O discurso da incompetência

José Ngola Carlos: ‘O discurso da incompetência!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do Bing – 26 de janeiro de 2025,
às 19:30 PM

O que é que os incompetentes já fizeram para a humanidade?!

À primeira vista, a resposta é: NADA! Mas, com um pouco de ponderação, percebe-se que esta pode não ser a resposta mais correta. Os incompetentes sempre desencorajaram os empreendimentos revolucionários, criativos e inovadores sob a alegação de que, já tendo se inventado tudo, nada mais é possível de se inventar.

Sim, este discurso é um discurso da incompetência!

O que é incompetência?

Com a vossa licença, vamos defini-lo a partir da noção de competência. Competência é um termo que compreende o conjunto de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade, visando dar uma resposta satisfatória a uma situação-problema. Deste ponto de vista, a incompetência, que morfologicamente resulta da combinação do prefixo IN e a palavra COMPETÊNCIA, pode ser entendida como a falta de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade que impede os homens e as mulheres de dar uma resposta satisfatória aos problemas.

Pensar que já não existe nada que se possa criar ou inventar porque tudo já foi inventado, é um discurso que só os incompetentes fazem porque, à luz da MATESE (Ciência Filosófico-Educativa do Aprender Humano) e da ESCOPESE (Ciência Filosófico-Educativa da Avaliação), OS SERES HUMANOS SÃO ONTOLOGICAMENTE SERES QUE SE FAZEM SENDO dentro de um determinado curso histórico e geográfico. FAZER-SE SENDO remete-nos a clara noção de que os homens e as mulheres são seres incompletos. Sua incompletude é uma caraterística ontogenética que lhes é indissociável e lhes abre uma infinidade de possibilidades de criação e inovação, pelo que, não existe nenhum fundamento válido para o discurso de que já não há nada que se possa criar ou inventar.

Vê-se que, se este discurso fosse verdadeiro, haveria toda uma necessidade de se mudar a concepção, cientificamente comprovada, da natureza inacabada do ser humana, o que, de resto, tem fortes implicações nas suas capacidades e habilidades, assim como amplia seu leque de infinitas possiblidades de reflexão, saber e atuação.

Este discurso impeditivo e irresponsável, é um que não é peculiar à nossa época, porque desde sempre houveram incompetentes no mundo. Enquanto o ser humano for este ser inacabado, aberto a infinidades de ser, saber e fazer, nunca se dará por completo e acabado.

Que, os que se prezam e prezam o desenvolvimento social, continuem a desafiar e a se desafiar na invenção de coisas, pensamentos e novos valores!

OBS.: Tanto a MATESE quanto a ESCOPE são pensamentos filosófico-educativos inéditos do professor e pesquisador angolano José Ngola Carlos, que os entende como complementos necessários da DIDÁTICA (Ciência que se ocupa com o estudo dos saberes, fazeres e valores pertinentes ao ensino), formando a composição tripartida e elementar da PEDAGOGIA (Ciência da Educação).

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de janeiro de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:1). O Discurso da Incompetência! Brasil: Jornal Cultural ROL.

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Paulo Freire e as dimensões da prática educativa

José Ngola Carlos

Artigo ‘Paulo Freire e as dimensões da prática educativa’

Imagem criada por IA 1do Bing – 3 de dezembro de 2025,
às 10:56 AM

Este texto é uma resenha científica que tem como objetivos: ‘1. Apresentar, sucintamente, a visão geral da obra Pedagogía de la Toleracia de Paulo Freire e 2. Analisar a pertinência da classificação que Freire faz sobre as quatro dimensões da prática educativa.

    A Pedagogía de la Toleracia é uma obra póstuma de Paulo Freire e resulta da compilação dos escritos do autor por sua segunda esposa, Ana Maria Araújo Freire, ou simplesmente Nita. Publicado em Espanhol em 2006, pelo CREFAL, Centro de Cooperación Regional para la Educación de Adultos en América Latina y el Caribe, o livro contém 337 páginas e encontra-se dividido em 8 partes que se subdividem em partes menores.

