Ajuda humanitária, um palco de tinta

A renomada escritora italiana Maria Teresa Liuzzo lança um manifesto avassalador contra a hipocrisia das redes sociais e o exibicionismo do mundo moderno.

Maria Teresa Liuzzo
Maria Teresa Liuzzo
Ilustração conceitual de uma antiga máquina de escrever cujas teclas se transformam em andorinhas voando em direção a uma luz dourada, contrapondo telas frias de smartphones ao fundo.
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Recebo do exterior muitos pedidos de autores e autoras para intercâmbios culturais. Chegam aos bandos, como as andorinhas na primavera. Leio, com enorme surpresa, que pedem uma biografia brevíssima, de no máximo oito linhas e, para a poesia, um máximo de treze linhas.

Talvez meçam o sentimento em milímetros e pensem que quem escreve deva munir-se de uma fita métrica para indicar a distância entre o espaço e a palavra.

O curioso da situação é que, em suas biografias, encontra-se de tudo — coisas que nada têm a ver com uma biografia — ou aquele vaivém de ações destinadas a preencher espaços em branco inúteis.

Algumas autoras escrevem de tudo, como trocar a fralda dos próprios filhos ou das crianças da creche, fazer uma visita a um parente, à mãe, à vizinha, oferecer condolências em caso de luto ou fazer compras para quem vive sozinho e doente.

Tudo isso é um dever de civilidade para com o próximo, que não deveria ser alardeado. Para preencher páginas com tinta, chamam esses simples gestos de “ajuda humanitária” — servem para enriquecer o currículo.

Ignoram que se trata de um dever moral, ético e religioso, visto que a necessidade, sob diferentes formas, bate a todas as portas e a morte não tem piedade de ninguém. Ignoram que o princípio doloroso não é apenas memória, mas aquilo que atravessa o tempo sem se perder nem entrar em conflito com a própria interioridade.

Mas nenhum desses senhores e senhoras partiu para a guerra, adotou um órfão, observou um minuto de silêncio em sinal de respeito; nenhum deles deixou, por um único dia sequer, de desfilar no palco da moda das vitrines do Facebook.

Nenhum desses indivíduos que se elevam à condição de santos foi escavar os escombros do recente terremoto que atingiu a Argentina; nenhum chorou, nenhum rezou. Todos partiram para recolher inúteis pedaços de papel que são continuamente produzidos, taças e medalhas.

O refluxo da loucura não conhece a dor; para algumas pessoas, é mais forte que o sangue e a morte.

Ninguém mostra feridas conquistadas no “front”, cadáveres alinhados, crianças consumidas pela lama e pela fome, esqueletos ambulantes, céus de pedra e fogo, edifícios desabando, a vida se apagando como uma vela.

E vai embora como um floco de neve. A verdadeira caridade é aquela que se pratica e não se proclama, aquele sofrimento que nos faz morder os lábios para não gritar, a dor de nossa impotência diante do mal de nosso tempo.

É preciso lutar para impedir que a sociedade se despedace e para que a humanidade possa ser salva. “Quem se mostra, vende”, dizia São Pio de Pietrelcina. Esse oportunismo de personagens que improvisam e interpretam as tragédias do século é feito de falsos atores, não de pessoas que sofrem — como querem fazer acreditar —, impondo-se sobre o pedestal do óbvio e do lugar-comum para obter visibilidade às custas das desgraças alheias.

Fingem sofrer, com o sorriso das hienas, e representam como saltimbancos no circo. Ignoram que a dor é inatingível, assim como um buscador de pérolas. Essas pessoas oportunistas desfilam como feras em um teatro de sombras, transformando-se em atores, maquiadores, diretores, figurinistas, misturando a realidade ao sonho de olhos abertos.

Não são capazes de olhar para a tensão emocional e ética; se analisassem aquilo que vemos passar diante de nossos olhos, perceberiam que é exatamente o contrário das “regras de ouro”, segundo as quais o bem deve ser compartilhado para que ninguém seja excluído.

Mas, para quem não tem cérebro nem alma, tudo piora. É como olhar para um livro aberto e não ser capaz de ler uma única linha. Tomando emprestada uma frase de Flaiano: “São poucos os dias importantes na vida; os outros fazem volume”.

O tempo é um Amor infeliz e cada dia é uma despedida. Ninguém pode alcançar o inexistente.

