Da Terra dos Cedros, Líbano, para o ROL, Taghrid Bou Merhi!
Taghrid traz ao ROL o aroma poético da floresta dos ‘Cedros de Deus’ (Arz el-Rab), nas encostas do Monte Makmel!
Taghrid Bou Merhi
Taghrid Bou Merhi, natural de Qabb Ilyas, Líbano, é uma poeta, escritora, ensaísta, tradutora, editora e profissional de mídia libanesa-brasileira, cujo trabalho constrói pontes entre culturas, línguas e tradições literárias. Residente no Brasil (Foz do Iguaçu/PR), é amplamente reconhecida por suas contribuições à literatura árabe contemporânea e ao intercâmbio cultural internacional.
É autora de 23 livros que abrangem poesia, contos, ensaios, estudos críticos e literatura infantil, publicados em formatos impresso e digital. Além disso, traduziu mais de 49 livros e mais de 2.000 poemas, contos, resenhas e artigos entre o árabe, o inglês, o espanhol, o italiano e outros idiomas. Suas obras literárias e traduções foram vertidas para 49 línguas e participou em mais de 540 antologias nacionais e internacionais.
Taghirid desempenha um papel significativo na mídia cultural, atuando em cargos editoriais de alto nível e como chefe de departamentos de tradução em diversas revistas árabes e internacionais. É também Presidente da CIESART Líbano e chefe da Câmara Internacional de Livros e Artistas – filial do Líbano, além de oficial de relações culturais internacionais em várias organizações globais.
Taghrid ingressa na Família ROLiana oferecendo aos leitores do Jornal ROL o sensibilíssimo poema Pedra: a primeira memória, um tributo à natureza!
Pedra: a primeira memória
Imagem criada por IA da Mata – 27 de janeirode 2026, às 16h49
A pedra nunca foi silenciosa; foi a primeira testemunha do tremor da mão humana.
Ensinou o fogo a obedecer, fazendo-se calor, alimento e lugar de encontro.
Na sua pele o grão amadureceu, a fome endireitou as costas e o abrigo encontrou sentido.
Foi arma quando a vida se viu obrigada a defender-se.
Não matou por sangue, mas por sobrevivência, porque a pedra compreende a ética da necessidade.
Com ela ergueram-se muros, a noite sentiu-se segura e o vento aprendeu os seus limites.
A pedra é a origem da história e ainda carrega a forma da humanidade.
Versado na poesia crítica e de textos literários marcados pela reflexão filosófica e social, Ramos António Amine abrilhanta o Quadro de Colunistas do ROL
Ramos António Amine
Escritor e ensaísta, Ramos Amine dedica-se à escrita de poesia crítica e de textos literários marcados pela reflexão filosófica e social e tem textos publicados na revista Uphile, uma plataforma digital, física e eletrônica de divulgação e promoção do Niassa, através da cultura e de outras iniciativas sociais que fortalecem a fraternidade e a irmandade entre os povos.
Possui vários artigos científicos publicados no site webartigos.com e é colunista do Jornal Destaque, onde assina artigos de opinião.
Produz ainda vídeos de teor poético, nos quais cruza palavra, pensamento e sensibilidade estética.
A sua escrita dialoga com os dilemas contemporâneos da sociedade moçambicana.
Ramos se apresenta aos leitores do ROL com o reflexivo conto A guardiã dos avisos ignorados.
A guardiã dos avisos ignorados
Imagem criada por IA da Meta
Nada estava visível naquela noite. Mas algo pairava, em surdina, nas pequenas coisas que costumamos ignorar: a Guardiã dos avisos ignorados.
Uma alta dirigente distrital decidiu partir para a cidade a fim de passar a quadra festiva junto da família. Fora avisada de que a lei não concede diferimentos favoráveis a viagens impulsivas de quem detém autoridade. Ainda assim, escolheu ouvir o coração, pois, em tempos festivos, o coração costuma falar mais alto do que a norma. A regra foi relegada ao segundo plano, dobrada e esquecida, enquanto à frente da dirigente seguia apenas o desejo de estar entre os seus.
