Eu nasci aqui

Milton Gaspar Domingos: Poema ‘Eu nasci aqui’

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Minha terra, minha mãe!
Terras de Pungo a Ndongo,
quedas de Kalandula e Kangandala
do arco-íris permanente
e da Palanca Negra e Gigante

Aqui eu nasci!
Onde o verde do bosque se confude
com a esperança dos kotas
Onde o capim desafia o brilho do sol
Onde o Sol não beija o mar,
mas ao capim ele abraça

Lugar dos gloriosos
Onde a semente do mal
só dá frutos secos
Onde a terra se nega do mar agitado
e dá boas vindas às árvores da razão

Aqui eu nasci!
Nessa terra que mana justiça silenciosa
Que das estrelas exige esperança
Na terra de vivas memórias
Onde as feridas perpetuam o ensino
Onde a caneta exige respeito
E o papel cobra elegância

Njinga Nbandi e Ngola Kiluanji são daqui.
Onde a cultura e a chão
se amassam em beijos.
Onde se inspira a majestosidade
E se esvão toda a vaidade

Je suis né ici!*
Onde a veia da tradição
faz escoar a ambição
Onde pedra se transforma em carne
Onde se domina quem vem,
e se liberta quem quer ir
Onde a gindica do povo
abafa o som das águas turbulentas

Eu nasci aqui!
Onde escrever é brincar,
ler é viver
tradicionar é uma poesiar!
Onde já se nasce com a quarta classe!
Eu nasci aqui!

* Eu nasci aqui

Milton Gaspar Domingos

Milton Gaspar Domingos

Milton Gaspar Domingos (Decano), natural da província de Malanje (Angola) e residente no município do Quéssua, é professor de Língua Portuguesa e de Literatura), no Liceu nº 314 – 4 de Janeiro.

Mestrando em Educação pela Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLÂNTICO) e Licenciado em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Humanidades da Universidade António Agostinho Neto (FHUAN).

Autor de artigos disponíveis na internet e investigador na área de Língua, Literatura.

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Entre reconstruções e restauros, renascimentos ocorrem (II)

Jadson Porto

Crônicas da Ordem dos Cavaleiros Arqueiros Sarmathianos

‘Entre reconstruções e restauros, renascimentos ocorrem (II)

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Imagem gerada por IA do Gemini
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As transformações pelas quais Gotland iria passar, como resultado da missão dos três arqueiros que expuseram as mudanças que o Império dos Godos de Oriente estava por enfrentar, foram ampliados após aos impactos não programados e ocasionados pela tempestade. Cidades e infraestruturas logísticas foram destruídas; plantações foram afetadas; registros de 10.000 óbitos e cinco mil desaparecidos; ampliação de doenças ocasionadas pelo uso da água de inundação (que ali permaneceu por dois meses até o seu completo escoamento); registros de 500 casos de ataques de animais peçonhentos, que adentravam às casas na inundação; dentre outras manifestações.

A Casa dos Lordes estava muito movimentada. Tudo era prioridade para a recuperação da reino. O General Elson de Gotland e sua equipe eram constantemente convocados para atualizarem os relatórios à Casa Real. Gradativamente foram se retomando as vidas em Gotland, mesmo que precariamente. À medida que as reconstruções da infraestrutura de logística foram se consolidando, retomavam-se as economias do reino e ampliavam-se suas dinâmicas sociais. Quando se restauravam os procedimentos públicos institucionais, o faziam com a modernização exigida pelos novos tempos que a Casa Real adotara como diretriz. Quanto ao renascimento, esta se materializava pelas novas gerações sobreviventes aos novos tempos.

O relatório entregue pelo General Elson, em seu terceiro volume, na página 350, referente ao capítulo de Cenários em construção, assim conclui: Após os investimentos efetuados pelo Erário Real; que contou com a participação da nobreza que doou 3 toneladas de ouro e prata de seus cofres; e dos comerciantes de Gotland, que concederam alimentos, roupas e equipamentos para aqueles que atuaram na reconstrução da cidade e da infraestrutura urbana afetadas pela tempestade em Gotland, vem retomando gradativamente a sua vida social, dinâmica econômica e atuação nos cenários regional e internacional. Entre reconstruções e restauros, o renascimento de Gotland ocorre mais forte, sólido, moderno e inserido com mais intensidade em seu protagonismo internacional.

