Ella DominiciCriador de imagens do Bing – 30 de janeiro de 2026, às 15:28 PM https://sl.bing.net/j5QL2psYie4
Vida segue duas vias paralelas: imposição, paciência, compromissos reais e leais imprescindíveis outra avança no mais profundo: Ser livre sensorial ridente às palavras irredutíveis
Sabes, deixas tuas mãos viajarem, se puderes desliga-te do tempo esmagador, não sabemos que somos todos marinheiros? como o porto é amargo quando todos os barcos partindo, partiram?
Reconcilias o diplomata homem alma aflita, Sabes, as casas se irritam com moradores rasos povoas dignamente bem-te-vis nos teus cantos e espaços
conchas esmagadas em sofrido aperto contritas consternadas pelo vento constantes sopros desmesurados neste amor que une graciosas pérolas rochas com a sedimentação dos tempos
águas colam enquanto passam argolas adentrando os montes pelas grutas choro nas paredes lágrimas nos tetos nas lástimas me inundo em lago interno
dentro vigora azul profundo água-estéril pinga-pinga de arbustos-folhas-sacras ondas desiguais do mar na praia estrondos violência em sons espetaculares
como o mar se comporta mediante Impassibilidade das rochas recontam o amor louco e estupendo em tuas rochas abres fenda e adentro enquanto mar no ímpeto
antes de encontrar-te em sonhos para assim atingir minha utopia lavei-me toda todo tudo em lavanda mãos impregnadas pela essência teceram um jardim na pele e em todos os escondidos cantos floriu e riu
Violácea flor cor de tanto amor campanil se espreguiçou com voz em falsete perfumando a evolução dos sentidos tranquila? paixão que aniquila! todos sentidos coloridos de erva-anil
minha alma será eterna perfumada será muda fala esperantista ao despertar de mais utopias esta ciranda inocente quase infantil sangra, lava-me e leva-me a amar-te LAVANDA… Lavande, merci, je t’aime
Ella DominiciImagem criada por IA do Bing – 12 de dezembro de 2025,
O rio não é cenário. Ele fala — não em voz, mas em sinais. Seu fluxo, ora manso, ora urgente, traduz humores invisíveis, e quem permanece à sua beira aprende a escutá-lo pela percepção que atravessa a pele e alcança o interior da alma.
As margens murmuram histórias antigas; o vento traz respostas que ninguém formula; e o som da água, ao tocar pedras distintas, compõe significados que não cabem em palavras, mas em sensações.
O voo dos pássaros risca o céu como pequenas frases do alto; cada mudança de direção é aviso, cada pouso, uma pausa; cada revoada, um pensamento que se desprende do mundo.
Depois da chuva, a terra exala um cheiro quente, quase maternal, como se afirma que o tempo sempre guarda alguma fertilidade, mesmo quando se mostra hostil. A fragrância sobe devagar, criando um diálogo silencioso entre o visível e o que não se nomeia.
A paisagem inteira se comporta como consciência desperta, como se o mundo pensasse e aguardasse ser compreendido. E quem ali permanece, mesmo sem perceber, entra nesse movimento de leitura, onde cada detalhe — vento, água, folha, aroma — é frase de um texto maior, escrito pela própria existência.
Ella DominiciImagem criada por IA do Bing (https://sl.bing.net/cA5FAA4aR6i) , em 04 de dezembro de 2025, às 15:38.
pergunta-me onde me achava morrendo como um navio incendiado em alto mar deixando tombar o ouro que se fundia em pleno amar lava incandescente derretendo aos poucos a formar arte deslumbrante
sem ar no pulmão das águas frias pergunta-me as palavras que te dissera foram de audácia as correntes que te prenderam algema líquida que te segurou bem firme deixara-te deslizar como peixe escorrega das mãos redimes, lembra-te e salta em águas conhecidas reconhece teu habitat
peixe que passa por minhas pedras limosas de cheiro do mar marulho te cante aos ouvidos salgado salino ao teu paladar brinda e não esqueças do molhado na borda da taça folga-te das bolhas que se formam na boca que beijas palavras poéticas feitas de um nada se agitam e dizem o tudo de uma só vez
brigas comigo que o tudo é teu é meu é demais e de mais ninguém nademos sem rumo de mãos enamoradas se me afundas te sossego, se te afundo nadas de braçadas e boias de prazer comigo
olha-me molha-me debaixo d’água meu corpo se dilui e a visão é ilusão o movimento é nosso no insustentável até que morras até que acordes de tuas águas que me quiseram e me amaram pergunta-me onde me achava morrendo como um navio incendiado em alto mar, à deriva
(Serapião de Aurora, alter ego de Ariano Suassuna, alma sertaneja e verbo resistente)
Ella DominiciImagem criada por IA do Bing
Sou aquele que inventa sede pra beber palavra. Não tenho nome, tenho sina: sou o riso que ficou preso no galope do vento, sou o santo que erra rezando, sou o ermo que sonha com mar.
Nasci do barro e da conversa. Minha mãe foi uma nuvem com fome de chuva, meu pai, um aboio que fugiu do curral. Aprendi cedo que o verbo nasce de faca: é cortante, mas abre caminho pro coração passar.
Falo o português que o sol ensinou — cheio de calor, cheio de teimosia. E quando a palavra falta, invento um silêncio de passarinho.
Tenho dentro de mim um sertão que não cabe em mapa. É um mundo de rezadeiras e vaqueiros, onde o riso é remédio e a dor é professora. Por lá, as histórias se deitam no chão, esperando que alguém as acorde com fé.
Sou o auto e o milagre, sou o palhaço que filosofou diante do altar, sou o Cristo que sorriu do alto do gibão. Sou o cavalo sem freio do pensamento nordestino, que corre, tropeça, mas não se entrega.
E quando o céu se quebra em trovão, eu digo: é Deus rindo alto de nós. Porque até o divino, no meu sertão, tem um sotaque de barro e poesia.