo sente o cansaço e o peso do tempo.

Sinto minhas energias esvaindo-se lentamente…

Processa-se um efeito contrário em meu espírito.

Quanto mais me aproximo do fim, mais se expande a consciência de que estou indo ao encontro da verdadeira VIDA!

José Antonio Torres

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Para onde?

José Antonio Torres: Poema ‘Para onde?’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada pela IA da Meta - 6 de janeiro de 2026, às 8:24 PM
Imagem criada pela IA da Meta – 6 de janeiro de 2026, às 8:24 PM

Ouço sussurrarem meu nome…
Intrigado, indago: Quem és?
O que ou a quem procuras?
Por que sussurras o meu nome?
Não te conheço!
Sinto o teu perfume adocicado e suave.
Não te vejo, mas sinto a tua presença.
Por que não te vejo?
A tua respiração soprando em meu ouvido…
De onde vens?
Não tenho medo.
Mas essa sensação é estranha e angustiante.
Vais me levar para algum lugar?
Responde!
Para onde?

Sinto que estou prestes a atravessar portais.
A calma se faz.
Não sinto mais angústia.
Parece que flutuo…
Percebo luzes dos mais belos matizes.
As mais belas melodias se sucedem…
Sinto presenças de quem não vejo.
Murmúrios e aromas deliciosos me acalmam…
Uma sensação de acolhimento me envolve.
Começo a ter a verdadeira consciência de mim.
Me percebo em outro plano.
Estou em meu verdadeiro lar.
Sinto-me sereno e em plena paz.

José Antonio Torres




Encantamento

José Antonio Torres: Poema ‘Encantamento’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Bing – 10 de dezembro de 2025, às 7:42 PM

A música suave…
O multiaroma de um jardim florido
onde desabrocha a mais linda flor.
O som das ondas quebrando na praia…
A brisa do mar fluindo pelo ar…
Você!

Nesse microcosmo, o mundo lá fora não existe.
Nada mais importa.
Nesse ambiente que transpira amor,
nada pode macular essa atmosfera.
Nada existe além disso.
Nem pessoas, nem problemas… nada!
O mundo resume-se a este momento de puro encantamento.

Você é a representação da mais perfeita flor;
Delicada, perfumada, sedosa e linda.
A entonação da tua voz é doce e melodiosa.
Lembra o som das ondas a me embalar.
O teu caminhar suave parece flutuar sem o chão tocar.
A brisa do mar, impregnando o ambiente,
me faz sentir a tua respiração.

Traduz a beleza e a força da Natureza.
Amar, ser amada e cultuada, preciosa flor.
Vieste para encantar e dar sentido à vida.
Esse é o teor da tua existência.

José Antonio Torres

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O caminho

José Antonio Torres: Poema ‘O caminho’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA da Meta

A estrada é longa e demanda esforços.
Subidas íngremes e escorregadias.
O equilíbrio se faz necessário.
Encontramos desertos de sentimentos,
mas também jardins de graciosa beleza,
assim como acolhimento.

Os talos espinhosos de algumas flores nos ferem.
Outras nos ajudam a embelezar o caminho e a perfumá-lo.
As tempestades são inevitáveis,
mas logo após, vem o sol,
radiante e terno a nos alegrar.

A sede de justiça nos queima as entranhas,
mas a saciamos em fontes cristalinas de amor.
Algumas vezes nos deparamos com areia movediça que ameaça nos tragar.
Buscamos algo em que nos agarrar.
O desespero toma conta de nós.
Muitos afundam.
Outros, mais determinados, sobrevivem.

Precisamos focar na chegada, mas não podemos descuidar do caminho.
O objetivo ainda está longe.
A cada passo dado, mais próximos estaremos.
De tempos em tempos, precisamos algumas vezes repensar o trajeto.
Refeitas as forças, novos planos elaborados, seguimos confiantes!

Não cometeremos os mesmos erros.
Evitaremos os desvios que escondem perigos.
Em muitos trechos do caminho, seguiremos sozinhos.
Em outros, companheiros de caminhada se juntarão a nós.
Estejamos atentos para não nos desviarmos do caminho.
Sigamos com a bússola da luz e do amor.

José Antonio Torres

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O ciclo

José Antonio Torres: Crônica ‘O ciclo’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

Nasceu!

