Marimba Selutu

Marimba Selutu
jornalismo cultural de Angola para o mundo

Logo da seção Entrevistas ROLianas
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Entrevista com o jornalista Fernando Guelengue,
CEO do portal Marimba Selutu, de Angola

Entrevista com o jornalista Fernando Guelengue, CEO do portal Marimba Selutu, de Angola
Fernando Guelengue
CEO do portal Marimba Selutu, de Angola

PERFIL

Nome completo: Fernando Guelengue

Data de nascimento: 20 de janeiro de 1987

Naturalidade: Nascido em Luanda, com raízes familiares na província do Cuanza Sul.

Formação: Jornalista, Psicólogo do Trabalho, especialista em Comportamento Humano, palestrante, mentor e investigador nas áreas da liderança, comunicação e cultura angolana.

Fernando Guelengue é jornalista, investigador e comunicador angolano, reconhecido pelo seu trabalho na documentação, promoção e valorização da cultura angolana. Iniciou a sua carreira no jornalismo em 2008, no jornal comunitário Ecos do Henda, no município do Cazenga, em Luanda, tendo posteriormente integrado a redacção do Semanário Agora e do Novo Jornal.

Ao longo do seu percurso especializou-se no jornalismo cultural, realizando reportagens, entrevistas e investigações sobre património, música, literatura, artes, tradições e identidade cultural de Angola.

Em 2017 fundou o Marimba Selutu, o primeiro portal angolano dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, tornando-se uma referência na cobertura de festivais, património cultural, políticas culturais e produção artística, com especial enfoque na preservação da memória colectiva e do património imaterial angolano.

No plano académico, é licenciado em Psicologia do Trabalho, com especialização em Comportamento Humano (Behaviorismo) realizada no Brasil, e frequenta o Mestrado em Administração e Direcção de Empresas. A sua formação multidisciplinar permitiu-lhe desenvolver investigações e programas nas áreas da comunicação, liderança, desenvolvimento humano, comportamento organizacional e cultura.

Fernando Guelengue, CEO do portal Marimba Selutu, de Angola
Fernando Guelengue
CEO do portal Marimba Selutu, de Angola

Paralelamente à actividade jornalística, dedica-se à produção literária, à investigação cultural, à formação de líderes e oradores e à documentação das manifestações culturais angolanas, procurando aproximar a investigação académica da prática jornalística e da valorização do património nacional.

A paixão pela cultura e pelo jornalismo moldaram a senda que Fernando Guelengue usou para caminhar desde 2017, quando criou o portal Marimba Selutu. Guelengue percebeu que faltava espaço no jornalismo angolano para o tratamento de assuntos referentes às atividades culturais de seu país, mas, também, de países lusófonos que dialogam com Angola.

Assim como o Jornal Cultural ROL cumpre o mesmo papel no Brasil e no mundo, o Marimba Selutu tem sido porta voz da produção cultural ampla, abarcando assuntos relacionados à arte, à cultura, à história e à identidade dos povos africanos, sobretudo angolanos.

Nesta entrevista, realizada por Carlos Carvalho Cavalheiro, o jornalista Fernando Guelengue discorre sobre sua trajetória, sobre sua visita ao Brasil e sobre a criação do portal Marimba Selutu.

Carlos Carvalho Cavalheiro – Você já esteve no Brasil, correto? Em que ocasião? Qual foi a sua impressão sobre o país?

Fernando Guelengue – Sim. Estive no Brasil em 2014, na cidade de São Paulo, por ocasião da 23ª Bienal Internacional do Livro, onde lancei, pela primeira vez, o meu livro Pobreza: O Epicentro da Exploração das Crianças em Angola – Entre a Escravização e a Polémica, publicado pela editora brasileira Biblioteca 24horas.

Foi uma experiência profundamente transformadora, tanto no plano literário como no plano humano. Toda a programação da viagem foi organizada pela editora e permitiu-me viver intensamente aquele que considero um dos maiores eventos culturais da América Latina. Mais do que lançar um livro, tive a oportunidade de observar um ecossistema cultural extremamente organizado, onde escritores, pesquisadores, promotores culturais, professores e leitores dialogavam permanentemente sobre literatura, educação, cidadania e produção do conhecimento.

Durante a minha permanência participei igualmente em palestras, oficinas e formações ligadas à editoração, comunicação e à apresentação em público. Essas experiências influenciaram diretamente a minha atividade profissional em Angola e serviram de base para a criação, alguns anos mais tarde, do Programa OAP – Oratória e Apresentação Poderosa, um método próprio de formação em comunicação de alta performance, actualmente utilizado para as empresas, universidades e instituições públicas.

