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Sublime Classe da Ordem Opus Ipsum do Brasil. Mais do que um espaço de reflexão teórica, a SCOOIB se estrutura como um projeto de impacto social, pautado na caridade ativa e no engajamento consciente

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro
Raphael Sodré Borges
Raphael Sodré Borges – Presidente da SCOOIB

A Sublime Classe da Ordem Opus Ipsum do Brasil reafirma seu compromisso com o desenvolvimento humano integral ao consolidar uma proposta que une formação filosófica, prática social e responsabilidade coletiva. Fundamentada no estudo das quatro Virtudes Cardeais — Temperança, Prudência, Fortaleza e Justiça —, a instituição inspira seus membros a compreender que o conhecimento somente atinge sua plenitude quando se transforma em ação concreta.

Mais do que um espaço de reflexão teórica, a SCOOIB se estrutura como um projeto de impacto social, pautado na caridade ativa e no engajamento consciente. Nesse sentido, a organização direciona seus esforços e recursos para o apoio a iniciativas humanitárias, com destaque para sua cooperação com o UNICEF, contribuindo diretamente para a melhoria das condições de vida de crianças e comunidades em situação de vulnerabilidade.

Do ponto de vista institucional, a SCOOIB possui reconhecimento formal junto aos órgãos competentes, estando regularmente inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ nº 56.147.406/0001-56), com inscrição municipal ativa na cidade do Rio de Janeiro. A organização também conta com registro de marca junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, assegurando sua identidade institucional no âmbito jurídico e administrativo.

Sua atuação se estende ainda ao campo das práticas integrativas e complementares em saúde humana, promovendo iniciativas como a Terapia Comunitária Integrativa, que estimula o diálogo, a escuta ativa e a troca de experiências entre seus membros, especialmente por meio de plataformas digitais. Além disso, disponibiliza gratuitamente, em seu portal, conteúdos e atividades voltados ao desenvolvimento moral, intelectual e espiritual, consolidando-se como uma escola de filosofia acessível e inclusiva.

Fundada em 2024 por Raphael Sodré Borges, a SCOOIB nasce com identidade brasileira e com a proposta de resgatar valores éticos universais em diálogo com a realidade contemporânea. Seu próprio nome carrega um significado profundo: ‘Sublime’ remete à elevação moral e intelectual; ‘Classe’ expressa a união de indivíduos em torno de um propósito comum; ‘Ordem’ simboliza disciplina e compromisso ético; e ‘Opus Ipsum’, de origem latina, traduz a ideia da ‘Obra em si mesmo’, ou seja, o aperfeiçoamento contínuo do indivíduo.

Diferenciando-se de outras instituições, a SCOOIB adota um modelo totalmente gratuito de formação, eliminando barreiras financeiras e logísticas. Sem custos com deslocamento, mensalidades, trajes ou taxas administrativas, a organização promove um ambiente de liberdade e autonomia, no qual a contribuição dos membros é entendida como um ato de consciência, e não como obrigação. Diante de toda essa estrutura simplificada e gratuita,  a SCOOIB convida todos a converter uma fração mínima dessa economia em impacto real. Sugere uma doação mensal de apenas R$ 10,00. “Este valor — simbólico para o orçamento individual, mas vital para as crianças assistidas pelo UNICEF — é o que valida nossa Obra Pessoal. Sejamos coerentes com a filosofia que estudamos: a verdadeira lapidação do caráter se manifesta no cuidado com o próximo”, salienta o material de divulgação da Ordem.

Nesse contexto, a instituição convida seus participantes a transformar a economia gerada por esse modelo acessível em impacto social efetivo. A sugestão de uma contribuição mensal simbólica, direcionada ao apoio de ações humanitárias, reforça a coerência entre teoria e prática, evidenciando que a verdadeira formação do caráter se manifesta no cuidado com o outro.

