Labor no universo literário

Renata Barcellos: ‘Labor no universo literário’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
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A tematização da importância do trabalho na vida humana é milenar desde os escritos gregos. Exemplos: nas obras de Hesíodo: O Trabalho e os dias e nos livros que constituem a Bíblia até nossos dias. Ao longo do tempo, o homem tem se dedicando ao universo laboral e o questiona, conceitua, problematiza, nomeando-o sob diversos prismas, ora dignificando-o, ora o depreciando.

No século XIX, Marx (1986) e Engels (1990) emitiram importantes enunciações sobre o trabalho. Neste período, foram publicadas as obras “O Escrivão e A Metamorfose” que apresentam o trabalho como tema recorrente na ficção. “O Escrivão”, publicado em 1853, de Herman Melville, traz uma das personagens mais emblemáticas de todas as literaturas: um escrivão que, de repente, passa a se negar a fazer qualquer tarefa, em uma postura que transita entre a rebeldia e o niilismo. E “A Metamorfose”, de Franz Kafka, de 1915, a personagem Gregor Samsa acorda metamorfoseado num inseto monstruoso e, ainda assim, seu principal medo é perder o emprego.   

Na contemporaneidade, o labor ainda é atividade a ser legalizada, questionada, alterada. Isso porque, para boa parte da humanidade, constitui-se em fonte de sofrimento físico e psicológico. Nas Literaturas Brasileiras, há inúmeras personagens ilustrativas disso. Existem pesquisas cujo objetivo é verificar nas literaturas dos séculos XIX, XX e XXI, como os escritores formalizam as articulações entre trabalho e discurso literário.

Principais aspectos desta transformação:

1. Temáticas Centrais na Literatura Contemporânea

  • capitalismo de Plataforma e Precarização: obras recentes, como as discutidas no livro “Icebergs à Deriva”, analisam o descontrole das grandes plataformas digitais (Uber, Amazon) e a falta de vínculo formal.
  • explorações Cotidianas: livros como “Afetos postiços”, de Gabriele Rosa e “Os dias trabalhados”, de Marcelo da Silva Antunes, retratam a precarização, a terceirização e a desregulamentação como a nova regra.
  • trabalho no Centro: as Literatura Brasileiras têm, cada vez mais, inserido o trabalho como tema central da construção de personagens e enredos. Assim, evidenciando desigualdades sociais e o cotidiano da classe trabalhadora. 

  • 2. Novas Formas de Produção e Organização

  • teletrabalho e Anywhere Office: o trabalho remoto e o modelo híbrido, intensificados pela pandemia, transformaram a rotina de escritores, editores e tradutores.
  • trabalho “Gig” (Eventual): muitos profissionais do livro estão inseridos no modelo de gig economy, baseada em tarefas pontuais e autonomia, mas frequentemente sem proteção legal. 

3. Novas Relações Jurídicas e Proteção

  • confronto e Resistência: o debate literário jurídico busca formas de enfrentar a nova conformação econômica, discutindo proteção para o trabalhador em um cenário de terceirização.
  • livros Educativos: lançamentos como “Novas Relações de Trabalho e Novos Modelos de Proteção” (Editora Amanuense) abordam como o Direito deve responder a esses novos cenários. 

4.Obras Relevantes sobre a temática

  • Icebergs à Deriva (Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho – MPT)
  • Afetos postiços, de Gabriele Rosa
  • Os dias trabalhados, de Marcelo da Silva Antunes
  • No chão da fábrica, de Roniwalter Jatobá
  • De mim já nem se lembra, de Luiz Ruffato
  • Novas Relações de Trabalho e Novos Modelos de Proteção (Nelson Mannrich e Alessandra Boskovic)

5. Novas Dinâmicas de Produção Literária

  • coautoria e Assistência: a IA atua como uma ferramenta colaborativa, capaz de propor enredos, estruturar narrativas, imitar estilos literários e revisar textos. Escritores podem utilizar IAs para superar bloqueios criativos e acelerar etapas técnicas da escrita. Como fonte de inspiração, não produto final.
  • engenharia de Prompt e Treinamento: autores podem desenvolver “assistentes personalizados” (como GPTs ou Gems).
  • Desafios e Questões Éticas

  • autenticidade e Essência: debates sobre a perda da essência da literatura e a capacidade da IA de replicar a subjetividade e a experiência humana.
  • autoria e Propriedade Intelectual: questionamentos sobre quem é o “autor” de uma obra gerada com auxílio significativo de IA, impulsionando discussões jurídicas.
  • valorização da Escrita Humana: a escrita humana tende a ser valorizada como um “artigo de luxo” ou um ato de resistência, carregado de subjetividade, falibilidade e criatividade. 

O uso de Inteligência Artificial (IA) no universo literário em 2026 é regido por um misto de leis de direitos autorais tradicionais, novas regulamentações éticas e precedentes judiciais em evolução. A premissa central a seguinte: IA é uma ferramenta de auxílio, não um autor legal. A seguir, as principais “leis” e normas atuais:

1. Autoria e Direitos Autorais (O Fator Humano)

  • humanos como Únicos Autores: Lei de Direitos Autorais (como a brasileira nº 9.610/1998) estabelece que somente pessoas naturais podem ser autores de obras literárias. Obras criadas 100% por IA não recebem proteção de direito autoral, pois a lei não reconhece máquinas como autoras.
  • responsabilidade Legal: o humano que utiliza a IA para gerar texto é o único responsável público pelo conteúdo, incluindo erros ou casos de plágio.
  • obras de Domínio Público: treinar modelos de IA com livros protegidos por direitos autorais tem sido considerado por alguns juízes como “uso justo” (fair use) para desenvolvimento de tecnologia, embora isso continue sendo debatido. 

2. Ética e Transparência

  • declaração de Uso: a Authors Guild (união de autores norte-americanos) e diversas editoras exigem que o uso de IA na geração de textos seja informado aos leitores.
  • transparência Editorial: editores e plataformas de publicação estão adotando políticas para identificar conteúdos gerados por IA, muitas vezes exigindo a documentação do uso da ferramenta.
  • risco de “Fake” Literário: textos inteiramente gerados por IA são vistos por muitos no mercado editorial como “falsos” ou inautênticos, carecendo da profundidade emocional humana. 

3. Ética no Treinamento e Direitos de Estilo

  • proteção de Estilo: a IA pode emular o estilo de autores consagrados, mas a emulação excessiva que resulta em reprodução de trechos (plágio) é ilegal.
  • “Engenharia de Referência”: o uso de IA para analisar sintaxe e estilo (com “GPTs” personalizados) é aceito como auxílio criativo, desde que o resultado final seja editado e assinado por um humano. 

4. Novas Regulações (Tendências 2025-2026)

  • Projeto de Lei 2338/23 (Brasil): analisa a regulamentação da IA com foco nos níveis de risco para os direitos fundamentais.
  • concursos e editoras: algumas editoras e concursos literários têm cancelado ou alterado regras para evitar a enxurrada de textos gerados automaticamente, dada a dificuldade de distinguir a autoria. 