    Conforme anunciado pelo título da obra, o livro trata, fundamentalmente, da concepção, ontologia e axiologia no exercício da tolerância como uma necessidade na relação entre sujeitos diferentes que se encontram no mundo e com o mundo.

    Paulo Freire percebe que a tolerância pode ser concebida sob duas perspectivas:

    1. Tolerância sob a perspectiva vertical e
    2. Tolerância sob a perspectiva horizontal.

    Para o autor, sob a perspectiva vertical, a tolerância se apresenta como um favor que, na relação de sujeitos, um se entende superior ao outro e tolera o inferior, na sua convivência com ele. Pelo que, a tolerância vertical é caracteristicamente antidialógica e desrespeita o direito de outros de assumirem uma posição diferente daqueles que se julgam estar com a verdade, mas que precisam se condescender da posição de outrem.

    A perspectiva horizontal da tolerância considera que o mundo faz-se na diferença, uma diferença que precisa dialogar, sem hegemonias, com as outras diferenças para que haja melhoria no modo de pensar, estar, ser e agir. Assim, sob este prisma, a tolerância é caracterizada pela abertura mental dos envolvidos em compreender o outro e com ele saber conviver, sem a imposição vertical de uma verdade unilateral.

    Conforme anunciado na parte introdutória desta resenha, Paulo Freire não limita a sua abordagem, no livro em análise, a um estudo exaustivo da tolerância, dentre vários assuntos, Freire também apresenta a sua classificação sumária das dimensões da prática educativa. Para o autor, são 4 as dimensões:

    1. Dimensão gnosiológica
    2. Dimensão estética
    3. Dimensão ética e
    4. Dimensão política

    Literalmente, a palavra gnosiologia pode ser dividida em duas partes: gnose + logia, sendo, contudo, gnose a referência ao conhecimento e logia, estudo ou teoria. Pelo que, é possível definir gnosiologia como sendo a teoria do conhecimento. Desta forma, a dimensão gnosiológica da prática educativa lida com o fato de que não há educação sem a presença de um OBJETO e sujeitos que se educam. Para a prática educativa é indispensável que os envolvidos se eduquem mediante certo conhecimento. Assim, é somente razoável a observação de que, para educar, é preciso algum domínio do saber mediante o qual o ato educativo acontecerá.

    A estética lida com a compreensão e definição do belo. Conforme sublinha Paulo Freire, educar também é arte e o educador ou a educadora são artistas que, junto do educando, se ariscam com curiosidade, responsabilidade, amor, esperança e criatividade no processo de lapidar e se deixar lapidar. Assim, a dimensão estética diz respeito ao COMO apaixonada e entusiasticamente os envolvidos no processo educativo deverão comportar-se para que o próprio ato em si não seja enfadonho e os objetivos não sejam concretizados. Afinal, como diz o autor, uma sala de aula sem emoção, sem alegria, inviabiliza o projeto didático-pedagógico.

    Junto da dimensão estética anda a dimensão ética, que também lida com o COMO deve ocorrer o processo educativo. Porém, diferente da estética que se interessa pela beleza do ato didático, a ética lida com a coerência entre o que se assume ser e o que se mostra ser. A dimensão ética da prática educativa preocupa-se também com o exercício dos valores morais comprovadamente corretos.

    Por fim, Freire aborda a dimensão política do ato educativo. Para o autor, todo agente educativo é um agente político e todo político é um educador. Não é possível dicotomizar a política da educação e a educação da política, ambas andam sempre juntas. Possuir, a educação, uma dimensão política, significa que toda prática educativa pressupõe a existência de um ideal e da sua consequente concretização. Sendo que a educação não acontece em um vácuo ideológico, existe sempre uma diretividade anunciada, ou não, no ato educativo. Esta diretividade, não raro, denuncia a favor de quem e contra quem se educa, ante aquela ideologia que serve de objeto de educação.

    Dada a pertinência do livro, o autor desta resenha o recomenda veementemente!

    José Ngola Carlos, Msc.

    Malanje, 13 de dezembro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:12). Paulo Freire e as Dimensões da Prática Educativa. Brasil: Jornal Cultural ROL.