Ao articular filosofia, ação social e compromisso ético, a SCOOIB consolida-se como uma iniciativa contemporânea que ressignifica o papel das organizações formativas, promovendo não apenas o desenvolvimento individual, mas também a construção de uma sociedade mais justa, solidária e consciente.

Mais informações: O que é a SCOOIB?

Carlos Carvalho Cavalheiro

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Marginal Direita do Rio Sorocaba

Manifestação reúne coletivos, acadêmicos e indígenas contra projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro
Manifestação contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba, em 21 de março de 2026 - Foto por Carlos Cavalheiro
Manifestação contra o projeto da Marginal Direita do Rio Sorocaba – Foto por Carlos Carvalho Cavalheiro

Manifestação realizada na manhã do último dia 21 de março, em Sorocaba, reuniu ativistas, acadêmicos, lideranças indígenas e representantes do poder público em um ato contra o projeto de construção da chamada Marginal Direita do Rio Sorocaba. O encontro ocorreu nas proximidades da antiga Usina Cultural, junto à ponte Padre Madureira, e foi marcado por uma roda de conversa voltada à conscientização ambiental e à valorização do rio.

A mobilização contou com a presença da vereadora Fernanda Garcia, além dos acadêmicos Reinaldo Galhardo, Adilene Ferreira Carvalho Cavalheiro e Carlos Carvalho Cavalheiro, este último doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (Uniso) e bolsista do CNPq, vinculado ao Observatório de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, com pesquisas voltadas a múltiplas leituras sobre o Rio Sorocaba.

William Karaipopygua , líder da Aldeia indígena Guarani Gwyra Pepo. Foto: Carlos Carvalho Cavalheiro.

Um dos pontos centrais do encontro foi a participação de indígenas da etnia Guarani Mbya, vindos da Aldeia Guarani Gwyra Pepo, sob a liderança de William Karaipopygua. Contatados pelo jornalista Rafael Franco, os indígenas guarani fizeram questão de participar do movimento. Em uma roda de conversa iniciada por volta das 10h30 e estendida até aproximadamente 12h30, os participantes compartilharam reflexões sobre ancestralidade, espiritualidade e a relação de cuidado com a natureza, destacando a importância da preservação dos biomas e dos recursos hídricos.

Organizado pelo coletivo Justiça Climática em parceria com a organização Floresta Cultural, o ato também contou com a presença de outros grupos e movimentos sociais, como Evolução Sustentável, Resistência Sorocaba, Movimento Negro, Raízes de Sorocaba e Fruto Urbano, ampliando o caráter plural da mobilização.

De acordo com os organizadores, o evento foi motivado pela preocupação com os impactos ambientais do projeto da Marginal Direita, que prevê a supressão de uma área significativa de vegetação — estimada em cerca de 80 mil metros quadrados —, além de possíveis consequências como o aumento de enchentes e a intensificação de ilhas de calor na cidade.

Divulgado nas redes sociais com o lema “O futuro é ancestral”, o encontro também teve caráter solidário, com arrecadação de mantimentos destinados à comunidade indígena participante.

Para os presentes, a manifestação representou mais do que um ato de resistência: foi um espaço de escuta, troca de saberes e construção coletiva de consciência ambiental. Ao trazer à centralidade as vozes indígenas e o conhecimento ancestral, o evento reforçou a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento urbano e de fortalecer iniciativas que conciliem crescimento com preservação.

Carlos Carvalho Cavalheiro

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Dom Alexandre e a FEBACLA

Dom Alexandre e a FEBACLA: ‘Oásis num deserto cultural’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

Dom Alexandre, Sérgio Diniz e Carlos Carvalho Cavalheiro

Quem navega pelos mares da internet, especialmente em busca de notícias ligadas à cultura e a arte das Letras, já se deparou com o nome da FEBACLA (Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes) e, também, com o do seu presidente, Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho.

