Corpo lume em terra

Ella Dominici: Poema ‘Corpo Lume em Terra’

Ella Dominici
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Nasci da argila e da espera.
Sou parte do barro que sonhou ser rosto e permaneceu espelho.
Carrego comigo as veias abertas do que sente demais,
e o pulso secreto das coisas que não sabem morrer.

Há em mim a casa e o exílio.
A casa é onde o olhar repousa,
o exílio é quando o olhar não se reconhece.
E sigo, em cada rua, plantando pequenas eternidades:
palavras, gestos, silêncios,
pedras transparentes que a vida deixa como migalhas do invisível.

O amor, esse desassossego manso,
anda comigo, calçado de areia e espanto.
Não pede posse — pede presença.
Ele chega como um sol que se desculpa por nascer tarde,
mas ainda aquece o corpo todo

Direi:
sou o que restou da travessia — e o que começa depois do naufrágio.
Sou mulher de sal e aurora,
carrego oceanos no peito e um punhado de luz no escuro.
Sigo, mesmo cega, coração conhece atalhos que a razão ignora.

E quando a noite cai, volto a ser
palavra de cura,de memória, de fogo.
Que sopra nas feridas e acende o invisível.
E ainda que o mundo me esqueça,
sei que a vida — essa antiga amante — sempre volta,
com o perfume do impossível.

Ella Dominici

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Invencível amor

Ella Dominici: Poema ‘Invencível amor’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem gerada pela IA da Meta
Imagem gerada pela IA da Meta

Invencível é o amor que não se explica,
nem pede ao mundo licença para arder.
Chega em silêncio, habita e multiplica
o corpo alheio em casa de viver.

Eu te amo sem cálculo ou defesa,
com pele acesa e sede de verdade;
meu coração aprende outra linguagem
quando teu nome chama a claridade.

Em ti, desejo não é jogo ou cena:
é maré viva, é chama sem razão.
Teu toque rompe, em forma leve e plena,
as fortalezas frágeis da ilusão.

E ao te querer inteiro, reconheço:
há uma luz triste em tudo que é maior.
Mas fico, volto — e no mesmo tropeço
te amo mais, ainda que seja dor.

Invencível, assim se faz destino:
perder-se em ti — e, ao fim, achar caminho.

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Pequenas permanências

Ella Dominici: Poema ‘Pequenas permanências’

Ella Dominici
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A vida não começa em grandes inaugurações,
instala-se mansa nas frestas do instante.
As coisas mínimas guardam força secreta,
uma folha cai — mas cumpre seu trajeto.

Aprende primeiro o ar antes de tocar o chão,
que a acolhe antigo, sem qualquer alarde.
As formigas não pensam no amanhã distante,
carregam o agora com rigor delicado.

O peso que levam não as torna menores,
apenas ordena seu íntimo caminho.
O rio sabe bem do fim que o aguarda,
e ainda assim desenha curvas no tempo.

As flores não negam sua breve passagem,
abrem-se inteiras na exata duração.
Nós queremos fixar o que nasce em ciclo,
e esquecemos: crescer é também dissolver.

A finitude muda apenas a paisagem,
do visível tênue ao invisível pleno.
E viver, no fundo, é circular com o tempo,
como folhas, rios — retornando em silêncio.

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Quando o espírito está pronto para amar

Ella Dominici

‘Quando o espírito está pronto para amar’

Ella Dominici
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Imagem gerada por IA do Bing – 27 de março de 2026,
às 09:59

Há inícios que não chegam pelo corpo — chegam quando o espírito está pronto.

Quando os desígnios tocam a alma com a precisão do tempo divino, o amor encontra sua forma mais alta: não nasce do sangue, nasce da prontidão interior.

A adoção é esse milagre silencioso em que duas vidas se reconhecem antes mesmo do toque. É o instante em que um filho prometido — gerado na alma, não no ventre — encontra o colo que já o aguardava.

Há encontros que redimem, há destinos que se abraçam, e há amor tão sublime que inaugura o lugar onde realmente mora a felicidade genuína.