Em resumo, a regra de ouro é: A IA pode ajudar a escrever (assistência). Entretanto, o autor humano deve assumir a autoria (responsabilidade). Sejamos responsáveis pelos nossos atos!!! E produzamos produções literárias de qualidade. Com base nisso, de acordo com Noam Chomsky: “Este é o ataque mais radical ao pensamento crítico, à inteligência crítica e particularmente à ciência que eu jamais vi”.

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Mulher e poder

Renata Barcellos: Artigo ‘Mulher e poder’

Renata Barcellos
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A história do Brasil é marcada por mulheres pioneiras que assumiram cargos inéditos em diversas áreas. Superaram barreiras de gênero e abrindo caminho para outras profissionais. 

Abaixo, uma lista de mulheres que assumiram cargos pela primeira vez, dividida por áreas:

Política e Eleições

Celina Guimarães Viana (1927): primeira eleitora do Brasil (Rio Grande do Norte).

Alzira Soriano (1928): primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina (Lajes/RN).

Celina Guimarães Vianna: primeira eleitora do país e América Latina. No dia 25 de novembro de 1927, na cidade de Mossoró (RN), a professora de 29 anos foi a primeira mulher a exercer o voto.

Maria do Céu Fernandes: foi a primeira mulher a ocupar o cargo de deputada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e por extensão, também a primeira deputada estadual mulher no Brasil.

Maria da Conceição da Costa Neves:  atriz e política brasileira. Durante a Segunda Guerra Mundial dirigiu a filial paulista da Cruz Vermelha Brasileira e fundou a Associação Paulista de Assistência ao Doente da Lepra, da qual foi presidente. Entre os anos de 1960 e 1963, foi primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. E, com uma viagem de Abreu Sodré ao exterior, tornou-se a primeira mulher a presidir um parlamento estadual no Brasil.

Carlota Pereira de Queirós (1934): primeira brasileira eleita deputada federal.

Eunice Michiles (1979): primeira mulher a assumir uma cadeira no Senado Federal.

Laélia Alcântara (1981): primeira senadora negra do Brasil.

Iolanda Fleming (1986): primeira mulher a governar um estado brasileiro (Acre).

Dilma Rousseff (2010): primeira mulher a assumir a presidência da República. 

Justiça e Advocacia

Maria José de Castro Rebello Mendes (1918): primeira mulher a ingressar por concurso no serviço público federal (Ministério das Relações Exteriores).

No início do século XX, Andradina de Oliveira, escreveu o romance Divórcio?, em 1912.

Ellen Gracie Northfleet (2000): primeira mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal (STF), assumindo a presidência em 2006. 

Principais Pioneiras Indígenas na Política

Joênia Wapichana: primeira mulher indígena a se formar em Direito (1997) e a primeira eleita deputada federal (2018). Em 2023, assumiu a presidência da Funai.

Eliane Xunakalo: povo Kurâ-Bakairi, em abril de 2026, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Legislativo estadual (ALMT).

Sonia Guajajara: eleita deputada federal em 2022 e primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil

Forças Armadas e Segurança

Maria Quitéria (1792 – 1853): militar

Anita Garibaldi (1821 – 1849): líder militar

Maria da Penha (1945): farmacêutica bioquímica. Deu nome à lei brasileira de proteção da mulher contra a violência doméstica e familiar, Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006.

Ana Paula Habka (2024): primeira mulher a comandar a Polícia Militar do Distrito Federal.

Cláudia Lima Gusmão Cacho (2026): primeira mulher promovida a General de Brigada na história do Exército Brasileiro.

Glauce Anselmo Cavalli (2026): primeira mulher a assumir o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo. 

Cláudia Lima Gusmão Cacho (2026)primeira mulher a alcançar o generalato na história da instituição.  Médica pediatra, ingressou no Exército em 1996. Antes da promoção, comandou o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande.

Educação, Esporte, Ciência, Música e Saúde

Narcisa Amália de Campos (1856 – 1924): jornalista e poeta – considerada a primeira jornalista profissional do Brasil. Fundou um jornal dirigido ao público feminino, “Gazetinha”, onde tratava de questões das mulheres, mas também sobre a abolição da escravidão e o nacionalismo.

Bertha Lutz (1894 – 1976): botânica, advogada e militante feminista: segunda mulher a prestar concurso público no Brasil, mas sua inscrição só seria aceita após uma batalha judicial. É aprovada e ingressa como secretária do Museu Nacional, do qual, anos mais tarde, seria diretora. Sucessora de Leolinda Daltro, fundadora da primeira escola de enfermeiras do Brasil, Bertha Lutz organizou o primeiro congresso feminino do país e, na Organização Internacional do Trabalho (OIT), discutiu problemas relacionados à proteção do trabalho da mulher. Também fundou a União Universitária Feminina, a Liga Eleitoral Independente, em 1932, e, no ano seguinte, a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas.

Nísia Floresta (Século XIX): primeira feminista do Brasil e pioneira no ensino para meninas.

Nise da Silveira (Anos 40): pioneira da psicologia junguiana no país e na humanização do tratamento psiquiátrico.

Esther de Figueiredo Ferraz (1982): primeira mulher a assumir um ministério (Educação e Cultura).

Débora Seabra (2015): primeira professora com Síndrome de Down do Brasil. 

Maria Esther Bueno (1939-2018) – Tenista

Cristina Ortiz (1950): pianista – primeira mulher e a primeira brasileira a vencer o Concurso Van Cliburn, em 1969, que é realizado a cada três anos. Somente 30 anos mais tarde outra mulher ganharia este prêmio. No anos 80, era a única mulher que figurava na série “Os Pianistas” promovida pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) no Rio de Janeiro.

Daiane dos Santos (1983): ginasta: primeira atleta brasileira a conquistar o ouro no Campeonato Mundial de Anaheim (Estados Unidos) em 2003.

Engenharia e Serviços

Enedina Alves Marques (1945): primeira mulher negra a se formar em engenharia civil no Brasil e a primeira a concluir o curso na universidade paranaense. 

Pioneira na Agronomia (SP): Victoria Rossetti (1917-2010) foi a primeira engenheira agrônoma a se graduar na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) em 1937, tornando-se a primeira do estado de São Paulo e a segunda do Brasil. Ela foi fundamental no estudo de doenças da citricultura.

Pioneira na Agronomia (Brasil): Dra. Maria Eulália da Costa é mencionada como a primeira engenheira agrônoma do Brasil.

Liderança no Agronegócio: Teresa Vendramini foi a primeira mulher a presidir a Sociedade Rural Brasileira (SRB) em 100 anos de história, eleita em 2020.

Liderança na Política/Campo: Kátia Abreu foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e também a primeira a ser nomeada Ministra da Agricultura. 

Setor Público/Finanças

Rita Serrano (2023): primeira mulher a presidir a Caixa Econômica Federal.

Tarsiana Medeiros (2023): primeira mulher a presidir o Banco do Brasil. 

Artes e Cultura

Chiquinha Gonzaga (Século XIX): primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Ruth de Souza (1950): primeira atriz negra brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema.

Zilda Arns (1934 – 2010) – fundadora da Pastoral da Criança

Literaturas                                      

Primeira Personagem (Literatura Indigenista/Não Indígena): A figura do indígena aparece desde as cartas do Quinhentismo e crônicas do século XVII, mas de forma idealizada no Romantismo (século XIX), destacam-se Iracema (de José de Alencar) e Moema (do poema “Caramuru”, de Frei José de Santa Rita Durão).