            Esses dois indissociáveis nomes – sendo um basicamente a extensão do outro – têm promovido a valorização da arte e da cultura não somente no Brasil como em outros países, especialmente os que têm a Língua Portuguesa como idioma oficial.

            Seria monótono e desgastante repetir aqui todo o currículo de Dom Alexandre e todo o histórico da FEBACLA. Basta, creio, dizer que o primeiro é jornalista, escritor e pesquisador e que por seu trabalho tem realizado inúmeras homenagens aos produtores de cultura, bem como promovido a memória de personalidades históricas como Dom Pedro II, Chiquinha Gonzaga, Rei Ramiro II de Leão, Machado de Assis, Maria Quitéria, Anita Garibaldi entre tantas outras.

            Por meio da FEBACLA, Dom Alexandre tem concedido honrarias, concernentes a medalhas e diplomas, que valorizam o trabalho do mundo das artes e, também, do ativismo. Num deserto cultural, no qual escritores e produtores de cultura caminham a duras penas sob o sol escaldante e o escárnio, muitas vezes escancarado, da sociedade, a concessão de tais honrarias é como um oásis em que se recupera a força e o estímulo para prosseguir nessa viagem em prol da cultura.

            Muito além de atiçar a vaidade, o recebimento de uma honraria representa o reconhecimento e a certeza de que alguém percebe a importância do trabalho cultural, seja por meio das Letras, da pesquisa histórica, ou de qualquer outra modalidade de arte ou produção cultural.

            A FEBACLA ainda tem arregimentado acadêmicos em diversos lugares, dando posse anualmente a muitos daqueles que se dedicam à produção literária. É uma das poucas entidades acadêmicas a valorizar um número tão vasto de pessoas. E por ser uma entidade de cunho nacional, reflete a diversidade do povo brasileiro abarcando todos os sotaques, todas as cores, todos os regionalismos.

            Ainda por meio do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Instituição Oficial de Pesquisas Históricas, Filosóficas e Culturais da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, da qual Dom Alexandre é soberano representante, tem-se concedido o título de Doutor Honoris Causa, reconhecendo o trabalho de muitos abnegados que lutam pela melhoria intelectual e social do país.

            É tranquilizador saber que no Brasil, e também nos países lusófonos, o trabalho com a cultura e a arte recebe os olhares sensíveis de reconhecimento social. E que as honrarias concedidas por Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho materializam as nobres palavras de incentivo: “Siga em frente!”.

Carlos Carvalho Cavalheiro

21.02.2023. Texto publicado originalmente em: Dom Alexandre e a FEBACLA: oásis num deserto cultural – Carlos Carvalho Cavalheiro | Marimba Selutu

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Ordem dos Comendadores do Brasil

Solenidade de nomeação e outorga de títulos honoríficos da Ordem dos Comendadores do Brasil

Ordem Comendador Belmonte
Ordem Comendador Belmonte

A Ordem dos Comendadores do Brasil (OCB) , instituição soberana, benemérita e de caráter honorífico, sob a proteção de Yahweh, o Grande e Único, e em estrita conformidade com seus princípios fundamentais e Regimento Interno, tem a honra de convidar para a Tarde de Homenagens e Moções de Nomeação da Guarda Ambiental Elite Florestal do Rio de Janeiro (G.A.E.F.R.J.) , a realizar-se no dia 20 de março de 2026, às 14 horas, no Espaço Cultural de Angola, localizado na Av. Pres. Wilson, 113 – Centro – Rio de Janeiro (RJ).

A solenidade será presidida pelo Comendador Belmonte, Baluarte e Diretor Executivo da OCB, e reunirá autoridades honorárias, representantes institucionais, membros da guarda de honra e personalidades que se destacam por sua conduta ilibada, lealdade aos ideais da Ordem e dedicação à causa ambiental e social.