As redes sociais destruíram a humanidade, transformando-a em uma massa de robôs ambulantes. Os sentimentos tornaram-se ferrugem, espinhos, pregos, cimento, ódio, vingança, maldade, exibicionismo; a escrita passou a ser considerada tinta sem alma.

Muita gente perdeu de vista a verdade, a origem do homem no tempo e na história; não aprendeu nada com os erros do passado.

Nós somos a fragilidade do tempo indomável, irônico, possessivo e, às vezes, violento, que nos alcança de surpresa, como uma tempestade de neve, de areia ou de escuridão, onde apenas as vozes se movem para depois sufocar em um mundo de falsos pudores.

A memória torna-se um xale de ondas entre presente e passado, pobre de luz e inferno. A verdade é uma palavra que não rasteja, mas abandona as escamas do tempo e, em seu “deambular” de despojamento, busca a própria autenticidade. Liberta das escórias, renasce no tempo que devora e gera e, finalmente, transforma-se: torna-se aurora de ressurreição.

A palavra é a única liberdade que nos resta; tem um coração que reside em nosso costado, e somente a paciência consegue superar os medos. O silêncio e o ódio devem ser pendurados na parede do esquecimento. A verdadeira riqueza não se mede pela força nem pelo ouro, mas pela paz. O genocídio permanece como o maior perigo para a Humanidade.

Maria Teresa Liuzzo

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A humanidade do terceiro milênio

Uma crítica profunda sobre o abandono dos idosos na era digital e o poder da literatura como guardiã da nossa memória e dignidade. Maria Teresa Liuzzo

Maria Teresa Liuzzo
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Pintura digital conceitual dividida em dois lados: à esquerda, pessoas alienadas diante de telas de computador e celulares em uma cidade caótica; à direita, um grupo de idosos em uma biblioteca iluminada, com um homem central consertando um vaso quebrado com ouro (técnica kintsugi), ilustrando a dignidade humana através da literatura.
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Enquanto o homem tenta ascender aos Céus, esqueceu-se de como se vive na Terra. Esqueceu os valores éticos e morais, perdeu-se deliberadamente no caos do indizível. Tudo isso é pior do que a fratura entre a vida e a morte. Está na moda a indiferença, o egoísmo, o egocentrismo, o mal gratuito, enquanto escasseia o compromisso social e político em favor das camadas mais vulneráveis e da sociedade.

A terceira idade é considerada uma mercadoria a ser descartada, um estorvo para o cotidiano, um descontentamento que se transforma em ódio, desembocando posteriormente em tragédia, instigado por esse eu alimentado pela raiva do coração, entre maus-tratos e homicídios. Os contatos humanos estão desaparecendo. A web atrai os incautos, que fazem de tudo para aparecer, como o fogo atrai as mariposas. Às vezes para manipular, outras vezes para serem manipulados. Esse mal se dissemina com uma capilaridade alarmante.

Somente poucos indivíduos, caídos nas “teias”, tiveram a coragem de denunciar. O mundo digital é inóspito e complexo, mais do que certos caracteres humanos. Os idosos têm mais medo de viver do que de morrer. Muitos vivem como internados, obrigados por um silêncio impiedoso, buscando aquelas formas que perderam o centro, mas conservam os símbolos. Os literatos são uma classe à parte. Sua experiência recupera o Princípio onde a forma se esvazia, mas não se dissolve; permanece, conservando o pensamento da tradição. A interioridade é inviolável.

Acontece frequentemente que os idosos demonstrem, por meio dos fatos e de sua sabedoria, que distinguir-se não significa contradizer-se, mas ser lúcido acerca de um passado-presente, embora também nostálgico: não é um muro de pedra nem um palácio que desmorona. A morte, que os outros lhes desejam, é também a ideia, a palavra que, embora sangrando, mantém sua característica, aquilo que vai além da realidade direta.

O carma é o universo, testemunha que circunscreve a experiência da dor e da incerteza da existência, sela as fissuras das palavras, dando-lhes um nome e uma alma, devolvendo-lhes a dignidade, longe das máscaras famintas e sociais, dos políticos corruptos e dos intelectuais subservientes. As palavras florescem novamente como os cacos de um vaso japonês que é “reparado” com ouro (kintsugi), valorizando suas cicatrizes. Libertam-se de seu suor sanguíneo, envolvendo-se na seda da justiça, colorindo-a de luz, a mesma luz que a Humanidade perdeu, afastada do consenso e da posse.