Todos estão felizes. Uma nova vida se fez. Cuidados extremos, surpresas… o desconhecido sempre assusta. Um ser frágil e dependente. Olhar curioso. Sua conversa é pelo olhar.

Vai crescendo, fazendo descobertas. Seus pais se descobrindo também.

O tempo passa, aquele ser crescendo, se desenvolvendo, tornando-se independente.

Vai ganhando energia rapidamente.

Seus pais sentindo o peso do tempo.

Ele é adulto. Os pais, idosos. Os papéis se inverteram. Agora são eles que necessitam de cuidados. A vida deu voltas. A paciência e a compreensão do filho nem sempre estão presentes. Esquece que já dependeu.

A energia dos pais minguando… findou.

A chama da vida se apaga.

Por algum tempo ainda serão lembranças. Depois, nem isso.

Novo ciclo começa.

Será que o circuito será o mesmo?

José Antonio Torres

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O voyeur

José Antonio Torres: ‘O voyeur’

José Antonio Torres
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Imagem criada por IA do Grok

Embora muitos casos tenham acontecido naquela casa de cômodos, a que já me referi em crônicas anteriores, finalizo essa sequência com este caso. Ressaltando que todos os casos são verídicos.

Naquela casa de cômodos moravam cerca de vinte inquilinos. Alguns quartos possuíam duas camas, outros três e havia um bem espaçoso, que possuía quatro camas. Era um tempo em que a violência não era como a de hoje em dia. Não havia roubo de pertences de um morador por outro.

A casa era antiga e na parte externa ao corpo principal da casa, na parte dos fundos do quintal, havia um banheiro com uma parede que dividia as partes do vaso sanitário e a do chuveiro. Havia portas individuais com fecho por dentro e por fora de cada ambiente. Eles eram independentes. Além disso, havia um grande tanque feito de pedra, ao lado dos banheiros. Nunca houve qualquer problema ou confusão. O fato de os inquilinos serem apenas homens certamente contribuía para isso.

Ocorre que certa vez deu um problema no chuveiro interno da casa, que era utilizado apenas pela dona da casa de cômodos e seu filho, que estava ainda iniciando a adolescência. Devido ao problema no chuveiro interno, a senhora foi tomar banho no chuveiro comunitário citado anteriormente. Aproveitou o meio da tarde pois a maioria dos inquilinos estaria trabalhando.

Após terminar o seu banho, um inquilino que estava em casa pediu para falar com ela. Contou-lhe que se dirigia ao banheiro, quando percebeu um outro inquilino agachado, tentando olhar por baixo da porta do banheiro onde ela estava tomando banho. O outro assustou-se e saiu, dirigindo-se ao seu quarto. O inquilino que presenciou aquela cena disse-lhe que ficou ali no tanque fazendo a barba e esperando para ver quem sairia do banho e comentar o que havia presenciado. Quando viu que era a senhora que havia tomado banho, se revoltou ainda mais com a atitude do tarado. O que chama a atenção é que o voyeur não tinha como saber quem estava tomando banho. Ela perguntou qual foi o inquilino que fez aquilo, e ele falou. Ela esperou um outro inquilino, que era o mais antigo do lugar, chegar do trabalho. Contou-lhe o ocorrido e pediu ajuda para dar uma lição no voyeur.

Ela possuía um tipo de cassetete que era constituído de um cabo telefônico grosso e emborrachado, com uma das extremidades dobradas para que se encaixasse no pulso. Ela estava espumando de raiva pelo acontecido e, com o outro morador, dirigiu-se ao quarto do voyeur e bateu à porta. Quando ele abriu, ela e o outro inquilino entraram. O outro imobilizou o voyeur, e a senhora, com os olhos faiscando de raiva, ia dando-lhe vigorosas lambadas e perguntando se ele gostava de ver mulher tomando banho. Mesmo não dando para ver nada, a intenção dele o incriminava. Ela bateu com vontade.

Após cansar de ‘descer-lhe a ripa’, determinou que ele fosse embora da casa.