Durante a cerimônia, será outorgado o Título Honorífico de “Grand Lord” a G.A. Nascimento, que, por seus méritos reconhecidos por seus pares, passa a exercer a função honorária de Guardião Real da Guarda de Honra, Especial e Separada, em âmbito nacional. A nomeação, formalizada por meio do ATO Nº 0130A/2026, confere ao homenageado a prerrogativa institucional de representar os valores, tradições e compromissos estatutários da G.A.E.F.R.J., simbolizando a continuidade de uma linhagem de honra e compromisso com os ideais soberanos da Ordem.

A distinção concedida é de natureza exclusivamente honorífica, simbólica e associativa, não implicando autoridade pública, cargo público, vínculo empregatício ou prerrogativas da administração pública. Trata-se do reconhecimento institucional máximo no âmbito da OCB, conferido àqueles que caminham com retidão e se dedicam ao bem comum, em conformidade com os princípios que regem a Ordem desde sua fundação.

O evento reafirma o compromisso da OCB com a preservação da memória, da ética, da espiritualidade e da proteção ambiental, pilares que sustentam sua trajetória desde 24 de setembro de 2019, data de sua fundação.

Ao final da cerimônia, será entronizado o espírito de fraternidade e continuidade, ecoando as palavras do Comendador Belmonte: “Quando eu morrer, não quero ser lembrado como mais um. Mas sim, como o Homem temente a DEUS que ajudou os necessitados e caminhou na Terra com os Gigantes…”

Serviço

📅 Data: 20 de março de 2026 – a partir das 14 horas

📍 Local: Espaço Cultural de Angola – Av. Pres. Wilson, 113 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

📞 Contato: (21) 96665-5951

🌐 Site: www.soberanaordem.com.br

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Caetando

Carlos Carvalho Cavalheiro: Poema ‘Caetando’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

Caetano cantando
Divino Veloso
Ode à Alegria, Alegria
Os astros lhe são guia
O mundo é perigoso
Nos acordes da sinfonia!
Caetano Maravilhoso.
Cantando o Caetano
Cai tanto o sol quanto a chuva
No céu de Sampa
No Planalto da Rampa
Na fina estampa…
Caetano cantando
Divino Veloso
Caetano Maravilhoso.

Carlos Carvalho Cavalheiro




O admirável mundo de João de Camargo

Carlos Carvalho Cavalheiro:

‘O admirável mundo de João de Camargo’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos C. Cavalheiro
Igreja de Nosso Senhor Jesus do Bonfim ou Igreja de João de Camargo.
Foto: Carlos Carvalho Cavalheiro

João de Camargo foi um ex-escravizado que no início do século XX construiu uma capela na estrada da Água Vermelha, município de Sorocaba, no Estado de São Paulo (Brasil) e deu início a um culto que aparentemente mesclava tradições africanas com catolicismo popular.

Diz o memorialista Antônio Francisco Gaspar que “em princípios de 1906 era empregado na olaria de Elias Monteiro, na ‘Água Vermelha’, um preto ainda moço por nome João de Camargo” (Gaspar, 1925, p. 23). Nessa ocasião, teria João de Camargo recebido da “espiritualidade” uma missão que seria a construção da igreja “longe do bulício da cidade, distante das orgias e das iniquidades […] para o fim de prodigalizar benefícios àqueles que deles necessitarem” (Gaspar, 1925, p. 26).

João de Camargo, então, construiu a sua capela e começou a atender aos necessitados, dando-lhes conforto com seus conselhos, mas, também, promovendo curas milagrosas e usando de seus dons para a promoção do bem. Como afirmou o escritor e folclorista Bene Cleto, o taumaturgo João de Camargo “até sua morte, em 1942, não cessou um só dia em fazer o bem a seus semelhantes, de sanar suas dores – fossem elas do corpo ou do espírito” (Cleto, 2020, p. 43).

