Os desafios dos professores de línguas!

José Ngola Carlos

‘Os desafios dos professores de línguas!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por Ia do Bing – 29 de abril de 2026, às 14:07 PM

Criticar todos sabemos fazer, porém, sugerir melhorias é o empreendimento que muitos ignoram, quer por incompetência, quer por negligência.

Neste texto será construída, não uma crítica indiscriminada aos professores de Inglês das escolas públicas, público-privadas e privadas de Angola, mas pretenderemos convidar à reflexão em torno da nossa prática como professores de língua, visando a nossa melhoria contínua. Não obstante a referência aos professores de Língua Inglesa, percebemos que, o conteúdo deste texto poderá ser útil a todos os professores de línguas.

O que se observa nas escolas de Angola é que, a exemplo do II Ciclo do Ensino Secundário, o que não é exceção, os alunos frequentam as aulas de Inglês, num período de três (3) anos e, para a surpresa de todos os agentes educativos, quase que saem crus e nus, conforme antes de as frequentarem, porque, nem o básico do primeiro nível (A1) se consegue alcançar. Não raro, comparado aos Centros de Formação Profissional, em que trabalho extraordinário tem sido feito, a justificativa sempre foi: “nos centros têm mais tempo de estudo das línguas”. Por outro lado, “os alunos veem à escola sem motivação para as aulas de línguas, o que não acontece em relação aos centros de formação, onde vão já motivados”. O nosso questionamento, portanto, é: será?! Poderia haver alguma pitada de verdade nesta maneira de pensar?! Vamos aos fatos, por favor!

Comecemos com a primeira justificativa:

“Meus alunos e alunas só não aprendem Inglês porque tenho poucos tempos letivos por semana”

O professor e a professora do II Ciclo do Ensino Secundário têm três (3) tempos letivos por semana, correspondentes à duas (2) horas e quinze (15) minutos. Este número de horas multiplicado por quatro (4), correspondente a um (1) mês, dá-nos nove (9) horas/mês. Estas horas multiplicadas pelo trimestre, corresponde a vinte e sete (27) horas que, multiplicada pelo ano, tem-se aproximadamente sessenta e três (63) horas/ano (considerando o ano acadêmico como se tivesse sete (7) meses). E, se considerarmos o ciclo de formação de três (3) anos, teremos à disposição dos professores/as de línguas, cento e oitenta e nove (189) horas. Disto, o nosso questionamento é: Com 189 horas à disposição, ainda assim, tem-se pouco tempo para fazer os alunos aprender?! Não é possível o alcance do nível mínimo de formação neste período, se trabalhado eficiente e eficazmente?!

O cético dirá: “nos centros de formação tem-se mais tempo, o que não permite a comparação da produtividade”

Então vejamos! Os Centros de Formação Profissional, não raro, e aqui falo tendo em conta a nossa experiência pessoal, os formandos têm uma (1) hora diariamente, o que perfaz cinco (5) horas semanais e 20 horas mensais, dando um total de sessenta (60) a oitenta (80) horas para a transição de níveis. O nosso questionamento segue sendo: quantas vezes é possível retirar sessenta (60) de cento e oitenta e nove (189) horas?! Resposta: três (3) vezes. O que é que isto quer dizer?!

Os dados provam que, se trabalhados com seriedade metodológica e genuíno amor pelo trabalho e pelos estudantes, o Currículo Nacional permite o alcance do nível três (A3) em Inglês, e nas outras línguas.

O cético, não convencido, muito provavelmente porque não entendeu ou não quer entender, dirá: “mas, os alunos das escolas públicas nunca estão motivados e demonstram pouco interesse na aprendizagem”.

Façamos o seguinte, professor/a: vá, leia e estude as diversas teorias da motivação humana aplicadas na educação e depois falamos.

Muito obrigado pelo seu tempo de leitura, meu caro leitor e minha cara leitora! Até mais!

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:4). Os Desafios dos Professores de Línguas! Brasil: Jornal Cultural ROL.

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 29 de abril de 2026

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Mudar é difícil, mas é possível!

José Ngola Carlos: ”Mudar é difícil, mas é possível!’

Kamuenho Ngululia
José Ngola Carlos
Paulo Freire – Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c82da8-bc0c-83e9-95b4-5bd6d8355450

Agora, sim, Paulo Freire me é familiar!