A participação da Universidade Nacional de Ostrog foi de fundamental importância neste contexto. Pois seus docentes e cavaleiros aprendizes, que ali se preparam para o futuro da Casa Real. Foram cerca de 120 trabalhos de conclusões de curso de graduação cavalaresca, bem como de suas especialidades, em todas as áreas do conhecimento ali atuantes, enfatizando-se a área técnica sob a diretriz do Engenheiro italiano Labenini. S. A. R. I. Severino Teodoro, a partir da experiência germânica, que fora afetada por uma intensa tempestade há 60 anos, criou uma semana cultural por ano, que haveria eventos culturais de diversos modelos e estímulos ao entretenimento para gerar fundos financeiros à reconstrução de seu território caso houvesse outra possível tempestade intensa como ocorrera outrora: A Semana Medieval de Gotland, na cidade de Visby, em agosto de cada ano.

Para atrair investimentos culturais, o Cavaleiro Fabric de Gotland, filho do General Elson, sugere a criação do Prêmio Águia de Dourada de Gotland. Hoje, o prêmio é referência mundial de excelência cultural, notadamente no meio literário.

Jadson Porto

Jadson Porto
Jadson Porto

Duque Dom Jadson Porto Eurico Rodrigo I é geógrafo graduado em Bacharelado e Licenciatura em Geografia (UFPa, 1990, 1993); Mestre em Geografia (UFSC,1998); Doutor em Ciência Econômica (Unicamp, 2002); pós-doutorado em Desenvolvimento Regional (FURB, 2014); pós-doutorado em Geografia, pela Universidade de Coimbra (Portugal) (2015); pós-doutorado em Estudos Sociais, pela Universidad Nacional de la Patagonia Austral – Unidade Río Gallegos (UNPA/UARG), Argentina (2017); pós-doutorado em Desenvolvimento (UFT, 2020); pós-doutorado em Planejamento Territorial (Idega/Universidade de Santiago de Compostela, Espanha, 2025). Coordenador do Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos (Nesur/Unifap).

Professor Titular da Universidade Federal do Amapá. Professor do Mestrado em Desenvolvimento Regional da Unifap. Integrante efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba, PR), cadeira de n. 3, patrono Alberto Oliveira (2022). Integrante efetivo da Academia Amapaense de Letras (Macapá, AP), cadeira 17, patrono Joaquim Caetano da Silva (2022). Tem se destacado em pesquisas sobre a Amazônia Setentrional brasileira e a Região das Guianas. Professor doutor doutor honoris causa multiplex. 5

Site: www.jadsonporto.blogspot.com.br

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Surge of the sorrow

M. B. Ahmad Vali: Poem ‘Surge of the sorrow’

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Sadness soared high,
turned into the sky.
Nothing feels like sorrow now.

After a protracted silence,
some ancient reminiscence
echoes in the emptiness.
It is yours; you are in it.

“Are you my shackle or my freedom?”
it asks and slowly merges with the sky.

M. B. Ahmad Vali

Original (Telugu): Ahmad Vali
Translation: Elanaaga

Onda de Tristeza

A tristeza alçou voo,
elevou-se ao céu.

Nada se compara à tristeza agora.

Após um longo silêncio,
alguma reminiscência ancestral
ecoou no vazio.

É sua; você está nela.

“Você é meu grilhão ou minha liberdade?”
perguntou, e lentamente se fundiu com o céu.

M. B. Ahmad Vali

Original (Telugu): Ahmad Vali
Tradução: Elanaaga

Ahmad Vali

M. B. Ahmad Vali is a 57 year-old poet from Narsipatnam village, Andhra Pradesh State, India. He runs a small business. His writings keep appearing in the local Telugu periodicals as well as social media such as Facebook on and off.

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Dispo as lágrimas

Jacob Kapingala: Poema ‘Dispo as lágrimas’

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Dispo as lágrimas que me vestem,
Sem medo nem vergonha de ninguém.
Não temo que vejam a nudez do meu rosto,
Que sempre esteve no lado oposto.

Rumarei em busca de um novo traje,
Numa grande velocidade como quem foge,
Da tempestade iminente,
E da dor persistente.

Dispo as lágrimas que me vestem,
E visto-me de alegria que só faz bem.
Pego no sorriso que há muito se foi,
E dou-lhe um abraço com esta alma que ainda dói.

E se no meu caminhar,
A alegria não encontrar,
Vou preferir a nudez do meu rosto,
A viver com lágrimas que só trazem desgosto.

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar no papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos

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Um objetivo, um tiro!

Jadson Porto

Crônicas da Ordem dos Cavaleiros Arqueiros Sarmathianos:

‘Um objetivo, um tiro!

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 Crônicas da Ordem dos Cavaleiros Arqueiros Sarmathianos: 'Um objetivo, um tiro!
Crônicas da Ordem dos Cavaleiros Arqueiros Sarmathianos: ‘Um objetivo, um tiro!

