Professor: profissão perigo?
Renata Barcellos: ‘Professor: profissão perigo?


Desde o início deste ano letivo, tenho presenciado professores ‘desabafando’ em reuniões, intervalos… E o mais preocupante: todos os relatos são de capacitados e centrados. As queixas? Turmas numerosas, desinteresse dos alunos, desrespeito… Ao ouvi-los, veio-me à cabeça um fragmento desta música de Beth Carvalho cantada há décadas:
“Como será amanhã?
Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será como Deus quiser”.
Esta estrofe sintetiza a inquietação e indignação de muitos docentes como eu. Atuo na área da educação desde 92 e nunca vivi e presenciei tamanho caos. Os fatores são diversos como desinteresse, desrespeito, agressões, assédio, má formação profissional …A quem culpar? Ao método de ensino do professor apenas ? Cruel isso, não!?
Desafio o leitor a entrar em uma sala de aula sem estrutura física e/ou sem recursos com 50 alunos e, dentre estes, muitos com autismo, TDH… e conseguir ministrar uma aula motivadora. Em tempos de celular, de aplicativos variados … como concorrer com a tecnologia? Fomos orientados para utilizar ferramentas tecnológicas em aula? A escola e os responsáveis estão preparados para lidar com novas formas de construção de conhecimento? Em tempo, ainda hoje quando se propõe uma aula externa, persiste em considerar isso como passeio. Você, leitor, quais são suas recordações em tempo de escola? Com certeza, uma delas foram as atividades fora dos muros escolares. Recordo-me de todas as aulas externas como aluna ou professora. Experiências enriquecedoras e inesquecíveis. Navegar por outros mares é preciso!!!
Não é só o professor que deve se atualizar. A sociedade precisa se conscientizar. Enquanto não houver qualificação e apoio dos responsáveis, não haverá educação de qualidade. Na contemporaneidade, com tanta exposição, poluição visual como disse Ítalo Calvino, será luta em vão.
Professores estão cada vez mais doentes. Cada um sabe o fardo que carrega na vida pessoal. E ainda, em sala de aula, lidar com indisciplina, desacato…., Quanta sobrecarga!!!
Segundo um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), em 2025, foi “desenhado” um cenário desafiador em sala de aula: altos índices de estresse, ansiedade e depressão. Isso pelo fato de o Brasil enfrentar um recorde de afastamentos de professores, com mais de 150 mil devido a transtornos mentais como depressão e Burnout. A crise de saúde mental na educação, impulsionada por jornadas excessivas e baixa valorização, teve forte impacto, por exemplo, em São Paulo, onde 25 mil professores foram afastados entre janeiro e setembro.
Estatísticas de Afastamentos de Professores em 2025
- Nacional: mais de 150 mil professores afastados por Burnout e Depressão.
- São Paulo (Rede Estadual): mais de 25 mil professores foram afastados entre janeiro e setembro de 2025.
- São Paulo (Rede Municipal): uma pesquisa indicou que cerca de 60% dos professores da rede municipal de São Paulo se afastaram por problemas de saúde nos últimos 12 meses.
- Interior de SP (Regional): cidades como São Carlos e Araraquara registraram 565 licenças médicas por transtornos mentais de janeiro a setembro.
- Tocantins: mais de 1,7 mil profissionais da rede estadual se afastaram por adoecimento mental em 2025.
- Campinas (SP): mais de 3 mil professores afastados por transtornos mentais em 2025.
- Rio de Janeiro (RJ): 25% dos professores licenciados foram por motivos de depressão ou ansiedade. A situação é agravada por assédio e sobrecarga de trabalho.
Principais Causas e Tendências
- Saúde Mental: os transtornos mentais e comportamentais são a principal causa de licenças.
- Diagnósticos Comuns: ansiedade, depressão e estresse, com destaque para a Síndrome de Burnout.
- Fatores de Risco: as causas incluem jornadas de trabalho excessivas, violência escolar, desvalorização profissional, falta de estrutura e grandes números de alunos por sala.
- Cenário de Adoecimento: os dados indicam que o adoecimento é estrutural, com tendência de aumento no número de afastamentos na área da educação.