O Brasil deixou-me a convicção de que investir na cultura e no livro é investir no desenvolvimento de uma nação.

CCC – Você percebeu muitas diferenças culturais entre o Brasil e Angola? Se sim, quais?

FG – Apesar das diferenças históricas e sociais, encontrei muito mais pontos de aproximação do que de distanciamento entre Angola e o Brasil.

Partilhamos a língua portuguesa, fortes matrizes africanas, tradições musicais, religiosas e populares que dialogam constantemente entre si. Há inúmeros estudos históricos que demonstram que milhões de brasileiros descendem de povos oriundos do território que hoje constitui Angola, especialmente das regiões do antigo Reino do Congo e das áreas habitadas pelos povos Ambundu, Ovimbundu e Tchokwé.

Naturalmente, cada país construiu o seu próprio percurso histórico. O Brasil viveu e tem enfrentado processos políticos, econômicos e culturais diferentes dos de Angola, o que influenciou a forma como cada sociedade organiza a sua produção cultural e valoriza os seus diferentes patrimônios.

O que mais me chamou a atenção foi a dimensão da economia criativa brasileira, visto que notei uma forte articulação entre universidades, editoras, produtores culturais, museus, feiras e políticas públicas voltadas para o livro e para a cultura. Essa integração ainda constitui um grande desafio para o meu país, embora se observe um caminho evolutivo básico nos últimos anos.

CCC – Discorra sobre a sua produção literária: quando começou a escrever? Qual foi o primeiro livro publicado? Quantos livros você já publicou? Quais os temas abordados em seus livros?

FG – Escrevo desde muito jovem, mas comecei a desenvolver projetos literários de forma sistemática por volta de 2009, numa fase em que já conciliava o jornalismo com a investigação social. O exercício diário da profissão de jornalista levou-me a contatar diretamente com problemas ligados à pobreza, infância, cultura, liderança, desenvolvimento humano e cidadania.

Esses temas passaram naturalmente a fazer parte dos meus manuscritos. Publicar, porém, revelou-se muito mais difícil do que escrever. Durante muitos anos, a inexistência de políticas consistentes de incentivo ao livro em Angola e os elevados custos editoriais impediram-me de publicar boa parte daquilo que produzia. Foi então que procurei alternativas no Brasil, inspirado pelo percurso do escritor angolano Ribeiro Tenguna, que já editava nesse país.

Assim nasceu o meu primeiro livro, Pobreza: O Epicentro da Exploração das Crianças em Angola – Entre a Escravização e a Polémica, lançado oficialmente em 2014, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Ao longo dos anos escrevi mais de quarenta manuscritos, dedicados sobretudo às áreas da liderança, oratória, desenvolvimento humano, psicologia, comportamento organizacional, política, cultura, identidade africana e história de Angola. Muitos ainda permanecem inéditos.

A minha trajetória literária também conheceu momentos difíceis. Um dos episódios mais marcantes ocorreu quando procurei o prefácio para um dos meus livros e fui desencorajado a publicá-lo, sob o argumento de que a obra poderia colocar a minha própria segurança em risco. Essa situação levou-me a interromper alguns projetos durante vários anos.

Em 2023 decidi transformar essa limitação numa oportunidade, criando a minha própria editora, através da qual passamos a publicar novos autores e a construir condições para editar igualmente as minhas obras. Já em 2024 enfrentamos outro desafio inesperado: a perda de funcionamento do disco rígido onde estavam armazenados dezenas de manuscritos e anos de investigação. Felizmente, parte desse acervo vem sendo recuperada através de cópias dispersas em computadores, dispositivos móveis e mensagens de correio eletrônico. E deixo esse conselho a todos que escrevem: guardem os arquivos em diferentes locais. Hoje continuo a escrever com a mesma convicção, acreditando que os livros são uma das formas mais duradouras de transformar pessoas e sociedades.

CCC – Como surgiu o Portal Marimba Selutu? Qual é o objetivo desse portal?

FG – O Marimba Selutu nasceu da conjugação de duas paixões que carrego ao longo destes anos, que são o jornalismo e a cultura. Iniciei a minha carreira em 2008, no jornal comunitário Ecos do Henda, no município do Cazenga, em Luanda. Posteriormente integrei a redação do renomado Semanário Agora, dirigido pelo jornalista Aguiar dos Santos, onde pude acompanhar de perto os principais acontecimentos políticos, econômicos e sociais do país.

