Horizonte humano

Taghrid Bou Merhi: Prosa poética ‘Horizonte humano’

Taghrid Bou Merhi
Taghrid Bou Merhi
Imagem criada pela IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69ac644b-0acc-832a-9e76-9c1a1fb06d18

Neste mês que abre suas janelas para a memória da mulher, o tempo faz uma breve pausa para escutar um antigo pulsar que habita o coração da história.

A mulher caminha pelas estradas da vida carregando o segredo dos começos, como se fosse a nascente onde se formam as primeiras narrativas da existência.

De seus passos crescem os significados, e de sua paciência os dias aprendem a ouvir a voz da justiça.

A mulher é a memória da terra quando narra seu cansaço, e a voz da alma quando busca um sentido mais profundo para a vida.

Em sua presença a linguagem se renova, e a ideia se amplia até tornar-se humana o suficiente para abraçar o mundo.

Quando escreve sua experiência nas páginas do tempo, desenham-se os contornos de um futuro mais caloroso.

Quantos sonhos nasceram no coração de uma mulher antes de encontrar o caminho da luz.

Quantas ideias atravessaram seu silêncio até transformarem-se em passos rumo à liberdade.

Ela é o ser que aprende com a dor a sabedoria do caminho e transforma a espera em energia de vida.

No seu dia internacional, as vozes das mulheres encontram-se como asas de luz atravessando os continentes.

Cada voz carrega uma história, e cada história abre uma janela para o significado da dignidade humana.

Desse encontro nasce uma nova linguagem que o coração compreende antes que as palavras a traduzam.

A mulher não é apenas um motivo passageiro de celebração no calendário dos dias.

Ela é uma presença profunda no tecido da civilização e um ritmo oculto que acompanha o crescimento da consciência humana.

Onde quer que esteja, nasce a possibilidade de mudança e desperta no ser humano um sentimento mais puro de justiça.

Por isso este dia surge como um espelho onde o mundo contempla seu rosto humano.

Nele percebe que a dignidade cresce quando o espaço para o sonho e o conhecimento se amplia.

E a mulher vê em seu reflexo um caminho que continua a estender-se em direção a um horizonte mais luminoso.

Assim a luz continua sua viagem através do tempo,
carregada pelo coração de uma mulher que acredita que a vida pode tornar-se mais compassiva.

Taghrid Bou Merhi

Voltar

Facebook




Inshallah (se Deus quiser) um menino

Taghrid Bou Merhi

‘Inshallah (se Deus quiser) um menino: o impacto das pressões sociais no desejo pelo nascimento de um filho homem’

Taghrid Bou Merhi
Taghrid Bou Merhi
Card do filme Inshallah (se Deus Quiser) um Menino

O filme jordaniano ‘INSHALLAH (SE DEUS QUISER) UM MENINO’, que conquistou dois prêmios no Festival de Cannes, é uma obra cinematográfica marcante que aborda um tema sensível, ainda presente em muitas sociedades até hoje: as crescentes pressões sociais para o nascimento de filhos homens, especialmente nas sociedades árabes. O filme levanta questionamentos essenciais sobre a herança e as tradições sociais relacionadas ao nascimento de meninos e como essas pressões contribuem para a criação de problemas familiares e conjugais, que por vezes chegam à desintegração da família.

O desejo de ter um filho homem é uma ideia profundamente enraizada em muitas culturas ao redor do mundo, sobretudo nas sociedades árabes, que consideram o menino como a continuidade da família, o portador de seu nome e o herdeiro de seus bens. Daí surge a noção da ‘necessidade’ de ter um filho homem para garantir a preservação do nome da família e sua continuidade ao longo das gerações. Essas ideias estão ligadas a costumes e tradições antigas, que viam no homem a proteção da família e seu suporte econômico e moral.

Nas sociedades tradicionais, o homem era o principal provedor da família, responsável pelas terras, pelo comércio e pelos ofícios. A partir dessa lógica, o nascimento de um menino tornou-se uma questão vital para a sobrevivência e continuidade da família, enquanto o nascimento de meninas, em alguns casos, era considerado um fardo. Essa visão contribuiu para aprofundar a desigualdade entre os gêneros e para a preferência pelos homens em muitas sociedades.

