Então Deus criou a mulher

Verônica Moreira: Crônica ‘Então Deus criou a mulher’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Uma representação artística do Jardim do Éden. No centro, Adão e Eva estão sentados entre flores. Eva segura uma maçã vermelha e olha para uma criatura metade homem, metade cobra que está enrolada em uma macieira à direita. A criatura estende a mão para ela. O fundo é uma paisagem de floresta exuberante com cachoeiras e vários animais.
https://chatgpt.com/c/6a6cf1ef-dcc8-83e9-a479-69f90a2f8994

A vida é uma obra-prima esculpida por Deus. Ele, o grande pintor do universo. Aquele que desenhou, com o verbo, tudo o que foi feito. Em cada detalhe, verbalizou a perfeição, a graça e a luz.

Não havia imperfeições na criação. Cada animal, cada ave, cada inseto, cada árvore e cada tom de verde eram verbalizados com o mais minucioso detalhe. O que o olho humano não alcança foi o que Deus planejou para o interior do homem. E, quando Ele disse: “Haja luz”, a luz raiou e aqueceu a Terra; assim fez-se o dia. “Haja noite”, e a escuridão tomou conta do céu. Por amor, para que o céu não ficasse em total escuridão, Ele fez a Lua e verbalizou novamente: “Haja estrelas!”.

Somos tão especiais para Deus que Ele planejou tudo o que, para nós, humanos, talvez fossem insignificâncias. Mas então Ele fez o homem… Ah, o homem… a mais perfeita criação, um ser dotado de força, agilidade e pronto para governar o mundo. O homem governou sobre os animais; as feras o temiam. As serpentes fugiam dele, e isso era perfeito.

Todavia, o homem não foi suficiente sozinho. Embora na companhia dos animais, ele sentia-se só. Olhava para os animais, todos com sua fêmea; ele, no entanto, dormia nu, deitado sobre o gramado verde, fora de período, e não compreendia sua solidão. Pobre Adão, ali se viu um poeta. Perguntou para Deus: “Por que eu não tenho uma companheira para me trazer calor? Gostaria de poder me debruçar no colo de uma fêmea, assim como os leões e todas as espécies que existem neste jardim. Oh, Deus, por que não fez tudo perfeito para mim? Acaso eu não mereço este favor?”.

Adão começou a pensar que os animais eram mais amados por Deus do que ele próprio, que era feito à imagem e semelhança do Criador.

Então Deus viu, naquele momento, nascer o poeta questionador e percebeu que ele precisava de uma resposta para seus conflitos internos. Decidiu criar a companheira que Adão queria. Fez Deus que Adão caísse em profundo sono e tomou uma de suas costelas. Mais uma vez verbalizou, dizendo: “Haja beleza, doçura e encanto. Haja calor e uma pele aveludada para aquecer seu companheiro. Haja seios e pernas contornadas, cabelos belíssimos que caiam sobre suas costas, e que ela seja forte para fortalecer seu companheiro quando ele se sentir fraco. Que ela seja inteligente para governar com ele”.

Então Deus criou a mulher…

Ao acordar do profundo sono, Deus chamou: “Adão! Venha ver sua companheira”. Adão, maravilhado com a perfeição de sua fêmea, disse: “Osso dos meus ossos e carne da minha carne”.

Deus disse: “Você agora não está só. Cuide da sua companheira, não a deixe só. Proteja-a com sua vida, se preciso for”.

Um cenário perfeito, uma mulher perfeita, e agora sim, Adão se considerava um homem perfeito.

Mas Adão não cumpriu o que Deus disse e, depois de muito conviver com a mulher, sentiu falta dos animais e da solidão. Passou a deixar sua mulher sozinha. Ela, sentindo-se só, passou a caminhar por todo o jardim e, numa das árvores, conheceu uma serpente falante que a seduziu.

E o final da história todos já sabem… Adão culpou Deus, a mulher culpou a serpente, e a serpente nem havia saído do lugar; a mulher foi até ela. Deus havia dito para Adão e Eva que poderiam comer de todas as árvores do Jardim, menos da árvore da ciência do bem e do mal.

