Grupo Cultural Águia Nordestina celebra tradição e ancestralidade
Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno participa do encontro ‘Maluguinho na Mata é Rei’
Foto: Assessoria de Imprensa
No dia 6 de setembro de 2026, foi realizada, na Mata do Salu, em Moreno (PE), a celebração de um momento sagrado de fé, tradição, história, cultura e ancestralidade: o encontro “Maluguinho na Mata é Rei”.
O evento contou com a participação da constelação de reis e rainhas do Grupo Cultural Águia Nordestina de Bacamarteiros de Moreno, que apresentou um verdadeiro bálsamo das tradições do bacamarte, sob a gestão do ilustre presidente Reginaldo Alfredo.
A culinária nordestina também trouxe um tempero especial ao encontro, contribuindo para fortalecer a consciência de pertencimento e identidade.
O evento constituiu, ainda, um importante registro e contribuiu para o reconhecimento e o enriquecimento do patrimônio histórico e das tradições culturais do Nordeste brasileiro.
‘Amantes da Beleza‘ é um poema popular do poeta folclórico Ahmed Ben Triki (1650-1750), da província de Tlemcen:
Ó amantes da beleza, ajudem-me, meu coração está triste.
Minhas faces estão feridas por lágrimas que fluem constantemente.
O fogo da separação foi aceso em meu coração, e o abandono continua.
Ó minha saudade, meu coração se curou de dizer não…
Esta beleza requintada, como alguém pode ser feliz com ela?
Não há ninguém como você, esbelta e graciosa.
Seu amor é inexpugnável para seu amado, aflito e angustiado.
Ó minha saudade, meu coração se curou de dizer não.
Essas pessoas me invejavam por meu amor por você, ó ramo do desespero, murcho pelo sono.
Seus olhos são como os olhos de uma gazela.
Todos que mediram minha beleza desconhecem a lua.
Ó minha saudade, meu coração se curou de dizer não.
A questão do amor é grande, minha paciência se esgotou, meu coração está sempre perturbado.
Nesta opressão, seu dono jamais encontra consolo.
Seja misericordiosa com a submissão. Escrevi um contrato com a caligrafia da justiça.
Oh, meu anseio, meu coração se curou de dizer não.
Não, não, você é a mais bela das luas, sua beleza consome vidas em todas as terras.
Não há ninguém como você, Haifa Zaabala. Minha mente voou.
Ninguém se assemelha ao meu amor.
Oh, meu anseio, meu coração está contente por dizer não.
Sua figura é um galho esguio, uma verdadeira tentação para as pessoas.
Sua face é uma rosa em um jardim murcho, cintilante. Que jardim reúne.
Suas sobrancelhas são afiadas como navalhas.
Oh, meu anseio, meu coração está contente por dizer não.
Seu pescoço é um pescoço radiante, como se fosse uma maçã presa na estreiteza.
Seus lábios são de ágata e seu peito é um rubi flamejante.
Seus cabelos são escuros e sua testa tem uma lua brilhante.
Oh, meu anseio, meu coração se contenta em dizer não…
Sobre o poeta
Ahmed Ben Turki nasceu em Tlemcen, na Argélia Otomana, em 1650, filho de pai turco e mãe árabe. Pertencia aos Kouloughlis, um grupo predominante em Tlemcen.
Começou a escrever poesia ainda jovem, tendo como professor o poeta folclórico Said Al-Mandasi.
Ahmed Ben Turki é considerado um dos grandes nomes da famosa poesia Hawzi de Tlemcen. É descrito como “a ode da primavera e do amor”, assim como outros poetas famosos de Malhoun, como Boumediene Bensahla e Mohamed Ben Messaib.
Sua poesia é uma fonte de informação sobre os costumes da época, o estado de espírito e o desenvolvimento da língua durante esse período.
Ben Turki foi expulso da cidade de Tlemcen a pedido de algumas famílias Kouloughli. Ele exilou-se na região de Beni Yeznasen.