Porém, além de promover curas e atendimento aos necessitados, João de Camargo foi uma liderança comunitária. No entorno de sua Igreja surgiu, organizado por ele mesmo, um bairro com estrutura de casas de aluguel, de Hotéis, armazéns e outros serviços. O terreno no qual esse bairro começou a se formar era propriedade doada a João de Camargo por seu primo Pedro de Camargo. Nessa localidade, as manifestações culturais de origem africana ou afro-brasileiras eram permitidas, ao contrário do que ocorria na região central de Sorocaba, onde tais manifestações eram reprimidas pela polícia e pela vigilância dos grupos de poder e tomadores de decisão (Cavalheiro, 2020).

Bastante sintomático foi o esforço de João de Camargo em constituir uma Banda musical e construir um prédio para abrigar uma escola. Assim, promoveu a educação e a oportunidade de trabalho digno para pobres e negros. Em uma época muito próxima ao fim da escravidão, a exclusão social dos afrodescendentes era visível e esperada. O próprio João de Camargo, ex-escravizado, analfabeto e quase que sem qualificação profissional, teve que se sujeitar a trabalhos grosseiros, pesados e mal remunerados.

Obviamente que João de Camargo foi perseguido. Em 1913, chegou a ser preso e processado por curandeirismo (mesmo que o objeto principal da denúncia do promotor público fosse o ajuntamento de pessoas em torno da igreja). Assistido pelo advogado Juvenal Parada, que promoveu uma qualificada defesa, João de Camargo foi absolvido. Mas, por longos anos sofreu a discriminação e o preconceito social.

Ocorre que a burguesia de Sorocaba tinha um projeto de cidade sintetizado no epíteto de Manchester Paulista: uma associação com a cidade industrial inglesa, símbolo de progresso capitalista. A esse projeto concorria o território negro e caipira criado por João de Camargo (Cavalheiro, 2020).

Em 1929, um relatório da cidade de Sorocaba ao Inspetor Chefe apresenta João de Camargo como um “caso typico de curandeirismo, nos moldes de um ‘Antônio Conselheiro’”… (Cavalheiro, 2020, p. 74). Ora, Antônio Conselheiro foi o líder messiânico que, juntamente com os seus seguidores, defendeu a localidade chamada de Canudos dos ataques das tropas federais brasileiras republicanas, cujo entendimento era de que aquela comunidade era um antro de fanáticos e desordeiros.

João de Camargo faleceu em 28 de setembro de 1942 e com o passar dos anos sua imagem foi sendo modificada, especialmente nos textos jornalísticos. Hoje ele é interpretado como um benfeitor, um líder religioso e comunitário, um “santo”.

E a sua igreja é um local onde o ecumenismo e o ecletismo religioso de fato ocorre.

Tradições religiosas que se mesclam

À primeira vista, parece um caos. Depois, a ordem vai se estabelecendo e cria a harmonia do ambiente. A multiplicidade de imagens de tradições tão diferentes (como kardecistas, candomblecistas, umbandistas, católicas, esotéricas, orientalistas…) se miscigenam, e como numa mistura de diversos líquidos, se decantam e encantam até atingir a perfeita amálgama.

 Na igreja de João de Camargo (oficialmente Igreja de Nosso Senhor Jesus do Bonfim), em cada nicho e em cada espaço há imagens de orixás, de entidades da umbanda (como Maria Padilha, Zé Pelintra, Caboclos e Pretos-Velhos), orixás do candomblé, santos católicos, santos populares (como Padre Cícero, Antoninho Marmo da Rocha, Menina Julieta…), mestres juremeiros, deuses hindus, e até mesmo imagens de Buda.

Para completar o sentido eclético do lugar, nas paredes é possível encontrar fotografias e desenhos de autoridades religiosas e políticas como Getúlio Vargas, Papa João Paulo II, Dr. Ferreira Braga (um político local do passado) e até Allan Kardec (codificador do Espiritismo).

