A palavra avaliação, como qualquer outra palavra em Língua Portuguesa, é uma que se permite à atribuição de muitos significados, a depender do contexto em que estiver a ser utilizada. Na educação, área na qual nos propomos a discutir, avaliar pressupõe verificar tendo em vista um fim específico.
Como talvez se perceba, a noção de avaliação requer, para a sua eficiência e efetiva realização, que haja:
Um agente avaliador;
Recursos para a avaliação;
Agentes a serem avaliados e
Embora muitas vezes negligenciado, é imperativo a existência de um
4. Propósito de avaliação.
Pelo que, quem avalia, sempre avalia alguém, em algo, com um fim determinado. A ausência de um dos quatro (4) elementos, citados acima, compromete significativamente o processo avaliativo, levando-a a inviabilidades, como a sua não realização ou a sua má realização.
Do exposto acima, é possível perceber que o ato de avaliar não é, ou não pode ser, um fim em si mesmo. Ela não começa e termina nela mesma. Antes, quando realizada, ela se presta a concretização de metas específicas, previamente pensadas.
Pensar em avaliação, não é pensar num processo horizonte-linear como em uma linha reta, não! A avaliação é um processo circular-contínuo que começa com um planejamento, aplicação, leitura ou análise dos resultados, assim como a elaboração e aplicação de um plano de respostas aos resultados descobertos, e neste ponto, o ciclo se repete.
José Ngola Carlos, Msc.
Malanje, 26 de julho de 2026
Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:7). Avaliação Educativa: Um Processo Circular-Contínuo. Brasil: Jornal Cultural ROL.
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Ser educado é uma condição que confere prestígio ou respeitabilidade a quem deste atributo se valha. Para tal, a família, o círculo de amigos, as experiências no trabalho, na comunidade religiosa, na escola e em outros ambientes concorrem para que tal se concretize. Daqui resulta a compreensão de que, a escola não é, e não pode ser, o espaço privilegiado ou exclusivo para a formação integral das pessoas.
Apesar do acima dito, o concurso da escola para tornar os seres humanos educados é de uma importância tal que, ser educado não pode ser confundido com apenas ser intelectualizado. A educação é uma prática e qualidade na qual se encerram, fundamentalmente, dois elementos: a inteligência cognitiva e a inteligência ética, conforme diria o Professor Doutor Will Tuttle (2005). Quem foi verdadeiramente educado, não se pode achar apenas com a mente capacitada, torna-se imperativo que se encontre também com o coração treinado (Osho, 1960).
Infelizmente em Angola, quero crer que esta situação reflete uma triste realidade que se pode encontrar um pouco por toda parte do mundo, o sucesso da nossa educação é medida, esmagadoramente, pela quantidade de estudantes que transitam de uma classe para outra, do que pela qualidade dos saberes, valores e práticas adquiridas por eles ao longo da classe frequentada.
Uma prova do fracasso moral da nossa educação acadêmica, em relação aos estudantes, está no fato de que em momentos de provas ou exames, os professores são transformados em infelizes vigias e os estudantes, em vigiados sôfregos. O que eu vejo neste triste episódio é uma fealdade, diria o pedagogo Allan Kardec (1944), que denuncia uma relação de cão e gato, onde o professor, incapaz de ensinar as necessárias qualidades morais, vê-se obrigado a recusar a liberdade aos estudantes que, sem dúvida, enveredarão a práticas de desonestidades acadêmicas porque pouco ou nada aprenderam ao longo do ano.
É preciso educar, mas educar com amor, paciência, inteligência e domínio dos saberes, valores e práticas que se quer inculcar nos estudantes. A educação é como uma faca de dois gumes, se ministrada com qualidade, torna os seres humanos valorosos. Porém, se ministrada sem consciência, servirá, certamente, como um tiro pela culatra.
Referência
Kardec, A. (1944). Obras Póstumas. Federação Espírita Brasileira.
Osho. (1960). Revolution in Education. Osho International Foundation.
Tuttle, W. (2005). The World Peace Diet. Lantern Books.
José Ngola Carlos: ‘É melhor não fazer, do que fazer mal!