Durante esse período de exílio, escreveu muitos poemas para expressar a dolorosa separação de sua terra natal, e este poema é um dos mais importantes. “Amantes da Beleza” já era conhecido antes da Revolução Argelina, na década de 1950, quando o grande artista Ahmed Wahbi o reviveu a pedido do poeta Abdelkader El Khaldi, que acreditava ser um poema que deveria ser cantado e revivido.
Ele o imortalizou em um dos maiores clássicos da música de Oran, tornando-o uma das canções mais famosas do patrimônio argelino. Essa canção foi frequentemente revivida em diversas ocasiões após a revolução e tornou-se uma das mais famosas associadas ao grande artista Ahmed Wahbi, juntamente com “Oran, Oran”, “Por Que Você Me Culpa?”, “Yamina” e “Sela, Cavaleiro do Tapa”.
É uma canção folclórica popular, não Raï, e a mais famosa versão foi feita pelo falecido artista Omar Zahawi. Entre aqueles que a reviveram, estavam o artista Mohamed Taher Fergani na década de 1990 e o artista Salim Chaoui em 2022, em memória do falecido Ahmed Wahbi.
No Rio de Janeiro, para comemorar a data, no dia 20 de agosto, houve algumas atividades na cidade, dentre elas: palestra intitulada A MAÇONARIA NA PROSA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX, do cunhado Jorge Eduardo de Magalhães, pela Academia Luso-Brasileira; Sessão Solene na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Pedro Duarte já há quatro anos; e a palestra com o tema O que a Maçonaria não é, do cunhado Frederico Amitrano, no Balaio das Artes.
Depois de uma manhã imersa na Segunda Fase do Modernismo, assistindo às apresentações de trabalhos sobre Cecília Meirelles, Drummond, Ferreira Gullar, Graciliano Ramos, Josué Montello…, cheguei ao lindo Liceu Literário Português, em Laranjeiras, para ouvir o que o amigo cunhado Jorge Eduardo (da ARFGBLM Baden Powell VII nº 35 da GLMERJ, membro da Academia Luso-Brasileira de Letras, professor, escritor…) tinha para nos dizer sobre os personagens maçons das literaturas brasileiras.
Mais uma vez, foi exemplar. Em uma hora, apresentou um breve estudo acerca da abordagem da Maçonaria e de personagens maçônicos nas obras de grande escritores brasileiros como Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Olavo Bilac e Pardal Mallet, muitas vezes de forma direta ou mesmo sutil. Fato este que depois de ouvi-lo, pensamos: como nunca percebi isso? Mais uma vez, prova de que esta instituição, a maçonaria, precisa ser compreendida e desmistificada.
Vale ressaltar que embora os autores brasileiros não tenham criado personagens abertamente maçons com frequência, a temática e os ideais da maçonaria influenciaram o contexto histórico no qual as Literaturas Brasileiras foram produzidas, principalmente no período do Império. Escritores como Machado de Assis e Jorge Amado mesmo não sendo comprovado o vínculo como maçons, suas obras e contextos estão relacionados ao ambiente cultural no qual a maçonaria se desenvolveu no Brasil. Sendo assim, no que se refere ao Machado de Assis: trata-se de um dos maiores mistérios das Literaturas Brasileiras.
Não há um documento que comprove a iniciação do escritor. Entretanto, há evidências de que Machado era um profundo conhecedor ou um ‘maçom sem avental’. Obras como Esaú e Jacó, com seus personagens e a tábua de logosofia, são repletos de simbolismo maçônico. Além disso, ele era amigo íntimo de maçons notórios, como o Visconde do Rio Branco.
