O rabanete esfriou

Jacky Yuen Man-leuk

O Rabanete Esfriou — Lendo ‘Banquete de Poon Choi‘, de Yip Ying-kit

Jacky Yuen Man-leuk
Jacky Yuen Man-leuk
Imagem conceitual e literária mostrando uma panela de barro com o prato tradicional Poon Choi fumegante sobre uma mesa escura. Do vapor que sobe do alimento, emergem caracteres da caligrafia chinesa e linhas abstratas que sugerem o contorno dos prédios de uma cidade grande. A iluminação é dramática e foca no prato, deixando o fundo sombrio e reflexivo, transmitindo uma atmosfera de melancolia e profundidade artística.
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O poema “Banquete de Poon Choi” [1], de Yip Ying-kit, tem um enorme valor para uma leitura atenta. Ele não é o primeiro poeta a escrever sobre o poon choi; a famosa obra homônima de Leung Ping-kwan (também conhecido como Ya Si) combina história, cultura e gastronomia, usando as camadas do prato como uma metáfora para as mudanças na estrutura social e o fluxo cultural ao longo do rio do tempo. Yip Ying-kit, porém, não teve a intenção de imitá-lo; seu poema nasce muito mais da combinação de percepções pessoais e reflexões vividas em um tempo e lugar específicos. Como foi publicado em uma revista literária para estudantes do ensino médio, não seria exagero — usando o jargão das aulas de literatura chinesa — classificá-lo como um texto narrativo.

​Contudo, isso seria ler o poema de forma rasa demais. A parte narrativa deste poema é tão clara que realmente não precisa de explicação: ele descreve exatamente o que viu e ouviu sentado à mesa redonda, sem nenhum mistério. A história ou a cultura do poon choi não são o foco deste poema, nem o aroma ou o sabor da comida no prato. Afinal, o que ele está tentando abordar?

A perspectiva onisciente: Este poema foi escrito por Yip Ying-kit quando ele morava em um alojamento provisório após um incêndio, passando o Ano Novo lá, e foi convidado para participar de um banquete de poon choi. Como se pode deduzir de suas notas posteriores, se não fosse por aquele grande incêndio, é difícil dizer se este banquete em si existiria, mas certamente não haveria razão para que ele participasse. Portanto, o próprio banquete é uma forte metáfora da inevitabilidade da vida na sociedade (ren zai jiang hu) [2]: mesmo que o poeta não tenha sido forçado a ir, ele foi por livre e espontânea vontade — ou melhor, por ser a única opção possível. Esse é também o retrato dos habitantes desta cidade: é Ano Novo, há música, dança e celebração, e “há os nossos nomes”.

​Como compreender este poema? Primeiro, leia-o na ordem, fixando-se bem nas últimas linhas:

​“Até que o tempo fica um pouco tarde, e o sorteio / vai começar; só então, finalmente, / olhamos seriamente para o palco, esperando / que alguém aponte / a razão da nossa existência.”

​A partir dessas poucas linhas, volte e leia tudo novamente. Em um banquete, as pessoas à mesa talvez não se conheçam; suas personalidades e histórias são diferentes, mas elas podem compartilhar memórias coletivas semelhantes. Quanto ao palco, trata-se de um universo paralelo onde certas coisas acontecem — como pessoas se apresentando com empenho para ganhar a vida ou por outros motivos. Por serem estranhos entre si, e por este não ser exatamente um ambiente propício para socializar, ninguém tem essa disposição ou intenção, sendo natural apenas “comer em silêncio o que é seu”.

​As linhas seguintes — embora possam não ter sido a intenção exata do autor, uma leitura diversa não é proibida — como: “procurando / o que consegue comer”, “há quem… / não se importe de ficar com os dedos engordurados”, “há quem saiba / que não aguenta ingredientes fartos demais / e se esforce para afastá-los”, “…se deve se integrar / às ondas que eles provocam / ou continuar lidando com…”, parecem sob qualquer ângulo uma descrição das mil facetas da vida humana. E essas facetas, mesmo sendo visões subjetivas de um autor que passou por grandes reveses sobre outras pessoas na mesma situação à mesa (ou apenas uma má interpretação minha), ganham uma nova camada de sentimento quando relemos o poema após passar por “esperando / que alguém aponte / a razão da nossa existência”.