Entretanto, percebi que o jornalismo cultural ocupava um espaço extremamente reduzido na comunicação social angolana. As manifestações culturais eram frequentemente tratadas de forma superficial e quase inexistiam meios especializados capazes de documentar, investigar e valorizar o patrimônio cultural nacional.

Foi essa constatação que motivou a criação, em 2017, do Marimba Selutu – Portal de Notícias Culturais, o primeiro veículo angolano dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural.

O nosso propósito sempre foi contribuir para a valorização da identidade cultural angolana, promovendo artistas, investigadores, escritores, festivais, patrimônio, tradições, literatura, música e todas as expressões que ajudam a compreender a riqueza cultural do país. Inspirado igualmente na minha colaboração no Por dentro de África, da jornalista brasileira Natália da Luz, mais do que divulgar notícias, procuramos construir memória cultural do nosso país.

CCC – Hoje o Portal Marimba Selutu é uma referência na área cultural? Você o vê dessa forma?

FG – Acredito que sim, mas essa avaliação pertence sobretudo aos leitores, pesquisadores e profissionais da cultura que acompanham o nosso trabalho.

Ao longo dos anos, o Marimba Selutu consolidou-se como um espaço de referência para o jornalismo cultural em Angola. Os nossos conteúdos têm servido de fonte para pesquisadores, estudantes universitários e agentes culturais interessados na documentação e análise do patrimônio angolano. Há até estrangeiros que entram em Angola e usam as nossas informações como referências e isso anima-nos muito.

Mesmo sem financiamento externo permanente, procuramos privilegiar reportagens aprofundadas, entrevistas de investigação, cobertura de festivais, documentação de manifestações tradicionais e produção de conteúdos que dificilmente encontram espaço na comunicação social convencional.

O ex-ministro da Cultura Jomo Fortunato reconheceu o nosso trabalho por meio de uma carta institucional para que as empresas apoiem o nosso trabalho, fato que mesmo dando entrada para algumas instituições não obtivemos respostas favoráveis.

Outro aspecto que considero particularmente importante é a dimensão internacional que o projecto começou a assumir. Hoje contamos com colaboradores em vários países lusófonos, incluindo Brasil, Moçambique e outros especialistas ligados ao patrimônio e à cultura africana, reforçando a nossa missão de promover o diálogo cultural entre Angola, África e o mundo.

Por isso, entendemos que o nosso maior património continua a ser a credibilidade construída junto dos leitores.

CCC – Um último recado para os leitores.

FG – Quero, antes de tudo, agradecer a todos aqueles que acompanham, partilham e acreditam no trabalho desenvolvido pelo Marimba Selutu.

Fazer jornalismo cultural em África continua a ser um enorme desafio. Produzir conteúdos de qualidade exige tempo, investigação, deslocações, recursos humanos e financeiros. E apesar das limitações, nunca deixamos de acreditar que a cultura merece ser tratada com o mesmo rigor que qualquer outra área do conhecimento.

Continuaremos comprometidos com a missão de documentar, preservar e divulgar a riqueza cultural de Angola, dando voz aos seus criadores, investigadores e comunidades.

A todos os leitores deixo um convite: continuem a ler, a investigar, a apoiar os nossos artistas e a valorizar aquilo que somos. Um povo que conhece a sua cultura fortalece a sua identidade e prepara melhor o seu futuro. A todos, a minha profunda gratidão!

Carlos Carvalho Cavalheiro

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Conheça a SCOOIB

Sublime Classe da Ordem Opus Ipsum do Brasil. Mais do que um espaço de reflexão teórica, a SCOOIB se estrutura como um projeto de impacto social, pautado na caridade ativa e no engajamento consciente

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro
Raphael Sodré Borges
Raphael Sodré Borges – Presidente da SCOOIB

A Sublime Classe da Ordem Opus Ipsum do Brasil reafirma seu compromisso com o desenvolvimento humano integral ao consolidar uma proposta que une formação filosófica, prática social e responsabilidade coletiva. Fundamentada no estudo das quatro Virtudes Cardeais — Temperança, Prudência, Fortaleza e Justiça —, a instituição inspira seus membros a compreender que o conhecimento somente atinge sua plenitude quando se transforma em ação concreta.

