Convergências – A Poesia Virtual de Tchello D’Barros Mostra individual e itinerante de poemas visuais
Poemas sem Palavras, de Juliano Lobato Mostra Itinerante de Poemas Virtuais
Card da exposição Convergências – A Poesia Virtual de Tchello D’Barros
Card da exposição Poemas sem Palavras, de Juliano Lobato
Caro leitor, nesta exposição, podemos constatar que cada obra apresentada funciona como um experimento único sobre a capacidade dos signos de gerar novos signos. Isso por se tratar de um processo contínuo de associações, deslocamentos e ressignificações.
A produção de Lobato aproxima-se de um aspecto da semiótica contemporânea: o de compreendê-la como semiose ilimitada. Isso pelo fato de se compreender que nenhum signo possui significado definitivo, pois todo significado gera novas interpretações.
Cabe dizer também que na produção de Lobato apresenta uma correlação entre Intensivismo e Poema-Processo. Talvez seja esta contribuição o que há de mais singular na sua exposição. O Intensivismo, formulado por Wlademir Dias-Pino, já apontava para uma poesia baseada na intensidade da informação visual e não na linearidade da leitura verbal.
Já o Poema-Processo radicalizou essa perspectiva ao libertar definitivamente o poema da palavra. E, a partir desses dois movimentos, Lobato vai além mar ao mergulhar profundamente nesses novos horizontes. Enquanto pesquisadora desta vertente literária, ouso dizer que Wlademir Dias-Pino deve estar muito satisfeito com a produção de Lobato.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.
Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”. Vale a pena conferir!!!
Serviço
Exposição: Convergências
Artista: Tchello D’Barros
Exposição: Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema Artista: Juliano Lobato
Período: 7 a 21 de junho de 2026
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT
A cidade de São Luís – mais conhecida como ILHA DO AMOR – é fascinante nos seus diversos aspectos: culinária (ah, a caldeirada, o arroz de cuxá; geografia (os lindos casarões na velha São Luís, com seus belos azulejos; literatura (grandes escritores e pesquisadores)… Neste início de mês junino, tive o privilégio de participar de alguns eventos culturais de excelência.
– Café Literário: a Academia Olindense de Letras (AOL), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Olinda Nova do Maranhão, realizou o Café Literário, um momento especial de incentivo à leitura, à escrita e à valorização dos talentos estudantis do município. O evento contou com a presença do prefeito Valdenir Penha Diniz, da secretária municipal de Educação: Maria de Lourdes Abrantes Batista, membros da Academia Olindense de Letras, educadores, estudantes e convidados.
Um dos destaques da programação foi a participação da aluna Laynara Raquel Pinheiro Ferreira, da U.E. Capitão Antônio Serra Freire, cujo texto apresentado foi o poema “Além da Profundidade do Mar”. Vale destacar que a jovem poetisa foi reconhecida pela Comissão Julgadora como vencedora por aclamação. Também houve o depoimento inspirador da estudante Maria Clara da Silva Soares, participante do Congresso Internacional de Robótica, realizado na Coreia do Sul (mais conhecida como FIRA roboworld Cup, em 2025), compartilhando sua experiência e conquista internacional.
– Academia Maranhense de Letras (da qual sou membro correspondente): gostaria de agradecer ao espaço concedido para apresentar o Projeto Com a Palavra o Autor com a participação de escritores afro-brasileiros e indígenas. Aqui, reunimos os maranhenses: Consuelo Travassos, Iramir Alves Araujo, RAIMUNDA Frazão, Ray Brandão, Rita De Cássia Oliveira e Wanda Cristina Cunha.
A mesa-redonda contou com a participação de dois acadêmicos Hemily Caroliny Nunes e Ramiro José Castro, da Academia Maranhense de Letras Infantojuvenil (AMLIJ). De acordo com a presidente desta instituição Sharlene Serra, a contribuição deles foi “um importante momento de valorização da juventude nos espaços de produção cultural e literária do Maranhão.
Durante o encontro, os jovens acadêmicos compartilharam suas vivências dentro da AMLIJ e destacaram como a Academia tem contribuído para a propagação de crianças e adolescentes escritores, leitores e agentes de transformação social. Em suas falas, ambos ressaltaram que a existência da AMLIJ ampliou as possibilidades de participação da juventude nos ambientes literários.
Mais do que incentivar a escrita, a Academia abriu portas para que seus acadêmicos fossem reconhecidos como produtores de cultura, ocupando espaços historicamente reservados aos adultos”.
– CAAHS (Centro de Atendimento Educacional Especializado para Altas Habilidades ou Superdotação SEMED/ São Luis-MA): eu e Campos fomos conhecer esta instituição. Lá, uma grata surpresa: encontramos a confreira Luzinete Silva (Mestre em Educação, escritora, mediadora no Centro de Atendimento a estudantes com Altas Habilidades/Superdotação…) e a gestora Fernanda Serra. De acordo com a mediadora, o CAAHS “atende alunos com esse perfil identificados nas escolas municipais. A equipe realiza oficinas nas escolas e encaminha os estudantes de destaque para a gestão e especialista do CAAHS que avalia e posteriormente o aluno passa a ser atendido no contraturno.
Sob a orientação de mediadores, são oferecidas oficinas de Tecnologia Criativa, Robótica, Artes, Xadrez, Lógica-Matemática , Educomunicação e Escrita Criativa e — esta última mediada por Luzinete Silva e Mikaele Dutra, com orgulho de ter duas de suas estudantes na Academia Maranhense de Letras Infanto-juvenil, e outros talentos.
Conforme Sharlene Serra (escritora, educadora e presidente da AMLIJ), já desempenhou a função de facilitadora da área Verbal-Linguística, esta instituição tem “como missão identificar, estimular e potencializar talentos em diferentes áreas do conhecimento. Também destaca que o incentivo às potencialidades dos estudantes é fundamental para que talentos sejam reconhecidos, desenvolvidos e estimulados desde cedo.