Esse sentimento complexo, difícil de rotular, é algo com que nós, leitores contemporâneos, ressonamos ainda mais facilmente (mesmo que seja uma ilusão compartilhada entre autor e leitor). No entanto, se fosse apenas ilusão, por que o poeta escreveria estes versos? A perplexidade sobre a razão da existência e a consciência do dilema de que ninguém pode respondê-la referem-se tanto ao desamparo do momento — sentado entre estranhos, pegando comida e esperando o sorteio — quanto à metáfora do constrangimento de uma era e de seu povo. E parece que a única coisa de que podemos ter certeza é aquela linha:

​“Sabendo que, na maioria das vezes, / estaremos abaixo do palco, / comendo em silêncio o que é nosso, nos esforçando / para, dentro de um grande recipiente, procurar / o que conseguimos comer.”

​Portanto, o que este poema descreve não é uma mistura de dor e indignação, mas um sentimento estranhamente complexo: perda, vazio, estranhamento e deslocamento. Escondidos sob a camada de indignação, frequentemente encobertos e ignorados, estão uma dor cega e um amargor que se prolongam por muito tempo. Seria este o “estranho em nós mesmos” de Julia Kristeva? Por exemplo, seria o banquete de poon choi um ritual coletivo que tenta reintegrar indivíduos desordenados e alienados de volta a uma estrutura dominante e harmoniosa, alcançando uma reconciliação superficial? Reconhecendo não ter capacidade suficiente para aprofundar este tema, resta-me apenas deixar minhas emoções e pensamentos flutuarem dentro deste recipiente devorado e desorganizado, momento em que o rabanete no molho já esfriou.

​Se há algo neste poema a se ponderar, talvez seja a nota adicional que o autor fez posteriormente no Facebook: ela deveria ser colocada lado a lado com o poema? Se ficasse apenas o poema, como na versão impressa atual, ele seria mais universal ou faltaria uma parte importante? Se essa informação de fundo fosse incorporada ao poema, ele se tornaria mais completo ou seria apenas um excesso desnecessário? Resta admitir que não há como ter o melhor dos dois mundos e, sendo este um direito exclusivo do poeta, creio que é melhor deixar a decisão com ele.

​Ao longo destes anos, Yip Ying-kit tem mantido seu método de escrita poética, e sua dimensão de reflexão sobre as relações humanas e o mundo tem sido bastante consistente. Afinal, foram os tempos que moldaram a poesia: sob uma pressão de escrita e um espaço-tempo tão singulares, a rotina pós-catástrofe encontrou em sua pena o veículo perfeito. No entanto, como ele próprio disse que preferiria não ter a necessidade de escrever estes poemas, provavelmente também não é adequado apenas “curtir” ou elogiar estas obras.

​Neste banquete eterno, provavelmente nada é adequado. O rabanete já esfriou, mas, apesar de tudo, ainda dá para comer. No palco, o programa mudou novamente; é hora do sorteio — de quem será o nome chamado?

​Banquete de Poon Choi

Poema por: Yip Ying-kit (葉英傑) | Nº do Poema: 1412

​Fazemos fila para entrar no salão do banquete de poon choi

Em uma das mesas redondas está o nosso nome.

Há um palco à espera

Para apresentações ou sorteios. Por um instante

Imaginamos que, no palco,

Haveria um lugar para nós;

Sabendo que, na maioria das vezes,

Estaremos abaixo do palco,

Comendo em silêncio o que é nosso, nos esforçando

Para, dentro de um grande recipiente, procurar

O que conseguimos comer. Há quem esteja disposto a descascar camarões

Sem se importar em ficar com os dedos engordurados

Há quem saiba

Que não aguenta ingredientes fartos demais

E se esforce para afastá-los;

No palco, alguém começa a cantar; se deve se integrar

Às ondas que eles provocam

Ou continuar lidando com

Aquele rabanete que você pegou

E que já começou a esfriar

Até que o tempo fica um pouco tarde, e o sorteio

Vai começar; só então, finalmente,

Olhamos seriamente para o palco, esperando

Que alguém aponte

A razão da nossa existência.