Bárbara Heliodora (1759–1819) é amplamente reconhecida como a primeira poetisa brasileira, pioneira na produção poética durante o Brasil Colônia. Mineira de São João del Rei e figura chave na Inconfidência Mineira, ela é celebrada por sua força e produção literária no século XVIII.

Maria Firmina dos Reis (1822–1917) é reconhecida como a primeira romancista brasileira, sendo uma das primeiras mulheres a publicar um romance no Brasil, “Úrsula” em 1859. Maranhense e negra, Firmina também foi pioneira na literatura antiescravista, humanizando personagens escravizados antes de autores abolicionistas famosos. 

Lenora de Barros (São Paulo, 1953) é uma artista visual e poeta brasileira. Em 1970 formou-se em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP) e começou a interessar-se pelas interseções entre a prática poética e a arte visual. Utiliza em suas obras recursos diversos, como o vídeo, a fotografia e a instalação. É considerada como a mais importante poeta visual brasileira em atividade e uma das pioneiras a se destacar neste cenário, especialmente no contexto Pós-Concretista, atuando com Poesia Visual, Sonora e Eexperimental.

Rachel de Queiroz (1977): romancista e cronista – primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), eleita em 4 de agosto de 1977. Ela ocupou a cadeira número 5, sendo imortalizada após a mudança nas regras da instituição.

Eliane Potiguara é amplamente reconhecida como a primeira escritora indígena a publicar livros e atuar ativamente na literatura brasileira, inaugurando a autoria feminina indígena no país. Poeta e ativista, ela fundou a Rede Grumin de Mulheres Indígenas, utilizando a escrita como ferramenta de denúncia, resistência e preservação de saberes ancestrais. 

Nélida Piñon (1996): romancista e cronista. Foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL), assumindo o cargo entre 1996 e 1997, durante o centenário da instituição. Eleita em 1989, ela ocupou a Cadeira nº 30.

Fraternidade

A primeira Fraternidade Feminina do Brasil, amplamente reconhecida como a organização paramaçônica oficial do Grande Oriente do Brasil (GOB), é a Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul (FRAFEM). Oficializada em 1967 (com raízes em alas femininas anteriores), é composta por esposas de maçons e mulheres dedicadas à filantropia.

A partir do exposto acima, vale ressaltar que, ao longo dos séculos, a mulher tem mostrado que o lugar dela é onde quiser. Somos tão capazes quanto os homens para exercermos os diferentes cargos. As percursoras acima são exemplos de resiliência. E fonte de inspiração para alcançarmos nossos objetivos ao realizarmos sonhos (até os mais impossíveis).

Quanto às fraternas, devemos nos unir cada vez mais. Incentivarmos as cunhadas a criarem ou a ingressarem na fraternidade existente na loja da qual o esposo participa. E, ao ingressarem, serem presentes nas reuniões e/ou ações sociais. Acreditemos no nosso potencial e provemos a força que a mulher tem. Afinal, segundo Groucho Marx: “Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher”.

Ou seja, somos tão capazes que incentivamos nossos esposos a superarem obstáculos. Conseguem transformar “as pedras no caminho” em grandes estradas a serem percorridas. Não duvidemos da nossa capacidade física, intelectual e mental! Façamos das “pedras” lindos ornamentos para nosso lar ou para doarmos a quem necessita!!!

Renata Barcellos

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Bibliotecas, livros e literaturas infantojuvenis

Renata Barcellos

‘Bibliotecas, livros e literaturas infantojuvenis’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Card do lançamento do livro 'Sou seu amigo, o coração'
Card do lançamento do livro ‘Sou seu amigo, o coração’

9 de abril é o DIA NACIONAL DA BIBLIOTECA. A data, instituída pelo decreto nº 84.631 de 1980. Este destaca a importância das bibliotecas como centros de educação, cultura, acesso democrático ao conhecimento e incentivo à leitura, além de celebrar o papel estratégico dessas instituições na formação cidadã e na sociedade.

Para Valter Hugo Mãe, “Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir”. Este compara bibliotecas a aeroportos, por serem locais de “partir e chegar”, simbolizando viagens mentais. Urge a conscientização quanto à lei de educação literária, especificamente a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE): lei nº 13.696/2018. Esta visa promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil.

Também estabelece diretrizes para fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e promover o estímulo à leitura e ao conhecimento. E a lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010, conhecida como Lei da Universalização das Bibliotecas Escolares, estabelece que todas as instituições de ensino do país (públicas e privadas) devem desenvolver esforços progressivos para ter bibliotecas com um acervo mínimo de um título por aluno. Esta também estabelece a necessidade de um profissional bibliotecário para cada biblioteca.                                                                                                                      

Um exemplo é o Projeto Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto. Com um trabalho intenso e uma visão inspiradora, de acordo com Estella Cruzmel, a importância do Santa Leitura é “gigantesco, é um período que a criança está se dedicando ao livro e à arte além disso afasta a criança do celular e mundo das drogas. Desde junho de 2010, o projeto Santa Leitura tem se dedicado a cultivar o hábito da leitura entre crianças e adolescentes, ajudando a diminuir a crescente distância social.

O projeto começa ou no bairro Ipiranga, em Belo Horizonte e, após dois anos, se expandiu para Castanheiras, Sabará, MG e Taquaril, Belo Horizonte, onde mantém uma parceria com o padre João Stasz, da Obra Social São Gabriel. No Castanheiras, uma biblioteca comunitária infantojuvenil foi estabelecida, proporcionando um espaço seguro e estimulante para a prática da leitura. A sede do projeto está localizada no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, onde são realizados encontros mensais”.

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é celebrado em 23 de abril, instituído pela UNESCO, em 1995, para promover a leitura, a publicação e a propriedade intelectual. A data foi escolhida por ser a de falecimento de grandes escritores como Shakespeare e Cervantes. O objetivo é celebrar as literaturas, incentivar o hábito da leitura, valorizar os direitos autorais, estimular a reflexão sobre o poder transformador das literaturas e o acesso ao conhecimento.                     

De acordo com o Panorama do Consumo de Livros da CBL (Câmara Brasileira do Livro), houve aumento de 2% na compra de livros no país em 2025. Foram 3 milhões de compradores a mais que em 2024.  Os dados mostram que 18% da população acima de 18 anos comprou ao menos um livro, impresso ou digital, no ano passado. Se estiverem adquirindo, lendo e refletindo sobre os temas tratados, notícia EXCELENTE!!!

Quanto à Literatura Infantojuvenil, trata-se de um gênero literário voltado para crianças e jovens, abrangendo desde os primeiros anos de vida até a adolescência. Ela engloba uma variedade de formas textuais, como histórias fictícias, biografias, poemas, obras folclóricas e culturais, adaptadas para a faixa etária específica. Seu objetivo principal é apresentar temas relevantes e acessíveis, estimulando a imaginação, a criatividade e o desenvolvimento emocional e cognitivo dos leitores.