Instagram: @caahssemedma
– Cerimônia de Certificação e Premiação: Programa Escola Sustentável 2026: eu e Campos fomos prestigiar a bela iniciativa da prefeitura com este evento. Urge mais iniciativas como esta, a fim de conscientizar nossos jovens para serem cidadãos conscientes quanto ao meio ambiente. Os cerimonialistas foram os estudantes: Celk Ryan Licar da Silva e a de Escrita Criativa e Educomunicação, Lívia Cantanhede Brasil.
– Cia. de Artes Beto Bittencourt: eu e Campos fomos conhecer o espaço cultural (uma prévia da inauguração, com abertura do espaço para 20 alunos e professores) idealizado pela confreira Joana Bittencourt. Neste dia, foram recebidos alunos do Centro de Atendimento de Altas Habilidades e Superdotação (CAAHS).
Lá, eles e nós fomos recepcionados com uma bela programação: desde a apresentação do projeto “Viva! Teatro de Bonecos e Biblioteca Mário Meirelles”, Visita guiada à Biblioteca Mário Meirelles e ao acervo de bonecos teatrais a um momento interativo com os alunos com a apresentação da peça teatral com bonecos: DONA BARATINHA E OUTROS BICHOS DO LIXO – com os atores Nila Bittencourt e Leonel Alves.
E com a presença dos artistas restauradores: Leonel Alves, Nila Bittencourt e Andrews Barros. Segundo Joana Bittencourt (escritora, teatróloga, compositora, Gestora Ambiental e educadora ambiental. Pós-graduação em Arte mídia e educação e em Arte mídia e Educação), a Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt foi fundada “em 5 de setembro de 1999.
Criada, inicialmente, para dar continuidade ao trabalho com bonecos, do saudoso artista bonequeiro Beto Bittencourt, falecido em 15 de agosto daquele ano. Dentro da Sociedade, funcionam o Teatro de Bonecos, Artes cênicas, Artes plásticas, Produções Literárias, Oficinas de bonecos, Ponto de Cultura e Ponto de Leitura. A maioria dos bonecos de Beto Bittencourt, em torno de 120 peças, havia sido doada ao Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, hoje estão no museu Casa de Nhozinho.
As demais peças ficaram com a família, e são estas obras que foram restauradas e se encontram expostas na sede da Companhia, 32 bonecos, sendo: 8 pássaros, 8 marionetes, 3 mamulengos, 2 bonecos de pé, 1 gigante, 10 bonecos fantoches pequenos. Além destes, estão expostos vários núcleos de bonecos produzidos pela Companhia Beto Bittencourt, sendo a maioria fantoches na técnica papel machê e outros de espuma. São em torno de 250 bonecos. Todo a obra exposta faz parte do projeto VIVA TEATRO DE BONECOS E BIBLIOTECA MATIP MEIRELLES: CULTURA E IDENTIDADE PARA TRANSFORMAR. Patrocinado pela FAPEMA. O projeto contempla também a Biblioteca Dinâmica Mário Meirelles, com aproximadamente três mil livros”.
Como professora de Literaturas, me deleitei com o acervo de 3.000 exemplares organizado por temáticas: literaturas brasileiras, estrangeiras (logo que entrei, me deparei com Les Fleurs de Mal de Baudelaire), literatura maranhense…
– Coletivo de Escritores Maranhenses (CEM): foi com imensa satisfação ser convidada pela presidente do CEM (Ray Brandão) para ser a escritora entrevista do mês. Ainda mais por ter sido realizado na Galeria Trapiche (Casa de Graça Aranha) cuja gestão é do grande amigo e artista Uilmar Junior. Lá, vivenciamos um fim de tarde agradabilíssimo de troca de experiências.
De acordo com Ray Brandão (escritora, poeta, trovadora, prefaciadora e professora de Língua Portuguesa, atualmente, ocupa a função de presidente do Coletivo de Escritores Maranhenses…), o Coletivo de Escritores Maranhenses – CEM – “nasceu em 2022, da união de escritores independentes que começaram com saraus intimistas e hoje realizam eventos de maior porte, ocupando importantes espaços literários do estado através de parcerias com a Biblioteca Pública Benedito Leite, Biblioteca Municipal José Sarney, SESC, Galeria Trapiche, entre outros.
Movido por vontade e garra, desenvolve trabalho contínuo por visibilidade e reconhecimento dos seus escritores no cenário da literatura maranhense. Entre seus projetos estão o Brincareler, núcleo de Literatura Infantil que une o brincar ao ler com mediação e contação de histórias; o Poetizando nas Escolas, que leva poesia e formação literária para adolescentes do Ensino Médio e EJA; e o Negritude Maranhense, dedicado à valorização da produção literária negra do estado.
O coletivo também realiza os saraus Poetizando a Ilha do Amor, com homenagens à São Luís, e Voando em Bando, sarau dedicado aos escritores cordelistas do CEM para leituras coletivas e trocas literárias. Sediado na capital, mas com escritores correspondentes de várias cidades, o CEM é plural e tem como missão levar a literatura adiante, criar pontes entre escritores e leitores, ocupar espaços e formar novos públicos”.
– Casa Josué Montello: Em seguida, eu e Campos fomos à Casa Josué Montello. Não poderíamos deixar de visitar o espaço e dar um abraço na gestora Joseane.
– Mesa-redonda EGO E VAIDADE: no canal BarcellArtes
Com a participação de psicólogos, escritores, atriz, ativista cultural Jammy Said e com a fundadora da AIAP: Tatiana Azevedo
– Café da manhã no Asilo de Mendicidade: Por fim, eu e Campos fomos ao evento para prestigiar. Este teve por objetivo angariar recursos para a instituição. Foi idealizado pelo presidente Paulo Fialho e sua esposa, a fraterna Isabel Fialho. Tive a oportunidade de não só de conhecer todo o espaço como também de conversar com o casal.