O empreendimento não foi de estudo rigoroso e sistemático, mas o de simplesmente conseguir alguma familiaridade com o pensamento didático, pedagógico e político de Paulo Feire. Para isto, foi necessário empreender um projeto de leitura extensiva de 24 (vinte e quatro) livros em Português e 11 (onze) livros em Espanhol.

Ao começar com os livros em Português, conveio priorizar o icônico Pedagogia do Oprimido. Não raro, as pessoas que nada ou pouco conhecem sobre a vida e obra de Freire, mediante leitura, o conhecem apenas pela referência da obra Pedagogia do Oprimido, como se se tratasse da sua primeira e última obra. Porém, Paulo Freire escreveu dezenas de livros que merecem igual menção honrosa como o da Pedagogia do Oprimido.

Finda a leitura dos livros que tinha disponível em Português, o percurso continuou com os livros em Espanhol que não estavam disponíveis na Língua Portuguesa. Assim, para conseguir a tão desejada familiaridade com o pensamento de Freire, foram necessários, para o meu caso, a leitura de 35 (trinta e cinco) livros seus.

No dia 28 de Agosto de 2025, termino o percurso de familiaridade simples, porém, não simplista, conforme diria Freire, com a filosofia educativa do autor lendo a obra Pedagogía de los Suenos Posibles.

Neste pequeno texto, que agora disponibilizo ao Jornal Cultural ROL e aos meus leitores e leitoras, aos quais muito estimo, mais do que simplesmente registar a memória de uma trajetória de leitura que visava compreender a ontologia, axiologia e epistemologia de Paulo Freire, o texto também se propõe como um exercício de síntese de um período de leitura-estudo. O texto pretende igualmente despertar o interesse dos leitores e leitoras para o estudo das obras de Freire e, muito objetivamente, é intensão do autor fornecer uma espécie de visão geral do pensamento freiriano, embora não se pretenda completa.

Dentre vários assuntos tratados por Paulo Freire em suas obras, que na sua maioria se consubstanciam em diálogos, cartas e conferências, constam:

  1. A educação como um ato político;A prática educativa como intrinsecamente dialógica e dialética;
  2. A educação como um quefazer cultural e revolucionário e não reacionário;
  3. A denúncia da prática educativa como uma prática ideologicamente não neutra;
  4. Uma séria crítica ao sistema educativo tradicional e bancário como não sendo verdadeira educação, mas um ato de domesticação e manutenção do poder que a minoritária classe dominante exerce sobre a esmagadora classe dominada;
  5. A educação como ato de conscientização e de alcance à liberdade de pensamento, de manifestação e de construção e reconstrução do mundo;
  6. A necessidade da invenção e reinvenção educativa como processo histórico, etc, etc.

Paulo Freire é digno das menções honrosas que lhe são feitas no mundo todo, dada sua justa luta e conquistas na educação, com e em favor das classes oprimidas.

É necessário sonhar, porque é impossível existir como ser humano sem sonhos. É necessário lutar destemidamente pelos sonhos para que eles se tornem realidades. Somado ao destemor, é necessário persistência, sabedoria, fé, amor e ética enquanto se luta justamente para a humanização do mundo que a todos nós acolhe.

Mudar é difícil, mas é possível!

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 27 de março de 2026

Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:3). Mudar é Difícil, mas é Possível! Brasil: Jornal Cultural ROL.

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Deformação universitária

José Ngola Carlos: Artigo ‘Deformação universitária’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do Bing – 25 de fevereiro de 2026,
às 08:18 PM

Este artigo de reflexão, apesar da linguagem contundente, se propõe a começar um diálogo que penso ser necessário e que, se considerado seriamente, pode resultar em melhorias institucionais e sociais.

No meu entender, a maior expressão da incompetência das nossas universidades, as universidades angolanas, encontra-se no fato de que, findo o processo formativo, as/os estudantes universitárias/os são incapazes de produzir textos simples, como uma redação (produção textual) sobre qualquer tema que seja, de modo coerente e coeso. Disto resulta a intransponível dificuldade que é para elas e eles elaborar a própria monografia ou trabalho de fim de curso (também conhecido como trabalho de conclusão de curso – TCC).