A partir dos dados apresentados, constatamos que a profissão de professor é uma das mais afetadas por transtornos mentais. No dia 26 de maio de 2025, riscos psicossociais foram incluídos na NR-1, norma que apresenta as diretrizes de saúde no ambiente do trabalho. Após a sua inclusão, o Ministério do Trabalho passa a fiscalizar os riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Isso pode acarretar penalizações, caso sejam identificadas questões como:
- metas excessivas
- jornadas extensas
- ausência de suporte
- assédio moral
- conflitos interpessoais
- falta de autonomia no trabalho
- condições precárias de trabalho
Depois de vivenciar a sala de aula, iniciar mais um ano letivo, ouvir relatos de colegas, cada vez mais ecoa em minha cabeça esta estrofe:
“Como será amanhã?
Responda quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será como Deus quiser”.
O ano letivo de 2026 mal iniciou e nós, professores, já estamos nos questionando: “O que irá me acontecer?” E, pior ainda, pensar na aposentadoria. A reforma retardou a saída de milhares de professores. E há emocional para suportar até “pagar o pedágio”?
“Como será amanhã” diante de tantos fatores apresentados anteriormente? Com certeza, o problema com relação à evasão escolar não está atrelada apenas ao método adotado por quem ensina. Será que todos utilizam os inadequados por serem ultrapassados?
Cabe ressaltar que os tipos de avaliação são diversos. Segundo a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), avaliar não se limita a aplicar provas ou atribuir notas: trata-se de acompanhar o desenvolvimento integral do estudante, identificando avanços, dificuldades e potencialidades. Nesse contexto, há quatro: avaliação diagnóstica, formativa, somativa e autoavaliação. Cada uma possui objetivos e aplicações próprias. Todas têm em comum o compromisso de tornar a aprendizagem mais significativa. Avaliar é preciso!!! Enquanto professora procedo como considero melhor. E, assim, o meu destino será como EU quiser. Abaixo à repressão!!! Viva a liberdade pedagógica!!!
Renata Barcellos
Educação fim de linha
Renata Barcellos: Artigo ‘Educação fim de linha’


Findo o ano de 2025 aposentada na matrícula mais antiga da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Formei-me em 1996 em Português/Francês. São quase trinta anos de ensino de língua materna e estrangeira. Quando iniciei a docência, ministrava aulas em cursos de línguas no município do RJ e, na baixada, especificamente, no Sargento Roncalli. De lá, tenho ótimas recordações de alunos e fiz amigos. Nesse período, dediquei-me a pesquisas. Fui do curso de extensão ao doutorado. Minha prática pedagógica foi sendo aprimorada à medida que eu ia desenvolvendo pesquisas.
Como a palavra “educação” tem origem no latim e se conecta a duas raízes: educare (“criar”, “nutrir”, “alimentar”) e educere (“conduzir para fora”), a etimologia sugere a ideia de guiar o indivíduo para fora de si mesmo, desenvolvendo seu potencial e preparando-o para o mundo. Essa concepção norteou minha prática pedagógica até hoje.
Entretanto, chegar à aposentadoria e ao fim deste ano letivo e constatar o desmonte da EDUCAÇÃO é lamentável. Anos de dedicação, estudo, de práticas inovadoras, matérias, artigos, livros e ebooks publicados para me encontrar em um CAOS: professores doentes, alunos desinteressados, carga horária excessiva, má formação e infraestrutura, assédio moral…
Especialistas alertam que a romantização da docência e a ausência de legislação federal específica criam um cenário de “violência invisível” e impunidade. Isso acarreta o padecimento em massa nas escolas (de todos os envolvidos: do aluno à direção). Na sala de aula, professor se depara com falta de material, desrespeito, muitas vezes, Bullying, a desordem impera. E todos adoecem. Há relato de que o professor passou mal em sala no fim do turno e levou falta por ter saído umas horas antes de findar o horário. Muitas denúncias de assédio moral. A prática vem atingindo “níveis alarmantes”, onde o ambiente escolar TÓXICO está se transformando em um local de adoecimento físico e/ou psíquico.
A sala de aula se tornou um ringue. Vence quem é o mais astuto. Nós, professores, entramos em um campo de batalha, minado. Por mais que organizemos as atividades, jamais poderemos imaginar o que nos acontecerá. Os nervos vivem à flor da pele. Qualquer barulho abala nosso sistema nervoso. Constantemente, estamos “no limite”.