O Asilo de Mendicidade de São Luís foi fundado em 21 de abril de 1919 (situado na Rua das Paparaubas, nº 16, no bairro Jardim São Francisco) por maçons da Loja Maçônica Renascença Maranhense.
Objetivos: proporcionar qualidade nos serviços assistenciais aos idosos, incluindo higienização, atividades físicas e cognitivas, assistência médica abrangente, organização de eventos comemorativos para integração e respeito às crenças religiosas individuais.
Público Alvo: acima de 66 anos. Hoje, 21 residentes (11 homens e 10 mulheres) recebem cuidados para preservação da saúde física, mental e desenvolvimento social, moral e espiritual, sempre em um ambiente de liberdade e dignidade.
Renata BarcellosImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a1e0462-aa80-83e9-ab6c-adb7599537af
A fome é um tema profundo e multifacetado nas literaturas. Trata-se não apenas uma metáfora, mas também uma denúncia social e reflexão sobre a desigualdade. No que tange o marco legal brasileiro de combate à fome, é estruturado por uma rede de leis e programas que garantem a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), visando ao acesso regular a alimentos de qualidade para toda a população.
As principais legislações e políticas públicas estruturantes incluem:
1. Leis e Direitos Fundamentais
• Emenda Constitucional nº 64/2010: alimentação como um direito social fundamental no art. 6º da Constituição Federal, impondo ao Estado a responsabilidade de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).
• Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN – Lei nº 11.346/2006): base legal que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Define princípios e diretrizes para que o poder público, em conjunto com a sociedade civil, formule políticas voltadas à erradicação da fome.
• Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos (Lei nº 15.224/2025): sancionada para incentivar a doação de alimentos, permite que bens próprios para consumo sejam direcionados a bancos de alimentos ou diretamente a beneficiários, reduzindo o desperdício e fortalecendo a rede de assistência.
A seguir, destacamos os principais escritores que abordaram o assunto.
A obra “Fome”, de Knut Hamsun, é um marco na história das Literaturas Mundiais. Publicado em 1890, o romance rompe com o Realismo e o Naturalismo do século XIX para inaugurar a estética moderna – aquela que mergulha na mente humana em colapso. Nesta obra, é narrada a história de um jovem escritor anônimo vagando pelas ruas de Christiania (atual Oslo), dividido entre o orgulho e a miséria. Mais do que um estado físico, a fome torna-se metáfora existencial da crise do homem moderno. Literaturas Brasileiras.
– “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, publicado em 1890, narra o meio insalubre do cortiço. O narrador descreve os esfomeados com um apetite voraz e irracional. A fome os transforma, anulando qualquer racionalidade e destacando apenas os instintos mais primitivos. Esta é não apenas uma necessidade biológica, mas também uma força motriz do Naturalismo. Uma das consequências diretas da exclusão social e da desigualdade retratadas no Brasil do século XIX. Ela reduz os moradores (sobretudo os mais marginalizados) a uma condição animalesca na luta pela sobrevivência.
– “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, não aborda a fome como um elemento isolado, mas como parte de uma engrenagem trágica. A escassez extrema aparece na obra de quatro formas principais: como calamidade cíclica, penitência religiosa, consequência ambiental e, sobretudo, como arma de guerra e epidemia sofrida pelas tropas e pelos sertanejos. Ao narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio Conselheiro, o autor narra também a formação do homem sertanejo. Assim, constituindo uma denúncia dos crimes cometidos.
– “A bagaceira”, de José Américo de Almeida, publicada em 1928,. O livro começa pela seca de 1898 e termina com a de 1915. Tem o enredo pautado pelo triângulo amoroso entre Soledade, retirante que chega à fazenda de Dagoberto Marçau, o senhor de engenho viúvo que inicia um caso com ela. E seu filho Lúcio (idealista) mantém uma paixão não platônica por esta moça. Trata-se não só de um romance da seca por trazer os retirantes aos engenhos de cana mas também um que aborda os problemas sociais dos engenhos, na Zona da Mata. Uma das frases mais célebres do livro é sobre a fome que assola a população regional: “Há uma miséria maior do que morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na terra de Canaã”.
– “O Quinze” é um romance da escritora brasileira Rachel de Queiroz, publicado em 1930. A história se passa no sertão nordestino do Brasil durante a seca de 1915, uma das mais devastadoras da região. A fome é um tema central no livro, pois a seca trouxe consigo a escassez de água, de alimentos e a miséria para a população local. A fome é representada como uma força avassaladora que afeta profundamente a vida das pessoas e as leva a fazer escolhas difíceis para garantir sua sobrevivência.
– “Menino de Engenho” é um romance de José Lins do Rego, publicado em 1932, faz parte do ciclo da cana-de-açúcar do autor. A obra é uma narrativa semiautobiográfica que descreve a infância e a adolescência do protagonista, Carlos, em um engenho de açúcar no nordeste brasileiro. Embora o foco principal do livro seja a vida no engenho e as relações familiares, a questão da fome também é um elemento importante na história.
– “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, publicado em 1937. O livro retrata a vida de um grupo de crianças e adolescentes desabrigados que vivem nas ruas de Salvador, na Bahia. A fome é um tema central na obra, pois as crianças enfrentam condições de vida precárias e frequentemente passam fome. Esta é uma constante em suas vidas, e a necessidade de encontrar comida é uma das principais motivações por trás de suas ações.
– “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, publicado em 1938. A obra é um retrato da vida de uma família de retirantes nordestinos que luta para sobreviver em meio à seca e à pobreza. A fome é um tema central e recorrente no livro. Graciliano Ramos descreve de forma vívida a angústia e o sofrimento da família diante da falta de comida.
– “Quarto de Despejos: Diário de uma Favelada”, de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960. Trata-se de um relato autobiográfico das experiências de vida da escritora como uma mulher pobre (catadora de papel) e mãe solteira no Brasil, moradora da favela do Canindé, em São Paulo. A autora destaca as desigualdades sociais, a desigualdade de gênero e a falta de direitos humanos que afetam milhares de brasileiros.