Mais do que um espaço de reflexão teórica, a SCOOIB se estrutura como um projeto de impacto social, pautado na caridade ativa e no engajamento consciente. Nesse sentido, a organização direciona seus esforços e recursos para o apoio a iniciativas humanitárias, com destaque para sua cooperação com o UNICEF, contribuindo diretamente para a melhoria das condições de vida de crianças e comunidades em situação de vulnerabilidade.

Do ponto de vista institucional, a SCOOIB possui reconhecimento formal junto aos órgãos competentes, estando regularmente inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ nº 56.147.406/0001-56), com inscrição municipal ativa na cidade do Rio de Janeiro. A organização também conta com registro de marca junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, assegurando sua identidade institucional no âmbito jurídico e administrativo.

Sua atuação se estende ainda ao campo das práticas integrativas e complementares em saúde humana, promovendo iniciativas como a Terapia Comunitária Integrativa, que estimula o diálogo, a escuta ativa e a troca de experiências entre seus membros, especialmente por meio de plataformas digitais. Além disso, disponibiliza gratuitamente, em seu portal, conteúdos e atividades voltados ao desenvolvimento moral, intelectual e espiritual, consolidando-se como uma escola de filosofia acessível e inclusiva.

Fundada em 2024 por Raphael Sodré Borges, a SCOOIB nasce com identidade brasileira e com a proposta de resgatar valores éticos universais em diálogo com a realidade contemporânea. Seu próprio nome carrega um significado profundo: ‘Sublime’ remete à elevação moral e intelectual; ‘Classe’ expressa a união de indivíduos em torno de um propósito comum; ‘Ordem’ simboliza disciplina e compromisso ético; e ‘Opus Ipsum’, de origem latina, traduz a ideia da ‘Obra em si mesmo’, ou seja, o aperfeiçoamento contínuo do indivíduo.

Diferenciando-se de outras instituições, a SCOOIB adota um modelo totalmente gratuito de formação, eliminando barreiras financeiras e logísticas. Sem custos com deslocamento, mensalidades, trajes ou taxas administrativas, a organização promove um ambiente de liberdade e autonomia, no qual a contribuição dos membros é entendida como um ato de consciência, e não como obrigação. Diante de toda essa estrutura simplificada e gratuita,  a SCOOIB convida todos a converter uma fração mínima dessa economia em impacto real. Sugere uma doação mensal de apenas R$ 10,00. “Este valor — simbólico para o orçamento individual, mas vital para as crianças assistidas pelo UNICEF — é o que valida nossa Obra Pessoal. Sejamos coerentes com a filosofia que estudamos: a verdadeira lapidação do caráter se manifesta no cuidado com o próximo”, salienta o material de divulgação da Ordem.

Nesse contexto, a instituição convida seus participantes a transformar a economia gerada por esse modelo acessível em impacto social efetivo. A sugestão de uma contribuição mensal simbólica, direcionada ao apoio de ações humanitárias, reforça a coerência entre teoria e prática, evidenciando que a verdadeira formação do caráter se manifesta no cuidado com o outro.

Ao articular filosofia, ação social e compromisso ético, a SCOOIB consolida-se como uma iniciativa contemporânea que ressignifica o papel das organizações formativas, promovendo não apenas o desenvolvimento individual, mas também a construção de uma sociedade mais justa, solidária e consciente.

Mais informações: O que é a SCOOIB?

Carlos Carvalho Cavalheiro

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Marginal Direita do Rio Sorocaba

Manifestação reúne coletivos, acadêmicos e indígenas contra projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro
Manifestação contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba, em 21 de março de 2026 - Foto por Carlos Cavalheiro
Manifestação contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba – Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Manifestação realizada na manhã do último dia 21 de março, em Sorocaba, reuniu ativistas, acadêmicos, lideranças indígenas e representantes do poder público em um ato contra o projeto de construção da chamada Marginal Direita do Rio Sorocaba. O encontro ocorreu nas proximidades da antiga Usina Cultural, junto à ponte Padre Madureira, e foi marcado por uma roda de conversa voltada à conscientização ambiental e à valorização do rio.

A mobilização contou com a presença da vereadora Fernanda Garcia, além dos acadêmicos Reinaldo Galhardo, Adilene Ferreira Carvalho Cavalheiro e Carlos Carvalho Cavalheiro, este último doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (Uniso) e bolsista do CNPq, vinculado ao Observatório de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, com pesquisas voltadas a múltiplas leituras sobre o Rio Sorocaba.