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    Cooperar é melhor que competir!

    José Ngola Carlos: ‘Cooperar é melhor que competir’

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
    Imagem criada por IA do Bing, em em 4 de dezembro de 2025, às 16:09 PM
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    às 16:09 PM*

    A vida em comunidade é uma que se faz melhor cooperando e não competindo. Cooperar é um ato coletivo com aspirações ao ganho comum ou de todos. Competir, por seu turno, é um ato igualmente coletivo, porém, com aspirações ao ganho individual ou particular.

    O ego individual enfuna-se, muito mais facilmente, com a competição do que com a cooperação. Por ego individual quer-se dizer, a falsa noção de ‘eu’ que se separa de outros e do mundo, percebendo-se melhor, com a excessiva autoestima, ou pior, com a baixa autoestima.

    O sentido de identidade, isolada do todo existencial, não acontece apenas aos indivíduos. As sociedades ou comunidades humanas também enfermam-se com o cultivo do ego comunal ou social. Este ego, conforme se identifica pelo nome, diz respeito ao desejo das sociedades de apartarem-se de outras ou do mundo, percebendo-se melhores ou piores.

    Tal como o ato cooperativo não apela fortemente ao ego individual, o mesmo acontece com o ego comunal. Na sua individualidade, tanto as pessoas singulares quanto as pessoas coletivas, não são entidades com vida sem fim ou perene. Elas nascem, desenvolvem-se e morrem. Pelo que, para os seres de inteligência, competir é um ato de violência desnecessário porque se percebe que, no final, tanto a/o vencedor/a, quanto a/o perdedor/a terão o mesmo destino.

    Só na cooperação é que os indivíduos e as sociedades se desenvolvem plena e harmoniosamente. A competição desenfreada e irresponsável, por seu turno, enferma os indivíduos, satisfaz mais ao ego do que ao desenvolvimento pessoal, social e planetário e causa pesares desnecessários.

    A existência, a todos nós pode prover. Talvez conviesse competir em um mundo onde os recursos fossem escassos, mas a nossa realidade é diferente. No mundo em que vivemos, os recursos se escasseiam com a falta de produção ou com a pouca produção, pelo que, e neste sentido, cooperar, ao invés de competir, é a melhor estratégia de sobrevivência.

    José Ngola Carlos, Msc

    Malanje, 4 de dezembro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:11). Cooperar é Melhor que Competir! Brasil: Jornal Cultural ROL.

    ** Fonte da imagem: https://www.bing.com/images/create/pessoas-de-vc3a1rias-culturas-felizes-e-envolvidas-na/1-69316965fc5241dfb986a2aff11721b2?id=G6ImkMx4OkBdQPeMck4Spw.KbJahzV3zqgl%2BsJP9lmZMQ&view=detailv2&idpp=genimg&thid=OIG4.VYFQ7oAZHUEGI5Cu.IYV&sm=1&mdl=0&ar=1&skey=EKhn9CWi2gsIWFf3FZtfeMS5fHju8imqOKmbEdGuQGQ&form=GCRIDP

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    A mania de sermos todos doutores!

    José Ngola Carlos: ‘A mania de sermos todos doutores!

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
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    “A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato,”

    Em Angola, a realidade acadêmica que vivo, conheço e que, portanto, tenho direito de dizer uma palavra, o título Doutor ganhou uma tal proliferação que, não tarda, a sua utilização se tornará prolixa, enfadonha e/ou fastidiosa. Em meio a ter que chamar a todo mundo de Doutor, uns, nem mesmo medem as palavras e, saem a dizer: ´Dotor´ e ´Doctor´ como se de Português também se tratasse.

    Este artigo, como é possível inferir, é uma crítica à esta mania de quem quer a todos agradar, deixando de reconhecer a real condição da pessoa com quem fala, atribuindo-a nomes que lisonjeiam e inflamam o ego de quem nada fez para merecer a honra que se deve ao título.