Depois, seguimos para a Sessão Solene na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Pedro Duarte e organizada pelas lojas: União Escosseza nº 105, Acácia do Lavradio nº 3481, Equidade nº 3954 e Leon Denis 17 nº 4225. Lá, pudemos assistir ao grupo Exaltação ao samba enredo. E, fomos surpreendida pela leitura de um poema intitulado Estranha mulher de autoria da cunhada poetisa Maria Ivone Correia Dias (membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás): “essa mulher estranha, temida e venerada, mil vezes perseguida, vencendo com galhardia, é cidadã do mundo, é a MAÇONARIA”. Sim, teve poesia na solenidade. Lindo poema pode ser lido na íntegra em https://masonic.com.br/trabalho/estranhamulher.html.
E o dia comemorativo finaliza com a instigante palestra O que a Maçonaria não é, noBalaio das Artes. Urge esclarecermos dentre muitas questões de que não se trata de uma seita. Conforme o palestrante Frederico Amitrano (Eminente Grão Mestre do Grande Oriente Maçônico do Brasil no Rio de Janeiro), “sabemos que há muitos mistérios em relação à Ordem Maçônica, o que facilitou a existência de muitas lendas urbanas. Por isso, o objetivo da palestra não foi revelar os segredos da maçonaria, mas desfazer diversos tabus e achismos, como por exemplo, sobre pactos satânicos, enriquecimento imediato etc”. Assim, a palestra fez um belo passeio histórico sobre a maçonaria até os dias atuais.
Por fim, este dia foi muito proveitoso. Momentos propiciados para se pensar o que é a maçonaria e o papel social do maçom. De acordo com o Grande Oriente do Brasil (GOB), (a mais antiga instituição maçônica brasileira), maçonaria é uma “instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista” cujos membros professam os princípios de igualdade e de fraternidade. Seu objetivo é “a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes”. Tem como princípio basilar: Deus, pátria e família. Por essa razão, os maçons devem ser motivados por suas esposas a ser assíduo às sessões da sua loja e motivá-las a participar da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul. Trata-se de uma Associação Civil Paramaçônica Feminina não iniciática, sem fins lucrativos, vinculada ao GOB e criada pela Constituição do GOB de 1967.
Caro cunhado (a), divulgue e desmistifique a maçonaria. Incentive a ser maçom ou fraterna. Urge um mundo livre, igualitário e fraterno!!!
Prêmio Mceys valoriza ações que transformam a sociedade
Em sua 12ª edição, o evento destaca o impacto da Inteligência Artificial e homenageia o escritor Márcio José Zacarias
Card do Instituto de Produção Cultural Maceys
Criado em 2014, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil consolidou-se como uma das mais respeitadas honrarias socioculturais do país. Realizada anualmente no mês de setembro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, a solenidade reúne representantes da sociedade civil, artistas, educadores, empresários, líderes comunitários, voluntários e profissionais de diversas áreas.
Organizado pelo Instituto Mceys, o evento sociocultural não possui fins lucrativos nem caráter competitivo. Sua proposta é reconhecer pessoas que, por meio de suas atividades profissionais, culturais ou sociais, desenvolvem ações fundamentadas na solidariedade, na fraternidade, no respeito e no compromisso com o bem coletivo.
A cada edição, um tema diferente é escolhido para orientar as reflexões e homenagens. Ao longo de sua trajetória, o prêmio já promoveu debates sobre o papel do esporte na inclusão social, a saúde mental diante dos avanços tecnológicos e outras questões urgentes da sociedade contemporânea.
Em sua 12ª edição, realizada em 2026, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil apresenta o tema “Inteligência Artificial e o futuro humano no social”. A proposta é refletir sobre os impactos das novas tecnologias e os desafios de preservar a ética, a sensibilidade, a igualdade e as relações humanas em uma sociedade cada vez mais conectada.
A edição de 2025 entrou para a história da premiação ao homenagear 250 pessoas em uma única noite. Profissionais, líderes comunitários, empresários, voluntários e cidadãos comprometidos com a transformação da realidade brasileira receberam o reconhecimento por suas trajetórias e contribuições sociais.