William Karaipopygua , líder da Aldeia indígena Guarani Gwyra Pepo. Foto: Carlos Carvalho Cavalheiro.

Um dos pontos centrais do encontro foi a participação de indígenas da etnia Guarani Mbya, vindos da Aldeia Guarani Gwyra Pepo, sob a liderança de William Karaipopygua. Contatados pelo jornalista Rafael Franco, os indígenas guarani fizeram questão de participar do movimento. Em uma roda de conversa iniciada por volta das 10h30 e estendida até aproximadamente 12h30, os participantes compartilharam reflexões sobre ancestralidade, espiritualidade e a relação de cuidado com a natureza, destacando a importância da preservação dos biomas e dos recursos hídricos.

Organizado pelo coletivo Justiça Climática em parceria com a organização Floresta Cultural, o ato também contou com a presença de outros grupos e movimentos sociais, como Evolução Sustentável, Resistência Sorocaba, Movimento Negro, Raízes de Sorocaba e Fruto Urbano, ampliando o caráter plural da mobilização.

De acordo com os organizadores, o evento foi motivado pela preocupação com os impactos ambientais do projeto da Marginal Direita, que prevê a supressão de uma área significativa de vegetação — estimada em cerca de 80 mil metros quadrados —, além de possíveis consequências como o aumento de enchentes e a intensificação de ilhas de calor na cidade.

Divulgado nas redes sociais com o lema “O futuro é ancestral”, o encontro também teve caráter solidário, com arrecadação de mantimentos destinados à comunidade indígena participante.

Para os presentes, a manifestação representou mais do que um ato de resistência: foi um espaço de escuta, troca de saberes e construção coletiva de consciência ambiental. Ao trazer à centralidade as vozes indígenas e o conhecimento ancestral, o evento reforçou a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento urbano e de fortalecer iniciativas que conciliem crescimento com preservação.

Carlos Carvalho Cavalheiro

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Dom Alexandre e a FEBACLA

Dom Alexandre e a FEBACLA: ‘Oásis num deserto cultural’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

Dom Alexandre, Sérgio Diniz e Carlos Carvalho Cavalheiro

Quem navega pelos mares da internet, especialmente em busca de notícias ligadas à cultura e a arte das Letras, já se deparou com o nome da FEBACLA (Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes) e, também, com o do seu presidente, Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho.

            Esses dois indissociáveis nomes – sendo um basicamente a extensão do outro – têm promovido a valorização da arte e da cultura não somente no Brasil como em outros países, especialmente os que têm a Língua Portuguesa como idioma oficial.

            Seria monótono e desgastante repetir aqui todo o currículo de Dom Alexandre e todo o histórico da FEBACLA. Basta, creio, dizer que o primeiro é jornalista, escritor e pesquisador e que por seu trabalho tem realizado inúmeras homenagens aos produtores de cultura, bem como promovido a memória de personalidades históricas como Dom Pedro II, Chiquinha Gonzaga, Rei Ramiro II de Leão, Machado de Assis, Maria Quitéria, Anita Garibaldi entre tantas outras.

            Por meio da FEBACLA, Dom Alexandre tem concedido honrarias, concernentes a medalhas e diplomas, que valorizam o trabalho do mundo das artes e, também, do ativismo. Num deserto cultural, no qual escritores e produtores de cultura caminham a duras penas sob o sol escaldante e o escárnio, muitas vezes escancarado, da sociedade, a concessão de tais honrarias é como um oásis em que se recupera a força e o estímulo para prosseguir nessa viagem em prol da cultura.

            Muito além de atiçar a vaidade, o recebimento de uma honraria representa o reconhecimento e a certeza de que alguém percebe a importância do trabalho cultural, seja por meio das Letras, da pesquisa histórica, ou de qualquer outra modalidade de arte ou produção cultural.

            A FEBACLA ainda tem arregimentado acadêmicos em diversos lugares, dando posse anualmente a muitos daqueles que se dedicam à produção literária. É uma das poucas entidades acadêmicas a valorizar um número tão vasto de pessoas. E por ser uma entidade de cunho nacional, reflete a diversidade do povo brasileiro abarcando todos os sotaques, todas as cores, todos os regionalismos.

            Ainda por meio do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Instituição Oficial de Pesquisas Históricas, Filosóficas e Culturais da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, da qual Dom Alexandre é soberano representante, tem-se concedido o título de Doutor Honoris Causa, reconhecendo o trabalho de muitos abnegados que lutam pela melhoria intelectual e social do país.