Vale ressaltar que o professor não é um missionário. Somos profissionais! Porém, muitas vezes, ainda a sociedade nos vê como “segunda família”. Impera uma visão romantizada da docência. Isso acarreta um mecanismo de silenciamento. Porque somos “SUPER HERÓIS”. Há uma cultura de que a culpa da violência institucional é nossa. Por quê? A que ouvimos e lemos constantemente: não somos competentes, não temos domínio de turma, não organizamos uma aula motivadora, não construímos o conhecimento, não temos capacitação para lidar com as múltiplas deficiências… Triste realidade! Estamos exaustos! Desmotivados! Abalados!
O Brasil lidera rankings internacionais de violência contra professores (OCDE). O resultado prático é o esvaziamento das licenciaturas (ainda mais com a reforma da previdência) e o aumento exponencial da Síndrome de Burnout. A escola é uma instituição de construção de conhecimento. Não triturador de sonhos. Este local precisa ser frutífero: disseminador de conhecimentos, realização de descobertas…. Um local de satisfação, contemplação… Jamais de destruição de corpo e alma.
Para quem veste a camisa da Educação, diariamente, é desolador, aterrorizante ler notícias de ataques (seja lá qual for a natureza da violência) nas escolas. Passei minha vida em sala de aula (ora como aluna ora como professora) e jamais poderia imaginar que viveria uma total desordem neste ambiente de construção de conhecimento. Como professora de literaturas, na atualidade, raramente, um aluno lê o texto sugerido. Aliás, até mesmo professor pouco lê muitas vezes. Estamos na Era do Imediatismo, de consulta à IA… Quem “gasta” seu “HD” refletindo…?
Devemos entender que a vida é um grande palco, interpretamos a todo momento. Mas no palco da sala de aula, ninguém quer ser o “palhaço”. O aluno precisa ser orientado de que estudar é um ato solitário. Precisamos de silêncio para refletir, estabelecer relações. A vida não é uma grande festa 24 horas.
E, no “apagar das luzes” de 2025, a rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro está divulgando uma mudança feita por meio do decreto nº 49.994/2025 decreto assinado pelo governador do estado, Cláudio Castro. Este com o objetivo de reduzir a evasão escolar, o governo do Rio de Janeiro autorizou que “alunos do ensino médio reprovados em até seis disciplinas possam avançar para a série seguinte. Esses deverão cumprir um regime especial de recuperação no ano seguinte, no qual deverá ser concluído até o fim do primeiro trimestre”.
No caso dos alunos do 3º ano do Ensino Médio, o limite de reprovações reduziu para três disciplinas. Se aprovados na recuperação, poderão receber o certificado de conclusão do Ensino Médio. Concorda?
A questão é: para esta Geração Alpha (2010-2025 – os mais jovens, nascidos em um ambiente digital e imersos em tecnologia), há sentido em estudar? Quem estudará? Alguém prestará atenção no professor? Como preparar os alunos para ENEM, UERJ, PUC RJ com esta alteração? Há 30 anos preparo para exames externos (esses e para ingresso na carreira militar), especificamente os alunos da rede Estadual do RJ, nunca vi tamanho desinteresse já neste ano de 2025. Estou imaginando a partir de 2026 como será.
Quanto às leis nº 10.639/2003 (estabeleceu o ensino da cultura afro-brasileira) e 1.645/2008 (ampliou essa obrigatoriedade ao incluir a cultura e história dos povos indígenas), urge apresentar escritores, escola literária a qual pertence e seu estilo. Fica a dica para conhecerem outros autores contemporâneos no ebook Navegando nas Literaturas afro-brasileiras e indígenas.
Por uma educação de qualidade!!! Os alunos da Rede Estadual do Rio de Janeiro merecem ser bem preparados!!! Abaixo o decreto nº 49.994/2025 !!!!
Renata Barcellos
Projeto Com a palavra o autor
Renata Barcellos: Projeto ‘Com a palavra o autor’


Este projeto consiste em os alunos do Terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual José Leite Lopes (NAVE RJ – disponível Link de ebook gratuito) interagirem com os escritores afro-brasileiros e indígenas. Trata-se de um trabalho final de Ensino Médio com objetivo de conhecerem autores contemporâneos das diversas vertentes literárias. A proposta sugerida foi de apresentarmos uma minibiografia, redes sociais, foto, uma breve entrevista acompanhada da técnica da retextualização cuja definição é “o processo de transformação de uma modalidade textual em outra […]. Reescrita de um texto para outro, processo que envolve operações que evidenciam o funcionamento social da linguagem” (DELL’ISOLA, 2007, p. 10).