Mais do que uma cerimônia de entrega de troféus, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil também mantém um importante compromisso solidário. Durante o evento, são arrecadados alimentos não perecíveis, posteriormente destinados aos oito núcleos de apoio assistencial mantidos pelo Instituto Mceys em São Paulo. A iniciativa demonstra que o reconhecimento público pode caminhar ao lado de ações concretas de solidariedade.
Entre os homenageados da edição de 2026 estará o escritor e educador Márcio José Zacarias, conhecido no meio literário como Arthur Souto. O autor registra um agradecimento especial a Shirley Poetisa da Luz, responsável por sua indicação ao prêmio e por reconhecer sua trajetória dedicada à educação, à literatura e à cultura.
Para Manoel Henry Moreira, presidente fundador do Instituto Mceys, a essência da premiação está na valorização das pessoas e de suas ações:
“O Prêmio Mceys Qualidade Brasil tem um propósito: igualdade. Ele não é uma competição e não está ligado à parte técnica. Para esse tipo de evento, temos o Festival Mceys Meritus Cultural. O foco do Prêmio Mceys Qualidade Brasil é o ser humano. Não é sobre ter, é sobre ser e fazer o bem. O propósito é despertar em cada pessoa as suas ações de valores de vida, bem como o espírito de irmandade, de caridade e de amor.”
Ao chegar à sua 12ª edição, o Prêmio Mceys Qualidade Brasil reafirma sua missão de reconhecer pessoas que transformam suas experiências, talentos e profissões em instrumentos de contribuição para a sociedade. Em um tempo marcado pelo rápido avanço tecnológico, a premiação recorda que o futuro somente terá sentido se continuar orientado por valores essencialmente humanos.
‘Maestra rural: un testimonio de la ternura encarnada‘
Hermógenes L. MoraMadia Gisselle Morales Soza
Madia Gisselle Morales Soza (Santo Tomás, Chontales, Nicaragua) es maestra en Didácticas Específicas con especialidad en Didáctica de la Lengua y posgrado en Gestión y Calidad de la Educación. Labora en la Universidad Nacional Autónoma de Nicaragua, Managua. (CUR Chontales).
Su pasión por la literatura le nació desde la infancia. Su escritura integra poesía, narrativa y ensayo. En su quehacer también practica la escritura académica.
Ha participado en diversas antologías poéticas junto a autores nacionales e internacionales. Asimismo, se ha desempeñado como correctora de textos y ha prologado obras de escritores contemporáneos. Su escritura se distingue por la sensibilidad, la reflexión y el compromiso con la palabra.
La profesora y poeta chilena Gabriela Mistral escribió un poema en el que ella misma se siente protagonista de la historia relatada a través de sus versos. En el poema, Gabriela cuenta cómo una maestra rural soporta inclemencias tanto del tiempo como de muchas madres que no saben apreciar su trabajo. En una estrofa que cito a continuación, cuenta cómo una maestra sufre de críticas maliciosas en perjuicio de su persona. Al final describe su afán por enseñar a los niños de la comunidad, y revela que el esfuerzo no ha sido en vano. Cito a continuación la estrofa completa:
Campesina, ¿recuerdas que alguna vez prendiste
su nombre a un comentario brutal o baladí?
Cien veces la miraste, ninguna vez la viste
¡y en el solar de tu hijo, de ella hay más que de ti!
«Yo fui maestra rural», de la poeta y educadora nicaragüense Madia Morales, es un testimonio lírico de altísimo valor humano, histórico y pedagógico. Escrito desde la madurez de la memoria, la voz poética reconstruye su vivencia en las comarcas y comunidades del interior de Nicaragua, articulando una propuesta donde la poesía y la vocación docente se funden en un mismo acto de creación y entrega.
