Sonho etéreo

Marli Freitas: Poema ‘Sonho etéreo’

Marli Freitas
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Dois corações, profundo cosmos a ser
Sentido; almas que se procuram
E se acham. Tudo me leva a crer:
É para o amor que os ventos sopram.

E não é compreendendo o porquê
Que se ama, mas nos olhos que sorriem;
No deleite do voo que me leva a você,
Pois etéreos são os sonhos que me guiam.

Almas enlaçadas e um permitir
Que navega profundo no coexistir,
Para o que é belo e puro sentir.

Santos – silêncios enamorados!
Benditos – corações iluminados!
Ditosos – olhos apaixonados!

Marli Freitas

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Inconfidência Mineira

Marli Freitas: Poema ‘Inconfidência Mineira’

Marli Freitas
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Enfim, o cobiçado ouro reluziu e Vila Rica (Ouro Preto)

Se transformou no centro econômico da América Portuguesa.

A colônia prosperou e em torno das minas o luxo imperou.

De pedras trabalhadas, as ruas foram pavimentadas.

Intelectuais se destacaram e adornos sacros brilharam como a luz solar.

Em dias de festas, as roupas alvas dos escravos contrastavam

Com a pele negra e convergiam com o poder dos senhores das minas,

E, com a receita aumentada, foi preciso o ouro fundir para com o ilícito não se confundir.

Iludidos com a prosperidade, não contaram com a finitude da riqueza mineral.

Após a euforia inicial, cresceram as desconfianças e nasceram medidas de severidade.

A cobrança foi estabelecida por posse de escravo, e, não contente,

Com o declínio da produção aurífera, foi estabelecida uma cota a ser paga anualmente

E, caso o valor não fosse atingido, lançariam mão da derrama

E uma contribuição coletiva deveria cobrir, o dito, prejuízo e fortalecer o leão.

Golpeada, a classe abastada, começa a conspirar. Entre tantos,

Destacou-se Joaquim José da Silva Xavier, ‘O Tiradentes’.

O alferes com grande poder de persuasão e ideais nobres de estabelecer

Um estado independente na região das ‘Minas Gerais’;

Com ideias iluministas ainda inocentes no contexto da escravidão.

Com tudo acertado, a revolta eclodiria no dia da ‘Derrama’.

Os ‘Inconfidentes’ viram seus planos fracassarem diante da traição

De Joaquim Silvério dos Reis, que entregou os ‘Conspiradores’ e garantiu o seu perdão.

Realizou-se a ‘Devassa’, os idealizadores foram presos e enviados ao Rio de Janeiro.

Todos se declararam inocentes, enquanto ‘Tiradentes’ assumiu com bravura

O lema da resistência mineira, ‘LIBERTAS QUAE SERA TAMEN’ (expressão do latim)

‘LIBERDADE AINDA QUE TARDIA’. Enforcado e esquartejado, tronco enterrado

Como indigente, membros salgados e expostos com estratégia pelo caminho

Das ‘Minas Gerais’, de cabeça pendurada de frente para o ‘Palácio do Governo’,

Em Vila Rica (Ouro Preto), dissuadindo qualquer questionamento

Do poder da ‘Metrópole’ e ‘Tiradentes’, símbolo máximo da resistência mineira,

Precursor da liberdade, mais tarde, alçado pela República Brasileira

‘O Mártir da Independência do Brasil’!

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Lar nos braços de amar

Marli Freitas: Poema ‘Lar nos braços de amar’

Marli Freitas
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Já me defini
Em verdades e simplicidades.
Já acreditei
Em naturalidades e autenticidades.
Já me reinventei
Em olhares e profundidades.
Já mergulhei
Em horizontes e possibilidades.
Já me entreguei
Em agoras, mundo afora.
Já viajei
Em esperanças e utopias.