– “Olhos d’Água” é uma coletânea de contos da escritora brasileira Conceição Evaristo, publicada em 2014. Os contos componentes desta obra abordam várias questões relacionadas à vida de mulheres negras nas favelas e periferias do Brasil, como a fome e a pobreza.
– “Torto Arado” é um romance do escritor brasileiro Itamar Vieira Junior, publicado em 2018. O livro narra a história de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, que vivem em uma comunidade rural, no interior da Bahia, e explora temas de desigualdade, opressão, exploração e, em alguns trechos, a fome.
A partir das obras selecionadas acima, verificamos como a fome é um tema recorrente nas Literaturas brasileiras. Muitos escritores explora(ra)m este assunto em suas obras. Além de ser uma realidade social no Brasil, a temática é também usada simbolicamente para representar a miséria, a desigualdade e a luta pela sobrevivência. Assim, constatamos como as literaturas têm desempenhado um papel crucial na representação das questões sociais no Brasil, incluindo a desigualdade e a pobreza. Ela serve tanto como um problema a ser combatido quanto um símbolo de desigualdade e injustiça social.
Renata Barcellos: ‘Universidades brasileiras e o uso da IA’
Renata BarcellosImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a0b46d8-8a60-83e9-8c6d-848d8b4bd7e7
Diante de inúmeras incertezas por parte de estudantes e pesquisadores, instituições debatem quais seriam os limites éticos do uso de ferramentas na escrita e na pesquisa científica. A partir disso, as instituições de Ensino Superior do Brasil começam a formular recomendações para o uso de inteligência artificial (IA). O uso indiscriminado do ChatGPT tem suscitado questionamentos sobre limites éticos no uso de tecnologias, principalmente na escrita acadêmica.
Nós, professores, temos procurado novas formas de avaliar trabalhos de alunos, a fim de evitar o seu uso indevido. No geral, as orientações sugerem que seja o uso transparente e alertam para o perigo de ferir direitos autorais, praticar plágio. Cabe ressaltar que este é considerado crime por violar a Lei 9.610/98 dos direitos autorais, gerar desinformação…
Com o avanço e a consolidação de serviços de inteligência artificial (IA), universidades e instituições de Ensino Superior ao redor do mundo passaram a elaborar regras para o uso da tecnologia. No Brasil, o número de instituições com tais regulamentações ainda é considerado baixo.
A regulamentação da Inteligência Artificial (IA), no Brasil, em 2026, é centrada no PL 2338/2023. Esta estabelece direitos para usuários, categoriza riscos e cria obrigações de transparência para empresas. Os documentos legais vigentes, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados.
Assim, as universidades e os periódicos têm assumido o protagonismo na elaboração de orientações internas, reforçando princípios como transparência, responsabilidade humana e integridade acadêmica.
Principais aspectos da Regulação de IA (PL 2338/2023):
· Gestão de Risco: sistemas de IA são divididos por níveis de risco (inaceitável, alto, limitado, mínimo), com regras rigorosas para os de alto risco.
· Transparência e Direitos: usuários têm direito a saber se estão interagindo com IA e a solicitar revisão de decisões automatizadas que afetem seus interesses.
· IA Generativa: regras específicas de governança e documentação sobre dados de treinamento, além de exigência de moderação de conteúdo ilegal.
Contexto Internacional e Brasileiro
· União Europeia: AI Act, em vigor, classifica riscos e proíbe certas aplicações (ex: pontuação social).
· Brasil: texto aprovado no Senado em 2024 (e em pauta em 2025/2026) entra em vigor em fases, focando em segurança e ética.
· China: normas rígidas em vigor desde 2023, exigindo conformidade com dados de treinamento e conteúdo.
IA (Plataforma):
· Leis IA: “Leis IA” é uma ferramenta de IA especializada em consultar legislações municipais, estaduais e federais brasileiras.
· MEC/CNE: em 2026, o Conselho Nacional de Educação aprovou regras gerais para o uso de IA, proibindo o uso de “alto risco” (como decisões automáticas de reprovação) e focando na transparência.
Pontos-chave sobre IA e Plágio:
· Detecção de IA vs. Plágio: são ferramentas distintas. Verificadores de plágio (ex: Copyleaks, Plagium) buscam similaridade com textos existentes, enquanto detectores de IA (ex: GPTZero, QuillBot) avaliam padrões robóticos.
· Riscos Acadêmicos: textos 100% gerados por IA são facilmente detectáveis, superficiais e frequentemente considerados inaceitáveis por instituições.
· Uso Ético: utilizar IA para estruturar ideias, rascunhar ou pesquisar é aceitável, desde que o conteúdo final seja verificado e revisado.
· Direitos Autorais: reprodução não autorizada de obras protegidas por IA pode violar direitos autorais.
Pontos centrais presentes na maioria dos manuais universitários em 2026:
Diretrizes de Uso Ético: (O que pode e não pode)
· Permitido: uso para brainstorming, resumos, auxílio na correção de código, traduções e melhoria da fluidez do texto.
· Proibido: Plágio (submeter trabalhos gerados por IA como próprios), criação de deepfakes, e compartilhamento de dados sigilosos ou sensíveis em ferramentas públicas.
Princípios Acadêmicos:
· Autoria Humana: responsabilidade pelo conteúdo final é sempre do aluno ou pesquisador.
· Pensamento crítico: IA deve potencializar a criatividade, não substituir a capacidade cognitiva do estudante. · Integridade: As instituições estão revisando seus códigos de ética para incluir punições ao uso indevido de IA.
Mudanças na Avaliação
· Professores estão adaptando as formas de avaliação, priorizando atividades em sala de aula, apresentações orais e discussões para garantir que o aprendizado ocorreu de fato.
Em síntese, a regra geral é transparência. A IA é bem-vinda como ferramenta de trabalho, desde que seu uso consciente como fonte de consulta e não como produto final. A autoria intelectual humana deve permanecer.