Esta inabilidade vem se transformando em uma irresponsabilidade ético-moral por parte das/os estudantes, bem como das instituições de ensino superior.

Neste ponto, é conveniente destacar que, serem chamadas instituições de formação superior também é objeto de questionamento que consta do bojo desta pauta textual sob as indagações: o que torna efetivamente as nossas universidades diferentes das nossas escolas primárias, quando nelas também temos universitárias/os que mal leem e escrevem, assim como professoras/es de competências questionáveis?!

Por outro lado, o que torna realmente as nossas universidades diferentes das nossas escolas secundárias, quando nelas também temos uma formação universitária que se reduz à reprodução ao invés de uma produção científica séria, professoras/es que nada escrevem ou publicam, e as/os poucas/os que publicam, fazem-no descompromissados com a qualidade?!

A irresponsabilidade ética dos alunos e alunas se traduz na recorrente prática da encomenda por monografias. Lamentavelmente, esta é a nossa realidade, uma soma absurda de estudantes não são autoras/es de seus próprios trabalhos de fim de curso, o que percebo ser uma grave falta moral que deveria produzir sério peso de consciência nos seus praticantes, mas, como devem imaginar, nem isto acontece. Muito pelo contrário, vibramos com as notas que são atribuídas a estes trabalhos, mesmo não resultando do esforço e inteligência pessoais.

Conforme percebo, a prática da encomenda de monografias além de denunciar a incompetência das nossas universidades e das/os estudantes que delas saem, é um ato de irresponsabilidade e fraude acadêmica, o que para mim, equivale a pedir que alguém faça uma prova no lugar de outro/a.

A irresponsabilidade ética das instituições se traduz no fato de que nenhum esforço é feito para se garantir que os trabalhos sejam efetivamente feitos pelas/os estudantes, porque não raro, os tutores deixam as/os tutorandas/os a sua sorte e, em certos casos, estes fazem os trabalhos pelas/os estudantes. Não obstante a tudo isto, nenhuma medida cautelar ou de verificação é usada para prevenir ou identificar fraudes, senão o plágio, o que denuncia a ignorância das instituições em relação às monografias encomendadas.

Portanto, há aqui toda uma necessidade de se pensar e repensar constantemente a nossa educação a todos os níveis. Como sublinha Sheila Pinho, in Oficinas de Estudos Pedagógicos: Reflexões sobre a Prática do Ensino Superior (2008), a educação tem como fim último a humanização dos homens e das mulheres, pelo que, é sob a base das suas necessidades de maior e melhor humanização que toda planificação, execução e avaliação educativa se deveria assentar.

Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:2). Deformação Universitária. Brasil: Jornal Cultural ROL.

José Ngola Carlos, Msc,

Malanje, 25 de vevereiro de 2026

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O discurso da incompetência

José Ngola Carlos: ‘O discurso da incompetência!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do Bing – 26 de janeiro de 2025,
às 19:30 PM

O que é que os incompetentes já fizeram para a humanidade?!

À primeira vista, a resposta é: NADA! Mas, com um pouco de ponderação, percebe-se que esta pode não ser a resposta mais correta. Os incompetentes sempre desencorajaram os empreendimentos revolucionários, criativos e inovadores sob a alegação de que, já tendo se inventado tudo, nada mais é possível de se inventar.

Sim, este discurso é um discurso da incompetência!

O que é incompetência?

Com a vossa licença, vamos defini-lo a partir da noção de competência. Competência é um termo que compreende o conjunto de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade, visando dar uma resposta satisfatória a uma situação-problema. Deste ponto de vista, a incompetência, que morfologicamente resulta da combinação do prefixo IN e a palavra COMPETÊNCIA, pode ser entendida como a falta de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade que impede os homens e as mulheres de dar uma resposta satisfatória aos problemas.

Pensar que já não existe nada que se possa criar ou inventar porque tudo já foi inventado, é um discurso que só os incompetentes fazem porque, à luz da MATESE (Ciência Filosófico-Educativa do Aprender Humano) e da ESCOPESE (Ciência Filosófico-Educativa da Avaliação), OS SERES HUMANOS SÃO ONTOLOGICAMENTE SERES QUE SE FAZEM SENDO dentro de um determinado curso histórico e geográfico. FAZER-SE SENDO remete-nos a clara noção de que os homens e as mulheres são seres incompletos. Sua incompletude é uma caraterística ontogenética que lhes é indissociável e lhes abre uma infinidade de possibilidades de criação e inovação, pelo que, não existe nenhum fundamento válido para o discurso de que já não há nada que se possa criar ou inventar.