Deus poderia destruir Eva, mas Adão ficaria revoltado e só novamente. Então Deus decidiu que o homem deveria, a partir daquele dia, se virar sozinho; a mulher deveria sentir dores e ter filhos para aprender a não ser desobediente; e a serpente passou a rastejar e comer o pó da terra por todos os séculos.

Mas o que se aprende com tudo isso é: homens, não abandonem suas mulheres, pois as serpentes hoje estão por toda parte. Mulheres, não pisem em lugares que não foram feitos para vocês; ali vocês sentirão dores desnecessárias. E serpentes, não pensem que ficarão impunes quando causarem danos aos filhos de Deus.

Aos poetas, Deus disse: continuem questionando, mas quando tiverem a oportunidade de viver a resposta, aproveitem cada segundo porque eles não voltam.

Verônica Moreira

Voltar

Facebook




Gentilezas

Verônica Moreira: Crônica ‘Gentilezas’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem criada por IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/0ba8e4350e1de223?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Já parou para pensar que a felicidade de alguém, no dia de hoje, pode depender de uma simples ação que talvez para você não seja nada, mas que para outrem pode ser o motivo de um sorriso diário?

Passamos tempo demais preocupados com nossos próprios interesses e não percebemos o quanto podemos influenciar uma vida através de um simples gesto de gentileza.

Uma frase que sempre falo quando percebo alguma injustiça em relação a mim ou a outras pessoas é: “Gentileza gera Gentileza”. Refletindo sobre essa frase, me deparei há alguns dias com uma situação constrangedora e quero compartilhar o fato sem dar nome aos bois.

Quando participo de algum concurso ou preciso que alguém dê uma atenção especial a um determinado projeto, ou mesmo a uma publicação em redes sociais, costumo compartilhar nos grupos onde sempre me senti acolhida por pessoas queridas e amigas.

Todavia, há alguns dias, fiz uma publicação em um grupo e fui atacada por um colega de lá; atacada com palavras ásperas de alguém que se revoltou com a própria vida e quis descarregar sua revolta em mim. Mantive-me firme e gentil como sempre fui. Afinal, eu sou assim e mais uma vez posso dizer que tenho orgulho de mim, pois, apesar de tudo de feio que ele disse, atacando até meus colegas de grupo, eu apenas saí do grupo para que ele não continuasse com suas insinuações.

Mais tarde, fui informada de que tal senhor havia sido removido do grupo. Mas, durante os ataques à minha pessoa, ele disse que um dia havia me pedido uma ajuda e eu neguei. Pasmem! Eu não o conhecia, nunca havia tido nenhum contato com o indivíduo, nem sabia quem era. Justamente por não o conhecer, fiquei assustada com o ataque.

Mas pude dizer a ele justamente essa frase: “Gentileza gera gentileza”. E se por algum motivo eu não o conhecia, mesmo ele estando no grupo, e naquele momento, sem me conhecer, ele me destratou daquele jeito, agradeci a Deus por não tê-lo conhecido antes e por conhecê-lo daquela forma, pois assim sei que não conhecê-lo antes foi um livramento de Deus.
Estou compartilhando isso porque assim acontece na vida da gente diariamente. Pessoas nos julgam sem nos conhecer de verdade, talvez dão ouvidos às más línguas que destilam veneno contra nós, e nos atacam sem ao menos nos permitir falar.

Um ataque sem explicação, apenas porque um dia decidiram que não gostavam da gente e ponto final. Percebo que preciso me blindar o tempo todo, porque às vezes entramos em determinados espaços pensando que todos são amigos e querem o nosso bem. De repente, descobrimos que há muitas pessoas que não gostam da gente pelo simples fato de não conseguir suportar nosso brilho próprio.

​Não sei com vocês, mas comigo percebo violência o tempo todo — não física, mas indiretamente: quando alguém vê o meu bom trabalho, mas não comenta, não curte, não compartilha, não demonstra nenhum ato de gentileza, mas, no entanto, cobra que façamos isso por eles. São muitos vídeos, reels e publicações que alcançam 1.700 visualizações, mas apenas 20 curtidas. Isso demonstra que o tempo todo tem pessoas nos vigiando, muitas das vezes até admirando nosso trabalho, mas sem prestar apoio. Isso porque uma curtida ou um comentário pode ferir o ego dessas pessoas.