As literaturas contemporâneas abordam temas instigantes e complexos, refletindo a realidade e as preocupações do nosso tempo. Entre os temas mais relevantes, destacam-se a diversidade e inclusão, as questões sociais e políticas, a memória e a identidade, o meio ambiente e a tecnologia, além da exploração da experiência humana em um mundo globalizado e em constante transformação. Urge adotarmos a leitura de autores contemporâneos também em nossas práticas pedagógicas da Educação Básica à Superior.
Na poesia, especificamente, na vertente literária da Poesia Visual, vertente datada de 300 a.C, ganhou impulso a partir das vanguardas estéticas como movimento artístico do século passado. A Poesia Concreta, parte desse movimento, de forma singular promoveu a ruptura da tradição artística pelas inovações estéticas com uma linguagem poética inaugural de sólida base teórica e de procedimentos planificados, visuais e sintéticos. Apropriou-se de princípios estéticos de diversas tendências artísticas, teorias, autores e obras e desdobrado em poema-processo e a videopoesia, definindo a poesia visual contemporânea. Por exemplo: a obra de Regina Pochain está pautada pela visualidade e tecnologia, a fim de suscitar questões referentes à metalinguagem, intertextualidade e intersemioticidade, compondo uma multiplicidade de relações, de uma polissemia poética vetorizada a uma abstração plástica da palavra, numa relação de procedimentos contemporâneos Pós-Modernos.
Assim, a partir do uso d as linguagens: verbal (escrita) e não verbal (imagens) e sua fusão semissimbólica, forma-se um novo código: a Poesia Visual. A poesia vinculada a elementos imagéticos compõe uma estética híbrida própria de uma parte da produção literária contemporânea. A visualidade, como elemento semiótico constitutivo do poema, suscita aos leitores novos caminhos interpretativos. Quanto a uma das escritoras do projeto Com a palavra o autor, REGINA POUCHAIN, realizado por: Camila Oliveira e Iasmim Loranny, da turma: 3001.
MINIBIOGRAFIA: carioca, poeta, designer gráfica, artista intermídia, programadora e diagramadora visual, engajada no poema contemporâneo experimental e na poesia discursiva; produzindo em artes visuais e outros meios; pós-graduada em Artes e Filosofia pela PUC; vem realizando projetos diversificados próprios de criação; curadoria e exposições, publicações de livros e obras tais como, fotopoemas, poema visual gráfico, poemas matemáticos – eletrônicos, poemasobjetos, desenvolvendo trabalhos com mídia mista, colagens, desenhos e pintura, livros-de-artista, participando em diversas revistas eletrônicas e projetos em co-autoria com o poeta gráfico Wlademir Dias-Pino.
REDES SOCIAIS:
Facebook: https://www.facebook.com/rpouchain
Instagram: @reginapouchainhttps
Blog: wwwlambuja.blogspot.com/?view=flipcard
Entrevista
1.Qual foi a sua primeira obra?
R. Minha primeira obra escrita e publicada chama-se Partitura Maghinética. Trata-se de um romance na linha tradicional.
2. Qual a obra que você já fez e foi a mais “difícil”?
R. Minha obra mais “difícil” de ser trabalhada foi Partitura Maghinética, por ter sido a primeira.
3. Qual a sua motivação?
R. Minha motivação em escrevê-la, está relacionada ao meu projeto de vida, que seria o de me tornar uma escritora e na medida do possível uma poeta de importância para a literatura brasileira.
4. LIVROS RECOMENDADOS: LITERATURA TRADICIONAL
R. Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima (que considero a obra de poesia mais importante escrita no Brasil)
Grande Sertão Veredas, de João Guimarães
Rosa Qualquer, de Clarice Lispector
A Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar
NO POEMA VISUAL
Conhecer a obra do poeta e artista gráfico carioca Wlademir DiasPino, especialmente o poema A AVE. Conhecer Hana Hatherly, poeta e artista plástica portuguesa nascida em Lisboa. Conhecer os trabalhos da poeta Regina Pouchain
5. MENSAGEM AOS ALUNOS:
R. Para quem pretende tornar-se poeta ou escritor, assim como professor de literatura brasileira, é imprescindível ler/conhecer, tanto o tradicional quanto a vanguarda brasileira. E para quem não pretende nem uma coisa nem outra, a leitura/ cultura é indispensável para qualquer tipo de formação.