‘Violência contra a mulher retratada nas literaturas 2’
Renata BarcellosImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69ff2de1-34b0-83e9-ba65-92012e5e76ac
A violência contra a mulher é um tema recorrente nas literaturas. Infelizmente, retratando a naturalização da submissão feminina em obras clássicas e contemporâneas para denúncias explícitas e reflexões críticas. As literaturas são o reflexo do homem no seu tempo. Isto é, esta expressão artística é como um espelho de seu tempo. Dentro desta temática, revela estruturas patriarcais e combate-as através da denúncia.
Nas Literaturas brasileiras, há diversos registros de violência contra a mulher associados aos comportamentos próprios de uma sociedade patriarcal tradicional. De diferentes formas, a postura do agressor é representada como parte de uma cultura dominante, por isso incorporada aos padrões sociais disciplinadores. Desde o século XIX, as literaturas registram tanto as sutilezas como o horror da violência física e simbólica que sustentam a dominação masculina. Do término do casamento ao assassinato brutal da mulher, a honra do patriarca dá sustentação à barbárie.
No romance regional, o femicídio é parte das estratégias de manutenção da honra masculina, por isso não causa espanto quando acontece. Em Menino de engenho, de José Lins do Rego, traz a representação desse crime como parte da cultura e como uma opção aceitável para um marido traído. O pai do narrador, Carlos, mata a esposa após descobrir a traição. De forma repentina, esse crime nasce do descontrole masculino.
Aqui estão os principais aspectos de como este tema é retratado:
1. Literatura Canônica e a Naturalização (Clássicos)
Historicamente, a literatura masculina retratou a violência contra a mulher como algo natural, justificado pela “honra masculina” ou como ordem natural.
“Dom Casmurro” (1899), de Machado de Assis: apresenta a violência simbólica, onde a mulher é julgada e exilada socialmente sem provas, baseada apenas no ciúme.
“Menino de Engenho” (1932), de José Lins do Rego: mostra a violência física e moral aceita como parte da cultura.
“Gabriela, Cravo e Canela” (1958), de Jorge Amado: retrata o assassinato de mulheres para “lavar a honra” do marido.
“O Cobrador” (1979), de Rubem Fonseca: aborda a violência sexual como um direito exercido pelo protagonista.
2. A Virada Contemporânea e Autoria Feminina (Anos 70 em diante)
A partir da década de 1970, autoras brasileiras começaram a subverter essa narrativa, denunciando a brutalidade de forma pungente.
Clarice Lispector: em “A Via Crucis do Corpo” (1974), especificamente no conto “A língua do P”, ela narra o feminicídio, quebrando o silêncio sobre a morte de mulheres.
Lygia Fagundes Telles: em “Venha ver o pôr do sol” (1970), retrata psicologicamente a violência e o domínio masculino.
Marina Colasanti: em “A Moça Tecelã” (2004), aborda de forma alegórica a opressão.
Outras Autoras: Nélida Piñon e Lya Luft também questionam as diferentes formas de violência, desde o assédio moral ao feminicídio.
3. Temas Abordados
A literatura moderna foca em diversas facetas da violência:
Violência Física e Doméstica: espancamentos e o ambiente doméstico como local de risco.
Violência Simbólica e Moral: assédio, humilhação e controle psicológico.
Feminicídio: eliminação da mulher como desfecho trágico da posse.
Masculinidade Tóxica: construção do agressor e a necessidade de controle.
4. Literatura como Denúncia e Mudança
As literaturas de autoria feminina têm sido fundamental para o debate sobre os direitos humanos, com autores e pesquisadores indicando que essas obras ajudam a dar visibilidade à violência sofrida, impulsionando mudanças sociais e jurídicas, como a própria Lei Maria da Penha.
Recomendação de Leitura: conto “A língua do P”, de Clarice Lispector, é frequentemente citado como uma obra-chave para analisar a violência de gênero no Brasil.
As literaturas contemporâneas latino-americanas continuam a reverberar a violência de gênero como ponto central, com autores como Selva Almada explorando o tema do feminicídio. As de autoria feminina, no século XX, passa a questionar os diferentes tipos de violência física e simbólica contra a mulher quando repudia a dominação masculina.
Em “O quinze” (1930), de Rachel de Queiroz; “Perto do coração selvagem” (1944), de Clarice Lispector; e “Ciranda de pedra” (1954), de Lygia Fagundes Telles, as protagonistas fogem de casamentos tradicionais e buscam a liberdade longe de homens dominadores e ciumentos. Marina Colasanti questiona a opressão feminina, em “Moça tecelã” (1978), por meio de uma paródia da relação controladora do patriarca.
No conto, o homem nasce do desejo de a mulher ter um marido. Todavia, após realizar seu sonho, a tecelã passa a ser explorada e escravizada por ele, que a priva do direito de expressão e de liberdade. Ela fica presa o dia todo produzindo o que mais interessa ao homem: bens e riquezas. Lya Luft lança seu primeiro romance, “As parceiras” (1980), sobre o questionamento da rotina de violência sexual a que muitas mulheres foram submetidas em famílias patriarcais. Nessa obra, a família da narradora é iniciada por um avô violento que estupra e agride constantemente a matriarca, Catarina.
Concluímos com uma frase pensada pela personagem Cidinha, uma professora de inglês, virgem, que se vê encurralada em um vagão de trem por homens que ameaçam estuprá-la quando o trem entrar em um túnel:
“Tinha que pensar depressa, depressa, depressa. Então pensou: se eu me fingir de prostituta, eles desistem, não gostam de vagabunda” (Clarice Lispector de “A Língua do P”, do livro de contos A Via Crucis do Corpo, publicado originalmente em 1974).
Para escapar da violência, Cidinha decide fingir ser uma prostituta (“vagabunda”). Ela acreditava que, ao se pôr na posição caricata e sensual, os agressores perderiam o interesse. Isso porque a motivação deles estava relacionada ao domínio sobre uma mulher “honesta” e não ao ato sexual com uma prostituta.