Aprendi que as pessoas querem te ver bem, sim, mas nunca melhor do que elas. Por isso é tão difícil para elas apoiarem o nosso trabalho. Só trabalhando, me aperfeiçoando, errando, todavia aprendendo, e continuarei ajudando as pessoas a plantarem para, juntos, colhermos os bons frutos de todo nosso plantio.

Agradeço a todos que apoiam meu trabalho e que são sempre gentis comigo. Amo vocês!

Ah, e não se esqueçam: gentileza gera gentileza.

Verônica Moreira

Voltar




Há quem prefira sangrar

Verônica Moreira: Poema ‘Há quem prefira sangrar’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69d3ca83-a51c-83e9-a6b1-f68d0ed91f65

Beijamos as flores
E, nos lábios, sentimos
O doce néctar,
De aroma inconfundível.
Tua boca — segredo,
Portal aceso do meu desejo.
Nossos corações:
Terremoto e aflição.
Nossos sentidos,
Teoria viva — visão de Platão,
Romance eterno de Shakespeare,
Entre paixão e sedução.
Um déjà vu…
Bentinho e Capitu.
Amor em três pedaços,
Sutil — talhado por Machado de Assis.
Traição que adoece,
Sopro de vida em desilusão.
Vida severina,
Que fez do amor uma triste sina.
O amor moderno é tédio.
O clássico — fascinante.
Ambos cortam como navalha,
Mas há quem escolha sangrar.

Verônica Moreira

Voltar

Facebook




Aplausos vazios

Verônica Moreira: ‘Aplausos vazios’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem gerada pela IA do ChatGPT 0 12 de março de 2026,
às 00:31

Claro que eu estava lá. Mas era como se não estivesse. Estava no palco e estava sendo aplaudida, mas não me senti homenageada. Não, eu não queria que fosse daquela forma. Todavia, eu não via brilho nos olhares. Senti que não me desejavam ali.

Por mais que tentem esconder, meus olhos veem além… Não vi sorrisos sinceros e, quando, por nervosismo — talvez por me sentir rejeitada, por não conseguir ser perfeita — senti rejeição, meu coração se fechou.

Nunca foi minha intenção ser perfeita, porque sei que eu não poderia. E mesmo que eu conseguisse chegar perto da perfeição, me crucificariam como fizeram com meu Mestre.

Longe de mim habita a perfeição. Só consigo ver frieza em alguns olhos à minha volta. Talvez eu esteja enganada, e eu torço para que um dia eu acorde e alguém me diga que era um pesadelo.

Cruzo o caminho e, quando o vejo, me mantenho firme, mas o desejo é me esconder da frieza desse olhar.

Peço a Deus, todo santo dia, que afaste de mim o cálice do engano, do mal-entendido, porque, depois que aprendi a lidar com a frieza, meu coração não confia em nenhum calor. Nenhuma faísca que pareça fogo me afeta.

Meu coração queima, mas não é mais de sentir afeto. É de sentir na carne, nos ossos e na pele a rejeição dos olhares que me ofendem.

Verônica Moreira

Voltar

Facebook




Minhas Vertentes – Pré-lançamento

Minhas Vertentes é uma fusão sensível entre realidade e ficção, celebrando nosso chão, nossa história e nossa essência

Card do pré-lançamento do livro Minhas Vertentes
Card do pré-lançamento do livro Minhas Vertentes

No dia 23 de dezembro de 2025, às 19h, aguardo você, que tem acompanhado minha carreira literária, para a laive de pré-lançamento do livro Minhas Vertentes, pelo Instagram @poetisa.veronicamoreira.

Minhas Vertentes foi aprovado no Edital PNAB Municipal 2025 – Lei Aldir Blanc e reúne poesias que atravessam meus sonhos, anseios, inseguranças, experiências, quedas e recomeços.

Nesta obra, dou voz à mulher mineira — mãe, dona de casa, trabalhadora, sonhadora, romântica e apaixonada pela vida. Mulheres que seguem autênticas, mesmo em meio a tantos julgamentos.

É uma fusão sensível entre realidade e ficção, celebrando nosso chão, nossa história e nossa essência.

✨ Um livro indicado ao público adulto apreciador de poesia, com uma narrativa reflexiva, intensa e repleta de romantismo.