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Todo ato de irresponsabilidade é sempre um agir negligente e inconsequente que faz mal a outros e a nós mesmos. O nosso dever diante da sociedade, dos alunos e alunas, do órgão empregador e diante de nós mesmos, quais seres lúcidos, ante a aceitação de uma atividade remuneratória ou filantrópica, é desincumbirmo-nos do trabalho aceite com zelo, seriedade, criatividade e criticidade.
A ter que fazer mal, é melhor não aceitar fazer!
É um ato de irresponsabilidade não dar aulas quando se devesse dar. É um ato de irresponsabilidade não ouvir o que os estudantes têm a dizer sobre o seu trabalho. É um ato de irresponsabilidade ensinar autoritariamente, como se tudo soubesse, e não permitir que os alunos participem livremente com suas opiniões. É um ato de irresponsabilidade dispensar os alunos para casa quando na escola devessem ficar.
É um ato de irresponsabilidade assinar o livro de pontos como se tivesse trabalhado. É um ato de irresponsabilidade chegar tarde ao trabalho para diminuir o tempo de serviço. É um ato de irresponsabilidade não planificar a aula que se vai dar.
É um ato de irresponsabilidade não inovar e renovar a sua atuação na escola e na sala de aulas. É um ato de irresponsabilidade desmotivar quem você não ajudou a motivar.
É um ato de irresponsabilidade criticar sem conhecer e compreender o objeto da crítica. É um ato de irresponsabilidade seguir a multidão porque todo mundo o faz. É um ato de irresponsabilidade não acompanhar o desenvolvimento acadêmico de seu educando e no final pedir que ele aprove, mesmo quando aparece reprovado. É irresponsável também que, tendo feito bem o seu trabalho, tenha que dizer sim a um pedido de aprovação ilegítimo.
É um ato de irresponsabilidade reprovar um aluno mesmo sabendo que você foi irresponsável na sua atuação como professor ou professora. É um ato de irresponsabilidade orientar tarefas e não corrigi-las. É um ato de irresponsabilidade não aceitar críticas legítimas ao seu trabalho. É um ato de irresponsabilidade liderar autocraticamente.
Responsável, contudo, é todo professor ou professora que, no exercício das suas funções, deixa-se motivar pela solidariedade referente ao bem-estar intelectual, emocional e social dos seus alunos e alunas, deixa-se, igualmente, motivar pela esperança de que a sua práxis educativa, mesmo não podendo tudo, alguma coisa pode fazer para melhor a vida dos estudantes e melhorar o mundo. Ser responsável é querer fazer bem aquilo para o qual você se predispôs em fazer e é pago para fazer.
Ser responsável é não aceitar fazer o que você não está disposto a fazer para não fazer mal!
Referência
Shor, I. & Freire, P. (1986). Medo e Ousadia: O Cotidiano do Professor. Paz e Terra.
José Ngola Carlos, Msc.
Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:5). É Melhor não Fazer, do que Fazer Mal! Brasil: Jornal Cultural ROL
Kamuenho NgululiaImagem criada por Ia do Bing – 29 de abril de 2026, às 14:07 PM
Criticar todos sabemos fazer, porém, sugerir melhorias é o empreendimento que muitos ignoram, quer por incompetência, quer por negligência.
Neste texto será construída, não uma crítica indiscriminada aos professores de Inglês das escolas públicas, público-privadas e privadas de Angola, mas pretenderemos convidar à reflexão em torno da nossa prática como professores de língua, visando a nossa melhoria contínua. Não obstante a referência aos professores de Língua Inglesa, percebemos que, o conteúdo deste texto poderá ser útil a todos os professores de línguas.
O que se observa nas escolas de Angola é que, a exemplo do II Ciclo do Ensino Secundário, o que não é exceção, os alunos frequentam as aulas de Inglês, num período de três (3) anos e, para a surpresa de todos os agentes educativos, quase que saem crus e nus, conforme antes de as frequentarem, porque, nem o básico do primeiro nível (A1) se consegue alcançar. Não raro, comparado aos Centros de Formação Profissional, em que trabalho extraordinário tem sido feito, a justificativa sempre foi: “nos centros têm mais tempo de estudo das línguas”. Por outro lado, “os alunos veem à escola sem motivação para as aulas de línguas, o que não acontece em relação aos centros de formação, onde vão já motivados”. O nosso questionamento, portanto, é: será?! Poderia haver alguma pitada de verdade nesta maneira de pensar?! Vamos aos fatos, por favor!