Cabe ressaltar que a obra aborda a violência sexual, o estupro, o medo, a sexualidade feminina e o julgamento social sobre a mulher. Infelizmente, temas atuais e urgentes de serem discutidos. Fica a dica de leitura!!!
Renata BarcellosImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/f29e0fff54324397?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
A tematização da importância do trabalho na vida humana é milenar desde os escritos gregos. Exemplos: nas obras de Hesíodo: O Trabalho e os dias e nos livros que constituem a Bíblia até nossos dias. Ao longo do tempo, o homem tem se dedicando ao universo laboral e o questiona, conceitua, problematiza, nomeando-o sob diversos prismas, ora dignificando-o, ora o depreciando.
No século XIX, Marx (1986) e Engels (1990) emitiram importantes enunciações sobre o trabalho. Neste período, foram publicadas as obras “O Escrivão e A Metamorfose” que apresentam o trabalho como tema recorrente na ficção. “O Escrivão”, publicado em 1853, de Herman Melville, traz uma das personagens mais emblemáticas de todas as literaturas: um escrivão que, de repente, passa a se negar a fazer qualquer tarefa, em uma postura que transita entre a rebeldia e o niilismo. E “A Metamorfose”, de Franz Kafka, de 1915, a personagem Gregor Samsa acorda metamorfoseado num inseto monstruoso e, ainda assim, seu principal medo é perder o emprego.
Na contemporaneidade, o labor ainda é atividade a ser legalizada, questionada, alterada. Isso porque, para boa parte da humanidade, constitui-se em fonte de sofrimento físico e psicológico. Nas Literaturas Brasileiras, há inúmeras personagens ilustrativas disso. Existem pesquisas cujo objetivo é verificar nas literaturas dos séculos XIX, XX e XXI, como os escritores formalizam as articulações entre trabalho e discurso literário.
Principais aspectos desta transformação:
1. Temáticas Centrais na Literatura Contemporânea
capitalismo de Plataforma e Precarização: obras recentes, como as discutidas no livro “Icebergs à Deriva”, analisam o descontrole das grandes plataformas digitais (Uber, Amazon) e a falta de vínculo formal.
explorações Cotidianas: livros como “Afetos postiços”, de Gabriele Rosa e “Os dias trabalhados”, de Marcelo da Silva Antunes, retratam a precarização, a terceirização e a desregulamentação como a nova regra.
trabalho no Centro: as Literatura Brasileiras têm, cada vez mais, inserido o trabalho como tema central da construção de personagens e enredos. Assim, evidenciando desigualdades sociais e o cotidiano da classe trabalhadora.
2. Novas Formas de Produção e Organização
teletrabalho e Anywhere Office: o trabalho remoto e o modelo híbrido, intensificados pela pandemia, transformaram a rotina de escritores, editores e tradutores.
trabalho “Gig” (Eventual): muitos profissionais do livro estão inseridos no modelo de gig economy, baseada em tarefas pontuais e autonomia, mas frequentemente sem proteção legal.
3. Novas Relações Jurídicas e Proteção
confronto e Resistência: o debate literário jurídico busca formas de enfrentar a nova conformação econômica, discutindo proteção para o trabalhador em um cenário de terceirização.
livros Educativos: lançamentos como “Novas Relações de Trabalho e Novos Modelos de Proteção” (Editora Amanuense) abordam como o Direito deve responder a esses novos cenários.
4.Obras Relevantes sobre a temática
Icebergs à Deriva (Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho – MPT)
Afetos postiços, de Gabriele Rosa
Os dias trabalhados, de Marcelo da Silva Antunes
No chão da fábrica, de Roniwalter Jatobá
De mim já nem se lembra, de Luiz Ruffato
Novas Relações de Trabalho e Novos Modelos de Proteção (Nelson Mannrich e Alessandra Boskovic)
5. Novas Dinâmicas de Produção Literária
coautoria e Assistência: a IA atua como uma ferramenta colaborativa, capaz de propor enredos, estruturar narrativas, imitar estilos literários e revisar textos. Escritores podem utilizar IAs para superar bloqueios criativos e acelerar etapas técnicas da escrita. Como fonte de inspiração, não produto final.
engenharia de Prompt e Treinamento: autores podem desenvolver “assistentes personalizados” (como GPTs ou Gems).
Desafios e Questões Éticas
autenticidade e Essência: debates sobre a perda da essência da literatura e a capacidade da IA de replicar a subjetividade e a experiência humana.
autoria e Propriedade Intelectual: questionamentos sobre quem é o “autor” de uma obra gerada com auxílio significativo de IA, impulsionando discussões jurídicas.
valorização da Escrita Humana: a escrita humana tende a ser valorizada como um “artigo de luxo” ou um ato de resistência, carregado de subjetividade, falibilidade e criatividade.
O uso de Inteligência Artificial (IA) no universo literário em 2026 é regido por um misto de leis de direitos autorais tradicionais, novas regulamentações éticas e precedentes judiciais em evolução. A premissa central a seguinte: IA é uma ferramenta de auxílio, não um autor legal. A seguir, as principais “leis” e normas atuais:
1. Autoria e Direitos Autorais (O Fator Humano)
humanos como Únicos Autores: Lei de Direitos Autorais (como a brasileira nº 9.610/1998) estabelece que somente pessoas naturais podem ser autores de obras literárias. Obras criadas 100% por IA não recebem proteção de direito autoral, pois a lei não reconhece máquinas como autoras.
responsabilidade Legal: o humano que utiliza a IA para gerar texto é o único responsável público pelo conteúdo, incluindo erros ou casos de plágio.
obras de Domínio Público: treinar modelos de IA com livros protegidos por direitos autorais tem sido considerado por alguns juízes como “uso justo” (fair use) para desenvolvimento de tecnologia, embora isso continue sendo debatido.