7 a 8 de fevereiro de 2026

Poon Choi

Poema por: Ya Si (也斯)

​Deveria haver pato assado e camarão frito nos lugares de honra

As posições de classe claramente divididas em camadas

Mas os hashis que revolvem a comida aos poucos subvertem tudo

O frango aos cinco aromas da aldeia e a vulgar pele de porco

O desolado general da dinastia Song, derrotado, fugiu para cá

Em uma grande bacia de madeira, comeu as provisões guardadas pelos pescadores

Sentados em círculo na praia para comer, sem a suntuosidade dos banquetes de outrora

Longe do esplendor da capital imperial, provando a comida rústica dos aldeões

Impossível se sustentar falsamente no alto, só resta afundar com o passar do tempo

Querendo ou não, é difícil não se tingir com as cores da camada do fundo

Comendo por muito tempo, você não consegue isolar a troca entre o cogumelo do norte e a lula

As relações se invertem, contagiando-se mutuamente, afetando a obsessão por pureza dos que estão no topo

Ninguém pode conter o rumo natural do suco da carne que escorre para baixo

O rabanete lá no fundo, com sua doçura suave, absorve todo o aroma denso

2002

​Notas Explicativas de Tradução

[1] Poon Choi (盆菜): Um prato comunitário emblemático da cultura de Hong Kong e dos aldeões dos Walled Villages (圍村) nos Novos Territórios. Traduzido literalmente como “comida de bacia”, trata-se de um grande recipiente preenchido com camadas de variados ingredientes cozidos separadamente (frango, pato, frutos do mar, cogumelos, pele de porco e rabanete no fundo). É servido tradicionalmente em grandes banquetes festivos ao redor de mesas redondas.

[2] Pessoas no Jianghu (人在江湖): Referência ao provérbio chinês 人在江湖,身不由己, que significa estar tão imerso nas engrenagens e convenções sociais que a própria vontade passa a ser secundária frente às circunstâncias do mundo.

Jacky Yuen Man-leuk

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Voces del fuego y el asfalto

Hermógenes Mora

Voces del Fuego y el Asfalto:
la poesía contemporánea y la condición humana
en Centroamérica

Hermógenes L. Mora
Hermógenes L. Mora

A través de esta pequeña antología crítica que he elaborado en la que incluyo a  tres autores del istmo, busco conectar la poesía contemporánea de Centroamérica y los problemas universales y locales. Si bien es cierto que los estilos varían, me permito destacar cómo los poetas usan su obra para denunciar la pérdida de sensibilidad y conexión humana en el mundo actual, ya sea desde el plano emocional interno que la poeta Jessenia Romero trastoca, el social-urbano muy acertado por el poeta  Heiner Rodríguez o el histórico-comunitario donde Cucufate nos invita a explorar a través de su pluma. No cabe duda de que la nueva poética no se aparta de los temas que hacen eco en una sociedad que se ha acostumbrado a callar o a desviar su atención hacia cosas que no despiertan el pensamiento crítico. 

A continuación presento una breve reseña biográfica de cada autor seguido del poema y su respectivo análisis. Pero ha de ser el lector el que juzgue cada palabra escrita. 

Jessenia Isabel Romero, es poeta, escritora y educadora nicaragüense, nacida en 1982 en la ciudad de Chinandega, Nicaragua. Se desempeña como asesora pedagógica en el Ministerio de Educación. 

Graduada como maestra normalista en 2003 y en 2011 egresada de la licenciatura en Matemáticas con mención en Computación. Actualmente está culminando estudios en Lengua y Literatura, (UNAN-León). 

Obras: Visita de una arrastrada (cuento), Crónica hospitalaria (crónica), 12 cuentos infantiles (cuento) y Narrando la vida versando el amor.

Me pregunto

¿Quién puede percibir el tamaño

de una lágrima contenida en una sonrisa?