En este escrito se hace presente la poesía testimonial y la lírica de acento cotidiano de Nicaragua, el poema no solo recupera la atmósfera del campo —con sus aromas, su flora, su fauna y su geografía lacustre—, sino que sitúa la experiencia educativa en un periodo de profunda efervescencia y conflicto: la década de los años ochenta. Lejos de la grandilocuencia o la trinchera ideológica rígida, Morales opta por una épica de la ternura, en la que el aula campesina se transforma en un refugio de luz, dignidad y resistencia interior en esta tierra de pólvora y miel.
Historias como las de la poeta Madia hay muchas; es el caso de una chica de nombre Mayra Irina Aguilar (22 años) oriunda de San Juan de Nicaragua. Mayra viaja hasta La Esperanza, un pequeño poblado de la comunidad llamada Delta, situada en el punto de bifurcación donde el río San Juan y el río Colorado dividen sus aguas. No hay acceso terrestre para el transporte, esto se debe a que la zona es pantanosa. En la esperanza, Mayra es la esperanza para la escuelita rural donde imparte multigrado. Aguilar viaja a diario desafiando el peligro, pese a su juventud, su amor por la enseñanza va más allá de soportar largas caminatas y fuertes torrenciales.
Es en honor a todos los maestros rurales que la poeta Madia Morales escribe su canto. Ella misma a sus diecisiete años prestó servicios en la comunidad Puerto Díaz ubicada a unos veintiocho kilómetros de Juigalpa, Chontales y que a la fecha se le conoce como Puerto San José del Lago (San José del Lago) por formar parte de la zona lacustre del gran lago Cocibolca.
A través del análisis del escrito de Madia, de su estructura formal, su riqueza simbólica, su anclaje geográfico e histórico y su tono casi elegíaco, el presente estudio explora cómo el poema trasciende el mero recuerdo personal para convertirse en una definición poética del aprendizaje y en un tributo a la comunidad educativa de las zonas rurales de Nicaragua.
Yo fui maestra rural
Yo fui maestra rural, donde el amanecer olía a leña húmeda, y a tierra bautizada de rocío. Ahí donde las manos laboriosas, hacían florecer el pan en la mesa como una humilde espiga de luz.
Fui maestra en aquellos campos donde el viento aprendía el nombre de los árboles. Ahí donde la práctica enseña que es el amor por los niños lo que cincela la verdadera humanidad.
En aquel diáfano y verde espacio vi cómo la paciencia tiene manos de ternura, y que enseñar a los niños es tocar su alma, como toca la lluvia a la semilla: sin ruido y abundante vida.
Y fui maestra rural en los años ochenta, esos que rugían con su polvo de guerra y sus horizontes de pólvora. Pero allá, entre los maizales, los potreros y el canto obstinado de los zanates, la tiza dibujaba pequeños amaneceres sobre la pizarra negra, mientras la infancia encendía su lámpara de sueños.
—Maestra, usted debe alimentarse con sustancia de cabeza de gaspar— me decía una madre, con la sabiduría antigua del lago. Y sin más espera me la servía como quien sirve esperanza en un tazón de barro.
Las veredas recorridas cada mañana, los amaneceres con olor a rocío y a madera, las puertas abiertas, las miradas limpias, la campana de aquella escuelita deshojando el día; los cuadernos donde florecían las letras adornadas de versos; todo ello fue modelando mi destino como el río pule la piedra o como el alfarero acaricia el barro con paciencia.
Enseñar es sembrar luciérnagas en la noche de los otros, es dejar un poco de sol en unas manos pequeñas, es aprender, mientras se enseña, el antiguo oficio de amar la vida.
Análisis del poema
En la tradición lírica nicaragüense, la memoria histórica suele vestirse de épica, épica de trinchera o de manifiesto político. Sin embargo, en «Yo fui maestra rural», la profesora Madia Morales realiza un gesto radical: desplaza el eje de la narrativa de los años ochenta desde el estruendo bélico hacia la quietud germinal del aula campesina. No niega el conflicto —los «horizontes de pólvora» y el «polvo de guerra» están ahí como un trasfondo insoslayable—, pero decide oponerle la «tiza dibujando pequeños amaneceres». Hay en este escrito una ética de la resistencia que no se fundamenta en las armas, sino en el acto cotidiano de nombrar el mundo.