2. Ética e Transparência
declaração de Uso: a Authors Guild (união de autores norte-americanos) e diversas editoras exigem que o uso de IA na geração de textos seja informado aos leitores.
transparência Editorial: editores e plataformas de publicação estão adotando políticas para identificar conteúdos gerados por IA, muitas vezes exigindo a documentação do uso da ferramenta.
risco de “Fake” Literário: textos inteiramente gerados por IA são vistos por muitos no mercado editorial como “falsos” ou inautênticos, carecendo da profundidade emocional humana.
3. Ética no Treinamento e Direitos de Estilo
proteção de Estilo: a IA pode emular o estilo de autores consagrados, mas a emulação excessiva que resulta em reprodução de trechos (plágio) é ilegal.
“Engenharia de Referência”: o uso de IA para analisar sintaxe e estilo (com “GPTs” personalizados) é aceito como auxílio criativo, desde que o resultado final seja editado e assinado por um humano.
4. Novas Regulações (Tendências 2025-2026)
Projeto de Lei 2338/23 (Brasil): analisa a regulamentação da IA com foco nos níveis de risco para os direitos fundamentais.
concursos e editoras: algumas editoras e concursos literários têm cancelado ou alterado regras para evitar a enxurrada de textos gerados automaticamente, dada a dificuldade de distinguir a autoria.
Em resumo, a regra de ouro é: A IA pode ajudar a escrever (assistência). Entretanto, o autor humano deve assumir a autoria (responsabilidade). Sejamos responsáveis pelos nossos atos!!! E produzamos produções literárias de qualidade. Com base nisso, de acordo com Noam Chomsky: “Este é o ataque mais radical ao pensamento crítico, à inteligência crítica e particularmente à ciência que eu jamais vi”.
Renata BarcellosImagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69e56307-1980-83e9-8be4-214cefc10c22
A história do Brasil é marcada por mulheres pioneiras que assumiram cargos inéditos em diversas áreas. Superaram barreiras de gênero e abrindo caminho para outras profissionais.
Abaixo, uma lista de mulheres que assumiram cargos pela primeira vez, dividida por áreas:
Política e Eleições
Celina Guimarães Viana (1927): primeira eleitora do Brasil (Rio Grande do Norte).
Alzira Soriano (1928): primeira prefeita eleita no Brasil e na América Latina (Lajes/RN).
Celina Guimarães Vianna: primeira eleitora do país e América Latina. No dia 25 de novembro de 1927, na cidade de Mossoró (RN), a professora de 29 anos foi a primeira mulher a exercer o voto.
Maria do Céu Fernandes: foi a primeira mulher a ocupar o cargo de deputada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e por extensão, também a primeira deputada estadual mulher no Brasil.
Maria da Conceição da Costa Neves: atriz e política brasileira. Durante a Segunda Guerra Mundial dirigiu a filial paulista da Cruz Vermelha Brasileira e fundou a Associação Paulista de Assistência ao Doente da Lepra, da qual foi presidente. Entre os anos de 1960 e 1963, foi primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. E, com uma viagem de Abreu Sodré ao exterior, tornou-se a primeira mulher a presidir um parlamento estadual no Brasil.
Carlota Pereira de Queirós (1934): primeira brasileira eleita deputada federal.
Eunice Michiles (1979): primeira mulher a assumir uma cadeira no Senado Federal.
Laélia Alcântara (1981): primeira senadora negra do Brasil.
Iolanda Fleming (1986): primeira mulher a governar um estado brasileiro (Acre).
Dilma Rousseff (2010): primeira mulher a assumir a presidência da República.
Justiça e Advocacia
Maria José de Castro Rebello Mendes (1918): primeira mulher a ingressar por concurso no serviço público federal (Ministério das Relações Exteriores).
No início do século XX, Andradina de Oliveira, escreveu o romance Divórcio?, em 1912.
Ellen Gracie Northfleet (2000): primeira mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal (STF), assumindo a presidência em 2006.
Principais Pioneiras Indígenas na Política
Joênia Wapichana: primeira mulher indígena a se formar em Direito (1997) e a primeira eleita deputada federal (2018). Em 2023, assumiu a presidência da Funai.
Eliane Xunakalo: povo Kurâ-Bakairi, em abril de 2026, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Legislativo estadual (ALMT).
Sonia Guajajara: eleita deputada federal em 2022 e primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil
Forças Armadas e Segurança
Maria Quitéria (1792 – 1853): militar
Anita Garibaldi (1821 – 1849): líder militar
Maria da Penha (1945): farmacêutica bioquímica. Deu nome à lei brasileira de proteção da mulher contra a violência doméstica e familiar, Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006.
Ana Paula Habka (2024): primeira mulher a comandar a Polícia Militar do Distrito Federal.
Cláudia Lima Gusmão Cacho (2026): primeira mulher promovida a General de Brigada na história do Exército Brasileiro.
Glauce Anselmo Cavalli (2026): primeira mulher a assumir o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo.
Narcisa Amália de Campos (1856 – 1924): jornalista e poeta – considerada a primeira jornalista profissional do Brasil. Fundou um jornal dirigido ao público feminino, “Gazetinha”, onde tratava de questões das mulheres, mas também sobre a abolição da escravidão e o nacionalismo.
Bertha Lutz (1894 – 1976): botânica, advogada e militante feminista: segunda mulher a prestar concurso público no Brasil, mas sua inscrição só seria aceita após uma batalha judicial. É aprovada e ingressa como secretária do Museu Nacional, do qual, anos mais tarde, seria diretora. Sucessora de Leolinda Daltro, fundadora da primeira escola de enfermeiras do Brasil, Bertha Lutz organizou o primeiro congresso feminino do país e, na Organização Internacional do Trabalho (OIT), discutiu problemas relacionados à proteção do trabalho da mulher. Também fundou a União Universitária Feminina, a Liga Eleitoral Independente, em 1932, e, no ano seguinte, a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas.