¿Quién es capaz de escuchar el grito ahogado

que se atora en la garganta?

¿Quién puede observar el sufrimiento reprimido

en unas palabras amables?, 

¡¿quién entiende que un ser aparentemente feliz,

 guarda batallas en el fondo del alma?!

No toda sonrisa encierra felicidad

no todo grito representa euforia

no toda palabra amable es sinónimo de dulzura

no todo guerrero celebra siempre una victoria.

Hay payasos que sonríen y esconden

un lastimero llanto

hay cantantes  que una letanía feroz disfrazan

en su canto,

hay seres bondadosos que sufren

en el infinito silencio

hay soldados aguerridos que ocultan

una derrota sin voz. 

Y me pregunto…,

¿acaso tú eres capaz de ver más allá

de la aparente realidad?,

¿o la realidad te ciega en tu eterna banalidad?

Análisis Del Poema

Es este un poema profundamente intimista. La poeta Romero logra poner el dedo sobre una de las verdades más complejas de la condición humana: la dualidad entre la máscara social que usamos para sobrevivir y el abismo emocional que cargamos por dentro. Es un grito a la empatía, pero también un espejo incómodo para quien lo lee. 

El tema central es la invisibilidad del dolor humano frente a la mirada superficial del mundo. El poema se construye sobre el contraste perpetuo entre lo que se muestra y lo que se esconde.

Jessenia Isabel Romero
Jessenia Isabel Romero Arquivo pessoal

Si analizamos su estructura y sus recursos nos encontramos con Las preguntas retóricas, el conflicto interno: ¿Quién puede percibir el tamaño / de una lágrima contenida en una sonrisa?

La poeta arranca con una serie de preguntas retóricas que buscan sacudir la sensibilidad del receptor. Al utilizar el oxímoron y la antítesis nos muestra que los opuestos coexisten, ejemplo de ello son los siguientes versos: 

¿Quién puede percibir el tamaño

de una lágrima contenida en una sonrisa?

¿Quién es capaz de escuchar el grito ahogado

que se atora en la garganta?

La lágrima representa el dolor que se oculta tras una sonrisa, que se ahoga, que se tuerce dentro de un individuo. 

Los signos de admiración e interrogación combinados (¡¿?!), elevan la intensidad dramática: el alma no solo está triste, está librando batallas en el fondo . Las negaciones de la apariencia (El despertar)

No toda sonrisa encierra felicidad/no todo grito representa euforia…

Aquí la estructura cambia drásticamente. Deja las preguntas y utiliza la anáfora (la repetición al inicio de cada verso de la palabra «no todo/a»). Esta repetición funciona como un mazo que derriba los prejuicios visuales. 

 Los arquetipos del dolor oculto (Las metáforas vivas) se hacen presentes:

Hay payasos que sonríen y esconden / un lastimero llanto…

En esta sección, la poeta recurre a personajes o arquetipos universales mediante la repetición de la palabra «hay». El payaso es símbolo por excelencia de la tristeza oculta tras el maquillaje (un eco claro del clásico poema Reír llorando, de Juan de Dios Peza. Cito unos versos del mismo:

¡Ay! ¡Cuántas veces reímos cuando lloramos! / Nadie confía en la alegría de la risa, / porque en aquellos seres devorados por el dolor, / ¡El alma gime cuando el rostro ríe!

Romero colma de imágenes metafóricas su poema y ese aparente contraste sirve de estímulo también: El cantante cuyo canto es en realidad una “letanía” disfrazada, el arte como analgésico, el ser bondadoso que sufre en el «infinito silencio», el soldado que oculta «una derrota sin voz». Esta metáfora es sin duda la más  preciosa: el héroe que el mundo ve como invencible pero que por dentro está quebrado.

Hay genialidad en este poema. No busca la rima consonante rigurosa, ni la métrica fija, varían sus versos y eso le imprime naturalidad y un ritmo que parece una confesión. Es un poema lleno de musicalidad debido a las figuras de repetición. 