A Literatura Infantojuvenil desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e jovens, promovendo a imaginação, a empatia e o amor pela leitura. Através de histórias envolventes, a literatura infantojuvenil apresenta aos jovens leitores a riqueza da linguagem e os ajuda a compreender diferentes visões de mundo. Conforme Nilma Boechat  (professora e escritora), é: “uma porta que se abre ao imaginário da criança. Ali nesse momento entre cavalos, cavaleiros, piratas, príncipes, princesas, e tantos outros personagens, ela viaja, imagina, cria, vê e enxerga além do que se passa no seu dia-a-dia.

A criança que tem acesso a toda essa vivência literária, torna-se um adulto melhor, mais criativo, com linguagem rica, lê com boa dicção, escreve com vocabulário amplo, diversificado e terá facilidade de relacionar-se melhor com o mundo. É capaz de ensinar a outrem as lições aprendidas nos livros”.  

Vale destacar e esclarecer quais são os precursores da Literatura Infantojuvenil no Brasil são Julia Lopes de Almeida com ‘Contos Infantis’, de 1886, e ‘Era Uma Vez’, de 1917 e Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), romancista, cronista, jornalista, poeta e um dos primeiros autores a adaptar os contos europeus para circulação no Brasil: de Charles Perrault, dos Irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen Em 1894, publica Contos da Carochinha, o primeiro livro infantil publicado no Brasil. Também foi o primeiro a publicar um livro infantil no Brasil, tendo traduzido e adaptado clássicos para a juventude como As mil e uma noites, Dom Quixote e Robinson Crusoé, além de vários contos dos Irmãos Grimm.

Carl Jansen (educador, militar, escritor e jornalista teuto-brasileiro) por traduzir clássicos como Robinson Crusoé, Viagens de Gulliver, As Aventuras do Celebérrimo Barão de Münchhausen e D. Quixote de La Mancha. Foi pioneiro ao traduzir, em português brasileiro, obras para a juventude, entre as quais romances de Swift, Defoe e Cervantes.

Em 1904, “Poesias Infantis”, de Olavo Bilac (1865 a 1918 ) e  “Através do Brasil”, editado em 1910, de autoria de Olavo Bilac e Manuel Bonfim. Thales Castanho de Andrade (1890-1977) redigiu A Filha da Floresta’ (1918) e ‘Saudade’ (1919).

Em 1920, “A menina do narizinho arrebitado”, de Monteiro Lobato (1882 a 1948). A obra é constituída por personagens e cenários brasileiros. Além de abordar temas relevantes para a cultura nacional, como a valorização do campo e a crítica social.  Para Zilberman foi reconhecido por ter modernizado a Literatura Infantil Brasileira. Lobato declarava que “gostaria de criar livros nos quais as crianças pudessem morar como ele havia morado no Robinson Crusoé e nos Filhos do Capitão Grant na sua infância”.

Em 1923, Cecília Meirelles editou o seu primeiro livro para crianças: Criança Meu Amor.

Para divulgação da leitura e do livro infantil, Cecília Meirelles esteve à frente da primeira biblioteca pública infantil brasileira, localizada no Pavilhão ou Espaço Mourisco, inaugurada em 1934, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro. Em 1964, iniciou uma nova fase na literatura infantil brasileira ao lançar uma coletânea de poemas para crianças, chamada de Ou Isto Ou Aquilo. Fica a dica de leitura!!!

Em 1938, é publicado Cazuza, do maranhense Viriato Corrêa. Trata-se de um dos maiores sucessos da Literatura Infanto-Juvenil Brasileira. Esta relata vivências do próprio autor. É a história de um menino cujo nome é Cazuza que, depois de adulto, resolve escrever suas memorias de infância. Este vive em um lugarejo do Maranhão, no final do século XIX, e realiza seu grande desejo de entrar na escola.

Mas o primeiro dia de aula é uma grande decepção: depara-se com um ensino rígido, pois se usava a punição como principal ferramenta de controle dos alunos. A obra questiona o ensino da época, os preconceitos e, com descrições leves e bem-humoradas, traz informações do Brasil e da sua história para o público infantojuvenil.

No Brasil, a Lei nº 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é o principal marco legal que trata da proteção integral à criança e ao adolescente. Esta incluiu o acesso à Literatura Infanto-Juvenil como um direito fundamental. Além do ECA, outras leis como a nº 10.639/2003 e a nº 11.645/2008 abordam a importância da inclusão de histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas na educação e, nas literaturas, incluindo a Infantojuvenil.

De acordo com Zuleika Crespo (acadêmica da ACL -Academia Cabofriense de Letras, diretora da Biblioteca P.M.P.Walter Nogueira de Cabo Frio e escritora), as Literaturas Infantojuvenis “ajudam a despertar a imaginação, além de aprender o que gira ao seu redor, mostrando que são capazes de conseguir e realizar seus desejos, aprendem valores que serão necessários ao longo de sua vida ajudando também em problemas emocionais!”.

Já as literaturas infantojuvenis indígena brasileira, representadas por autores como Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Cristino Wapichana, oferecem narrativas ricas sobre cosmovisões, mitos e o cotidiano nas aldeias. Essas são fundamentais para combater estereótipos e promover o conhecimento sobre a diversidade cultural brasileira. Abaixo algumas obras das literaturas indígenas infantil e juvenil:

Kabá Darebu, de Daniel Munduruku: mostra o cotidiano de um menino Munduruku, abordando costumes, brincadeiras e a relação com o meio ambiente.

Contos da Floresta, de Yaguarê Yamã: narrativas do povo Maraguá sobre seres da floresta, focadas na tradição oral.

A Boca da Noite, de Cristino Wapichana: vencedor do Prêmio Jabuti, narra a relação entre um pai e seu filho ao ouvirem o som da noite.

Falando Tupi, de Yaguarê Yamã: introduz crianças ao universo da língua tupi, explorando palavras do dia a dia.

O Sabiá e a Menina, de Daniel Munduruku: uma história sobre a vida e a morte, recheada de lirismo e sabedoria ancestral.

O povo Kambeba e a gota d’água, Márcia Kambeba: narra o início do “povo das águas”, os

Omágua/Kambeba, destacando as tradições seculares relacionadas aos rios que atravessam seus territórios. “Ser o povo das águas é motivo de alegria e honra para os que vivem na aldeia e na cidade”.

Dica de lançamento de livro infantil:

Mario Bernardo Filho (professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, biomédico, fisioterapeuta, acupunturista, escritor e diretor do Instituto Saúde.com ltda, @mariobernardofilho e @institutosaude.com.ltda) lançará seu primeiro livro infantil neste fim de semana, no Rio de Janeiro. A seguir, palavras do autor acerca do que lhe impulsionou a escrita para o público infantil:

“Uma satisfação muito grande invade meu corpo pelo fato de entrar no universo de escrever um livro infantil. Um grande desafio depois de passar muitos anos publicando inúmeros artigos científicos em nível de competição internacional relacionados aos projetos de pesquisa na área da saúde que orientei sobre terapia envolvendo atividade física. A definição do tema principal para os livros infantis foi motivo de muitas reflexões até chegar no autocuidado. Essa escolha surgiu pelas pelo fato da apresentação de palestras para alunos do ensino fundamental e médio para justificar os valores recebidos pelo órgão de fomento para as minhas pesquisas. Falar e pesquisar sobre atividade física sempre gerou em mim uma grande vibração.”