O que persiste:
É um desassossego bom que faz poeira no caminho;
É um querer sentir o que é ser passarinho;
É um contumaz desejo de minuciar o céu;
É uma disposição para ver além do véu;
É um sentir de quem sorveu inteiro o mar;
É um eterno lar nos braços de amar;
É um quê de quem só quer atiçar alegrias;
É um ser infinito em estado de poesia;
É um delicado pendor de ser primavera;
É um enaltecer de todas as eras.

Marli Freitas

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Um par de meias pretas

Marli Freitas: ‘Um par de meias pretas’

Marli Freitas
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Hoje acordei sentindo um desassossego. Preciso deixar que as palavras fluam como torrentes que desaguam, lavando um mundo particular. Porém, o que se faz represado em mim clamando atenção, são águas dormentes que já fizeram sangrar o meu coração frágil e o meu corpo indefeso. Consequência de uma mente inquieta que desafiou a lógica, fazendo perguntas intrigantes onde não podia obter nenhuma resposta.

Diante dos conflitos que envolviam a minha infância, sobravam perguntas e uma reação febril causada pelo desespero de não compreender um mundo sombrio, onde ou se era isto ou aquilo. Sem alternativas, amei o mundo da imaginação, que, na minha santa inocência, era um caminho de fuga. Ainda não conhecia Machado de Assis, mas já desenvolvia a sua máxima de tirar o maior bem do pior mal. Por mais que tentasse desviar o olhar, sabia muito bem separar o joio do trigo e posso dizer que extrair o bem, muitas vezes, é como tentar extrair leite de pedra.

Na observação da natureza, encontrei ‘Aquele’ que me criou e ‘O’ amei. ‘Ele’ foi crescendo dentro de mim e quanto mais crescia, mais resiliente me tornava. Sempre fui um misto de docilidade e teimosia, e usei estas características a meu favor. Contestei o mal e amei o bem. Nasci dor, cresci resiliência e extrapolei todas as expectativas.

Vi e vivi entre a guerra e a paz. Em um mundo de verdades nuas me vi à deriva. Nos momentos de paz, viajei nas histórias encenadas pelo meu paizinho querido. Nos momentos de guerra, via o mundo de ponta cabeça diante da embriaguez daquele que tanto amava. Ele era alguém especial e, como tal, o mundo girava em torno da sua sobriedade ou embriaguez, que norteava a abundância e a escassez, o amor e o ódio, a alegria e a dor. Diante dessas polaridades, inconscientemente, trabalhava o caminho do meio.

Com o tempo comecei a viajar nos livros da Biblioteca Pública Municipal. Encontrei um refúgio nos mundos encantados, pois as responsabilidades impostas, prematuramente, sempre pesavam sobre mim. Cada dia ficava um pouco mais sabida e comecei a sonhar. Parecia algo natural. Só dependia de mim e isto era, simplesmente, fantástico! Amei o saber e não pretendia me separar do desejo de buscar respostas às minhas perguntas.

Quão inocente fui! Eu precisava de tantas coisas para ingressar no Ginasial (Anos Finais do Ensino Fundamental)! Ia precisar de dois uniformes completos (um para frequentar as aulas normais e outro para as atividades de Educação Física), cadernos, lápis, borracha, caneta, livros (que eram comprados para cada matéria) e outros materiais escolares. Eu só consegui comprar (com o agrado de uma madrinha) um mísero par de meias pretas.

Foi com aquelas meias pretas nas mãos que o meu mundo acabou e, neste instante em que deixo estas palavras doídas escorrerem da minha alma, ainda debulho em lágrimas como naquele dia, em que, com as meias pretas nas mãos, ouvi as palavras mais duras da minha vida “você já sabe demais, não precisa e não vai estudar”. Era espantoso demais e aquele instante não cabia no meu pior pesadelo.