Com o passar do tempo, essas tradições transformaram-se em pressões sociais que afetam profundamente a vida dos indivíduos e das famílias. Ter um filho homem passou a ser visto como uma ‘conquista’ ou ‘sucesso’ em certos meios, aumentando assim a pressão sobre os casais, especialmente sobre a esposa. Quando a mulher não consegue ter um filho homem, as pressões familiares e sociais se intensificam, podendo levar a conflitos conjugais e tensões familiares.

A equipe de trabalho, composta por atores, profissionais de montagem, iluminação, direção e equipe dos bastidores. 
Foto divulgação
A equipe de trabalho, composta por atores, profissionais de montagem, iluminação, direção e equipe dos bastidores.
Foto divulgação

Em alguns casos, a esposa enfrenta críticas e cobranças da família do marido e até mesmo da sociedade ao seu redor por não conseguir gerar um menino. Isso pode levá-la a sentimentos de frustração e culpa, intensificando o desgaste na relação conjugal. Por vezes, a situação pode chegar ao divórcio ou ao casamento com uma segunda esposa em algumas culturas, como retratado claramente no filme ‘INSHALLAH (SE DEUS QUISER)UM MENINO’, que destaca as duras pressões sociais enfrentadas pelas mulheres quando não conseguem ter filhos homens.

Esse pensamento que impõe aos indivíduos a obrigação de ter um filho homem constitui um problema social e psicológico que afeta profundamente as pessoas. Os casais, especialmente as mulheres, sofrem enormes pressões psicológicas relacionadas à sensação de não atender às expectativas sociais. A mulher carrega o maior peso dessa carga, assumindo injustamente a responsabilidade pelo sexo do bebê, embora biologicamente essa determinação dependa do homem.

Essas pressões psicológicas e sociais podem acarretar consequências graves para a saúde mental e física da mulher. Muitas sofrem de ansiedade, depressão e isolamento, e em alguns casos são submetidas à violência verbal ou física por não conseguirem gerar um menino. Por outro lado, os homens também podem sofrer pressões sociais por não cumprirem o papel “esperado” como chefes de família.

O filme reflete com clareza esses desafios psicológicos e sociais por meio de uma narrativa dramática e comovente, que acompanha a vida de uma mulher jordaniana submetida a intensas pressões sociais e familiares por não ter um filho homem. O filme retrata com sensibilidade as tensões que surgem dentro da família quando a questão da procriação se torna central. Em vez de o casamento se basear no amor e na compreensão, transforma-se em um campo de conflitos e disputas devido às expectativas sociais.

Por meio de seus personagens, o filme consegue demonstrar o impacto dessas ideias tradicionais nas relações familiares e conjugais. Observamos o aumento da pressão sobre a mulher e o agravamento das tensões dentro da família, à medida que o marido e os que a cercam passam a exercer uma pressão psicológica cada vez maior, fazendo-a sentir-se impotente e culpada.

Os desafios abordados pelo filme são um problema global, não restrito apenas à Jordânia ou ao mundo árabe. No entanto, é importante reconhecer que essas pressões variam de uma sociedade para outra. A grande questão que o filme levanta é: como podemos mudar esses conceitos tradicionais?

Como indivíduos e sociedades podem se libertar das amarras de ideias antigas que fazem do nascimento de um menino uma necessidade urgente?

Uma das possíveis soluções é conscientizar as comunidades sobre a importância da igualdade de gênero e reduzir as pressões relacionadas à procriação. É fundamental reforçar a ideia de que o valor do ser humano não é determinado por seu sexo, mas por suas realizações e por seu papel como indivíduo na sociedade. Também é essencial difundir a consciência de que a capacidade reprodutiva da mulher não deve estar subordinada às exigências sociais e que essas pressões podem destruir relações familiares.
Além disso, as instituições educacionais e religiosas podem desempenhar um papel importante na transformação desses conceitos, por meio de programas de conscientização voltados às famílias e que promovam a igualdade entre homens e mulheres.

Da mesma forma, a mídia e as artes, como o cinema, devem continuar a lançar luz sobre essas questões, tornando o debate social mais aberto e transparente.
O filme ‘INSHALLAH (SE DEUS QUISER) UM MENINO’ constitui uma mensagem poderosa contra as pressões sociais relacionadas ao nascimento de filhos homens e revela claramente o impacto dessas ideias tradicionais nas relações familiares e sociais. Ao abordar esse tema sensível, o filme destaca a importância de repensar o papel do gênero na sociedade e de avançar rumo a um futuro mais justo e igualitário.

Taghrid Bou Merhi

Voltar

Facebook