Comunicação rebelde
Pesquisador apresenta conceito de ‘comunicação rebelde’ em estudo sobre pescadores urbanos do rio Sorocaba

Pesquisa de doutorado apresentada no 2º Encontro de Pesquisadores do Observatório da Região Metropolitana de Sorocaba investiga a pesca urbana como forma de resistência e produção de sentidos no espaço da cidade
O pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro apresentou, nesta manhã, sua pesquisa de doutorado intitulada ‘Um Rio de Possibilidades: a comunicação rebelde dos pescadores da área urbana de Sorocaba’, durante o 2º Encontro de Pesquisadores do Observatório da Região Metropolitana de Sorocaba (EPO), realizado dentro da programação do evento MOBI, na Cidade Universitária da Universidade de Sorocaba (Uniso).
A investigação, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Uniso, tem como objetivo analisar se a prática da pesca em área urbana no rio Sorocaba pode ser compreendida como uma forma de comunicação rebelde, conceito desenvolvido pelo pesquisador e seu orientador, Dr. Paulo Celso da Silva, a partir da ideia de que determinadas práticas cotidianas podem comunicar resistências, reivindicações e novas formas de apropriação do espaço urbano.
A hipótese central da pesquisa é que o pescador urbano, ao permanecer e atuar em espaços nem sempre previstos pelo planejamento oficial da cidade, utiliza táticas cotidianas que subvertem estratégias estabelecidas pelas estruturas de poder, transformando a pesca em uma prática de resistência comunicativa.
O estudo dialoga com autores como Michel de Certeau, especialmente a partir da noção das “artes de fazer” e das táticas utilizadas pelos sujeitos comuns para ressignificar os espaços impostos; Joice Berth, ao discutir as brechas existentes na arquitetura urbana e nas formas de exclusão; e David Harvey, com suas reflexões sobre o direito à cidade.
Segundo Cavalheiro, a comunicação não ocorre apenas por meios tradicionais, como jornais, rádio, televisão ou redes digitais. Ela também pode estar presente em práticas sociais, gestos cotidianos e formas de ocupação do território. Nesse sentido, a permanência dos pescadores nas margens do rio Sorocaba pode revelar uma outra maneira de comunicar a relação da população com a cidade e com seus espaços públicos.
Entre os resultados preliminares apresentados está a análise da relação entre os pescadores e as políticas públicas relacionadas ao uso do rio. A pesquisa observa, por exemplo, o debate em torno da criação de um pesqueiro municipal e as diferentes formas de apropriação do espaço do rio Sorocaba.
Outro aspecto destacado é a atuação dos próprios pescadores como agentes de cuidado ambiental e participação comunitária. Conforme registrado na pesquisa, alguns pescadores realizam ações como soltura de peixes, limpeza e acompanhamento das condições do rio, assumindo uma relação de pertencimento e responsabilidade com o território.
A pesquisa ainda está em desenvolvimento e iniciará a etapa de entrevistas com pescadores, buscando registrar suas experiências, memórias e percepções sobre o rio Sorocaba. A metodologia prevê a combinação de levantamento, categorização dos dados e entrevistas com abordagem quantitativa e qualitativa.
Para o pesquisador, compreender essas práticas permite ampliar o olhar sobre a cidade, percebendo que os espaços urbanos também são construídos pelas experiências daqueles que os utilizam diariamente. A comunicação rebelde, nesse sentido, busca evidenciar formas de expressão que surgem fora dos canais institucionais e que revelam outros modos de viver, ocupar e significar o território.
O trabalho foi apresentado no contexto do Observatório de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Sorocaba, com orientação do professor doutor Paulo Celso da Silva e apoio do Observatório.