O nascimento é um trauma; as ações que se seguem às palavras são lâminas que habitam o tempo do Espírito. Em outro lugar, a luz arrastava seu corpo, que aderira à dor como uma luva. O escriba, curvado na noite, alimentava as páginas dos tomos. A verdade é sacrifício e lança flechas apaixonadas que roçam o coração e a alma da Cultura, quando as lágrimas se partem como o pão e a Literatura repousa na pedra da História.

Tempestades, genocídios e guerras tentaram, em vão, matar a memória, mas a fidelidade do escritor vai além da cultura e mantém elevada a tocha da Literatura. A maldade tem o rosto da sombra e sempre nos espiará como um monstro silencioso, estendido entre ruínas cobertas de musgo. Os mortos não encontram paz; seus corpos estão estendidos sobre o metal da noite, enquanto suas lágrimas, negras como o pranto, perfumam-se de tomilho e rosas.

Os temores continuam a bater como gotas de chuva contra o vidro. A palavra cria um impacto universal; é uma dor que vai além da tinta cênica e persiste no sistema nervoso, preserva a habilidade no olhar e a verdade dramática que acompanha aquela da ficção.

Permanecem as sombras penduradas no teto, onde frequentemente o crime se transforma em cultura e o corrupto brinda ao sucesso. Mas as vozes não são números: são lamentos que respiram, feridas infectadas e ossos que se quebram.

O Povo teme as palavras mais do que as sentenças de um tribunal. De todas as palavras que rouba, atravessa, esfolia, bebe o sangue delas. O Povo mostra um rosto de anjo, finge-se profeta, mas permanece um robô exaltado.

A raiva tem a cor das papoulas, a mentira transforma-se em hábito, como uma roda que gira em torno de si mesma. Cada um de nós corre o risco de afundar-se; a arte e a literatura nascem de pequenos e silenciosos instantes, e a sensibilidade se reconhece nos detalhes. A cultura repudia o estudo do “sonâmbulo” e o penoso procedimento da obediência (Franco Fabbro, Hipnose e cérebro social, Mimesis).

As estruturas sociais são, muitas vezes, prisões, exílio, devastação; “aquela lenta morte que os homens chamam de progresso do mundo”. Separar a alma do pensamento torna-se perigoso, escandaloso, desumano, criminoso.

“O mal nasce da incapacidade de pensar, isto é, da incapacidade de raciocinar com a própria cabeça, delegando suas decisões à autoridade legítima” (Hannah Arendt).

Maria Teresa Liuzzo

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La poesia nella coscienza del poeta

Maria Teresa Liuzzo

‘La poesia nella coscienza del poeta’

Maria Teresa Liuzzo
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La poesia è cultura di luce quando il contenuto del messaggio anticipa la storia facendosi portatore di valori umani, cristiani, sociali. 

E’ la profondità dell’anima che si manifesta attraverso la forza della parola, quindi un pozzo d’emozioni che non conosce infarti. 

Poesia è il prodotto risultante di un’elevata ed intensa sofferenza vissuta da una sensibilità superiore. E’ sentimento puro. E’ quel filo rosso chiamato umiltà – non umiliazione – il lievito base che permette alla fantasia di prendere forma traducendo in versi l’emozione del momento. 

Poesia è l’intensità dell’ <<anima >>, è respiro universale pur quando non raggiungendo un livello di perfezione su ciò che vorrebbe esprimere (perciò guai a sconfinare dai propri limiti) raggiunge il potere dell’intesa tra simbolo e credente nella lotta odierna tra l’essere e l’esistere scaturita dai conflitti tra individuo e società; tra l’individuo e la propria coscienza. 

Poesia è tale, quando il battito è continuo ed il sangue non è anello ma catena che genera attraverso la sorgente nuove fioriture di versi: sia che l’immagine ari labirinti, sia che semini chiarori. E’ volontà che rimargina cicatrici di speranza accettando qualsiasi calvario. 

Poesia è simbiosi tra spirito e materia; equilibrio, tra ragione e cuore. Coscienza tra animus e sembianza; è pace che conclude l’eterna attesa e non ammette compromessi né fratture. 