A atividade física é um dos pilares do autocuidado visando a promoção da saúde ao longo da vida de uma pessoa. Mas como conversar de atividade física no mundo infantil? Que tal deixar um órgão que é favorecido pela atividade física conversar com a criança, e talvez até com um adulto? Que tal deixar um órgão conversar sobre outros pilares do autocuidado, como a alimentação saudável, o convívio social, a interação familiar, o sono reparador?                                            

A coleção nasce com a missão de transformar a educação em saúde em uma jornada de descoberta para todos os leitores, e em particular para as crianças. Todo o planejamento da coleção envolve um material estruturado para facilitar o processo de ensino-aprendizagem, combinando fundamentação teórica (pedagogia), procedimentos práticos (técnica) e estratégias de ensino (didática).

Visa não apenas transmitir conhecimento, mas garantir que ele seja compreendido e aplicado diariamente. Visa promover também a disciplina.  A pretensão da coleção é sensibilizar a todos para praticar hábitos saudáveis por toda a vida, e não tem idade para começar a pensar no autocuidado.

No primeiro volume, o protagonista é o Coração: ‘Sou seu amigo, o coração, que apresenta às crianças e aos seus responsáveis a importância do autocuidado e de hábitos que promovem o bem-estar desde a infância’. Noções de anatomia, da fisiologia, da afetividade, do comportamento humano são mostradas de forma lúdica nesse livro.

Também surgiu a ideia de se ter uma mascote representativa do autocuidado, e aparece a gata “Care”, e noções de inglês são introduzidas, autocuidado em inglês é self-care. Diferentemente de outros livros, a proposta da obra é humanizar os órgãos do corpo, deixando cada órgão, mostrar para as crianças e até para adultos, como seus hábitos do dia a dia podem deixar o corpo com saúde. E, você, já parou para pensar na importância do autocuidado visando a promoção da saúde”.

Cabe incentivarmos a leitura desde as séries iniciais. Em tempos de Inteligência Artificial, é um enorme desafio levar o público das diversas idades e principalmente o infantojuvenil ao universo das letras. Concluímos com o pensamento de Cícero “Se temos uma biblioteca e um jardim, temos tudo”.

Renata Barcellos

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Professor: profissão perigo?

                                                

Renata Barcellos: ‘Professor: profissão perigo?

Renata Barcellos
Renata Barcellos
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Desde o início deste ano letivo, tenho presenciado professores ‘desabafando’ em reuniões, intervalos… E o mais preocupante: todos os relatos são de capacitados e centrados. As queixas? Turmas numerosas, desinteresse dos alunos, desrespeito… Ao ouvi-los, veio-me à cabeça um fragmento desta música de Beth Carvalho cantada há décadas:

“Como será amanhã?

Responda quem puder

O que irá me acontecer?

O meu destino será como Deus quiser”.

Esta estrofe sintetiza a inquietação e indignação de muitos docentes como eu. Atuo na área da educação desde 92 e nunca vivi e presenciei tamanho caos. Os fatores são diversos como desinteresse, desrespeito, agressões, assédio, má formação profissional …A quem culpar? Ao método de ensino do professor apenas ? Cruel isso, não!?

Desafio o leitor a entrar em uma sala de aula sem estrutura física e/ou sem recursos com 50 alunos e, dentre estes, muitos com autismo, TDH… e conseguir ministrar uma aula motivadora. Em tempos de celular, de aplicativos variados … como concorrer com a tecnologia? Fomos orientados para utilizar ferramentas tecnológicas em aula? A escola e os responsáveis estão preparados para lidar com novas formas de construção de conhecimento? Em tempo, ainda hoje quando se propõe uma aula externa, persiste em considerar isso como passeio. Você, leitor, quais são suas recordações em tempo de escola? Com certeza, uma delas foram as atividades fora dos muros escolares. Recordo-me de todas as aulas externas como aluna ou professora. Experiências enriquecedoras e inesquecíveis. Navegar por outros mares é preciso!!!

Não é só o professor que deve se atualizar. A sociedade precisa se conscientizar. Enquanto não houver qualificação e apoio dos responsáveis, não haverá educação de qualidade. Na contemporaneidade, com tanta exposição, poluição visual como disse Ítalo Calvino, será luta em vão.

Professores estão cada vez mais doentes. Cada um sabe o fardo que carrega na vida pessoal. E ainda, em sala de aula, lidar com indisciplina, desacato…., Quanta sobrecarga!!!

Segundo um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), em 2025, foi “desenhado” um cenário desafiador em sala de aula: altos índices de estresse, ansiedade e depressão. Isso pelo fato de o Brasil enfrentar um recorde de afastamentos de professores, com mais de 150 mil devido a transtornos mentais como depressão e Burnout. A crise de saúde mental na educação, impulsionada por jornadas excessivas e baixa valorização, teve forte impacto, por exemplo, em São Paulo, onde 25 mil professores foram afastados entre janeiro e setembro. 

Estatísticas de Afastamentos de Professores em 2025

  • Nacional: mais de 150 mil professores afastados por Burnout e Depressão.
  • São Paulo (Rede Estadual): mais de 25 mil professores foram afastados entre janeiro e setembro de 2025.
  • São Paulo (Rede Municipal): uma pesquisa indicou que cerca de 60% dos professores da rede municipal de São Paulo se afastaram por problemas de saúde nos últimos 12 meses.
  • Interior de SP (Regional): cidades como São Carlos e Araraquara registraram 565 licenças médicas por transtornos mentais de janeiro a setembro.
  • Tocantins: mais de 1,7 mil profissionais da rede estadual se afastaram por adoecimento mental em 2025.
  • Campinas (SP): mais de 3 mil professores afastados por transtornos mentais em 2025. 
  • Rio de Janeiro (RJ): 25% dos professores licenciados foram por motivos de depressão ou ansiedade. A situação é agravada por assédio e sobrecarga de trabalho.

Principais Causas e Tendências

  • Saúde Mental: os transtornos mentais e comportamentais são a principal causa de licenças.
  • Diagnósticos Comuns: ansiedade, depressão e estresse, com destaque para a Síndrome de Burnout.
  • Fatores de Risco: as causas incluem jornadas de trabalho excessivas, violência escolar, desvalorização profissional, falta de estrutura e grandes números de alunos por sala.
  • Cenário de Adoecimento: os dados indicam que o adoecimento é estrutural, com tendência de aumento no número de afastamentos na área da educação.

A partir dos dados apresentados, constatamos que a profissão de professor é uma das mais afetadas por transtornos mentais.  No dia 26 de maio de 2025, riscos psicossociais foram incluídos na NR-1, norma que apresenta as diretrizes de saúde no ambiente do trabalho. Após a sua inclusão, o Ministério do Trabalho passa a fiscalizar os riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Isso pode acarretar penalizações, caso sejam identificadas questões como: 

  • metas excessivas 
  • jornadas extensas 
  • ausência de suporte 
  • assédio moral 
  • conflitos interpessoais 
  • falta de autonomia no trabalho 
  • condições precárias de trabalho 

Depois de vivenciar a sala de aula, iniciar mais um ano letivo, ouvir relatos de colegas, cada vez mais ecoa em minha cabeça esta estrofe:

“Como será amanhã?