Es un texto de una enorme delicadeza humana y un profundo arraigo histórico e identitario. configurado en verso libredistrófico (estrofas de desigual número de versos, desde tercetos hasta estrofas de nueve versos). No busca la rigidez de la métrica clásica ni de la rima consonante, sino que encuentra su ritmo en la cadencia natural del habla campesina y lírica.
Desde el punto de vista del desarrollo simbólico, el poema establece una profunda dialéctica entre la naturaleza y la técnica artesanal. La labor docente no se concibe como una imposición doctrinaria ni como un ejercicio vertical del saber, sino como un proceso de moldeado orgánico: el alfarero que acaricia el barro, el río que pule la piedra, la lluvia que toca a la semilla «sin ruido y abundante vida». Es una pedagogía del asombro y de la escucha. El docente no es un emisor absoluto, sino un sujeto transformado por la comunidad que lo acoge.
Este diálogo se materializa de manera soberbia en la estrofa del tazón de sopa de gaspar. La inserción de la voz popular:
—«Maestra, usted debe alimentarse…»— no solo territorializa la lírica en la cuenca del Cocibolca y la geografía lacustre, sino que subvierte la jerarquía del conocimiento: el saber ancestral del pueblo nutre al educador. La comida servida en barro es metáfora de la comunión, donde la hospitalidad campesina se convierte en la más alta forma de la dignidad. La entrega de la sopa simboliza la comunión entre la comunidad rural y la maestra.
Estructuralmente, Morales opta por un verso libre de ritmo pausado, sustentado en la anáfora reiterativa del pretérito (Yo fui… / Fui… / Y fui…). Esta construcción no responde al mero capricho formal, sino a la cadencia del testimonio oral, de quien se sienta a rememorar junto a la leña. La musicalidad fluye sin la rigidez de la métrica clásica porque busca parecerse al cauce natural del habla cotidiana, elevándola a categoría poética mediante imágenes de altísimo vuelo sensorial (el olor a leña húmeda, el viento aprendiendo el nombre de los árboles, la campana deshojando el día).
«Yo fui maestra rural» trasciende el marco de la autobiografía para convertirse en un tratado de filosofía pedagógica. Madia Morales nos recuerda que la verdadera educación es un oficio de penumbra y destello: «sembrar luciérnagas en la noche de los otros». En un entorno donde la historia amenazaba con devorarlo todo, el poema rescata la infancia como el territorio sagrado donde la luz todavía es posible. Transforma la memoria de la educación rural en una epopeya cotidiana. Logra un equilibrio formidable al contraponer el estruendo de la guerra con la ternura silenciosa del aula campesina, dejando como mensaje final que enseñar no es transmitir datos,
Es, en última instancia, una obra de una profunda honestidad lírica, que rechaza el panfleto para abrazar la dimensión más perdurable de la poesía: el antiguo y silencioso oficio de amar la vida.
O traje tradicional é o conjunto de vestimentas que os argelinos herdaram e preservaram de geração em geração. É usado principalmente em ocasiões como feriados, casamentos e cerimônias de circuncisão. O traje tradicional autêntico é considerado um elemento cultural que destaca o apego do indivíduo argelino à sua identidade e herança, profundamente enraizadas em sua civilização. Podemos distinguir estilos urbanos da capital e seus arredores, os do leste, em torno de Constantina e Annaba, e os do oeste, em torno de Oran e Tlemcen. Finalmente, existem estilos rurais de uma vasta região, incluindo a Cabília, as Montanhas Aurès, o Atlas Saariano, as Montanhas M’zab e o profundo Deserto do Saara.