    Na academia existem graduações, e estas graduações ou níveis, encontram-se dispostos de forma hierárquica. A nossa legislação, a angolana, prevê, dentre outros, os seguintes níveis:

    1. Técnico Médio
    2. Licenciado/a
    3. Mestre e
    4. Doutor/a

    Como é possível ver, todos eles não são doutores. O título de Doutor é a mais alta consagração atribuída àqueles e àquelas que, com muito esforço, dedicação, comprometimento e amor ao saber, terminam com êxito o programa de doutoramento por uma universidade. Ser doutor não é um título gratuito, requer competências e responsabilidades.

    Este artigo, além de ser uma crítica à iniciativa de chamar gratuitamente a todo mundo de Doutor, o que tende a banalizar o próprio título e, consequentemente, desmerecer quem o conseguiu com muitos sacrifícios que envolvem tempo, esforço, dinheiro, desgaste emocional, etc., aproveita-se aqui fazer uma homenagem calorosa a todos que de fato o são, seja por se ter cursado um programa de doutoramento ou mediante a atribuição por causas honoríficas. Está de parabéns, Doutor! Está de parabéns, Doutora!

    Já agora, você que é Técnico Médio, saiba que você não é Doutor. O Licenciado e a Licenciada não são doutores. O Mestre não é Doutor e não há desonra nisto. Podemos ser técnicos médios assumidos com honra porque dominamos a especialidade na qual nos formamos. Podemos ser licenciados e mestres com orgulho de sê-lo porque adquirimos as competências durante a formação que nos identificam como tais. Não há vergonha em não sermos doutores. Vergonhoso é chamar a quem não é doutor, doutor, só para inflá-lo o ego. Vergonhoso é aceitar ser chamado doutor sem sê-lo!

    A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato que, apenas inflama de forma muito barata o ego de quem não o é e, aos poucos, vai banalizando o título e as pessoas que com muita honra o conseguiram e o merecem!

    José Ngola Carlos

    Malanje, 24 de Outubro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:10). A Mania de Sermos Todos Doutores! Brasil: Jornal Cultural – ROL.




    Bajular desprestigia o bajulador

    José Ngola Carlos: ‘Bajular desprestigia o bajulador!’

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
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    “A bajulação só ganha vida na incompetência. Quem é competente não bajula, corre é o risco de ser considerado bajulador por quem é irresponsável, descompromissado e inábil.”

    Em retrospectiva ao período em que vivi e trabalhei em Luanda, um período de cerca de 20 anos, lembro-me, com inegável claridade, de apenas uma vez ter ouvido falar em bajulação. Qual foi o meu espanto?! A palavra foi usada por um colega professor em relação a mim, num ar de suspeita inquisitiva, sobre uma frase interessante do Presidente do Conselho Administrativo (PCA) do Aurora Complexo Escolar Internacional, lugar em que trabalhava, e cuja frase eu havia publicado em rede social. Num aproximar sorrateiro e falsamente despretensioso, o colega se aproxima a mim e diz:

    – Prof. Ngola, vi a sua publicação no Facebook. Você gostou mesmo da frase ou é apenas bajulação?!

    Eu, ainda inocente da pretensão indecorosa, simplesmente disse que não era bajulação. Afinal, por que eu quereria bajular mediante a publicação de uma frase no Facebook? Afinal, publicar frases é, de há muito tempo, uma pratica minha em relação aos autores que leio e às pessoas que escuto. Não obstante a isso, o PCA nem veria a publicação. Era pelo valor axiológico e epistémico que eu havia publicado a frase no desejo sincero de querer contribuir para a aprendizagem de meus amigos e seguidores naquela rede social e não pelo PCA. Perguntava-me também, se ele podia acompanhar as minhas atividades no Facebook, por que em nenhum momento procurou-me para dizer que eu estivesse a bajular mediante a publicação das frases de Osho, Paulo Freire, Sócrates, etc.?! Sem ter tido relevado, releguei ao esquecimento.