Vê-se que, se este discurso fosse verdadeiro, haveria toda uma necessidade de se mudar a concepção, cientificamente comprovada, da natureza inacabada do ser humana, o que, de resto, tem fortes implicações nas suas capacidades e habilidades, assim como amplia seu leque de infinitas possiblidades de reflexão, saber e atuação.

Este discurso impeditivo e irresponsável, é um que não é peculiar à nossa época, porque desde sempre houveram incompetentes no mundo. Enquanto o ser humano for este ser inacabado, aberto a infinidades de ser, saber e fazer, nunca se dará por completo e acabado.

Que, os que se prezam e prezam o desenvolvimento social, continuem a desafiar e a se desafiar na invenção de coisas, pensamentos e novos valores!

OBS.: Tanto a MATESE quanto a ESCOPE são pensamentos filosófico-educativos inéditos do professor e pesquisador angolano José Ngola Carlos, que os entende como complementos necessários da DIDÁTICA (Ciência que se ocupa com o estudo dos saberes, fazeres e valores pertinentes ao ensino), formando a composição tripartida e elementar da PEDAGOGIA (Ciência da Educação).

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de janeiro de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:1). O Discurso da Incompetência! Brasil: Jornal Cultural ROL.

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Paulo Freire e as dimensões da prática educativa

José Ngola Carlos

Artigo ‘Paulo Freire e as dimensões da prática educativa’

Imagem criada por IA 1do Bing – 3 de dezembro de 2025,
às 10:56 AM

Este texto é uma resenha científica que tem como objetivos: ‘1. Apresentar, sucintamente, a visão geral da obra Pedagogía de la Toleracia de Paulo Freire e 2. Analisar a pertinência da classificação que Freire faz sobre as quatro dimensões da prática educativa.

    A Pedagogía de la Toleracia é uma obra póstuma de Paulo Freire e resulta da compilação dos escritos do autor por sua segunda esposa, Ana Maria Araújo Freire, ou simplesmente Nita. Publicado em Espanhol em 2006, pelo CREFAL, Centro de Cooperación Regional para la Educación de Adultos en América Latina y el Caribe, o livro contém 337 páginas e encontra-se dividido em 8 partes que se subdividem em partes menores.

    Conforme anunciado pelo título da obra, o livro trata, fundamentalmente, da concepção, ontologia e axiologia no exercício da tolerância como uma necessidade na relação entre sujeitos diferentes que se encontram no mundo e com o mundo.

    Paulo Freire percebe que a tolerância pode ser concebida sob duas perspectivas:

    1. Tolerância sob a perspectiva vertical e
    2. Tolerância sob a perspectiva horizontal.

    Para o autor, sob a perspectiva vertical, a tolerância se apresenta como um favor que, na relação de sujeitos, um se entende superior ao outro e tolera o inferior, na sua convivência com ele. Pelo que, a tolerância vertical é caracteristicamente antidialógica e desrespeita o direito de outros de assumirem uma posição diferente daqueles que se julgam estar com a verdade, mas que precisam se condescender da posição de outrem.

    A perspectiva horizontal da tolerância considera que o mundo faz-se na diferença, uma diferença que precisa dialogar, sem hegemonias, com as outras diferenças para que haja melhoria no modo de pensar, estar, ser e agir. Assim, sob este prisma, a tolerância é caracterizada pela abertura mental dos envolvidos em compreender o outro e com ele saber conviver, sem a imposição vertical de uma verdade unilateral.