La última línea contiene una paradoja hiriente: «la realidad te ciega». Nos dice que aquello que llamamos realidad (lo superficial, lo obvio) es en realidad una venda que nos impide notar el sufrimiento ajeno debido a nuestra propia banalidad. 

El poema de Jessenia Romero es un bálsamo de empatía. Funciona como una radiografía del alma contemporánea, donde muchas veces se nos exige estar bien, sonreír para la foto y ser «guerreros» perfectos, olvidando que detrás de la fachada más sólida puede haber un río de lágrimas contenidas. Es un llamado urgente a mirar no con los ojos, sino con el alma.

Heiner Bryan Rodríguez Berríos Arquivo pessoal

 Heiner Bryan Rodríguez Berríos, es un joven  poeta,  abogado y notario público, e Ingeniero civil nacido en la ciudad de Chinandega, Nicaragua. Desde muy joven se trasladó a León, ciudad donde creció el Príncipe de las Letras Castellanas. 

En el año 2024 publicó en Nicaragua el libro Bazofias y otras carroñas. En la plataforma digital de El Libro Total publicó A vos, Lirios y Palomas golfas ruiseñores rastreros. 

Dinosaurio

Un dinosaurio camina entre la multitud.

Intenta hablar con los transeúntes,

pero todos lo esquivan,

apurados por llegar al trabajo.

El dinosaurio se sienta en la banqueta.

¿Cuándo se volvió todo así?

El dinosaurio observa.

Su rostro es un espejo.

El dinosaurio llora.

Nadie lo socorre.

Está solo.

El dinosaurio cuenta el tiempo con el sol.

Se levanta.

Saca un traje de la basura

y se lo pone.

El dinosaurio ya no está.

Análisis Del Poema

Dinosaurio es un poema urbano de marcado existencialismo que utiliza la ciudad bulliciosa y acelerada como escenario. A través de una narrativa sencilla, casi infantil en su superficie, el autor construye una alegoría demoledora sobre la alienación moderna, la deshumanización de las ciudades y la pérdida de la autenticidad.

Heiner utiliza al dinosaurio  como el símbolo perfecto del anacronismo,  representa lo viejo, lo extinguido, lo que ya no pertenece al tiempo presente. Retrata al individuo que se siente inadaptado, fuera de época, desconectado de los códigos de la sociedad hipermoderna. Una multitud está «apurada por llegar al trabajo» (el utilitarismo), el dinosaurio intenta entablar comunicación, busca la conexión humana pero la masa busca la productividad. Retrata la indiferencia urbana con una dura frialdad. La banqueta se convierte en el escenario de la intemperie social, es desde esa banca que nace una pregunta existencial: ¿Cuándo se volvió todo así? No es una pregunta del dinosaurio sobre sí mismo, sino sobre el entorno. Es la perplejidad ante un mundo que ha mecanizado sus emociones.

En el verso número ocho cita: «Su rostro es un espejo». Nos afirma que el dinosaurio no es un monstruo ajeno; el dinosaurio somos nosotros. Al mirarlo a él, deberíamos ver nuestra propia humanidad perdida, pero la multitud prefiere no mirar.

«El dinosaurio llora. / Nadie lo socorre», el autor denuncia la muerte de la solidaridad en las grandes urbes, donde el dolor ajeno se vuelve invisible. 

Un punto de inflexión clave ocurre cuando el personaje cuenta el tiempo con el sol. Esto lo vincula a un orden natural, cósmico y ancestral. Sin embargo, para sobrevivir en el entorno urbano, el personaje se ve obligado a renunciar a ese tiempo natural para someterse a la triste realidad del tiempo del reloj y las tarjetas de marcaje laboral.

El desenlace del poema es trágico: «Saca un traje de la basura / y se lo pone. / El dinosaurio ya no está». Al provenir de la basura el traje, sugiere que las convenciones sociales que adoptamos para encajar son desechos, carentes de valor real. Al ponerse el traje, el dinosaurio se camufla, se vuelve idéntico a los transeúntes que antes lo esquivaban. La frase «El dinosaurio ya no está» no significa que se haya ido o haya muerto físicamente; significa que ha sido asimilado, por el sistema. Su singularidad ha sido destruida en favor de la homogeneidad urbana. Se torna autómata dentro de un sistema que te absorbe hacia su amarga trayectoria. Heiner con su poema Dinosaurio intenta huir de la poética que ahoga a esta era. 