Responda quem puder

O que irá me acontecer?

O meu destino será como Deus quiser”.

O ano letivo de 2026 mal iniciou e nós, professores, já estamos nos questionando:  “O que irá me acontecer?” E, pior ainda, pensar na aposentadoria. A reforma retardou a saída de milhares de professores. E há emocional para suportar até “pagar o pedágio”?

“Como será amanhã” diante de tantos fatores apresentados anteriormente? Com certeza,  o problema com relação à evasão escolar não está atrelada apenas ao método adotado por quem ensina. Será que todos utilizam os inadequados por serem ultrapassados?

Cabe ressaltar que os tipos de avaliação são diversos. Segundo a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), avaliar não se limita a aplicar provas ou atribuir notas: trata-se de acompanhar o desenvolvimento integral do estudante, identificando avanços, dificuldades e potencialidades. Nesse contexto, há quatro: avaliação diagnóstica, formativa, somativa e autoavaliação. Cada uma possui objetivos e aplicações próprias. Todas têm em comum o compromisso de tornar a aprendizagem mais significativa. Avaliar é preciso!!! Enquanto professora procedo como considero melhor. E, assim, o meu destino será como EU quiser. Abaixo à repressão!!! Viva a liberdade pedagógica!!!

Renata Barcellos

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Atendimentos nos estabelecimentos comerciais

Renata Barcellos

‘Como tem sido os atendimentos nos estabelecimentos comerciais?’

Renata Barcellos
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Na atualidade, muitas vezes, o que vivenciamos e presenciamos são casos de falta de empatia, decomprometimento, de respeito … Um exemplo disso são os maus atendimentos nos estabelecimentos comerciais. Dirigimo-nos a uma loja a fim de adquirir algum produto e, geralmente, somos mal recebidos. Uma má vontade em nos atender assustadora. Às vezes, o vendedor chega ao ponto de dizer que não há o solicitado. O que está acontecendo com estes “profissionais”? Nós, clientes, sentimo-nos péssimos. É como se ele estivesse nos prestando um favor. Não seria o contrário? Estes não tem consciência de que se não comprarmos naquele estabelecimento, não haverá emprego?

Cabe ressaltar que para ser um bom profissional é necessário além de formação específica, ser gentil, paciente… Quem lida com o público precisa ter essas habilidades desenvolvidas. Como adquirir um produto se o vendedor não apresenta aquele compatível com seu perfil? No caso de vestimenta, muitas vezes, querem vender apenas. Não se preocupam com a adequação à pessoa. Não exigimos vendedor estilista. Mas, ao menos, alguém que possa ter um outro olhar e nos sugerir algo propício ao nosso biótipo e/ou evento no qual utilizaremo-na.

Dessa forma, o mau atendimento é a principal causa de perda de clientes no Brasil, superando o preço alto. São cerca de 68% a 80% dos consumidores abandonando marcas após experiências ruins. Estudos indicam que 54% a 76% dos clientes nunca mais voltam após um atendimento ruim e apenas 5% a 10% reclamam diretamente na loja.

A nova pesquisa “Atendimento ao Cliente 2025”, realizada pela Hibou, empresa de pesquisa e insights de consumo, com 1.926 consumidores em todo o país, revela que o atendimento já é o 3o fator mais importante na hora de escolher um produto ou serviço, superando até o preço. Esse dado representa um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2023 e comprova que a relação com o cliente passou a ser um diferencial competitivo.

Vejamos as estatísticas e os pontos principais sobre este tema:

Impacto do Mau Atendimento nas Vendas:

Abandono de compra: Até 80% dos consumidores no Brasil desistem de compras devido a problemas no atendimento.

Desistência imediata: 65% dos consumidores desistem de finalizar compras após experiências ruins.
Reincidência: Mais de 70% dos clientes abandonam uma empresa após dois atendimentos ruins.
Relevância na decisão: Para 97% dos brasileiros, a qualidade do atendimento é um fator determinante na compra.

Perda de fidelidade: Cerca de 6 em cada 10 clientes se afastam de empresas após um mau atendimento.

Principais Causas de Mau Atendimento:

1. Despreparo da equipe: 58% dos brasileiros apontam despreparo das empresas para lidar com dúvidas e reclamações.

2. Grosseria: Para 67,1% dos consumidores, a malcriação ou grosseria de um funcionário influencia
negativamente na relação comercial.

3. Falta de empatia/agilidade: 50,1% dos clientes dizem que se o atendimento não for amigável, não há negócio.

4. Canais ineficientes: 48,6% desistem de empresas que não possuem canais de contato eficientes.

Cenário Brasileiro

Ranking negativo: Brasil já ocupou a 5a pior posição em um ranking mundial de satisfação com
atendimento ao cliente.

Baixa aprovação: pesquisas indicam que apenas 11% a 28% dos consumidores brasileiros estão satisfeitos com os serviços de atendimento (SAC).

Disposição para pagar mais: consumidores pagariam até 30% a mais por um produto ou serviço para garantir uma boa experiência de compra.

O que compõe o mau atendimento:

Apatia: funcionários que não demonstram se importar.

Má vontade e frieza: falta de disposição para ajudar.

Robotismo e Desdém: atendimento sem humanização ou desprezível.

Excesso de burocracia: demasiado apego às normas.

O estudo CX Trends 2025, realizado pela Octadesk, plataforma de atendimento da LWSA, em parceria com o Opinion Box, apresenta os principais problemas relatados pelos consumidores:

– produtos ou serviços com qualidade abaixo do esperado (26%)

– entregas atrasadas (24%) ou não realizadas (21%)

– propaganda enganosa (24%)

– problemas no atendimento (20%)

– falta de retorno sobre reclamações e solicitações (18%).

Por isso, muitas lojas estão adotando a prática de, ao término do atendimento, o funcionário ser avaliado. Estamos sendo avaliados e avaliamos a todo o momento. A vida não é um reality show!!!! Estamos sendo vigiados e monitorados 24 horas. Isso é profícuo???

O mau atendimento ao consumidor é protegido pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). É considerado prática abusiva, com direito a indenização por danos morais e materiais, conforme Artigos 6º, 14º e 39º. A recusa de atendimento, informações claras, ou tratamentos vexatórios obrigam a empresa a reparar os danos.

Principais Direitos sobre Mau Atendimento:

• Atendimento Defeituoso (Art. 14): fdornecedor responde por falhas no serviço (informação inadequada, mau tratamento) independentemente de culpa.

• Prática Abusiva (Art. 39): é proibido recusar atendimento ou venda a quem aceita o pronto pagamento.

• Dano Moral (Art. 6º): consumidor tem direito à proteção contra o constrangimento, humi-lhação pública ou tratamento desrespeitoso que viole a dignidade.

• Cumprimento de Oferta (Art. 35): caso a falha no atendimento resulte na não entrega do produto, o cliente pode exigir o cumprimento forçado, outro produto ou desistir da compra com res-tituição.