Comecemos com a primeira justificativa:
“Meus alunos e alunas só não aprendem Inglês porque tenho poucos tempos letivos por semana”
O professor e a professora do II Ciclo do Ensino Secundário têm três (3) tempos letivos por semana, correspondentes à duas (2) horas e quinze (15) minutos. Este número de horas multiplicado por quatro (4), correspondente a um (1) mês, dá-nos nove (9) horas/mês. Estas horas multiplicadas pelo trimestre, corresponde a vinte e sete (27) horas que, multiplicada pelo ano, tem-se aproximadamente sessenta e três (63) horas/ano (considerando o ano acadêmico como se tivesse sete (7) meses). E, se considerarmos o ciclo de formação de três (3) anos, teremos à disposição dos professores/as de línguas, cento e oitenta e nove (189) horas. Disto, o nosso questionamento é: Com 189 horas à disposição, ainda assim, tem-se pouco tempo para fazer os alunos aprender?! Não é possível o alcance do nível mínimo de formação neste período, se trabalhado eficiente e eficazmente?!
O cético dirá: “nos centros de formação tem-se mais tempo, o que não permite a comparação da produtividade”
Então vejamos! Os Centros de Formação Profissional, não raro, e aqui falo tendo em conta a nossa experiência pessoal, os formandos têm uma (1) hora diariamente, o que perfaz cinco (5) horas semanais e 20 horas mensais, dando um total de sessenta (60) a oitenta (80) horas para a transição de níveis. O nosso questionamento segue sendo: quantas vezes é possível retirar sessenta (60) de cento e oitenta e nove (189) horas?! Resposta: três (3) vezes. O que é que isto quer dizer?!
Os dados provam que, se trabalhados com seriedade metodológica e genuíno amor pelo trabalho e pelos estudantes, o Currículo Nacional permite o alcance do nível três (A3) em Inglês, e nas outras línguas.
O cético, não convencido, muito provavelmente porque não entendeu ou não quer entender, dirá: “mas, os alunos das escolas públicas nunca estão motivados e demonstram pouco interesse na aprendizagem”.
Façamos o seguinte, professor/a: vá, leia e estude as diversas teorias da motivação humana aplicadas na educação e depois falamos.
Muito obrigado pelo seu tempo de leitura, meu caro leitor e minha cara leitora! Até mais!
Como citar este artigo:
Carlos, J. N. (2026:4). Os Desafios dos Professores de Línguas! Brasil: Jornal Cultural ROL.
José Ngola Carlos: ”Mudar é difícil, mas é possível!’
José Ngola CarlosPaulo Freire – Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c82da8-bc0c-83e9-95b4-5bd6d8355450
Agora, sim, Paulo Freire me é familiar!
O empreendimento não foi de estudo rigoroso e sistemático, mas o de simplesmente conseguir alguma familiaridade com o pensamento didático, pedagógico e político de Paulo Feire. Para isto, foi necessário empreender um projeto de leitura extensiva de 24 (vinte e quatro) livros em Português e 11 (onze) livros em Espanhol.
Ao começar com os livros em Português, conveio priorizar o icônico Pedagogia do Oprimido. Não raro, as pessoas que nada ou pouco conhecem sobre a vida e obra de Freire, mediante leitura, o conhecem apenas pela referência da obra Pedagogia do Oprimido, como se se tratasse da sua primeira e última obra. Porém, Paulo Freire escreveu dezenas de livros que merecem igual menção honrosa como o da Pedagogia do Oprimido.
Finda a leitura dos livros que tinha disponível em Português, o percurso continuou com os livros em Espanhol que não estavam disponíveis na Língua Portuguesa. Assim, para conseguir a tão desejada familiaridade com o pensamento de Freire, foram necessários, para o meu caso, a leitura de 35 (trinta e cinco) livros seus.
No dia 28 de Agosto de 2025, termino o percurso de familiaridade simples, porém, não simplista, conforme diria Freire, com a filosofia educativa do autor lendo a obra Pedagogía de los Suenos Posibles.