Willo Cucufate - Arquivo pessoal
Willo CucufateArquivo pessoal

  Willo Cucufate, el obrero que escribe.

Es un poeta salvadoreño que actualmente reside en la ciudad de Panamá. Es egresado como Técnico en Ingeniería Mecánica de la Universidad Tecnológica de Panamá. Algunos de sus textos han sido publicados en varios medios locales, así como en la revista Latinos and Education de la Universidad de San Bernardino California. 

Obras: 

  • Kroni quitas de mi gente (el Nejapa que viví) 2019
  • Kroni quitas de mi gente (el Nejapa que sufrí) 2020
  • Kroni quitas de mi gente (el Nejapa que dejé) 2021
  • Nixapoética (Hijos del volcán)

versión digital ilustrada (2021)

  • Nixapoética (Hijos del volcán) versión física, en modo de solo texto (2021)
  • Cuentas de la vida y de la muerte (2023)
  • La Floresta erótica (Poesía 2024). 

Hijos del volcán

Somos peregrinos del tiempo y de la historia,

guerreros ígneos de batallas sin fin,

caminantes del universo en ruta de fuego,

hombres de maíz por Ixchel paridos.

Somos hacienda añilera convertida en nido,

ojo líquido de cañales en flor,

manto silvestre de cafetales volcánicos,

paraíso invadido por el opresor.

Somos río brujo con nombre de santo,

caudal juído de sequía ajena,

nacimiento de vida y de soledades,

tres piedras de lavanderas abandonadas.

Somos la memoria patas arriba,

calle vieja de pueblos perdidos,

nidal de quetzales por el progreso emigrados,

con bolas de fuego al Armagedón resistiendo.

Somos los hijos del volcán,

gente que trabaja, llora y canta,

los que la esperanza nunca perdemos,

pueblo que camina mirando al sol,

mujeres y hombres de fuego… Eso somos.

Del poemario Nixapoética (Hijos del volcán).

Panamá, año 2021

Análisis Del Poema 

En el poema  Hijos del volcán, el poeta utiliza elementos como la identidad, la mitología, la lírica y la historia. Como recurso hace uso de la anáfora (repetición de «somos»). El autor no solo define un «yo» colectivo, sino que levanta una cartografía humana, geográfica e histórica de El Salvador y por extensión, de Centroamérica. 

El poema arranca conectando el origen del pueblo con dos vertientes míticas y telúricas: La herencia maya, cuando cita a los «hombres de maíz por Ixchel paridos», con ello evoca directamente el Popol Vuh. 

 La constante mención del fuego y el volcán funciona como la columna vertebral del texto. El volcán en la literatura salvadoreña (desde Claudia Lars hasta Roque Dalton) no es solo paisaje; es un estado mental, una condición de peligro constante y de resiliencia. La segunda y tercera estrofa abandonan el mito para pisar la tierra y la economía colonial y republicana: «Hacienda añilera», «cañales en flor» y «cafetales volcánicos» resumen los tres grandes ciclos económicos que marcaron la sangre y el sudor de la historia salvadoreña. El añil colonial, el café oligárquico del siglo XIX y XX, y la caña de azúcar.

Todo el poema es un grito de denuncia social: «paraíso invadido por el opresor» irrumpe de golpe para politizar el paisaje. El poema deja claro que la belleza natural de la región está triste e indisolublemente ligada al despojo, a como cita Galeano: Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.

La lírica melancólica acompaña el poema, la añoranza se ve reflejada en versos que dicen: El caudal juído. (Hace uso del lenguaje coloquial local [variante popular de «huido»]). Y las tres piedras de lavanderas abandonadas representan la migración, el abandono rural y la sequía, no solo climática, sino social. Asimismo menciona que el progreso juega un papel antagónico y protesta enfáticamente: Nidal de quetzales por el progreso emigrados / con bolas de fuego al Armagedón resistiendo. 