O Caftan Argelino
🔶O Caftan: Uma túnica ou capa longa que chega aos joelhos, com mangas largas e compridas que chegam aos cotovelos. É usado sobre outras roupas e varia de pessoa para pessoa e de região para região em termos de bordados e trabalhos manuais. Anteriormente, era usado exclusivamente por príncipes e sultões, mas tornou-se acessível ao público em geral durante o período otomano e ganhou popularidade entre os argelinos. Hoje, é usado tanto por homens quanto por mulheres, e existem estilos específicos para mulheres. O caftan argelino surgiu na Argélia como resultado da disseminação do Islã, particularmente durante o período otomano, e não fazia parte do patrimônio cultural argelino antes disso. O caftan argelino permanece como traje tradicional em algumas cidades argelinas, incluindo Tremecém, Argel, Orã e Blida.
O Haik
🔶Haik: O haik é usado por mulheres na região central da Argélia, na capital e arredores (Boumerdès, Tipaza, etc.), e em cidades como Boussaada, Laghouat e Ghardaïa, onde é chamado de “qambouz”. Também é usado no oeste da Argélia (Tlemcen, Oran, etc.), onde é frequentemente chamado de “ksa” ou “ksa” (sem o hamza final), pois os argelinos tendem a omitir o hamza final em sua fala, seguindo sua regra de suavizar o som.
O Burnous
🔶Burnous: O burnous pode ser considerado uma vestimenta nacional. É um casaco folgado e sem mangas que cobre a cabeça e é feito de lã. Apresenta-se em vários estilos, desenhos e bordados, especialmente os usados por mulheres.
🔶 Qashabiya: Semelhante em conceito ao burnous, mas possui mangas e é feito de lã branca ou marrom.
🔶 Gandoura_de_Constantina: A gandoura de veludo, bordada com fios de ouro, é usada por mulheres em Constantina durante casamentos e cerimônias de circuncisão. É comumente chamada de “gandoura de Constantina” ou “gandoura Fergani”, em homenagem à família Fergani, pioneira na alfaiataria em Constantina. Esta gandoura é uma peça essencial do enxoval de uma noiva de Constantina. Trata-se de um vestido longo de veludo, sem gola e com mangas removíveis. Suas origens remontam à fusão cultural que a antiga cidade de Constantina testemunhou ao longo dos séculos. É bordada com fio de ouro utilizando a técnica “Majboud”. Esta peça, que tradicionalmente se limitava à cor bordô escuro, passou por diversas transformações, principalmente em termos da variedade de cores e estilos de bordado. As noivas agora podem escolher entre tons de verde, azul índigo e roxo.
A confecção desta gandoura requer o cumprimento de algumas regras específicas. Um desenho deve ser escolhido e colocado sobre couro curtido. O desenho é então gravado no couro e colado no lugar. A etapa final é o bordado com fio “Majboud”. Este bordado, que normalmente consiste em motivos como rosas, borboletas e pássaros, cobre toda a gandoura, dependendo do gosto pessoal. A gandoura tradicional de Constantino, que pode levar até um ano para ser confeccionada, distingue-se pelo seu design em três partes, conhecido localmente como “kharatat”. Esta é a única maneira de se obter a ampla abertura (estreita na parte superior e larga na parte inferior). As mulheres de Constantino usam esta gandoura com um cinto feito de moedas de ouro de valores variados, chamado “mahzma al-louiz”.
🔶 Malásia: Este é um véu feito de uma única peça de tecido que a mulher usa ao sair de casa. Geralmente é usado em conjunto com um niqab (véu facial).
GURI tem 60 mil vagas remanescentes e matrículas já estão abertas. Há cursos de canto e instrumentos, para crianças a partir dos 6 anos de idade até adultos. Não precisa ter experiência e é tudo gratuito
Aluno de violino do GURI. Foto de: Bruno Fernandes.