📖 O livro será lançado em formato físico e e-book, com venda pela plataforma Amazon.

🎤 Em breve, acontecerá também o lançamento presencial em Caratinga (MG).

💬 Participe, convide alguém especial e venha sentir essas vertentes poéticas comigo!

Ficha técnica

📖 Proponente / Autora: Verônica Moreira

🎬 Produtora Executiva: Chayane Izidoro

📚 Editora: Selo Ver-Arte

🎭 Realização: Ministério da Cultura | Prefeitura de Caratinga

Voltar

Facebook




Raízes 2 – Religiosidade

Documentário ‘Raízes 2 – Religiosidade’ estreia no YouTube e valoriza música sacra e patrimônio histórico de Caratinga

Documentário 'Raízes 2 – Religiosidade', de Nathan Vieira
Documentário ‘Raízes 2 – Religiosidade’, de Nathan Vieira

Nesta segunda-feira (15), às 20h, o YouTube recebe a estreia do documentário ‘Raízes 2 – Religiosidade‘, idealizado e dirigido pelo músico e jornalista Nathan Vieira. A produção apresenta o registro exclusivo da gravação ao vivo do projeto homônimo, realizado na Igrejinha Histórica de São João Batista, um dos espaços mais simbólicos do patrimônio cultural de Caratinga (MG).

O documentário conduz o público por uma experiência sensível e intimista, onde música sacra, espiritualidade e memória se entrelaçam. A noite registrada marcou um encontro singular entre arte e fé, valorizando compositores caratinguenses em um cenário carregado de significado histórico e afetivo para o município.

Além das performances musicais, a obra reúne entrevistas enriquecedoras que contextualizam a importância histórica, religiosa e cultural do templo, destacando seu papel na formação da identidade local e na preservação da memória coletiva.

Viabilizado com recursos da Lei Aldir Blanc, o projeto reafirma o compromisso com a valorização da cultura, da música autoral e dos espaços históricos, fortalecendo o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

O documentário estará disponível gratuitamente no YouTube. O público é convidado a se inscrever no canal e ativar as notificações para acompanhar mais conteúdos culturais como este.

Serviço

📺 Estreia: Documentário Raízes 2 – Religiosidade

🗓 Data: Segunda-feira (15)

Horário: 20h

📍 Plataforma: YouTube

Perfil no Instagram: https://www.instagram.com/nathanvieira_oficial?igsh=MTJ4M2xya2V2Ymo4Yw==

Voltar

Facebook




O Natal iluminado da Vekinha

Verônica Moreira

Conto infantil ‘O Natal iluminado da Vekinha’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Conto infantil ‘O Natal iluminado da Vekinha’

Era uma vez, na amada Rua do Sapo — cercada por cafezais, mangueirais e um perfume doce de terra molhada — que a pequena Vekinha aguardava ansiosa pela noite de Natal.

Ela sabia que aquela data celebrava o nascimento do Menino Jesus, e seu coração se enchia de ternura cada vez que ouvia a história da estrela que guiou os três reis magos até a manjedoura. Para Vekinha, o Natal era mais do que presentes: era o momento mágico em que a família se aproximava um pouco mais, depois de um ano inteiro de muito trabalho.

Quando dezembro chegava, tios, primos, avós e vizinhos passavam a andar mais devagar, como se o espírito natalino soprado pelo vento lembrasse a todos que nascer — assim como Jesus nasceu — é sempre motivo para comemorar.

E Vekinha amava comemorar. Amava ainda mais fazer as pessoas sorrirem.

Por isso, naquela tarde serena, ela escreveu uma carta para o Papai Noel. Acreditava, do fundo do coração, que o bom velhinho era uma forma carinhosa do Papai do Céu visitar as crianças. E por isso fez seus pedidos com toda a pureza do mundo.

A carta de Vekinha

“Querido Papai Noel,

Nesta véspera de Natal, eu gostaria de pedir um presente especial. Mas não quero escolher — quero surpresa! Um presente que me faça muito feliz.

Não tenho lista… Na verdade, só preciso que o senhor traga minha família inteira para alegrar o meu Natal. Que meus tios, priminhos e meus irmãos estejam todos comigo.

