Marli FreitasImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/b19d7931e8af4c3e?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
João, homem simples Olhou para o céu e sonhou. Imaginou boa colheita E a esperança renovou. Abriu um sorriso Apalpou a terra e semeou.
Enquanto aguardou o broto, Pastoreou com louvor. Proseou com os compadres E com o tempo a favor Depositou cheio de si A esperança no Nosso Senhor.
O céu chorou, o sol sorriu. Enfim, depois de algumas luas Chegou a hora da colheita, De verdades nuas e cruas. Assim as comadres Preparam comilanças fluas.
O céu está enfeitado, A festa já vai começar Meninas de saias rodadas E o João quer se casar. A noite é uma criança É hora de esperançar.
João está encorajado, A lenha está queimando. Ele quer provar a fé, A meia-noite chegando, Um olho na fogueira E outro na moça dançando.
Marli FreitasImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/s/m_6a28058d2d848191bf5b51cf552af1cb
Muito além, onde nascem as estrelas, Um mistério de amor acontece Atravessando universos e galáxias, Guardando lembranças de outras eras…
Onde nenhum lugar é longe demais E as asas não têm vergonha… Experimentam as delícias do voo E mergulham nas dimensões do amor.
Consagrados para a sublimação do mundo, Os enamorados se aperfeiçoam Na busca pelo merecimento do presente Santo, que banha de luz a eternidade.
Dentro do mistério inimaginável de Deus Viajam pelo infinito, enfrentam perigos, Perdem-se em profundidades, vão além Da altura das montanhas, do calor do sol…
Na esperança do elo sagrado que os une Seres alados atrás das nuvens, que, Por eras distintas, os manteve sem nomes, Apenas significado na imensidão azul.
Onde o amor faz morada É impossível a vontade de odiar. Nascido Michael King Jr, um erro Corrigido mais tarde pelo pai, Pastor da Batista Ebenézer, que O nomeou Martin Luther King Jr.
Passou a infância ouvindo histórias Bíblicas e recitando versículos. Muito cedo já demonstrava sua Peculiaridade de resistência, mas, Ao ser privado de conviver com seu Melhor amigo branco, sentiu a dor…
De conhecer a história dramática em Que os negros foram e continuavam Submetidos à segregação racial nos Estados Unidos. Golpe que poderia Ter corrompido a sua honra, não fosse Uma boa estrutura baseada na fé cristã.
Desde então compreendeu que devia Ser resiliente o bastante para argumentar Sobre o óbvio – somos todos filhos do Mesmo Pai, portanto somos irmãos Em Cristo, e passou a adotar como Princípio para si e para todos…
A não violência como bandeira De luta a favor dos direitos civis Iguais, sem diferença de cor ou Gênero. Adotou para si os passos Do pai e acabou por graduar-se Com um bacharelado em divindade…
E um PhD com uma dissertação intitulada “Uma comparação dos Conceitos de Deus”. Foi consignado pastor da Dexter Avenue Baptist Church, Montegomery – Alabama, Passando a discursar e intervir à frente da SCLC – Conferência da Liderança Cristã do Sul.
Durante suas participações em protestos, Foi preso vinte e nove vezes, se negando A pagar fiança em nome das injustiças sociais E, quando questionado, mantinha firmes os Princípios, pois para ele “a crise sobre o racismo Era urgente e o sistema entrincheirado”.
King sonhou e acreditou que a liberdade Precisava ser exigida pelo oprimido e, aos pés Do Memorial Lincoln, ditou o seu mais Famoso discurso: “Eu tenho um sonho (…) Nossos filhos não serão julgados pela cor da Sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter (…)”.
Foi digno de receber, em 1964, o Prêmio Nobel Da Paz por combater o racismo nos Estados Unidos e ser um exemplo da resistência Não violenta, deixando um legado na História e honrado com as homenagens Dignas de Guardião da Justiça Social.