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Il libro si trasforma insieme alla cultura

Maria Teresa Liuzzo

‘Il libro si trasforma insieme alla cultura’

Maria Teresa Liuzzo
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”I libri hanno circondato per molti secoli prima dell’invenzione di Gutenberg, e nei secoli futuri troveranno certo nuove forme per sopravvivere. ( … ) L’importante è che il filo ideale che scorre attraverso la scrittura non s’interrompa. ( … ) C’è una continuità nella solitudine che lo scrittore si porta dietro come un destino inerente alla sua vocazione, ma da questa solitudine si sviluppa una volontà e una capacità di comunicare, quella speciale comunicazione della letteratura che si stabilisce da individuo e individuo e che solo in qualche epoca e in qualche occasione può trovarsi amplificata in comunicazione di massa. ( … )

Sappiamo che la forma dei libri ha cambiato tante volte nella storia e che certo continuerà a cambiare. Non che questo mi rallegri, perché sono affezionato ai libri anche come oggetti nella forma che hanno ora, anche se è sempre più raro vedere delle edizioni che esprimono l’amore per l’oggetto libro, anche per accompagnare la nostra vita dovrebbe dovrebbe essere fatto a regola d’arte” (Italo Calvino, da ”Mondo scritto e mondo non scritto” Einaudi).

Calvino non ha avuto la fortuna di conoscere l’accuratezza della casa editrice A.G.A.R. che da anni con infinito amore, si dedica ai libri, piccoli gioielli d’arte strappati alle sabbie del tempo e siamo convinti insieme a lui, che proprio grazie a questa raffinatezza estetica il libro continuerà a sopravvivere, essendo in grado di competere con tutti quei meccanismi che lo vorrebbero sostituire o ingabbiare se non cancellare! La raffinatezza è segno tangibile e garanzia della sua eternità.

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L’ombra non supera la luce

Maria Teresa Liuzzo: ‘L’ombra non supera la luce’

Maria Teresa Liuzzo
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Simon Weil, poeta di spirito religioso, diceva che ” il popolo ha bisogno di poesia come di pane”. Un margine bianco, che il poeta trasforma in voce pura che parla, e non in fiore dell’oblio nello spirito del tempo. E’ nel fascino del mistero che riemergono i sogni della sofferenza e della tragedia di un paesaggio umano, crisalide di luce e di vita. Il tempo si riappropria di se stesso: è sangue vivo nella roccia, spogliato della propria identità.

Un’eutanasia priva di piaghe in contemplazione religiosa legata ai sacri valori della vita nella loro armonia universale. L’infanzia, la memoria, il dubbio, il soffrire e l’amore quale sogno irripetibile e personale di un’osmosi nucleica quanto integrale, di una realtà innocente quanto drammatica, eppure profondamente umana. Poesia come fonte di luce, superamento delle tenebre, vittoria della vita sulla morte, dell’amore sull’odio.

L’amore colto nel vero significato di questo complesso e totalizzante aspetto della vita, non come relazione con una particolare persona: ma attitudine, orientamento di carattere che determina i rapporti della singola persona col mondo e non verso un ”oggetto” da amare. Amare una sola persona ed essere indifferenti nei confronti dei nostri simili, non sarebbe amore, ma attaccamento SIMBIOTICO o un EGOTISMO portato all’eccesso.

La maggiore conoscenza è congiunta indissolubilmente all’amore… Non va confusa la debolezza dell’individuo, che è una condizione transitoria, con lo stato normale e permanente. (ERICH FROMM – ”L’arte di amare”). In questa silloge, ”L’ombra non supera la luce ”, luce e ombra si inseguono, si alternano, ma l’una contiene l’altra, l’eterna lotta tra la vita e la morte, tra il bene e il male, la visione del mondo e della realtà nei suoi molteplici aspetti, coi principi e i valori assoluti che non possono essere dismessi.

L’ombra mai fine a se stessa, ma come viatico, attesa della gioia. Uomo – Natura – Vita non come percorso singolo, ma simultaneo. La condizione della donna, il mito, la guerra, il terrorismo, Dio, assente dai pianeti in quanto nascosto, la fame nel mondo, gli egoismi, le ingiustizie, l’arroganza, l’indifferenza, il dolore che colora il linguaggio e, spesso, dà sapore all’inesprimibile.