Não faltou alguém que tentou dissuadi-la. Não com gritarias nem com processos disciplinares, mas com a frieza de quem conhece o peso da responsabilidade. O aviso foi simples e claro: quem serve o distrito não deve servir-se dele sem consequência. Contudo, a decisão já estava tomada. Quando o poder se habitua a mandar e passa a ouvir apenas a si próprio, aprende também a ignorar os avisos.
Naquele dia, apesar de esburacada e lamacenta, a estrada comportou-se silenciosa, como sempre é a Guardiã dos avisos ignorados.
No caminho, o mundo cobrou o preço da decisão. O irreparável sucedeu. Um corpo ainda marcado pelas ressacas das vésperas atravessou a estrada e, num instante, tudo se desencadeou: decisão em absurdo, movimento em culpa, pressa em tragédia, quadra festiva em luto. A estrada manteve-se indiferente, enquanto uma vida se despedia sem temor nem tremor.
Em delírio, a dirigente recorreu ao gesto mais antigo do mundo moderno: ligou para casa. Do outro lado da linha, o marido correu para socorrer quem amava. Mas o absurdo: hóspede discreto da condição humana, ainda não havia concluído a sua obra.
Ao calçar os sapatos à pressa, o marido foi mordido por uma cobra, escondida onde ninguém espera a morte: no abrigo quotidiano do pé. Assim, num só encadeamento de factos, uma decisão tomada no distrito gerou tragédia na estrada; a tragédia clamou por auxílio; e o auxílio quase gerou outra tragédia. Nada disso constava nos planos da dirigente. É assim que o absurdo opera.
Houve conspiração contra a dirigente? Intenção malévola visando a sua queda? Não se sabe. Sabe-se apenas que houve consequência. A exceção aberta à interpretação da lei abriu caminho; a pressa acelerou; e a Guardiã dos avisos ignorados, amontoada nos sapatos, respondeu como sempre: silenciosa, inevitável.
Talvez seja isso que mais nos vulnerabiliza: o mundo não nos castiga, apenas responde. Responde ao orgulho, à arrogância institucionalizada, às escolhas impulsivas, ao descuido, à crença perigosa de que o cargo nos coloca acima da lei, dos outros ou do absurdo.
Na origem desta tragédia esteve uma decisão. No fim, restou a estrada.
E a estrada resta sempre para ensinar, sem alarde, que o poder é efémero, que a vida é um sopro e que o absurdo nos acompanha justamente onde julgamos estar seguros: na exceção que toleramos, na viagem que consentimos a nós mesmos, no otimismo que nos dispensa da prudência.
Equanto os homens celebram datas e inventam hierarquias, a natureza permanece silenciosa e atenta, indiferente às nossas justificações. E a Guardiã dos avisos ignorados, paciente, continua onde poucos ousam procurar: no intervalo entre avisos a decisão.
Das montanhas alterosas de Minas Gerais para o ROL, Marli Freitas!
Professora, historiadora, escritora e poeta, Marli Freitas traz para o ROL as Letras de Minas Gerais!
Marli Freitas
Marli Firmina de Freitas, natural de Dom Cavati (MG) é professora, historiadora, escritora e poeta. Cursou História e Geografia e lecionou durante 29 anos.
A literatura sempre fez parte de sua vida através das histórias narradas de forma teatral por seu pai. Quando aprendeu a ler passava horas lendo na Biblioteca Municipal e tinha um gosto especial pelas obras dos irmãos Grimm. Durante a vida escolar foi se encantando por vários autores, com apreço especial pela poesia de Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, entre outros.
É autora de cinco livros, dentre os quais: Entre a Terra e o Céu – Estou Feliz, Estou Passarinho; Entre o Balanço e o Voo – O Vento Amou As Asas Recém-nascidas; Entre o Elo e a Auxese – Teus São Os Olhos Meus.
Condecorada com várias comendas, dentre as quais: Ruy Barbosa; Princesa Isabel; Ludwig van Beethoven; Fiódor Dostoiévski; William Shakespeare e Mérito Científico Galileu Galilei.
Membro de várias academias, dentre as quais: Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes; Académie des Lettres et Arts Luso-Suisse; Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Portugal
Marli Freitas inaugura a colaboração no ROL com uma belíssima declaração de amor a sua terra Natal, Dom Cavati (MG), com o o poema Assim é a terra onde nasci.