Durante alguns dias o dilúvio desceu sobre mim. Não havia nada e nenhum lugar que pudesse conter as minhas lágrimas. Quando falo de invisibilidade, é sobre os piores dias da minha vida, onde fui lançada ao trabalho infantil doméstico, aos onze anos de idade, e obrigada a me virar sozinha no mundo. E, por dois longos anos, ninguém percebeu que eu estava fora da escola.

Marli Freitas

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Anjos do Asfalto

Marli Freitas: Conto ‘Anjos do Asfalto’

Marli Freitas
Marli Freitas
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Depois de um ano turbulento e embates com as dores do passado, Sarah precisava ver o mar e acalmar o seu coração. Mas tudo parecia estranho e mal planejado, pois dependia da disponibilidade do filho caçula e de sua nora. Num momento em que se sentia fragilizada, não poderia ser diferente.

No final da tarde, na véspera da viagem, o céu fechou repentinamente e um vento tempestuoso anunciava uma chuva torrencial. Mas tudo continuava sendo planejado e a chuva parecia ter se dissipado.

Quando saíram ainda era madrugada e bastou avançar alguns quilômetros, que a chuva não deu trégua. Ficaram ansiosos, mas mantinham a esperança de que seria uma chuva localizada, o que infelizmente não era verdade. Depois de subirem a serra, viria o momento mais tenso da viagem, que era enfrentar o desconhecido, que oscilava entre curvas sinuosas e terreno íngreme temperado com chuva e a cerração do amanhecer.

Não deu tempo de nada. O vidro do carro embaçou e nesse quadro complexo entre aflição e estranhamento, o carro girou em uma curva na descida da serra. Foram alguns segundos intensos, onde se sentiram dentro de um liquidificador. Mas os anjos estavam lá em forma de uma contramão deserta e um barranco úmido que amorteceu o impacto.

Saíram de dentro do carro atordoados pelo ocorrido, mas nenhum fio de cabelo havia sido arrancado e se lembrou que, por alguns dias consecutivos, fazia a oração do Salmo 91, que se inicia afirmando que, ‘quem morar no lugar secreto do Altíssimo, encontrará abrigo’ e mais adiante ele diz, ‘nenhum desastre virá sobre você, pois ele dará aos seus anjos uma ordem referente a você’ e ‘Deus disse: ele me ama, eu o protegerei’.

Atordoados ainda, perceberam uma chuva fina em suas cabeças e a patrulha da Polícia Rodoviária Federal encostou logo em seguida. Por um instante sentiram um certo alívio, pois não estavam sozinhos no meio do caos. Perguntaram se tinha alguém ferido e se o carro tinha seguro, mas como não havia ninguém ferido, imprimiram a ocorrência e se despediram dizendo que, quando tivesse área para seus celulares, entrariam em contato com um reboque, pois o carro havia quebrado o eixo traseiro. Ficaram ali, sem direção. Só o medo misturado com a euforia de estarem vivos, fazia companhia internamente. Mas externamente o perigo continuava rondando. O tempo parecia não passar, não tinham nenhuma noção se o reboque viria, e de que lado seria, pois não conheciam a região. A chuva continuava caindo e a cada automóvel que passava, havia o assombro da possibilidade de um outro acidente. Sarah tentou caminhar alguns metros à procura de alguém que pudesse socorrê-los, mas nem o freteiro quis sair de casa naquelas condições.

Desanimada e sem saber se esperava ou se pegava uma carona para algum lugar, onde pudesse encontrar socorro, mais uma vez o inesperado acontece. Passava na rodovia um veículo usado para rebocar automóveis, e seu condutor percebeu que precisavam de ajuda. Num primeiro instante, pensaram que teria sido enviado pela Polícia Rodoviária Federal, mas não era. Miguel e Paulo, estavam passando ali por uma coincidência, e então, Sarah sentiu mais uma vez as mãos de Deus se materializando bem diante de seus olhos.