    Em 2024, mediante concurso público, chego em Malanje com a família em missão de serviço. Qual foi o meu espanto desta vez?! Aqui, a palavra ‘bajular’, ‘bajulação’ e ‘bajulador’ é uma daquelas palavras que você ouve de manhã, de tarde e de noite, no trabalho, no mercado e na via pública, de professor, de bancário e de sapateiro. Temo que seja recorrente também no seio religioso.  

    Nas vezes em que ouvi em Malanje, felizmente, estas palavras não eram dirigidas a mim, mas a um colega de trabalho, o que não é menos preocupante. Então, foi com base em observação, recolha empírica de dados, análise e ponderação que cheguei à seguinte conclusão:

    A bajulação só ganha vida na incompetência. Quem é competente não bajula, corre é o risco de ser considerado bajulador por quem é irresponsável, descompromissado e inábil.

    A palavra ‘bajulação’ provém do Latim e deriva do verbo ‘bajular’ que etimologicamente significa “carregar um fardo” ou “levar algo aos ombros”. Pelo que, em analogia com quem carrega uma pessoa ou coisa, quem bajula é alguém que apoia e promove os valores, as ideias ou as práticas de alguém, porém, de modo exagerado e falso com a intenção de obter favores ou benefícios.

    Como se pode perceber pelo exposto acima, não é o mero apoio e promoção de valores, ideias ou práticas que tornam alguém bajulador, é o exagero, a falsidade e a intenção de querer obter benesses mediante o apoio e a promoção de valores, ideias ou práticas de um superior hierárquico. Assim, um trabalho feito com criatividade, inovação e competência não é bajulação, é, antes uma chapada sem mão na cara de quem é incompetente e acha que fazer bem o trabalho é bajular.

    Que não se corra o risco de pensar que eu seja a favor da bajulação, não. Bajular é um ato irreverente, antiético e irresponsável que mina o bom convívio e desprestigia o bajulador. A minha voz e escrita é, contudo, contra o olhar e observações mal intencionadas que se pretendam em fazer confundir o bom trabalho com a bajulação.

    José Ngola Carlos

    Malanje, 24 de setembro de 2025

    Como citar este artigo: 

    Carlos, J. N. (2025:9). Bajular Desprestigia o Bajulador! Brasil: Jornal Cultural ROL.

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    O pecado capital da escola

    José Ngola Carlos: ‘O pecado capital da escola’

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
    Imagem criada por IA do Bing – 24 de agosto de 2025, às 17:15 PM

    A complexidade da vida social reside no fato de que, o que fazemos ou deixamos de fazer tem consequências pessoais e/ou sociais.

    Por consequências pessoais, entendemos ser todas as implicações de que fazer ou não fazer que afetam apenas o sujeito praticante ou o seu ciclo restrito de ralações. Quanto às consequências sociais, referimo-nos a todas as implicações resultantes da atuação ou não atuação de um indivíduo sobre a comunidade ou sociedade na qual o atuante pertence ou não pertence.

    Assim sendo, o adágio popular que enuncia a proposição de que “toda ação tem um reação”, além da confirmação da sua validade pela experiência da vida cotidiana ou do senso comum e pela experiência científica, precisa ser completada com a noção de que “toda não ação tem uma reação” também.

    Uma das responsabilidades sociais da escola é garantir que todos que nela estejam, sob o princípio da inclusão e formação integral ou holística, não apenas adquiram competências existenciais ou sociais, mas que também construam competências de realização ou competências técnico-profissionais.

    Uma escola que, no exercício das suas funções, deforma ao invés de formar ou egressa os ainda não formados ou mal formados para sociedade, peca contra si mesma, peca contra o/a estudante e peca contra a sociedade que depositou nela toda a sua confiança de que, na escola, os seus cidadãos seriam formados social e profissionalmente.

    Conforme posto no parágrafo anterior, o pecado capital da escola consiste em:

    1. Deformar ao invés de formar e
    2. Egressar os malformados

    Quando a escola peca, ela sofre, sofrem os seus alunos e alunas e sofre a sociedade que nela confiou os seus cidadãos.