            É tranquilizador saber que no Brasil, e também nos países lusófonos, o trabalho com a cultura e a arte recebe os olhares sensíveis de reconhecimento social. E que as honrarias concedidas por Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho materializam as nobres palavras de incentivo: “Siga em frente!”.

Carlos Carvalho Cavalheiro

21.02.2023. Texto publicado originalmente em: Dom Alexandre e a FEBACLA: oásis num deserto cultural – Carlos Carvalho Cavalheiro | Marimba Selutu

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Ordem dos Comendadores do Brasil

Solenidade de nomeação e outorga de títulos honoríficos da Ordem dos Comendadores do Brasil

Ordem Comendador Belmonte
Ordem Comendador Belmonte

A Ordem dos Comendadores do Brasil (OCB) , instituição soberana, benemérita e de caráter honorífico, sob a proteção de Yahweh, o Grande e Único, e em estrita conformidade com seus princípios fundamentais e Regimento Interno, tem a honra de convidar para a Tarde de Homenagens e Moções de Nomeação da Guarda Ambiental Elite Florestal do Rio de Janeiro (G.A.E.F.R.J.) , a realizar-se no dia 20 de março de 2026, às 14 horas, no Espaço Cultural de Angola, localizado na Av. Pres. Wilson, 113 – Centro – Rio de Janeiro (RJ).

A solenidade será presidida pelo Comendador Belmonte, Baluarte e Diretor Executivo da OCB, e reunirá autoridades honorárias, representantes institucionais, membros da guarda de honra e personalidades que se destacam por sua conduta ilibada, lealdade aos ideais da Ordem e dedicação à causa ambiental e social.

Durante a cerimônia, será outorgado o Título Honorífico de “Grand Lord” a G.A. Nascimento, que, por seus méritos reconhecidos por seus pares, passa a exercer a função honorária de Guardião Real da Guarda de Honra, Especial e Separada, em âmbito nacional. A nomeação, formalizada por meio do ATO Nº 0130A/2026, confere ao homenageado a prerrogativa institucional de representar os valores, tradições e compromissos estatutários da G.A.E.F.R.J., simbolizando a continuidade de uma linhagem de honra e compromisso com os ideais soberanos da Ordem.

A distinção concedida é de natureza exclusivamente honorífica, simbólica e associativa, não implicando autoridade pública, cargo público, vínculo empregatício ou prerrogativas da administração pública. Trata-se do reconhecimento institucional máximo no âmbito da OCB, conferido àqueles que caminham com retidão e se dedicam ao bem comum, em conformidade com os princípios que regem a Ordem desde sua fundação.

O evento reafirma o compromisso da OCB com a preservação da memória, da ética, da espiritualidade e da proteção ambiental, pilares que sustentam sua trajetória desde 24 de setembro de 2019, data de sua fundação.

Ao final da cerimônia, será entronizado o espírito de fraternidade e continuidade, ecoando as palavras do Comendador Belmonte: “Quando eu morrer, não quero ser lembrado como mais um. Mas sim, como o Homem temente a DEUS que ajudou os necessitados e caminhou na Terra com os Gigantes…”

Serviço

📅 Data: 20 de março de 2026 – a partir das 14 horas

📍 Local: Espaço Cultural de Angola – Av. Pres. Wilson, 113 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

📞 Contato: (21) 96665-5951

🌐 Site: www.soberanaordem.com.br

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Caetando

Carlos Carvalho Cavalheiro: Poema ‘Caetando’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

Caetano cantando
Divino Veloso
Ode à Alegria, Alegria
Os astros lhe são guia
O mundo é perigoso
Nos acordes da sinfonia!
Caetano Maravilhoso.
Cantando o Caetano
Cai tanto o sol quanto a chuva
No céu de Sampa
No Planalto da Rampa
Na fina estampa…
Caetano cantando
Divino Veloso
Caetano Maravilhoso.

Carlos Carvalho Cavalheiro




O admirável mundo de João de Camargo

Carlos Carvalho Cavalheiro:

‘O admirável mundo de João de Camargo’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos C. Cavalheiro
Igreja de Nosso Senhor Jesus do Bonfim ou Igreja de João de Camargo.
Foto: Carlos Carvalho Cavalheiro

João de Camargo foi um ex-escravizado que no início do século XX construiu uma capela na estrada da Água Vermelha, município de Sorocaba, no Estado de São Paulo (Brasil) e deu início a um culto que aparentemente mesclava tradições africanas com catolicismo popular.