Presenza e regia di una psiche quasi sempre minata e in disparte, che accetta e vive i due ruoli (quello di ombra, che è agonia, coagulo del sangue, in un labirinto che disorienta, dove la mente è il bisturi e il corpo l’anima che si spoglia della propria identità), attraversa tutte le declinazioni del dolore per impadronirsi di esso, per ritrovare dignità e dimensione, essere presenza, dunque del tempo e della storia. La traslazione dell’Io in simmetria col suo diorama dionisiaco.

Strumento e ricerca, nella notte che non è sepolcro, ma grazia dell’attesa, metamorfosi della coscienza dove il sangue si fa fantasia e la vita e la speranza riemergono come luce dai fondali. E’ il sorgere dell’anima ma anche della coscienza e della saggezza. Le vite ci appaiono come fiumi, rami, raggi che si separano ma poi si intrecciano, diventano sfere, radici, oceani. Si annulla la dispersione nell’unità del divino.

Abbiamo il mondo, alimentato della nostra interiorità, dalla sfera inconscia ed oscura della nostra mente e dei nostri sensi, dal rapporto costante e biunivoco con l’umanità, con le molteplici realtà prossime o lontanissime nelle quali siamo immersi e con le quali interagiamo. E’ la sincerità dei sentimenti che gratifica il poeta, la toccante consapevolezza che fa vibrare l’anima più del fuoco che purifica; il suo respiro che non è che un punto infinitesimo nelle maglie dell’Umanità, su una strada senza fine; il donarsi del poeta in una intimità, quasi sacrale, perché la poesia è soprattutto silenzio, è la lunga gestazione di ciò che spesso le parole non riescono ad esprimere.

Ma è proprio in quel silenzio assordante che le distanze si annullano, si precipita nell’inconscio rigenerato dal rito dell’Amore, esplode la vita nel suo continuo donare: la parola si separa per giungere alle vette dello spirito. E’ la metamorfosi del pensiero nel crudo realismo degli abissi. Il sangue tace e il cuore compone restituendo alla parola verità, dignità, splendore. Si sosta in una zona intermedia della realtà (tra coscienza materiale del mondo e spiritualità), tra il polo della mente e quello dell’anima. La vita sorge dal vuoto come per incanto e il Mito e l’Amore sfrondano le angosce.

Si ha l’impressione di essere in una maglia luminosa che attrae e allo stesso tempo ci fornisce le immagini più disperate e le tensioni più diverse. Realizzare un mosaico di tanti frammenti in una realtà che ci sovrasta e in cui siamo immersi significa scendere in apnea nella memoria e uscire non con un verso, ma con il corpo e il peso della nostra coscienza, con la medesima realtà delle nostre emozioni, sentimenti, sensazioni, con l’assurda speranza di cogliere almeno l’ombra di una ragionevole luce. Poesia: voce dello Spirito, anima, mente, coscienza.

Voce simultanea di tutte le cose senza circostanze né limite, su piani o livelli. Poesia come sintesi emotiva, coscienza critica del Tempo, come luogo ”a parte” dell’esperienza umana nel nostro bisogno e rifugio del genere umano. E’ un fenomeno essenzialmente sociale in quanto scaturisce dalla mente dell’individuo. E’ un lungo, interminabile viaggio nell’anima, l’esperienza di un’emozione diretta ad un animo disposto a comprenderla e va vissuta intensamente, perché è il dono più prezioso dell’attesa.

E’ il nostro animo che si riveste di fascino e rigenera i confini tra passato e presente, tra verità e menzogna, tra fede e sogno. Come il fiume che scorre e si fa carezza e parola. Solo il cuore riesce a trovare accordi di suoni e colori. Il segreto della vera poesia è la cieca comunione dello spirito che dall’oscurità dà voce alle forme. L’uomo ha bisogno della parola (certezza) che è la necessità dell’espressione dello stesso per raggiungere una maggiore consapevolezza di sé nel mondo. Non esiste, infatti, il vuoto concepito fuori dalla nostra realtà che è insieme ardore e tormento e che si concretizza con la capacità della visione, che è la resa di un’emozione vissuta e sofferta intensamente: battito e silenzio della stessa voce.