Assim é a terra onde nasci
Poema publicado na obra de Marli Freitas, intitulada ENTRE O ELO E A AUXESE – Teus São Os Olhos Meus
Dom Cavati (MG) – Foto por Marli Freitas
Notável beleza entre montes! Assim é a terra em que nasci.
Madrigal de amor e céu. Insígnia de dulçor e alegria… De Natureza singular, Horizonte mesclado e Abençoado de singularidade e cordialidade.
Terra mãe gentil! Sou observadora de realidades E o que guardo de si, são as Relíquias lapidadas na cumplicidade, a Resistência e a profundidade de suas raízes, A admiração e o respeito aos seus filhos.
Terra enfeitada pela fé, Exímia formosura campestre, Mestria no bem viver esperança…
Uníssona no acolhimento aos viajantes, Memorial de sorrisos e amigos…
Pátria que inspira sonhos e voos. Ode que acarinha meus passos… Há Um pouco de mim em Cada espanto que causei e em cada Oportunidade que abracei.
Delineada por vozes passarinhas, Estou para si…
Mergulho profundo, no seu Infinito de possibilidades (do Micro ao macro), sou filha de cada…
Universo que vislumbrei, Mantenedora da ousadia de pensar…
Mansidão de alma e coração. Unanimidade bendita e digna, eu a proclamo pela Inefável presença, que me faz Ternura e desperta a menina, que, com Olhos macios a beija…
Dia e noite com um Amor que transcende o espaço e o tempo e a…
Vida é reverenciada com Imprescindível zelo, prudência e temperança e o Dia nasce sempre mais belo aos meus olhos Apaixonados e cheios de estima.
De Nampula, Moçambique, para o ROL, Bruno Marquês Areno!
Bruno é um jovem escritor moçambicano, cujos textos são forjados pelo olhar crítico de seu país e dos sentimentos humanos!
Bruno Marquês Areno
Bruno Marquês Areno, 25, nasceu nasceu Nampula, Moçambique, e cresceu entre Namapa e Pemba, experiências que moldaram o seu olhar crítico sobre a diversidade cultural do norte do país.
Estreou na literatura em 2022 com fotografias feitas à Letras, tornando-se o primeiro estudante da Universidade Rovuma a publicar um livro.
É autor de ‘Diário de um Inútil’ e coautor de diversas antologias nacionais e internacionais.
Publica artigos, resenhas e textos literários em revistas e jornais culturais, com destaque para o Clube de Leitura Olhar Literário. Atua também como tradutor literário para a língua emakhuwa.
Fundador do Clube de Leitura Olhar Literário e co-fundador do Grupo de Escritores de Nampula, desenvolve trabalho ativo de promoção da leitura.
Recebeu o título de Doutor Honoris Causa e é Embaixador Cultural Brasil–África pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA.
Bruno inicia sua jornada ROLiana com o texto A guerra e o riso, um conto sensibilíssimo sobre a insanidade das guerras, geradas muito mais por um grupo de políticos e militares do alto escalão, do que pelos soldados, doutrinados a odiar àqueles que não conhecem e contra os quais não têm motivo para odiar.
A guerra e o riso
Imagem criada por IA do Grok, em 08 de janeiro de 2026, às15:30 PM (https://grok.com/imagine/post/65d74ee2-71a2-485b-8bd8-266f2e7c303f)
O galo despertou, mas não cantou, talvez tivesse esquecido a melodia, ou talvez apenas não visse motivo para anunciar o dia, e o sol, que de costume se apressa a rasgar o horizonte, nasceu também, é verdade, mas recusou-se a brilhar, como quem, de olhos ainda entreabertos, desconfia do que vai encontrar. Não havia nuvens no céu, tampouco vento, e o ar, imóvel, parecia suspenso entre o que foi e o que viria a ser, como se o próprio mundo hesitasse diante daquilo que os homens chamam de dever.