Diz o memorialista Antônio Francisco Gaspar que “em princípios de 1906 era empregado na olaria de Elias Monteiro, na ‘Água Vermelha’, um preto ainda moço por nome João de Camargo” (Gaspar, 1925, p. 23). Nessa ocasião, teria João de Camargo recebido da “espiritualidade” uma missão que seria a construção da igreja “longe do bulício da cidade, distante das orgias e das iniquidades […] para o fim de prodigalizar benefícios àqueles que deles necessitarem” (Gaspar, 1925, p. 26).

João de Camargo, então, construiu a sua capela e começou a atender aos necessitados, dando-lhes conforto com seus conselhos, mas, também, promovendo curas milagrosas e usando de seus dons para a promoção do bem. Como afirmou o escritor e folclorista Bene Cleto, o taumaturgo João de Camargo “até sua morte, em 1942, não cessou um só dia em fazer o bem a seus semelhantes, de sanar suas dores – fossem elas do corpo ou do espírito” (Cleto, 2020, p. 43).

Porém, além de promover curas e atendimento aos necessitados, João de Camargo foi uma liderança comunitária. No entorno de sua Igreja surgiu, organizado por ele mesmo, um bairro com estrutura de casas de aluguel, de Hotéis, armazéns e outros serviços. O terreno no qual esse bairro começou a se formar era propriedade doada a João de Camargo por seu primo Pedro de Camargo. Nessa localidade, as manifestações culturais de origem africana ou afro-brasileiras eram permitidas, ao contrário do que ocorria na região central de Sorocaba, onde tais manifestações eram reprimidas pela polícia e pela vigilância dos grupos de poder e tomadores de decisão (Cavalheiro, 2020).

Bastante sintomático foi o esforço de João de Camargo em constituir uma Banda musical e construir um prédio para abrigar uma escola. Assim, promoveu a educação e a oportunidade de trabalho digno para pobres e negros. Em uma época muito próxima ao fim da escravidão, a exclusão social dos afrodescendentes era visível e esperada. O próprio João de Camargo, ex-escravizado, analfabeto e quase que sem qualificação profissional, teve que se sujeitar a trabalhos grosseiros, pesados e mal remunerados.

Obviamente que João de Camargo foi perseguido. Em 1913, chegou a ser preso e processado por curandeirismo (mesmo que o objeto principal da denúncia do promotor público fosse o ajuntamento de pessoas em torno da igreja). Assistido pelo advogado Juvenal Parada, que promoveu uma qualificada defesa, João de Camargo foi absolvido. Mas, por longos anos sofreu a discriminação e o preconceito social.

Ocorre que a burguesia de Sorocaba tinha um projeto de cidade sintetizado no epíteto de Manchester Paulista: uma associação com a cidade industrial inglesa, símbolo de progresso capitalista. A esse projeto concorria o território negro e caipira criado por João de Camargo (Cavalheiro, 2020).

Em 1929, um relatório da cidade de Sorocaba ao Inspetor Chefe apresenta João de Camargo como um “caso typico de curandeirismo, nos moldes de um ‘Antônio Conselheiro’”… (Cavalheiro, 2020, p. 74). Ora, Antônio Conselheiro foi o líder messiânico que, juntamente com os seus seguidores, defendeu a localidade chamada de Canudos dos ataques das tropas federais brasileiras republicanas, cujo entendimento era de que aquela comunidade era um antro de fanáticos e desordeiros.

João de Camargo faleceu em 28 de setembro de 1942 e com o passar dos anos sua imagem foi sendo modificada, especialmente nos textos jornalísticos. Hoje ele é interpretado como um benfeitor, um líder religioso e comunitário, um “santo”.

E a sua igreja é um local onde o ecumenismo e o ecletismo religioso de fato ocorre.

Tradições religiosas que se mesclam

À primeira vista, parece um caos. Depois, a ordem vai se estabelecendo e cria a harmonia do ambiente. A multiplicidade de imagens de tradições tão diferentes (como kardecistas, candomblecistas, umbandistas, católicas, esotéricas, orientalistas…) se miscigenam, e como numa mistura de diversos líquidos, se decantam e encantam até atingir a perfeita amálgama.