Las bolas de fuego representan a una tradición de su Nejapa, (las Bolas de Fuego de Nejapa). 

¿Por qué el poeta usa reiterativamente el Somos

Porque en su poética ve reflejada a una sociedad comprometida con el desarrollo de su país. El poeta cierra el poema de forma circular. Regresa al elemento ígneo «mujeres y hombres de fuego» pero aterriza en lo cotidiano: gente que trabaja, llora y canta. El fuego no es solo destrucción; es la energía diaria para sobrevivir.

En Hijos del volcán, Willo Cucufate hace un inventario del alma colectiva. Logra condensar en veintiún versos la cosmogonía prehispánica, el dolor de la explotación agrícola, la herida de la migración moderna y el optimismo inquebrantable no solo del pueblo salvadoreño, sino de todas las naciones de Centroamérica. Es un poema que se siente telúrico, sudado y profundamente arraigado en la memoria de su tierra.

En resumen, este compendio nos enfrenta a una paradoja hiriente: la realidad que habitamos es una ceguera consensual guiada por la banalidad. Frente a este letargo, la poesía de Romero, Rodríguez y Cucufate se erige como un acto de resistencia ontológica.

​No son solo poemas; son dispositivos de deconstrucción social y bálsamos metafísicos que nos exigen rasgar el velo de lo superficial. Nos recuerdan que, detrás de la fachada de cemento y las sonrisas de diseño, late un fuego inextinguible, una lágrima sagrada y una necesidad urgente de volver a mirar el mundo, ya no con los ojos de la carne, sino con la luz del alma.

Hermógenes L. Mora

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L’eucarestia della storia

Maria Teresa Liuzzo: ‘L’eucarestia della storia’

Maria Teresa Liuzzo
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Un altro anno è passato, nel mormorìo assordante dei media, che ci riempie la testa di vuoto e inutili parole, nell’ignoranza concettuale e formale, tra la galassia frustrante delle tante case editrici, che ostacolano la vera cultura, la vera letteratura, proponendo libri squallidi, da quattro soldi, prodotti solo per ottenere il lauto compenso.

Intanto l’ignoranza collettiva cresce: si legge sempre meno poesia. Non si capisce più il linguaggio aulico, e molto spesso si scambia la prosa per lirica. Sono cambiati i tempi, sono cambiati i valori e i giudizi: è cambiato il modo di rapportarsi a questi valori.

Eppure la cultura va avanti, tra stili prosastici e prosodici, sobri e antipoetici, tra poesia d’élite e popolare, tra stile di qualità e i retrobottega dei correlativi oggettivi, tra vera e falsa poesia. E dietro e dentro tutto questo, l’inefficienza dei critici, sempre di più votati all’oscuro, deboli nel valutare o di parte.

Eppure la mia scrittura va avanti, con la grinta e la qualità che possiede, credendo nei valori di quei molti autori che la sostengono e, soprattutto, ancora, nonostante i tempi, in quel ‘ concetto universale di letteratura romantica” improntata sull’amore, sulla ”rinascenza umana” e sulla qualità dello stile.

Forse è chiedere troppo a questo tempo votato al ”consumismo” e all’incivilimento: ma decisamente, siamo convinti che nonostante il perdurare dell’imbarbarimento, il nostro messaggio andrà avanti e non passerà con gli anni!

Ogni arte parla dell’umanità all’umanità e come la poesia, la Fede e l’Amore, non si possono spiegare. Si possono soltanto vivere. E’ il pellegrinaggio della parola che simboleggia la povertà di un mondo nella ricchezza del cuore, perché nell’umiltà della stessa c’è il punto di partenza che ci avvicina a Dio e l’equilibrio tra Natura e Arte.
La presenza di un respiro che non si impone a cambiare le regole del sapere per prevaricare sugli altri. Sia un alfabeto di ”voci ” l’Eucarestia della Storia ”. Ai posteri l’ardua sentenza!