E foi nesse cenário sem cor, nesse silêncio espesso, que dois jovens soldados se levantaram. De batalhões diferentes, de pátrias inimigas, mas de idades tão próximas que poderiam ter partilhado o mesmo berço se o acaso fosse menos cruel, levantaram-se sem saber por quê, porque o comando, esse verbo de ferro, não se discute, apenas se cumpre, e quem o inventou sabia que o medo obedece melhor do que a razão.
Ergueram as armas, que são o prolongamento da vontade alheia, e marcharam, um na direcção do outro, como se o chão, cansado de tanta marcha, já soubesse de antemão que o peso que o pisa logo se deitaria sobre ele. Nunca se viram, nunca partilharam o pão, nunca beberam da mesma água, e, no entanto, iam tirar um ao outro a vida, não por rancor, mas por obediência, o que talvez seja uma forma mais triste de matar.
E havia, por trás deles, dois velhos, não importa seus nomes, pois são sempre os mesmos, dois velhos que se conhecem, se odeiam, e por isso mandam meninos morrerem no lugar de suas mãos trêmulas e suas consciências gastas, dois velhos que se detestam mas que nunca se matam, porque o ódio dos poderosos é covarde, precisa de intermediários.
O primeiro tiro partiu, atravessou o ar e acertou um dos rapazes, e o som, pequeno, perdeu-se logo, como se o próprio eco tivesse vergonha. O segundo tiro veio em seguida, resposta sem pensamento, e o outro caiu também, de cócoras, olhando o chão húmido como quem pede explicação à terra. Ficaram assim, frente a frente, dois corpos ainda quentes, dois corações diminuindo de ritmo, dois olhares que, mesmo na morte, procuravam entender o motivo do que haviam feito.
Clamaram por ódio, e o ódio não veio, chamaram pela raiva, e a raiva não respondeu, restou-lhes apenas o espanto, o espanto de perceberem que não eram inimigos, que nunca tinham sido, e que apenas obedeciam ao mesmo medo, à mesma voz que sopra ordens e apaga nomes.
O primeiro que atirou, se é que isso importa, esboçou um riso, um riso leve, torto, quase uma desculpa, e o outro, antes que o escuro o tomasse por inteiro, devolveu-lhe o riso, e assim ficaram, dois meninos sorrindo no campo de guerra, dois homens que só se reconheceram quando já não havia mais tempo para se apresentarem.
Depois disso o vento voltou, tímido, como quem pede licença para existir, e o sol, talvez envergonhado, decidiu iluminar o que restava. A terra, fiel como sempre, recebeu o sangue dos dois sem distinção, misturando-o num só vermelho, porque a terra, ao contrário dos homens, não tem bandeira.
De Tupã (SP) para o Jornal ROL, Márcio José Zacarias!
Um educador-escritor, Márcio José Zacarias, com o giz e o teclado, ensina crianças e adultos a pensarem e sentirem!
Márcio José Zacarias
Márcio José Zacarias, natural de Tupã (SP), conhecido no meio literário pelo pseudônimo Arthur Souto, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a arte e a palavra como instrumento de transformação social.
Possui formação multidisciplinar, sendo graduado em Pedagogia, Letras, Artes, Educação Física e História, além de especializações em Alfabetização e Letramento, Neuropsicopedagogia, Matemática, Educação Inclusiva e Produção Textual. Ao longo de sua carreira, atuou na Educação Infantil, no Ensino Superior e, atualmente, é professor efetivo do Ensino Fundamental I pelo Estado de São Paulo e pela Prefeitura Municipal de São Paulo.
Como escritor, Arthur Souto é autor de diversas obras que transitam entre a literatura infantil, a poesia e o romance, com destaque para Pé de Menina, A Fada do Pix — vencedora do Prêmio Ecos da Literatura 2024 como melhor livro original —, O Tumbeiro — eleito Melhor Romance de 2024 pelo Prêmio Book Brasil e finalista do Prêmio Pluma de Ouro—, Minha vida em versos e flores, Tonha, a Barraqueira, além de participações em diversas antologias.
Seu trabalho literário e educacional já lhe rendeu homenagens pela Câmara de Vereadores das cidades de Tupã e Sorocaba. É membro da Academia Independente de Letras e da NAISLA – Núcleo Accademia Italiano di Scienze, Lettere e Arti, além de colaborar como escritor da Revista Adupé.