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Aurora nórdica do amor

Ella Dominici: Poema ‘Aurora nórdica do amor’

Ella Dominici
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em mares nórdicos
navega homem e busca
encontrar próprio destino

fada-lhe o espírito
dói-lhe vida tão tosca
tenta achar seu solstício

nas peladas águas frias
barco branco em liso ventre
desliza

fecha os olhos, mentaliza
curvas de um corpo entre
glória e euforia

no oceano avista o pórtico
entre fiordes cristalinos
geleiras diamantes poéticos
coroa transparente do destino

enxerga altos bicos nus que brilham

a vela move, a veia sorve, suor escorre
na testa gelam pingos de lua
os bicos seios são só miragem
o alcance do eros-desejo bobagem
da lua de verão cheia e nua

se frusta a alma apaixonada
o tudo ou nada segue viagem
atravessa polos de madrugada
pórtico penetra como em virgem

sumo milagre da alta atmosfera
se funde às partículas solares
no vento qu’as trouxe em plenos mares
voltarei com a êxtase que me dera

o brilho que observo em céu noturno
no âmbito do norte magnético
desfaz quem desmedrava taciturno…
no pórtico nasce ser sinérgico
espírito uno completo

homem mulher unidos são
fenômeno perfeito da existência
partículas imantadas
fluorescência
reflexivas no real
milagre da óptica glacial
magnífica aurora

aurora boreal…
norte e final

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A grandeza de ser mulher

Ella Dominici: ‘A grandeza de ser mulher’

Ella Dominici
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“Uma mulher que conhece a própria profundidade
pode vergar sob o mundo, mas nunca perder a estatura”

“Marina Silva não é apenas uma biografia política; ela é uma força da natureza que aprendeu a ler a terra antes de decifrar o alfabeto. Sua trajetória é um épico brasileiro, escrito com o barro do Acre e a resiliência de quem venceu a fome e a doença para se tornar a voz mais potente da ecologia global.
Um olhar sobre essa jornada se abre! Para a mulher brasileira, Marina Silva é o símbolo da ascensão pela resistência.
Ela não chegou ao topo ‘apesar’ de ser uma mulher negra, de origem humilde e seringueira, mas sim carregando esses mundos consigo.”

Junco e a Raiz

Do barro do Bapuri, a escrita se fez orvalho,
Não no papel, mas na pele, no corte, no galho.
A menina que vencia a febre com o olhar no poente,
Aprendeu que o destino é semente, e a fome, serpente.

A Tecelã do Chão e do Vento que uiva

Ela não herdou o cetro, mas a calosidade;
nasceu onde o mapa se apaga e a mata se impõe.
Menina de palha e de febre, que leu no orvalho
o que os doutores de pedra jamais saberão:
que a vida é um fio de água vencendo a montanha.

Para as mulheres deste solo de sol e de mágoa,
ela é o espelho de barro que não se estraçalha.
Não ensinou o grito que fere, mas o silêncio que ocupa,
a autoridade de quem sabe o nome de cada semente
e a urgência de quem pariu o amanhã no deserto.

Marina é o junco: o mistério de quem se inclina
para ouvir o que a terra confidencia à raiz.
Ela é a prova de que a delicadeza é um músculo,
e que o poder, quando puro, tem a cor do alecrim
e a teimosia das águas que voltam ao mar sem fim.

Verga o corpo franzino sob o vento que ruge e devora,
Mas a raiz é de ferro; ela planta o sol na aurora.
Não é o carvalho soberbo que estala na solidão,
Mestra das águas, tecelã de um amanhã urgente,
Marina Silva é a prova: a delicadeza é o pulso da mente.

Herança de fibra, de preta, de selva e de fé,
ela gravou na história o que o tempo não rasura:
que uma mulher que conhece a própria profundidade
pode vergar sob o mundo, mas nunca perder a estatura.

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A casa e exílio

Ella Dominici: Poema ‘A casa e exílio’

Ella Dominici
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Há em mim a casa e o exílio.
A casa é um rumor de água antiga
correndo dentro do nome que me deram.

É o cheiro do pão invisível
que a memória ainda assa
nas cozinhas do afeto.

Casa é onde o olhar repousa
e não precisa explicar-se.
É quando a alma se despe
e o silêncio não constrange.

Mas o exílio —
ah, o exílio —
é quando o olhar não se reconhece
no espelho das horas.

Quando caminho entre rostos familiares
como quem atravessa um país
cuja língua desaprendeu.

Exílio é essa delicada estrangeiridade
de existir demais.
É sentir o mundo por dentro
enquanto o mundo me quer superfície.
E, no entanto…não os renego

Ella Dominici

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