Entardeceu mais uma vez. Estou sentindo aquela vontade boa de sair por aí fazendo trocadilhos no meio do caminho. Quero sorrir sem nenhum motivo, sentir o frescor do vento, ouvir o canto dos pássaros e ver a delicadeza do riacho. Subitamente me lembro que estou aguardando a visita do meu filho caçula que, neste momento, está atrasado. Então penso que não virá e tudo perdeu a graça instantaneamente. O filme romântico que parecia engraçado perdeu o tempero. Aperto o ‘pause’ e vou saciar a minha ansiedade na cozinha. Preparo uma massa recheada de queijo mineiro e um coquetel de cereais. Nada parece fazer sentido.
Então entendo que não é a proximidade física que une as pessoas e me lembro do meu primogênito. Desde o início a nossa relação foi marcada por obstáculos físicos. Durante a gestação eu trabalhava em uma escola na zona rural que ficava depois da torre de televisão, no ponto mais alto da cidade de Dom Cavati aqui no leste das ‘Terras das Alterosas’. Eu saía de casa às 5:15 da manhã, portanto antes do raiar do dia. Tinha que enfrentar o medo do escuro, a subida íngreme, o gado no meio do caminho e o mal-estar que sempre vinha pela manhã devido à gravidez. Quando chegava na torre, depois de ter caminhado mais de 5 km, ainda descia mais uns 2 km. Essa rotina durou até o sétimo mês de gestação, pois ele nasceu em 2 de março do ano seguinte.
Vivemos momentos intensos no seu primeiro ano de vida. Como mãe de primeira viagem mantinha sentinela por 24 horas no dia. De volta ao trabalho, depois da licença-maternidade, notei ao chegar em casa a sua solidão e logo encomendei um irmãozinho para fazer-lhe companhia. A fragilidade do meu corpo ficou visível. Estava grávida e, desta vez, doente. Mal conseguia dar uns passos dentro de casa. A recomendação médica era repouso total ou perderia o feto ainda com 3 meses de gestação. Tirei licença do trabalho e o meu primogênito, tão pequenino, não podia ficar comigo, pois era uma criança hiperativa e colocaria em risco a vida do irmãozinho. Vivemos esse dilema por longos meses. O pai o levava para ficar com os avós enquanto ele trabalhava. Eu só podia ficar com ele à noite sob vigilância.
Bem, deu tudo certo! O irmãozinho nasceu e ele se sentiu responsável por nós desde o primeiro instante. Pode parecer bizarro, mas em um minuto de distração ele, com um aninho, tirou o irmão do berço que estava no quarto e me entregou na copa, onde conversava com as visitas. Assim tivemos dias de glória enquanto a família crescia.
Mais uma vez estava grávida e logo eu teria ‘três mosqueteiros’. Eu os chamava assim para fazer valer o lema, “um por todos e todos por um”. O primogênito levou muito a sério o papel responsável que tinha na família. Era o comandante da casa, mas logo aos 17 anos saiu de casa para estudar e trabalhar numa cidade vizinha. Teve que enfrentar a vida de frente e lutar pelo pão, enquanto eu me desdobrava para pagar o Curso de Direito. Entre as muitas dificuldades que enfrentou, o único alento era o orgulho que tinha de ‘sua mãe’. Passava o intervalo, entre as aulas, no orelhão da escola falando comigo, quando na verdade queria mostrar para aquelas pessoas o quanto ele me amava.
Por muitos anos vivemos assim. A conta telefônica alta, na época, era o único luxo que tínhamos. Se apaixonou pela moça mais inteligente e mais bonita da sua turma. Desafiou a realidade e ganhou com elegância o seu coração.
Tão logo concluíram o curso, passaram no Exame da Ordem e se casaram. Ainda teriam que passar por muitas dificuldades, mas ergueram a cabeça e ganharam o mundo. Foram morar no Japão.
O que posso dizer é que sofri a dor do parto por longos anos, mas hoje, se parar para fazer as contas, a ausência física já ultrapassou a presença, mas ainda sinto como se ele estivesse aqui dentro de mim. Todos os momentos que estou com ele, mesmo à distância, estamos verdadeiramente presentes. Sinto como se não houvesse nenhum limite nessa comunhão. Desde muito pequeno ele já me olhava e via algo que, naquele instante, parecia incompreensível para mim. Muitas vezes pensei, ‘o que esse menino vê em mim? ‘.