Jadson Porto

Jadson Porto
Jadson Porto

Jadson Porto: Possui graduação em Bacharelado e Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal do Pará (1993), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1998), doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (2002); Pós-Doutorado em Desenvolvimento Regional, pela Universidade Regional de Blumenau (2014): Pós-Doutorado em Geografia, pela Universidade de Coimbra (Portugal) (2015); Pós-Doutorado em Estudos Sociais, pela Universidad Nacional de la Patagonia Austral – Unidade Rio Gallegos (UNPA/UARG), Argentina (2017); Pós-Doutorado em Desenvolvimento Regional, pela UniversidadeFederal de Tocantins (2020); Pós-Doutorado em Planejamento Territorial, pela Universidade de Santiago de Compostela, Espanha (2025).

Pesquisador-Visitante do Instituto de Estudos e Desenvolvimento de Galícia, Universidade de Santiago de Compostela (Idega/USC).

Comenda Mérito Científico Galileu Galilei (Febacla, 2025).

Possui 8 títulos Doutor Honoris Causa (Febacla, 2026; Northern International University, 2026; CDMM/UG, 2026; CSAEFH, 2026; IINTAD, 2026). Comenda Grã-Cruz (SBEI, 2026).

Membro Titular da Academia de Letras José de Alencar, Cadeira 03 (Curitiba, Paraná, Brasil). Membro Titular da Academia Amapaense de Letras, Cadeira 17 (Macapá, Amapá, Brasil).

Coordenador do Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos (Nesur/Unifap).

Atualmente é professor Titular da Universidade Federal do Amapá. Professor do Mestrado em Desenvolvimento Regional da Unifap.

Site: www.jadsonporto.blogspot.com.br




Enquanto poeta falaremos

Florência Mário: ‘Enquanto poeta falaremos’

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Esta é a realidade

Porque nela contém dor e ódio angústia e memórias

Fechem as bocas e abram os ouvidos,

Porque o que eu vou contar é a verdade

São histórias esquecidas história negligenciadas

são histórias de opressão que causam depressão,

mas é preciso muita narração

É a pura realidade

São emoções, sensações, contos e história dor, ódio e tristeza

sentimentos de alguém que foi roubada a honra

honra é um dos bens mais precioso de uma mulher

Para alguns é só prazer mas para outros é tudo

Lembro-me de tudo como se fosse ontem

Tudo aconteceu muito rápido

Numa noite escura, o silêncio tomou conta ouvi passos e logo me escondi

O coração não parava de bater tic-tac, tic-tac ,como um relógio assombrado

A minha mente estava confusa

Quando eu acordei eu não me lembrava,

mas aos poucos, fui lembrando

e a memória era tão horrível que me faziam chorar um rio de lágrimas.

Florência Mário

Florência Mário
Florência Mário

Florência Mário, residente em Luanda. Frequenta a 9°classe no colégio Meury & Dores. A literatura surgiu de forma repentina. No momento gosta de escrever poesia e contos. Pretende se tornar uma grande escritora a nível nacional e internacional explorando outras áreas da literatura. Faz parte do projecto escrita criativa do mentor Tomás Eugénio Tomás.

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Liceu 4 de Janeiro – Kizanga

Milton Gaspar Domingos: ‘Liceu 4 de Janeiro – Kizanga’

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Mirosman saía da escola, transbordando rios de ansiedade. Entrou sem cumprimentar a mãe, a única pessoa em casa no momento.

– Mamã, mamã!

Chamou ele, ofegante, quase que enxotava da sua caixa toráxica seu coração, fazendo o coração da mãe expludir de preocupação dada a gritaria do menino de oito anos. Quase que correndo, Umblina veio em socorro do rapaz.

– Quê foi, Miros?! – perguntou ela num tom calmo e tranquilizador. Diz-me: o que é que se passa? interrogou Umblina pela segunda vez.

– Tá vê junto da nossa scola, né?

– Sim…

– Há uma outra scola, né, mamã!

– Sim, Mirosman… é o Liceu 4 de Janeiro.

– A nossa Professora disse que o nome daquela scola veio da Baixa de Kassange. Como assim, mamã?

“Aham… então, é isso???!!! Muito bem… vá, leve, primeiro a mochila para o teu quarto e, venha, vamos conversar.”

Mirosman correu, passando para o corredor, deixou a primeira porta e, na segunda, empurrou-a, desfez-se da mochila, atirando-a para sua cama, que em nada estranhou o comportamento do rapaz, e aquietou-se. Mirosman saiu, voando para a cozinha, onde estava a mãe.

– Já, mamã!

– Toma, relaxa ainda!