E’ il caos dell’Infinito, col suo ordine sotterraneo. E’ l’ombra che veste l’incerto (che circoscrive il limite e l’ottusità, la disperazione del nulla) dove l’essere abita il corpo ma rimane estraneo al cuore, incapace di mostrare sé stesso nella sua fragilità e nella propria tristezza. Il consumismo fa perdere i valori umani e sociali e la poesia come l’Amore induce a subire un progressivo avvicinamento ai valori della fede nella vita familiare, civile e politica. Dà senso e valore alla propria esistenza. Senza poesia non c’è vita. L’uomo sarà concime del suo sangue ma la parola non sarà mai cenere. Un animus privo di poesia è come un paese debole laddove la famiglia è in crisi. L’individuo vive in una cortina di nebbia che sfuma i contorni di una realtà che è la tomba della parola muta, la totale mancanza di quel suo Amore.

Poesia, dunque, come coscienza del tempo. Il viaggio del Mito attraverso la parola, purezza del fuoco nella solitudine, dono del sogno che ci accompagna fino alla morte nella nenia del dolore. Poesia come sapore di conoscenza offerta quotidianamente nel canto della parola. Evitare di gareggiare per somigliare ad altri ma essere se stessi. Non aspettare che la nenia del dolore (tenebra) ci avvicini. Vivere la parola, bere nel calice della luce e non dividere la terra con i morti. Poesia come verità. Poesia come donna. Urgenza della parola come passione per il nudo (Verità) e bellezza femminile (gioia del cuore) – (vedere Sade e Masoch), l’inconscio e il problema del doppio, la vita come Arte e Arte come vita. (Freud) e la psicanalisi dei sogni, (poesia come parola sul trapezio.) (Freud).

Un susseguirsi di vero e falso, fantasmi, suicidi e omicidi per amore, l’anima schiacciata dalla psiche, il colore si sovrappone, una parola ingoia l’altra. La parola libera come l’acqua (ci riporta alle ondine nei miti germanici). La qualità che i Russi stimano di più è il possesso di Dusha, cioè dell’Anima (mantenere intatta e difendere la percezione di ciò che è immenso e puro). Poesia come luce. Un lungo viaggio dall’ignoto al consueto, il palpito espressivo come metafora dell’esistere dunque, una resa espressiva e ricerca creativa della parola che la eterna sulla carta, ne anticipa i tempi, il compiersi dell’espressione, il possesso della metafora (parola), la gioia dell’ottimismo che lega persino due anime sconosciute; le radici della memoria che legano mari, tempi, dimore, che trascinano due menti in sintonia in quell’amore stupendo che ci rende ospiti l’uno nel cuore dell’altro, guanciale su cui riposare, dove corpo e mente trasmigrano: la coscienza diviene realtà e non sospensione del tempo dove impera il vissuto, l’esperienza del quotidiano che focalizza la visione della vita e della morte, nel nostro immaginario, bensì nella piaghe del nostro respiro.

Il poeta entra in rapporto con la propria essenza, vive la poesia in modo estremo, radicale, definitivo. E’ amore per la ricerca senza fine, la conservazione di un modo originario di vivere, l’ampiezza di interessi e conoscenze: la vita con le vicende che l’attraversano. Il tempo trasformato in poesia, dunque, forma artistica, che rivela il sogno e la realtà, ma soprattutto l’emozione che è la propria anima allo specchio, il riflesso di quel magma mentale in incubazione, l’altra isola del cuore, ciò a cui neppure lo stesso poeta attinge e rimane sconosciuto persino a se stesso: è il momento del sacro.

E’ la poesia come vita, come esperienza e va cercata nel polso della gioia, colta sulla cima dei sensi, che ci rende profondamente veri, profondamente umani nell’eternità della luce e della sapienza. Poesia del Dolore, poesia della Luce, poesia della Vita. – ”Voi cercate una vita felice in un paese di morte: non è lì. come potrebbe essere una vita felice ove manca la vita?” Da ”Le Confessioni” di Sant’Agostino. La Poesia, dunque, è amore, vita, sogno di tutti i tempi e come l’Amore ”ha orrore di ciò che non è sé stesso” (H. de Balzac) in quanto ”vita è un sonno, l’amore ne è il sogno, e avrete vissuto se avrete amato” (H. de Musset). Poesia come speranza certa e segreta, coraggio e non prudenza, fuoco che rivela ciò che il gelo nasconde, emozione, passione. Usando a prestito una frase di AI QING ”Nessuno può andare contro la verità del suo cuore”. La POESIA siamo noi!