O GURI, Programa de Educação Musical da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, abriu no dia 24 de julho as matrículas para o segundo semestre de 2026. O programa oferece 60 mil vagas em 634 polos de ensino na capital, na região metropolitana, no interior e no litoral do estado. São cursos de canto e instrumentos, nos repertórios popular e erudito, sem exigência de conhecimento musical prévio. Para consultar onde tem um polo de ensino do GURI e saber mais sobre as inscrições, é só acessar o site souguri.art.br.
O prazo termina no dia 28 de agosto ou enquanto houver vagas. O registro deve ser feito presencialmente no polo escolhido, com o estudante acompanhado por um responsável. É necessário apresentar foto 3×4 recente, comprovante de endereço, RG ou certidão de nascimento do aluno, RG do responsável e o comprovante de matrícula ou declaração de frequência escolar.
“O GURI é uma política pública de formação musical e desenvolvimento humano que amplia o acesso à cultura em todas as regiões do Estado. Por meio dos cursos gratuitos, crianças, adolescentes, jovens e adultos têm a oportunidade de aprender canto ou instrumento, desenvolver novas habilidades e fortalecer vínculos de convivência e cidadania”, afirma Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Parcerias
Para realizar suas atividades, o GURI conta com o apoio e a parceria de muitas empresas e pessoas que acreditam no poder transformador da arte e da cultura.
“O apoio ao GURI reafirma o compromisso da CTG Brasil com a promoção da cultura como instrumento de desenvolvimento humano e inclusão social. Acreditamos que a arte tem o poder de transformar realidades e fortalecer o futuro e, ao investir em crianças e adolescentes, contribuímos para a construção de trajetórias com mais oportunidades.” Anaide W. Aued, coordenadora de Sustentabilidade da CTG Brasil.
“O trabalho da Santa Marcelina Cultura não se traduz apenas em enriquecimento cultural, mas em oportunidade de ascensão social para milhares de jovens. A organização sabe como utilizar a música como instrumento de empoderamento para a vida, oferecendo aos seus jovens a possibilidade de se descobrirem como pessoas por meio da magia dessa arte tão envolvente. Aqui no BofA, somos parceiros da Santa Marcelina Cultura há mais de 15 anos, e temos a oportunidade de apoiar todos os programas oferecidos, incluindo o Guri, a EMESP e o Hospitais Musicais. Seria fantástico ver ainda mais empresas se juntando a um projeto já tão comprovado e tão relevante para tantos jovens.” Thiago L Fernandes, Head de Socioambiental para América Latina, Bank of America.
“Acreditamos que investir em cultura e formação musical também é investir em dignidade, pertencimento e transformação social. O Projeto Guri mostra que grandes projetos nascem quando conseguimos conectar desenvolvimento humano, valorização dos territórios e impacto positivo real na vida das pessoas. É uma iniciativa que dialoga diretamente com o compromisso da Sabesp de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades onde atua”, afirma Samanta Souza, diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp.
Patrocinadores da Santa Marcelina Cultura – O GURI conta com os patrocínios Master: CTG Brasil; Bank of America; Tauste Supermercados; Sabesp; Instituto Motiva; Instituto Ultra; Ultracargo; Ultragaz; Ipiranga; Verzani & Sandrini; Ouro: Vitafor; Via Appia; Arteris; BASF; Prata: Novelis; Caterpillar; MAHLE; Chiesi Farmacêutica; Usina Santa Maria; DM; Sicoob; Citrosuco; Capuani; Grupo Maringá; Valgroup; Santos Brasil; Instituto Center Norte; a|w; Bronze: Cipatex; Maza; Mercedes-Benz; ACIF-Franca; Apoio Cultural: Ipiranga Agroindustrial; Yamaha; Ibiuna Investimentos; Distribuidora Ikeda; Castelo Alimentos; Pirelli; Frisokar; Tegma e Paulispell, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Realização: Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura; Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e Santa Marcelina Cultura.
Para saber mais sobre o GURI, acesse o site oficial.
Para mais informações sobre a Santa Marcelina Cultura, acesse aqui