 Na igreja de João de Camargo (oficialmente Igreja de Nosso Senhor Jesus do Bonfim), em cada nicho e em cada espaço há imagens de orixás, de entidades da umbanda (como Maria Padilha, Zé Pelintra, Caboclos e Pretos-Velhos), orixás do candomblé, santos católicos, santos populares (como Padre Cícero, Antoninho Marmo da Rocha, Menina Julieta…), mestres juremeiros, deuses hindus, e até mesmo imagens de Buda.

Para completar o sentido eclético do lugar, nas paredes é possível encontrar fotografias e desenhos de autoridades religiosas e políticas como Getúlio Vargas, Papa João Paulo II, Dr. Ferreira Braga (um político local do passado) e até Allan Kardec (codificador do Espiritismo).

Aparentemente, essa mescla de tradições religiosas – em consonância com personalidades históricas e lideranças políticas – não é uma exclusividade da Igreja de João de Camargo. Possivelmente, seja até mesmo um traço cultural de origem africana que não promove a separação entre o sagrado e o mundo dos seres humanos. E nem mesmo se preocupa com uma questão que Peter Berger levantou: a do mercado religioso.

Para esse sociólogo, o fim das religiões oficiais (impostas pelos governos, sobretudo pelas monarquias absolutistas), propiciou a liberdade de escolha. Assim, as religiões acabam por disputar fiéis dentro de uma lógica de mercado. Daí a expressão “mercado religioso” (Beger, 2009).

No ano de 1958, o escritor Aldous Huxley visitou o Brasil. Nessa visita, na então capital do país, a cidade do Rio de Janeiro, ele foi levado a um terreiro de macumba, nome genérico dado a algumas das tradições religiosas afro-brasileiras. O pesquisador Renato Ortiz encontrou uma nota no jornal paulistano “O Estado de S. Paulo” que descreveu essa visita com um certo horror e vergonha, pois, de acordo com o redator, tais manifestações eram testemunhas de nosso “atraso”.

É profundamente humilhante para todos nós, brasileiros, que o escritor Aldous Huxley tenha podido assistir, em pleno coração do Rio de Janeiro, a uma cerimônia de macumba. Não apenas porque alguns pretensos intelectuais encaminhassem o famoso autor de Admirável Mundo Novo, para o morro do Salgueiro. Mas, pela simples e única razão de ser ainda possível, em mil novecentos e cinquenta e oito, quando caminhamos em plena era atômica não se sabe se para o cataclismo, a realização de torpezas tais na própria capital da República”. Assim, de acordo com Ortiz, a nota jornalística salienta o preconceito em relação às tradições afro-brasileiras na metade do século XX.

Mas o que interessa a este artigo é o trecho em que o repórter anota uma observação que se coaduna com o que esteticamente ocorre dentro a igreja de João de Camargo:

“[…] sobre um altar, estavam juntos imagens de santos católicos, orixás, fetiches africanos e ameríndios, fotografias de políticos, estampas de Tiradentes, figuras de Buda e de Zumbi dos Palmares, além de cerâmicas de bichos, conjunto este que impressionou o escritor inglês. As danças e cantos que seguiram, interrompidos a meio pelo ‘Pai de santo’ para o ‘abraço duplo ao visitante’, prosseguiram depois dedicados a este” (Ortiz, 1999, p. 200).

Esse é um indício de que muitos cultos afro-brasileiros compuseram seus espaços com essa estética que mistura elementos de várias dimensões da vida humana, desde o sagrado, passando pelo político e pelo mítico / heroico.

No entanto, com o passar dos anos, essa estética foi sendo modificada e, atualmente, não é mais comumente vista nos terreiros das religiões afro-brasileiras. Por isso, a preservação da Igreja de João de Camargo é importante, porquanto é um testemunho vivo de uma prática – ética e estética – que deixou de existir. É, possivelmente, um exemplar único. Um patrimônio para todos nós.

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Referências:

Berger, Peter L. O dossel sagrado. São Paulo: Paulus, 2009.
Cavalheiro, Carlos Carvalho. João de Camargo, o Homem da Água Vermelha. Maringá (PR): Editora A. R. Publisher, 2020.
Cleto, Bene. Causos do Leôncio e outros causos. Sorocaba: Academia Sorocabana de Letras, 2020.
Gaspar, Antônio Francisco. O Mystério da Água Vermelha. Sorocaba: Do Autor, 1925.
Ortiz, Renato. A morte branca do feiticeiro negro. São Paulo: Brasiliense, 1999.

Carlos Carvalho Cavalheiro
carlosccavalheiro@gmail.com

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