Márcio José Zacarias acredita na palavra como ponte entre saberes, emoções e realidades. Em seus textos, transforma experiências humanas em sentimento, crítica e poesia, oferecendo ao leitor uma visão sensível, profunda e única do mundo. Para além do educador e escritor, é pai dedicado de Juninho e Arthur e avô orgulhoso da pequena Maria, suas maiores inspirações.
Márcio se apresenta aos leitores do ROL com poema regionalista ‘Cordel das Mulheres Brasileiras’
Cordel das Mulheres Brasileiras
Cordel das Mulheres Brasileiras
No canto dessa viola Eu venho aqui declamar, A força das brasileiras Que o mundo vive a admirar. Mulheres que são coragem, Raiz, futuro e luar.
Começo por Carmelita, Mulher de fibra e valor, Que faz da vida batalha E vence seja onde for. Seu passo firme ensina Que o medo não vence o amor.
Ionete segue ao lado, Com seu jeito decidido, Feita de riso e de luta, De afeto bem repartido. É daquelas que, no tropeço, Levanta e segue o caminho.
Isabel é luz acesa, É mapa, é direção; Tem palavra que aconchega E firmeza no coração. Onde ela pisa brota força, Onde ela fala há razão.
Sheila é vento valente, Tempestade que constrói. Não se curva ao impossível, Não aceita o “depois”. Se o mundo fecha janelas, Ela mesma as abre e repõe.
E Maria… ah, Maria, Nome que o Brasil carrega, Presente em cada esquina, Em cada história que alegra. Maria que é mãe, é filha, É raiz que nunca nega.
Mas não paro por aqui, Pois a lista é sem fim: Tem Dandara guerreira, Tem Chiquinha no bandolim, Tem Zélia, Ruth e Carolina, Escrevendo o país assim.
Tem Anita que foi soldado, Tem Tarsila que fez cor, Clarice que fez mistério, Nise que plantou amor. Cada uma abriu estradas Pro Brasil ser o que for.
Mulheres da feira e da roça, Da sala e do batente, Mulheres que guiam a vida Com mão firme e alma quente. Mulheres que levantam outras E seguem sempre em frente.
Por isso faço estes versos Com honra e gratidão: A todas que vieram antes E às que ainda virão. Se o Brasil tem esperança, É no pulso de cada mulher, É no brilho que elas carregam, É no mundo que elas querem.
E que o cordel se espalhe Em cada canto e lugar: Mulher é força que move O tempo, o sonho e o mar. E quem aprende com elas Jamais deixa de lutar. Márcio José Zacarias
Eduardo Martínez, sempre “com um sorriso permanente nos lábios¨, é um premiado escritor carioca, atualmente radicado em Porto alegre, cidade pela qual é apaixonado. Seu primeiro livro, o romance ‘Despido de ilusões’, 2004, figurou entre os mais lidos do Centro Cultural Banco do Brasil.
Em 2025, foi o vencedor do Prêmio Literário Clarice Lispector, na categoria livro de contos com ’57 Contos e crônicas por um autor muito velho’, que saiu pela Joanin Editora.
Seus contos e crônicas, que já ultrapassaram a incrível marca de 1.000 publicações, são utilizados por escolas no Rio de Janeiro, em Brasília e em Brodowski-SP. É cronista/contista do jornal Notibras (https://www.notibras.com/site/) e do Blog do menino Dudu (https://blogdomeninodudu.blogspot.com/).
Divide a editoria Café Literário do Notibras com o poeta e escritor Daniel Marchi e a jornalista e poeta Cecília Baumann.
Eduardo estreia como colunista do ROL com a saborosa crônica ‘O pai do rock foi um péssimo caçador’.
O pai do rock foi um péssimo caçador
Eduardo Martínez e o amigo Márcio Petracco. Foto por Irene Oliveira
Um dia desses, quando estava jogando conversa fora com o meu amigo Marcio Petracco lá no cachorródromo do Tesourinha, aqui na aprazível Porto Alegre, eis que ele diz algo que me deixou com um monte de pulgas atrás da orelha: “Dudu, o pai do rock and roll foi um péssimo caçador lá das savanas africanas”.