Seguiram instantes de ‘graça’ e reinou entre eles as mãos dos ‘Anjos do Asfalto’, palavras que puderam ler em letras douradas nas costas daqueles dois homens, bem no lugar onde deveriam nascer as suas asas. Sim, eram anjos! Subiram o carro e os colocaram dentro, como anjos que abraçam seus protegidos e saem voando para um lugar onde tudo parece fantástico e misterioso. Pararam em um ‘Ferro Velho’, onde não encontraram nenhuma peça necessária para substituir as peças quebradas e mais um anjo se juntou a eles. Era Giuseppe, o dono do ‘Ferro Velho’. Sarah ainda não havia se dado conta do que estava acontecendo. O dono do reboque, o senhor Miguel e Giuseppe, haviam tomado para si o problema que era deles. Não os abandonariam até que estivessem seguros para seguirem viagem.

Se dirigiram para um outro ‘Ferro Velho’, que também tinha um depósito de peças novas, mas Miguel não os deixaria a mercê de pessoas que pudessem explorar a fragilidade deles. Assumiu o conserto da parte mecânica do Fiat Uno, juntamente com seu ajudante e envolveu uma grande equipe na tentativa de encontrar peças velhas e novas para substituir as peças quebradas, e até realizar reparos em peças não encontradas naquele local. Sarah olhava aqueles movimentos frenéticos com ar de espanto. Como podia Deus ser tão bom com eles? Como conseguiu enviar aquele reboque naquele momento, sem que ninguém tivesse chamado? Como havia conseguido reunir aquelas pessoas?

Giuseppe, que não teria nenhum lucro com aquela situação, também estava ali. Ela não entendia quem era ele naquele contexto, até que percebeu que contava histórias para distraí-los, pois sabia que estavam em estado de choque. Num primeiro momento, ela apenas notou que era um homem forte, calvo, que mancava de uma perna e tinha várias cicatrizes. Ele lembrava muito o Quasímodo, personagem central do livro ‘Notre-Dame’, de autoria de Victor Hugo, publicado em 1831. Um corcunda de nascença, Quasímodo habita o campanário da Catedral de Notre-Dame de Paris, afastado da sociedade e temido pelos habitantes locais. Foi assim que ele lhe chamou a atenção inicialmente, mas era muito mais do que isto. Ela tinha dúvidas se ele era real, pois agia de modo tão incomum e contava coisas tão bizarras que nada parecia real. Começou contando que era italiano, e que foi combatente em frentes de guerra, o que justificava as deformações e cicatrizes em seu corpo. Depois, que era casado com sua própria irmã, devido ao confinamento em que havia vivido, e com quem tinha vários filhos, e que para eles este fato não causava nenhuma estranheza. Vieram para o Brasil tentar a sorte, sonhando em conquistar um pedaço de terra e reconstruir a vida.

Enquanto ouvia as histórias de Giuseppe, fazia um paralelo entre dois mundos: um que estava ali dentro do visível e outro que era invisível. Ela não conseguia ver de outra forma. No lugar das letras nas costas daqueles dois homens que trabalhavam no reboque, ela via asas, Giuseppe parecia ter saído de dentro de um livro, de tão exótico e exuberante que era. Sarah queria gravar todos os detalhes daquele milagre, então de vez em quando precisava fazer a leitura do ambiente, embora estivesse fascinada com suas histórias.

As outras pessoas envolvidas pareciam em outra dimensão. Era como se fossem os espectadores de um grande acontecimento. Mas era mesmo um grande espetáculo que se desenvolvia entre seres espirituais criados para servir a Deus, que naquele instante se aglomeravam em torno deles. Sarah não se conteve, pois precisava expressar àquelas pessoas a quão grata seria. E Giuseppe prosseguiu e contou-lhes mais histórias, mas desta vez se arriscou também a narrar algo sobrenatural ocorrido com seu filho, enquanto estava em um hospital entre a vida e a morte. Contou que, depois de um acidente, seu filho provavelmente perderia um braço e durante os dias mais traumáticos foram assistidos por alguém especial, que entenderam ser um médico.