Maria Teresa Liuzzo

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Romería – Una película de Carla Simon

Rafael Peñas Cruz: ‘Romería – Una película de Carla Simon’

Rafael Peñas Cruz
Rafael Peñas Cruz
Trailer oficial do filme Romería, de Carla Simon
Trailer oficial do filme Romería, de Carla Simon

Una película no apta para quienes no disfrutan del cine lento. Comparada con el bombardeo frenético e incesante de imágenes de los anuncios y tráileres previos a la proyección, el tercer largometraje de la joven cineasta catalana Carla Simón avanza a paso de tortuga.

No sucede gran cosa cuando Marina, una joven que necesita el certificado de defunción de su padre para solicitar una beca, viaja a Galicia, donde vive la familia paterna.

Allí, unos padres a los que no llegó a conocer, adictos a la heroína, pasaron sus últimos días antes de separarse, incapaces de seguir juntos, asfixiados por la niebla tóxica de las drogas en la que sus altos ideales habían ido a morir.

La historia nos resulta familiar a todos los españoles de cierta edad: los años ochenta, las esperanzas de libertad de una nueva generación que creció tras el cruel régimen de Franco. La «Movida» en Madrid, el «rollo» en Barcelona y sus equivalentes en todas las ciudades españolas: una búsqueda de liberación inspirada en los movimientos hippie y punk que, con frecuencia, terminaba entre la espada y la pared, ya fuera en un monótono trabajo de oficina o en alguna ocupación artística financiada por el gobierno, o, como en el caso de Alfonso, el padre de la protagonista, en el callejón sin salida de la adicción a la heroína.

Marina, incipiente cineasta, sigue la huella que dejaron sus padres a través de las voces de familiares y amigos, reconstruyendo las piezas del rompecabezas de sus vidas. Navega entre estas olas de descubrimiento y dolor armada con una cámara de vídeo y el diario de su madre, del que lee fragmentos mientras recorre los escenarios donde se desarrolló la tragedia de sus padres: la ciudad gallega de Vigo y las islas Cíes, un foco de movimiento hippie y estilo de vida alternativo en aquellos ya lejanos tiempos.

Los encuentros con diferentes personas durante su peregrinación -la romería del título-  tejen un tapiz de la vida en España en el tiempo que transcurre entre la vida de sus padres y la suya propia. Reconocemos ciertos patrones, vemos su origen: la hipocresía autoritaria tras la aparente respetabilidad de la época de Franco, encarnada por sus abuelos, gente de frialdad indiferente, heredada en diferente medida por sus hijos.

Marina descubre una vida con la que se siente desconectada, pero que forma parte de sus orígenes, y a la que debe enfrentarse. Marina es un ángel enviado del cielo para ayudarnos a comprender y reconciliarnos con el pasado.

Vemos las imágenes que captura con su cámara y presenciamos con ella las pequeñas crueldades de la novela familiar en la que de repente se encuentra inmersa, sintiéndose a la vez interesada y distante.

La película es un viaje a través de un pasado que todos reniegan con ahínco. Las generaciones más jóvenes fuman y consumen drogas, pero, para bien o para mal, sin el afán de liberación y expansión mental con el que lo hacía la generación de los padres de Marina, como descubrimos en los fragmentos del diario de su madre.

Probablemente sea lo mejor, pensamos, pero ¿qué pasó con esos altos ideales, con ese espíritu romántico y aventurero que animaba la vida de los padres de Marina? ¿Qué pasó con las utopías que tanto anhelaban? ¿Es eso todo lo que hay, se pregunta la película, la disyuntiva entre la espada y la pared?

Los anteriores largometrajes de Carla Simón, «Verano 93» y «Alcarrás», profundizaban en su biografía, aunque de forma superficial, como también lo hace en «Romería». Los detalles cambian y hay una imprecisión y una reticencia a ser específica al respecto. Lo que le importa a la directora no son los hechos en sí, sino la reconstrucción imaginativa de la vida mediante el poder narrativo del cine.

Sí, la película puede ser lenta, pero está impregnada de la poesía de una visión unificada, la de Marina, un alter ego de la directora en su propia búsqueda por reconstruir una historia a partir de los pecios que deja el naufragio de la vida.

Rafael Peñas Cruz

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