A princípio, imaginei que o meu amigo estivesse digerindo mais uma ressaca, até que ele prosseguiu com a sua tese de doutorado ao longo de mais de 40 anos de virtuose sobre os palcos da vida. Eu, um mero apreciador de música, decidi prestar atenção na fala do Marcio, mesmo porque estava com aquela tarde livre. Afinal, artista mais que tarimbado, o meu amigo entende muito mais de música do que eu.
— Dudu, o lance é o seguinte. Saca berimbau?
— Sim, sei o que é. Aquele instrumento usado na capoeira.
— Exato! Tire a cabaça. O que dá?
— Um arco?
— Sim, muito bem, meu garoto!
A tal tese do Marcio era sobre o berimbau ter surgido de um arco e flecha. Faz sentido, pelo menos para mim, logo que o meu amigo me disse que o primeiro instrumento de cordas nasceu depois que um caçador, aquele mesmo lá das longínquas savanas africanas, estava caçando, digamos, um antílope. Eis que ele erra o alvo, mas se surpreende com o som da corda, a única corda, que ecoa em seus ouvidos privilegiados.
Pois bem, para tornar a história mais interessante aos meus ouvidos, eis que o Marcio alcunhou aquele caçador malsucedido de Sol, uma das sete notas musicais. E lá estava o Sol, curioso como ele só, quando começou a tocar a corda do seu arco e flecha. Toca daqui, toca dali, começa a tirar ritmos e sons diversos, até que, usando sua capacidade criativa, resolve colocar a corda entre os lábios. Ele se surpreende com o som que ecoa por sua cavidade bucal.
Provavelmente o nosso amigo caçador precisava comer para sobreviver. Não dava para ele viver apenas de música. Isto é, até que um outro caçador, este muito bem-sucedido, gostou daqueles sons tirados pelo Sol. Vamos apelidar esse grande caçador de Talib.
De tão bom caçador que era, Talib resolveu fazer um banquete para todo o povoado. Obviamente que precisava de música para o rega-bofe. Então, o Talib chamou o Sol, que, a essa altura, já havia incrementado seu arco com uma cabaça. Estava criado o berimbau!
O sucesso foi tamanho, que a notícia daquela festança correu toda a savana africana. Sol ficou tão famoso, que a linda Zuri se interessou por ele. Casaram-se e tiveram seis filhos; Dó, Ré, Mi, Fá, Lá e a pequena Si.
O Marcio disse também que o nosso querido Sol deve ter incrementado seu berimbau com mais uma corda. Depois com três, quatro e assim por diante. E, se não foi o Sol, com certeza foi algum dos seus descendentes. Seja como for, o fato é que todos os instrumentos de corda são herdeiros do arco e flecha daquele péssimo caçador de antílopes lá das longínquas savanas africanas.
Confesso que gostei tanto da teoria do meu amigo, que hoje em dia não consigo ouvir Johnny B. Goode sem imaginar o velho Sol animando toda aquela gente há milhares de anos lá na África. Se isso aconteceu dessa maneira, não posso afirmar. Mas tenho certeza de que o Marcio, além de músico fantástico, é um excelente contador de histórias. Ele inclusive me confessou: “Dudu, isso que te contei não está documentado, mas é baseado em causo venéreo”.
Jarquín é um poeta que se distingue por um profundo e constante compromisso com a valorização da diversidade cultural e a promoção da integração global
Carlos Javier Jarquín
Carlos Javier Jarquín, 35, natural de Rancho Grande, município do Departamento de Matagalpa, república da Nicarágua, é escritor, poeta, colunista, gestor cultural, compilador e produtor musical nicaraguense radicado na Costa Rica.
Seus artigos foram publicados em diversos meios de comunicação impressos e digitais, tanto nacionais quanto internacionais.
A obra e as atividades culturais de Jarquín se distinguem por um profundo e constante compromisso com a valorização da diversidade cultural e a promoção da integração global. Em seu trabalho editorial, destaca-se como compilador de duas antologias de grande relevância, disponíveis ao público por meio da plataforma Amazon: Antologia do Bicentenário da América Central (Ayame Editorial México/EUA, 2021) e Canção Planetária: Irandade na Terra (H.C Editores, Costa Rica, 2023).