    A escola sofre com a paulatina perda da confiança que a sociedade deposita nela. Os estudantes sofrem pela falta da formação necessária para viver ou sobreviver em um mundo capitalista e, por último, a sociedade sofre com a constituição de uma sociedade de homens e mulheres mal formados, o que poderá implicar no aumento do índice de desemprego, marginalidade, delinquência juvenil, prostituição, fuga à paternidade, subnutrição, mortes prematuras, etc., etc.

    Quando a escola peca é o povo que sofre!

    José Ngola Carlos
    Malanje, 24 de Agosto de 2025

    Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2025:8). O Pecado Capital da Escola. Brasil: Jornal Cultural ROL.

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    O que é aprender?

    José Ngola Carlos: Artigo ‘O que é aprender?

    Kamuenho Ngululia
    Kamuenho Ngululia
    Imagem criada por IA do Bing - 24 de julho de 2025, às 14:27 PM
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    às 14:27 PM

    O título desta reflexão tem como base a seguinte frase: “só se aprende fazendo”. Esta frase é uma citação direta da obra Metodologia do Trabalho Científico, página 236, escrito e publicado por Antônio Joaquim Severino mediante a editora Cortez em 2013. Dada a sua pertinência funcional ou pragmática, ela se consubstancia na filosofia central e norteadora de Severino (2013) e é o objeto de reflexão do presente texto.

    A proposta desta reflexão basea-se na necessidade do resenhista pensar sobre o livro, depois de lido na íntegra, como uma estratégia didática em seu benefício e em benefício de seus eventuais leitores e leitoras. A reflexão girará em torno da necessidade urgente, não só de pensar a prática didático-pedagógica, mas de refazê-la. Pelo que, embora pouco levantada por alunos (as) e professores (as) como matéria de discussão, neste texto, pretende-se responder a seguinte pergunta: o que é aprender?

    APRENDER é uma palavra que estabelece vínculos muito estreitos com a palavra APREENDER. Como é possível perceber, tanto a palavra aprender quanto a palavra apreender são ambas VERBOS. Em geral, os verbos são definidos como palavras que indicam AÇÕES. E toda ação, via de regra, é uma prática. Pelo que, convém traçar o seguinte esquema conceitual:

    Aprender é um verbo, um verbo é uma ação, portanto, aprender é igualmente uma ação. A ser que, toda ação requeira uma atuação e, sendo que aprender é uma ação, é somente lógica a conclusão de que aprender requer igualmente uma prática.

    Na sequência desta reflexão, urge perguntar: se aprender é uma ação refletida em uma prática, que prática é esta? É a prática de apreender.

    Apreender é um ato que consiste em guardar alguma coisa, alguma noção ou alguma experiência para si próprio. É fazer seu aquilo que você decidiu entesourar por conta dos seus interesses e perspectivas de vida, perspectivas acadêmicas ou profissionais. Todavia, já é possível dizer que aprender, sendo um ato de apreensão, consiste em envolver-se motivada e ativamente em uma prática com vista a incorporar em seu ser um saber novo pelo processo de participação ativo física, emocional e mental. Conforme enuncia Severino (2013, p.236), “só se aprende fazendo”.

    “Só se aprende fazendo” pressupõe que o ato de ensino e aprendizagem precisa se tornar um quefazer didático-pedagógico essencialmente prático. O ato de ensino e aprendizagem precisa transformar-se em um espaço em que, o professor, ao encontram-se com o aluno, orienta, supervisiona, avalia, sugere e motiva-o na produção ou construção de saberes e fazeres próprios e necessários para a sua área de formação.

    É no envolvimento do aluno com a construção dos saberes que resultará a apreensão da prática e dos conhecimentos necessários à prática e a sua melhoria.

    Se por um lado, é verdade que “só se aprende fazendo”. Vale apena concluir que, fora da prática não se constrói conhecimentos. Portanto, não se aprende apenas ouvindo! Se você for aluno (a) e professor (a), diga: Não ao ensino expositivo antidialógico e unilateral! E, sim ao ensino participativo, dialógico e plural!

    Kamuenho Ngululia

    Malanje, 24 de Julho de 2025

    Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2025:7). O que é aprender? Brasil: Jornal Cultural ROL.

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