Queria que a vovó Cirene trouxesse doce de leite, cocada e pé de moleque. Que a tia Tonha trouxesse rapadura e fizesse puxa-puxa para todos nós.

Queria também que a mamãe preparasse quibe cru, porque nunca pode faltar, já que não temos dinheiro para comprar peru.

Ah, e eu queria tanto tomar Guaraná Antarctica… o senhor sabe o quanto eu amo Guaraná.
Acho que pedi tudo. Mas, se eu tiver esquecido de alguma coisa, sei que o senhor conhece meu coração.
Ah, Papai Noel, preciso lhe contar uma coisa incrível…

Este ano nossa cidade recebeu um presente especial! Nosso prefeito, Dr. Giovanni, buscou recursos e, com a ajuda dos artistas e moradores, deixou a cidade inteira iluminada. A mamãe e o papai prometeram nos levar para conhecer sua casinha de Noel.

Dizem que o coreto tem um trenó enorme e que o senhor está lá, esperando o momento certo de espalhar presentes e amor por toda a cidade!

Meu tio Jadir comprou alguns presentes para nós, e sei que será algo muito especial. Ele sempre acerta.
Termino pedindo que todas as crianças da nossa cidade — e do mundo — sejam muito amadas.
Até o Natal, espero tirar uma foto no seu trenó.

Abraço da Vekinha.”

Ao terminar a carta, Vekinha correu para a sala, radiante. Já imaginava como seria a praça iluminada. Mal podia esperar para ver tudo de perto!

— Mamãe, vamos agora? Eu tô tão ansiosa! — disse, quase pulando.

A mãe sorriu e perguntou:

— Filha, o que você gostaria de ganhar neste Natal?

— Ah, mamãe… é segredo! Já contei tudo para o Papai Noel. Deixei a carta no meu sapatinho, na janela, como o papai ensinou.

Dona Conceição ficou curiosa, mas respeitou o mistério, sabendo que o papai também esperava o momento certo para espiar aquela cartinha cheia de amor.

Naquela noite, a família inteira saiu para ver a cidade iluminada. A praça estava mágica, brilhante como nunca antes. Havia renas, bonecos de neve, carinhas simpáticas, um balão para fotos e o grande presépio, onde Vekinha fez uma pequena oração ao ver José, Maria e o Menino Jesus na manjedoura.

O trenó no coreto parecia ter vindo diretamente do Polo Norte. Fotógrafos ajudavam as famílias a registrarem a magia para sempre. Caratinga estava tão linda que até turistas vieram de longe para ver o brilho daquele Natal.

Depois de caminhar encantada, a família tomou um lanche no Bob’s e voltou para casa, com o coração feliz e a alma leve.

A véspera encantada

Todos colocaram seus sapatinhos com cartinhas na janela. E, quando dormiram, Papai Noel — silencioso como o vento — leu cada pedido com carinho.

Na manhã seguinte, as cartas haviam sumido. Os sapatinhos continuavam lá, mas agora a magia tinha começado. Faltavam apenas algumas horas para o presente chegar.

À noite, a casa se encheu: tio Jadir, vovó com seus doces, vovô com sua bengala de martelo, tia Tonha com o puxa-puxa e tantos outros amigos. O Natal brilhou em cada sorriso.

Depois da ceia, todos foram dormir ansiosos.

Vekinha adormeceu abraçada à boneca Papinha que ganhou do tio Jadir. Sonhou com estrelas, trenós e risadas suaves de anjos.

Até que…

O galo cantou. Quatro horas da manhã.

Vekinha saltou da cama, correu à janela e lá estavam: seus presentes e os dos irmãos, todos no lugar dos sapatinhos.

Ela abriu o dela e encontrou uma boneca igualzinha a ela — até o nome era Vekinha! Feita com tanto carinho que parecia ter sido moldada pelo próprio espírito do Natal.

Vekinha cantou feliz:

“Deixei meu sapatinho
na janela do quintal…
Papai Noel deixou
meu presente de Natal…”

Os irmãos acordaram com o canto e correram para ver os próprios presentes. Cada um recebeu exatamente o que havia pedido.

E assim, entre abraços, risos e cantorias, nasceu o Natal mais iluminado da vida de Vekinha.

Fim

Verônica Moreira

Voltar

Facebook