É este Irmão das Letras latino-americano, com uma visão universalista, que o Jornal ROL tem o prazer de apresentar aos leitores.
Jarquín inaugura sua colaboração ROLiana com o texto ‘Em meio ao barulho do mundo, esquecemos o essencial’, por meio do qual, registrando que “A vida é uma tela de contrastes, onde cada experiência — dolorosa ou luminosa — nos esculpe com fogo e ternura”, apresenta o livro ‘O Voo do Meu Pôr do Sol’, da poetisa uruguaia Gaby Saltorio (Gabriela Saltorio).
Em meio ao barulho do mundo, esquecemos o essencial
Capa do livro ‘O Voo do Meu Pôr do Sol’, de Gaby Saltorio
A vida é uma tela de contrastes, onde cada experiência — dolorosa ou luminosa — nos esculpe com fogo e ternura. Ela nos define, nos transforma e, em sua fugacidade, nos oferece o mais belo paradoxo: somos eternos enquanto durarem os momentos que ousamos viver. Mas, muitas vezes, em meio ao barulho do mundo, esquecemos o essencial: crescer, amar, nos perder nos mistérios do universo e, acima de tudo, voar sem medo em direção aos nossos sonhos.
Hoje você tem em suas mãos mais do que um livro. É um coração aberto em versos, um pôr do sol transformado em asas. ‘O Voo do Meu Pôr do Sol’, da poetisa uruguaia Gaby Saltorio (n. 1960), não é apenas uma coletânea de poemas; é um mapa de emoções que tecem a geografia humana: amor que queima, ausência que dilacera, esperança que ilumina até a noite mais escura. Gaby não escreve à distância, mas das profundezas de sua vida. Cada palavra é uma batida de coração, cada verso, uma confissão que ressoa no eco de sua própria história.
Quem nunca procurou na Lua por um amor perdido? Em ‘Espera Impaciente’, a autora clama: “Você sempre foi quem me deu confiança, quem silenciosamente e sem preconceitos me aceitou como sou… só você conhece meu interior”. Não há metáforas vazias aqui; há uma verdade nua e crua, daquelas que machucam e curam ao mesmo tempo.
Quem nunca tentou sobreviver à distância? Em ‘Amor à Distância’, o poema atinge com a dureza da realidade: “Sua partida apagou as estrelas… meu mundo agora é um céu sem Lua.” Mas Gaby não se limita a lamentar. Como um farol na tempestade, seus versos também clamam: Viva! Em “Gritos Silenciosos”, ela desafia o mundo e seus preconceitos: “Não deixe que o que as pessoas dizem te impeça… Aceite o presente da vida, mesmo que chegue tarde!”
Meus queridos, tenho absoluta certeza de que em ‘O Voo do Meu Pôr do Sol’, que Gaby nos entrega nesta bela prosa poética, sua mensagem tocará nossas almas e nos fará refletir sobre diferentes perspectivas da vida. No entanto, o convite claro em cada página deste livro é para ser feliz. Com este livro, os jovens aprenderão que devem viver a vida ao máximo, ousando expressar seus sentimentos e não os deixando para depois, pois o “depois” acabará nos decepcionando. A mensagem para os adultos é que, antes que o pôr do sol se despeça, eles devem ser felizes. Eles são convidados a olhar para o passado com um leve sorriso no rosto.
Em suma, nesta obra, a autora capturou a essência dos sentimentos que vivenciou nos voos irregulares de sua vida.
Convido você a adquirir outros livros de Saltorio, nos quais provavelmente você também explorará poesias sobre temas delicados que todos nós vivenciamos como seres humanos, onde cada um os aprecia da melhor maneira possível em seu próprio universo. Você cortará minhas asas, jamais meus sonhos (2021) e Asas da Liberdade (2023). Lendo esta poeta uruguaia, você poderá compartilhar aquelas emoções que, às vezes, conseguem despertar memórias que pareciam perpetuamente anestesiadas.