Análise de Poema Visual: Poesia
Por: Renata Barcellos
Ebook Poesia Visual: https://bit.ly/4dYXPHt

Neste poema, Regina brinca com a palavra “poesia”. Trata-se da figura de linguagem metalinguagem a forma textual poesia com o mesmo conteúdo no qual as letras são desordenadas como se estivessem no ar. Há também o verbal “ver” no infinitivo e o pretérito “vi” que, juntamente, com o icônico a imagem do cadeado remete a algo oculto. O leitor pode estar diante de alguma imagem e remeter a outro sentido. Afinal, como disse Humberto Eco, a “obra é aberta”. Cada leitor imprime um sentido de acordo com sua vivência.
Renata Barcellos
Dicas ENEM 2026: Linguagem
Renata Barcellos: ‘Dicas ENEM 2026: Linguagem’


Mais um ano findando e já estamos na semana do Exame nacional de acesso ao Ensino Médio (ENEM)/ 2026. Pontuaremos algumas dicas. Depois de anos de formação acadêmica, uma prova na qual mobilizará conhecimentos construídos ao longo da Educação Básica. O principal é ter em mente o seguinte: necessidade de raciocinar – utilizar a lógica.
Muitas questões propostas não são necessárias ler o texto. Vá direto ao enunciado da questão. Se for extenso, primeiro, leia o último período. Atenção ao solicitado. Marque o foco: correta – errada… Sempre atenção à referência bibliográfica. Às vezes, está lá a dica para a resposta. Em caso de dúvida em 2 ou 3 alternativas, utilize a técnica da balança: qual alternativa parece ser a MAIS certa ou errada?
Sempre são propostas questão de figuras e funções de linguagem. Eufemismo, metonímia… Quanto a esta, atenção à metalinguagem. Esta é uso da linguagem para falar sobre a própria linguagem, concentrando-se no código (as palavras, os sinais, as regras) em vez da mensagem ou do contexto. Exemplos incluem um dicionário que define uma palavra, um poema que discute a poesia, um filme que retrata a produção de outro filme, ou uma conversa onde se explica o significado de um termo. Já, no que se refere àquela, destaque para ironia, eufemismo, metonímia…
Também são propostas questões sobre a finalidade de um determinado gênero textual. É fundamental dominá-los. Saber identificar TESE e classificar ARGUMENTOS utilizados…. E atenção a este recurso expressivo: INTERTEXTUALIDADE cuja definição é a relação que um texto estabelece com outros preexistentes. Essa relação pode ocorrer entre diferentes tipos de obras, como literaturas, filmes, músicas, charges, pinturas, publicidade…
Quanto à temida PRODUÇÃO TEXTUAL, treinar é preciso! No caso, ao longo dos anos ou deste ano. Se fará primeiro ou por último, você lá decide qual o melhor momento. Lembre-se do modo textual: ARGUMENTAÇÃO. Sua TESE deve estar na introdução. No desenvolvimento, ARGUMENTOS diversos (dado estatístico, histórico, comparação, citação, exemplos…) e, na conclusão, soluções para o problema apresentado.
Cada parágrafo deve ser estruturado com 3 frases no mínimo (apresentar o tópico frasal: início, meio e fim). Lembrar: uso da NORMA CULTA (nada de “Então”, “por conta”…). Cuidado com o uso das adversativas (mas, porém….). Colocação dos conectivos (portanto, logo, também….). Não separar o SUJEITO do PREDICADO, o VERBO do COMPLEMENTO… Não utilize o pronome “nós”, nos” e “você”. O texto é IMPESSOAL.
Para obter 1000, é preciso atingir 200 nestas 5 competências:
C1. Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
C2. Compreensão da proposta e aplicação de conceitos de diferentes áreas do conhecimento;
C3. Seleção, organização e interpretação de informações para defender um ponto de vista;
C4. Conhecimento dos mecanismos linguísticos para construir argumentação consistente;
C5. Elaboração de proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Alguns possíveis temas para o ENEM 2026 incluem questões ambientais (como desmatamento e sustentabilidade), tecnologia (impacto da IA, privacidade digital e o papel das redes sociais), saúde pública (doenças, acesso à saúde e sedentarismo) e inclusão social (direitos de minorias, acesso à educação e acessibilidade para pessoas com deficiência). Também são relevantes temas como o futuro do trabalho, desigualdade social, violência e desafios da educação no Brasil.