Umblina fixou atentamente no seu pequeno, respirando ares de alívio, disse:

– Muito bem… agora me diz, o que é que você sabe sobre Baixa de Kassange?

– Hoje, mamã, em Estudo do Meio, falamos das formas de relevo, e o papá já tinha me ajudado com aquela maquete que mostra as planícies, as depressões, os rios e as montanhas.” Umblina mostrou-se satisfeita com o rumo que levava a conversa, soltando algum riso. “Então, como exemplo de montanha, a Professora falou do morro do Moco, e de depressão, ela falou da Baixa de Kassange. Mas a Professora disse também que essa depressão fica entre os municípios do Marimba, Kunda dya Base, Kela, Kiwaba Nzoji e Massango… agora, mamã, esses municípios estão bem longe daqui. Como é que essa escola, junto à nossa, tem um nome que se relaciona com baixa de Kassange? Aliás, como é que o nome Liceu 4 de Janeiro está ligado à Baixa de Kassange?

– Realmente, meu filho, isso é intrigante. – reconheceu Umblina. Mas a vossa Professora não vos explicou que foi na Baixa de Kassange em que aconteceu um dos maiores massacres já registado no processo da independência de Angola?

O rapaz arregalou os olhos grossos e pretos, espantado com o que acabava de ouvir. Meneou a cabeça, soltando um não abafado desde os pulmões às cordas vocais. Limpou a garganta antes de um novo gole do seu sumo natural de manga.

 – Portanto, – continuou a mãe. – trata-se de um evento nacional e, isso aconteceu a 4 de Janeiro de 1961.

– Aham… é por isso que quando chega essa data, nas rádio e nas televisões falam muito sobre 4 de Janeiro e Baixa de Kassange!

– Exatamente! Mas, sabe de uma coisa?

– O que é, mamã?

– Há apenas três escolas em toda Angola com esse nome – dois liceus, na província de Malanje e um colégio em Namibe. Mas este Liceu da Kinzanga é muito especial.

– Como assim, ‘muito especial’, mamã?

– Veja que esse Liceu, para além de estar muito distante da Baixa de Kassange, o seu nome e história estão diretamente ligados aos eventos naquela localidade.

– Ainda não entendi, mamã.

– Isso mesmo! Lembras-te de que houve um massacre na Baixa de Kassange?

– Sim.

– Esse massacre aconteceu de portugueses europeus para com os camponeses angolanos descontentes com as políticas administrativas do colono. Aos camponeses eram dados uns cartões que os obrigava a realizar trabalhos forçados a custo de quase nada, em benefício dos seus patrões, donos das plantações e das grandes fábricas. Os camponeses, de tão descontentes que estavam, desfizeram-se do cartões, queimando-os e, desse modo, mostrando ao colono que já não queriam quaisquer espécie de acordo com eles. Até às plantações atiraram fogo, às lojas e fábricas puseram mãos.

– Aham… já entendi. Os portugueses ficaram muito zangados e, por isso, massacraram os camponeses.

– Isso mesmo, Miros! Dentre os massacrados, houve pessoas que, segundo o colono, não mereciam ter um enterro digno das pessoas.

– E o que é que fizeram a eles, mamã?

– Todos os identificados como chefes e agitadores e os que os estavam a apoiá-los diretamente foram levados para bem longe de suas terras.

– Onde, mamã?

– Numa terra distante das suas, onde, de acordo com o colono, era bem adequada para o depósito de rebeldes, filhos de cães. Essa terra era, ainda, pouco habitada e o povo que ali morava também era tido pelos portugueses como rebeldes. Essa terra se chama Kizanga.

– Mas, mamã, Kizanga é o nosso… Ehééé, Ehééé, Ehééé!

– E foi exatamente no espaço onde hoje é o Liceu 4 de Janeiro, em que se enterrou todas aquelas pessoas massacradas. Com o tempo, as pessoas que viviam no bairro passaram a enterrar lá os seus ente queridos falecidos, fazendo do local um verdadeiro cemitério.

– Mais tarde, quando já não se enterravam ali, o estado viu no terreno um bom espaço para se construir uma escola. Mas essa é uma outra história.

O rapaz parecia muito pensativo, quando Umblina lhe orientou:

– Não conte isso para ninguém, Miros!

Milton Gaspar Domingos

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Milton Gaspar Domingos

Milton Gaspar Domingos (Decano) nasceu em Angola, na província de Malanje, onde reside e trabalha (como Professor de Língua Portuguesa e de Literatura), no Liceu nº 314 – 4 de Janeiro.

É Mestrando e Educação pela Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLÂNTICO), Licenciado em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade António Agostinho Neto (UAN).

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