Depois de ter findado os dias mais angustiantes de suas vidas e seu filho, além de não ter perdido o braço, também gozava de saúde estável; ao ter alta do hospital, procuraram pelo médico que descreveram com bastante detalhes, mas ninguém o conhecia.

Assim, mergulhada no encantamento, os acontecimentos se desenvolviam num ritmo acelerado. O anjo mestre, o dono do reboque, não cobrou pelo transporte do Fiat Uno, pois entendeu que não estariam preparados. Cobrou apenas um valor simbólico pelo seu trabalho. Ele parecia tão bem por fazer o que fez, que Sarah se conteve e deixou que ele se sentisse como anjo que era. Pagou pelas peças usadas no conserto do carro e partiram com uma sensação de querer ficar mais tempo ali conhecendo aquelas pessoas. Ela tem certeza que as poucas palavras usadas para descrever o evento jamais seriam suficientes para narrar todos os detalhes e sentimentos envolvidos.

Naquele estado de graça, que mais parecia um delírio, não duvidou, apenas acreditou e se entregou à magia daqueles anjos. Despediram-se com palavras afetuosas e partiram rumo ao mar. Sarah entendeu naquela viagem que nem as dores e nem as delícias tinham mais tanta importância.

Marli Freitas

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Edith Stein

Marli Freitas: ‘Edith Stein’

Marli Freitas
Marli Fraitas
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Conhecer a vida e obra de Edith Theresa Hedwig Stein (Edith Stein) uma santa, filósofa e teóloga alemã, nascida judia em 12/10/1891, é sentir-se diante de uma mulher de grandeza colossal. Uma alma que se entregou à busca profunda da verdade.

Irmã mais nova de onze irmãos que perdeu, aos dois anos de idade, o pai, comerciante, e encontrou em sua mãe, Auguste, um grande exemplo de força e coragem, ao assumir a responsabilidade sobre os negócios e a família. Tornando-se um símbolo de honra e sensatez para Edith, que havia perdido a fé em Deus, quando ainda era muito jovem.

Foi reconhecida como uma das mais brilhantes estudantes de sua época, graças ao empenho e aptidão para os estudos. Seus interesses incluíam o estudo da Língua Alemã, História, Psicologia e Filosofia, que foram interrompidos pela Primeira Guerra Mundial, ao voluntariar-se como auxiliar de enfermagem na Cruz Vermelha.

Mais tarde, retomou os estudos e concluiu seu doutorado sobre o ‘Problema da Empatia’. Ela foi uma das primeiras mulheres a receber o título de doutorado em Filosofia na Alemanha e se tornou assistente do maior filósofo de seu tempo, Edmund Husserl (fundador da Escola de Fenomenologia) e, apesar de várias tentativas para obter um cargo em diversas universidades, não foi aceita por ser mulher.

Ao usar a empatia natural diante da dor de uma amiga, que havia perdido o marido na guerra, viu despertar em si a curiosidade sobre os efeitos da fé. Entregou-se à leitura da autobiografia de Santa Teresa d’Dávila e compreendeu que o olhar espiritualizado é mais bem preparado para acolher as intemperanças da vida. Converteu-se ao Catolicismo e anotou, ‘A fé está mais próxima da sabedoria divina do que toda ciência filosófica e mesmo teológica, pois o conhecimento só se integra, realmente, à alma depois de passar pelas vias do raciocínio e dos sentidos e, conseguindo emocionar, é possível que o coração se anime’.

Chegou a participar das reuniões do recém fundado, à época, Partido Democrático Alemão, mas logo se desiludiu com a política, porém, em seguida, testemunhou a conquista das mulheres, que passaram a ter o direito ao voto e à igualdade.

Atuou como multiplicadora na preparação de mentes pensantes, ministrando aulas para a formação de professoras. Traduziu obras relevantes de autores como São Tomás de Aquino e John Henry Newman. Participou, ativamente, de conferências, simpósios e congressos pedagógicos em várias cidades europeias, sobre questões ligadas à mulher e à espiritualidade, e publicou vários estudos e textos no ‘Anuário’.