Maria Teresa Liuzzo

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L’eucarestia della storia

Maria Teresa Liuzzo: ‘L’eucarestia della storia’

Maria Teresa Liuzzo
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Un altro anno è passato, nel mormorìo assordante dei media, che ci riempie la testa di vuoto e inutili parole, nell’ignoranza concettuale e formale, tra la galassia frustrante delle tante case editrici, che ostacolano la vera cultura, la vera letteratura, proponendo libri squallidi, da quattro soldi, prodotti solo per ottenere il lauto compenso.

Intanto l’ignoranza collettiva cresce: si legge sempre meno poesia. Non si capisce più il linguaggio aulico, e molto spesso si scambia la prosa per lirica. Sono cambiati i tempi, sono cambiati i valori e i giudizi: è cambiato il modo di rapportarsi a questi valori.

Eppure la cultura va avanti, tra stili prosastici e prosodici, sobri e antipoetici, tra poesia d’élite e popolare, tra stile di qualità e i retrobottega dei correlativi oggettivi, tra vera e falsa poesia. E dietro e dentro tutto questo, l’inefficienza dei critici, sempre di più votati all’oscuro, deboli nel valutare o di parte.

Eppure la mia scrittura va avanti, con la grinta e la qualità che possiede, credendo nei valori di quei molti autori che la sostengono e, soprattutto, ancora, nonostante i tempi, in quel ‘ concetto universale di letteratura romantica” improntata sull’amore, sulla ”rinascenza umana” e sulla qualità dello stile.

Forse è chiedere troppo a questo tempo votato al ”consumismo” e all’incivilimento: ma decisamente, siamo convinti che nonostante il perdurare dell’imbarbarimento, il nostro messaggio andrà avanti e non passerà con gli anni!

Ogni arte parla dell’umanità all’umanità e come la poesia, la Fede e l’Amore, non si possono spiegare. Si possono soltanto vivere. E’ il pellegrinaggio della parola che simboleggia la povertà di un mondo nella ricchezza del cuore, perché nell’umiltà della stessa c’è il punto di partenza che ci avvicina a Dio e l’equilibrio tra Natura e Arte.
La presenza di un respiro che non si impone a cambiare le regole del sapere per prevaricare sugli altri. Sia un alfabeto di ”voci ” l’Eucarestia della Storia ”. Ai posteri l’ardua sentenza!

Maria Teresa Liuzzo

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Tempi inquietiil vero scopo del culturale

Maria Teresa Liuzzo

‘Tempi inquietiil vero scopo del culturale’

Maria Teresa Liuzzo
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”La violenza del tempo lacera l’anima; attraverso quella lacerazione entra l’eternità” (S. Weil, l’ombra e la grazia).

Un’Arte Culturale è un’arte culturalmente impegnata nella società; non è un’arte estraniata, ma viva nel messaggio ( significato ) che si vuole trasmettere.

Si impegna a informare le masse, imbonite dal volgare, dal cattivo gusto del post moderno, sull’alto valore Universale dell’Arte ( la bellezza ), sul recupero come trasmissione di valori intramontabili, a rieducare ai valori civili e religiosi.

Riabilita quindi, il pubblico alla bellezza di un quadro artistico che nasce dalla cultura e non dal kitsch, nonché il lettore a fruire del messaggio poetico, al di là del gioco tecnico della Decostruzione.

Il Culturale oppone alla Decostruzione moderna ”la giusta valorizzazione” consapevole che il meccanismo con cui è costruito l’oggetto, non va espresso ma celato e superato dall’idea dell’oggetto.

Non è un’Arte metafisica, ma Rivoluzionaria, nel senso che si impegna a cambiare il sociale, con la forza sovvertiva di un Sapere e una Bellezza Universale (che trascende le categorie del tempo e dello Spazio) culturalmente dati.

L’arte è superiore alla vita e si impegna a modificarla: soprattutto a creare un burrone infinito tra barbarismi e buon gusto in tempi di inquietudine.

Cultura che non tradisce la Storia e liberi dalla ”schiavitù”, che non chiude ogni riferimento con il credente; che non imputridisca la luce, che non esiga la Verità.

Arte che escluda il caos di questo mondo tragico, imbrigliato in un ”vivere moderno” attraversato da mercificazioni e squallidi interessi che annullano quel meraviglioso viaggio infinito chiamato memoria e mortificano e divorano il cuore di questa sconosciuta Umanità

”…Un corridore correva dietro la sua ombra… Cercava la Verità…” (Paul Nougé).

Maria Teresa Liuzzo

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