Sobre o meio ambiente, cabe mencionar a AGENDA 2030 (https://brasil.un.org/pt-br/sdgs). A ONU e seus parceiros no Brasil estão trabalhando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. São 17 objetivos que abordam os principais desafios de desenvolvimento.
-O aumento de eventos climáticos extremos e a necessidade de políticas de preservação.
-Gestão de resíduos sólidos no Brasil.
-A busca por modelos de sustentabilidade e bioeconomia.
Tecnologia e internet
-Impactos da inteligência artificial e a necessidade de regulamentação.
-Privacidade digital e o papel das redes sociais.
-Educação midiática no Brasil atual.
-Ameaças da internet sem riscos.
Saúde
-Desafios na saúde pública para lidar com epidemias e doenças.
-Aumento de casos de Burnout, especialmente no trabalho remoto.
-A importância da conscientização sobre os males do cigarro e outras drogas.
-Combate ao sedentarismo infantil no Brasil.
-Saúde mental e a ligação com a crise climática.
Inclusão e direitos humanos
-Violência e preconceito contra pessoas LGBTQIA+.
-Direitos de pessoas imigrantes e refugiadas.
-Acessibilidade em ambientes físicos e virtuais.
-Desafios para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem.
-Persistência da desigualdade de gênero e violência contra a mulher.
Trabalho e economia
-O futuro do trabalho, incluindo a questão do trabalho remoto.
-A relevância das condições de trabalho contemporâneas (como a escala 6×1).
-A fuga de cérebros e o empreendedorismo digital.
-A questão da fome no Brasil e como combatê-la.
Educação
-Desafios da educação básica, como o analfabetismo funcional.
-Acesso e desigualdade na educação.
-A importância de promover a educação política nas escolas.
-A relevância do esporte como meio de inclusão social na educação.
Vale destacar que, dependendo tema, mobilizamos alguns argumentos. Estes são esperados pelo corretor. Como em violência contra a mulher, mencionar a lei Maria da Penha; idoso, estatuto do idoso, criança e jovens, ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)… E as literaturas podem e devem ser abordadas. Todos os temas são tratados de forma literária: poesia, crônica, conto, romance…
Navegue nas diversas áreas do conhecimento! Demostre dominar o tema. Sempre nomeie seu texto por mais que seja opcional! No último caso, tema será título. Letra legível! Evite rasura! Se puder elabore o recurso expressivo da INTERTEXTUALIDADE.
Do mais, mantenha a calma. Respire findo que a hora é esta! Não perca tempo!!! Otimize-o!!! JAMAIS desista de seus sonhos!!! PERSISTA!!!
Renata Barcellos
A mania de sermos todos doutores!
José Ngola Carlos: ‘A mania de sermos todos doutores!


“A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato,”
Em Angola, a realidade acadêmica que vivo, conheço e que, portanto, tenho direito de dizer uma palavra, o título Doutor ganhou uma tal proliferação que, não tarda, a sua utilização se tornará prolixa, enfadonha e/ou fastidiosa. Em meio a ter que chamar a todo mundo de Doutor, uns, nem mesmo medem as palavras e, saem a dizer: ´Dotor´ e ´Doctor´ como se de Português também se tratasse.
Este artigo, como é possível inferir, é uma crítica à esta mania de quem quer a todos agradar, deixando de reconhecer a real condição da pessoa com quem fala, atribuindo-a nomes que lisonjeiam e inflamam o ego de quem nada fez para merecer a honra que se deve ao título.
Na academia existem graduações, e estas graduações ou níveis, encontram-se dispostos de forma hierárquica. A nossa legislação, a angolana, prevê, dentre outros, os seguintes níveis:
- Técnico Médio
- Licenciado/a
- Mestre e
- Doutor/a
Como é possível ver, todos eles não são doutores. O título de Doutor é a mais alta consagração atribuída àqueles e àquelas que, com muito esforço, dedicação, comprometimento e amor ao saber, terminam com êxito o programa de doutoramento por uma universidade. Ser doutor não é um título gratuito, requer competências e responsabilidades.