Neste pequeno texto, que agora disponibilizo ao Jornal Cultural ROL e aos meus leitores e leitoras, aos quais muito estimo, mais do que simplesmente registar a memória de uma trajetória de leitura que visava compreender a ontologia, axiologia e epistemologia de Paulo Freire, o texto também se propõe como um exercício de síntese de um período de leitura-estudo. O texto pretende igualmente despertar o interesse dos leitores e leitoras para o estudo das obras de Freire e, muito objetivamente, é intensão do autor fornecer uma espécie de visão geral do pensamento freiriano, embora não se pretenda completa.
Dentre vários assuntos tratados por Paulo Freire em suas obras, que na sua maioria se consubstanciam em diálogos, cartas e conferências, constam:
A educação como um ato político;A prática educativa como intrinsecamente dialógica e dialética;
A educação como um quefazer cultural e revolucionário e não reacionário;
A denúncia da prática educativa como uma prática ideologicamente não neutra;
Uma séria crítica ao sistema educativo tradicional e bancário como não sendo verdadeira educação, mas um ato de domesticação e manutenção do poder que a minoritária classe dominante exerce sobre a esmagadora classe dominada;
A educação como ato de conscientização e de alcance à liberdade de pensamento, de manifestação e de construção e reconstrução do mundo;
A necessidade da invenção e reinvenção educativa como processo histórico, etc, etc.
Paulo Freire é digno das menções honrosas que lhe são feitas no mundo todo, dada sua justa luta e conquistas na educação, com e em favor das classes oprimidas.
É necessário sonhar, porque é impossível existir como ser humano sem sonhos. É necessário lutar destemidamente pelos sonhos para que eles se tornem realidades. Somado ao destemor, é necessário persistência, sabedoria, fé, amor e ética enquanto se luta justamente para a humanização do mundo que a todos nós acolhe.
Mudar é difícil, mas é possível!
José Ngola Carlos, Msc.
Malanje, 27 de março de 2026
Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:3). Mudar é Difícil, mas é Possível! Brasil: Jornal Cultural ROL.
José Ngola Carlos: Artigo ‘Deformação universitária’
Kamuenho NgululiaImagem criada por IA do Bing – 25 de fevereiro de 2026, às 08:18 PM
Este artigo de reflexão, apesar da linguagem contundente, se propõe a começar um diálogo que penso ser necessário e que, se considerado seriamente, pode resultar em melhorias institucionais e sociais.
No meu entender, a maior expressão da incompetência das nossas universidades, as universidades angolanas, encontra-se no fato de que, findo o processo formativo, as/os estudantes universitárias/os são incapazes de produzir textos simples, como uma redação (produção textual) sobre qualquer tema que seja, de modo coerente e coeso. Disto resulta a intransponível dificuldade que é para elas e eles elaborar a própria monografia ou trabalho de fim de curso (também conhecido como trabalho de conclusão de curso – TCC).
Esta inabilidade vem se transformando em uma irresponsabilidade ético-moral por parte das/os estudantes, bem como das instituições de ensino superior.
Neste ponto, é conveniente destacar que, serem chamadas instituições de formação superior também é objeto de questionamento que consta do bojo desta pauta textual sob as indagações: o que torna efetivamente as nossas universidades diferentes das nossas escolas primárias, quando nelas também temos universitárias/os que mal leem e escrevem, assim como professoras/es de competências questionáveis?!
Por outro lado, o que torna realmente as nossas universidades diferentes das nossas escolas secundárias, quando nelas também temos uma formação universitária que se reduz à reprodução ao invés de uma produção científica séria, professoras/es que nada escrevem ou publicam, e as/os poucas/os que publicam, fazem-no descompromissados com a qualidade?!
A irresponsabilidade ética dos alunos e alunas se traduz na recorrente prática da encomenda por monografias. Lamentavelmente, esta é a nossa realidade, uma soma absurda de estudantes não são autoras/es de seus próprios trabalhos de fim de curso, o que percebo ser uma grave falta moral que deveria produzir sério peso de consciência nos seus praticantes, mas, como devem imaginar, nem isto acontece. Muito pelo contrário, vibramos com as notas que são atribuídas a estes trabalhos, mesmo não resultando do esforço e inteligência pessoais.
Conforme percebo, a prática da encomenda de monografias além de denunciar a incompetência das nossas universidades e das/os estudantes que delas saem, é um ato de irresponsabilidade e fraude acadêmica, o que para mim, equivale a pedir que alguém faça uma prova no lugar de outro/a.