De uma coisa eu sei, ninguém nunca me olhou e enxergou com tanto zelo e precisão. Ele foi o meu primeiro incentivo real na vida. Os nossos instantes virtuais têm qualidade, o nosso vínculo cresce substancialmente a cada encontro. A minha neta Alice, que nasceu do outro lado do planeta já sente responsabilidade em me ver. Já aprendeu a dar carinho espontâneo e verdadeiro. Tem sempre um bom motivo para vir ao meu encontro. O que me faz acreditar que não é a proximidade física que une as pessoas e sim a qualidade do encontro.
Se é o amor O caminho, quero estar em Pleno movimento de encontro E, de olhar na linha do horizonte, Descobrir o mágica de ser e fazer feliz.
Se é o sonho A estrela que guia, quero seguir, Sem hesitar, a direção de quem Ilumina e se deixa iluminar; de quem Vê, além dos olhos, a beleza da poesia.
Se é a esperança Que nutre o olhar, quero manter Ativa a possibilidade do colóquio Que anima o espírito, dá formosura aos Gestos e fomenta a flama da vida.
Se é a virtude Que equilibra os meus passos, Quero acreditar que tudo que me tem, Também me guarda do mal, fazendo Jus à verdade da vida – que é amar.
Marli FreitasA autora e a mãe ‘do coração’, dona Marli Fernandes Grossi
Hoje, como em tantos outros dias, me pego pensando: ‘Deus é bom, eu sou grata’. Basta abrir a primeira janela do nosso tempo, Marli mãe e Marli filha. Foi um encontro inesperado. Como meu pai dizia, “Menina você tem asas nos pés”, pois corria, não andava. A mente era mais rápida do que meus pezinhos delicados de menina miúda e, assim, vivia de joelhos e cotovelos ralados.
Bem, foi assim, ventando na rua Osvaldo Cruz, rumo à quadra de esportes que você, minha segunda mãe – também Marli, surgiu à minha frente. Com jeito de menina poesia, paralisei no espanto e me perguntei, ‘o que aquela mulher tão linda e elegante poderia querer comigo?’. Silenciei e ouvi aquelas doces palavras:
– Como você se chama?
Eu respondi, quase gaguejando, que também me chamava Marli.
E ela continuou:
– Você está indo aos jogos, então, diga a eles, que estamos abrindo uma loja de artigos para vestuário em geral e se chama Bazar Rilyane.
Meu coração vibrou me dizendo, que aquela linda mulher precisava de mim e dei seguimento à missão de propagar a boa nova.
Este seria um encontro casual, mas já estava escrito no coração de Deus, que ela seria a minha segunda mãe.
O segundo encontro que me levou a ela, também parecia um acaso, mas uniu nossas vidas para sempre. Já havia passado como ajudante de doméstica em alguns lares e experimentado a casa dos padrinhos, mas, num domingo, tive a inspiração de pedir à madrinha para ir à missa. Vesti uma jardineira branca, presente da minha mãezinha de sangue (in memoriam) e a memória afetiva me levou de volta à casa materna, que era vizinha da minha mãe do coração.
Novamente a menina que tinha asas nos pés, fez ventar o beco estreito, que dava acesso à rua e, quando me dei conta, estava nos braços de ‘Maria’, uma mulher que nasceu para ser anjo. Foram poucas palavras e no mesmo dia me tornei babá da minha irmã caçula do coração. Fato que me aproximou da mulher mais linda, forte e perfeita, que pude ver na vida.
O seu olhar me acolheu e, dentro de um mês, eu não era mais babá, mas a sua filha do coração. Nos encontramos no coração uma da outra e muitas memórias afetuosas foram criadas, porém, sei que só o amor é capaz de explicar os encontros, a vontade de cuidar, de se entregar ao espanto, à paciência e às exigências de querer bem a outra pessoa.
O que posso dizer é que estava escrito que seria assim. Muitos arriscam em dizer que me pareço mais com você do que com os meus progenitores, mas eu sei que sou abençoada com duas mães e as amo por completo.