    Conforme anunciado na parte introdutória desta resenha, Paulo Freire não limita a sua abordagem, no livro em análise, a um estudo exaustivo da tolerância, dentre vários assuntos, Freire também apresenta a sua classificação sumária das dimensões da prática educativa. Para o autor, são 4 as dimensões:

    1. Dimensão gnosiológica
    2. Dimensão estética
    3. Dimensão ética e
    4. Dimensão política

    Literalmente, a palavra gnosiologia pode ser dividida em duas partes: gnose + logia, sendo, contudo, gnose a referência ao conhecimento e logia, estudo ou teoria. Pelo que, é possível definir gnosiologia como sendo a teoria do conhecimento. Desta forma, a dimensão gnosiológica da prática educativa lida com o fato de que não há educação sem a presença de um OBJETO e sujeitos que se educam. Para a prática educativa é indispensável que os envolvidos se eduquem mediante certo conhecimento. Assim, é somente razoável a observação de que, para educar, é preciso algum domínio do saber mediante o qual o ato educativo acontecerá.

    A estética lida com a compreensão e definição do belo. Conforme sublinha Paulo Freire, educar também é arte e o educador ou a educadora são artistas que, junto do educando, se ariscam com curiosidade, responsabilidade, amor, esperança e criatividade no processo de lapidar e se deixar lapidar. Assim, a dimensão estética diz respeito ao COMO apaixonada e entusiasticamente os envolvidos no processo educativo deverão comportar-se para que o próprio ato em si não seja enfadonho e os objetivos não sejam concretizados. Afinal, como diz o autor, uma sala de aula sem emoção, sem alegria, inviabiliza o projeto didático-pedagógico.

    Junto da dimensão estética anda a dimensão ética, que também lida com o COMO deve ocorrer o processo educativo. Porém, diferente da estética que se interessa pela beleza do ato didático, a ética lida com a coerência entre o que se assume ser e o que se mostra ser. A dimensão ética da prática educativa preocupa-se também com o exercício dos valores morais comprovadamente corretos.

    Por fim, Freire aborda a dimensão política do ato educativo. Para o autor, todo agente educativo é um agente político e todo político é um educador. Não é possível dicotomizar a política da educação e a educação da política, ambas andam sempre juntas. Possuir, a educação, uma dimensão política, significa que toda prática educativa pressupõe a existência de um ideal e da sua consequente concretização. Sendo que a educação não acontece em um vácuo ideológico, existe sempre uma diretividade anunciada, ou não, no ato educativo. Esta diretividade, não raro, denuncia a favor de quem e contra quem se educa, ante aquela ideologia que serve de objeto de educação.

    Dada a pertinência do livro, o autor desta resenha o recomenda veementemente!

    José Ngola Carlos, Msc.

    Malanje, 13 de dezembro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:12). Paulo Freire e as Dimensões da Prática Educativa. Brasil: Jornal Cultural ROL.

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    Cooperar é melhor que competir!

    José Ngola Carlos: ‘Cooperar é melhor que competir’

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
    Imagem criada por IA do Bing, em em 4 de dezembro de 2025, às 16:09 PM
    Imagem criada por IA do Bing, em em 4 de dezembro de 2025,
    às 16:09 PM*

    A vida em comunidade é uma que se faz melhor cooperando e não competindo. Cooperar é um ato coletivo com aspirações ao ganho comum ou de todos. Competir, por seu turno, é um ato igualmente coletivo, porém, com aspirações ao ganho individual ou particular.

    O ego individual enfuna-se, muito mais facilmente, com a competição do que com a cooperação. Por ego individual quer-se dizer, a falsa noção de ‘eu’ que se separa de outros e do mundo, percebendo-se melhor, com a excessiva autoestima, ou pior, com a baixa autoestima.

    O sentido de identidade, isolada do todo existencial, não acontece apenas aos indivíduos. As sociedades ou comunidades humanas também enfermam-se com o cultivo do ego comunal ou social. Este ego, conforme se identifica pelo nome, diz respeito ao desejo das sociedades de apartarem-se de outras ou do mundo, percebendo-se melhores ou piores.

    Tal como o ato cooperativo não apela fortemente ao ego individual, o mesmo acontece com o ego comunal. Na sua individualidade, tanto as pessoas singulares quanto as pessoas coletivas, não são entidades com vida sem fim ou perene. Elas nascem, desenvolvem-se e morrem. Pelo que, para os seres de inteligência, competir é um ato de violência desnecessário porque se percebe que, no final, tanto a/o vencedor/a, quanto a/o perdedor/a terão o mesmo destino.

    Só na cooperação é que os indivíduos e as sociedades se desenvolvem plena e harmoniosamente. A competição desenfreada e irresponsável, por seu turno, enferma os indivíduos, satisfaz mais ao ego do que ao desenvolvimento pessoal, social e planetário e causa pesares desnecessários.