Aparentemente, essa mescla de tradições religiosas – em consonância com personalidades históricas e lideranças políticas – não é uma exclusividade da Igreja de João de Camargo. Possivelmente, seja até mesmo um traço cultural de origem africana que não promove a separação entre o sagrado e o mundo dos seres humanos. E nem mesmo se preocupa com uma questão que Peter Berger levantou: a do mercado religioso.

Para esse sociólogo, o fim das religiões oficiais (impostas pelos governos, sobretudo pelas monarquias absolutistas), propiciou a liberdade de escolha. Assim, as religiões acabam por disputar fiéis dentro de uma lógica de mercado. Daí a expressão “mercado religioso” (Beger, 2009).

No ano de 1958, o escritor Aldous Huxley visitou o Brasil. Nessa visita, na então capital do país, a cidade do Rio de Janeiro, ele foi levado a um terreiro de macumba, nome genérico dado a algumas das tradições religiosas afro-brasileiras. O pesquisador Renato Ortiz encontrou uma nota no jornal paulistano “O Estado de S. Paulo” que descreveu essa visita com um certo horror e vergonha, pois, de acordo com o redator, tais manifestações eram testemunhas de nosso “atraso”.

É profundamente humilhante para todos nós, brasileiros, que o escritor Aldous Huxley tenha podido assistir, em pleno coração do Rio de Janeiro, a uma cerimônia de macumba. Não apenas porque alguns pretensos intelectuais encaminhassem o famoso autor de Admirável Mundo Novo, para o morro do Salgueiro. Mas, pela simples e única razão de ser ainda possível, em mil novecentos e cinquenta e oito, quando caminhamos em plena era atômica não se sabe se para o cataclismo, a realização de torpezas tais na própria capital da República”. Assim, de acordo com Ortiz, a nota jornalística salienta o preconceito em relação às tradições afro-brasileiras na metade do século XX.

Mas o que interessa a este artigo é o trecho em que o repórter anota uma observação que se coaduna com o que esteticamente ocorre dentro a igreja de João de Camargo:

“[…] sobre um altar, estavam juntos imagens de santos católicos, orixás, fetiches africanos e ameríndios, fotografias de políticos, estampas de Tiradentes, figuras de Buda e de Zumbi dos Palmares, além de cerâmicas de bichos, conjunto este que impressionou o escritor inglês. As danças e cantos que seguiram, interrompidos a meio pelo ‘Pai de santo’ para o ‘abraço duplo ao visitante’, prosseguiram depois dedicados a este” (Ortiz, 1999, p. 200).

Esse é um indício de que muitos cultos afro-brasileiros compuseram seus espaços com essa estética que mistura elementos de várias dimensões da vida humana, desde o sagrado, passando pelo político e pelo mítico / heroico.

No entanto, com o passar dos anos, essa estética foi sendo modificada e, atualmente, não é mais comumente vista nos terreiros das religiões afro-brasileiras. Por isso, a preservação da Igreja de João de Camargo é importante, porquanto é um testemunho vivo de uma prática – ética e estética – que deixou de existir. É, possivelmente, um exemplar único. Um patrimônio para todos nós.

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Referências:

Berger, Peter L. O dossel sagrado. São Paulo: Paulus, 2009.
Cavalheiro, Carlos Carvalho. João de Camargo, o Homem da Água Vermelha. Maringá (PR): Editora A. R. Publisher, 2020.
Cleto, Bene. Causos do Leôncio e outros causos. Sorocaba: Academia Sorocabana de Letras, 2020.
Gaspar, Antônio Francisco. O Mystério da Água Vermelha. Sorocaba: Do Autor, 1925.
Ortiz, Renato. A morte branca do feiticeiro negro. São Paulo: Brasiliense, 1999.

Carlos Carvalho Cavalheiro
carlosccavalheiro@gmail.com

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No palco feminista

Carlos Carvalho Cavalheiro: Resenha ‘No palco feminista’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro
Adriana Rocha
Adriana Rocha Leite

No Palco feminista.