Este artigo, além de ser uma crítica à iniciativa de chamar gratuitamente a todo mundo de Doutor, o que tende a banalizar o próprio título e, consequentemente, desmerecer quem o conseguiu com muitos sacrifícios que envolvem tempo, esforço, dinheiro, desgaste emocional, etc., aproveita-se aqui fazer uma homenagem calorosa a todos que de fato o são, seja por se ter cursado um programa de doutoramento ou mediante a atribuição por causas honoríficas. Está de parabéns, Doutor! Está de parabéns, Doutora!
Já agora, você que é Técnico Médio, saiba que você não é Doutor. O Licenciado e a Licenciada não são doutores. O Mestre não é Doutor e não há desonra nisto. Podemos ser técnicos médios assumidos com honra porque dominamos a especialidade na qual nos formamos. Podemos ser licenciados e mestres com orgulho de sê-lo porque adquirimos as competências durante a formação que nos identificam como tais. Não há vergonha em não sermos doutores. Vergonhoso é chamar a quem não é doutor, doutor, só para inflá-lo o ego. Vergonhoso é aceitar ser chamado doutor sem sê-lo!
A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato que, apenas inflama de forma muito barata o ego de quem não o é e, aos poucos, vai banalizando o título e as pessoas que com muita honra o conseguiram e o merecem!
José Ngola Carlos
Malanje, 24 de Outubro de 2025
Como citar este artigo:
Carlos, J. N. (2025:10). A Mania de Sermos Todos Doutores! Brasil: Jornal Cultural – ROL.
Meu filho fora do quarto
Eder Cachoeira e o guia que aproxima pais e filhos na era digital

Com mais de 28 anos de experiência em tecnologia, educação e empreendedorismo, Eder Cachoeira transforma sua vivência como professor, empresário e palestrante em um guia prático e inspirador para pais de adolescentes.

Criador do projeto “Meu Filho Fora do Quarto”, ele compartilha reflexões, histórias e dicas que ajudam famílias a reconectarem vínculos e construírem relações mais saudáveis.
A ideia do livro nasceu da experiência pessoal de Eder como pai e da percepção de que muitos pais têm perdido contato verdadeiro com seus filhos na era digital.
Inspirado por conversas reais, situações familiares e sua atuação em projetos educacionais, ele reuniu estratégias que realmente funcionam para transformar os desafios da adolescência em oportunidades de conexão, crescimento e preparo para a vida adulta.
O livro oferece reflexões, exercícios e ferramentas acessíveis, sempre com uma linguagem leve, acolhedora e direta.
Com ele, pais podem melhorar o diálogo em casa, fortalecer relacionamentos familiares e orientar os jovens de forma mais confiante e empática.
Entre os temas tratados estão o distanciamento emocional, o uso excessivo de telas, a ansiedade dos filhos e a insegurança diante do futuro.
Mais do que um manual, “Meu Filho Fora do Quarto” é um convite à ação, mostrando que cada desafio da adolescência pode se tornar uma oportunidade de crescimento familiar.
O livro vem sendo bem recebido por famílias que buscam soluções reais para os conflitos do dia a dia, com estratégias práticas que realmente fazem a diferença.
Eder Cachoeira prova que, com atenção, diálogo e orientação adequada, é possível transformar a convivência com os filhos em momentos de aprendizado, afeto e descoberta mútua.
REDES SOCIAIS DO AUTOR
MEU FILHO FORA DO QUARTO
SINOPSE
O livro Meu Filho Fora do Quarto é o guia essencial para pais que desejam transformar o relacionamento com seus filhos adolescentes, ajudando-os a se tornarem mais responsáveis, autônomos e felizes.
Este material oferece estratégias comprovadas e dicas práticas que equilibram a liberdade necessária para o crescimento do jovem com a responsabilidade e o comprometimento que moldam o futuro.
Ao longo das páginas, você descobrirá como implementar mudanças graduais e consistentes na rotina familiar, estabelecer limites saudáveis e promover um ambiente de diálogo e confiança.
Repleto de exemplos reais, atividades práticas e soluções eficazes, Meu Filho Fora do Quarto é uma leitura indispensável para pais que enfrentam os desafios da adolescência e desejam preparar seus filhos para o mercado de trabalho e para a vida adulta com segurança e maturidade.
Prepare-se para construir um futuro mais harmonioso e inspirador para toda a família!
Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube
OBRA DO AUTOR