Procedimentos:

1. Registre TUDO: anote protocolos, datas, nomes dos atendentes, tire fotos ou faça vídeos.

2. Reclame Formalmente: use o consumidor.gov.br, PROCON ou sites de queixa.

3. Ação Judicial: em casos graves de dano moral (constrangimento/humilhação), é possível entrar com ação no Juizado Especial Cível (pequenas causas), muitas vezes sem custos, para pedir indenização.

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Violência contra a mulher

Renata Barcellos

‘Violência contra a mulher retratada nas literaturas’

Renata Barcellos
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Se as literaturas retratam o homem no seu tempo, na contemporaneidade, um dos temas é a violência contra a mulher. Conforme Ezra Pound (2006,p.36): “[…] se a literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e de cai”. Isso significa que esta expressão artística é, enquanto manifestação dos homens, uma forma de comunicação. Talvez não haja equilíbrio social.

Já de acordo Antonio Candido no ensaio O direito à literatura, as literaturas, assim como o sonho (essencial para o equilíbrio psíquico individual), são uma necessidade universal e fundamental para a humanização do homem. O autor defende que o acesso a elas deve ser um direito garantido a todos, pois contribuem para a coesão social e a humanização, combatendo o caos e a desumanização.

Um dos textos literários que aborda o feminicídio é o conto Venha ver o pôr do sol de Lygia Fagundes Telles cuja história é de Ricardo e de Raquel, um casal de ex-namorados que vivencia um último encontro em um cemitério abandonado. Vale a pena conferir!!!

No Brasil, segundo dados oriundos do anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais, uma mulher é estuprada a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil. Cabe ressaltar que essa informação é baseada apenas nos casos oficialmente registrados. Quantos ainda não o foram? Denuncie!!!! Nunca é tarde!!! Ligue 190 (Polícia Militar), 180 (Ligue 180 / Central de Atendimento à Mulher) ou 100 (Disque Direitos Humanos). Não se cale!!!

Em maio de 2016, no Rio de Janeiro, a barbárie contra uma jovem de 16 anos causou horror à sociedade brasileira. A adolescente foi violentada por 30 homens e a divulgação do ato foi feita pelos próprios estupradores. Antes deste caso e até na atualidade, quantos MAIS não ocorreram? Dez anos depois, recentemente, uma de 17 anos foi atacada por 4 homens. O que está acontecendo no mundo?

Vale ressaltar que, na crônica: Não as matem, de Lima Barreto (pré-modernista), há a denúncia do autor de que o homem se julga no poder de aniquilar a vontade da mulher. Isso foi redigido a mais de um século. A narrativa transcendeu o seu próprio tempo, porque o conteúdo da obra ainda se mantém atual, infelizmente. Ao tratar deste assunto, Barreto esteve à frente da Justiça brasileira no sentido de elucidar a razão do uso da força e da violência contra a mulher.

Na contemporaneidade, de forma avassaladora, ações cruéis só aumentam. Quais são os fatores que levam a tais práticas? Como acabar com estes atos bárbaros? Conforme anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais:

  • Recorde de Casos: Brasil registrou mais de 83 mil casos de estupro (incluindo vulneráveis) em 2025, um número que segue em patamares elevados após recordes anteriores.
  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados envolvem vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Frequência: estima-se que ocorra um estupro a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil, segundo dados de 2023-2025.
  • Dados de 2025: prévia de dados do Ministério da Justiça indicou mais de 83 mil casos, com uma média de 227 vítimas por dia.
  • Tendência de Aumento: em um período de 10 anos (até 2025), a quantidade de estupros aumentou expressivamente, chegando a mais de 70% de alta no acumulado.

Perfil das Vítimas e Agressores

  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados são de estupro de vulnerável, que envolve vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Idade: a maioria das vítimas é muito jovem. Dados mostram que 6 em cada 10 vítimas têm até 13 anos.
  • Gênero: 88,7% das vítimas são do sexo feminino.
  • Local e Agressor: a maior parte dos crimes ocorre dentro de casa. Cerca de 70% a 86% dos casos são praticados por conhecidos, familiares, pais ou padrastos.
  • Crianças/Adolescentes: de 2021 a 2023, foram registrados 164.199 casos de estupro contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.
  • Perfil dos Agressores no Coletivo: em casos de múltiplos agressores, 27,7% dos autores são estranhos, 28,3% conhecidos, e 10,3% parentes. 

Isso ocorre mesmo havendo legislação como a Lei Maria da Penha criada pelo Estado brasileiro, Lei nº11.340, em 7 de agosto de 2006. Já, em 9 de março de 2015 começou a vigorar no ordenamento jurídico brasileiro a Lei nº13.104, no qual passou a prever no Código Penal o crime de feminicídio. Nem assim os índices reduzem. O que está havendo?

Dado o ocorrido, diversas discussões estão em pauta: a educação recebida pelos responsáveis concernente a atos que firam a dignidade feminina ou a integridade de jovens.
O que leva um adolescente a cometer estupro? Como as jovens têm sido orientadas para se defenderem? Será que vivemos em uma cultura do estupro?…

A expressão “cultura do estupro” não é nova. Entrou em uso nas ruas e nas redes sociais com os novos movimentos feministas e depois da publicidade de um estupro coletivo ocorrido em uma comunidade carioca. Ao mesmo tempo em que cresce a denúncia de uma “cultura do estupro”, estamos caminhando para uma cultura anti-estupro.  

Urgem aulas de Educação Sexual a fim de orientar os alunos de que não só as relações sexuais sejam praticadas sob o signo do consentimento e da liberdade, da autonomia e da dignidade de cada um (uma). Mais também de que o estupro ou qualquer ato sexual violento é inaceitável, porque revela um profundo desrespeito à autonomia feminina. Estupro é um ato violentíssimo, uma invasão ao corpo cujos efeitos são devastadores: depressão, períodos longos de silêncio, descuido com o corpo, dificuldade e pânico diante de tentativas de relações afetivas e sexuais, incompreensão, distanciamento…   

A temática deve ser abordada nas instituições de ensino. A conscientização é urgente. Cada professor na sua área de atuação deve discuti-la. Por exemplo:

– Língua Portuguesa e Literaturas: apresentar os textos literários aqui citados. Nas últimas trêssemanas,ministrando estas disciplinas, propus o seguinte:

* na primeira semana: leitura da crônica: Não as matem, de Lima Barreto. Em seguida, a elaboração de um parágrafo sobre a temática abordada.

* na segunda semana: Vídeo no YouTube sobre o conto Venha ver o pôr do sol, de Lygia Fagundes Telles. Em seguida, justificar o título e elaborar uma publicidade sobre a temática abordada.

* na terceira semana: leitura do primeiro capítulode Água de Mortas (Editora Patuá, 2017), pela escritora paraense Isadora Salazar. Neste, a temática do feminicídio é abordado.

Biologia: os males no corpo e na alma

Educação Física: defesa pessoal

– História: legislações

São apenas algumas sugestões. Professor, não tenha receio!!! Utilize sua criatividade e aborde a temática!!! Diga não a qualquer tipo de violência!!! E vale ressaltar que se o professor for repreendido pela abordagem da temática também é um ATO DE VIOLÊNCIA!!!! Diga NÃO À FALTA DE LIBERDADE PEDAGÓGICA!!!