Nísia Floresta (Século XIX): primeira feminista do Brasil e pioneira no ensino para meninas.
Nise da Silveira (Anos 40): pioneira da psicologia junguiana no país e na humanização do tratamento psiquiátrico.
Esther de Figueiredo Ferraz (1982): primeira mulher a assumir um ministério (Educação e Cultura).
Débora Seabra (2015): primeira professora com Síndrome de Down do Brasil.
Maria Esther Bueno (1939-2018) – Tenista
Cristina Ortiz (1950): pianista – primeira mulher e a primeira brasileira a vencer o Concurso Van Cliburn, em 1969, que é realizado a cada três anos. Somente 30 anos mais tarde outra mulher ganharia este prêmio. No anos 80, era a única mulher que figurava na série “Os Pianistas” promovida pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) no Rio de Janeiro.
Daiane dos Santos (1983): ginasta: primeira atleta brasileira a conquistar o ouro no Campeonato Mundial de Anaheim (Estados Unidos) em 2003.
Engenharia e Serviços
Enedina Alves Marques (1945): primeira mulher negra a se formar em engenharia civil no Brasil e a primeira a concluir o curso na universidade paranaense.
Pioneira na Agronomia (SP):Victoria Rossetti (1917-2010) foi a primeira engenheira agrônoma a se graduar na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) em 1937, tornando-se a primeira do estado de São Paulo e a segunda do Brasil. Ela foi fundamental no estudo de doenças da citricultura.
Pioneira na Agronomia (Brasil): Dra. Maria Eulália da Costa é mencionada como a primeira engenheira agrônoma do Brasil.
Liderança no Agronegócio:Teresa Vendramini foi a primeira mulher a presidir a Sociedade Rural Brasileira (SRB) em 100 anos de história, eleita em 2020.
Liderança na Política/Campo:Kátia Abreu foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e também a primeira a ser nomeada Ministra da Agricultura.
Setor Público/Finanças
Rita Serrano (2023): primeira mulher a presidir a Caixa Econômica Federal.
Tarsiana Medeiros (2023): primeira mulher a presidir o Banco do Brasil.
Artes e Cultura
Chiquinha Gonzaga (Século XIX): primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
Ruth de Souza (1950): primeira atriz negra brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema.
Zilda Arns (1934 – 2010) – fundadora da Pastoral da Criança
Literaturas
Primeira Personagem (Literatura Indigenista/Não Indígena): A figura do indígena aparece desde as cartas do Quinhentismo e crônicas do século XVII, mas de forma idealizada no Romantismo (século XIX), destacam-se Iracema (de José de Alencar) e Moema (do poema “Caramuru”, de Frei José de Santa Rita Durão).
Bárbara Heliodora (1759–1819) é amplamente reconhecida como a primeira poetisa brasileira, pioneira na produção poética durante o Brasil Colônia. Mineira de São João del Rei e figura chave na Inconfidência Mineira, ela é celebrada por sua força e produção literária no século XVIII.
Maria Firmina dos Reis (1822–1917) é reconhecida como a primeira romancista brasileira, sendo uma das primeiras mulheres a publicar um romance no Brasil, “Úrsula” em 1859. Maranhense e negra, Firmina também foi pioneira na literatura antiescravista, humanizando personagens escravizados antes de autores abolicionistas famosos.
Lenora de Barros (São Paulo, 1953) é uma artista visual e poeta brasileira. Em 1970 formou-se em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP) e começou a interessar-se pelas interseções entre a prática poética e a arte visual. Utiliza em suas obras recursos diversos, como o vídeo, a fotografia e a instalação.É considerada como a mais importante poeta visual brasileira em atividade e uma das pioneiras a se destacar neste cenário, especialmente no contexto Pós-Concretista, atuando com Poesia Visual, Sonora e Eexperimental.
Rachel de Queiroz (1977): romancista e cronista – primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), eleita em 4 de agosto de 1977. Ela ocupou a cadeira número 5, sendo imortalizada após a mudança nas regras da instituição.
Eliane Potiguara é amplamente reconhecida como a primeira escritora indígena a publicar livros e atuar ativamente na literatura brasileira, inaugurando a autoria feminina indígena no país. Poeta e ativista, ela fundou a Rede Grumin de Mulheres Indígenas, utilizando a escrita como ferramenta de denúncia, resistência e preservação de saberes ancestrais.
Nélida Piñon (1996): romancista e cronista. Foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL), assumindo o cargo entre 1996 e 1997, durante o centenário da instituição. Eleita em 1989, ela ocupou a Cadeira nº 30.
Fraternidade
A primeira Fraternidade Feminina do Brasil, amplamente reconhecida como a organização paramaçônica oficial do Grande Oriente do Brasil (GOB), é a Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul (FRAFEM). Oficializada em 1967 (com raízes em alas femininas anteriores), é composta por esposas de maçons e mulheres dedicadas à filantropia.
A partir do exposto acima, vale ressaltar que, ao longo dos séculos, a mulher tem mostrado que o lugar dela é onde quiser. Somos tão capazes quanto os homens para exercermos os diferentes cargos. As percursoras acima são exemplos de resiliência. E fonte de inspiração para alcançarmos nossos objetivos ao realizarmos sonhos (até os mais impossíveis).
Quanto às fraternas, devemos nos unir cada vez mais. Incentivarmos as cunhadas a criarem ou a ingressarem na fraternidade existente na loja da qual o esposo participa. E, ao ingressarem, serem presentes nas reuniões e/ou ações sociais. Acreditemos no nosso potencial e provemos a força que a mulher tem. Afinal, segundo Groucho Marx: “Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher”.
Ou seja, somos tão capazes que incentivamos nossos esposos a superarem obstáculos. Conseguem transformar “as pedras no caminho” em grandes estradas a serem percorridas. Não duvidemos da nossa capacidade física, intelectual e mental! Façamos das “pedras” lindos ornamentos para nosso lar ou para doarmos a quem necessita!!!