    A existência, a todos nós pode prover. Talvez conviesse competir em um mundo onde os recursos fossem escassos, mas a nossa realidade é diferente. No mundo em que vivemos, os recursos se escasseiam com a falta de produção ou com a pouca produção, pelo que, e neste sentido, cooperar, ao invés de competir, é a melhor estratégia de sobrevivência.

    José Ngola Carlos, Msc

    Malanje, 4 de dezembro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:11). Cooperar é Melhor que Competir! Brasil: Jornal Cultural ROL.

    ** Fonte da imagem: https://www.bing.com/images/create/pessoas-de-vc3a1rias-culturas-felizes-e-envolvidas-na/1-69316965fc5241dfb986a2aff11721b2?id=G6ImkMx4OkBdQPeMck4Spw.KbJahzV3zqgl%2BsJP9lmZMQ&view=detailv2&idpp=genimg&thid=OIG4.VYFQ7oAZHUEGI5Cu.IYV&sm=1&mdl=0&ar=1&skey=EKhn9CWi2gsIWFf3FZtfeMS5fHju8imqOKmbEdGuQGQ&form=GCRIDP

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    A mania de sermos todos doutores!

    José Ngola Carlos: ‘A mania de sermos todos doutores!

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
    Imagem criada pela IA do Bing
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    “A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato,”

    Em Angola, a realidade acadêmica que vivo, conheço e que, portanto, tenho direito de dizer uma palavra, o título Doutor ganhou uma tal proliferação que, não tarda, a sua utilização se tornará prolixa, enfadonha e/ou fastidiosa. Em meio a ter que chamar a todo mundo de Doutor, uns, nem mesmo medem as palavras e, saem a dizer: ´Dotor´ e ´Doctor´ como se de Português também se tratasse.

    Este artigo, como é possível inferir, é uma crítica à esta mania de quem quer a todos agradar, deixando de reconhecer a real condição da pessoa com quem fala, atribuindo-a nomes que lisonjeiam e inflamam o ego de quem nada fez para merecer a honra que se deve ao título.

    Na academia existem graduações, e estas graduações ou níveis, encontram-se dispostos de forma hierárquica. A nossa legislação, a angolana, prevê, dentre outros, os seguintes níveis:

    1. Técnico Médio
    2. Licenciado/a
    3. Mestre e
    4. Doutor/a

    Como é possível ver, todos eles não são doutores. O título de Doutor é a mais alta consagração atribuída àqueles e àquelas que, com muito esforço, dedicação, comprometimento e amor ao saber, terminam com êxito o programa de doutoramento por uma universidade. Ser doutor não é um título gratuito, requer competências e responsabilidades.

    Este artigo, além de ser uma crítica à iniciativa de chamar gratuitamente a todo mundo de Doutor, o que tende a banalizar o próprio título e, consequentemente, desmerecer quem o conseguiu com muitos sacrifícios que envolvem tempo, esforço, dinheiro, desgaste emocional, etc., aproveita-se aqui fazer uma homenagem calorosa a todos que de fato o são, seja por se ter cursado um programa de doutoramento ou mediante a atribuição por causas honoríficas. Está de parabéns, Doutor! Está de parabéns, Doutora!

    Já agora, você que é Técnico Médio, saiba que você não é Doutor. O Licenciado e a Licenciada não são doutores. O Mestre não é Doutor e não há desonra nisto. Podemos ser técnicos médios assumidos com honra porque dominamos a especialidade na qual nos formamos. Podemos ser licenciados e mestres com orgulho de sê-lo porque adquirimos as competências durante a formação que nos identificam como tais. Não há vergonha em não sermos doutores. Vergonhoso é chamar a quem não é doutor, doutor, só para inflá-lo o ego. Vergonhoso é aceitar ser chamado doutor sem sê-lo!

    A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato que, apenas inflama de forma muito barata o ego de quem não o é e, aos poucos, vai banalizando o título e as pessoas que com muita honra o conseguiram e o merecem!

    José Ngola Carlos

    Malanje, 24 de Outubro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:10). A Mania de Sermos Todos Doutores! Brasil: Jornal Cultural – ROL.