A irresponsabilidade ética das instituições se traduz no fato de que nenhum esforço é feito para se garantir que os trabalhos sejam efetivamente feitos pelas/os estudantes, porque não raro, os tutores deixam as/os tutorandas/os a sua sorte e, em certos casos, estes fazem os trabalhos pelas/os estudantes. Não obstante a tudo isto, nenhuma medida cautelar ou de verificação é usada para prevenir ou identificar fraudes, senão o plágio, o que denuncia a ignorância das instituições em relação às monografias encomendadas.
Portanto, há aqui toda uma necessidade de se pensar e repensar constantemente a nossa educação a todos os níveis. Como sublinha Sheila Pinho, in Oficinas de Estudos Pedagógicos: Reflexões sobre a Prática do Ensino Superior (2008), a educação tem como fim último a humanização dos homens e das mulheres, pelo que, é sob a base das suas necessidades de maior e melhor humanização que toda planificação, execução e avaliação educativa se deveria assentar.
Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:2). Deformação Universitária. Brasil: Jornal CulturalROL.
Kamuenho NgululiaImagem criada por IA do Bing – 26 de janeiro de 2025, às 19:30 PM
O que é que os incompetentes já fizeram para a humanidade?!
À primeira vista, a resposta é: NADA! Mas, com um pouco de ponderação, percebe-se que esta pode não ser a resposta mais correta. Os incompetentes sempre desencorajaram os empreendimentos revolucionários, criativos e inovadores sob a alegação de que, já tendo se inventado tudo, nada mais é possível de se inventar.
Sim, este discurso é um discurso da incompetência!
O que é incompetência?
Com a vossa licença, vamos defini-lo a partir da noção de competência. Competência é um termo que compreende o conjunto de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade, visando dar uma resposta satisfatória a uma situação-problema. Deste ponto de vista, a incompetência, que morfologicamente resulta da combinação do prefixo IN e a palavra COMPETÊNCIA, pode ser entendida como a falta de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade que impede os homens e as mulheres de dar uma resposta satisfatória aos problemas.
Pensar que já não existe nada que se possa criar ou inventar porque tudo já foi inventado, é um discurso que só os incompetentes fazem porque, à luz da MATESE (Ciência Filosófico-Educativa do Aprender Humano) e da ESCOPESE (Ciência Filosófico-Educativa da Avaliação), OS SERES HUMANOS SÃO ONTOLOGICAMENTE SERES QUE SE FAZEM SENDO dentro de um determinado curso histórico e geográfico. FAZER-SE SENDO remete-nos a clara noção de que os homens e as mulheres são seres incompletos. Sua incompletude é uma caraterística ontogenética que lhes é indissociável e lhes abre uma infinidade de possibilidades de criação e inovação, pelo que, não existe nenhum fundamento válido para o discurso de que já não há nada que se possa criar ou inventar.
Vê-se que, se este discurso fosse verdadeiro, haveria toda uma necessidade de se mudar a concepção, cientificamente comprovada, da natureza inacabada do ser humana, o que, de resto, tem fortes implicações nas suas capacidades e habilidades, assim como amplia seu leque de infinitas possiblidades de reflexão, saber e atuação.
Este discurso impeditivo e irresponsável, é um que não é peculiar à nossa época, porque desde sempre houveram incompetentes no mundo. Enquanto o ser humano for este ser inacabado, aberto a infinidades de ser, saber e fazer, nunca se dará por completo e acabado.
Que, os que se prezam e prezam o desenvolvimento social, continuem a desafiar e a se desafiar na invenção de coisas, pensamentos e novos valores!
OBS.: Tanto a MATESE quanto a ESCOPE são pensamentos filosófico-educativos inéditos do professor e pesquisador angolano José Ngola Carlos, que os entende como complementos necessários da DIDÁTICA (Ciência que se ocupa com o estudo dos saberes, fazeres e valores pertinentes ao ensino), formando a composição tripartida e elementar da PEDAGOGIA (Ciência da Educação).
José Ngola Carlos, Msc.
Malanje, 26 de janeiro de 2026
Como citar este artigo:
Carlos, J. N. (2026:1). O Discurso da Incompetência! Brasil: Jornal Cultural ROL.