Com a chegada do Partido Nazista e a publicação de leis proibindo a presença de judeus em campos públicos, Edith Stein, reconheceu os sinais dos tempos e entendeu que não havia espaço no ambiente acadêmico em seu país e decide por realizar o seu chamado, reconhecido desde a sua conversão. Tornou-se uma freira ‘Carmelita Descalça’ no monastério de Colônia (cidade na Alemanha), tomando o hábito com o nome de ‘Teresa Benedita da Cruz’ e obteve de sua superiora a permissão para continuar seus estudos.

Depois da morte de sua mãe sua irmã, Rosa, se converteu ao Catolicismo e, também, fez os votos definitivos.

Pouco depois com a violência da ‘Noite dos Cristais’ (marcada pela invasão e destruição em toda Alemanha e Áustria dos símbolos judaicos nas sinagogas, casas comerciais e residências dos judeus), as irmãs são conduzidas para a Holanda, alguns familiares emigraram para os Estados Unidos e para a Colômbia, outros foram recolhidos para os campos de concentração e Edith e Rosa foram registradas pela Gestapo (polícia nazista).

Após uma carta da Holanda fazendo críticas ao nazismo, os cristãos sofreram represálias, sendo Edith e a irmã capturadas e suas últimas palavras proferidas à irmã foram, “Venha, estamos indo para o nosso povo!”

Edith Stein morreu aos 50 anos de idade, em 09/08/1942, no campo de concentração de Auschwitz, envenenada na câmara de gás.

Como legado deixou em seus Escritos Autobiográficos sua coragem, determinação e sua fé. Nos Escritos Antropológicos e Pedagógicos a valorização do desenvolvimento do ser humano e o reconhecimento do valor de uma individualidade bem construída, principalmente, a compreensão de ser a fé a base da sabedoria. E, entre temas de relevância e contribuição social, os Escritos Filosóficos deixam claro, que a força que anima a alma, depois de passar pelos sentidos e pela inteligência, precisa emocionar o coração para ser assimilada e incorporada à alma.

Edith Stein foi beatificada em 01/05/1987 e canonizada em 11/10/1998 como ‘Santa Tereza Benedita da Cruz’, sendo celebrada em 09/ de agosto de cada ano, pelo Papa João Paulo II e em 01/10/1999, proclamou-a uma das padroeiras da Europa pela participação e contribuição à Igreja Católica e à sociedade europeia, através de seu pensamento filosófico.

Referência Bibliográfica

Fontes de Pesquisa:

Wikipédia, a enciclopédia livre / Google;

Edith Stein – Em busca da verdade em tempos sombrios – Ilana Waingort Novinsky, editora Humanitas, Fapesp Ligações Externas (Biografia no site do Vaticano, site do Instituto Edith Stein e obras completas de Santa Teresa Benedita da Cruz);

Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz): A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça;

Filme A sétima morada, de Santa Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz)

E várias palestras católicas e universitárias.

Marli Freitas

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Desejo timoneiro

Marli Freitas: Poema ‘Desejo timoneiro’

Marli Freitas
Marli Fraitas
Imagem gerada pela Meta IA – 10 de março de 2026, às 07:56

Já exausta de tanto devanear,
Fui ao encontro da liberdade
E disse sim ao poder de voar.
Minha esperança, equidade.

Timoneiro era o meu desejo.
Junto ao sopro do vento, assobiei.
O céu se abriu como um beijo;
O milagre mais lindo presenciei.

Encantei-me pelo infinito.
Fiz do seu, meu Universo Favorito;
Concluí ser o sentimento – bendito.

Célebres são as atitudes pregressas;
Os sonhos mantêm as luzes acesas;
Assertivo poder advém das asas.

Marli Freitas

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