Este é o título do livro recém-publicado pela escritora Adriana Rocha Leite.

Advogada de profissão, especialista em mediação e comunicação não-violenta, Adriana – que já tem em seu ‘cartel’ mais de dez títulos publicados – enveredou pela estrada que leva a um lugar de reflexão do papel da mulher na sociedade e dos desafios diante de uma cultura massivamente patriarcal e machista. Nesse caminho, colheu as mais interessantes palavras com as quais vestiu as histórias contadas nesse livro.

Em ‘No palco feminista’, Adriana narra a trajetória de três personagens femininas, que, aparentemente, refletem a mesma mulher em processo de construção de sua identidade – essa busca de saber quem somos no lugar em que estamos – da infância, passando pela juventude e pela maturidade.

Poeticamente, as personagens de Adriana Rocha Leite possuem em seu nome o mesmo sufixo ‘ina’: Carina, Santina e Justina. Menina, feminina, mas, também, designativo feminino para muitas palavras: maestrina, inquilina, divina, taurina, matutina, bailarina…

Carina é a menina que procura entender o mundo que a rodeia e as regras sociais estabelecidas para a mulher. Não é necessariamente uma pessoa passiva, muito pelo contrário, mas que busca nas brechas as rotas de saída para a sua sobrevivência. Assim, vai entendendo o funcionamento da máquina que move a sociedade e, ao fim, por meio da aquisição do conhecimento, se transforma. Talvez, seja possível imaginar que o nome Carina se refira a caridade em sua etimologia: caritas, amor incondicional, algo caro, que possui valor. A transformação da consciência de Carina é, de fato, uma conquista de grande valor numa sociedade que ainda insiste em separar os seres humanos – por gênero, cor, etnia, religião, pensamento… – para produção da desigualdade.

Santina é a jovem que decide seguir as normas sociais e se tornar coadjuvante na vida de casada. O nome remete, parece, a santa e isso nos leva a diversos referenciais como a de mártir que abre mão de sua vida por algo que aparentemente é um bem maior. No entanto, a sua consciência se desperta no dia do casamento e ela percebe que esse não é a melhor opção. Quando somos jovens, tanto homens quanto mulheres, em geral ainda não desenvolvemos a maturidade suficiente para as nossas melhores escolhas. Mas a narrativa de Adriana Rocha vai um pouco mais a fundo. Ela desvenda o mundo em que a existência da mulher, via de regra, só é permitida quando associada a um homem. “Por trás de um grande homem há uma grande mulher”, diz o adágio. Por que atrás do homem? Por que não pode estar ao seu lado? “E eu os declaro marido e mulher”. Por que o homem é sempre homem, mesmo se não estiver casado, mas a mulher só se torna tal quando se casa? Que força tem essa união com o homem que legitima o reconhecimento da pessoa feminina como mulher?

Justina, por outro lado, é a mulher madura que já se viu em todas as outras situações vivenciadas pelas outras personagens e, também, por situações outras como a de abuso na infância. Porém, guerreira, ela superou todas e, agora, ensina as mulheres a não se sujeitarem mais aos desmandos do machismo. Alcançou a justiça (acho que é daí a inspiração do seu nome) e está num pedestal como a mulher que luta por seus direitos. Refaço a conclusão: ela não está no pedestal (talvez, Santina estivesse). Ela está no palco. Mas, agora, ela é a protagonista!

Ao final do livro, Adriana nos traz a trajetória da atriz Dina Lisboa, que rompeu com os padrões conservadores de sua época.

O livro ‘No palco feminista’, de Adriana Rocha Leite é leitura obrigatória para toda e qualquer pessoa. Para as mulheres, há de servir como inspiração. Para os homens, certamente, como lição a ser aprendida.

Carlos Carvalho Cavalheiro

19.12.2023

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