Quando, ao final da tarde, o filho dela chegou do colégio, ficaram sentados no degrau da porta da sala que dava para o quintal, como sempre faziam, tomando o fresquinho do final de tarde. Nisso, passa o voyeur vindo do chuveiro com uma toalha aberta sobre as costas. Quando ele passou, o menino viu, mesmo com a toalha, lanhos vermelhos que se estendiam para onde a toalha não cobria. Ele mancava também.

Espantado, o menino perguntou à mãe se ela tinha visto. Ela então contou-lhe o que havia acontecido e que havia sido ela quem dera aquelas lambadas nele. Disse, também, que ordenou que ele fosse imediatamente embora da casa.

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A fuga no ônibus

José Antonio Torres: Crônica ‘A fuga no ônibus’

José Antonio Torres
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Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Seguindo com a saga de a Casa de Cômodos – como os casos reais já contados aqui: ‘O velhinho do terno’ e ‘O bêbado caloteiro’ – vez por outra aparecia um caloteiro. Uns criavam caso, outros apenas fugiam na calada da noite para não pagar o aluguel do quarto em que moravam. No caso que passo a relatar, esse fugiu no início da tarde.

A dona da casa de cômodos tinha o costume de tirar um cochilo depois do almoço. Isso a revitalizava. Poderia estar extremamente cansada, mas após o seu cochilo, acordava revigorada e bem-disposta.
Era uma rotina de muitos anos. Quando ela não conseguia tirar esse cochilo após o almoço, o dia ficava pesado, arrastado e cansativo.

Certo dia, final de mês, um dos inquilinos – que estava com o aluguel do quarto atrasado – resolveu sair sem pagar. Fez isso exatamente no início da tarde. Para seu azar, nesse dia a dona da casa de cômodos não estava dormindo, pois verificava as contas que precisava pagar, separando o dinheiro e verificando se já possuía o necessário.

De repente, ela percebeu, pela janela do quarto que dava para o quintal, a movimentação de alguém passando e viu que era o inquilino que estava com o aluguel atrasado. Ela achou estranho que, naquele horário, ele estivesse em casa e não trabalhando. Intrigada, ela levantou de onde estava, foi olhar e constatou que ele estava saindo com a mala na mão em direção ao portão. Com uma agilidade quase felina, foi atrás dele para tentar evitar o calote que se mostrava iminente.

Ele foi caminhando pela rua e ela, ao lado dele, dizendo em tom ríspido:

⁃ Ou você paga o que me deve ou eu vou te seguir até onde você for e vou te fazer passar vergonha.

Ele chegou a um ponto de ônibus. 0 ônibus chegou e ele entrou. Ela entrou também, atrás dele. Ele passou pela roleta após pagar a passagem – naquela época, os ônibus tinham, além do motorista, um trocador que recebia o valor da passagem, dava o troco e controlava a roleta para o passageiro passar – e o trocador travou a roleta para que ela pagasse a passagem. Ela alterou a voz e disse:

⁃ Quem vai pagar a minha passagem é esse safado que está fugindo sem pagar o aluguel do quarto em que morava na minha casa!

Todos no ônibus olharam para o caloteiro. Ele se voltou e pagou a passagem dela.

O ônibus seguiu pela Avenida Brasil – quem mora no Rio de Janeiro sabe da extensão dessa via, que liga vários bairros – e ela continuou falando bem alto:

– Aonde você for, eu vou, até você tomar vergonha na cara e pagar o que me deve.

0 ônibus continuou em seu trajeto. Ele, já demonstrando profundo desconforto com a situação, sentindo os olhares dos passageiros cravados nele e o burburinho das conversas criticando-o, meteu a mão no bolso, contou o dinheiro, virou-se para ela e pagou a dívida. Ela tocou a campainha para saltar e o motorista disse que só no próximo ponto, mas que ainda estava distante.

Finalmente, ela saltou do ônibus. Não tinha a menor noção de onde estava. Perguntou como fazer para retornar ao bairro em que morava. Alguém a orientou que precisaria atravessar as pistas para o outro lado e pegar o mesmo ônibus em que veio até ali, só que no sentido contrário, ou então, alguns outros que indicou. Assim ela fez e retornou para a sua residência.

Após passada a situação e ainda nervosa com a atitude impensada que tomou, caiu em si e percebeu que poderiam ter acontecido coisas muito perigosas com ela. Prometeu a si mesma que jamais repetiria o feito.

José Antonio Torres

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