Renata Barcellos

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Estupro coletivo

Renata Barcellos: Artigo ‘Estupro coletivo’

Renata Barcellos
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No Brasil, segundo dados oriundos do anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais, uma mulher é estuprada a cada 6 ou 8 minutos. Cabe ressaltar que essa informação é baseada apenas nos casos oficialmente registrados. Quantos ainda não o foram? Denuncie!!!! Nunca é tarde!!! Ligue 190 (Polícia Militar), 180 (Ligue 180 / Central de Atendimento à Mulher) ou 100 (Disque Direitos Humanos). Não se cale!!!

    Em maio de 2016, no Rio de Janeiro, o estupro coletivo de uma jovem de 16 anos causou horror à sociedade brasileira. A adolescente foi violentada por 30 homens e a divulgação do ato foi feita pelos próprios estupradores. Antes deste caso e até na atualidade, quantos MAIS não ocorreram? Dez anos depois, recentemente, uma de 17 anos foi violentada por 4 homens. O que está acontecendo no mundo? 

    Vale ressaltar que, na crônica: Não as matem, de Lima Barreto (pré-modernista) há a denúncia do autor de que o homem se julga no poder de aniquilar a vontade da mulher. Isso foi redigido há mais de um século. A narrativa transcendeu o seu próprio tempo, porque o conteúdo da obra ainda se mantém atual, infelizmente. Ao tratar deste assunto, Barreto esteve à frente da Justiça brasileira no sentido de elucidar a razão do uso da força e da violência contra a mulher.

    Assim, verificamos conforme Ezra Pound (2006,p.36):  “[…] se a literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e decai”. Isso significa que esta expressão artística é, enquanto  manifestação dos homens, uma forma de comunicação. Talvez não haja equilíbrio social. Já de acordo Antonio Candido no ensaio O direito à literatura, as literaturas, assim como o sonho (essencial para o equilíbrio psíquico individual), são uma necessidade universal e fundamental para a humanização do homem. O autor defende que o acesso a elas deve ser um direito garantido a todos, pois contribuem para a coesão social e a humanização, combatendo o caos e a desumanização. Outro texto literário que aborda o feminicídio é o conto Venha ver o pôr do sol de Lygia Fagundes Telles. Vale a pena conferir os dois!!!

     Na contemporaneidade, de forma avassaladora, ações cruéis só aumentam. Quais são os fatores que levam a tais práticas? Como acabar com estes atos bárbaros? Conforme anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais:

  • Recorde de Casos: Brasil registrou mais de 83 mil casos de estupro (incluindo vulneráveis) em 2025, um número que segue em patamares elevados após recordes anteriores.
  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados envolvem vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Frequência: estima-se que ocorra um estupro a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil, segundo dados de 2023-2025.
  • Dados de 2025: prévia de dados do Ministério da Justiça indicou mais de 83 mil casos, com uma média de 227 vítimas por dia.
  • Tendência de Aumento: em um período de 10 anos (até 2025), a quantidade de estupros aumentou expressivamente, chegando a mais de 70% de alta no acumulado.

Perfil das Vítimas e Agressores

  • Estupro de Vulnerável: cerca de 70% a 76% dos casos registrados são de estupro de vulnerável, que envolve vítimas menores de 14 anos ou sem capacidade de consentimento.
  • Idade: a maioria das vítimas é muito jovem. Dados mostram que 6 em cada 10 vítimas têm até 13 anos.
  • Gênero: 88,7% das vítimas são do sexo feminino.
  • Local e Agressor: a maior parte dos crimes ocorre dentro de casa. Cerca de 70% a 86% dos casos são praticados por conhecidos, familiares, pais ou padrastos.
  • Crianças/Adolescentes: de 2021 a 2023, foram registrados 164.199 casos de estupro contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.
  • Perfil dos Agressor no Coletivo: em casos de múltiplos agressores, 27,7% dos autores são estranhos, 28,3% conhecidos, e 10,3% parentes. 

    Isso ocorre mesmo havendo legislação como a Lei Maria da Penha criada pelo Estado brasileiro, Lei nº11.340, em 7 de agosto de 2006. Já, em 9 de março de 2015 começou a vigorar no ordenamento jurídico brasileiro a Lei nº13.104, no qual passou a prever no Código Penal o crime de feminicídio. Nem assim os índices reduzem. O que está havendo?

    Dado o ocorrido, diversas discussões estão em pauta: a educação recebida pelos responsáveis concernente a atos que firam a dignidade feminina ou a integridade de jovens.
O que leva um adolescente a cometer estupro? Como as jovens têm sido orientadas para se defenderem? Será que vivemos em uma cultura do estupro?…

    A expressão “cultura do estupro” não é nova. Entrou em uso nas ruas e nas redes sociais com os novos movimentos feministas e depois da publicidade de um estupro coletivo ocorrido em uma comunidade carioca. Ao mesmo tempo em que cresce a denúncia de uma “cultura do estupro”, estamos caminhando para uma cultura antiestupro.

Urgem aulas de Educação Sexual a fim de orientar os alunos de que não só as relações sexuais sejam praticadas sob o signo do consentimento e da liberdade, da autonomia e da dignidade de cada um (uma). Mais também de que o estupro ou qualquer ato sexual violento é inaceitável, porque revela um profundo desrespeito à autonomia feminina.

Estupro é um ato violentíssimo, uma invasão ao corpo cujos efeitos são devastadores: depressão, períodos longos de silêncio, descuido com o corpo, dificuldade e pânico diante de tentativas de relações afetivas e sexuais, incompreensão, distanciamento…  

De acordo com Sofia Débora Levy (psicóloga clínica, bacharel e licenciada em Psicologia e em Letras Português-Hebraico,  Professora, Consultora, Mestre em Psicologia/UFRJ, Doutora em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia/UFRJ com Pós-Doutoramento em Memória Social/ UNIRIO. 

Membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, é Representante para a Memória do Holocausto do Congresso Judaico Latino-Americano; membro do Conselho de Educação da StandWithUs-Brasil; Associada Fundadora  do Memorial às Vítimas do Holocausto/RJ; e Vice-Presidente  do Memorial Judaico de Vassouras.

Autora de vários livros, como “Sobre Viver -vol. 1 e 2”, “Holocausto: vivência e retransmissão” e “Por dentro do trauma”, além de artigos e capítulos de livros publicados, profere palestras sobre Psicologia Clínica e Social, Holocausto, trauma, violência, saúde mental e relacionamentos num exercício contínuo de reflexão crítica humanística), “estupro é considerado crime hediondo pela legislação brasileira (Lei No. 8072/1990). Um crime perverso pois o corpo, o pênis, é usado como arma para ferir. Motivação do estupro: sensação de poder através do abuso do outro.

No caso da jovem estuprada num apartamento em Copacabana para onde foi chamada por seu ex-namorado, quatro outros rapazes maiores de idade participaram do crime.  E, ao final , após a saída da jovem do prédio, conforme as câmeras gravaram, comemoraram com sinais de vitória. A perversão continua nesse comportamento covarde em que os agressores comemoram sem se importar por ter marcado a vida de uma jovem dessa forma”. Quem quiser saber mais sobre o corpo usado como arma, assista ao vídeo da psicóloga disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bn58Tf8MNpc.  

Renata Barcellos

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